O investigador que identificou o vírus VIH garante que a prevenção é agora a palavra-chave na Saúde para eliminar doenças como o cancro, diminuir as despesas com tratamentos e permitir vidas mais longas com qualidade.
A participar no I Congresso Ibérico Anual sobre Medicina Anti-Envelhecimento e Tecnologias Biomédicas, a decorrer no Estoril até sábado, o francês Luc Montagnier argumentou que os “tratamentos são melhor que nada”, mas o objectivo deve ser a cura quer para a SIDA, quer para doenças neurológicas e do cancro.
(RTP – 30.05.2008 )
Para essa meta, o virulogista defende a criação de “centros de medicina preventiva”, onde as pessoas façam exames completos, com recurso às novas tecnologias, e onde sejam identificados o “stress oxidativo e os agentes infecciosos que provocam as doenças”.
O stress oxidativo, que ocorre quando o oxigénio das células não consegue combater certos efeitos tóxicos, é a “principal causa da mutação do DNA e cancro”.
“Fico surpreendido quando há doentes diagnosticados repentinamente com cancro aos 40/50 anos . Tem que haver sinais antes e acho, mas tenho que confirmar, que esses passam por sintomas de stress oxidativo. Quem mostrar esse stress corre risco de sofrer de qualquer tipo de cancro e de doenças neurológicas”, considerou.
A redução do número de doenças crónicas irá também reduzir as despesas hospitalares, com medicamentos e da segurança social e por isso terá que se inverter a lógica dos investimentos. “Tem que se investir mais na prevenção do que no tratamento”, defendeu Luc Montaigner em entrevista à Agência Lusa.
Outra prioridade para o virulogista francês é a preocupação com efeitos a longo prazo, face, por exemplo, ao “crescimento exponencial anual dos campos electromagnéticos” e com a demografia e com o contínuo aumento da taxa de natalidade em África.
“Não poderemos suportar o crescimento demográfico, é muito elevado e as pessoas irão morrer”, assegurou à Lusa.
Respostas futuras no campo da Saúde passarão pelas células estaminais, que têm o potencial de substituírem qualquer outra célula no corpo humano, e que podem ser adultas ou embrionárias.
“Devemos usar as células adultas de nós próprios que depois são transformadas. Porque usando as de terceiros, corre-se o risco de problemas de rejeição”, argumentou.
PL.
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