Comunicação de Eugénia Saraiva nas Nações Unidas

11 06 2008

Leia a intervenção feita por Eugénia Saraiva esta manhã, 11 de Junho,  no painel de discussão Making the Response to AIDS Work for Women and Girls – Gender equality and AIDS, nas Nações Unidas, que foi preparado pelos representantes do FNSC, com contributos do Luís Mendão.

 





Aids: OMS julga heteros livres de epidemia; dados contestam

11 06 2008
A Organização Mundial da Saúde (OMS), organismo das Nações Unidas para a saúde, afirmou nesta segunda-feira (9) que o risco de uma epidemia heterossexual global desapareceu, segundo a versão eletrônica do diário britânico The Independent. No entanto, dados sobre a doença contestam afirmação.
Kevin de Cock, chefe do departamento para HIV/Aids da Organização Mundial de Saúde (OMS), disse na última segunda-feira, durante divulgação de relatório sobre a propagação da Aids, que não haverá epidemia generalizada entre a população heterossexual fora da África.

De Cock, epidemiologista, disse que o entendimento da ameaça imposta pelo vírus mudou, de acordo com o diário britânico. Antes vista como um risco para as populações de todo o mundo, agora reconhece-se que, fora da África subsaariana, a doença está confinada a grupos de alto risco — incluindo homens homossexuais, usuários de drogas injetáveis, profissionais do sexo e seus clientes.

“É muito improvável que haja uma epidemia heterossexual em outros países”, disse De Cock, citado pelo Independent. “Dez anos atrás, muitas pessoas diziam que haveria uma epidemia generalizada na Ásia — a China era a grande preocupação com sua população enorme. Isso não parece mais provável”, afirmou o médico. “Mas temos de tomar cuidado. Como um epidemiologista, é melhor descrever o que podemos medir.”

“A Aids continua o principal desafio infeccioso de saúde pública”, afirmou De Cock.

Contradição em São Paulo

De acordo com boletim elaborado pela Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura de São Paulo, dos homens que tiveram diagnóstico de Aids em São Paulo em 2007, a maioria (36,6%), se infectou justamente em relações heterossexuais, números que contradizem o orgão das Nações Unidas.

De acordo com o boletim, em 2007, dos homens que tiveram diagnóstico de Aids em São Paulo, a maioria (36,6%) se infectou justamente em relações heterossexuais. As formas de infecção por meio de relações homossexuais aparece em segundo lugar, com 24,8% do total, seguida das bissexuais (9,8%) e o uso de droga injetável (7,4%).

A declaração de Cock foi rebatida pela psicóloga Maria Cristina Abbate, que coordena o programa de DST/ Aids da Secretaria Municipal da Saúde. Ela avaliou como “perigosa” a declaração do integrante da OMS e que ela pode induzir os heterossexuais a pensar como antes. “Se você põe um vetor moral ou religioso na epidemia, você presta um desserviço”, afirma.

Nas primeiras duas décadas da epidemia (anos 80 e 90), os homens de São Paulo se contaminavam mais por relações homossexuais (25,7%) e pelo uso de droga (24,3%). As relações heterossexuais vinham em terceiro lugar (17,6%).

Para Maria Cristina, uma razão para o crescimento entre heterossexuais foi a idéia de que a doença era exclusiva de gays. “As primeiras campanhas eram voltadas para os gays, e eles, de fato, abraçaram a camisinha. Os heterossexuais acreditaram que a Aids não chegaria a eles. Acabaram ficando expostos.”

A psicóloga diz que a declaração do diretor da OMS é “perigosa”, por induzir os heterossexuais a pensar como antes. “Se você põe um vetor moral ou religioso na epidemia, você presta um desserviço”, afirma.

Outro sinal de que a doença está mais heterossexual é o fato de a proporção de doentes em São Paulo ter caído de 26 homens por 1 mulher em 1985 para 2 homens por 1 mulher hoje.

O boletim informa que a Aids mantém a tendência de queda. Em 2007, houve 1.693 casos novos na cidade. No ano anterior, haviam sido 2.574. A diminuição entre um ano e outro (34%) foi a maior até agora.

Os dados incluem só doentes de Aids. Muitas pessoas têm o vírus HIV, mas não a doença — ou seja, não tiveram o sistema imunológico afetado. A notificação dos infectados com o HIV ao governo não é compulsória, só a de doentes de Aids.

A porcentagem de mortes é a menor até hoje. Em 2007, 13,7% dos doentes morreram. Uma década antes, 47%. Entre as razões estão as campanhas de prevenção, a distribuição de seringas descartáveis e preservativos, a oferta de exames e o programa de remédios.

“A epidemia está em declínio, mas não podemos dizer que os números são excelentes. Ainda há muito por fazer”, diz Maria Cristina Abbate.
(Vermelho – 11.06.2008 )





Não há relação entre o tratamento com antidepressivos e o risco de cancro nas pessoas com VIH

11 06 2008

De acordo com um estudo britânico publicado na edição de 10 de Maio último da revista Journal of Clinical Oncology, o tratamento com antidepressivos não aumenta o risco de nenhum tipo de cancro nas pessoas infectadas pelo VIH. Os investigadores analisaram a utilização por pessoas seropositivas tanto dos antidepressivos tricíclicos (fármacos mais antigos), como dos ISRSs (fármacos mais recentes), quer antes quer depois dos tratamentos anti-VIH eficazes se terem tornado disponíveis.

A sigla ISRS significa Inibidores Selectivos da Recaptação da Serotonina. Este grupo de fármacos inclui, por exemplo, a bem conhecida fluoxetina.

Existe informação contraditória sobre a relação do uso quer dos tricíclicos quer dos ISRSs com risco aumentado de cancro. Alguns estudos mostraram uma ligação entre o uso destas substâncias e o risco de alguns cancros, mas outros não. Por outro lado, outra investigação sugeriu que o tratamento com ISRSs poderia ter um efeito anti-cancerígeno em doentes com linfoma de Burkitt.

Nenhum estudo anterior havia analisado a possível relação entre o uso de antidepressivos tricíclicos ou ISRSs e o risco de cancro, em pessoas infectadas pelo VIH, quer antes quer depois do aparecimento dos tratamentos anti-retrovirais eficazes (ou seja, os tratamentos HAART). Nem qualquer outro estudo havia anteriormente investigado a possível ligação entre cancro e tratamento com antidepressivos e as classes individuais de fármacos anti-retrovirais.

Assim, e com este objectivo, um grupo de investigadores do London’s Chelsea and Westminster Hospital foi estudar os registos dos 11 000 doentes que tinham recebido tratamento anti-VIH nesse hospital. E descobriram que, do número total de doentes, 952 haviam recebido tratamento com um antidepressivo do grupo dos ISRSs e 919 com um antidepressivo tricíclico.

Um total de 144 desses doentes (9%) tinham sido tratados com um antidepressivo nos 3 meses anteriores a ter-lhes sido feito o diagnóstico de cancro.

Mas os investigadores não conseguiram descobrir qualquer associação entre o uso de qualquer tipo de antidepressivo e o desenvolvimento de cancro, tanto no período anterior como no período posterior à introdução do tratamento ARV (anti-retroviral) eficaz. Também não encontraram qualquer relação entre o uso de antidepressivos (de qualquer tipo) e risco de cancro, nos doentes a tomar fármacos de qualquer das classes de ARVs.

O único factor para o qual descobriram uma relação com o risco de cancro, foi uma contagem baixa de CD4s.

Além disso, o estudo não conseguiu mostrar a presença de quaisquer efeitos do tratamento com ISRSs – positivos ou negativos – em doentes com o diagnóstico de linfoma não-Hodgkin, sarcoma de Kaposi, linfomas do sistema nervoso central ou linfoma de Burkitt.

