ÁFRICA: Cuidado com a linguagem

27 06 2008

 O HIV afectou as nossas vidas, nossas famílias, nossas economias; ele também molda a nossa maneira de falar.

O IRIN/PlusNews observou como o vírus e o seu impacto se traduzem nas conversas do dia-a-dia, das ruas de Lagos até os subúrbios de Johannesburg, e concluiu que apesar de biliões de dólares gastos em estratégias de comunicação positiva, o discurso nas ruas continua decididamente negativo.

Em língua Shona, no Zimbábue, falada por cerca de 80 por cento da população, o calão é chamado de chibhende. Segundo Robert Muponde, professor sénior de estudos de Inglês na Universidade de Witswatersrand, na África do Sul, a expressão diz muita coisa sobre como o HIV é entendido e assimilado.

Chibhende significa falar de alguma coisa indirectamente, para não revelar o seu disfarce, ou para falar dela mais confortavelmente”, disse.

No Zimbábue, o HIV é muitas vezes chamado de ladrão (matsotsi). Se és seropositivo, as pessoas podem dizer que foste assaltado, ou Akarohwa nematsotsi em Shona, segundo Muponde. A frase dá uma ideia de como o vírus é entendido – como um ataque furtivo – mas também cria espaço para discussão que de outro modo poderia não existir.

“É difícil falar de sexo numa língua tímida como Shona,”, disse Muponde. “O calão torna mais fácil dizer o indizível ao fazê-lo parecer acessível e banal.”

Felicity Horne, pesquisadora de SIDA e linguagem na Universidade da África do Sul, concordou, dizendo que enquanto muitas comunidades lutaram para formalmente quebrar o silêncio sobre HIV e SIDA, termos informais ou calão para a pandemia proliferavam e começavam a construir uma resposta à pandemia.

“A linguagem não pode nem ser separada dos nossos pensamentos e sentimentos, nem do contexto social em que ela é usada,” disse ela. “Palavras e imagens criam realidades conceptuais diferentes do fenómeno.”

Organizações como a SAfAIDS, um serviço de disseminação de informação sobre HIV/SIDA na África Austral sediado no Zimbábue, diz que o calão usado para designar o vírus – que é quase sempre negativo – reforça o estigma e fatalismo que provou ser difícil de erradicar durante os 25 anos de advocacia.

O IRIN/PlusNews compilou uma curta lista das maneiras como as pessoas se referem ao HIV/SIDA no continente.

Angola (Português)

Pisar na mina - Contrair HIV é como “pisar numa mina”

Bichinho - “Um pequeno bicho” (o vírus)

Quénia (Kikuyu, falado principalmente no centro do país)

kagunyo - “O verme” (eufemismo para HIV)

Nigéria (Hausa, falada principalmente no norte)

Kabari Salama aalaiku - Literalmente traduzido por “Com licença, sepultura” (referência à SIDA)

Tewo Zamani - Traduzido como a “doença desta geração” (outra referência à SIDA)

Nigéria (Igbo, falada principalmenteno Leste)

Ato nai ise - “Cinco e três” (5 + 3 = 8, e “oito”, em inglês, soa como AIDS)

Oria Obiri na aja ocha - “Doença que termina em morte” (eufemismo para SIDA)

Nigéria (Yoruba, falada principalmente no ocidente)

Eedi - “Maldição”

Arun ti ogbogun - “Doença sem cura”

Nigéria (Pidgin, a lingua franca não-oficial)

He don carry - “Ele carrega o vírus”

Nigéria (Inglês)

HIV – Ele Pretende Vitória (He Intends Victory, em inglês. As iniciais formam a sigla de HIV. Trata-se também de uma frase popular entre cristãos renascidos)

África do Sul (IsiXhosa and IsiZulu)

Udlala ilotto - “Jogar na loteria” /ubambe ilotto – “ganhaste a loteria” (diz-se de alguém suspeito de ser seropositivo)

Unyathele icable - Contrair HIV é como “pisar no cabo electrificado”

África do Sul (Inglês)

House in Vereeniging - Sigla de HIV, a tradução é casa em Vereeniging. “Compraste uma casa em Vereeniging”, cidade a cerca de 50km a sul de Joanesburgo, refere-se a alguém suspeito de ser seropositivo)

Driving a “Z3″/ “having three kids”/ the “three letters” - Dirigir uma “Z3”, ter “três filhos”, as “três letras”. Todas se referem às letras da sigla HIV

Tracker - Rastreador. Se és suspeito de ser seropositivo as pessoas dizem que Deus está a te rastrear, como o popular serviço na África Austral de rastreamento e recuperação de veículos roubados.

