O anúncio de que o Governo Federal vai instalar máquinas de distribuição de preservativos em 400 escolas públicas brasileiras transformou o equipamento na maior atração em Florianópolis, onde está sendo realizado o VII Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e Aids. O equipamento será construído em série para combater dois problemas entre os jovens: a falta de conscientização e a timidez para pedir a camisinha.
O protótipo em exposição foi produzido por um grupo de seis alunos do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) de Santa Catarina e foi vencedor de um prêmio de inovação tecnológica no ano passado, conferido pelo próprio Ministério da Saúde e Organizações das Nações Unidas.
Parecida com uma máquina de refrigerantes, ela necessita de senha ou número de matrícula para que o estudante tenha acesso ao preservativo. Segundo o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, 400 máquinas serão construídas e distribuídas em escolas públicas do país até o final do ano, ao custo de R$ 400 a unidade. “Temos que dedicar uma atenção especial aos jovens, para trabalharmos a questão da prevenção”, destacou durante o congresso que reúne cerca de 4,5 mil pessoas na capital catarinense.
A idéia da construção da máquina surgiu de uma dificuldade dos próprios estudantes do grupo de trabalho do Cefet, considerada bastante comum entre estudantes e adolescentes. “Até pouco tempo, eu tinha muita vergonha de comprar uma camisinha se a balconista da farmácia ou supermercado fosse uma mulher. Não comprava de jeito nenhum se fosse atendido por uma mulher”, diz André Luis Pessetti, estudante de design que participou da construção da máquina. “Hoje vejo que era um preconceito grande de minha parte e não tenho mais esse problema”.
Segundo o professor Mário Lúcio, coordenador do projeto, a construção das máquinas e instalação em escolas precisa ser realizada simultaneamente a uma capacitação dos professores e profissionais de educação. “No projeto inserimos mais do que a distribuição de máquinas nas escolas e contemplamos um projeto de conscientização amplo”, destaca. “Temos que trabalhar junto com professores a questão das doenças e também da gravidez precoce”.
Para Mário, a máquina de camisinhas seria apenas uma “ferramenta” para evitar que a aids e outras doenças atinjam os jovens. “O projeto foi desenvolvido junto com grupos pedagógicos, de automação e design, pois a intenção não é simplesmente que a máquina seja colocada nas escolas sem uma orientação adequada”, completou.
O ministro Temporão afirmou que as máquinas serão desenvolvidas nos Cefets de Santa Catarina e Paraíba e deverão estar presente nas escolas a partir do primeiro semestre do ano que vem. O projeto também permite que o equipamento tenha uma série de adaptações e possa, por exemplo, ser usado em outros locais públicos. O teclado onde o aluno digita a senha pode ainda ser substituído por um dispensário de moedas ou mesmo retirado.
(Rádio Grande FM – 28.06.2008 )


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