“Descobrimos que, em indivíduos infectados com VIH, predispostos a uma ampla variedade de cancros, os vários antidepressivos estudados não estão associados com uma alteração do risco de cancro, tanto na era pré-HAART, como na era pós-HAART”, escrevem os investigadores.

Os investigadores destacam ainda os potenciais benefícios do tratamento antidepressivo em algumas pessoas seropositivas com depressão, referindo-se a estudos que mostram que o uso desses fármacos pode estimular e aumentar a adesão aos tratamentos ARVs nesses doentes.

Referência

Stebbing J et al. Use of antidepressants and the risk of cancer in individuals infected with HIV. Journal of Clinical Oncology 14: 2305 – 2310, 2008

(Michael Carter/AIDSMAP – 09.06.2008 )





A taxa de mortalidade no Malawi desce até 35% devido à distribuição gratuita da terapêutica anti-retroviral

11 06 2008

A taxa de mortalidade entre os adultos nas zonas rurais do Malawi desceu 10% desde a introdução da terapêutica anti-retroviral e em áreas onde as taxas eram mais elevadas, pode mesmo ter diminuído 35%, de acordo com um estudo efectuado pela London School of Hygiene and Tropical Medicine, publicado na 10ª edição de Maio do The Lancet.

O estudo demonstrou também um valor muito mais elevado no número de mortes e um menor acesso à terapêutica entre aqueles que viviam em áreas mais remotas, sugerindo que a principal falha na igualdade de acesso ao tratamento se verifica entre aqueles que vivem em áreas rurais e aqueles que vivem em cidades ou perto das auto-estradas.

O acesso gratuito à terapêutica anti-retroviral foi introduzido no Malawi, em 2004, com o apoio do Global Fund to Fight AIDS, TB and Malária; no final de 2006, cerca de 81.000 pessoas estavam a fazer tratamento, um feito significativo num dos países mais pobres de África.

Antes da introdução da terapêutica anti-retroviral (TAR) gratuita no Malawi, os jovens do sexo masculino com 15 anos de idade tinham uma probabilidade de 43% de morrerem antes de atingirem os 60 anos, sendo a SIDA responsável por cerca de 63% das mortes ocorridas nesta faixa etária. Nos adultos, a prevalência do VIH estabilizou nos 14% ao longo dos últimos dez anos.

Os investigadores da London School of Hygiene and Tropical Medicine avaliaram o impacto que a TAR (Terapêutica anti-retroviral) teve na taxa de mortalidade, do distrito de Karonga, nas margens do Lago Malawi/Niassa, no Norte do Malawi. O estudo utilizou dados demográficos recolhidos no estudo de prevenção de Karonga, um censo realizado de porta-em-porta, em 2002, em conjunto com informações sobre a mortalidade em 230 aglomerados populacionais entre 2004 e 2006.

Um questionário semi-estruturado aplicado por um funcionário administrativo de saúde sempre que ocorreu uma morte num dos referidos aglomerados populacionais, permitiu identificar as causas da morte sempre que tal ocorria em cada um dos aglomerados populacionais, que englobavam entre 15 a 60 famílias cada. Os resultados do questionário foram posteriormente revistos por três médicos e por profissionais de saúde para determinar a causa mais provável da morte.

No distrito de Karonga, a TAR ficou disponível em 2005, com a abertura de uma clínica gratuita.

Resultados
Entre 2002 e 2006 foram registadas 916 mortes, num conjunto populacional de 39.321 indivíduos seguidos, perfazendo um total anual de 81.278 pessoas/ano. Nos adultos com idades compreendidas entre os 15-59, a taxa de mortalidade anual foi de 9,8 por 1000 pessoas/ano. Sessenta e cinco por cento das mortes nesta faixa etária foram atribuídas à SIDA, correspondendo 60% destas mortes a mulheres. Antes da introdução da terapêutica anti-retroviral, a probabilidade de morte deste grupo etário era de 43% e o risco de morte por SIDA em crianças nascidas no período do estudo neste distrito era de 37%.

Após a introdução da TAR, todas as causas de mortalidade diminuíram até 10% nas pessoas com idades entre os 15-59 e a mortalidade relacionada com a SIDA diminuiu até 19% (intervalo de confiança de 95% – 0,58 a 1,12). Não se verificou uma diminuição semelhante em pessoas com 60 ou mais anos.

O declínio da mortalidade relacionada com a SIDA foi maior nas pessoas que viviam num raio de 1 km da estrada norte-sul do distrito. A mortalidade relacionada com a SIDA também tinha sido superior nesta área, antes da introdução da terapêutica anti-retroviral (RR 1,91, 95% CI 1,49-2,48). Todas as causas de mortalidade desceram até 35% e a mortalidade relacionada com a SIDA desceu até 33% nesta zona, em pessoas com idades compreendidas entre os 15-59 (RR 0,65, 95% CI 0,46-0,92, e RR 0,67, 95% CI 0,44 -1,03 respectivamente).

Entre aqueles que viviam em zonas mais remotas, quase não houve alterações nas taxas de mortalidade relacionadas com a SIDA, após a introdução da TAR. Dos que iniciaram o tratamento, 73% viviam num raio de 1 km da estrada. Os autores calculam que cerca de um terço das pessoas do distrito que precisavam de tratamento, conseguiram obtê-lo, sendo o custo de transporte para a clínica (cerca de 3 dólares) o maior entrave. O rendimento médio mensal foi estimado em 23 dólares em 2004.

Noventa e nove adultos iniciaram a TAR durante os oito meses em que esta esteve disponível no distrito e doze morreram após o início do tratamento; foram ainda identificadas oito mortes em adultos que receberam os medicamentos fora do distrito. No geral, 8% das mortes de SIDA ocorreram em doentes medicados com TAR e os dados de acompanhamento do programa de tratamentos do Ministério da Saúde do Malawi revelaram que, na clínica ambulatória de Karonga, o risco de morte foi de 25% nos primeiros seis meses após o início do tratamento. Apenas 19% das mortes por SIDA ocorreram mais de três meses após o inicio do tratamento.

Os autores reconhecem que a sensibilidade e a especificidade do método da “autópsia verbal” utilizado neste estudo, em que um administrativo de saúde questiona os familiares do falecido sobre a causa de morte, é inferior à atribuição da causa da morte baseada no conhecimento do estatuto serológico. No entanto, a informação sobre o estatuto serológico tornou-se mais comum após a introdução da TAR; 30% das pessoas que morreram na zona perto da estrada tinham sido testadas para o VIH após a disponibilização do tratamento, em comparação com os 19% que tinham sido anteriormente, testados.

Segundo os autores, embora nem todas as reduções nas taxas de mortalidade sejam estatisticamente significativas, os resultados mostram que as mortes por SIDA podem ser evitadas através do acesso rápido à TAR, em contextos de recursos limitados.

Reference

Jahn A et al. Population-level effect of HIV on adult mortality and early evidence of reversal after introduction of antiretroviral therapy in Malawi. The Lancet 371: 1603-1611, 2008.

(Keith Alcorn/AIDSMAP – 11.06.2008 )





BHIVA: No Reino Unido a maioria dos diagnósticos de VIH em pessoas acima dos 50 anos foram feitos na última década

11 06 2008

Segundo um estudo, a maioria das pessoas com mais de 50 anos que vivem com o VIH no Reino Unido foram diagnosticadas na última década, e não são doentes infectados há muitos anos e sem progressão da doença.

No entanto, o estudo também constatou que as pessoas com mais de 50 anos, em média, tinham contagens das células CD4 consideravelmente mais baixas no momento do diagnóstico. Embora as contagens das células CD4 possam diminuir com a idade, esta descoberta sugere que uma proporção elevada destas pessoas teve um diagnóstico tardio, tendo vivido durante anos infectadas pelo VIH sem o saber

O estudo foi conduzido pelo professor Jonathan Elford e pela sua equipa da City University de Londres. Conduziram o estudo através de questionários realizados entre Junho de 2004 e Junho de 2005 examinando as características clínicas, sociais e comportamentais de doentes de seis centros em Londres.

