Ilhas Maurícias lançam caravana móvel para luta contra HIV/SIDA

3 06 2008

O ministério maurício da Saúde instaurou esta semana uma caravana móvel com a missão de visitar as aldeias e as cidades da ilha a fim de oferecer um novo programa de serviço-conselhos e de despistagem do vírus HIV da sida, bem como diversos tipos de testes, soube a PANA de fonte oficial no local.

Segundo um responsável, esta iniciativa destina-se a enfrentar a mudança ocorrida no modo de transmissão do HIV, isto é a passagem da heterossexualidade para a injecção de drogas.

Por outro lado, arranjos foram feitos para que o programa de tratamento de substituição com a metadona seja assegurado doravante pelos hospitais regionais da ilha, em vez dos centros de desintoxicação por causa do número elevado de casos registados, indicou a fonte.

Soube-se em Port-Louis que as autoridades maurícias registaram a 31 de Março último, três mil 438 casos de seropositividade, ou seja três mil 281 maurícios, dos quais dois mil 705 homens e 576 mulheres, e 157 estrangeiros.
(Panapress – 30.05.2008 )





Bragança: Doentes com SIDA preferem ser tratados fora da região

3 06 2008

Os doentes de sida só têm um local para tratamento em todo o Distrito de Bragança e ainda assim preferem ser acompanhados fora da região por causa do estigma social.

Esta realidade foi revelada hoje pela sub-região de Saúde numa conferência sobre o tema, na Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Bragança.

De acordo com a coordenadora daquele organismo, Berta Nunes, forma notificados cerca de 130 casos de HIV no distrito desde o surgimento da doença.

A única consulta da especialidade no Distrito de Bragança funciona no hospital de Mirandela.

Segundo Berta Nunes, “a maioria dos doentes prefere ser tratada fora da região com medo do estigma e da discriminação”, agravada pelo facto de se tratar de meios pequenos onde toda a gente se conhece”.

A maioria destes doentes é acompanhada nos hospitais do Porto, nomeadamente Joaquim Urbano, Santo António e São João.

A coordenadora da sub-região garantiu que já foi feita uma sondagem aos doentes no sentido de saber se preferiam ser tratados na sua região, ao que responderam negativamente na sua maioria.

Esta é a principal razão apontada por Berta Nunes para ainda não terem sido desenvolvidas as condições locais de resposta ao problema.

A “limitação de recurso humanos” tem também peso nesta realidade, segundo admitiu, mas garantiu que poderia ser ultrapassada.

Deu como exemplo o protocolo celebrado com o hospital Joaquim Urbano, que faz deslocar uma equipa aos estabelecimentos prisionais de Bragança e Izeda para tratar os reclusos.

De acordo com Berta Nunes, o grupo mais afectado pela doença são os jovens adultos e a taxa de incidência de sida acompanha neste distrito a média nacional.

A sub-região está apostada na prevenção e regista com agrado “uma sensibilização cada vez maior dos jovens para o problema”.

O número de testes à doença tem aumentado de ano para ano, passando de pouco mais de 70 em 2003, para mais de 800, em 2007.

Os dados são do CDA – Centro de Atendimento e Detecção do Instituto Português da Juventude (IPJ) de Bragança, que nos primeiros quatro meses deste ano já realizou mais de 400 testes.

(Lusa – 30.05.2008 )





Projecto internacional de combate ao HIV chega ao Brasil

3 06 2008

O projeto Dance4Life, que tem o apoio de grandes nomes da música eletrônica, como os DJs Tiësto e Paul Van Dyk, e de personalidades importantes, como o ex-secretário geral das Nações Unidas, Kofi Annan, vai chegar chegar ao Brasil. Representado pelo DJ paulistano Klauss, que foi nomeado supporter do projeto, o Dance4Life utiliza uma linguagem acessível aos jovens para angariar fundos e conscientizar a população, com o objetivo de ajudar crianças portadoras do vírus HIV ou que já sofrem com os estágios avançados da Aids. O projeto vai ser lançado no Brasil nos dias 21 e 28 de junho, São Paulo e Rio, respectivamente.

A iniciativa nasceu na Holanda em 2003, e conta, hoje, com representantes em todos os continentes do globo, inclusive em países altamente afetados pelo vírus, como Kenya, Nigéria, e outros países da África, além de regiões mais desenvolvidas, como Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha. Para captar recursos e chamar atenção para o projeto, são organizadas festas com top DJs ao redor do mundo. Por meio da força da música e da expressão da dança, ensina formas dos jovens se protegerem e, mais do que isso, os incentiva a se envolver com a causa e atuar ativamente em suas ações. No Brasil, festas em São Paulo e Rio de Janeiro marcam a chegada da organização ao País, com presença dos renomados DJs Ferry Corsten, da Holanda, e Fila, da dupla egípcia Aly&Fila.

