BM concede $ 127 milhões à Côte d’Ivoire para infra-estruturas

16 06 2008

O Banco Mundial (BM) aprovou três doações dum montante de 127 milhões de dólares americanos para financiar projectos de infra- estruturas urbanas, de HIV/SIDA e de governação para acelerar os esforços de saída de crise e de reconstrução pós-crise da Côte d’Ivoire, soube a PANA sábado de fonte oficial.

“Estas doações visam sectores estratégicos cuja escolha se fez em parceria com o Governo. Uma melhoria a nível da governação, da luta contra o HIV/SIDA e infra-estruturas terá um impacto na redução da pobreza”, indicou uma nota do BM transmitida à PANA sábado.

Os projectos de infra-estruturas urbanas de emergência (94 milhões de dólares americanos), de emergência multisectorial de luta contra o HIV/SIDA (20 milhões de dólares americanos) e de apoio à governação e ao desenvolvimento institucional (13 milhões de dólares americanos) visam ajudar a Côte d’Ivoire a fazer face aos numerosos desafios da reconstrução e sobretudo ajudar as populações mais afectadas pela crise a aceder a serviços sociais básicos como a água, o saneamento e os cuidados de saúde, sublinhou a instituição de Bretton Woods.

Estes projectos foram suspensos em Novembro de 2004, na sequência do não regulamento da dívida em atrasos à frente do BM.
(Panapress – 15.06.2008 )





MÉDICOS ENCARREGADOS DE COMBATER A AIDS NO MUNDO DIVERGEM SOBRE RISCO DE EPIDEMIA ENTRE HETEROSSEXUAIS, INFORMA REVISTA ÉPOCA

16 06 2008

Nesta última semana, a Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu nota para esclarecer um “mal-entendido” a epidemia de Aids entre heterossexuais. Em entrevista ao jornal britânico “The Independent”, o epidemiologista Kevin de Cock, chefe do departamento de combate à Aids da OMS, afirmou que não deve haver uma epidemia de HIV entre a população heterossexual fora da África. No mesmo dia, seu antecessor, James Chin, afirmou que a OMS tem “sistematicamente exagerado” as projeções da epidemia entre os heterossexuais. Este é o tema de destaque da revista Época desta semana. A epidemiologista americana, Elizabeth Pisani, faz parte de um grupo barulhento de dissidentes, segundo a publicação, e discorda da forma como o establishment global da saúde pública, ligado ao Departamento de Aids da OMS, tem realizado seus trabalhos na área. No resto do mundo, sustenta Pisani, a epidemia está concentrada em homossexuais masculinos, usuários de drogas injetáveis e profissionais do sexo e seus clientes. “É nesses grupos que temos de focar o trabalho de prevenção”, diz ela. “Mas não é isso que a OMS está fazendo.” No entanto, ela diz que o Brasil é uma “exceção mundial”, elogia o Programa Nacional de DST/Aids e diz que brasileiros são orgulhosos de sua sexualidade. Confira a matéria na íntegra.

HIV: o vírus da discórdia

Os médicos encarregados de combater a Aids no mundo divergem sobre o risco de epidemia entre os heterossexuais. Alguns acham que ele simplesmente não existe. O Brasil está no centro da polêmica

Ivan Martins

Esta semana ocorreu em Nova York uma conferência global sobre Aids patrocinada pela Organização das Nações Unidas (ONU). De acordo com uma observadora crítica e bem informada – a epidemiologista americana Elizabeth Pisani – foram duas as principais conclusões do encontro. A primeira, divulgada por alto-falante, é que os médicos estão tendo enorme sucesso em tratar e manter vivas as pessoas contaminadas. A segunda conclusão, murmurada pelos corredores, é que a prevenção de novas infecções tem sido um fiasco. Logo, raciocina Pisani, há mais gente doente no mundo, vivendo mais, com uma noção decrescente de risco e ajudando a infectar outras pessoas. “A Organização Mundial da Saúde não quer falar sobre isso”, diz ela. “Mas o fato é que as novas infecções estão crescendo entre homens gays porque as pessoas estão jogando fora as camisinhas. Estamos investindo errado em prevenção”.

Pisani, que é também jornalista e escritora, autora de um livro controverso (e não disponível em português) chamado A sabedoria das putas – burocratas, bordéis e o grande negócio da Aids, faz parte de um grupo barulhento de dissidentes que discorda da forma como o establishment global da saúde pública, ligado ao Departamento de Aids da OMS, vem combatendo a epidemia. Ela sustenta, essencialmente, que há duas epidemias de Aids – uma na África Sub-Sahariana e outra no resto do mundo – e que a OMS vem tratando o resto do mundo como se fosse a África, com perda de recursos e maus resultados. Na África Sub-Sahariana, como se sabe, os níveis de infecção são elevados – 5% da população adulta têm HIV, comparado, por exemplo, com 0,5% da população no Brasil – e a doença atinge, indiscriminadamente, homens e mulheres de todos os grupos sociais. No resto do mundo, sustenta Pisani, a epidemia está concentrada em homossexuais masculinos, usuários de drogas injetáveis e profissionais do sexo e seus clientes. “É nesses grupos que temos de focar o trabalho de prevenção”, diz ela. “Mas não é isso que a OMS está fazendo.”

