Angola tem a prevalência de Sida mais baixa em grávidas na região

8 06 2008

Angola continua a ser o país com menor percentagem em prevalência do VIH/Sida na região da África Sub-Sahariana, com 2,1 por cento de mulheres grávidas até Dezembro do ano passado, segundo a conclusão do terceiro estudo de seroprevalência do VIH/Sida, Sífilis e Hepatite B, em mulheres grávidas durante a consulta pré-natal.
A informação foi prestada ontem, em Luanda, pela directora do Instituto Nacional de Luta Contra a Sida (INILS), Dulcelina Serrano, durante um encontro presidido pelo vice-ministro da Saúde, José Van-Dúnem, que, entre outras questões, tratou da avaliação e divulgação dos dados do referido estudo.
Os técnicos trabalharam com um conjunto de nove países, do qual, além de Angola, constam o Botsswana, com 32 por cento, a África do Sul, 29 por cento, a Namíbia, 20 por cento, Moçambique, de 9 a 27 por cento, o Zimbabwe 18 por cento, a Zâmbia 17 por cento, o Congo Brazaville, de 2 a 10 por cento, e a República do Congo Democrático, com 0,8 a menos 8 por cento.
Segundo o estudo, que avaliou a situação nestes países até o mês de Dezembro de 2007, as regiões fronteiriças de Angola, principalmente Cunene, Cabinda e Lundas, são as de maior prevalência de seropositivos. As populações infectadas tendem a se deslocar para o interior do país, atesta o documento.
Entretanto, num intervalo de confiança de 95 por cento, em Angola, as províncias do Bié e do Uíje são as que têm menor percentagens de VIH/Sida, com 0,8 e 1 por cento respectivamente. O Cunene lidera com 10,6 por cento.
Os resultados preliminares concluíram que na província do Cunene circula o sub-tipo do VIH/Sida, o mesmo que graça à vizinha República da Namíbia, enquanto que o Zaire está afectado com o tipo de vírus que circula no Congo Democrático. A província de Luanda é tida como a de maior complexidade pelos técnicos, porque a mesma abarca vários tipos de vírus.
Com base em estudos epidemiológicos feitos no país, de 1990 – 2010, a estimativa de prevalência do VIH/Sida, dos 0 aos 49 anos de idade, mais de 10 mil indivíduos terão necessidade de tratamento com anti-retrovirais (TARV). Nesse período, segundo apontam os dados, mais de 200 mil pessoas serão contaminadas.
Para dar resposta à epidemia do VIH/Sida, o Instituto Nacional de Luta Contra a Sida (INILS), traçou um plano estratégico nacional (2007-2010), com objectivo de fortalecer a capacidade do combate à doença, a fim de reduzir o seu crescimento, primeiro, e atenuar o impacto social e económico no indivíduo, na família e na comunidade, depois.
O INILS, para alcançar as metas acima descritas, necessitará de reforçar a vertente jurídica, por forma a aumentar o envolvimento político a nível dos governos provinciais. As acções irão incluir ainda a execução do sistema de vigilância e o desenvolvimento de novos estudos epidemiológicos.
De acordo com os técnicos, as principais causas da dissiminação do VIH/Sida em Angola são: a pobreza, a migração elevada e o início precoce das relações sexuais. As mulheres estão mais expostas ao risco, por caírem com mais facilidade na prostituição. O gráfico em anexo circunscreve a situação.
(Jornal de Angola – 06.06,2008 )





Programa Nacional de DST/Aids produzirá uma espécie de série de TV para exibir em salas de espera

8 06 2008

O Programa Nacional de DST/Aids está produzindo oito documentários de aproximadamente 4 minutos cada utilizando personagens reais e situações cotidianas para oferecer informações sobre prevenção e conscientização sobre DST/HIV e Aids. Os vídeos serão exibidos nas salas de espera das unidades de saúde e CTAs – Centro de Testagem e Aconselhamento. Haverá uma edição de 30 segundos de cada um dos filmetes.