Tanzânia (KiSwahili)

amesimamia msumari - “Ficar em pé em cima de um prego”; eufemismo para estar magro, ou de estar suficientemente pequeno para caber na cabeça de um prego, referindo-se à perda de peso relacionada à SIDA.

kukanyaga miwaya - Contrair HIV á como “pisar um cabo electrificado”

mdudu - “O bicho” (refere-se ao HIV)

Uganda (Inglês)

Slim - Magro. Eufemismo para HIV/SIDA como resultado da perda de peso associada à doença; menos popular desde o advento dos antiretroviriais (ARVs)

Uganda (Luganda, falada principalmente na região central)

Okugwa mubatemu - Foste emboscado por ladrões (contraiu HIV)

Zâmbia (Nyanja, falada principalmente no Leste e na capital, Lusaka)

Kanayaka - “Acendeu” (refere-se à reacção positiva do teste de HIV)

Ka-onde-onde - “Coisa que te faz cada vez mais magro” (HIV)

Zâmbia (Bemba, falada principalmente no norte e em Lusaka)

Bamalwele ya akashishi - “Os que sofrem do germe” (seropositivos)

Kaleza - “Lâmina” (refere-se à pessoa estar magro devido à perda de peso associada a SIDA)

Zimbábue (Shona)

Ari pachirongwa - “Ele está em programa de tratamento”

Akarohwa nematsoti - “Ele foi atingido por ladrões”

Mukondas - Abreviatura de “mukondombera” (epidemia)

Ari kumwa mangai - “Ele está a beber mangai” (mangai são sementes fervidas de milhos, que representam ARVs)

Akabatwa - “Ele foi pego” (recebeu um diagnóstico positivo)

Zvirwere zvemazuvano - “As doenças actuais” (a epidemia do HIV)

Akatsika banana - “Ele(a) pisou numa banana e escorregou” (alguém que testou seropositivo e por isso vai “cair” ou morrer em resultado disso)

Shuramatongo - “má premonição para os familiares”

Zimbábue (Inglês)

Red card - Cartão vermelho. Como um jogador de futebol que é expulso do campo, a vida acabou

Go slow - Significa que ele está a caminhar progressivamente para a morte

TB2 - Refere-se à alta taxa de co-infecçao por HIV e tuberculose (usada para significar SIDA)

RVR - Calão para ARVs, adaptada do veículo desportivo da Mitsubishi RVR

John the Baptist - João Batista. Quando alguém tem TB, diz-se que ele foi baptizado por “João Baptista”, que veio anunciar a vinda do HIV.

FTT - A tradução é “Incapacidade de prosperar” (adaptado da frase médica, agora usada para falar de crianças seropositivas)

Boarding pass - Cartão de embarque. Significa que o HIV é passaporte para a morte

Departure lounge - Sala de embarque. Uma pessoa infectada pelo HIV está na sala de embarque à espera da morte. 

O PlusNews está interessado em ouvir se podes melhorar este glossário. Por favor envia os teus exemplos, com uma breve descrição do significado e onde o calão é usado, para o email@plusnews.org
(PlusNews – 27.06.2008 )





Conflitos nos fármacos para VIH/sida

27 06 2008

Algumas administrações de hospitais estão a evitar a prescrição de fármacos mais recentes e caros para tratamento do VIH/sida, uma situação que tem merecido críticas por parte da classe médica.

Os clínicos sublinham que esta medida não faz qualquer sentido, sobretudo, porque não há medicamentos alternativos, sublinha Teresa Branco, especialista em VIH/sida.