Mais de 3 milhões de euros já foram arrecadados para utilização em projetos para a prevenção ao HIV no hemisfério Sul. A partir dessa arrecadação, é implantado em cada país o projeto Schools4Life, que se divide em quatro etapas: no Heart Connection Tour, uma equipe composta por músicos, bailarinos, educadores e jovens que vivem com o HIV, visita escolas e propõe uma experiência divertida e interativa, que educa e motiva os jovens a combater o HIV e a Aids. Em seguida, esses jovens têm a oportunidade de participar do Skills4Life, um programa de aprendizado, que inclui prevenção, sexualidade, toxicodependência (dependência física aos remédios que combatem o HIV) e direitos do portador. Na terceira parte, Act4Life, como o nome em inglês sugere, os participantes são encorajados a tornarem-se voluntários do projeto, ou simplesmente espalhar o conhecimento obtido entre o maior número de pessoas.

O ápice do Schools4Life ocorre a cada dois anos, no sábado anterior ao Dia Mundial da Aids, durante evento internacional do Dance4Life, que acontece nos países que a organização atua. Todos os jovens participantes dançam, simultaneamente, ligados via satélite, para celebrar a vida e inspirar o mundo. O próximo acontece dia 29 de novembro desse ano. Em 2008, o Dance4LifeAgents of Change pretende formar mais de 300 mil jovens, chamados de (agentes de mudança), por meio do projeto Schools4Life.

A Dance4Life também desempenha papel importante durante a Conferência Internacional de Aids, que esse ano acontece na Cidade do México, em agosto, e está presente nos principais eventos de música eletrônica do mundo, como o Winter Music Conference, em Miami, o DJ Awards, de Ibiza, e o Amsterdam Dance Event. O HIV atinge, hoje, 6.800 pessoas por dia, uma a cada 12 segundos. Cerca de metade dessas pessoas têm menos que 25 anos.

Sobre a Dance4Life:

Fundada na Holanda, em 2003, por Dennis Karpes e Ilco van der Linde, a Dance4Life (www.dance4life.com) é uma iniciativa internacional que utiliza a linguagem da música e a expressão da dança para angariar fundos e conscientizar os jovens ao combate do HIV e da Aids. Tendo o DJ Tiësto como embaixador, a Dance4Life espera formar, até 2014, um milhão de Agents of Change, jovens envolvidos ativamente na luta ao vírus, que a cada 12 segundos infecta uma pessoa no mundo. A Dance4Life faz parte da Dance4Life International Foundation que, ao lado de várias organizações, implementa o projeto em todo o mundo.

Sobre o DJ Klauss:

DJ Klauss é supporter da Dance4Life no Brasil. Aos 22 anos, o artista já apresentou sets em clubes e festas renomados como D-EDGE, Club REC e SOT (State of Trance). Com influências que vão do Blues, Jazz e Bossa Nova, ao som de Paul Van Dyk, Armim Van Buuren e Paul Oakenfold, Klauss chegou a um estilo próprio, que vai do progressive ao trance, misturando melodias com vocais e muito groove.

Fonte: Misasi Comunicação
(Agência de Notícias da AIDS – 30.05.2008 )





Tem que usar!!!

3 06 2008

que a galera ainda resiste em não usar o preservativo

Mesmo com todo aquele papo de que prevenir é melhor que remediar, parece que está difícil pôr na cabeça de alguns jovens que camisinha tem que usar sempre. No mês passado, um estudo do Ministério da Saúde mostrou que cresceu o número de adolescentes infectados pelo vírus da AIDS, no Brasil. Os casos de meninas contaminadas já são o dobro dos casos de guris. O motivo dessa triste realidade? Falta de cuidado na hora “H”.

Os efeitos da falta da camisinha já aparecem nas estatísticas do ministério da Saúde. Nos últimos dez anos, o número de adolescentes soropositivas entre 13 e 19 anos cresceu em 58,8% – foram quatro mil novos casos de 1996 pra cá. Ao contrário do que acontecia assim que a doença apareceu, hoje as mulheres são a maioria dos casos infectados.

Uma das explicações para a falta de prevenção entre a galera é que essa é uma geração que não acompanhou o surgimento da AIDS, nem o grande número de mortes provocadas pela doença. O perigo é ainda maior porque uma pessoa soropositiva pode levar até 15 anos para ter algum sintoma da doença, e acaba espalhando o vírus por não saber que tem.

Perguntamos para alguns jovens se a galera anda se cuidando quando o assunto é sexo. Ao que parece, a maioria se preocupa apenas com gravidez. Rola uma ilusão completamente equivocada de que a AIDS está distante da realidade deles e que ela pode ser controlada pelo coquetel de remédios. Longe disso. O que deve ser feito para fixar na cabeça de todos que o uso da camisinha é fundamental e indispensável em qualquer ocasião?

Camisinha ainda é um assunto que gera dúvidas e preconceitos, mas não deveria. As pessoas costumam alegar vários motivos para não usá-la, como desconforto, vergonha, confiança no parceiro. Mesmo namorando, eu tomava pílula e usava camisinha com o meu namorado. Não por acreditar que ele tinha uma doença, mas porque usar camisinha deve ser um hábito. A camisinha é a melhor forma de se proteger contra DST e evitar uma gravidez. Devemos aproveitar, mas com sexo seguro.

Caroline Pandolfo, 21 anos, acadêmica de Jornalismo da UFSM

Se a gente não se liga de ter a camisinha por perto acaba não usando. Não temos que pensar só na conseqüência da barriga, porque tem muitas outras doenças que enchem mais o saco do que um choro de bebê.

