Gatos com sida são «bom modelo» para estudar vírus nos humanos

23 06 2008

O Vírus da Imunodeficiência Felina (FIV), uma das doenças mais mortais nos gatos, tornou esta espécie num “bom modelo” para estudar a sida por actuar de forma semelhante ao VIH. Descoberto em 1986 por uma equipa de investigadores norte-americanos, o FIV, tal como o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), não tem cura e desenvolve-se por várias fases.

As semelhanças entre a doença dos felinos e a dos humanos tornaram “os gatos um bom modelo para investigação humana”, disse o geneticista Agostinho Antunes, um dos cientistas envolvidos na investigação que sequenciou o genoma do gato.

“A progressão da doença que aparece no gato doméstico é um bocadinho distinta dos humanos, mas os sintomas são semelhantes, com uma degeneração progressiva do sistema imunitário”, adiantou o cientista do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto.

O investigador explicou que o FIV também ataca outras espécies de felinos. Algumas delas, como o leão africano e o puma, têm frequências extremamente elevadas do vírus, mas aparentemente não têm a patologia associada. Para Agostinho Antunes, é importante perceber como é que estes animais, tal como os primatas, conseguiram arranjar estratégias biológicas para sobreviverem ao ataque do vírus.

«Não somos assim tão diferentes»

A descoberta do genoma do gato foi um “salto grande” para estudar a evolução do genoma humano e de outros mamíferos, incluindo a compreensão da base genética de inúmeras doenças hereditárias e infecciosas. “Nós não somos assim tão diferentes de um gato em termos genómicos”, sublinhou o cientista, precisando que cerca de 250 genes têm patologias semelhantes em humanos, o que permite compreender melhor as alterações genéticas e as doenças a elas associadas.

Acrescentou, conhecer o genoma do gato permite fazer investigações mais aprofundadas em espécies carismáticas e ameaçadas de felinos, como leões e tigres. “Podem retirar-se excelentes lições em termos de estratégias de sobrevivência, nomeadamente com a possibilidade de os leões resistirem à infecção do FIV sem apresentarem os efeitos da imunodeficiência como acontece no gato doméstico”, explicou.

A ideia, justificou, é estudar no caso do gato e nos felinos alguns desses genes que já foram identificados e que estão aparentemente relacionados com a ausência de infecção entre os primatas e os humanos. “Estão agora a ser feitas investigações entre o gato e outras espécies felinas e é esse tipo de paralelismo que se pode efectuar e ser bastante útil porque permite adquirir conhecimentos que podem ser muito importantes para a produção de vacinas ou de estratégias de tratamento”, frisou.

Mas trabalhar com o vírus da imunodeficiência é “muito complicado porque tem uma taxa de mutação muito elevada, mas existem já vários paralelismos que foram efectuados entre o FIV e o HIV”, referiu. O desconhecimento da doença leva alguns donos a abandonarem os animais, apesar do Vírus da Imunodeficiência Felina não ser transmissível aos humanos.

“Não há qualquer capacidade desse vírus infectar pessoas, apesar de ter muitas semelhanças com o vírus da imunodeficiência nos humanos”, revela a veterinária Maria João Pereira, do Hospital Veterinário de Trás-os-Montes. As vias de transmissão do vírus são através de arranhadelas, dentadas, contacto sexual e de mãe para filho. “A doença é mais comum em gatos machos, não castrados e jovens porque são os que andam mais na rua a lutar uns contra os outros”, explicou.

A “sida” dos gatos levou a “European Advisory Board on Cat Diseases (ABCD)” a publicar em Março deste ano as primeiras directrizes europeias sobre a doença, que recomendam que os gatos não devem ser abatidos. Recomenda ainda o isolamento dos gatos, o tratamento com medicamentos antivirais e a castração para os gatos deixarem de lutar e assim evitar o contágio. 

Directrizes já eram aplicadas em Portugal

A  veterinária Célia Palma, da Liga Portuguesa dos Direitos dos Animais (LPDA), adiantou que essas directrizes “são óptimas”, mas ressalvou que já se praticavam em Portugal. Apesar de não haver estudos em Portugal que indiquem a prevalência da doença nos gatos, Célia Palma adiantou que deve ser idêntica à de França. “Os últimos estudos que li falam em 70 por cento dos gatos de rua infectados”, sustentou.