Em declarações à Lusa, Teresa Branco não adiantou quais os hospitais que estarão a levar a cabo estas medidas, embora garanta que a decisão não esteja a ser bem vista pelos médicos, que estão obrigados a justificar a prescrição dos fármacos e mostrar que não há outras opções.

A médica salienta que a situação acabará por se tornar insustentável, dado que «nenhum médico pode aceitar que não seja prescrito um fármaco eficaz que um doente necessite quando não há outra opção».

Por seu lado, o presidente Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, Pedro Lopes, justificou a medida, salientando que tal apenas será possível quando exista uma «panóplia de medicamentos» e «estudos económicos» que referem as melhores opções.

Pedro Lopes adianta, no entanto, que, sempre que tal não se justifique, os médicos não terão outra opção senão passar mesmo outro medicamento mais caro.

O presidente da associação garante que não acredita que a não dispensa de medicamentos prescritos pelos médicos «aconteça de uma forma generalizada».
(Fábrica de Conteúdos – 26.06.2008 )





PNUD, Fundo Global e sociedade civil no combate ao VIH/Sida

27 06 2008

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) com financiamento do Fundo Global assinou hoje em Luanda um acordo com 13 organizações não-governamentais para o combate ao VIH/Sida junto das trabalhadoras do sexo e camionistas.

O projecto, avaliado em 1,9 milhões de dólares, terá a duração de um ano e visa sensibilizar as trabalhadoras do sexo e os camionistas para o risco de contraírem sida por estarem permanentemente expostos à doença.

Segundo a directora-geral adjunta do Instituto Nacional de Luta contra a Sida (INLS) em Angola, Lúcia Furtado, a estratégia da instituição consiste em realizar parcerias com os diferentes sectores, sobretudo a sociedade civil, para adoptart acções nos diferentes níveis da luta contra a sida, como a prevenção primária (antes de contrair a doença), a secundária (depois da contaminação) e a terciária (tratamento).

“Com esse acordo pretende-se expandir as actividades no âmbito do combate ao VIH/Sida nas comunidades”, salientou .

De acordo com Lúcia Furtado, neste grupo deverão realizar-se acções de prevenção primária mediante a criação de condições para que população/alvo tenha acesso à informação, educação, serviços de aconselhamento e testagem voluntária, aos serviços de assistência, tratamento e seguimento.

O projecto abrangerá nove províncias, designadamente, Luanda, Zaire, Benguela, Cunene, Cabinda, Huíla, Lunda-Sul, Moxico e Huambo, cujos critérios de selecção obedeceram à taxa de prevalência da epidemia, em que o Cunene é a mais atingida com 9,4 por cento, por se situar junto à fronteira com a Namíbia, que tem uma prevalência de 20 por cento.

A sero-prevalência do VIH/Sida na população angolana em geral é de 2,1 por cento, uma das mais baixas de África.

Segundo Lúcia Furtado, a situação não deixa de ser “alarmante”, porque o país conta uma extensa fronteira com outros países africanos, nomeadamente Zâmbia e Namíbia.

Para o gestor do programa de VIH/Sida e tuberculose do PNUD em Angola, Mário Cooper, trata-se de um projecto que tem por meta manter a taxa de prevalência actual em Angola, por ser das mais baixas de África.

“Este projecto destina-se também a não permitir que a taxa de prevalência suba, com incidência para as trabalhadoras do sexo pelos riscos que o tipo da actividade que desenvolvem as remete”, referiu Cooper.

Entre as actividades específicas a desenvolver no projecto, inclui-se a prevenção e educação junto das trabalhadoras do sexo, que pela primeira vez se realiza em Angola.

O representante da organização não-governamental angolana de combate ao VIH/Sida, Pombal Maria, em nome das 13 organizações da sociedade civil, referiu que a assinatura do acordo representa um “compromisso” com as comunidades mais vulneráveis.