Francisco Krum, 22 anos, acadêmico de Medicina da UFSM

Eu acho que a gente tem que usar camisinha. Isso não é porque a pessoa pode ter uma doença ou porque tu não confia nela, mas porque tu não sabe com quem essa pessoa já esteve antes de ti. Tem tudo, gravidez e coisa e tal… E a própria pílula não é 100%. Então, tem que se cuidar.

Bruna Cielo, 18 anos, acadêmica de Engenharia Florestal da UFSM

Camisinha… É bem fácil de consegui-la e usá-la. Então, por que não usar? Não vem com aquele papo de que não usa porque vai estourar ou porque é desconfortante. Isso não vale, porque tem estudos que dizem que a chance de estourar no ato é de 1%, se ela foi corretamente colocada. Ela previne contra doenças e, com ela, tu faz um sexo seguro.

Bernard Germani, 18 anos, estudante do Técnico em Informática

Conversamos com a Dra. Sandra Scalco, ginecologista e sexóloga, que nos deu a real sobre o uso da camisinha. Não interessa o motivo, nada é desculpa para deixar a camisinha de lado na hora “H”.

KZK – Por que os jovens estão deixando de usar camisinha?
Dra. Sandra – Não é que os jovens não usem camisinha. Eles, de um modo geral, estão bem informados e usam, aproximadamente 80-90% na primeira transa (de acordo com uma pesquisa feita no Brasil que estudou o comportamento sexual de mais de 500 jovens pela Antropóloga Prof. Dra. Daniela Knauth). Mas o problema é justamente esse: após dois, três meses de “relacionamento”, cai vertiginosamente a utilização da camisinha, para 20-30%, por uma falsa sensação de segurança.

KZK – Quais serão as conseqüências desse “desleixo” por parte dos jovens na sociedade?
Dra. Sandra – As conseqüências podem ser inúmeras: as DST’s (doenças sexualmente transmissíveis), a gestação indesejada, o aumento no índice de aborto provocado e a percepção do sexo, que poderia ser boa e de prazer, se tornar uma “dor de cabeça”.

KZK – Alguns guris dizem que basta a guria tomar anticoncepcional para o uso ser descartado. Será que os jovens estão emburrecendo? Ou, apesar de todas as campanhas de conscientização, eles ainda não têm noção dos riscos da relação sexual sem proteção?
Dra. Sandra – Os jovens vivem uma fase de descoberta do mundo e da própria identidade, têm uma sensação de onipotência, “isso não vai acontecer comigo”, ou “isso está muito longe de mim”. Acredito que o descuido que ainda ocorre é mais por falta de “atitude sexual”, ou seja, eles ainda estão aprendendo a se colocar, inclusive sexualmente. Além da informação, é necessário que pais e escolas conversem com seus filhos e alunos para a construção de um pensamento responsável sobre sexo, sem tabus ou falsos moralismos. Mostrando uma face do sexo que pode ser muito bonita, mas que precisa de certos cuidados.

KZK – O que você aconselharia para as gurias se protegerem mais?
Dra. Sandra – Se as gurias decidiram ter a atitude de iniciar vida sexual, não deveriam ficar constrangidas em carregar camisinha, este é um tabu que deve ser discutido. E cabe ressaltar que não deve haver receio em impor a camisinha, isso só demonstra carinho. Quem gosta, cuida de si e do outro. Sem camisinha, sem relação sexual. Caso o guri, na hora “H” disser: “Esqueci!” Que mal pode haver na guria que diz: “Não tem problema, eu tenho!” Essa camisinha na carteira não precisaria ser mostrada para todos, o sexo não precisa ser usado como propaganda de si mesmo. O sexo é uma conquista especial de intimidade a dois! 

KZK – Muitos jovens pensam que a AIDS está controlada em função do coquetel.
Dra. Sandra – Mas isso está longe de ser a cura.

KZK – Quais são todas as conseqüências e contra-indicações do uso do coquetel? Como é a realidade de quem tem que viver a base desses remédios?
Dra. Sandra – A AIDS pode estar controlada, mas ainda não tem cura, e o coquetel pode ter vários efeitos colaterais desagradáveis. Quando é necessário usar, são geralmente ingeridos vários comprimidos por dia, consultas e exames regulares. Sem contar o risco de ter alguma complicação ou infecção pela queda da imunidade. Enfim, tudo isso pode ser evitado.

Importante!
O acidente mais comum com a camisinha é arrebentar. E para evitar isso se usa gel a base de água por fora da camisinha. E não adianta colocar a camisinha só na hora da ejaculação, pois o líquido que sai antes já pode engravidar ou transmitir doença.

Atenção!
Todas as DST’s podem ser totalmente assintomáticas, ou seja, a pessoa ter e não sente nada, às vezes nem sabe que tem algo. Três dicas importantes:
 
- Alguns jovens acreditam que quando chega num certo ponto “não dá mais pra controlar”, isso não é real, sempre há tempo de parar, se não está tudo ok!
 
- Já existe vacina para evitar HPV (papova vírus ou condiloma). O ideal é fazer antes de começar a transar, por isso também é importante consultar um ginecologista antes! Vacina contra hepatite B também já existe!
 
