Tem que usar!!!

3 06 2008

que a galera ainda resiste em não usar o preservativo

Mesmo com todo aquele papo de que prevenir é melhor que remediar, parece que está difícil pôr na cabeça de alguns jovens que camisinha tem que usar sempre. No mês passado, um estudo do Ministério da Saúde mostrou que cresceu o número de adolescentes infectados pelo vírus da AIDS, no Brasil. Os casos de meninas contaminadas já são o dobro dos casos de guris. O motivo dessa triste realidade? Falta de cuidado na hora “H”.

Os efeitos da falta da camisinha já aparecem nas estatísticas do ministério da Saúde. Nos últimos dez anos, o número de adolescentes soropositivas entre 13 e 19 anos cresceu em 58,8% – foram quatro mil novos casos de 1996 pra cá. Ao contrário do que acontecia assim que a doença apareceu, hoje as mulheres são a maioria dos casos infectados.

Uma das explicações para a falta de prevenção entre a galera é que essa é uma geração que não acompanhou o surgimento da AIDS, nem o grande número de mortes provocadas pela doença. O perigo é ainda maior porque uma pessoa soropositiva pode levar até 15 anos para ter algum sintoma da doença, e acaba espalhando o vírus por não saber que tem.

Perguntamos para alguns jovens se a galera anda se cuidando quando o assunto é sexo. Ao que parece, a maioria se preocupa apenas com gravidez. Rola uma ilusão completamente equivocada de que a AIDS está distante da realidade deles e que ela pode ser controlada pelo coquetel de remédios. Longe disso. O que deve ser feito para fixar na cabeça de todos que o uso da camisinha é fundamental e indispensável em qualquer ocasião?

Camisinha ainda é um assunto que gera dúvidas e preconceitos, mas não deveria. As pessoas costumam alegar vários motivos para não usá-la, como desconforto, vergonha, confiança no parceiro. Mesmo namorando, eu tomava pílula e usava camisinha com o meu namorado. Não por acreditar que ele tinha uma doença, mas porque usar camisinha deve ser um hábito. A camisinha é a melhor forma de se proteger contra DST e evitar uma gravidez. Devemos aproveitar, mas com sexo seguro.

Caroline Pandolfo, 21 anos, acadêmica de Jornalismo da UFSM

Se a gente não se liga de ter a camisinha por perto acaba não usando. Não temos que pensar só na conseqüência da barriga, porque tem muitas outras doenças que enchem mais o saco do que um choro de bebê.

Francisco Krum, 22 anos, acadêmico de Medicina da UFSM

Eu acho que a gente tem que usar camisinha. Isso não é porque a pessoa pode ter uma doença ou porque tu não confia nela, mas porque tu não sabe com quem essa pessoa já esteve antes de ti. Tem tudo, gravidez e coisa e tal… E a própria pílula não é 100%. Então, tem que se cuidar.

Bruna Cielo, 18 anos, acadêmica de Engenharia Florestal da UFSM

Camisinha… É bem fácil de consegui-la e usá-la. Então, por que não usar? Não vem com aquele papo de que não usa porque vai estourar ou porque é desconfortante. Isso não vale, porque tem estudos que dizem que a chance de estourar no ato é de 1%, se ela foi corretamente colocada. Ela previne contra doenças e, com ela, tu faz um sexo seguro.

Bernard Germani, 18 anos, estudante do Técnico em Informática

Conversamos com a Dra. Sandra Scalco, ginecologista e sexóloga, que nos deu a real sobre o uso da camisinha. Não interessa o motivo, nada é desculpa para deixar a camisinha de lado na hora “H”.

KZK – Por que os jovens estão deixando de usar camisinha?
Dra. Sandra – Não é que os jovens não usem camisinha. Eles, de um modo geral, estão bem informados e usam, aproximadamente 80-90% na primeira transa (de acordo com uma pesquisa feita no Brasil que estudou o comportamento sexual de mais de 500 jovens pela Antropóloga Prof. Dra. Daniela Knauth). Mas o problema é justamente esse: após dois, três meses de “relacionamento”, cai vertiginosamente a utilização da camisinha, para 20-30%, por uma falsa sensação de segurança.

KZK – Quais serão as conseqüências desse “desleixo” por parte dos jovens na sociedade?
Dra. Sandra – As conseqüências podem ser inúmeras: as DST’s (doenças sexualmente transmissíveis), a gestação indesejada, o aumento no índice de aborto provocado e a percepção do sexo, que poderia ser boa e de prazer, se tornar uma “dor de cabeça”.

