Guiné-Bissau: Cidadãos encaram o sida como problema de outros paises

16 06 2008

Os portadores do vírus da sida estão a aumentar na Guiné-Bissau porque os guineenses encaram a doença como invenção dos europeus e um problema de outros países, segundo o Secretariado Nacional de Luta contra Sida (SNLCS).

Paulo José Mendes, delegado do Governo junto do SNLCS, afirmou hoje (quinta-feira) que apesar de todas as campanhas de sensibilização dos últimos anos, a tendência da sida na Guiné-Bissau aponta para o aumento da doença, tal como acontece em todos os países da África sub-sahaariana.

“Infelizmente, o guineense continua a encarar a sida como problema dos outros países, ou uma mera invenção dos europeus, mas na realidade a doença aumenta” na Guiné-Bissau, disse Paulo Mendes que representa o Primeiro-ministro, Martinho N`Dafa Cabi, no SNLCS.

Segundo Paulo Mendes, a taxa de seropositivos na Guiné-Bissau varia entre 1,9 e 4 por cento, segundo estudos de organizações não governamentais, mas “dados mais fiáveis” sobre a realidade da doença na Guiné-Bissau serão apurados com um estudo de vigilância epidemiológico a ser realizado este ano.

As regiões de Bissau e do leste do país, Bafata e Gabú são as localidades com maiores taxas de contaminados, referiu.

A juntar a esta descrença em relação à doença, Paulo Mendes apontou a forma “deficitária” como a comunicação social do país aborda a questão da sida e o empenho do poder político no combate à doença.

“Raras vezes ouvimos um dirigente político a falar abertamente do problema da sida, talvez por ser um problema do foro íntimo, e a comunicação social também não ajuda a consciencializar as pessoas sobre a doença”, disse.

Sobre a falta do “empenho” do poder político no combate à doença, Paulo Medes deu como exemplo o facto de o Governo apenas ter “anunciado” que vai disponibilizar para o orçamento de 2008 uma soma de 500 milhões de francos CFA (cerca de 765 mil euros) para o SNLCS.

“O dinheiro ainda não entrou no Secretariado de Luta Contra Sida, mas se acontecer seria a primeira vez que tal acontece”, afirmou.

Paulo Mendes referiu que a estrutura criada pelo Governo em 2003 para combater a doença apenas tem contado com ajudas da cooperação internacional, em que se incluem, entre outros países, Portugal, que dá assessoria técnica ao projecto e oferece gratuitamente preservativos, e o Brasil, que disponibiliza os anti-retrovirais da primeira geração.

“A ajuda de Portugal tem sido excelente e em crescendo no último ano e meio.

Além da assessoria técnica a partir de Lisboa, o secretariado recebeu recentemente um milhão de preservativos gratuitamente e prepara-se para receber mais”, disse Magda Queta, responsável pelos programas do SNLCS.

Em termos de centros de despistagem e aconselhamento sobre a doença, a Guiné-Bissau conta actualmente com 33 centros, embora nem todos estejam em pleno funcionamento.

Em 2007, 932 pessoas infectadas com o HIV/ SIDA receberam tratamento gratuito com os anti-retrovirais.

Para 2007-2011, a Guiné-Bissau conta com um Plano Estratégico Nacional, orçado em cerca de 47 milhões de dólares que serão financiados pelo Fundo Global de luta contra SIDA, Malária e Tuberculose.

(AngolaPress – 13.06.2008 )


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