O antigo presidente norte-americano Bill Clinton elogiou, hoje, Portugal pelo investimento nas energias renováveis, lembrando que as alterações climáticas constituem um grande problema para o futuro do planeta. O 42º presidente dos Estados Unidos falava no Museu da Electricidade, em Lisboa, na conferência “Uma só humanidade”, organizada pela agência de comunicação Cunha Vaz e Associados para assinalar o seu quinto aniversário.
“Portugal tem liderado o caminho das novas formas de energia”, disse, dando como exemplo o trabalho feito ao nível da “energia das ondas”.
Assinalando que “as alterações climáticas são um grande problema para o futuro”, Bill Clinton insistiu: “É por isso que o que Portugal aqui faz em termos de energias limpas é tão interessante”.
Bill Clinton apontou como “característica deste novo milénio uma interdependência sem precedentes” entre os países, salientando que só com “cooperação internacional” se podem enfrentar problemas como o das alterações climáticas, da imigração, do terrorismo, das epidemias, da crescente desigualdade entre países ricos e pobres e entre os cidadãos dos países mais desenvolvidos.
Considerando não haver nenhum país que possa enfrentar sozinho qualquer daqueles problemas, o antigo chefe de Estado chamou a atenção para a “enorme responsabilidade” que têm de ajudar os que beneficiaram da globalização.
Papel da sociedade civil
A propósito, destacou o papel da sociedade civil, adiantando que nos Estados Unidos existe mais de um milhão de organizações privadas, mais de metade das quais nasceu nesta década.
Entre elas encontra-se a fundação William J. Clinton, cujo trabalho ao nível do combate à SIDA foi dado como exemplo pelo antigo presidente da necessidade de organizar sistemas nos países pobres para poderem beneficiar da ajuda, nomeadamente financeira.
Clinton disse que o Brasil é um exemplo positivo no combate à SIDA porque além de dinheiro organizou um sistema de distribuição de medicamentos, adiantando que a sua fundação procurou também organizar o mercado ao nível dos produtores dos medicamentos e instalar serviços nos países a ajudar.
Segundo o presidente, a lição vale também para o combate a outros problemas, como o do aumento do preço dos alimentos.
“Também se pode organizar o sistema agrícola dos países, ajudando-os a serem autosuficientes”, disse, considerando que “aumentar a autosuficiência dos países africanos seria ainda mais importante” do que “cortar subsídios aos agricultores dos Estados Unidos e da Europa”.
Em relação ao combate às alterações climáticas, lamentou estar “a ser feito pouco trabalho sério” em relação à obrigatória mudança de sistema para poder gerir o mundo com novas formas de energia.
“É preciso mudar o sistema”, insistiu, adiantando, no entanto, que “só se pode conseguir se se provar que é positivo economicamente ficar livre do gás carbónico”, o gás do efeito de estufa que mais contribui para o aquecimento do planeta.
Considerou assim que tudo o que Portugal possa fazer para provar que é possível crescer economicamente sem atirar mais gases com efeito de estufa para a atmosfera “é um bom trabalho” para o mundo.
Num mundo interdependente, é nestes termos que a nossa cidadania deve ser definida, sustentou.
“Não nos basta trabalhar e pagar impostos, é preciso fazer mais”, afirmou, defendendo, nestes termos, que a cidadania requer um nível de envolvimento em termos de interesse público.
“Deviamos ensinar os nossos filhos nas escolas a pensar em cidadania em termos globais”, disse ainda Bill Clinton, para considerar que “há sempre alguma coisa que se pode fazer”.
O antigo presidente está na Europa esta semana para celebrar o 90º aniversário de Nelson Mandela, fazer conferências e trabalhar para a Fundação William J. Clinton.
(SIC Online – 25.06.2008 )
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