Bragança: Doentes com SIDA preferem ser tratados fora da região

3 06 2008

Os doentes de sida só têm um local para tratamento em todo o Distrito de Bragança e ainda assim preferem ser acompanhados fora da região por causa do estigma social.

Esta realidade foi revelada hoje pela sub-região de Saúde numa conferência sobre o tema, na Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Bragança.

De acordo com a coordenadora daquele organismo, Berta Nunes, forma notificados cerca de 130 casos de HIV no distrito desde o surgimento da doença.

A única consulta da especialidade no Distrito de Bragança funciona no hospital de Mirandela.

Segundo Berta Nunes, “a maioria dos doentes prefere ser tratada fora da região com medo do estigma e da discriminação”, agravada pelo facto de se tratar de meios pequenos onde toda a gente se conhece”.

A maioria destes doentes é acompanhada nos hospitais do Porto, nomeadamente Joaquim Urbano, Santo António e São João.

A coordenadora da sub-região garantiu que já foi feita uma sondagem aos doentes no sentido de saber se preferiam ser tratados na sua região, ao que responderam negativamente na sua maioria.

Esta é a principal razão apontada por Berta Nunes para ainda não terem sido desenvolvidas as condições locais de resposta ao problema.

A “limitação de recurso humanos” tem também peso nesta realidade, segundo admitiu, mas garantiu que poderia ser ultrapassada.

Deu como exemplo o protocolo celebrado com o hospital Joaquim Urbano, que faz deslocar uma equipa aos estabelecimentos prisionais de Bragança e Izeda para tratar os reclusos.

De acordo com Berta Nunes, o grupo mais afectado pela doença são os jovens adultos e a taxa de incidência de sida acompanha neste distrito a média nacional.

A sub-região está apostada na prevenção e regista com agrado “uma sensibilização cada vez maior dos jovens para o problema”.

O número de testes à doença tem aumentado de ano para ano, passando de pouco mais de 70 em 2003, para mais de 800, em 2007.

Os dados são do CDA – Centro de Atendimento e Detecção do Instituto Português da Juventude (IPJ) de Bragança, que nos primeiros quatro meses deste ano já realizou mais de 400 testes.

(Lusa – 30.05.2008 )


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