Quase 2.300 doentes foram considerados elegíveis, dos quais cerca de 1700 concordaram participar, ou seja 73% dos doentes elegíveis e correspondendo a 63% de todos os doentes seguidos nos centros. Obtiveram-se um total de 1462 respostas, sendo que 87% eram homens homo/bissexuais (758) dos quais 15% eram originários de minorias étnicas. Os heterossexuais (704) eram de origem africana dos quais 68% eram mulheres e os dados abaixo apresentados se concentram-se nestes dois grupos.

No conjunto, 10,9% tinham 50 anos ou mais (184 dos que responderam) e um quarto desse grupo (2,6% de todo o grupo) tinham mais de sessenta anos. Quarenta por cento tinham mais de quarenta anos.

Havia diferenças significativas na distribuição da idade entre homens gays e os africanos. Catorze por cento dos homens gays tinha mais de 50 anos em comparação com 7,5% dos Africanos, tendo os homens e as mulheres africanas a mesma idade média. No entanto, os homens gays de minorias étnicas eram mais jovens e apenas 6% deste grupo tinha mais de 50 anos.

Pelo menos três quartos das pessoas com mais de 50 anos foram diagnosticados na última década. Os investigadores não perguntaram a cada participante há quanto tempo tinha sido feito o diagnóstico, mas que idade tinham na altura. Catorze por cento já tinham mais de 50 anos quando foram diagnosticados e 44% tinham mais de 40. Alguns terão agora 60 ou 70 anos, tendo vivido durante muito tempo com o VIH, mas um cálculo rápido mostra que entre 74% e 84% dos que têm mais de cinquenta anos foram diagnosticados desde que a terapêutica de combinação existe.

Será que teriam sido infectados recentemente? O Professor Elford fez notar, que o grupo incluiria quer pessoas infectadas aos 50 anos de idade quer pessoas diagnosticadas tardiamente, e os dados apontam mais para diagnóstico tardio. As pessoas diagnosticadas com mais de 50 anos de idade tinham uma contagem das células CD4 de 170 células/mm3 no momento do diagnóstico em comparação com uma contagem de 200 células/mm3 nas pessoas diagnosticadas aos 40 anos de idade, sendo este valor de 231 para as pessoas de 30 anos e 374 para as pessoas com um diagnóstico aos 20. Tal poderia parcialmente ser devido aos efeitos da idade sobre o sistema imunológico mas é mais plausível que seja explicado por um diagnóstico tardio nas pessoas com mais de 50 anos.

Existe, no entanto, um grupo significativo de pessoas que só se infectarem depois da meia-idade.

Segundo o autor “Estas são pessoas que conseguiram evitar a infecção VIH durante anos e que depois se infectaram”. Conclui, “Alguma coisa no seu comportamento mudou? Se sim, isto sugere que a realização do teste do VIH deveria ser direccionada às pessoas em risco de contrair o VIH seja aos 40 a 50 anos de idade seja nos mais jovens.

“A diversidade das pessoas mais velhas a viver com o VIH é um desafio contínuo para o tratamento e os cuidados de saúde relacionados com esta infecção neste grupo, no Reino Unido”.

Referencias

Elford J et al. HIV and ageing. Decima quarta Conferência BHIVA, Belfast: resumo O19.2008.
(AIDSMAP – 11.06.2008 )





Brasil defende redução de custos de medicamentos para acesso universal

11 06 2008

A ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial da Presidência da República de Políticas para as Mulheres, abriu, na manhã desta segunda-feira (9/6), os trabalhos da delegação brasileira que participa da Sessão Especial das Assembléia Geral das Nações Unidas sobre HIV e Aids (UNGASS). O evento acontece até a próxima quarta-feira (11/6), na sede das Nações Unidas, em Nova York, nos Estados Unidos. Falando no painel “Acesso universal a diagnóstico e tratamento de baixo custo para HIV e aids: em busca de soluções sustentáveis”, Nilcéa destacou a necessidade de aprofundar as iniciativas que visem a baixar o custo de medicamentos e de insumos de prevenção.

“O grande desafio é tornar o acesso universal a insumos de prevenção e a medicamentos, de fato, universal. Hoje, é grande o número de países severamente afetados pela epidemia que não têm condições de oferecer esses insumos à população”, disse a ministra, em entrevista após o pronunciamento.

De acordo com relatório conjunto da Organização Mundial de Saúde (OMS), do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV e Aids (UNAIDS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), divulgado no início de junho, aproximadamente 6,5 milhões de pessoas infectadas pelo HIV que precisam de terapia anti-retroviral não têm acesso aos medicamentos.

Moderado por Michel Sidibé, diretor-executivo-adjunto do UNAIDS, o painel teve também a participação de Brian Chituwo, ministro da Saúde de Zâmbia; de Rolake Odetoyinbo, representante da ONG Ação Positiva para Acesso ao Tratamento, da Nigéria; e de Jeffrey L. Sturchio, vice-presidente do laboratório Merck Sharp & Dohme.

Propriedade intelectual – Na cerimônia, os presidentes de Burkina Faso, Blaise Compaore, e de Togo, Faure Gnassingbe, ressaltaram o papel de destaque do Brasil no processo que levou a OMS a reconhecer, pela primeira vez, os efeitos negativos dos direitos de propriedade intelectual sobre o acesso a medicamentos.

O assunto foi destaque na 61ª Assembléia Mundial de Saúde, realizada em maio, em Genebra, na Suíça. O item consta da Estratégia Global do Grupo de trabalho Inter-governamental sobre Saúde Pública, Inovação e Propriedade Intelectual (IGWG), aprovado no encerramento da Assembléia.

O reconhecimento da OMS é fruto de um processo que se desenrola há dois anos, com participação relevante do Brasil em todos os estágios. Para o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, “a Estratégia Global (…) é o documento mais significativo em termos de propriedade intelectual e saúde pública desde a Declaração de Doha”. Essa declaração, de 2001, permite que os países tomem medidas para proteção da saúde pública.

Feminização – Em sua fala no primeiro dia da UNGASS, a ministra Nilcéa Freire afirmou que a ampliação da oferta de insumos de prevenção, sobretudo do preservativo feminino, é uma estratégia importante para conferir mais autonomia às mulheres e reduzir as desigualdades de gênero. “Com isso, certamente contribuiremos para enfrentar o avanço da epidemia de aids no sexo feminino, observado no Brasil e em todo o mundo”.

Atualmente, o Brasil está finalizando uma compra de 6 milhões de preservativos femininos, para serem distribuídos no Sistema Únicos de Saúde. No entanto, ao contrário do preservativo masculino, cuja distribuição é para a população geral, o preservativo feminino é voltado para grupos específicos, mais vulneráveis à infecção pelo HIV, como prostitutas e mulheres vítimas de violência. “Nossa meta é expandir a distribuição para 10 milhões de unidades, em 2010”, informou Nilcéa.

No Brasil, segundo dados do Programa Nacional de DST e Aids do Ministério Saúde (PN-DST/AIDS), havia 26 homens com aids para cada mulher, em meados dos anos 80. Hoje, são 16 homens com aids para cada 10 mulheres.

Direitos Humanos – À tarde, a diretora do PN-DST/AIDS, Mariângela Simão, participou de debate sobre exclusão social e grupos mais vulneráveis à epidemia, como gays, outros homens que fazem sexo com homens e travestis. “É preciso reconhecer o impacto da aids nessa população e promover ações efetivas, considerando as diversas especificidades de cada identidade sexual”, disse Mariângela, que teve a colaboração de Oswaldo Braga, do Movimento Gay de Minas, representante da Comissão Nacional de Aids (CNAIDS).