Ana Mendes descobriu há cerca de seis meses que o seu gato Gabriel, sete anos, estava infectado depois de ter feito análises ao sangue. “O Gabriel ao comer engasgava-se e manifestava uma ligeira dor na boca. Achei muito estranho e levei-o ao veterinário que lhe receitou antibiótico, mas as gengivas continuavam muito vermelhas”, contou. Através de uma amiga soube que os gatos podiam ter “sida” e questionou o veterinário sobre essa possibilidade.

“O Gabriel fez os testes ao FIV e ao FEV (leucemia) e acusou sida como nos humanos”, contou, lembrando que ficou “assustada” no início pelo Gabriel mas também por outra gata que tem em casa. Ana Mendes agora tem de ter cuidados redobrados em casa para que o Gabriel não transmita a doença à gata, que já fez o teste do FIV e deu negativo.

Para melhorar a qualidade de vida dos animais, os veterinários estão a utilizar no tratamento um imunoestimulador para estimular as defesas do animal. Agostinho Antunes acrescentou que existe uma vacina mas a sua eficácia não está comprovada.
(Ciência Hoje – 22.06.2008 )





Ivete Sangalo alia-se ao combate ao HIV/Sida no país

23 06 2008

A cantora brasileira Ivete Sangalo manifestou hoje (sexta-feira) em Luanda disponibilidade em trabalhar no combate ao VIH/Sida, em Angola.

A informação foi prestada pela directora do Instituto Nacional de Luta contra a Sida (INLS), Ducelina Serrano, no término de um encontro mantido com a artista, na sede da instituição.

Segundo a responsável, ao aceitar o desafio de se transformar em activista e colaborar com o INLS, Ivete Sangalo vai, com a sua imagem, influenciar a juventude a tomar maior cuidado com as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DTS).

“A Ivete Sangalo é uma cantora de muito sucesso internacional e as suas músicas são bastante ouvidas pela juventude angolana. Desta forma, ela pode passar mensagens para incentivar e motivar as pessoas a fazerem o teste de forma voluntária e se inteirarem do seu estado serológico”, acrescentou.

Para Ducelina Serrano, as pessoas ainda têm algum receiam fazer o teste, com receio de serem afastados da convivência familiar e social, caso sejam diagnosticados serologicamente positivo.

Fundado em 2005, o INLS tem como principais objectivos, a redução das infecções, caracterizar melhor a epidemia em Angola, garantir o acesso universal ao diagnostico, a prevenção, ao tratamento e o apoio às pessoas infectadas e afectadas pelo VIH/Sida.

A instituição estima com base numa prevalência 2,1 por cento que em Angola, com uma população estimada em 17 milhões de habitantes, existam 200 mil pessoas infectadas pela pandemia.

(AngolaPress – 20.06.2008 )





ÁFRICA DO SUL: Derrota das multi-vitaminas

23 06 2008

“Camaradas, ganhámos!” gritou sexta-feira Zackie Achmat, activista de HIV/SIDA de longa data e fundador do grupo de lobby de SIDA na África do Sul, Campanha de Acção para o Tratamento (TAC, em inglês) em frente à Suprema Corte do Cabo, na Cidade do Cabo.

Numa sentença memorável, a Suprema Corte considerou ilegais os testes clínicos de multi-vitaminas no tratamento de HIV/SIDA por Matthias Rath, um controverso vendedor de vitaminas, e proibiu a sua continuação.

A decisão também proíbe Rath de fazer qualquer publicidade que diz que seu produto, VitaCell, cura a SIDA, até que o assunto seja revisto pelo Conselho de Controlo de Medicamentos (MCC, em inglês), autoridade reguladora de medicamentos na África do Sul.

O juiz Dumisani Zoni ordenou que a ministra da Saúde Manto Tshabalala-Msimang e o seu director geral tomem “medidas razoáveis” para impedir que Rath continue com tais actividades e instruiu o departamento de saúde para investigar a fundo as experiências de Rath em vitaminas, e “à luz dos factos revelados por tais investigações, tomar acções vigorosas segundo suas tarefas”.

“Esta sentença é uma vitória para o estado de direito e o controlo científico da medicina. Na última década neste país a lei foi contestado pela nossa ministra da Saúde e pelo presidente, e uma cultura de impunidade foi criada de forma que charlatães como Matias Rath saiam impunes depois de enganar pessoas vulneráveis, que acabam desenvolvendo SIDA e morrendo,” disse Nathan Geffen, porta-voz da TAC, numa colectiva de imprensa pouco depois do pronunciamento da sentença.

