Ong apela à inclusão da SIDA nas agendas eleitorais

18 06 2008

A organização não-governamental angolana Acção Humana lançou recentemente um apelo aos partidos políticos angolanos no sentido destes priorizarem a problemática do VIH/SIDA nas suas agendas eleitorais.
Para efeito, iniciou já uma campanha de advocacia social, denominada “Cidadania e VIH/SIDA,” que consiste em mobilizar os jovens afectados e infectados a participarem activamente nas eleições de Setembro próximo em Angola e, por outro lado, aos partidos políticos a introduzirem o tema do VIH-SIDA nas suas agendas eleitorais.
Com duração de 10 meses, a campanha é apoiada pela agência católica para o desenvolvimento, vulgo Trocaire, e Open Society. Entre as actividades de realce constam a advocacia social, consubstanciada em mobilizar os jovens afectados e infectados com o VIH/SIDA a registarem-se e votarem pacificamente enquanto que aos partidos políticos a terem uma agenda clara em relação ao VIH/SIDA.
Angola possui cerca de 460 mil pessoas infectadas com o VIH-SIDA. E cerca de 13 mil encontram-se já a fazer a terapia anti-retroviral gratuita em todo o país. Com efeito, a Acção Humana acredita ser significativo o número de PVVS (pessoas afectadas e infectas com o VIH/SIDA) que estejam desorientadas em consequência da epidemia do século, e por isso, não encontrem motivações para participar nas eleições.

(Jornal de Angola – 17.06.2008 )





AIDS aumenta entre jovens no Brasil

18 06 2008

As campanhas sobre a importância do sexo seguro parecem não surtir efeito nos jovens brasileiros. Segundo Artur Timerman, chefe da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Prof. Edmundo Vasconcelos, um terço dos novos casos de AIDS atinge pessoas com menos de 21 anos e 50% dos infectados são mulheres. “Outras doenças, como sífilis e gonorréia, também aumentam nesse público”, complementa. Ele acredita que esse quadro alarmante pode ser explicado pelo aumento no consumo de álcool e pela falta de segurança nas relações sexuais.

Segundo Timerman, o caminho até a cura da doença, cujo vírus foi descoberto há 25 anos, ainda é longo. “A vacina anti-HIV, produzida recentemente por um laboratório, mostrou-se ineficaz”, explica. “Esse quarto de século ratificou a necessidade de estudar imunologia básica, ou seja, voltar à estaca zero, porque o vírus HIV é muito complexo. Por outro lado, há maneiras de uma mulher com HIV ser mãe pelo método natural sem que o bebê adquira o vírus, o que é uma grande conquista nesse período.”

Nos Estados Unidos, o governo investe, segundo o especialista, cerca de US$ 500 milhões na pesquisa do HIV. “No Brasil, novos recursos terapêuticos também devem ser direcionados ao tratamento de cerca de 20.000 pacientes, que não se beneficiam dos tratamentos atualmente existentes. Apesar do custo elevado, deve-se procurar alternativas eficazes para esses pacientes”, explica. “O coquetel, uma combinação de drogas que atuam nos estágios iniciais do ciclo reprodutivo do HIV, como o AZT, o 3TC, e bloqueadores dos estágios finais desse ciclo, como o kaletra, continua essencial no tratamento”, complementa.

O especialista assegura que o coquetel aumentou a expectativa de vida dos pacientes e quase não se ouve falar em mortes, ao contrário dos anos 1970 e 1980. Os continentes africano e asiático concentram 90% do total de casos de AIDS atualmente. Segundo a ONU, havia cerca de 38 milhões de pessoas infectadas em todo o mundo em 2005.

(O Barriga Verde Online – 17.06.2008 )





Pioneiras na campanha pela união gay se casam

18 06 2008

Americanas juntas há 55 anos foram escolhidas pelo prefeito de San Francisco para inaugurar matrimônio homossexual de plenos direitos

A história de amor entre Phillys Lyon, de 87 anos, e Del Martin, de 83, vem de 55 anos atrás, um tempo em que mulheres homossexuais se candidatavam a serem presas, perderem o emprego ou mesmo a serem “tratadas” com choques elétricos, como se fazia com pacientes psiquiátricos. Na noite de ontem, estavam prontas a se tornarem o primeiro casal de mesmo sexo a receber das mãos do prefeito Gavin Newsom o certificado oficial de união civil. A cerimônia privada estava prevista para as 18h (22h em Brasília), na sede da prefeitura da “capital GAY” dos Estados Unidos. Uma hora antes, no primeiro minuto de vigência da lei que oficializa o casamento homossexual na Califórnia, Robin Tyler, de 66 anos, trocaria alianças em Los Angeles com Diane Olson, de 55 – depois de uma espera de 30 anos.