Junto com Pisani, na contramão da OMS, está James Chin, um epidemiologista americano de origem chinesa com credenciais impecáveis. Professor de Berkeley, ele acompanha a evolução da Aids desde o seu surgimento nos anos 80 e – assim como Pisani – trabalhou por muitos anos em Genebra, na sede da OMS. É de Chin boa parte da metodologia estatística usada pela organização para avaliação e controle da doença. Pois Chin afirma que a OMS exagera os números e os riscos globais da Aids, acusa a instituição de ter um entendimento “politicamente correto” da doença e (o mais espetacular) sustenta que, fora dos grupos de risco tradicionais – homossexuais masculinos, usuários de drogas injetáveis e profissionais do sexo –, não há possibilidade real de epidemia. “O vírus HIV continua concentrado em populações de comportamento de alto risco e é incapaz de provocar uma epidemia na vasta maioria das populações heterossexuais”, diz Chin. Atenção: isso não quer dizer que não haja risco pessoal de contaminação pessoal – eu, você, ele ou ela – mas, apenas, que é virtualmente impossível que a doença transborde em larga escala para fora das chamadas populações vulneráveis. A exceção, claro, é a África Sub-Sahariana, onde isso já aconteceu.

Na semana passada, essa discussão explodiu na imprensa mundial depois que o chefe do departamento de Aids da OMS – Kevin de Cook – disse ao jornal inglês The Independent (no domingo 7) que seria “muito improvável que houvesse uma epidemia heterossexual (de Aids) em outros países“ (fora da África Sub-Sahariana). A declaração reverberou, causou furor entre especialistas no encontro de Nova York e provocou um desmentido oficial do próprio Cook, quatro dias depois. “Globalmente, o HIV ainda é largamente impulsionado pela transmissão heterossexual” escreveu ele. Foi um desmentido pela metade. Linhas depois, na mesma nota oficial, ele explica que “a transmissão homossexual continua a impulsionar a epidemia entre profissionais do sexo, seus clientes e os parceiros de seus clientes”. Isso não é substancialmente diferente do que diz Chin – fora da África a epidemia está confinada a grupos específicos – e revela ambivalências no topo do Departamento de Aids da OMS.

O que isso tem a ver com o Brasil?

É possível haver divergências sobre números tão categóricos? Sim. Pisani diz que as estatísticas de Mariângela não descrevem a realidade global. “Chin está certo quando trata da epidemia global e Mariângela está correta no que diz respeito ao Brasil”, diz Pisani. “Seu país é uma exceção mundial.”

Depois de se desdobrar em elogios ao trabalho do governo brasileiro no combate a Aids – capaz, segundo ela, de conter a expansão da infecção e ao mesmo tempo dar assistência aos doentes – Pisani explica que, a seu ver, o Brasil é único quando se trata da doença. Aqui, ela acredita, misturam-se padrões de comportamento sexual parecidos com os da África com atitudes de risco típicas de outras partes do mundo ocidental. O resultado, diz ela, é um padrão de epidemia intermediário entre a África e o resto do mundo. “Se o governo brasileiro não agisse de forma tão eficiente na prevenção, o Brasil poderia ter um cenário de Aids como o da África”, diz ela.

Comportamento sexual de tipo africano significa que as pessoas – homens e mulheres – mantêm simultaneamente vários parceiros sexuais. Quando muita gente faz isso, sem proteção (isto é, sem preservativos) a probabilidade de infecção generalizada cresce enormemente. É simples de entender: se um homem casado tem sexo regularmente com uma colega de trabalho e com uma garota que conheceu na rua, pode infectar três mulheres diferentes. Se elas também fazem sexo desprotegido com outros parceiros, amplia-se a possibilidade de introdução do vírus HIV no circuito. Pior: se o parceiro de uma delas for bissexual, a chance disso ocorrer aumenta, porque entre homens que fazem sexo com outros homens a possibilidade de contaminação é 11 vezes maior do que numa relação heterossexual.

Por que, então, o cenário africano não se materializou no Brasil? Primeiro, porque não se sabe se o comportamento das pessoas corresponde ao descrito no parágrafo acima. A liberação sexual do país é um fato, mas as pessoas podem ser muito mais monogâmicas do que o imaginário nacional (e internacional) supõe. A outra possibilidade é que, ainda que mantenham múltiplos parceiros, os brasileiros e brasileiras aprenderam a lição e estão usando preservativos. “Eu penso que uma das grandes vantagens do Brasil na prevenção é que as pessoas são orgulhosas da sua sexualidade”, diz Pisani. “Em países dominados pela moral vitoriana, as pessoas dizem uma coisa e fazem outra, e isso torna tudo mais difícil.”

Qualquer que seja a situação, ajuda muito na contenção da doença o fato de que o HIV não é um vírus muito infeccioso. Pisani diz que ele é difícil de pegar em relações sexuais normais (que não envolvam sexo anal, por exemplo), se uma das partes não estiver com grandes quantidades de vírus no organismo. E quando isso acontece? O período mais virulento de transmissão é nos dois ou três meses seguintes à contaminação, quando o vírus está se replicando furiosamente e o corpo ainda não começou efetivamente a combatê-lo. Passado este período, há um intervalo de cinco a 10 anos em que a quantidade de vírus é baixa e a possibilidade de infecção menor. Mais tarde, quando o HIV vence as barreiras do sistema imunológico e volta a se multiplicar, o perigo aumenta – mas, então, a pessoa estará magra e doente, e não terá chance de contaminar muita gente.