Geffen citou histórias de duas famílias cujos parentes morreram depois de participar nas experiências de Rath.

“Embora esta seja uma grande vitória, não vamos esquecer que se perderam vidas humanas reais como consequência das acções da Matthias Rath, e ainda mais importante, pela incapacidade de Tshabalala-Msimang e do presidente de parar este tipo de charlatanismo”, disse Geffen.

Num comunicado de imprensa, a TAC sublinhou o papel do governo no seu apoio a Rath, e exigiu a demissão de Tshabalala-Msimang.

A TAC registou cinco mortes directamente ligadas às experiências de Rath, mas sugeriu que esse número chegue a 12.

''Embora esta seja uma grande vitória, não vamos esquecer que ser perderam vidas humanas como consequência das acções de Matthias Rath.''

Geffen salientou o significado da sentença ao enfatizar o dever do governo de “fazer cumprir o controlo científico dos medicamentos tal como definido na Lei dos Medicamentos e Substâncias Relacionadas”.

“Charlatães abundam. Na Cidade do Cabo e outras cidades, inúmeros remédios não aprovados são vendidos como cura para a SIDA. A ministra da Saúde apoiou esta situação ao criar a ilusão de que pessoas com HIV têm uma escolha razoável entre ARVs (medicamentos antiretrovirais) e remédios alternativos”, diz o comunicado de imprensa.

O TAC alertou “todos os fornecedores de medicamentos não testados, principalmente aqueles que vendem as chamadas ‘curas’ para o HIV/SIDA” de que a organização pode usar a decisão de Zini para fechá-los. Foram citados Zeblon Gwala, o inventor do dito remédio Ubhejane para SIDA, e Tine van der Maas e seu remédio “Solução Africana”.

A operar na África do Sul desde 2004, o empresário farmacêutico Matthias Rath sempre disse que as suas multi-vitaminas tratavam a SIDA, doenças do coração, cancro, diabetes, gripe aviária e várias outras doenças. No início de 2005, Rath e seus associados abriram novas lojas no subúrbio de Khayelitsha, no Cabo Ocidental, onde eles realizavam testes clínicas não autorizadas de uma variedade de vitaminas de “cura” do HIV/SIDA, incluindo a VitaCell.

“As pessoas tomavam a medicação de Rath porque não tinham informação. E também por causa das cestas de alimentos e subsídios,” disse Thembisa Mkhosana, uma advogada da saúde comunitária em Khayelitsha. Segundo Mkhosana, os participantes recebiam subsídios mensais de 750 rands (cerca de US$ 92) e cestas contendo “vegetais, enlatados…tudo”.

Rath fazia inúmeras publicidades para convencer seropositivos a tomar suas multi-vitaminas de altas doses ao invés de ARVs, que são dados gratuitamente pelo sistema de saúde público, que ele classificava de “tóxicos”.

Um dos que responderam à propaganda de Rath foi uma prima de Mkhosana.

“Ela estava a tomar os comprimidos de Rath, e agora está doente”, disse Makhosana. “Ela começou a perder peso, a vomitar e a ter diarréia. Mas agora ela está a tomar ARVs. Algumas pessoas ainda estão a fazer o trabalho de Rath trabalhando na porta de cavalo [em Khayelitsha], mas há esperança de que esta decisão pare com tudo isso.”

Em Fevereiro de 2005, a TAC e a Associação Médica Sul-Africana (SAMA, em inglês) apresentaram queixa contra Rath ao MCC. Após repetidos pedidos da TAC para o departamento de saúde investigar as actividades de Rath, que foram ignorados, eles depois incluíram o departamento entre os culpados.

Rath respondeu dizendo que a TAC estava a trabalhar como agente de companhias farmacêuticas , e em 2007 publicou um livro chamado “Ponha fim à SIDA!” sobre o “colonialismo farmacêutico e as suas consequências em termos de genocídio para pessoas no mundo em desenvolvimento”.