Os vídeos abordarão os temas “Pega / Não pega”; “Fique Sabendo”; “Transmissão Vertical”; ”Redução de danos”; “DST”; “Aids em adultos acima de 50”; “HSH”; e “Vivendo com o HIV”, que em conjunto formarão uma espécie de série de TV.

O primeiro filmete traz o título “Pega / Não pega” e fala sobre as possibilidades de transmissão através do mosquito da Dengue, em “Fique Sabendo” a abordagem será sobre a importância do diagnóstico para estimular a realização de exames não só para o HIV, mas para doenças como sífilis e hepatite. Para as mulheres, “Transmissão Vertical” vai oferecer informações para mães portadoras do HIV, mostrando que com tratamento adequado a chance do bebê nascer infectado cai para 1%.

No vídeo “Redução de Danos” o approach é a importância de políticas de redução de danos e incentivar os jovens para o uso de camisinha em situações de vulnerabilidade, como após o consumo de drogas. Na versão “Aids em adultos acima de 50” estimulará o uso correto do preservativo. 

Na versão “HSH” – sigla para Homens que fazem Sexo com Homens – a idéia é promover o uso do preservativo em combinação com géis lubrificantes e abordar as dificuldades de falar sobre a sexualidade, a baixa auto-estima e as dificuldades de encontrar os centros de apoio e a exposição à violência. Serão depoimentos de jovens que vão abordar a relação com a família, casais gays estáveis e boa relação com os pais.

No sétimo vídeo da série, sob o tema “DST” vai alertar sobre o aparecimento de verrugas, feridas e corrimentos, que em alguns casos é sinal de doença sexualmente transmissível, incentivar o uso do preservativo como método de prevenção para outras doenças. “Vivendo com HIV” é o último filme da série e abordara às questões de quem é soropositivo, mostrando que não é fácil viver com a doença e que ela está presente em qualquer tipo de pessoas, fazendo cair o estigma de grupo de risco, as doenças, angústias e demos, a reinfecção do HIV entre outros.

(Erik Galdino/Mix Brasil – 05.06.2008 )





MOÇAMBIQUE: Com a palavra, as mulheres

8 06 2008

É domingo e termina mais uma celebração eucarística na paróquia de São Joaquim, no bairro da Munhuana, na periferia da cidade de Maputo.

Enquanto o padre despede-se dos fiéis, um grupo de mulheres reúne-se numa das salas da pequena paróquia para seu encontro semanal, onde tratarão de temas que a princípio não têm nada de religiosos: sexualidade e SIDA.

Trata-se de uma cena cada vez mais comum nas igrejas de Moçambique.

Embora os púlpitos ainda sejam território quase que exclusivamente masculino e a Bíblia traga passagens sobre a submissão feminina, a seroprevalência de 16 por cento está a fazer com que a figura da mulher na igreja seja reavaliada no âmbito da epidemia.

“A Bíblia diz que Deus fez o homem e a mulher a sua imagem e semelhança. A Bíblia não discrimina a mulher”, diz Felicidade Chirinda, pastora da Igreja Presbiteriana de Moçambique.

Formar mulheres

Por causa disso, Chirinda fundou no ano passado a associação religiosa Wa nsati Pfuka (Mulher, desperte!, na língua shangana), que hoje congrega 40 membros, metade deles seropositivos.

Financiada pela organização cristã francesa CEVAA, a Wa nsati Pfuka investe na formação de mulheres. Entre suas áreas de actuação estão actividades de alfabetização, auxílio a crianças e projectos de geração de renda.

O HIV é uma das frentes de trabalho mais fortes da associação.

As mulheres – algumas seropositivas, outras não – se encontram uma vez por semana para discutir como e onde serão feitas as próximas campanhas de sensibilização de HIV/SIDA na comunidade.

Segundo Chirinda, foi na associação que muitas mulheres que hoje são activistas receberam a informação sobre o HIV/SIDA.

“No começo, nós visitávamos as casas do bairro. Encontrávamos doentes e tentávamos convencê-los de ir ao hospital. Por vezes até dávamos o dinheiro do transporte”, conta. “Foi assim que muitas mulheres descobriram ser seropositivas. Vieram para cá e hoje elas são activistas.”