Em Nova York, quando falou a ÉPOCA por telefone, Mariângela Simão estava preocupada com a possibilidade de que prevalecesse, na mídia e na população em geral, a percepção de que não há risco de Aids para heterossexuais. “Essa é uma idéia perigosa”, diz ela.

A diretora do programa nacional de Aids teme que a direção da OMS esteja se inclinando para posições que ela considera erradas – e que estão presentes nos artigos de James Chin. Uma dessas posições é a “medicalização” do combate à epidemia, representada, por exemplo, pela idéia da circuncisão em massa. Ela foi apresentada em um texto recente da revista The Economist como panacéia universal contra a transmissão do HIV. Estudos mostram que a circuncisão reduz a possibilidade de infecção em populações com índices elevados (mais de 15%) de prevalência de HIV. “Alguém acha que é possível baixar um avião cheio de médicos e circuncidar milhões de pessoas na África?”, pergunta Mariângela.

A outra tendência detectada pela médica brasileira é a de combater a epidemia com a pregação da abstinência sexual. Isso foi tentado pelo governo Bush nos Estados Unidos, diz ela, e não funcionou, mas continua voltando à agenda por trás de argumentos sobre o “comportamento sexual” das pessoas. “Há juízos morais por trás dessas coisas”, diz ela. Exemplo de sucesso no mundo inteiro, a campanha brasileira de combate à Aids assume que as pessoas farão sexo quando, como e com quem quiserem – e insiste com uma mensagem simples e fácil de entender, a da proteção permanente. Os números de São Paulo, capital nacional da epidemia, sugerem que esse método funciona. Em 1995, no auge da crise, foram notificados 4 112 novos casos de Aids na cidade. Em 2007 eles foram 1 693 – 34% a menos do que no ano anterior.

De acordo com Mariângela Simão, diretora do Programa Nacional de Aids do Ministério da Saúde, quase nada. No ano passado, apenas 13% dos novos casos de Aids no país envolveram homossexuais. “Há um crescimento evidente do número de casos entre heterossexuais”, diz ela. “Isso é tão claro que dizemos que epidemia está se feminilizando.” Vinte anos atrás, havia no Brasil 27 homens infectados por HIV para cada mulher. Hoje, essa proporção caiu para 1,6 homens por mulher. A tendência é clara, diz a epidemiologista brasileira – e é a mesma em toda parte. Os gráficos da OMS mostram que entre 1990 e 2007 cresceu o número de mulheres infectadas em todas as partes do Terceiro Mundo e da Europa Oriental. Na África ao Sul do Sahara, as mulheres são 60% dos doentes. Na América Latina e na Europa Oriental o percentual está por volta de 26% – 14 pontos percentuais acima de 1990.

Fonte: Revista Época

(Agencia de Notícias da AIDS – 14.06.2008 )

<!–As inscrições para o Prêmio ODM Brasil 2007 foram prorrogadas e estão abertas até o dia 19 de novembro. Podem concorrer prefeituras, empresas e organizações da sociedade civil que desenvolvam ações, programas e projetos que contribuem para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. As inscrições podem ser feitas pelo site www.odmbrasil.org.br ou pelo correio, com o envio da ficha de inscrição e os documentos solicitados no regulamento para o endereço Escola Nacional de Administração Pública (Enap) – SAIS Área 02-A – 70.610-900 – Brasília (DF).
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Angola: Unicef reconhece melhoria na qualidade de vida da criança africana

16 06 2008

A representação do Fundo da ONU para a Infância (UNICEF) em Angola reconheceu hoje, sexta-feira, em Luanda que as condições de vida da criança africana estão a melhorar, devido os esforços desenvolvidos pelos governos no cumprimento dos objectivos do desenvolvimento do milénio.

Essa constatação foi feita por Margaret Brown, responsável do Unicef em Angola para política social, numa entrevista à Angop por ocasião do dia 16 de Junho, data consagrada à Criança Africana que se assinala segunda-feira.

Margaret Brown sublinhou que os objectivos do desenvolvimento do milénio consistem na educação para todos e a redução ao máximo da taxa da mortalidade infantil.

Acrescentou que os outros índices consagrados para melhoria da vida de crianças, é criação de condições, para que não haja um número elevado de menores fora do sistema normal de ensino.

Informou, por outro lado, que o Unicef e os governos de África e de Angola em particular, têm a criança como prioridade absoluta em conformidade com as recomendações do II Fórum Panafricano sobre as Crianças que decorreu em Junho de 2007 no Cairo (Egipto).

Segundo a responsável, cabe aos Estados continuarem a implementar o plano estratégico para a redução acelerada da mortalidade infantil, propiciando, assim, maior cobertura universal de rede fixas de serviços públicos de saúde, contando com o apoio das ONG e igrejas.

Sublinhou ainda que, no âmbito dessas metas, os governos devem criar equipas fixas e móveis de saúde para atender os grupos vulneráveis que não têm acesso aos serviços de saúde.

Com isso, pode se reduzir em 50 porcento a actual taxa de mortalidade das crianças menores dos cincos anos nas comunidades, baixando também a materna e a desnutrição para os 30 porcento, sustentou Margareth Brown.

