Zimbabué: Falta de assistência das ONG aumentará mortes por Sida e talvez catástrofe alimentar

8 06 2008

A suspensão de actividades das organizações humanitárias no Zimbabué afectará sobretudo os pacientes de sida, num país particularmente afectado pela doença, denunciou hoje um grupo de mais de mil ONG.

“Esta suspensão terá por consequências directas mais cruéis fazer aumentar o número de mortes de pacientes de sida ou contaminados pelo VIH por falta de assistência das ONG, que deixam de poder fornecer-lhes cuidados médicos e medicamentos”, declarou a Associação Nacional das Organizações Não-Governamentais (NANGO), que representa 1.009 ONG nacionais e internacionais.

O Zimbabué está entre os países da África mais atingidos pela sida, com 3.000 mortes por semana ligadas à doença, de acordo com o Conselho Nacional da sida.

As ONG estão igualmente preocupadas com a falta de alimentos e advertem contra a ameaça de uma crise humanitária.

A maioria dos zimbabueanos depende da ajuda humanitária, em especial nas zonas rurais onde faltam os géneros de base como o óleo alimentar e o milho.

“A crise aumenta de dia para dia devido ao aumento vertiginoso dos preços”, lamenta a NANGO.

O Escritório das Nações Unidas para a Ajuda Humanitária (OCHA) indicou que, numa altura em que a segurança alimentar falta no Zimbabué, a suspensão da ajuda das ONG irá interromper a entrega da ajuda humanitária e privar cerca de 4 milhões de zimbabueanos.

A UNICEF considerou que mais de 185 mil crianças serão privadas de ajudas elementares, incluindo em matéria de saúde e nutrição, e considera que a atitude de Harare constitui uma “violação dos direitos das crianças”.

O governo do Zimbabué suspendeu na última semana a acreditação de todas as organizações não governamentais de ajuda humanitária que operam no país, acusando algumas delas de apoiarem o partido líder da oposição Movimento para a Mudança Democrática (MDC).

(Lusa – 08.06.2008 )


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