''Eu às vezes falo de camisinha dentro da igreja, sabendo que não devo falar. Mas temos que fugir de algumas leis da igreja para nos prevenirmos contra o HIV.''

Carmina Macandzi, 47 anos, é prova de que a educação sobre tais tópicos pode render bons resultados. Seropositiva e membro da Wa nsati Pfuka, ela só entendeu a importância de quebrar o silêncio depois de uma capacitação recebida na associação.

“Compreendi que ao falar do meu estado ajudava a sociedade a perceber a doença”, disse Macandzi, que faz questão de enfatizar o apoio do grupo. “Se continuasse fechada continuaria a discriminar-me. Agora ajudo-me a mim própria e aos outros.”

Hoje, Macandzi participa de esforços de prevenção que extrapolam os limites paroquiais: hospitais, escolas, famílias e comunidades são alvos de campanhas para testagem voluntária, aconselhamento e cuidados domiciliários.

Para Stella Pinto, oficial do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento em Maputo, formar a mulher em matérias ligadas a sexualidade e SIDA dentro da igreja é cada vez mais necessário.

“A mulher e a rapariga devem ter o mesmo tratamento que os homens. É importante apostar na sua educação e capacitação”, defende.

Mais vulneráveis

Elvira Honwana, 43 anos, também é activista da Wa nsati Pfuka e membro da Igreja Presbiteriana.

Seropositiva desde 2004, ela faz campanhas de prevenção dentro e fora da igreja, mas precisa adaptar seu discurso. Fora da igreja, por exemplo, ela bate na tecla do uso do preservativo, mas dentro do templo a situação é outra.

“Na igreja não é aconselhável falar de camisinhas, porque a Bíblia prega a fidelidade”, explica. “Eu às vezes falo de camisinhas dentro da igreja, sabendo que não devo falar. Mas temos que fugir de algumas leis da igreja para nos prevenirmos contra o HIV.”

Honwana explica que educar as mulheres é essencial para diminuir sua vulnerabilidade.


Photo: Lilian Liang/PlusNews
Desperte, mulher! é o lema da associação fundada pela pastora Felicidade Chirinda

“Como existem muito mais mulheres do que homens em Moçambique, às vezes um homem tem duas, três, até quatro parceiras”, diz. “Por isso temos que fugir um bocado das leis [e falar de camisinhas], porque senão é a mulher quem sofre.”

Segundo ela, as mulheres deveriam ter mais espaço para falar do HIV dentro da igreja por terem mais facilidade para lidar com o assunto.

“A mulher tem mais facilidade de falar e aceitar que o homem. Quando ela fica sabendo que é seropositiva, ela se trata e consegue viver. Os homens não aceitam, não querem nem saber”, diz.

Para a pastora Chirinda, a actuação das mulheres dentro da igreja em relação à epidemia já começa a se fazer notar. Muitas igrejas já convidaram o grupo para falar sobre o HIV, durante o culto e em palestras.

Em uma ocasião, um pastor até perguntou se Chirinda não poderia trazer uma equipa de testagem para testar sua congregação.

Mesmo assim, ainda existe um longo caminho pela frente.

“É difícil falar de HIV dentro da igreja, mas não podemos calar. Nossos crentes estão morrendo. Se não falarmos, vamos perder terreno para a doença”, diz. 

(PlusNews – 06.06.2008 )
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Associação Black Panthers e parceiros realizam campanha de sensibilização de luta contra a sida

8 06 2008

Actividades culturais, desportivas e uma palestra subordinada ao tema “Sida e sua consequência unto da camada juvenil” vão marcar a campanha de luta contra Sida a ser realizada, hoje, pela Associação Juvenil Black Panthers da zona da Várzea, na cidade da Praia, em parceria com a Polícia Nacional e o Comité de Luta Contra Sida.