Paralelamente a isso, estão em curso medidas favoráveis ao registo de nascimento, incluindo o registo gratuito para crianças abaixo dos cincos anos de idade, podendo expandir esses serviços até às comunidades.

Essas acções, permitirão assegurar, de facto, o acesso facilitado e incondicional da criança à cidadania, sublinhou.

A universalização da educação primária de qualidade para todos a partir dos seis aos 18 anos, o aumento da taxa de escolaridade para mais de 90 porcento até 2015, constam entre os comprimissos assumidos pelos Estados, contando com o apoio da sua instituição.

Por outro lado, os governos responsabilizaram-se implementar políticas e acções destinadas à redução da transmissão do vírus do VIH/Sida de mãe para filho, durante a gravidez, disse.

A fonte considerou a Declaração do Cairo de 2001 e a Decisão da Conferência sobre o Desenvolvimento e a Sobrevivência da Criança como ponto de partida, em todas as açções previstas no desenvolvimento do milénio.

Informou que o dia da Criança africana é comemorado este ano sob o lema “o Direito a Participação, Deixando as Crianças a Serem Ouvidas Expressando as Suas Opiniões”.

O 16 de Junho é instituída em 1991 em homenagem as crianças negras de Soweto , África do Sul, que nesse dia em 1976 sairam à rua para protestar pela falta de qualidade de ensino e reivindicar o direito de aprender a sua própria língua.

O regime do Apartheid em reacção massacraram nesse dia, centenas de rapazes e raparigas, prosseguindo a brutalidade nas duas semanas seguintes, tendo morrido mais de cem pessoas e mil outras ficaram feridas.

(AngolaPress – 13.06.2008 )





Aids: América Latina combate falta de informação

16 06 2008

Os Governos de América Latina e Caribe defenderam na ONU o aumento do investimento em educação sobre a aids para combater a perigosa falta de informação de boa parte de sua população sobre a natureza dessa epidemia.

A falta de informação correta representa o grande desafio para evitar o aumento dos casos de infecções com o vírus da imunodeficiência humana (HIV), advertiu o secretário de Saúde do México, José Ángel Córdova Villalobos, na sessão especial sobre a Aids que começou hoje na Assembléia Geral das Nações Unidas.

O encontro reúne hoje e amanhã sete chefes de Estado e de Governo, 62 ministros e representantes de ONGs para avaliar o progresso na luta contra a epidemia.

Córdova, que tomou a palavra em nome dos 21 países do Grupo do Rio, afirmou que 40% dos homens jovens e 36% das mulheres jovens da região têm “um conhecimento claro e preciso do HIV”.

Esse número “deve ser uma advertência e um guia para o trabalho de prevenção” que permita atingir em 2010 a meta de que 95% dos jovens contem com informação “precisa e baseada na ciência”.

“A educação sobre a aids e a prevenção são as melhores estratégias para reduzir os casos, e devem ser integrais, baseadas na ciência e dirigidas a grupos vulneráveis”, avaliou.

Lamentou que “em muitas ocasiões, o estigma, a discriminação e a homofobia impediram uma discussão aberta sobre este tema, o que levou à criação de uma cultura de segredos e silêncios que solapam as políticas de prevenção”.

O secretário de Saúde mexicano destacou que os dois milhões de pessoas com HIV na América Latina e no Caribe constituem a população infectada que tem um maior grau de acesso a tratamento de todas as regiões do mundo em desenvolvimento.

“A proporção da população infectada na América Latina permanece estável, mas continua crescendo no Caribe”, apontou.

Considerou que os avanços conseguidos na distribuição de tratamentos na região tornam tangível o compromisso assumido pela Assembléia Geral da ONU em 2001 e 2006 de universalizar o acesso aos remédios anti-retrovirais.

Nesse sentido, o presidente de El Salvador, Elías Antonio Saca, destacou o esforço orçamentário e político para diminuir a aparição de novos casos e reduzir as 86 mil mortes causadas pela aids na região.

“Muitos dos países de nossa região já deram grandes passos, apesar de a América Latina e o Caribe somente receber 8% de toda a ajuda mundial para enfrentar esta epidemia”, declarou o governante, que foi o primeiro orador da sessão.

Saca enfatizou que El Salvador conseguiu reduzir nesta década em 35% o número de mortes de doentes de aids e em 50% a incidência de tuberculose, enquanto os programas de prevenção fizeram com que os casos de aids infantil caíssem 89% nos últimos cinco anos.

O presidente salvadorenho lembrou que a aids não conhece fronteiras, por isso considerou “inaceitáveis” as restrições migratórias que cerca de 70 países ainda impõem aos contagiados pelo HIV.

Em declarações à Agência Efe, Saca assegurou que os obstáculos impostos ao tratamento dos doentes de aids e contagiados pelo HIV parecem “discriminatórios” e um atentado “aos direitos humanos” dos infectados.

Da mesma forma que em seu discurso, pediu que fosse redobrada a colaboração na redução do preço dos remédios para aprofundar as conquistas obtidas até o momento.

Sobre o assunto, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, assegurou em seu discurso que a situação da luta contra a aids continua sendo “inaceitável” apesar da redução global no número de mortes e a maior quantidade de pacientes que recebem tratamento.