No Brasil, houve um crescimento do percentual de casos de aids entre homossexuais e bissexuais de 13 a 24 anos de idade, variando de cerca de 24%, em 1996, para aproximadamente 41%, em 2006. Na faixa etária de 25 a 29 anos, nessa categoria de exposição, a variação foi um pouco menor, mas também indicou crescimento: de 26% (1996) para 37% (2006). Já entre indivíduos de 30 a 39 anos, os índices apontam para uma pequena tendência de queda: de 30%(1996) para 28% (2006).

Fonte: Programa Nacional de DST/Aids
(Agência de Notícias da AIDS – 10.06.2008 )





QUÉNIA: Suicídio de garoto revela falhas na educação sobre HIV

11 06 2008

 O recente suicídio de um aluno da escola secundária na Província Noroeste do Quénia, após ter sido diagnosticado seropositivo, colocou em evidência a falta de conselheiros qualificados na região, e a urgência de tratar-se das informações incorretas e do estigma relacionados ao vírus.

“Nas escolas daqui não existe um trabalho sério de conscientização e aconselhamento dos alunos; a pouca informação que eles têm vem de campanhas públicas, dos filmes ou da media”, disse um dos professores que preferiu o anonimato.

Segundo algumas fontes, em Abril o aluno visitou um centro de aconselhamento e testagem voluntária (CATV), dirigido somente por um técnico de laboratório júnior. Ele recebeu seu resultado sem aconselhamento algum. Pouco depois, ele ingeriu uma dose letal de pesticida e morreu.

“O resultado veio como uma sentença de morte para ele; ele não foi aconselhado nem recebeu palavras confortantes, por isso pensou que o resutado positivo era o fim da sua vida”, disse o professor. “É possível também que ele tenha tido medo de ser isolado pela comunidade.”

As declarações de seus colegas revelam atitudes em relação ao HIV que podem ter contribuído à decisão deste aluno de suicidar-se.

“Eu sinto muito pela família, mas não por ele”, disse um deles. “Ele morreu porque cometeu um pecado muito sério [sexo fora do casamento] e cometeu um segundo pecado ainda mais grave ao suicidar-se. Ele foi diretamente para o inferno.”

Hassan Adan, coordenador do programa HIV da província, disse que o estigma e a falta de conselheiros adequados estão a prejudicar os esforços no contrôle do HIV na província, que foi a única do país a registar um aumento na prevalência do HIV em 2007.

Embora a seroprevalência ainda esteja entre as mais baixas do país – 1,4 por cento, comparado à média nacional, que é de 5,1 por cento, segundo o Conselho Nacional de Controlo da SIDA no Quénia – a região tem também a taxa mais baixa de uso do preservativo por sua população de mais de um milhão de habitantes.

''Ele morreu porque cometeu um pecado muito sério [sexo fora do casamento] e cometeu um segundo pecado ainda mais grave ao suicidar-se. Ele foi diretamente para o inferno.''

“Temos 16 CATVs na Província noroeste, mas somente nove estão a funcionar funcionam; pedimos ao governo que nos ajude a contratar conselheiros e aumentar o número de centros”, disse Adam.

O governo, em parceria com organizações não governamentais locais, começou a fornecer veículos especiais equipados para levar serviços de testagem e aconselhamento às comunidades rurais. No momento, tais serviços só são disponíveis em hospitais de distrito e sub-distrito.

Profissionais de saúde locais afirmam que expandir o serviço de testagem não vai necessariamente persuadir mais pessoas a fazer o teste. A conjunção de uma cultura extrememente conservadora e do grau de alfabetização mais baixo do país – somente oito por cento – tornam a educação sobre o HIV na Província Noroeste muito difícil.

“A maioria dos moradores da região acredita que o HIV só afeta as pessoas que são amaldiçoadas; [é] uma forma de punição e significa o fim da vida para qualquer um que receba um resultado positivo”, disse um enfermeiro e conselheiro do CATV Bulla Iftin na capital da província, Garissa.

O enfermeiro, que preferiu o anonimato, disse que a maioria dos habitantes de Garissa ainda rejeita os CATVs por medo de serem considerados imorais se forem vistos frequentando um deles.

“Temos muito poucos CATVs na Província Noroeste, mas eles nunca estão lotados”, disse. “A maior parte do tempo não conseguimos convencer uma só pessoa para testar ou aconselhar durante uma semana inteira.”
(PlusNews – 11.06.2008 )





ONU pede fim da discriminação contra viajantes com HIV

11 06 2008

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pediu nesta terça-feira o fim das restrições impostas por alguns países a viajantes portadores do vírus da AIDS.

 

“Peço uma mudança das leis que estigmatizam e discriminam, incluindo as restrições sobre os movimentos de pessoas que vivem com a AIDS”, declarou Ban na Assembléia Geral da ONU, reunida durante três dias para analisar os progressos no combate ao HIV.

 

Segundo um grupo de 345 ONGs, “mais de 70 países, incluindo Estados Unidos, China, Coréia do Sul, Cingapura e diversos estados do Oriente Médio, foram exortados a suspender as restrições a deslocamentos de pessoas com o HIV”.

 

De acordo com o programa das Nações Unidas OnuAIDS, 74 países aplicam medidas especiais contra portadores do HIV, incluindo a indicação da doença no passaporte.

 

Deste total, 12 proíbem a entrada de soropositivos em seu território: Arábia Saudita, Armênia, Colômbia, Coréia do Sul, Estados Unidos, Iraque, Omã, Qatar, Rússia, Ilhas Salomão, Sudão e Iêmen.

(Último Segundo – 11.06.2008 )





Europa debate tratado sobre violência contra as mulheres

11 06 2008

As medidas de combate à violência de género têm tido efeitos limitados. O diagnóstico é de uma task force do Conselho da Europa (CE) que ontem propôs, em Estrasburgo, um tratado para proteger as mulheres vítimas de violência, entre várias recomendações para lidar com o problema. Tal como já existe uma Convenção Europeia dos Direitos Humanos, o CE deve desencadear um processo visando uma convenção europeia destinada a prevenir e combater a violência contra as mulheres.
Uma convenção destas é um instrumento internacional fundamental para dar uma dimensão de continuidade à lutacontra o fenómeno, diz Manuel Lisboa, investigador português que integra o grupo de trabalho do CE. Se conseguirmos pôr isto em marcha será um avanço espantoso.
Segundo o documento que sintetiza as propostas, a Convenção Europeia dos Direitos Humanos não fornece uma protecção específica às mulheres vítimas de violência de género, afirma o investigador.
As recomendações da task force foram ontem debatidas no primeiro dia da conferência de encerramento da campanha de combate à violência contra as mulheres (no seio da família, mas também na comunidade, incluindo a violação e o abuso sexual) lançada em 2006 pelo CE. O encontro, que termina hoje, reúne representantes de 47 estados-membros entre os quais o ministro português da Presidência, Pedro Silva Pereira.
Um dos objectivos da campanha era denunciar a violência contra as mulheres como uma violação inaceitável dos direitos humanos nas democracias. O CE comprometeu-se a tomar medidas e constituiu um grupo de trabalho para avaliar o que têm feito os países e apresentar novas estratégias. Para o presidir, a Assembleia Parlamentar escolheu Hilary Fisher.
Em Setembro, será apresentado um relatório com o diagnóstico da situação. Para já, o grupo de trabalho constata que, apesar dos desenvolvimentos positivos ao nível legal, político e das práticas, os estados-membros têm que fazer mais para proteger as mulheres e punir os agressores. Faltam serviços de apoio às vítimas e as baixas taxas de condenação dos agressores de mulheres atingem níveis alarmantes, sobretudo quando comparadas com outros crimes.
Os estados têm que melhorar o dispositivo legal nesta área. Várias propostas são avançadas: qualquer agressor que viole uma ordem de protecção (como uma obrigação de se manter longe da vítima, por exemplo) deve ser punido com prisão, e não apenas multado; mediação e acordos extrajudiciais não devem ser utilizados em casos de violência contra as mulheres; há que garantir protecção legal efectiva a todas as vítimas.