As realizações terão lugar no Polidesportivo de Santa Rosa da Várzea da Companhia, pelas 18 horas, e prolongar-se-ão até o próximo dia 13 do mês corrente.

Paralelamente à campanha de sensibilização porta a porta coordenada por 12 jovens, multiplicadores de informação, deixa saber ainda a Assocaição que decorrerá um torneio com envolvimento de todos os jovens da Várzea sob o lema “Juntos por uma Várzea sem Sida”.
(Expresso das Ilhas – 06.06.2008 )





Cunene: Famílias afectadas pelo VIH/Sida beneficiam de apoios diversos

8 06 2008

Treze famílias afectadas pelo VIH/Sida, na localidade de OKanautoni, município de Ombadja, Cunene, beneficiaram de diferentes organismos, desde o princípio do ano até a presente data, de um apoio com diversos bens, no âmbito do projecto “Geração de Rendimento Sustentável”, com vista a melhorar a sua condição socioeconómica.

A informação foi prestada quarta-feira à Angop pela oficial da luta contra a Sida da Organização Mundial da Saúde (OMS), Etelvina Correia, tendo afirmado que o apoio enquadra-se num projecto financiado por essa instituição e executado em coordenação com a Caritas Diocesana.

Segundo explicou, o projecto engloba, numa primeira fase, 81 famílias vulneráveis e tem como objectivo a melhoria das condições socioeconómicas e sanitárias das famílias, através de actividades, agro-pastoricia, sanitárias e sócios educacionais.

Entretanto, salientou que na execução do projecto são distribuídas sementes agrícolas, animais domésticos produtores de leite, carne e ovos. Sem referir o valor global do financiamento, Etelvina Correia realçou que o projecto é executado em parceria com o Instituto de Luta contra a Sida, HAMSET,UNUSIDA, FAO, a Direcção Provincial da Saúde, Agricultura e do Ministério da Assistência e Reseinção Social (MINARS) e será abrangente em todo território da província.

(AngolaPress – 06.06.2008 )





Japão promete contribuir com USD 560 milhões no combate ao VIH/Sida

8 06 2008

O Governo do Japão vai, em 2009, contribuir com 560 milhões de dólares, através do Fundo Global, para ajudar no combate ao Vih/Sida, tuberculose e malária no mundo.

O anúncio foi feito hoje, sexta-feira, pelo embaixador do Japão em Angola, Susuma Shibata, aquando da entrega de mais de quatro milhões de dólares ao Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), para apoiar no combate à malária e à poliomielite em Angola.

Segundo o embaixador, em Angola e no mundo, está-se a caminhar para a erradicação da poliomielite, mas ainda há um árduo trabalho pela frente, na redução e manutenção dos níveis alcançados até ao presente momento.

Acrescentou que quanto a malária os sinais já são melhores com relação a períodos mais difíceis no passado e existe a esperança de que os índices continuem a reduzir.

Para Susuma Shibata, a saúde das crianças de hoje, adultos do amanhã, consolidará cada vez mais os resultados positivos alcançados, através do seu contributo e comparticipação na vida socio-económica da nação, quando atingirem a idade adulta.

De acordo com o mesmo, consubstanciado no facto do UNICEF ser por longo período um parceiro credível do governo, frisou, “tenho a confiança que este projecto dará claramente à população angolana um resultado visível, através da cooperação trilateral que presenciamos hoje”.

O montante hoje entregue será usado na compra de produtos e serviços essenciais, que garantam a promoção da imunização das crianças, especificamente no combate a malária e a pólio, através da distribuição de redes de mosquiteiros e de congeladores equipados de placas solares para a conservação das vacinas.

(AngolaPress – 06.0.6.2008 )





Doentes esperam há seis meses por novo remédio

8 06 2008
VIH. Aprovado pelo Infarmed em Dezembro do ano passado, o ‘Atripla’, remédio que junta num só comprimido três dos anti-retrovirais mais usados pelos doentes, permite reduzir o número de tomas e está há seis meses à espera da fixação do preço para entrar no mercado português

Medicamento espera que preço seja definido

O Infarmed já aprovou o Atripla, um medicamento inovador que reúne num comprimido os três fármacos mais utilizados para o tratamento do VIH (vírus da imunodeficiência humana), mas os doentes ainda não podem comprar este medicamento.