“Esperamos que as pessoas entendam a a mensagem de que ainda não há cura para a SIDA,”, disse a pesquisadora da TAC Noisa Mhlathi, reiterando a mensagem que muitos profissionais da saúde temiam ter sido perdida ao longo desta longa e amarga batalha legal.
(PlusNews – 20.06.2008 )





A AIDS E O PROBLEMA DA ALIENAÇÃO

23 06 2008

Entretanto, a despeito de todo o conhecimento que se tem hoje sobre o assunto e de iniciativas de divulgação importantíssimas para o Brasil como a Agência de Notícias da Aids, persiste o problema da falta de conhecimento. Pesquisas recentes do Ministério da Saúde mostram que, entre os jovens de 15 a 24 anos – faixa etária que é novidade nas pesquisas do Ministério –, somente 62,3% têm conhecimento correto das formas de transmissão do HIV.

Apesar de a maioria deles (95%) citarem o preservativo como forma de prevenção, o uso regular foi citado por apenas 40%. É importante percebermos essa vulnerabilidade e entendermos que se fala de um considerável contingente populacional – mais de 54,9 mil casos identificados entre jovens desde 1982, com predominância do sexo feminino na faixa dos 13 aos 19 anos e proporção similar entre os sexos de 20 a 24 anos.

Diante desses e de outros dados sobre HIV/Aids no Brasil, decidi, em parceria com as biomédicas Ana Paula Morales e Camila Macedo, engrossar o coro das vozes que falam aos brasileiros sobre a Aids – uma parcela da população já muito ativa e engajada.

Assim surgiu o HIV Brasil, blog destinado a tratar de assuntos relacionados a HIV e Aids e que tem como um de seus principais objetivos, nos esforços por um entendimento e uma divulgação amplos sobre o vírus e a doença no Brasil, a veiculação do Dossiê HIV Brasil.

O projeto é parte de nossos estudos no curso de Jornalismo Científico do Labjor – Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo, da Unicamp – Universidade Estadual de Campinas. Apesar da localização, pretendemos atuar com informações de nível nacional, como o próprio nome do site sugere, e, para potencializar nosso papel de comunicadores junto à sociedade, convidamos a todos a visitarem o blog do projeto e interagirem conosco. Comunicação é troca, interação, e a comunicação sobre HIV/Aids também pode acontecer dessa maneira.

Esperamos você no www.hivbrasil.blogspot.com.br

Cassius Guimarães é Jornalista e aluno da pós-graduação em Jornalismo Científico do Labjor, na Unicamp.

(Agência de Notícias da AIDS – 19.06.2008 )





CRESCE NÚMERO DE MENINAS COM AIDS,INFORMA RACHEL BACCARINI DO PROGRAMA NACIONAL NO FÓRUM BRASILEIRO DE AIDS

23 06 2008

O número de adolescentes, na faixa etária dos 13 aos 19 anos, do sexo feminino infectadas pelo vírus do HIV/ Aids já supera o número de jovens do sexo masculino. Segundo o Ministério da Saúde, para cada 0,6 menino infectado existe uma garota portadora da doença. A informação foi apresentada no primeiro dia do IV Fórum Brasileiro de Aids e II Fórum Brasileiro de Hepatites Virais, no Mendes Plaza Hotel, em Santos.

“Nesta faixa etária as estatísticas se invertem. Na população em geral o índice é de 1,6 homem para cada mulher infectada com o vírus da Aids. E esta incidência vem crescendo proporcionalmente no caso dos adolescentes”, explica a representante do Programa Nacional de DST/Aids, Rachel Baccarini.

Entre os fatores que podem explicar esse quadro está a questão cultural. “Esses números entre as adolescentes acompanha feminização da Aids. A mulher é mais vulnerável, possui menos independência na hora da prevenção, pois o preservativo mais utilizado ainda é o masculino”.

O aumento do número de casos de HIV na população feminina cresceu 44% entre os anos de 1996 e 2005. Além disso, outros pontos apontados por Rachel explicam esse aumento. “Os casos de violência sexual, por exemplo, contribuem para esses índices, tanto que será o foco do Plano de Enfrentamento da Feminização da Aids e outras DST”.

Para atingir os jovens, o Programa Nacional de DST/ Aids leva às escolas o programa “Saúde e Prevenção nas Escolas”, iniciativa desenvolvida em parceria com o Ministério da Educação que leva a prevenção, possibilita o acesso ao preservativo, além da orientação quanto à Aids e DST.