“Neste caso pensamos diminuir o impacto do VIH/Sida nessas comunidades e acho que este projecto será integrado no sentido de comportar também a atribuição de pequenos créditos às mulheres que fazem a troca de sexo por dinheiro, por ser uma preocupação económica”, afirmou.
(Notícias Lusofonas – 26.06.2008 )





Celebridades afro-americanas e líderes cívicos juntos em campanha contra a sida

27 06 2008

Várias celebridades afro-americanas do mundo do cinema e da música, entre eles o actor Eric “Little E” Wright e o rapper Coolio e o cantor Jody Watley, juntam-se esta sexta-feira, 27, aos líderes cívicos dos Estados Unidos da América numa campanha contra a sida intitulada “Test 1 Million”. O objectivo é fazer o teste de VIH a 1 milhão de negros americanos até 1 de Dezembro de 2009.

A SIDA é a principal causa de morte de mulheres negras dos 25 aos 34 anos e estima-se que 46% de homossexuais negros podem ser VHI positivo e, de acordo com as autoridades americanas, mais de 260 mil pessoas nos Estados Unidos infectadas com o VIH não sabem que estão infectados.

Para ajudar a pôr fim a esta epidemia da sida nos EUA, dezenas de celebridades participam na campanha “Teste 1 Milhão”. Quem quiser fazer o teste deve consultar o site www.blackaids.org para conhecer a localização do posto de teste do VIH no seu bairro ou cidade. “A sida nos Estados Unidos da América é hoje uma doença dos negros. Ninguém quer falar sobre isso e ninguém quer assumir a culpa. Este silêncio está a matar-nos”, diz o director executivo e fundador do Black AIDS Institute, Phill Wilson .

Por isso, continua, “estamos a convocar 1 milhão de negros americanos para fazer o teste de VIH no próximo ano, porque o resultado do teste pode salvar a sua vida, e cada um de nós tem a responsabilidade sobre a nossa própria pessoa e as nossas comunidades de falar com os membros da nossa família e entes queridos sobre isso”.

A campanha “Teste 1 Milhão” é parte do projecto Mass Black Response to the AIDS, que é financiado por um grupos de instituições de cariz social como Black AIDS Institute, The Balm in Gilead e the National Black Leadership Commission on AIDS, por um período de quatro anos. Os principais objectivos desse projecto é reduzir para metade o número de negros americanos infectados com o VIH, aumentar em 50 % o número de negros americanos que conhecem o seu status VIH, reduzir o estigma em negros americanos em 50% e aumentar o número de negros americanos que recebem tratamento.

Jimmy Jean-Louis , actor da série televisiva “Heroes”, que é um dos rostos da campanha “Teste 1 Milhão”, conta que “aos 14 anos, quando vivia em Paris, eu era o único estudantes forçado a fazer um teste de VIH para poder ir numa visita de estudo a Londres porque era negro e vinha do Haiti”. “Essa experiência pôs-me a par da epidemia, e desde então lutar contra esta doença é um estilo de vida. Fazer um teste de sida pode provocar medo mas é extremamente importante saber o seu status VIH. Eu conheço o meu status. Sou o número 1 num milhão”.

Os números que relacionam os negros americanos à sida não deixam dúvidas sobre a importância desta campanha: o VIH é a principal causa de morte entre as mulheres negras dos 25 aos 34 anos; em 2005, os negros compunham 48 % dos novos infectados com o VIH (em 33 estados) embora sejam apenas 13% da população dos EUA; e 65% das crianças que foram infectados com VIH à nascença são negras.

(A Semana Online – 27.06.2008 )





Governo instalará 400 máquinas de distribuição camisinhas em escolas

27 06 2008

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse nesta quinta-feira que o governo pretende produzir e distribuir 400 máquinas de camisinha para escolas que integram o programa Saúde e Prevenção nas Escolas. O anúncio foi feito no 7º Congresso Brasileiro de Prevenção das DST Aids, que ocorre em Florianópolis (SC), até sábado (28).

A iniciativa faz parte de um projeto piloto do Ministério da Saúde, iniciado no ano passado, que realizou um concurso entre os Cefet (Centros Federais de Educação Tecnológica) para a produção de máquinas de camisinha por menos de R$ 400. No exterior, o aluguel mensal dessas máquinas possui preço semelhante. A unidade de Santa Catarina ficou em primeiro lugar, seguida pela da Paraíba.

