Dois em cada três (67 por cento) reclusos em 2007 estavam na prisão por crimes relacionados directa ou indirectamente com drogas, um valor 5,5 pontos percentuais mais baixo em relação a 2001, segundo um estudo hoje apresentado.
O estudo sobre consumo de drogas em prisões do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa refere que a droga continua a ser a maior causa de detenção e que a grande maioria dos que entram no sistema prisional nos últimos anos já consumiu droga (64 por cento). Em 2001, eram 66 por cento.
Nota-se a tendência decrescente na proporção de reclusos consumidores de droga com o avançar da idade, embora essa redução fosse mais acentuada no estudo de 2001.
Há um decréscimo no consumo de heroína nas declarações de consumo de substâncias em algum momento, sendo ultrapassado em 2007 pelo consumo de cocaína, existindo ainda o aumento das declarações de consumo de estasy.
O consumo de heroína desceu (de 27 para 13 por cento), à semelhança da cocaína, anfetaminas e ecstasy, que registaram todas um decréscimo de consumidores dentro das prisões.
Em 2007, havia 29 por cento dos reclusos dos estabelecimentos prisionais portugueses a consumir cannabis, quando seis anos antes essa percentagem era de 39 por cento.
Apesar da redução global no consumo de drogas ao longo da vida dos reclusos, notou-se um aumento de três pontos percentuais no recurso ao ecstasy (de 17 para 20 por cento).
Mostra-se ainda uma modificação de práticas de consumo para os que mantêm a sua dependência: injectam menos e fumam mais.
Ao nível das doenças infecto-contagiosas entre 2001 e 2007 houve um aumento do número de testes realizados, uma diminuição de indivíduos infectados e um aumento dos que declararam apenas usar agulhas novas.
Em 2001 havia 16 por cento de presos com VIH, percentagem que baixou para os 10 por cento no ano passado.
Nas hepatites, o tipo B registou uma diminuição de cinco pontos percentuais (10 por cento para cinco por cento) e no tipo C de quatro pintos percentuais (de 27 por cento para 23).
Segundo o mesmo estudo, a maioria dos reclusos portugueses é do sexo masculino, jovem, com baixa escolaridade, solteiro ou em união de facto e empregados em actividades de baixa qualificação.
A investigação coordenada por Anália Torres, do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, o perfil dos reclusos manteve-se, embora com diferenças nomeadamente quanto à média etária: há um ligeiro envelhecimento, passando de 34 anos para 35,7 anos.
Em relação a 2001, as reclusas são mais novas (37 anos) e os homens têm idade superior (33 anos).
A escolaridade mantém-se baixa, com uma tendência em 2007 para o aumento da escolaridade com o avançar da idade dos inquiridos e uma maior escolaridade nas mulheres.
No ano passado, quase 85 por cento dos reclusos tinha nacionalidade portuguesa, destacando-se ainda os valores dos cidadãos provenientes de países africanos de língua oficial portuguesa (54 por cento) e da América Latina (25).
No período anterior à reclusão, 32 por cento dos indivíduos morava na Grande Lisboa e cerca de 16 por cento na região do Porto.
Em termos profissionais, a maioria continua a ser empregada em profissões que envolvem trabalho manual e comércio e com baixos rendimentos. Houve uma redução nestes anos na proporção de patrões, na ordem dos 0,6 pontos percentuais (de 8 para 7,4 por cento).
Sobre o perfil dos directores, há em 2007 mais mulheres (52,8 por cento), com mais experiência no trabalho com reclusos, mais tempo no exercício de funções, mais escolarizados e com maior enfoque nas ciências sociais nas suas formações académicas.
(Visão – 24.06.2008 )
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