Os dois casais de mulheres foram os únicos agendados para o primeiro dia da lei revolucionária, que só tem precedentes em Massachusetts, antigo reduto liberal, mas onde a medida só entra em vigor dentro de três meses. Phillys e Del já tinham ensaiado o “sim” quatro anos atrás, quando o prefeito Newsom decidiu emitir certificados legais de união para casais homossexuais. As pioneiras e outros 4 mil pares chegaram a receber o documento, mas a Suprema Corte da Califórnia decidiu não reconhecer a decisão unilateral de San Francisco. Passados quatro anos, no mês passado a mesma instância judicial acolheu recurso delas e de outros casais, dando sinal verde para o casamento GAY inclusive para quem venha de outros estados, embora sem o reconhecimento da Justiça federal.

“Isso era uma coisa que nós queríamos saber: chegará mesmo a  acontecer?”, emocionou-se Phyllis quando a cerimônia foi remarcada. “Agora, está acontecendo.” Ela e a companheira foram escolhidas por Newsom para o simbólico primeiro matrimônio não apenas como reconhecimento pela idade avançada e pelo amor duradouro, mas principalmente pelo compromisso das duas veteranas com a causa dos direitos dos homossexuais. Em 1955, Phyllis, Del e mais seis mulheres fundaram em San Francisco o clube Filhas de Bilitis, que veio a se transformar na primeira organização nacional de lésbicas. À parte suas memórias, as duas guardam documentos do FBI (polícia federal dos EUA) que atestam não apenas a militância, mas as perseguições que tiveram de superar.

Nome aos bois

A roteirista e produtora artística Robin Tyler, que milita pelos direitos dos homossexuais desde os anos 1970, sente-se especialmente realizada pelo fato de a nova lei da Califórnia reconhecer aos casais de mesmo sexo status idêntico ao dos pares heterossexuais. “Igualdade não é dar outro nome para nossa relação, como a ’sociedade doméstica’ que já existe, igualdade é dar a nós também o nome de ‘matrimônio’”, disse. “Se o direito pleno de se casar é negado aos gays e lésbicas, isso constitui discriminação.”

A Califórnia, estado mais populoso dos EUA, com 37 milhões de habitantes, tem mais de 100 mil casais de mesmo sexo vivendo em união estável, segundo um recente estudo universitário. Ativistas dos direitos homossexuais acreditam que até metade desses pares deve oficializar o casamento nos próximos três anos. Nova Jersey e Vermont já têm leis estaduais estendendo aos gays e lésbicas os direitos reconhecidos no casamento civil, mas sem o nome oficial de “matrimônio”. Mas, apesar da tradição liberal e alternativa dos californianos, o cardeal-arcebispo (católico) de Los Angeles, Roger Mahony, voltou ontem à carga contra a decisão da Justiça. “O significado do casamento está profundamente enraizado na história e na cultura, e foi consideravelmente moldado pelas tradições cristãs”, diz uma nota da arquidiocese. “É um sentido que foi dado a nós, e não construído por nós.”

Cérebros parecidos

A ciência acaba de dar um passo rumo a uma explicação para o homossexualismo, ainda que muitos especialistas creiam que essa condição é determinada pela genética. Estudiosos do Instituto Karolinska, em Estocolmo (Suécia), descobriram importantes semelhanças entre os cérebros de homens gays e mulheres heterossexuais, e entre lésbicas e homens hetero. Por meio de ressonância magnética e da tomografia de emissão de posítrons, eles constataram que os cérebros de lésbicas e de homens heterossexuais são levemente assimétricos e apresentam o hemisfério direito maior que o esquerdo. Conclusões parecidas surgiram quando os cientistas mapearam a conectividade na amígdala, a região cerebral envolvida na linguagem emocional e na ativação da resposta “corra ou fuja”. Por sua vez, os hemisférios cerebrais de homens gays e de mulheres heterossexuais são praticamente idênticos.

As características compartilhadas pelo cérebro de homens gays e mulheres heterossexuais envolvem as regiões responsáveis pela emoção, pelo humor e pela ansiedade. “As observações não podem ser facilmente atribuídas à percepção ou ao comportamento”, escreveram os cientistas suecos. “Se elas estão ou não relacionadas a processos obscuros durante o desenvolvimento fetal ou pós-natal é uma questão em aberto”, acrescentaram. Ao todo, os pesquisadores mapearam o cérebro de 90 voluntários – 25 homens heterossexuais, 25 mulheres heterossexuais, 20 homens gays e 20 lésbicas.

(Correio Brasiliense – 17.06.2008)





ÁFRICA DO SUL: Ligações entre HIV e doenças mentais negligenciadas

18 06 2008

As ligações entre HIV e doenças mentais têm tantas camadas e são tão pouco compreendidas, que os médicos geralmente têm dificuldades para determinar o que apareceu primeiro.