- E para aqueles que falam que acham que “não é a mesma coisa” transar com camisinha, isso só demonstra falta de “experiência ou conhecimento”, pois a sexualidade é tão ampla e cheia de possibilidades, que dar uma paradinha pra colocar a camisinha não é nada, perto de tudo que se pode ter! E melhor, sem complicação!

Saiba mais sobre esse acessório que é fundamental para a saúde e para a desencanação de todos:

Camisinha sonora
Os japoneses foram os inventores da primeira camisinha sonora. Eles usaram o mesmo minúsculo chip de cartões musicais, instalado na ponta do preservativo. Assim que o homem ejacula, pode-se ouvir, no interior do corpo da mulher, a canção Love Me Do, dos Beatles.

Preso por tirar fora de hora
Um juiz em Toronto, no Canadá, condenou Charles Tumwesigye a 45 dias de prisão por ter tirado a camisinha no meio da relação sexual, sem a autorização de sua parceira.

O maior preservativo do mundo
Um preservativo amarelo cobriu a fachada de um hotel de 20 andares na cidade de Guilin, no sul da China, para marcar o Dia Mundial da ONU para a População. A empresa Guilin Latex pediu aos editores do Guinness Book para reconhecerem o preservativo gigante, de 80 metros de altura, como a maior do mundo. A camisinha custou mais de 24 mil dólares e tinha a mensagem “Controle o crescimento populacional, preste atenção à sua saúde sexual, previna a AIDS”.

(Júlia Dócolas e Sílvia Medeiros/Kzuka – 30.05.2008 )





SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE: Pode fazer diferença

3 06 2008

SÃO TOMÉ, 2 Junho 2008 (PlusNews) – Os desenhos ocupam mais da metade de cada página. Nada de muitas palavras. Os textos são simples e directos, e todas as explicações vêm com ilustrações didácticas.

O que a princípio pode soar como um livro infantil destina-se na verdade ao público adulto. A publicação O que é VIH?, produzida pela organização não-governamental são-tomense ADRA, traz informações básicas sobre o HIV, como definição, formas de infecção e prevenção.

O livro faz parte do Projecto Aware, em funcionamento desde 2006 e cujo foco principal é a saúde. Nesse contexto, o HIV e a SIDA não poderiam ser deixados de fora.

Na costa do Gabão, esse pequeno arquipélago junto à linha do Equador tem uma seroprevalência de 1,5 por cento. Os baixos índices, no entanto, não desencorajam os esforços de prevenção.

Segundo Jordão das Neves, responsável pela distribuição dos livros na ilha do Príncipe, a ideia é “passar a informação correcta e estimular a mudança de comportamento”.

Dividir o conhecimento

A tiragem inicial foi de cerca de mil exemplares. Os livros foram distribuídos no distrito de Caué, na zona sul da ilha de São Tomé, e em Pagué, na ilha do Príncipe, regiões identificadas como as que mais precisavam de informações sobre o tema.

Cada família da comunidade recebeu um livro. Escolas secundárias, associações de jovens, bibliotecas, centros culturais e postos de saúde também receberam exemplares.

“Dar um livro a cada família foi uma opção, porque eram poucos para tanta gente”, disse Vlademir Almeida, responsável da ADRA pelos trabalhos em Caué.

João Nascimento Laudino, 54 anos e pai de seis filhos, é líder comunitário de Praia Pesqueira, em Caué. Ele passou por uma formação para utilizar melhor o livro e fazer a sensibilização das pessoas de sua comunidade.

“Eu aprendi algumas coisas com esse livro, como usar o preservativo. O desenho mostra bem. Aprendi que não é só por conviver com alguém com SIDA que se pega, e que nem é só através das relações sexuais que se transmite. E eu passei esse conhecimento para a comunidade”, disse.

Preservativo: sim ou não?

Antes da distribuição da publicação nas comunidades de Caué foi feito um inquérito para identificar os assuntos mais polémicos ou sobre as quais a população tinha menos informação.

Uma das conclusões foi de que existe uma grande relutância quanto ao uso dos preservativos.

''Nunca usei preservativo com minha mulher. Ela diz que se colocar ela vai morrer porque pode ficar lá dentro. Quando arranjo uma mulher fora às vezes uso, mas com minha mulher não.''

“Por isso pedimos aos agentes que, quando formassem os líderes comunitários, enfatizassem o uso do preservativo”, disse Américo Pinto, delegado de saúde de Caué.

Laudino aconselha os moradores de sua comunidade, sobretudo os mais jovens, a usarem o preservativo, mas ele prefere fazer parte do grupo adepto do “corpo a corpo”.

“Nunca usei preservativo com minha mulher. Ela diz que se colocar ela vai morrer porque pode ficar lá dentro”, contou. “Quando arranjo mulher fora, às vezes uso, mas com minha mulher, não.”

Nem ele nem sua mulher já se submeteram ao teste de HIV.

Já Acácio Martins, 39 anos e morador da mesma comunidade, diz usar sempre o preservativo, pois além de lhes proteger também evita que tenham mais filhos.

“Usar o preservativo é uma forma também de não engravidar, porque hoje em dia ter muitos filhos é muito caro”, disse Martins, que já é pai de seis crianças.