Lembrou que no mundo as pessoas que necessitam o tratamento com anti-retrovirais e não o recebem são o dobro quando comparadas com aqueles que conseguem acesso a esse tratamento.

(Nesse Instante – 14.06.2008 )





Ministério da Educação reafirma continuidade no combate ao Vih/Sida

16 06 2008

 vice-ministra da Educação para a área social, Alexandra Simeão, garantiu hoje, sexta-feira, em Luanda, a disposição do Ministério da Educação (Med) intensificar as acções de formação e sensibilização aos professores sobre várias doenças, em especial o Vih/Sida, tuberculose e a malária, com vista a sua erradicação.

Alexandra Simeão deu esta garantia no município do Sambizanga, quando procedia a abertura do “Segundo Seminário de Formação de Pares”, no qual participam, até dia 20 do corrente mês, 30 professores, visando darem resposta as questões relacionadas com o Vih/Sida, tuberculose, malária, bem como promover a saúde entre os trabalhadores.

De acordo com a governante, a intensificação destas acções visam reduzir no curto espaço de tempo, o índice de propagação destas doenças, consideradas as mais perigosas a nível mundial.

Segundo a vice-ministra, dados de 2007 da Organização Mundial da Saúde (OMS), a nível do mundo, apontam para cerca de 33 milhões de pessoas infectadas pelo Vih, dos quais 70 por cento na África Subsariana.

“O facto do nosso ministério ser dos maiores empregadores, senão mesmo o maior, implica maior responsabilidade de nossa parte, uma vez que, cada professor lida directamente com centenas de jovens durante anos, e desta forma podem propagar conhecimentos sobre estas doenças”, disse a responsável.

Apesar da taxa de prevalência em Angola ser ainda menor em relação aos países limítrofes, é necessário continuar-se com a divulgação de informações sobre Vih, reprovar atitudes de estigma e discriminação, com vista ao alcance de uma vida sã para todos os cidadãos.

Durante o seminário, de seis dias, serão abordados os temas “As regras de convivência”, “A prevenção das ITS, VIH e Sida, TB e Malária, através da educação de pares no local de trabalho”, “O papel da direcção da instituição no apoio da educação de pares” e “Estigma, discriminação e direitos humanos”.

O evento faz parte de um total de quatro acções de formação, enquadrados nas metas do sub-projecto da HAMSET, numa iniciativa conjunta com o Governo de Angola.

O Projecto HAMSET tem por objectivo reduzir o impacto do Vih/Sida, Malária e Tuberculose nos trabalhadores e familiares dos ministérios, destacando os pontos focais do Vih/Sida, capacitando formadores a nível nacional, provincial e comunais e desenvolver acções de informação, educação e comunicação.

(AngolaPress – 13.06.2008 )





Guiné-Bissau: Cidadãos encaram o sida como problema de outros paises

16 06 2008

Os portadores do vírus da sida estão a aumentar na Guiné-Bissau porque os guineenses encaram a doença como invenção dos europeus e um problema de outros países, segundo o Secretariado Nacional de Luta contra Sida (SNLCS).

Paulo José Mendes, delegado do Governo junto do SNLCS, afirmou hoje (quinta-feira) que apesar de todas as campanhas de sensibilização dos últimos anos, a tendência da sida na Guiné-Bissau aponta para o aumento da doença, tal como acontece em todos os países da África sub-sahaariana.

“Infelizmente, o guineense continua a encarar a sida como problema dos outros países, ou uma mera invenção dos europeus, mas na realidade a doença aumenta” na Guiné-Bissau, disse Paulo Mendes que representa o Primeiro-ministro, Martinho N`Dafa Cabi, no SNLCS.

Segundo Paulo Mendes, a taxa de seropositivos na Guiné-Bissau varia entre 1,9 e 4 por cento, segundo estudos de organizações não governamentais, mas “dados mais fiáveis” sobre a realidade da doença na Guiné-Bissau serão apurados com um estudo de vigilância epidemiológico a ser realizado este ano.

As regiões de Bissau e do leste do país, Bafata e Gabú são as localidades com maiores taxas de contaminados, referiu.

A juntar a esta descrença em relação à doença, Paulo Mendes apontou a forma “deficitária” como a comunicação social do país aborda a questão da sida e o empenho do poder político no combate à doença.

“Raras vezes ouvimos um dirigente político a falar abertamente do problema da sida, talvez por ser um problema do foro íntimo, e a comunicação social também não ajuda a consciencializar as pessoas sobre a doença”, disse.

Sobre a falta do “empenho” do poder político no combate à doença, Paulo Medes deu como exemplo o facto de o Governo apenas ter “anunciado” que vai disponibilizar para o orçamento de 2008 uma soma de 500 milhões de francos CFA (cerca de 765 mil euros) para o SNLCS.

“O dinheiro ainda não entrou no Secretariado de Luta Contra Sida, mas se acontecer seria a primeira vez que tal acontece”, afirmou.

Paulo Mendes referiu que a estrutura criada pelo Governo em 2003 para combater a doença apenas tem contado com ajudas da cooperação internacional, em que se incluem, entre outros países, Portugal, que dá assessoria técnica ao projecto e oferece gratuitamente preservativos, e o Brasil, que disponibiliza os anti-retrovirais da primeira geração.

“A ajuda de Portugal tem sido excelente e em crescendo no último ano e meio.