Divulgação
Máquina de distribuição de camisinhas que será instalada em escolas
Máquina de distribuição de camisinhas que será instalada em escolas do país

A expectativa do ministério é que as máquinas comecem a ser produzidas –metade pelo Cefet-SC e metade pelo Cefet-PB– até o final do ano, e que as primeiras delas sejam distribuídas no começo de 2009. Ainda não há decisão sobre quais escolas serão contempladas nem sobre que critérios serão utilizados na escolha.

Segundo o Ministério da Saúde, o censo das escolas realizado em 2006 mostrou que cerca de 100 mil já trabalham o tema DST/Aids no currículo. Destes, por volta de 10% distribuem preservativos. São na maioria escolas públicas. O uso das máquinas e o acesso aos preservativos ficarão a cargo das próprias escolas.

O professor do Departamento Acadêmico de Metal-Mecânica do Cefet de Santa Catarina, Mário Roloff, que coordenou o grupo vencedor do concurso, diz que o protótipo da máquina prevê peso inferior a 30 kg e capacidade de 600 preservativos. O projeto apresentado no concurso indica corredores, banheiros e enfermarias como locais de instalação das máquinas.

De acordo com Roloff, a máquina será similar a um caixa eletrônico, e o aluno precisará da matrícula e de uma senha para retirar um número limitado de preservativos por semana. Os critérios quanto a quais os alunos autorizados e qual o limite serão também definidos pela escola, em acordo com os pais.

Polêmica

O tratamento dispensado ao tratamento da Aids tem gerado polêmica nas últimas semanas. No último dia 9, o chefe do departamento para HIV/Aids da OMS (Organização Mundial da Saúde), ligada à ONU, Kevin de Cock, afirmou em entrevista ao jornal britânico “The Independent” não haver mais risco de epidemia da síndrome entre heterossexuais, exceto na África subsaariana.

O Ministério da Saúde tem posição diferente e diz atuar no combate universal à Aids, como foco na educação sexual, por isso a criação das máquinas. Segundo o Programa Nacional de DST/Aids, na população em geral há 16 homens infectados pelo HIV para cada dez mulheres, enquanto que entre jovens de 13 a 19 essa proporção se inverte. ~

(Folha Online – 26.06.2008 )





Especialistas discutem plano contra aids entre mulheres

27 06 2008

Gestores, profissionais de saúde, pesquisadores e representantes dos movimentos sociais se reúnem em Florianópolis para discutir a implementação de medidas contra a disseminação do HIV e das DST entre mulheres no Brasil.

Trata-se do Fórum do Plano Integrado de Enfrentamento da Feminização da Epidemia de Aids e outras DST e da Oficina Plano Integrado de Enfrentamento da Feminização da Epidemia de Aids e outras DST: Compartilhando experiências de implementação. Estas são atividades que antecedem o VII Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e Aids, que acontece na cidade de 25 a 28 de junho.

Entre os tópicos a serem trabalhados tanto no Fórum como na Oficina destacam-se a descentralização da implementação do Plano em nível local, participação e mobilização da sociedade civil, troca de experiências e lições aprendidas nas esferas federal e estadual e estratégias para implementação e monitoramento do Plano.

Plano integrado

O Plano Integrado de Enfrentamento à Feminização da Epidemia de Aids e outras DST, lançado durante as comemorações do Dia Internacional da Mulher em março de 2007, é uma resposta ao crescimento de 44% na infecção por HIV entre mulheres no período de 1995 a 2005.

É considerado um avanço na resposta nacional ao HIV, pois promove a integração de ações de enfrentamento à feminização da epidemia de aids e outras DST, realizadas por diferentes áreas do setor saúde e do setor de políticas para mulheres.

Desde o lançamento do Plano, foram realizadas seis oficinas macro-regionais para elaborar planos de ação em nível estadual, contribuindo para definir as estratégias para implementação do Plano a partir das experiências e demandas dos estados para 2008.