Descentralização

Defendida pelo Ministério da Saúde, a descentralização da prevenção e diagnóstico da Aids desponta como o melhor caminho no combate à doença. A rede básica de saúde (unidades básicas, postos de saúde) é, na maioria das vezes, o primeiro contato da população com os profissionais, e eles devem estar preparados para receber e atender esse grande número de pessoas, orientando e oferecendo o teste de HIV/Aids.
“Acreditamos que estes dois procedimentos (prevenção e diagnóstico) devem ser oferecidos na rede básica de saúde e não apenas nos centros especializados. Estes sim devem ficar responsáveis pelo tratamento. Alguns estados já vêm fazendo isso, como o Sul e o Sudeste, e os resultado tem se mostrado positivo”, acrescenta.

Preconceito

Mesmo passados 26 anos do primeiro caso de Aids diagnosticado no Brasil, ainda existe muito preconceito em relação ao assunto. “As pessoas não se identificam como sendo capazes de contrair a doença e os médicos, por sua vez, sentem-se constrangidos em oferecer esse exame para seus pacientes”, declara Rachel. Para o segundo semestre, o Programa Nacional de DST/ Aids pretende iniciar uma campanha de mobilização nacional, focando a necessidade de se fazer o teste para detecção de HIV/ Aids.
(Agência de Notícias da AIDS – 19.06. 2008 )





IX Congresso Virtual HIV/AIDS. A INFECÇÃO VIH E O DIREITO

23 06 2008

O Congresso Virtual HIV/AIDS realiza-se anualmente desde o ano de 2000. O congresso é todo realizado online e a participação é gratuita. Para participar tem apenas que proceder ao seu registo e ao envio do abstract do trabalho, até 31 de Outubro de 2008. Após escolha dos trabalhos pela Comissão Científica e notificação, os mesmos deverão ser enviados para publicação online. De entre os trabalhos publicados online é feita nova selecção para edição posterior em livro.
Para participar, queira seguir as instruções que estão na página de registo
http://www.aidscongress.net/registration_9_congress.php

(AIDSPortugal – 20.06.2008 )





Violência doméstica com mais queixas

23 06 2008

Baixou só um pouco em 12 anos a violência exercida no meio familiar sobre as mulheres. Apenas houve maior coragem para as queixas. Quatro em cada dez mulheres em Portugal afirmaram-se vítimas ao longo de 2007.

Num ano em que o primeiro trimestre já foi marcado pelo assassínio de 17 mulheres às mãos dos seus maridos, companheiros ou namorados, o segundo inquérito nacional em 12 anos sobre violência doméstica indica que o fenómeno terá abrandado na sua expressão, mas que são mais as vezes em que a vítima recorre a autoridades policiais. Os homens, que também são parte queixosa neste tipo de situações, procuram mais essa solução, enquanto as mulheres ainda reagem na sua maioria através do silêncio.

Desceu cerca de 10%, comparando os anos de 1995 e 2007, o número de portugueses que afirmam ter sido vítimas de violência física, psicológica e sexual. O Inquérito Nacional sobre Violência de Género, iniciativa governamental que, no terreno, foi coordenada pelo sociólogo Manuel Lisboa, dá conta de que, no ano passado, 38,1% de entre as duas mil pessoas ouvidas tinham razões para se sentirem vitimizadas.

No total das vítimas, mais de metade apontaram a violência psicológica como a mais frequente. E esta forma cresceu alguns pontos desde o último inquérito, cifrando-se agora em 65,7% dos casos . Também a violência física aumentou (ocorre em 8,8% dos casos). Apenas a violência sexual ficou com expressão mais reduzida (em dez pontos percentuais, cifrando-se agora em 27,5%.)

Aspecto relevante deste estudo é a constatação de que a maioria das vítimas atribui as agressões a ciúme e sentimento de posse, seguidos da diferença de valores e ainda do conumo de álcool. A técnica do isolamento da vítima é comum à maioria dos casos.

O consumo de álcool, os malentendidos e as diferenças de valores são apontados nos casos de homens vitimizados. Segundo o estudo, 4,2 % dos inquiridos disseram ter sofrido violência física de mulheres e 21,8% referiram violência psicológica. A violência sexual é muito baixa, mais expressa por assédio. O local de vitimação masculina são sobretudo lugares públicos, a rua e local de trabalho, sendo os autores desconhecidos ou colegas. Quando ocorrem no universo familiar surgem na forma de pressões para maior ambição ou como sovas cujos autores são os pais. Os autores do estudo interpretam isto como estando inscrito na vitimação geral ao longo das etapas da vida, bem como na maior exposição dos homens à conflitualidade social.

(Jornal de Notícias – 19.06.2008 )