A questão dos homicídios
Os estados-membros devem ainda, sem demora, levar a cabo medidas efectivas para prevenir a mais frequente e notória violação dos direitos humanos das mulheres homicídio por maridos, ex-maridos, companheiros e familiares. Para isso, são aconselhados a recolher dados sobre os homicídios desagregados por idade e relação entre o homicida e a vítima e informação sobre os processos judiciais e as condenações.
Cada caso de homicídio deve ser analisado cuidadosamente de forma a identificar qualquer falha na protecção das vítimas e desenvolver medidas para prevenir crimes futuros. A ideia de criar um observatório europeu de mulheres assassinadas também está em cima da mesa.
Em Portugal, os números sobre homicídios no seio da família não abundam. Sabe-se que em 2006 havia nas cadeias portuguesas 212 detidos por homicídio conjugal (16,4 por cento dos homicidas presos). Mas, com a excepção de casos pontuais, as estatísticas do Ministério da Justiça não discriminam qual a relação entre as vítimas de homicídio e os homicidas.
O grupo de trabalho defende que cada país deve desenvolver o seu próprio observatório, gerido por uma entidade independente, que recolha periodicamente toda a informação sobre violência contra as mulheres.

 

Apoio às vítimas domina recomendaçõeshttp://jornal.publico.clix.pt/img/pxTRANS.gif

Tem que haver empenho político ao mais alto nível. E recursos financeiros a sustentar os planos nacionais de acção. Os especialistas do grupo de trabalho do Conselho da Europa (CE) avisam: os custos sociais, mas também económicos, da violência contra as mulheres são enormes.
Os dados não são novos, mas vale a pena lembrá-los: entre um quinto e um quarto das mulheres já foi vítima de violência física, pelo menos uma vez na vida; mais de uma em cada dez mulheres foi alvo de violência sexual; entre 12 e 15 por cento viveram uma relação marcada pela violência. As mulheres abusadas (física, psicológica ou sexualmente) precisam de ir ao psiquiatra quatro a cinco vez mais do que as restantes, lembra outro estudo. E os resultados de um inquérito a 1500 mulheres feito em Portugal, divulgados em 2005, revelava que entre as vítimas a probabilidade de perder o emprego é sete pontos percentuais mais alta.
Por isso, as recomendações do grupo de trabalho apresentadas ontem em Estrasburgo centram-se em grande medida nas vítimas. O estados-membros devem garantir–lhes assistência financeira, casa e apoio no emprego e formação, para que esteja assegurada a sua reintegração. Cada país deve possuir casas de abrigo em número suficiente (pelo menos uma para cada dez mil habitantes) para dar resposta aos casos urgentes em que as mulheres têm que sair de casa para se protegerem dos agressores e um centro de crise para vítimas de violação por cada 200 mil mulheres. E às imigrantes deve ser garantido que mesmo que se encontrem em situação ilegal, serão alvo de apoio e protecção se denunciarem que são vítimas de abuso. E que não serão deportadas.
A educação não é esquecida: os currículos escolares, mesmo os destinados aos alunos mais novos, devem incluir o ensino dos direitos das mulheres e desafiar os estereótipos de géneroe as atitudes que acabam por conduzir à violência contra as mulheres. 

(Andreia Sanches /Público – 11.06.2008 )





UNGASS começa nesta próxima terça-feira em Nova Iorque

11 06 2008

Oficiais de governo e ativistas do mundo todo vão se reunir a partir desta próxima terça-feira (10) na Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York, EUA, para a revisão global de metas e respostas ao HIV/Aids. A sessão especial em que o assunto é discutido tem o nome de UNGASS e foi realizada pela primeira vez em 2001. Adotada por 189 países membros da entidade, a intenção é que essas propostas sejam implantadas até o ano de 2011.

No início deste ano, o Programa Nacional de DST e Aids (PN) divulgou o relatório “UNGASS: Resposta Brasileira à Epidemia de Aids 2005-2007”, com um balanço da epidemia no país (saiba mais). O principal destaque foi o dado inédito de que 43,7% das pessoas de 15 anos ou mais, que vivem com HIV, chegam aos serviços de saúde tardiamente, com deficiência imunológica.

Uma das possíveis hipóteses para a causa disso, segundo a diretora do PN, Dra. Mariângela Simão, seria a de que as pessoas têm medo de fazer o teste de HIV e procuram ajuda somente quando necessitam de assistência médica. Segundo ela, apesar do índice ser comparado com o de países desenvolvidos, ainda assim trata-se de percentual “inaceitável”, disse ela na época.

José Carlos Veloso, presidente do Gapa de São, acredita que uma das causas desse quadro é a falta de descentralização de campanhas para a Aids. “Quase tudo é em instância federal e muito pouco em municipal”, opinou em fevereiro deste ano.

Já na semana passada, a ONG Gestos de Pernambuco lançou nos Estados Unidos publicações sobre saúde sexual e reprodutiva de mulheres (saiba mais).

Mulheres

Organizações Não-Governamentais, incluindo a Gestos, participam da campanha mundial “Women Won’t Wait – End HIV & Violence Against Women. Now” (Mulheres Não Vão Esperar) e divulgaram comunicado para imprensa nesta segunda-feira cobrando governos por mais ações contra a epidemia de HIV e direitos humanos para as mulheres.

O texto cita que uma pesquisa com 16 países mostrou que eles falharam em manter compromissos de igualdade de gênero entre homens e mulheres na saúde sexual e reprodutiva, assim como em Direitos Humanos e o fim da violência contra o sexo feminino.

A pesquisa constatou que “enquanto os países têm os instrumentos regulamentares em vigor, destinados a combater a violência baseada no gênero, em todas as suas diversas formas, a implementação de ações ainda é muito deficiente”, disse Alessandra Nilo da Gestos, no Brasil, que coordenou o estudo. Esta investigação é parte de um esforço da sociedade civil para acompanhar e tornar visíveis as lacunas na execução da políticas.

Os 16 países pesquisados pelo estudo são Argentina, Belize, Brasil, Chile, Índia, Indonésia, Quênia, Peru, México, Nicarágua, Tailândia, África do Sul, Uganda, Ucrânia, Uruguai e Venezuela.

Apesar das chamadas por direitos humanos e direitos da mulher, a maioria dos países não têm na prevenção ao HIV programas projetados especificamente para as mulheres, muito menos empenho em promover e proteger os direitos humanos. Na verdade, em alguns países há provas relacionadas com campanhas de prevenção ao HIV reforçar os estereótipos sexistas ao invés de desafia-los, diz a nota.

Na Argentina, por exemplo, “existe ainda muito a fazer, sobretudo, no desenvolvimento e criação de serviços em cuidados especializados para as mulheres sobreviventes de violência, além de coordenar os trabalhos dos diferentes serviços, incluindo saúde, o sistema penal e etc. Os governos devem também lançar múltiplas vertentes, sustentando campanhas que promovam os direitos das mulheres”, disse Mabel Bianco, diretor da Fundacion para Estudio e Investigacion de la Mujer (FEIM).

Para conhecer mais sobre a campanha (em inglês) acesse: www.womenwontwait.org.