Na prática

O livro foi bem recebido pelas comunidades.

Para Martins, O que é VIH? é muito bom pois ensina sobre algo de que ele só tinha ouvido falar.

“Nós ouvimos muita coisa [sobre o HIV] e o livro diz-nos como proteger dele. Eu já sentei com minha mulher para lermos e ela também achou que é importante ter esse livro connosco”, acrescentou.

Para quem não sabia ler, as próprias ilustrações já eram fontes de informações. Houve também quem pedisse aos filhos que lhes lessem o que estava escrito.

A discussão promovida pelo livro mostrou também o grau de desinformação da população.

“Já andei em todas as casas da comunidade e a reacção das pessoas ao livro foi boa, mas elas disseram que doença vem da cidade e, como eles não estão lá, não apanham”, disse Laudino.

Para a enfermeira Ana Ferreira, do centro médico da capital do distrito de Caué, essas atitudes mostram que, apesar de haver mais informação, ainda existe “um pensamento atrasado ou mesmo um certo desleixo quanto à gravidade do assunto”.


Photo: Edlena Barros/PlusNews
Pouco texto, muitas ilustrações: livro traz bê-a-bá do HIV

Em Caué, apenas sete pessoas foram diagnosticadas com o HIV desde a década de 80. Todas já morreram. Actualmente não há nenhum paciente em tratamento.

Agora está a ser elaborado um novo inquérito, nos dois distritos, para saber se houve uma mudança de comportamento e de mentalidade depois da distribuição da publicação.

Para garantir que o livro tenha uma vida útil prolongada, seus autores inseriram no final um calendário que vai até 2011. Medida simples, mas que pode ajudar muitos nos próximos três anos.

“Foi uma estratégia elaborar o livro com o calendário até esse ano, pois assim a pessoa tem a tendência de estimá-lo mais até 2011”, disse Jordão, da ADRA.

(PlusNews – 02.06.2008 )





Números da Aids crescem entre jovens homossexuais

3 06 2008

 Ministério da Saúde divulgou números que demonstram o crescimento da doença entre os jovens homossexuais. Em 1999, das pessoas infectadas na faixa dos 13 aos 19 anos, 18% eram gays e em 2005, este percentual passou para 40%.

O diretor do Programa Nacional DST/Aids, Eduardo Barbosa, aponta a dificuldade em negociar o uso do preservativo como um dos principais motivos. “A população jovem gay não vivenciou os anos 80, conhecida como a fase dramática da epidemia em que a doença estava associada à morte. Isso ameniza a situação e leva a uma mudança de comportamento”, comenta.

Em Araraquara, foram registrados 44 novos casos de Aids em 2007, número menor do que em 2006 (60) . Entre os jovens, o número de pessoas infectadas com até 29 anos se manteve em nove.

A prevenção é a única forma eficaz de combate à doença e, no caso de contaminação, o tratamento deve ser feito o quanto antes. Em São Carlos, o teste pode ser realizado pela rede pública em uma das unidades de saúde, gratuitamente, e a recomendação é de que o sangue seja coletado após cerca de 60 dias da suspeita de exposição ao vírus. O resultado sai em um prazo de cinco a dez dias.

Caso seja detectada a presença do vírus, o paciente é encaminhado a um ambulatório especializado, sem fila de espera, que dará atendimento médico, ambulatorial e medicamentos gratuitos ao paciente.

Em Araraquara, a cada dia, uma ambulância percorre um bairro da cidade para fazer os exames. Não é necessário encaminhamento médico. A Unesp também faz o teste, mas é preciso passar antes por um posto de saúde.

Em Rio Claro, o teste é feito no Centro de Testagem e Aconselhamento, no Centro da cidade . No dia 11 deste mês acontece um mutirão de coleta no Jardim Público.

(EPTV – 02.06.2008 )





Cunene: Mais de 19 mil crianças vulneráveis em três municípios

3 06 2008

Um projecto de pesquisa e levantamento de dados sobre crianças vulneráveis iniciado em Julho de 2007, identificou a existência de 19 mil 888 crianças carentes e órfãos, nos municípios de Ombadja, Kwanhama e Namacunde, província do Cunene.

O projecto que está a ser desenvolvido pela direcção provincial da Assistência e Reinserção Social em parceria com o Fundo das Nações Unidas para Infância (UNICEF), tem como objectivo a identificação de crianças vulneráveis e suas famílias.

O programa tem ainda o objectivo de acudir crianças órfãs afectadas e infectadas pelo VIH/Sida, de modo a prevenir a propagação da doença e dar atendimento médico-medicamentosa.

De acordo com a chefe de departamento de infância, Júlia Maria de Assunção, a direcção inqueriu ainda um total de seis mil e 345 famílias e como resultado foram identificadas quatro mil e 294 crianças com HIV/Sida, duas mil e 985 órfãos e 198 doentes de sida.

Através do projecto foi ainda possível, a identificação de 18 mil 915 crianças sem registo de nascimento, nove mil fora do sistema de ensino e 804 deficientes sem assistência.

Segundo a responsável, muitas destas crianças estão sob tutela de idosos (Avôs) carentes de ajuda alimentar, medicamentos, entre outros benefícios.