Carlos Pires, da Autoridade Nacional do Medicamento, explica que só depois da Direcção-Geral das Actividades Económicas (órgão do Ministério da Economia) estabelecer o preço, o Infarmed pode decidir sobre a comparticipação. E só então é que o Atripla, que já recebeu a autorização da Autoridade a 13 de Dezembro de 2007, pode chegar finalmente às farmácias.

Menos comprimidos

O Atripla é fruto de uma colaboração pouco habitual na indústria farmacêutica: três laboratórios – a Gilead, a Bristol-Myers Squibb e a Merck – juntaram um anti-retroviral de cada um num só comprimido – efavirenz, emtricitabina e tenofovir.

Amílcar Soares, presidente da Associação Positivo, explica que este medicamento “é sobretudo um facilitador da toma”, que vem simplificar a vida à maioria dos doentes, que, assim, em vez de terem que tomar três comprimidos tomarão apenas um. “Tudo o que venha simplificar a vida aos doentes é bem vindo”, reagiu ao DN, por sua vez, Margarida Martins, da Abraço, associação que apoia doentes com sida.

Quando os primeiros tratamentos anti-retrovirais foram lançados, em 1996, os doentes tinham de tomar até 30 comprimidos por dia, alguns com o estômago vazio, outros em diferentes horários ao longo do dia. O Atripla vem revolucionar o quotidiano destes doentes. “A pessoa não precisa de andar preocupada com três medicamentos, para tomar de manhã, à tarde e à noite”, explica ainda Amílcar Soares. O Atripla toma-se uma vez por dia. “Acho que vai deixar as pessoas mais felizes e, sobretudo, vai fazer com que adiram melhor à terapia.” Além disso, a toma de apenas um comprimido evita que as pessoas tenham que esconder a medicação para fugir a perguntas. Daí que, para os especialistas, o principal benefício deste medicamento seja ao nível psicológico.

Recém-diagnosticados

Nos EUA, o Atripla foi licenciado em Julho de 2006 e já é tomado por quase metade dos doentes recém-diagnosticados, de acordo com a BBC.

Os novos doentes são os melhores candidatos porque ainda não desenvolveram resistência a nenhum dos componentes. Os especialistas calculam que entre 50% e 60% dos doentes possam experimentar este tratamento. Os fabricantes destacam, no entanto, que este comprimido não é uma cura. O Atripla tem efeitos secundários semelhantes aos dos três medicamentos que o compõem: cansaço, dores de cabeça, vómitos e diarreia. Pode causar também a descoloração da pele.

Outro medicamento

O Atripla não é o único comprimido para o VIH que está a aguardar o ‘aval’ do ministério, no que respeita à definição do preço. Também o Raltegravir, da Merck, aprovado igualmente em Dezembro do ano passado, ainda não chegou ao mercado. Este comprimido é o primeiro na classe dos anti-retrovirais denominados inibidores, ou seja, que inibem a integração do ADN viral de VIH no ADN humano. O Raltegravir inibe uma de três enzimas necessárias à replicação do vírus. Espera-se que seja eficaz nos pacientes cujo vírus já desenvolveu resistências.

Em Portugal, estão registados 32 491 casos de VIH, de acordo com o Centro de Vigilância Epidemiológica das Doenças Transmissíveis do Instituto Ricardo Jorge. Em 2007 surgiram quase mil novos casos.

(Diário de Notícias – 08.08.2008 )





Combate à aids na Índia ganha reforço de líderes religiosos

8 06 2008

Os principais gurus da Índia, seguidos com devoção por dezenas de milhões de pessoas, prometeram unir forças contra a aids, incorporando em seus sermões informações preventivas e mensagens que ajuda a romper o estigma que envolve a doença.