Entenda a Declaração UNGASS

Chefes e representantes de Estados e de Governos reuniram-se nas Nações Unidas de 25 a 27 de junho de 2001, na vigésima sexta Sessão Especial da Assembléia Geral – UNGASS-Aids (United Nations General Assembly Special Session for HIV/Aids), em caráter de urgência, para rever e examinar o problema do HIV/Aids, em todos os seus aspectos, assim como, assegurar um compromisso global no sentido de melhorar a coordenação e a intensificação dos esforços para enfrentar a epidemia, de maneira objetiva, nos níveis nacional, regional e internacional.

(Agencia de Notícias da AIDS – 09.06.2008 )





África/SIDA: Progressos são insuficientes segundo a ONU

11 06 2008

Os progressos conseguidos pela comunidade internacional na luta contra a sida na última década são insuficientes para proporcionar acesso universal à prevenção e tratamento aos 33,2 milhões de pessoas que vivem com HIV no mundo, advertiu segunda-feira a ONU.

O estudo, elaborado pelo secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, assegura que o aumento do investimento nesta matéria nos últimos dez anos “começa a dar frutos”, o que se reflecte na redução de novos casos de infecções e no número de mortes.

Assinala que os cerca de 2,5 milhões de novos casos registados em 2007 significam uma notável redução face aos 3,2 milhões de 1998.

As mortes anuais passaram de 3,9 milhões em 2001, a 2,1 milhões em 2007.

Ban atribuiu estas “vitórias” ao aumento dos recursos destinados a combater a epidemia, que o ano passado somaram 10.000 milhões de dólares no mundo, lembrando, contudo, que são insuficientes.

“O mundo não conseguirá o acesso universal à prevenção, ao tratamento, ao cuidado e à assistência se não existir um aumento significativo dos recursos disponíveis nos países de rendimentos médios e baixos”, afirmou.

O secretário-geral da ONU apresentará oficialmente este relatório terça-feira numa sessão especial convocada pela Assembleia-Geral para avaliar o progresso da luta contra a sida e a que assistem oito chefes de Estado e de Governo e 90 ministros.

Os membros da ONU comprometeram-se em 2001 a proporcionar acesso universal aos métodos de prevenção e de tratamento da doença.

Ban destaca no seu relatório que a taxa de doentes que recebem tratamento antiretroviral aumentou 42 porcento em 2007 e que cerca de três milhões de pessoas em países em desenvolvimento têm agora acessos a esses medicamentos.

Mas esse número equivale a 30 porcento dos doentes que necessitam desse tratamentos, o que é denunciado por algumas das ONG que participam na sessão da Assembleia-Geral, terça e quarta-feira, como prova de que os avanços são relativamente escassos.

Os cerca de 10.000 milhões de dólares anuais que se destinam a esta matéria estão ainda muito longe dos 22.200 milhões que a mesma Assembleia-Geral há dois anos calculou serem necessários para se alcançar a meta de universalizar o tratamento em 2010.

O director do Programa das Nações Unidas sobre a Sida (UNAIDS), Peter Piot, salientou que a luta contra a doença “entra numa nova fase” porque, pela primeira vez se conseguiram resultados e que o desafio actual é “manter a intensidade”.

Por seu lado, o secretário (ministro) da Saúde do México, José Angel Córdoba, que intervirá na Assembleia-Geral em nome do Grupo de Rio, disse que o alto preço dos medicamentos continua a ser o grande obstáculo para estender o tratamento a todos os dois milhões de latino-americanos que padecem da doença.

No seu relatório, Ban reconheceu que “a propagação dos serviços essenciais aos doentes não ocorre aos mesmo ritmo que o crescimento da epidemia”.

Assim, enquanto em 2007 mais de um milhão de pessoas se inscreveram nos tratamentos com anti-retrovirais, o número de infectados aumentou em 2,5 milhões particularmente em África.

Sessenta e oito por cento de todos os casos de HIV do mundo, 76 porcento das mortes e 90 porcento das infecções infantis registam-se em países da África subsahariana onde o acesso ao tratamento está ainda longe de ser universal.

(AngolaPress – 10.06.2008 )





Sampaio põe hoje líderes a discutir tuberculose

11 06 2008

É a primeira vez que os líderes mundiais se reúnem para falar sobre tuberculose, numa iniciativa organizada por Jorge Sampaio, enviado especial das Nações Unidas contra a doença. O Fórum Global de Líderes para o Controlo da Tuberculose e Infecção VIH/sida decorre hoje em Nova Iorque. Objectivo: aumentar os esforços para travar uma infecção que triplicou nos últimos 15 anos.

Longe de estar erradicada, a tuberculose, associada ao VIH, é responsável por quase 25 milhões de mortes por ano no Mundo. Os especialistas lembram que, se não for travada, “é uma ameaça à segurança e desenvolvimento” dos países, em particular aqueles com maior incidência de sida. Com a evolução dos tratamentos para esta doença, a tuberculose tornou-se a principal causa de morte nos infectados.

(Correio da Manhã – 09.06.2008 )





Diagnóstico tardio predomina

11 06 2008

O diagnóstico precoce do vírus HIV faz muita diferença na qualidade de vida do portador. Isso porque ainda é um problema a grande quantidade de pacientes soropositivos com 50 anos ou mais de idade que descobrem que estão com o vírus da Aids quando já estão acometidos de uma doença oportunista grave. O alerta é do diretor geral do Hospital São José (HSJ), o infectologista Anastácio Queiroz.

“Não se pode tornar a idade uma sentença, mas, de qualquer forma, o indivíduo deve se cuidar. O paciente soropositivo com mais idade responde de forma diferente ao tratamento com os antiretrovirais. E, quase sempre, só toma conhecimento que tem HIV quando está com Aids em fase avançada”, explica o infectologista.

O diagnóstico tardio não é restrito somente aos mais velhos. Estudo realizado pela Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o assunto no País, mostra que, de 2003 a 2006, 43,7% dos portadores do vírus HIV no Brasil tiveram um início de acompanhamento tardio da doença. Com isso mais de 14 mil pessoas foram a óbito no início do tratamento, o que representa 28% dos infectados.

A queda de mortalidade pela Aids no País é decorrente da política universal de acesso ao tratamento antiretroviral. No Ceará, ao contrário do Brasil, conforme o último Boletim Epidemiológico da Aids, de dezembro de 2006, a queda de mortalidade pela doença não foi observada. Dos 7.183 casos registrados até a data, 2.743 evoluíram para óbito, conforme o documento. Até março deste ano, segundo Informe Epidemiológico, foram notificados 7.854 casos desde 1983.

O diretor do HSJ, Anastácio Queiroz, alerta que, diante de um mal já instalado, dificilmente o indivíduo terá um benefício maior com a terapêutica. “Um indivíduo com 50 ou 60 anos vai ter Aids com maior grau de severidade do que um de 25 anos porque já foi mais exposto a uma série de parasitas durante a sua vida”, disse.

Anastácio Queiroz explica que o vírus HIV pode reativar ou desencadear uma série de doenças causadas por histórico de parasitas no organismo. “Quando se tem Aids, doenças como herpes, toxoplasmose, citomegalovirose, mononucleose, entre outras são reativadas no organismo. Quanto mais exposições a parasitas, maiores são as chances do paciente soropositivo evoluir de maneira desfavorável”, explica.

No HSJ, conforme ele, são acompanhados mais de dois mil soropositivos. As infecções oportunistas- causa das complicações do paciente com HIV- segundo o diretor geral, são as principais responsáveis pela lotação dos 32 leitos das enfermaria de Aids do hospital, que muitas vezes recebe pacientes além da sua capacidade.

Gravidade

O aumento da Aids em todos os níveis, seja entre os mais velhos ou jovens ou pela transmissão vertical, de mãe para filho durante a gestação, para Anastácio Queiroz, mostra a gravidade do problema. “Por ter tratamento e ter se tornado uma doença crônica, as pessoas relaxaram com a prevenção, o que é lamentável”.