Com o objetivo de reduzir as vulnerabilidades das mulheres em relação ao HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis, o Plano inclui entre suas metas: dobrar o percentual de mulheres que realizaram testes anti-HIV (de 35% para 70%); reduzir a transmissão vertical de 4% para menos de 1% até 2008; aumentar a aquisição de preservativos femininos de 4 milhões em 2007 para 10 milhões em 2008; e eliminar a sífilis congênita.

Segundo os especialistas envolvidos com a implementação do Plano, os próximos passos incluem: a definição de estratégias de monitoramento e avaliação em nível nacional, a pactuação junto aos gestores dos estados e municípios, a implementação dos planos estaduais, o desenvolvimento de uma agenda de trabalho junto aos homens que fazem sexo com mulheres e a adoção do plano integrado como referência para o apoio a iniciativas da sociedade civil para ação em rede.

Segundo Alanna Armitage, Representante do UNFPA, Fundo de População das Nações Unidas no Brasil, há grandes expectativas em relação à implementação do plano contra a feminização da epidemia de aids. “Para o sucesso das ações propostas, é crucial a gestão solidária dos governos estaduais e municipais, a integração entre os setores saúde e de políticas para mulheres, entre outros, e, sem dúvida, a mobilização da sociedade”, ponderou.
(maRACAJUnEWS – 25.06.2008 )





GOVERNO RETOMA ARTICULAÇÃO PARA REEDITAR O PROGRAMA AFROATITUDE

27 06 2008

A retomada do programa Afroatitude será o ponto principal de uma reunião que acontecerá em Brasília, na segunda quinzena de julho. A decisão foi tomada durante a II Mostra Afroatitude, que acontece como atividade prévia do VII Congresso Brasileiro de Prevenção às DST e Aids, que se realiza em Florianópolis (SC), de 25 a 28 de junho. Participarão do encontro representantes do Programa Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde, de duas secretarias especiais ligadas à Presidência da República (Políticas de Promoção da Igualdade Racial/SEPPIR e Direitos Humanos/SEDH) e da Secretaria Nacional da Juventude, além de estudantes e professores universitários.

De acordo com os participantes da Mostra, o maior desafio para reeditar o Afroatitude é garantir sua sustentabilidade financeira. Estima-se que seja necessário R$ 1,872 milhão para atender dez universidades durante um ano. Cada instituição contaria – de acordo com essa previsão – com 50 bolsas para alunos, no valor de R$ 300, e com uma de R$ 600 para o professor coordenador. Na reunião do próximo mês, também serão debatidas questões como a gestão do programa e a articulação com outras áreas do governo.

Representando a SEPPIR no encontro, Maria do Carmo Ferreira da Silva anunciou a intenção da pasta em assumir a gestão do programa e, assim, promover a aproximação com outros parceiros dentro do governo. A idéia, segundo ela, não é pensar o programa como uma iniciativa da atual gestão, mas como uma ação do Estado. “Além dos recursos, é preciso capacitar servidores públicos e fazer com que eles se apropriem do Afroatitude”.

Histórico – O Afroatitude foi criado em 2005, dentro do “Programa Estratégico de Ações Afirmativas: população negra e aids”. Previsto para vigorar inicialmente por um ano, beneficiou cerca de 500 estudantes cotistas de dez universidades públicas, até 2007. Dentro do programa, foram desenvolvidos projetos nas áreas de saúde, vulnerabilidades ao HIV e à aids, racismo, protagonismo e ações afirmativas. Sob a coordenação do Programa Nacional de DST e Aids, foi investido cerca de R$ 1,7 milhão.

Para Karen Bruck, coordenadora do Afroatitude no Ministério da Saúde, os estudos desenvolvidos nos dois anos do programa ajudaram a responder uma lacuna de conhecimento sobre a questão racial da epidemia. “O maior ganho [do Afroatitude] foi que o tema se tornou transversal. Hoje, todos os planos do Programa Nacional de DST e Aids têm o quesito raça e cor”.