KZK – Alguns guris dizem que basta a guria tomar anticoncepcional para o uso ser descartado. Será que os jovens estão emburrecendo? Ou, apesar de todas as campanhas de conscientização, eles ainda não têm noção dos riscos da relação sexual sem proteção?
Dra. Sandra – Os jovens vivem uma fase de descoberta do mundo e da própria identidade, têm uma sensação de onipotência, “isso não vai acontecer comigo”, ou “isso está muito longe de mim”. Acredito que o descuido que ainda ocorre é mais por falta de “atitude sexual”, ou seja, eles ainda estão aprendendo a se colocar, inclusive sexualmente. Além da informação, é necessário que pais e escolas conversem com seus filhos e alunos para a construção de um pensamento responsável sobre sexo, sem tabus ou falsos moralismos. Mostrando uma face do sexo que pode ser muito bonita, mas que precisa de certos cuidados.

KZK – O que você aconselharia para as gurias se protegerem mais?
Dra. Sandra – Se as gurias decidiram ter a atitude de iniciar vida sexual, não deveriam ficar constrangidas em carregar camisinha, este é um tabu que deve ser discutido. E cabe ressaltar que não deve haver receio em impor a camisinha, isso só demonstra carinho. Quem gosta, cuida de si e do outro. Sem camisinha, sem relação sexual. Caso o guri, na hora “H” disser: “Esqueci!” Que mal pode haver na guria que diz: “Não tem problema, eu tenho!” Essa camisinha na carteira não precisaria ser mostrada para todos, o sexo não precisa ser usado como propaganda de si mesmo. O sexo é uma conquista especial de intimidade a dois! 

KZK – Muitos jovens pensam que a AIDS está controlada em função do coquetel.
Dra. Sandra – Mas isso está longe de ser a cura.

KZK – Quais são todas as conseqüências e contra-indicações do uso do coquetel? Como é a realidade de quem tem que viver a base desses remédios?
Dra. Sandra – A AIDS pode estar controlada, mas ainda não tem cura, e o coquetel pode ter vários efeitos colaterais desagradáveis. Quando é necessário usar, são geralmente ingeridos vários comprimidos por dia, consultas e exames regulares. Sem contar o risco de ter alguma complicação ou infecção pela queda da imunidade. Enfim, tudo isso pode ser evitado.

Importante!
O acidente mais comum com a camisinha é arrebentar. E para evitar isso se usa gel a base de água por fora da camisinha. E não adianta colocar a camisinha só na hora da ejaculação, pois o líquido que sai antes já pode engravidar ou transmitir doença.

Atenção!
Todas as DST’s podem ser totalmente assintomáticas, ou seja, a pessoa ter e não sente nada, às vezes nem sabe que tem algo. Três dicas importantes:
 
- Alguns jovens acreditam que quando chega num certo ponto “não dá mais pra controlar”, isso não é real, sempre há tempo de parar, se não está tudo ok!
 
- Já existe vacina para evitar HPV (papova vírus ou condiloma). O ideal é fazer antes de começar a transar, por isso também é importante consultar um ginecologista antes! Vacina contra hepatite B também já existe!
 
- E para aqueles que falam que acham que “não é a mesma coisa” transar com camisinha, isso só demonstra falta de “experiência ou conhecimento”, pois a sexualidade é tão ampla e cheia de possibilidades, que dar uma paradinha pra colocar a camisinha não é nada, perto de tudo que se pode ter! E melhor, sem complicação!

Saiba mais sobre esse acessório que é fundamental para a saúde e para a desencanação de todos:

Camisinha sonora
Os japoneses foram os inventores da primeira camisinha sonora. Eles usaram o mesmo minúsculo chip de cartões musicais, instalado na ponta do preservativo. Assim que o homem ejacula, pode-se ouvir, no interior do corpo da mulher, a canção Love Me Do, dos Beatles.

Preso por tirar fora de hora
Um juiz em Toronto, no Canadá, condenou Charles Tumwesigye a 45 dias de prisão por ter tirado a camisinha no meio da relação sexual, sem a autorização de sua parceira.

O maior preservativo do mundo
Um preservativo amarelo cobriu a fachada de um hotel de 20 andares na cidade de Guilin, no sul da China, para marcar o Dia Mundial da ONU para a População. A empresa Guilin Latex pediu aos editores do Guinness Book para reconhecerem o preservativo gigante, de 80 metros de altura, como a maior do mundo. A camisinha custou mais de 24 mil dólares e tinha a mensagem “Controle o crescimento populacional, preste atenção à sua saúde sexual, previna a AIDS”.

(Júlia Dócolas e Sílvia Medeiros/Kzuka – 30.05.2008 )


Acções

Informação

Publicar um comentário