Neste período, foram constatadas a falta de condições de habitabilidade, de água potável, de alimentação e vestuário, o que de certa forma condiciona o crescimento direccionado em termos de enquadramento social das crianças.

Frisou a necessidade da sociedade desenvolver esforços conjuntos para aliviar cada um ao seu nível o sofrimento das crianças vulneráveis, encontrando métodos práticos de modo a amparar todos os petizes.

O projecto visa a recolha e levantamento de dados de famílias com crianças vulneráveis, devido ao impacto do VIH/Sida nos municípios de Ombadja, Kwanhama e Namacunde, áreas consideradas criticas.

(AngolaPress – 02.06.2008 )





Testes HIV/SIDA disponíveis no distrito de Bragança

3 06 2008

Dentro de pouco tempo já vai ser possível fazer testes de despistagem do HIV/SIDA em todos os centros de saúde do distrito de Bragança.

Até agora esta valência só estava disponível no Centro de Aconselhamento e Detecção, situado no Instituto Português da Juventude e no centro de Saúde Miranda do Douro. Vimioso e Vinhais são os próximos locais onde os testes vão poder ser feitos.

Berta Nunes, coordenadora da sub-região de Saúde de Bragança justifica que o alargamento do serviço pode evitar grandes deslocações de pessoas que residem em concelhos periféricos dentro do distrito.

No distrito de Bragança, desde 1993, foram diagnosticados 120 casos de infecção por HIV, sendo que dessas pessoas, 55 já sofrem de SIDA.

O acompanhamento a estes doentes é feito no hospital de Mirandela ou, no Joaquim Urbano, no Porto, com quem a sub-região de Saúde estabeleceu um protocolo nesse sentido.

(Rádio Clube – 03.06.2008 )





Entrevista Luc Montagnier: uma vacina contra a sida terá de impedir que o vírus sofra mutações

3 06 2008

O cientista francês que descobriu o vírus da sida em 1983 explicou este sábado em Cascais, no primeiro Congresso Ibérico sobre Medicina Anti-Envelhecimento e Tecnologias Biomédicas, a sua visão da medicina do futuro. Depois, falou com o PÚBLICO da vacina que está a desenvolver contra a sida e que acredita poderá estar pronta dentro de uns anos.

Luc Montagnier, hoje com 75 anos, é um virologista de longa data. No início dos anos 80, quando começou a epidemia de sida, decidiu desmascarar, com a sua equipa do Instituto Pasteur, em Paris, o agente responsável pela nova praga. O anúncio oficial da descoberta do vírus da sida viria a ser feito na revista Science, num artigo publicado a 25 de Maio de 1983. Vinte e cinco anos depois, e apesar dos repetidos falhanços no mundo inteiro na procura de uma vacina contra o HIV, Montagnier, Prémio Lasker de Medicina e Presidente da Fundação Mundial para o Estudo e Prevenção da Sida da UNESCO, acredita que é possível erradicar para sempre o vírus do organismo das pessoas infectadas graças à vacinação. Por isso, continua a trabalhar activamente, dos dois lados do Atlântico, metade do tempo em França e o resto nos EUA, em empresas privadas que ajudou a fundar. O que é que a vacina que promete para breve terá de original em relação a todas as suas mal sucedidas predecessoras? As expressões-chave da resposta de Montagnier são “stress oxidativo”, “dispersão genética” ou ainda misteriosas “nanoformas”. Algumas das suas ideias são muito especulativas e cientificamente arriscadas, mas Montagnier confia que vai ganhar a sua aposta.

Vinte e cinco anos depois da descoberta do vírus da sida no seu laboratório, em que ponto é que se encontra a investigação?

Desde que isolámos o primeiro vírus, fez-se muita coisa. Primeiro, a identificação do vírus permitiu desenvolver o teste serológico com o qual conseguimos erradicar a transmissão do vírus pelo sangue – pelo menos a de origem médica. Também permitiu definir políticas de prevenção. E, claro, desenvolver medicamentos que, embora não sejam uma cura, permitem hoje que muitas pessoas infectadas vivam com o HIV. Esta é a parte positiva do balanço. A parte negativa é obviamente a ausência de uma vacina. Todos os ensaios clínicos de vacinas têm sido negativos.

Mas acho que há muitas pessoas que são expostas ao vírus HIV e cujo sistema imunitário elimina ele próprio o vírus. Se a natureza consegue vencer o vírus, nós também devemos ser capazes.

Há umas semanas, o prémio Nobel norte-americano David Baltimore declarou-se desalentado quanto às perspectivas de desenvolvimento de uma vacina contra o HIV, seja ela terapêutica ou preventiva. Concorda com essa opinião?

Não, não concordo. É a visão de um biólogo molecular que não é médico. Respeito-o profundamente, claro, mas acho que muitos têm uma visão clássica da vacinação e querem tratar o vírus da sida como se fosse um vírus vulgar. Mas há uma diferença entre o HIV e os outros: o HIV aprendeu a mudar constantemente.

Como é que o vírus faz para estar sempre a mudar?