Em um seminário realizado esta semana pela Fundação Arte de Viver, em conjunto com o Programa das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids) e outras entidades, 70 líderes religiosos reunidos em Bangalore, no sul do país, se comprometeram a entrar na luta contra a aids.

“O estigma que envolve esta doença só poderá ser superado se os líderes religiosos falarem sobre ela abertamente. É uma tarefa da qual o governo e as ONGs não conseguem dar conta sozinhos”, disse aos participantes do encontro o fundador da Arte de Viver, o grande Sri Sri Ravi Shankar.

Segundo um comunicado emitido ao fim do seminário, os mestres hindus se comprometeram a “incluir informações sobre o vírus HIV em seus discursos, rituais, festas e aulas, e também na formação dos futuros líderes religiosos”.

Na Índia, milhões de pessoas, sejam de povoados pequenos ou de grandes cidades, seguem um guru, ao qual recorrem para aliviar seus males espirituais e também para serem curados de problemas físicos e de saúde.

“Há muitos mais líderes religiosos na Índia que os três milhões de chefes de assembléias locais. Se todos se unirem, a campanha contra a aids terá muito mais alcance”, disse Oscar Fernandes, vice-ministro de Emprego da Índia, durante o encontro.

“Quando eles falam, o que dizem têm muito impacto. Nenhum governo, nenhuma ONG consegue impactar tanta gente com suas campanhas”, disse à agência Efe a porta-voz da Arte de Viver Manta Kailkhura.

Para o mestre Agnivesh, presidente do conselho mundial do movimento social-religioso Arya Samaj e um dos mais importantes líderes hindus, a popularidade não é a única razão pela qual os gurus devem assumir uma responsabilidade na luta contra a aids, doença que já afeta 2,5 milhões de indianos.

“Os líderes religiosos são idôneos para esta tarefa. A mensagem faz parte dos valores espirituais”, disse Agnivesh, que, em declarações à Efe, sugeriu a aplicação na Índia do “ABC contra a aids” difundido na África, que prega a abstinência (“Abstinence”), a fidelidade (“Be faithful”) e o uso de preservativos (“Condoms”).

Segundo o guru, os líderes religiosos devem colaborar no combate à aids porque foram os “responsáveis pela criação do tabu” que impede “que se fale de sexo com os jovens”.

“Criamos um estigma contra as pessoas infectadas pelo HIV. Tachamos elas como imorais”, lamentou, para, em seguida, acrescentar: “Devemos nós mesmos eliminar o estigma que criamos. Devemos ajudar estas pessoas, estender-lhes a mão, comer com elas, abraçá-las, tratá-las com amor e respeito”.

Agnivesh, considerado um dos gurus mais “progressistas” da Índia, também recomendou o fim do silêncio que cerca a doença em uma “cultura repressiva” e conservadora como a indiana.

Falar da aids ajudará a evitar mais contaminações e fará com que os já doentes sejam aceitos por uma sociedade da qual eles atualmente se escondem, acrescentou o mestre.

O líder religioso chegou a propor que os clérigos que celebram casamentos, independentemente de sua religião, encorajem os noivos a fazerem um exame anti-HIV.

“Podemos promover essa prática prometendo-lhes privacidade. Na verdade, nós também deveríamos fazer o teste”, acrescentou, lembrando que seus seguidores mantêm relações sexuais, até mesmo com pessoas do mesmo sexo, e que, por isso, o risco do contágio sempre existe.

A iniciativa lançada no seminário recebeu o apoio de grandes líderes hindus de estados de toda a Índia, os quais “se comprometeram a propagar a mensagem a outros representantes religiosos com os quais venham a se encontrar”.

“É um tema sobre o qual todos têm receio de falar”, disse à Efe Charu Garewal, outra porta-voz da Arte de Viver.

Mas “os líderes religiosos geralmente são pessoas tão iluminadas que nada é constrangedor para eles. Eles estão acima destas coisas. São as pessoas que vacilam ao ouvirem ou ao falarem disso”, afirmou Garewal

(Folha Online – 07.06.2008 )





Governo japonês doa mais de USD quatro milhões para o combate à malária e poliomielite

8 06 2008

O Governo do Japão entregou hoje, sexta-feira, quatro milhões e 300 mil dólares americanos, ao Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), para apoiar o combate a malária e a poliomielite em Angola.