Além da assessoria técnica a partir de Lisboa, o secretariado recebeu recentemente um milhão de preservativos gratuitamente e prepara-se para receber mais”, disse Magda Queta, responsável pelos programas do SNLCS.

Em termos de centros de despistagem e aconselhamento sobre a doença, a Guiné-Bissau conta actualmente com 33 centros, embora nem todos estejam em pleno funcionamento.

Em 2007, 932 pessoas infectadas com o HIV/ SIDA receberam tratamento gratuito com os anti-retrovirais.

Para 2007-2011, a Guiné-Bissau conta com um Plano Estratégico Nacional, orçado em cerca de 47 milhões de dólares que serão financiados pelo Fundo Global de luta contra SIDA, Malária e Tuberculose.

(AngolaPress – 13.06.2008 )





Moçambique/Saúde: SIDA pesa sobre a economia e aumenta a pobreza no país (O.N.U)

16 06 2008

A epidemia de SIDA tem um efeito negativo para a economia de Moçambique e aumenta a pobreza neste país em plena reconstrução após longa guerra civil (1976-1992), considerou hoje o representante da O.N.U, Ndolamb Ngokwey.

” Um dos principais obstáculos para o crescimento da economia moçambicana é a elevada taxa de predominância do vírus da SIDA que afecta a maior parte dos sectores económicos e aumenta a pobreza” , declarou Ndolamb Ngokwey, na abertura de uma conferência sobre a doença em Maputo.

A taxa de predominância do vírus VIH é de 16,3% nos moçambicanos entre 15 a 49 anos, e 500 novas contaminações são registadas cada dia, de acordo com as autoridades.

” É necessário lutar contra o impacto de SIDA e melhorar os direitos dos doentes” , acrescentou o responsável da ONU pedindo às associações que velem particularmente para lutar contra as discriminações.

Mais de 100 mil pessoas recebem actualmente anti-retrovirais (ARV) gratuitos em Moçambique, contra sete mil em 2005.

(AngolaPress – 13.06.2008 )





OMS ESCLARECE ‘MAL-ENTENDIDO’ SOBRE REPORTAGEM EM JORNAL BRITÂNICO ACERCA DE SUPOSTO CONTROLE DA AIDS ENTRE HETEROSSEXUAIS FORA DA ÁFRICA

16 06 2008

Em entrevista ao jornal britânico “The Independent”, neste último fim de semana, o epidemiologista Kevin de Cock, chefe do departamento de combate à Aids da Organização Mundial da Saúde (OMS), afirmou que não deve haver uma epidemia de HIV entre a população heterossexual fora da África. No mesmo dia, seu antecessor, James Chin, afirmou que a OMS tem “sistematicamente exagerado” as projeções da epidemia entre os heterossexuais e desperdiçado recursos em educação voltada para o público jovem, sem grandes riscos de infecção. Depois das declarações terem causado críticas internacionais, a OMS emitiu nota nesta última terça (11) para esclarecer “mal-entendido”. “A transmissão heterossexual continua a impulsionar a epidemia entre os profissionais do sexo, seus clientes e os parceiros de seus clientes. Além disso, os detentos, os usuários de drogas injetáveis, assim como os homens que fazem sexo com homens podem envolver-se em relacionamentos heterossexuais”, declarou a Organização. Veja na íntegra o comunicado.

Nota Conjunta para a mídia – OMS/UNAIDS/ 11 de junho de 2008

Correção à História da Aids publicada em The Independent, 8 de junho de 2008

Nova Iorque, 11 de junho de 2008 – Gostaríamos de esclarecer os mal-entendidos acerca das posições da OMS e da UNAIDS sobre a situação da epidemia da aids em artigos recentes da mídia. A história publicada no The Independent de domingo, intitulada: “A ameaça da pandemia mundial da aids entre os heterossexuais está encerrada, admite relatório” continha algumas afirmações seriamente equivocadas que levaram a inferências e conclusões que não guardam relação com as realidades altamente complexas da epidemia do HIV.

Antes de mais nada, a epidemia global de HIV não está absolutamente encerrada. No final de 2007, estimava-se que 33,2 milhões de pessoas viviam com o HIV. Cerca de 2,5 milhões de pessoas infectaram-se nesse mesmo ano, e 2,1 milhão morreram em decorrência da aids. A aids permanece como a principal causa de mortes na África.

Em todo o mundo, o HIV ainda é amplamente impulsionado pela transmissão heterossexual. A maior parte das novas infecções na África Sub-sahariana ocorrem mediante a transmissão heterossexual. Também se constatam algumas epidemias generalizadas fora da África, como as do Haiti e da Papua Nova Guiné.

A transmissão heterossexual continua a impulsionar a epidemia entre os profissionais do sexo, seus clientes e os parceiros de seus clientes. Além disso, os detentos, os usuários de drogas injetáveis, assim como os homens que fazem sexo com homens podem envolver-se em relacionamentos heterossexuais. Na África Sub-sahariana, quase 60% dos adultos vivendo com o HIV são mulheres; no Caribe, são 48%.

A prevenção ao HIV e os esforços de tratamento estão mostrando resultados. Ampliar esses sucessos depende de aumentar o alcance às populações de risco acrescido, mediante uma abordagem baseada em evidências sobre a epidemiologia local do HIV — abordagem que chamamos de “conheça sua epidemia”. Em todos os estabelecimentos, é necessário um ambiente acolhedor, livre de estigma e discriminação, barreiras legais ou outros obstáculos que impedem o acesso aos serviços.