Os profissionais da saúde mental na África do Sul por vezes lutam para entender as causas da psicose ou demência do paciente, sem saberem que o paciente tem uma infecção por HIV em estado avançado, enquanto seus colegas no sector de HIV/SIDA têm pouca ou nenhuma formação sobre como lidar com pacientes com doenças mentais.

“Não há serviços específicos de saúde mental para pessoas vivendo com o HIV”, disse o professor Melvyn Freeman, co-autor de um estudo realizado pelo Conselho de Pesquisa em Ciências Humanas (Human Sciences Research Council) da África do Sul, que concluiu que 44 por cento de uma amostra de 900 indivíduos seropositivos sofriam de alguma forma de perturbação mental.

Doenças mentais podem, elas próprias, constituir factores de risco para infecção por HIV. Algumas perturbações mentais levam a maior promiscuidade; outras podem tornar os pacientes mais vulneráveis a abuso e exploração sexual. Mesmo a depressão pode aumentar o risco de HIV no indivíduo.

“Quando sentes que não há muita razão para a tua própria sobrevivência, não vês necessidade de tomar precauções par te protegeres”, observou Freeman, que aconselhou a Organização Mundial da Saúde sobre como melhor integrar a saúde mental nas suas iniciativas para o HIV/SIDA.

Inversamente, pessoas com HIV têm mais probabilidade de desenvolver doenças mentais do que a população em geral. Os efeitos que o HIV pode ter na saúde mental vão desde depressão e ansiedade, que podem acompanhar o diagnóstico de seropositivo ou a morte de entes queridos, até a demência e psicose, que podem ocorrer quando a doença se torna mais avançada e afecta o cérebro.

“Um dos nossos maiores desafios em psiquiatria é essa epidemia,” disse Greg Jonsson, um psiquiatra no grande hospital Chris Hani Baragwanath, nos arredores de Soweto, a favela mais populosa de Johannesburg.

“Na verdade nós não somos formados em HIV; (os psiquiatras) enviam estes doentes para clínicas de tratamento antiretroviral, mas aí o problema é que eles não são formados em psiquiatria”, continuou.

O resultado final, disse Jonsson, era que pacientes com problemas psiquiátricos são marginalizados e muitas vezes excluídos do tratamento, com o argumento de que eles não são considerados capazes de se lembrar de tomar os comprimidos todos os dias. Falhas durante o tratamento com ARVs resulta no desenvolvimento de formas de resistência do virus às drogas, que são ainda mais difíceis de tratar.

“Sabemos que pessoas que têm doenças neuro-psiquiátricas relacionadas com o HIV respondem aos ARVs”, disse Rita Thom, uma psiquiatra na Universidade de Witwatersrand que investigou doenças mentais em seropositivos. Garantir que os pacientes recebam os medicamentos é o primeiro grande obstáculo, acrescentou Thom; ajudá-los a aderir aos medicamentos é o segundo.

Tudo em uma única parada

Com financiamentos do Instituto Aurum para Pesquisas em Saúde (Aurum Institute for Health Research), uma organização médico-científica independente, Jonsson, com uma enfermeira, uma terapeuta ocupacional e uma psicóloga, decidiram abrir uma clínica especial na secção de psiquiatria de Baraguwanath para pacientes seropositivos que também sofriam de doenças mentais.

“O objectivo é tratar o HIV e também tratar as doenças mentais, porque nas clínicas para ARV eles estão tão sobrecarregados que não detectam depressões, demências e ansiedade,” disse Jonsson.

Desde Março, a clínica tornou-se uma parada única: pacientes recebem tanto a medicação psiquiátrica quanto para o HIV, encontram-se com Jonsson e, se puderem, participam num grupo de apoio.

O encontro de grupo, numa recente sexta-feira, a princípio procede como qualquer outro.

''Não há serviços específicos de saúde mental para pessoas vivendo com HIV.''

Linda* fala apaixonadamente sobre a diferença que o ARV fez na sua saúde, enquanto Zanele* exprime a sua hesitação em iniciar um regime de medicação para a vida toda. A facilitadora explica a diferença entre HIV e SIDA, e mostra como os medicamentos do ARV podem ajudar, mas que não são uma cura.

“Então o HIV não tem cura?”, pergunta Sipho*, um jovem usando um boné de baseball, que esteve calado até então.

Pacientemente, a facilitadora reitera que o virus pode ser controlado com os ARVs, mas que ainda não tem cura.

“O que são os ARVs?” pergunta Sipho*, que depois não pode confirmar se está já a tomá-los.

Claramente, este não é um grupo de apoio comum. “Muitos de vocês estão aqui porque não só têm HIV, mas também têm uma outra doença,” disse a facilitadora, e o debate toma um novo contorno.