O referido montante será usado para a compra de produtos e serviços essenciais, que garantam a promoção da imunização das crianças, especificamente no combate contra a malária e a pólio, através da distribuição de redes de mosquiteiros e de congeladores equipados de placas solares para a conservação das vacinas.

O embaixador do Japão em Angola, Susumu Shibata, entregou a verba ao representante em exercício do UNICEF em Angola, Geoffrey Wiffin, na presença do ministro da Saúde, Ruben Sicato, que agradeceu o gesto em nome do governo angolano e dos beneficiários da doação.

Ruben Sicato reconheceu o papel que o Japão vem dispensando a Angola, desde a reabilitação do Hospital Josina Machel a outras situações que concorrem para o desenvolvimento do país.

O governante manifestou o desejo de os angolanos verem-se livres de campanhas de vacinação, à semelhança de outros países como o Japão, mas que para tal é necessário que todas as mães saibam da importância de vacinar os seus filhos.

“É preciso que todos trabalhemos juntos para atingirmos níveis de muitos países, em que apenas efectuam vacinação de rotina”, frisou.

O ministro apelou a co-responsabilidade dos parceiros, bem como reconheceu o crescimento do Orçamento Geral do Estado, facto que demonstra o empenho político do Governo nos assuntos ligados à saúde dos angolanos.

Por seu turno, o embaixador do Japão disse que os serviços de saúde em incidência para os cuidados das crianças em Angola constitui um pré-requisito para assegurar o crescimento saudável na nação como um todo e que constitui um orgulho para ele o facto de que o seu país esteja a ajudar outro nesta luta.

O representante em exercício do UNICEF enfatizou que a doação ajudará a organização a assistir o Governo de Angola para atingir o alto impacto na intervenção a favor da criança.

(AngolaPress – 06.06.2008 )





Zimbabué: Falta de assistência das ONG aumentará mortes por Sida e talvez catástrofe alimentar

8 06 2008

A suspensão de actividades das organizações humanitárias no Zimbabué afectará sobretudo os pacientes de sida, num país particularmente afectado pela doença, denunciou hoje um grupo de mais de mil ONG.

“Esta suspensão terá por consequências directas mais cruéis fazer aumentar o número de mortes de pacientes de sida ou contaminados pelo VIH por falta de assistência das ONG, que deixam de poder fornecer-lhes cuidados médicos e medicamentos”, declarou a Associação Nacional das Organizações Não-Governamentais (NANGO), que representa 1.009 ONG nacionais e internacionais.

O Zimbabué está entre os países da África mais atingidos pela sida, com 3.000 mortes por semana ligadas à doença, de acordo com o Conselho Nacional da sida.

As ONG estão igualmente preocupadas com a falta de alimentos e advertem contra a ameaça de uma crise humanitária.

A maioria dos zimbabueanos depende da ajuda humanitária, em especial nas zonas rurais onde faltam os géneros de base como o óleo alimentar e o milho.

“A crise aumenta de dia para dia devido ao aumento vertiginoso dos preços”, lamenta a NANGO.

O Escritório das Nações Unidas para a Ajuda Humanitária (OCHA) indicou que, numa altura em que a segurança alimentar falta no Zimbabué, a suspensão da ajuda das ONG irá interromper a entrega da ajuda humanitária e privar cerca de 4 milhões de zimbabueanos.

A UNICEF considerou que mais de 185 mil crianças serão privadas de ajudas elementares, incluindo em matéria de saúde e nutrição, e considera que a atitude de Harare constitui uma “violação dos direitos das crianças”.

O governo do Zimbabué suspendeu na última semana a acreditação de todas as organizações não governamentais de ajuda humanitária que operam no país, acusando algumas delas de apoiarem o partido líder da oposição Movimento para a Mudança Democrática (MDC).

(Lusa – 08.06.2008 )