As campanhas de conscientização sobre a aids e as iniciativas dentro das escolas são essenciais para promover a saúde sexual e reprodutiva, garantindo que os jovens tenham o conhecimento e habilidade para proteger-se a si mesmos contra as doenças sexualmente transmissíveis e gravidez na adolescência.

A UNAIDS e a OMS continuam concentradas no reforço ao monitoramento da epidemia, visando aprimorar as futuras respostas e reconhecer mudanças nos padrões de transmissão, caso estes venham a ocorrer.

Recapitulando: a aids continua a ser o principal desafio em termos de doença infecciosa para a saúde global. Sugerir outra coisa é irresponsável e equivocado.

Dr Kevin M. De Cock
Diretor
Departmento de HIV/Aids
OMS, Organização Mundial de saúde

Dr Paul De Lay
Diretor
Departmento de Evidências, Monitoramento e Políticas
UNAIDS, Programa Conjunto da ONU sobre HIV/AIDS

(Agencia de Notícias da AIDS – 12.06.2008 )





ANGOLA: Histórias familiares

16 06 2008

Foram dois meses de aventura.
Em 2007, a angolana Maria Henda Gomes, juntamente com uma equipa de mais três pessoas, passou 60 dias percorrendo aldeias na Kunene para um documentário sobre o estigma enfrentado por seropositivos na região.

Sua tarefa era entrevistar pessoas vivendo com HIV – missão difícil, considerando que ela mesma é seropositiva. Algumas histórias eram desconfortavelmente familiares e mais de uma vez Henda chorou durante as entrevistas.

Sua própria trajectória poderia ser material para o filme. Afinal, as dificuldades que viveu – rejeição, preconceito, intolerância – não ficam longe das histórias que encontrou em dois meses de estrada.

No papel de entrevistadora, Henda guardou suas histórias para si. Mas em Coração Aberto, ela solta o verbo.

Disposta a recomeçar
Aos 19 anos, eu era casada e tinha acabado de ter meu segundo filho, quando comecei a emagrecer muito. Fui à clínica da Endiama, mas os exames não acusaram nada, até que o médico mandou fazer o teste Elisa (teste para detecção do HIV). Eu nem sabia o que era.

Ao me dar o resultado, o médico me disse que eu tinha o HIV, e que teria mais dois anos de vida, se deixasse de fumar, de beber e dormisse bem.

Nessa época, em 1992, meu marido estava na província da Lunda Norte, a trabalho. E eu fiquei em Luanda a contar os dias que me restavam.

Contei sobre a doença para minhas primas. Uma delas era comissária de bordo e já tinha ouvido falar sobre SIDA. Elas me acalmaram e disseram que cuidariam dos meus filhos.

Fiquei saudável por mais dois anos, mas em 1994, comecei a ter muitas infecções pulmonares. Fazia tratamento e melhorava, mas depois tinha outra infecção.

Em 1996 a situação ficou pior e em Novembro daquele ano fui internada no Hospital Josina Machel. Não tinha com quem deixar meus filhos e eles tiveram que vir comigo ao hospital.

Minha família não quis me ajudar. Fiquei uns dias com as crianças no hospital e depois busquei a ajuda da organização não-governamental ALSIDA, que levou meus filhos para um orfanato.

No dia 26 de Novembro de 1996, apareceu uma equipa de TV no hospital para fazer uma matéria para o Dia Mundial de Luta contra a SIDA.

Eu não quis dar entrevista, mas a direcção do hospital fez um acordo com a equipa da Televisão Pública de Angola (TPA) que eu falaria, desde que não fosse identificada.

No dia 29 de Novembro, a reportagem foi ar: a emissora não cumpriu o acordo e mostrou o meu rosto e disse meu nome.

Minha família sentiu muita vergonha e me abandonou de vez. Eu tinha um apartamento nos Combatentes (região de Luanda) e eles não só venderam o imóvel, mas também roupas, loiças, móveis. Eu soube disso por acaso, ao encontrar uma vizinha no hospital.

Morei no hospital por quase um ano. Poderia ter recebido alta em Março de 1997, mas eu não tinha para onde ir. Os médicos ficaram com dó de mim e fiquei no hospital até Setembro.

Meu marido morreu nesse mesmo ano.

Nessa época, muitas vezes estive perto de assinar a autorização de adoção dos meus filhos. Como eles eram os mais novos do orfanato, havia muitos casais interessados em adotá-los.

Resistência

Saí do hospital bem recuperada e disposta a recomeçar a vida. O Ministério da Reinserção Social arranjou-me uma casa arrendada e eu fui buscar as crianças no orfanato três dias depois de ter me mudado.

Fui sustentada pelo MINARS por algum tempo. Eu estava abandonada pela minha família, ninguém sabia se eu viveria para cuidar dos meus filhos. Naquela época, todos que tinham alguma informação sobre HIV me recomendavam que eu fosse à África do Sul.

Em 1999, o MINARS pagou minha passagem e eu fui à África do Sul para fazer exames. Já estava a precisar de antiretrovirais. Comecei a viajar sempre a Johannesburgo, com a ajuda do MINARS e da Fundação Eduardo dos Santos, para dar continuidade ao tratamento.