Só agora é que começamos a perceber o processo. Acontece que um dos genes do vírus comanda o fabrico de uma proteína, chamada Tat, que vai induzir um “stress oxidativo” [produção de compostos como os radicais livres, que são tóxicos para as células], o que por sua vez vai provocar mutações no próprio vírus. Isso pode acabar por matar a célula infectada, mas dá tempo suficiente ao vírus para se replicar e mudar.

Por outro lado, o vírus fabrica umas coisas chamadas “nanoformas”, que são nanoestruturas que fogem a tudo o que possamos fazer contra elas. É possível detectá-las no plasma das pessoas tratadas com triterapias [apesar de o vírus ser indetectável no seu organismo]. A minha convicção é que, se quisermos erradicar realmente o vírus através de uma vacina terapêutica, vamos ter de fazer desaparecer essas nanoformas do plasma das pessoas infectadas. Estamos a estudar essas nanoformas no meu laboratório.

O que é que são essas nanoformas?

São provavelmente estruturas que representam uma parte da informação genética do vírus. Estou a falar de um conceito novo, que é a ideia de “dispersão genética”. O vírus da sida utiliza a táctica da guerrilha: espalha bocadinhos por todo o lado para escapar ao exército.

Bocadinhos de ADN?

De ADN, ou talvez de ARN.

No espaço entre as células?

Sim, eles circulam no sangue, no plasma. E enquanto essas nanoestruturas não forem tidas em conta, não haverá vacina que funcione.

Está portanto a desenvolver uma vacina? Quanto tempo acha que vai demorar?

Sim e acho que vamos conseguir em relativamente pouco tempo – é difícil dizer ao certo, mas provavelmente dentro de uns anos. Ainda temos de fazer os testes clínicos.

A vacina será terapêutica ou preventiva?

Vamos desenvolver primeiro uma vacina terapêutica, porque é mais fácil provar a sua eficácia. Para testar uma vacina preventiva, é preciso expor milhares de pessoas ao vírus, vacinando algumas e não outras – o que, no limite, não é ético. Ao passo que com uma vacina terapêutica, temos um doente que está a tomar uma triterapia, vacinamo-lo e interrompemos a triterapia. Se a vacina resultou, o vírus não deve regressar quando paramos o tratamento. Se não resultou, o vírus reaparece – é muito simples.

As triterapias fazem diminuir a carga viral ao ponto de tornar o vírus indetectável no organismo. Mas as nanoformas persistem? E o que acontece ao interromper o tratamento?

Proliferam muito mais.

E podem voltar a formar vírus?

Tudo isto é hipotético e é preciso ser prudente. Mas acho que, ao contacto das células, podem reconstituir partículas virais. É por isso que os vírus actualmente em circulação têm uma estrutura em “mosaico”, são misturas complexas. Não são combinações de genes inteiros, mas de bocadinhos de genes; são autênticos mosaicos de recombinações genéticas.

A sua vacina terá como alvo essas nanoformas?

Não. O alvo será sempre o vírus, através de a produção de anticorpos e de células imunitárias contra ele. Nesse sentido, a nossa vacina é uma vacina clássica. Só que, como as nanoformas são produzidas pelo vírus, se o vírus for totalmente suprimido, elas também deixarão de existir. As nanoformas são marcadores cuja presença nos vai ajudar a avaliar os efeitos da nossa vacina. Não excluímos que possa haver formas de acção específicas contra as nanoformas, mas por enquanto não posso dar mais pormenores.

Já tem resultados publicados sobre essas nanoformas?

Ainda não.

Mas o que é que a sua vacina terá de novo, se é, como acabou de dizer, uma vacina clássica?

O que a vacina vai ter de novo é algo que vai impedir a variação do vírus. Há dez anos que defendo esta abordagem.

Como se faz para impedir que o vírus varie?

Agindo sobre os factores que o tornam variável [ri-se]. É uma resposta de La Palisse… Esses factores são a recombinação genética, a dispersão genética e o “stress oxidativo”. De facto, o que é interessante é que os vírus que produzimos há anos nas culturas laboratoriais não mudam. O terceiro vírus que isolei – chamado LAI, e que é utilizado para a produção de todos os testes serológicos no mundo – continua igual a si próprio.

O que significa que o que faz mudar o vírus é algo que acontece dentro do organismo humano.

Isso mesmo.

Portanto, em vez de fazer vacinas que sirvam contra todas as formas possíveis do vírus, o que pretende fazer no seu laboratório é o contrário: estabilizar o vírus para melhor o abater.

Sim. Queremos impedir que o vírus mude.

Quando descobriu o HIV, imaginava que as coisas pudessem ser tão difíceis?

Não, e todos estávamos enganados. Os americanos pensavam que íamos ter uma vacina preventiva em dois anos. Eu tinha previsto uma vacina talvez para o ano 2000, mas mesmo assim enganei-me… [ri-se]. Mas pensando melhor, quando tivermos uma vacina preventiva, quem é que vamos vacinar? Acontece algo semelhante com a vacina contra o cancro do colo do útero (que na realidade é apenas contra um dos factores deste cancro, o vírus HPV). Será que devemos vacinar as raparigas antes de terem contactos sexuais, ou não? Quando administramos uma vacina a crianças, temos de ter a total certeza de que não vai ter efeitos secundários a longo prazo. Uma vacina preventiva seria com certeza útil, mas o que não sei é se vai ser possível vacinar a população em massa. Penso que a prioridade é a vacina terapêutica.