Conforme Anastácio, mesmo a Aids sendo conhecida de quase toda a população, a prática sexual absolutamente desprotegida ainda predomina. “É aí que mora o perigo. É preciso dar ênfase à prevenção em todas as faixas etárias e grupos sociais. As pessoas ainda pensam que Aids é uma doença de homossexual, o que é um grande erro”, considera.

As mulheres, conforme ele, estão sendo mais atingidas. “As mulheres estão se infectando por seus parceiros heterossexuais, bissexuais e usuários de drogas. Infelizmente são muitas delas com mais de 50 anos vivendo com HIV e Aids”, alerta. Diante deste cenário, o médico é categórico: “Ou se faz abstinência sexual ou se usa o preservativo de borracha. Não existe outra alternativa para o sexo seguro”, finaliza.

SOLIDARIEDADE
Sol Nascente assiste a crianças e adultos soropositivos carentes

A ineficiência da rede pública de assistência a pacientes soropositivos contribuiu para o aparecimento de instituições sociais destinadas a dar suporte a essas pessoas – crianças, jovens, adultos e idosos – que convivem com desintegração familiar e outros problemas sociais, como o desemprego e a falta de moradia. É o caso da Casa de Apoio e Lar da Criança Sol Nascente, que existe desde 2001 em Fortaleza e abriga adultos e crianças portadoras do HIV ou filhos de soropositivos.

Sem moradia e sem nenhum parente que lhe abrigue, vítima de acidente vascular cerebral (AVC) e acamado, o morador João (nome fictício), de 65 anos, mora na Casa de Apoio Sol Nascente há dois anos. Depois de ficar internado por um longo período na Santa Casa da Misericórdia, João recebeu o diagnóstico de que estava com o vírus da Aids.

Complicações

Desde então, das complicações da doença, sofreu um AVC que lhe deixou sem andar, sem falar e com os movimentos do lado esquerdo completamente comprometidos. Foi quando chegou na instituição.

Hoje, com a fala e parte dos movimentos recuperados, graças a sessões de fisioterapia e fonoaudiologia realizadas na própria Casa de Apoio, João, ainda acamado, conta que nunca usou preservativo. “Eu era um homem da rua e de muitas mulheres. Peguei por aí. O médico me disse que se eu fizesse o tratamento direito durante dois anos, eu ficaria bem. De fato, se não fosse o AVC, eu estaria bem”, disse, reclamando que o que mais lhe incomoda é não andar e viver deitado.

João credita o fato de ainda estar vivo à sua ex-mulher, de quem já tinha se separado antes de contrair o HIV. “Ela me ajuda em tudo. Mas é casada com outra pessoa. Se não fosse ela, eu já tinha morrido”, conta, agradecido.

A coordenadora da Casa de Apoio e Lar da Criança Sol Nascente, Cilane Braga, explica que a instituição funciona como uma pensão e abriga pessoas que têm histórico de conflitos familiares e receberam alta hospitalar, mas não têm para onde ir.

O contato com a instituição, conforme ela, geralmente é realizado através dos serviços sociais de unidades de saúde onde os portadores estavam internados. “Todos os internos da casa não têm para onde ir. Aqui, além de alimentação e moradia, recebem atenção de enfermagem e suporte de outros profissionais de saúde, como fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos, quando necessário”, explica a coordenadora.

Lá, os moradores devem seguir uma rotina diária para recuperação de saúde e também obedecer uma série de regras de disciplina. Nenhum paciente, conforme Cilane Braga, pode deixar de tomar os medicamentos do coquetel ou deixar de seguir as recomendações médicas. “O objetivo deles na casa é se recuperar, então têm que seguir à risca o que recomenda o tratamento”, explica.

O resgate dos laços de família, conforme Cilane Braga, também são incentivados. “Geralmente eles ficam aqui porque as famílias já esgotaram todas as formas de relacionamento. Mas a nossa intenção é que isso retorne”, disse.

A instituição recebe incentivos governamentais, mas sobrevive de doações de todas as naturezas, como alimentos, roupas, medicamentos, produtos de higiene e fraldas.

Mais informações:
Casa de Apoio e Lar da Criança Sol Nascente
Av. Alberto Craveiro, 2222 (85)3469.4437 e 3295.1946 solnascenteceara@hotmail.com

ENTREVISTA
Políticas públicas e informações não contemplam os mais velhos

Mariana Aderaldo
Assistente social do Hospital São José, mestre em Saúde Pública pela UFC, autora da tese ´Aids na Terceira Idade-uma aproximação do problema´.

O conhecimento sobre a Aids coloca em risco as pessoas com 50 anos ou mais de idade?

É certo que pessoas de mais idade, como os idosos, têm menos conhecimento sobre a Aids e suas formas de prevenção do que os jovens. Até porque eles entendem como a doença do outro, que não lhes atingem. A informação que se produz sobre a doença não chega aos mais velhos e é feita para circular em ambientes de jovens. Hoje, qualquer adolescente tem conhecimento sobre a Aids. Já com o idoso, isso não acontece na mesma intensidade.

Como as pessoas de meia e terceira idades recebem a notícia de que são soropositivas?

Geralmente, o adulto médio tem mais dificuldade de aceitar. Questionam os exames e acham que há engano no diagnóstico porque se consideram inatingíveis pela doença, mesmo não sendo adeptos do preservativo. Já o idoso de idade avançada aceita mais e é cooperativo com o tratamento, principalmente porque se vê mais perto da morte. Muitos ressignificam suas vidas a partir da soropositividade.

O exercício da sexualidade nessa faixa etária é vista de forma preconceituosa na sociedade. Como fica depois do diagnóstico do HIV?

Retomar a vida sexual após o diagnóstico do HIV é muito difícil para qualquer paciente, seja jovem, adulto ou idoso, pelo medo de repassar o vírus ou ainda da outra pessoa saber da condição e não aceitar. A maioria dos pacientes dá um novo significado para sua vida sexual, continuando ou finalizando as relações.

Como é a relação das famílias com os pacientes?

A sociedade pensa que a Aids é indicativo de abandono familiar, mas não acontece sempre. Pelo contrário, existem famílias que viviam em conflito e depois do diagnóstico conseguem manter uma relação de apoio e cumplicidade. No entanto, pelo fato da imagem dessexualizada do idoso, muitos escondem da família por terem preconceito consigo mesmos. Mas, geralmente, os pacientes tentam refazer as pontes familiares.

As políticas públicas conseguem atingir esse público e são eficazes para incentivar a prevenção?

Não. Hoje mais de 10% da população soropositiva está nessa faixa etária e ainda continua se fazendo campanhas só para jovens. Com o avanço dos medicamentos e da mudança de comportamento sexual, mais pessoas com idade avançada são sexualmente ativas e o risco de contrair o vírus aumenta bastante, já que o uso do preservativo não é hábito. É preciso fazer esse alerta.

PANORAMA DA AIDS

No mundo

33,2 milhões de pessoas vivem com HIV/Aids no mundo
22,5 milhões é a população atingida pela Aids na África
1,6 milhão de pessoas têm HIV/Aids na América Latina

No Brasil

545 mil pessoas é a estimativa de pessoas infectadas por HIV no Brasil até 2006
474.273 casos de Aids foram notificados no País até 2006
192.709 brasileiros já morreram vítimas da Aids
1,6 homem com HIV para cada mulher é a razão entre sexos em 2006 no País

No Ceará

7.841 casos de Aids foram notificados no Estado de 1983 a março de 2008
171 municípios cearenses oficialmente têm registro de casos de HIV
83,46% dos casos de Aids em menores de 13 anos foram transmitidos de mãe para filho
16% dos casos de Aids no Estado foram diagnosticados através da tuberculose
1,6 homem com HIV para cada mulher é a razão entre sexos em 2006

Fonte: Secretaria da Saúde do Estado (Sesa)

(Paola Vasconcelos/Diário do Nordeste – 09.06.2008 )





Ban pede que luta contra aids na África continue firme

11 06 2008

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu hoje para a comunidade internacional manter a proporção de ajuda econômica à África, com o objetivo de combater a epidemia de aids que devasta a população e afeta a sociedade do continente.