Em 2003, o governo angolano parou de autorizar a minha viagem, porque já havia ARVs no país. O problema é que eu já estava a tomar Kaletra (medicamento de segunda linha, não disponível em Angola) na África do Sul e em Angola, tive de voltar a tomar medicação de primeira linha, o que fez com que eu desenvolvesse resistência medicamentosa.

Comecei a ter efeitos colaterais: recaídas, problemas de pulmão, perda de peso. Os médicos em Angola me aconselharam a ir ao Brasil para fazer novos exames.

Em Outubro 2006, consegui ir ao Brasil, com o apoio do ONUSIDA, para participar do Segundo Encontro de Pessoas Vivendo com HIV e Sida.

Aproveitei a viagem para fazer exames médicos em São Paulo, que confirmaram a falência terapêutica e voltei ao Kaletra. Passei a receber a medicação do Brasil pelo correio e vou para lá todos os anos para fazer exames.

Eu sobrevivia com a ajuda do MINARS, mas isso me incomodava, porque sempre fui independente. Foi quando me indicaram a ONG Luta pela Vihda e me tornei uma activista.

Hoje estou bem de saúde, me casei de novo e meus filhos já têm 14 e 17 anos.

Tenho uma vida activa. No final do ano passado, passei três meses no Brasil, com o patrocínio da organização não-governamental Open Society, para participar de um curso sobre Direitos Humanos na Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (ABIA).

Também fui convidada a participar do filme do Richard (o cineasta Richard Pakleppa), entrevistando pessoas sobre HIV no interior de Angola. Foi uma experiência nova de que gostei muito.
(PlusNews – 13.06.2008 )





HIV Big Deal. Nova novela online tenta conscientizar jovens gays sobre a importância de se prevenir contra o HIV

16 06 2008

A exemplo da novela online “In the Moment”, produzida pelo Centro Gay & Lésbico de Los Angeles, está no ar na internet mais uma produção que tenta conscientizar jovens gays sobre a importância de se prevenir contra o HIV.

“HIV Big Deal” já conta com dois episódios. No episódio de estréia, “The Morning After” (A manhã seguinte), Josh, 26 anos, jovem gay de Nova York, conhece um cara por meio de um site de encontros e, depois de fazer sexo desprotegido com ele, descobre que o parceiro é soropositivo. O episódio seguinte, “The Test” (O teste), mostra o personagem em dúvida em fazer ou não o teste de HIV.

Todos os episódios terão 10 minutos de duração e foram produzidos a partir de pesquisas com 500 homens gays, que mostraram que eles têm três vezes mais chances de esconder seu status sorológico e cerca de 1,5 vezes mais de fazer o teste de HIV.

A novela é uma iniciativa da ONG Public Health Solutions, que há tempo procurava formas alternativas de conscientizar sobre a Aids, doença que preocupa as autoridades de saúde dos Estados Unidos.
Somente nesse país, aproximadamente 40 mil novos casos de HIV surgiram anualmente desde 1990, sendo que quase 50% desses casos se referem a homens gays.

(Dykerama – 11.06.2008 )





Presidente do IDT admite falhanço do programa de troca de seringas nas prisões

16 06 2008

O presidente do Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT), João Goulão, reconheceu ontem, na Assembleia da República, que o programa de troca de seringas nas prisões falhou. A falta de confiança dos reclusos e o boicote dos guardas prisionais podem estar na origem da fraca adesão ao programa, disse Goulão, que espera ainda por um relatório de avaliação.
Apesar de estar ainda em curso um inquérito para apurar as razões do insucesso, o presidente do IDT referiu que o programa – adoptado no final de 2007, a título experimental, nas prisões de Paços de Ferreira e Lisboa – foi “suficientemente boicotado”. No final da audição, esclareceu que o sindicato dos guardas prisionais sempre boicotou o programa e que houve falta de confiança por parte dos reclusos. Uma das soluções a adoptar poderá ser a colocação de máquinas automáticas de seringas nas prisões.
Goulão foi chamado ao Parlamento, a pedido do CDS-PP, para dar explicações sobre o dicionário de “calão” colocado num site do instituto na Internet e que continha várias definições polémicas. Em www.tu-alinhas.pt, curtir era definido como “sentir o prazer da droga” e betinho era aquele que “não consome droga e, por isso, é considerado conservador “.
João Goulão reconheceu que houve um erro técnico e que as expressões já foram retiradas. “É errado porque sabemos que há betinhos que se drogam”, disse, argumentando, no entanto, que a informação prestada no site não ajuda a aumentar os consumos.
Na mesma linha pronunciaram-se os partidos de esquerda. “Não é por ve-
rem a palavra curtir que os jovens dizem ‘então vamos lá curtir as drogas’”, disse Bernardino Soares, do PCP, acusando o CDS-PP de “querer discutir aquilo que empola”. João Semedo, do BE, também acusou o CDS-PP de não encarar a toxicodependência como uma patologia e comparou o deputado popular Nuno Melo a um dealer por vender a ilusão da cura.
Melo refutou as críticas, dizendo que a leitura que a esquerda faz do pensamento do CDS sobre drogas não corresponde às posições do partido.
(Sofia Rodrigues/Público – 12.06.2008 )