Na visão de Aurelielza Santos, estudante da Universidade Estadual da Bahia (UNEB), o Afroatitude ajudou a dar novo significado ao espaço dos cotistas nas instituições. “Tínhamos medo do que falariam de nós por causa das cotas. [...] O programa nos ajudou a conquistar respeito, direito e a permanecer na universidade”, ressalta a estudante, que desenvolveu o estudo “Vulnerabilidade e Avaliação de Ações Preventivas no Ensino Médio do Município Santo Antônio de Jesus – BA”.

Perspectivas – A retomada do programa vai beneficiar gente como a estudante de Letras Maria Félix de Carvalho, da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). Bolsista em 2005, ela iniciou trabalho sobre racismo e preconceito nas séries iniciais do ensino fundamental. “Meu projeto não parou porque há muita carência de trabalho sobre essas séries, mesmo no ensino infantil”. Com a bolsa, ela e sua orientadora chegaram a ministrar palestras para professores de escolas de Nova Andradina (MS), onde mora, e de Taquarussu e Bataiporã, municípios vizinhos.

O diretor-adjunto do Programa Nacional de DST e Aids, Eduardo Barbosa, acredita que o maior avanço do encontro foi o compromisso da SEPPIR em incorporar o Afroatitude às suas linhas de ação. “O programa de aids cumpriu seu papel de estimular o debate e promover respostas para a população negra. É importante que, a partir de agora, isso seja implementado por outras áreas do governo”.

Fonte: Programa Nacional de DST/Aids
(Agencia de Noticias da AIDS – 25.06.2008 )





Congresso em Florianópolis discute doenças sexualmente transmissíveis e aids

27 06 2008

Começa esta quarta-feira (25) em Florianópolis o 7º Congresso Brasileiro de Prevenção das DST [Doenças Sexualmente Transmissíveis] e Aids. O encontro, que vai até sábado (28), é promovido pelo Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde.

O tema escolhido para orientar o encontro é Município-mundo e tem o objetivo de explorar diversas abordagens da dimensão global e local na formulação de respostas ao enfrentamento da epidemia de aids e outras DST.

Temporão participa hoje da abertura dos trabalhos. Amanhã (26) de manhã, ele faz palestra sobre Os 20 anos do SUS [Sistema Único de Saúde} e a construção da resposta brasileira à epidemia de aids.

Durante o congresso, serão debatidos temas polêmicos como a restrição da entrada de estrangeiros com HIV em certos países e a garantia de tratamento aos pacientes de aids no Brasil, considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) líder no fornecimento de medicamentos anti-retrovirais a aidéticos.

(Agencia Brasil – 25.06.2008 )





27 06 2008

O consumo de álcool e substâncias e drogas pelos condutores sintrenses ganha no próximo fim-de-semana um novo fôlego. A campanha “Sintra-se Seguro”, que decorre no Largo D. Fernando II, em São Pedro, nas noites de 27 e 28 de Junho, pretende prevenir a presença daquelas substâncias nos jovens do concelho.

No local, será feita uma avaliação dos riscos através da realização de testes de alcoolemia. A campanha conta ainda com a distribuição de folhetos informativos e aconselhamento relativamente ao álcool, outras drogas psico-activas e VIH/SIDA.

A iniciativa enquadra-se no Programa de Redução de Riscos e Minimização de Danos em contextos de diversão nocturna (discotecas, bares, after-hours, ambientes envolventes e festas), locais propícios ao uso e abuso de drogas e álcool, resultante de um protocolo celebrado entre a Autarquia e a “Conversas de Rua – Associação” e está ser realizado no concelho de Sintra desde o Verão de 2004.

 ”Conversas de Rua” é um projecto que assenta fundamentalmente na intervenção precoce junto de jovens, consumidores experimentais de drogas de síntese e/ou ditas de diversão.  A metodologia de desenvolvimento deste programa assenta no Trabalho Educativo de Rua. Os educadores de Rua desenvolvem a sua actividade junto aos bares do Centro Histórico de Sintra, Praia Grande e Praia das Maçãs.

(ALvor Sintra – 26.08.2008 )