Durante discurso perante a comissão da ONU sobre HIV/aids e a governabilidade na África, Ban assegurou que “a comunidade global esteve à altura” perante a catástrofe que representa esta doença para a população do continente.

“Vimos como se desenvolveu um movimento internacional que tenta obter acesso universal ao tratamento, à prevenção e ao apoio aos pacientes, um movimento que une Governos do norte e do sul, a sociedade civil, e o setor privado”, ressaltou.

Ele elogiou o trabalho dos membros da comissão que hoje apresentaram um relatório com oito recomendações para intensificar a luta contra a aids nesse continente, o mais pobre e afetado pela doença.

Ban reconheceu que “ainda há grandes dificuldades”, pois há cinco milhões de africanos que não recebem tratamento, além da prevalência da doença entre os mais jovens e o peso que representa para os poucos recursos dos países mais pobres o gasto com aids.

O secretário-geral da ONU indicou que o relatório da comissão reconhece que há múltiplas versões da epidemia da aids na África, e que, portanto, uma mesma receita não funciona em todas as partes.

“É por isso que temos que entender como as normas culturais e as atitudes aumentam o risco de infecção, e, por isso, temos que erradicar a violência de gênero e tomar medidas para melhorar a vida dos órfãos deixados pela aids”, destacou.

O relatório reconhece que a alta vulnerabilidade das mulheres africanas à epidemia reflete a desigualdade entre os gêneros, e a subordinação à qual são submetidas nas sociedades do continente.

Além disso, o documento ressalta que a prevenção deve ter a mesma prioridade que o tratamento. Por esta razão, deve-se investir na conscientização sobre a realidade da aids e fornecer métodos que combatam seu contágio, como o uso do preservativo.

A apresentação deste relatório faz parte das atividades que hoje ocorrem na sede da ONU em relação com o debate geral que a Assembléia Geral dedicará amanhã e quarta-feira à análise do progresso na luta contra a aids em todo o planeta.

Segundo dados da ONU, todos os dias oito mil pessoas morrem por complicações relacionadas com a doença, enquanto há 40 milhões de afetados, dos quais 24,5 milhões estão na África Subsaariana, e o ritmo de contágio é de 12 mil pessoas diárias.

Entre os presentes ao evento estavam o presidente de El Salvador, Elías Antonio Saca; a diretora geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, e a diretora do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Ann Veneman, além de ministros de Saúde de vários países.

Paralelamente, o enviado especial das Nações Unidas na luta contra a tuberculose, o ex-presidente de Portugal Jorge Sampaio, realizará hoje o primeiro fórum de líderes para debater sobre a “epidemia dupla” que representam esta doença pulmonar e a aids.

(Clica Brasília – 09.06.2008 )





MOÇAMBIQUE: Brincadeira de criança, papo de adulto

11 06 2008

Usando bonecos de trapos, o jovem activista Augusto António ensina a um grupo de crianças e adolescentes como ter uma relação sexual protegida, debaixo duma frondosa mangueira, no popular bairro da Textafrica, em Chimoio, na província de Manica.

António é um dos 150 voluntários da organização não-governamental norte-americana Treinamento Internacional de Órfãos e sua Sobrevivência (TIOS), que trabalha com crianças órfãs e vulneráveis nas áreas de educação para paz, prevenção do HIV e primeiros socorros.

Ele afirma que usar bonecos para mostrar como se praticar sexo seguro e como se prevenir de infecções sexualmente transmissíveis, como o HIV, simplifica a mensagem para crianças, adolescentes e jovens com baixo nível de escolaridade.

“É difícil falar sobre relações sexuais, pois ainda há muita reserva. Mas com bonecos cria-se um pouco de humor e diversão e o ambiente fica mais confortável para as pessoas debaterem abertamente”, disse.

Os bonecos são uma imitação de homens e mulheres, e são considerados “anatomicamente correctos”. Segundo seus mentores, é um modelo ideal para as zonas rurais, onde a língua portuguesa, usada nas campanhas de prevenção, não é largamente difundida.

As sessões com os bonecos acontecem nas comunidades rurais das cidades de Chimoio e Manica, também nos distritos de Gôndola e Guro, na região central de Moçambique.

Encorajar os jovens

O método com bonecos vem ao encontro da estratégia do Conselho Nacional de Combate a SIDA, segundo a qual “encorajar os jovens a participar na resposta nacional ao HIV é fundamental na contenção da epidemia”.

Moçambique apresenta uma seroprevalência nacional de 16 por cento e a parcela mais atingida da população é a de pessoas entre 15 e 49 anos.

''É difícil falar sobre relações sexuais, pois ainda há muita reserva. Mas com bonecos cria-se um pouco de humor e diversão e o ambiente fica mais confortável .''

Um estudo de 2005 sobre comportamento de risco em adolescentes, conduzido pelo Ministério da Saúde (MISAU), mostrou que eles são mais vulneráveis a contrair o HIV por falta de conhecimento, pressão de grupo e práticas de risco.

Moçambique regista um número crescente de crianças seropositivas. Em 2006, cerca de 100 mil crianças menores de 15 anos viviam com HIV, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância. Calcula-se que este número aumente para 121 mil até 2010.

O estudo do MISAU também indica que a SIDA está a agravar a crise de órfãos no país: do 1,6 milhão de crianças órfãs actualmente, um quinto perdeu os pais para a SIDA.

Esses órfãos são particularmente vulneráveis ao abuso e à exploração devido ao estigma e à falta de cuidados e supervisão dos adultos.

A jovem Rosita Faustino, órfã de ambos os pais, participa das actividades da TIOS desde Setembro de 2007 e diz que trabalhos assim ajudam a aprender sobre SIDA.

“Minha prima, que também era órfã, morreu de SIDA há dois anos. Mesmo com tanta insistência para que se precavesse do HIV ela implicava comigo”, contou.

A jovem Faustina Ezaquiel diz também ter se beneficiado da iniciativa.

“Tenho aprendido muito sobre o HIV. Hoje sou capaz de dirigir uma sessão para falar de métodos de prevenção do HIV”, disse, depois de participar de uma das sessões.

Agentes de mudança

A TIOS também está a conscientizar crianças órfãs que são chefes de famílias, já que muitas delas são responsáveis por familiares seropositivos.

“Também ensinamos estas crianças como fazer os primeiros socorros sem o perigo de serem infectadas pelo HIV quando forem a assistir um doente de SIDA”, disse Amy Gillespia, fundadora da TIOS em Moçambique.

Para tanto, a TIOS conta com uma equipa de 12 técnicos na área da saúde e segurança, que abordam temas como a SIDA.


Photo: André Catueira/PlusNews
Método simples, mensagem entendida

O trabalho não pára por aí. A organização, que cuida de 120 órfãos entre seis e 18 anos, também tem um centro que acolhe crianças órfãs, onde frequentam a pré-escola e aprendem costura, pintura e informática.

Entre as actividades está também a confecção dos bonecos, que estão a ser distribuídos para outras associações da província que querem adoptar o método.

“Usar bonecas anatómicas ajuda uma aprendizagem rápida à própria criança. Assim transformamos as crianças em agentes de mudança, pois elas implementam o que aprendem facilmente”, afirmou Gillespia. ~

(PlusNews – 10.06.2008 )