Sipho diz ao grupo que sofre de esquizofrenia. “Eu tinha a voz de uma Gogo (avó, no dialeto zulu) a falar através da minha garganta”, diz, demonstrando com um rosnar estrangulado. “A minha mãe me disse que devo ver um médico. Agora estou bem.”

Zanele confidencia que ela é bipolar: por vezes ela fica muita zangada e triste, e outras vezes muito alegre.

Linda está a recuperar a memória depois de permanecer em coma por duas semanas. “Eu não lembrava de nada até a semana passada. Foi muito assustador,” disse ela mais tarde.

Ela acredita que o coma foi provocado por stress causado por membros da sua comunidade. “Eles viram-me perder peso e riam-se de mim; disseram ao meu namorado que eu era seropositiva e ele me abandonou. Fiquei muito estressada”, disse.

Embora o stress possa ter desempenhado algum papel, segundo seu médico, foi uma doença relacionada ao HIV – meningite tubercular – que levou Linda a cair em coma e subsequentemente perder a memória. A sua relativamente rápida recuperação em semanas recentes é provavelmente resultado de ela estar a tomar drogas para a TB e depois começar o ARV em princípios deste mês.

”A minha irmã costumava ter que me lembrar (de tomar os comprimidos), mas agora ela não precisa mais”, disse Linda, orgulhosa.

Sem directrizes

Não existem orientações especiais sobre como adaptar o tratamento do HIV/SIDA para as necessidades especiais de pacientes psiquiátricos mas, segundo Jonsson e Liselle De Wee, a psicóloga da clínica que faz a mediação no grupo de apoio, a educação desempenha um papel vital para ajudar os pacientes que acham difícil aderir aos programas de medicação.

A equipa da clínica frequentemente repete e reforça a informação sobre como os pacientes devem tomar a medicação e os encoraja a escolher um “parceiro” de tratamento – um membro da família ou amigo que lhes vai lembrar de tomar a medicação diária.

“Pessoas a recuperar de uma psicose podem não ser capazes de digerir informação como outras pessoas”, disse De Wee, depois do encontro de um grupo de apoio. “Tens que sempre verificar se a ficha caiu.”

Enquanto os ARVs tratam a infecção e geralmente ajudam na demência relacionada ao HIV, outras drogas podem ser necessárias para gerir doenças mentais não relacionadas a ele, como esquizofrenia.

Segundo Jonsson, interacções entre os dois conjuntos de medicamentos são uma outra fonte de “enormes problemas” que ainda requerem mais investigação.

Serviços de saúde mental são escassos

Tirando a nova clínica em Baragwanath, que tem apenas cerca de 45 pacientes, o sector de saúde pública da África do Sul não tem serviços especializados de saúde mental para seropositivos. Psiquiatras e psicólogos preparados para trabalhar para o estado são raros, e aqueles que desejam trabalhar na área do HIV são ainda mais raros.

“Os outros psicólogos no meu departamento, nem todos querem envolver-se com isto. O HIV é muito extenuante e eles têm outros interesses,” disse De Wee, que é voluntária na clínica. “ Tenho uma paixão para isto, e se não fosse por isso eu certamente não estaria aqui.”

A necessidade de incorporar os serviços de saúde mental ao tratamento do HIV/SIDA é clara. “Os modelos são: ou trazes profissionais especializados em saúde mental para o serviço de HIV/SIDA, ou formas os profissionais de HIV para lidar com ela; o que provavelmente deve acontecer é um pouco das duas,” disse Thom, da Universidade de Witwatersrand.

“Os serviços de saúde mental são tão subdesenvolvidos na África do Sul que se pudéssemos ligar-nos aos serviços de HIV, podíamos melhorar os serviços para todos.”
(PlusNews – 17.06.2008 )





Ministro não sabe de falhas na troca de seringas

18 06 2008

O ministro da Justiça, Alberto Costa, garantiu ontem no Parlamento que será conhecido “nas próximas semanas” o relatório sobre o programa de troca de seringas nas prisões, apesar de “ainda não ter recebido da ministra da Saúde qualquer comentário sobre como correu”. Na passada semana, o presidente do Instituto da Droga e Toxicodependência reconheceu que o programa falhou, mas Alberto Costa remeteu ontem para mais tarde qualquer comentário sobre o assunto.
O que não ficou sem resposta foi a questão levantada por Nuno Melo (CDS-PP), que levou à audição do ministro o caso das instalações das varas mistas de Guimarães, arrendadas pelo Estado a outra empresa que não a que ganhou o concurso público e por mais do dobro do preço do que o edifício terá custado ao proprietário. Costa garantiu aos deputados já ter pedido “uma investigação rigorosa” à Inspecção-Geral de Finanças sobre o assunto. (Púbico – 18.06.2008 )