O Vírus da Imunodeficiência Felina (FIV), uma das doenças mais mortais nos gatos, tornou esta espécie num “bom modelo” para estudar a sida por actuar de forma semelhante ao VIH. Descoberto em 1986 por uma equipa de investigadores norte-americanos, o FIV, tal como o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), não tem cura e desenvolve-se por várias fases.
As semelhanças entre a doença dos felinos e a dos humanos tornaram “os gatos um bom modelo para investigação humana”, disse o geneticista Agostinho Antunes, um dos cientistas envolvidos na investigação que sequenciou o genoma do gato.
“A progressão da doença que aparece no gato doméstico é um bocadinho distinta dos humanos, mas os sintomas são semelhantes, com uma degeneração progressiva do sistema imunitário”, adiantou o cientista do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto.
O investigador explicou que o FIV também ataca outras espécies de felinos. Algumas delas, como o leão africano e o puma, têm frequências extremamente elevadas do vírus, mas aparentemente não têm a patologia associada. Para Agostinho Antunes, é importante perceber como é que estes animais, tal como os primatas, conseguiram arranjar estratégias biológicas para sobreviverem ao ataque do vírus.
«Não somos assim tão diferentes»
A descoberta do genoma do gato foi um “salto grande” para estudar a evolução do genoma humano e de outros mamíferos, incluindo a compreensão da base genética de inúmeras doenças hereditárias e infecciosas. “Nós não somos assim tão diferentes de um gato em termos genómicos”, sublinhou o cientista, precisando que cerca de 250 genes têm patologias semelhantes em humanos, o que permite compreender melhor as alterações genéticas e as doenças a elas associadas.
Acrescentou, conhecer o genoma do gato permite fazer investigações mais aprofundadas em espécies carismáticas e ameaçadas de felinos, como leões e tigres. “Podem retirar-se excelentes lições em termos de estratégias de sobrevivência, nomeadamente com a possibilidade de os leões resistirem à infecção do FIV sem apresentarem os efeitos da imunodeficiência como acontece no gato doméstico”, explicou.
A ideia, justificou, é estudar no caso do gato e nos felinos alguns desses genes que já foram identificados e que estão aparentemente relacionados com a ausência de infecção entre os primatas e os humanos. “Estão agora a ser feitas investigações entre o gato e outras espécies felinas e é esse tipo de paralelismo que se pode efectuar e ser bastante útil porque permite adquirir conhecimentos que podem ser muito importantes para a produção de vacinas ou de estratégias de tratamento”, frisou.
Mas trabalhar com o vírus da imunodeficiência é “muito complicado porque tem uma taxa de mutação muito elevada, mas existem já vários paralelismos que foram efectuados entre o FIV e o HIV”, referiu. O desconhecimento da doença leva alguns donos a abandonarem os animais, apesar do Vírus da Imunodeficiência Felina não ser transmissível aos humanos.
“Não há qualquer capacidade desse vírus infectar pessoas, apesar de ter muitas semelhanças com o vírus da imunodeficiência nos humanos”, revela a veterinária Maria João Pereira, do Hospital Veterinário de Trás-os-Montes. As vias de transmissão do vírus são através de arranhadelas, dentadas, contacto sexual e de mãe para filho. “A doença é mais comum em gatos machos, não castrados e jovens porque são os que andam mais na rua a lutar uns contra os outros”, explicou.
A “sida” dos gatos levou a “European Advisory Board on Cat Diseases (ABCD)” a publicar em Março deste ano as primeiras directrizes europeias sobre a doença, que recomendam que os gatos não devem ser abatidos. Recomenda ainda o isolamento dos gatos, o tratamento com medicamentos antivirais e a castração para os gatos deixarem de lutar e assim evitar o contágio.
Directrizes já eram aplicadas em Portugal
A veterinária Célia Palma, da Liga Portuguesa dos Direitos dos Animais (LPDA), adiantou que essas directrizes “são óptimas”, mas ressalvou que já se praticavam em Portugal. Apesar de não haver estudos em Portugal que indiquem a prevalência da doença nos gatos, Célia Palma adiantou que deve ser idêntica à de França. “Os últimos estudos que li falam em 70 por cento dos gatos de rua infectados”, sustentou.
Ana Mendes descobriu há cerca de seis meses que o seu gato Gabriel, sete anos, estava infectado depois de ter feito análises ao sangue. “O Gabriel ao comer engasgava-se e manifestava uma ligeira dor na boca. Achei muito estranho e levei-o ao veterinário que lhe receitou antibiótico, mas as gengivas continuavam muito vermelhas”, contou. Através de uma amiga soube que os gatos podiam ter “sida” e questionou o veterinário sobre essa possibilidade.
“O Gabriel fez os testes ao FIV e ao FEV (leucemia) e acusou sida como nos humanos”, contou, lembrando que ficou “assustada” no início pelo Gabriel mas também por outra gata que tem em casa. Ana Mendes agora tem de ter cuidados redobrados em casa para que o Gabriel não transmita a doença à gata, que já fez o teste do FIV e deu negativo.
Para melhorar a qualidade de vida dos animais, os veterinários estão a utilizar no tratamento um imunoestimulador para estimular as defesas do animal. Agostinho Antunes acrescentou que existe uma vacina mas a sua eficácia não está comprovada.
(Ciência Hoje – 22.06.2008 )


Hoje, levei a minha gata ao veterinário, pois ela estava com uma doença de pele. A doutora olhou a boquinha dela e percebeu que ela estava com a gengiva vermelha, então, levantou a suspeita de que a Mag poderia estar com a Aids Felina. Eu gostaria de fazer o teste, mas é muito caro para mim agora. Existe este exame por um preço em conta? E será que a minha gata está com esta doença mesmo ela tendo menos de 1 ano? Estou muito preocupada.