Hoje estuda a prevenção de doenças crónicas e as doenças degenerativas ligadas ao envelhecimento. Como passou da sida para esta área?

Primeiro, passei da sida para o stress oxidativo, porque constatámos há uns anos que existia um forte stress oxidativo logo desde o início da infecção pelo HIV. Qualquer infecção, bacteriana ou viral, cria um stress oxidativo. Na altura, experimentámos administrar anti-oxidantes a pessoas seropositivas e obtivemos resultados interessantes. Mas quando apareceram as triterapias, os médicos não quiseram mais ouvir falar em antioxidantes – embora este tipo de tratamento esteja agora a voltar como terapia complementar.

Durante a sua conferência, disse que está a promover a criação de centros de prevenção de doenças, onde as pessoas iriam fazer testes, nomeadamente medir o seu stress oxidativo, de forma a poderem agir contra os seus efeitos através de tratamentos, dieta, exercício físico. Isto incluiria a sequenciação do genoma de cada um?

Certamente. Não somos todos iguais do ponto de vista genético. Por isso é que há fumadores inveterados que nunca apanham cancro e outros que nunca fumaram mas que desenvolvem um cancro do pulmão por culpa do fumo dos outros. Conhecer as variações genéticas de cada um é importante para desenvolver uma medicina individualizada, para adaptar os tratamentos e a nutrição a cada pessoa.

A única opção para a medicina em termos sociais consiste em prevenir as doenças crónicas que custam mais caro: doenças cardiovasculares, cancros, doenças degenerativas do sistema nervoso. De outra forma os sistemas de segurança social não vão conseguir acompanhar os custos.

As vitaminas C e E têm propriedades anti-oxidantes, mas, recentemente, foi publicado um estudo que sugeria que tomar vitaminas poderia ser mau para a saúde e até encurtar a vida…

É por isso que os médicos hesitam em prescrever vitaminas: porque lhes enchem a cabeça de estudos clínicos mal feitos, com apenas uma vitamina. Houve ensaios com vitamina E que deram resultados negativos, porque não usaram a forma certa de vitamina E e porque a administraram sozinha. Nunca se deve administrar só vitamina E, porque ela faz parte de uma cascata, por assim dizer. É preciso que seja sempre acompanhada de vitamina C. É uma dupla indissociável.

As pessoas não sabem isso.

Pois não. Num grande estudo em França, o Suvimax, junto de milhares de pessoas, um grupo foi tratado com cinco suplementos: vitamina C, E, selénio, zinco e beta-caroteno, o “cocktail” clássico. O outro grupo não tomava nada. Passados uns dez anos, houve uma nítida diminuição na incidência de cancro nos homens que tomavam os suplementos, em particular dos cancros da próstata. A diferença foi menor nas mulheres, talvez porque as mulheres já costumam comer mais frutas e legumes, enquanto os homens só gostam de bife com batatas fritas [ri-se].

Mas então os complexos vitamínicos fazem efeito?

Fazem, na condição de não haver sobredosagens – o excesso também pode ter um efeito pró-oxidativo, portanto as pessoas não se devem automedicar. O que é preciso é que estes produtos, que não são ainda medicamentos, comecem a ser receitados pelos médicos e que, na sequência de ensaios clínicos que mostrem os seus efeitos, se tornem medicamentos de corpo inteiro. Mas isso não será fácil, porque são as misturas destas substâncias que são activas – e, ainda por cima, as melhores misturas são provavelmente as naturais. Mas as misturas de frutas e legumes não interessam à indústria farmacêutica.

Os brócolos e os espinafres não têm valor monetário.

Pois não. As autoridades francesas transpuseram os resultados do Suvimax aconselhando as pessoas a comerem cinco peças de fruta ou legumes por dia. Mas não é assim tão simples, porque é preciso que a fruta e os legumes sejam frescos, o que nem sempre acontece, e que não tenham pesticidas, porque os pesticidas fazem diminuir a produção de moléculas anti-oxidantes pelas plantas tratadas. Mas os produtos biológicos são caros e nem toda a gente pode comprá-los.
(Público – 02.06.2008 )





Saúde: Prevenção é palavra-chave para investigador que identificou vírus da SIDA

3 06 2008

O investigador que identificou o vírus VIH garante que a prevenção é agora a palavra-chave na Saúde para eliminar doenças como o cancro, diminuir as despesas com tratamentos e permitir vidas mais longas com qualidade.

A participar no I Congresso Ibérico Anual sobre Medicina Anti-Envelhecimento e Tecnologias Biomédicas, a decorrer no Estoril até sábado, o francês Luc Montagnier argumentou que os “tratamentos são melhor que nada”, mas o objectivo deve ser a cura quer para a SIDA, quer para doenças neurológicas e do cancro.

(RTP – 30.05.2008 )

Para essa meta, o virulogista defende a criação de “centros de medicina preventiva”, onde as pessoas façam exames completos, com recurso às novas tecnologias, e onde sejam identificados o “stress oxidativo e os agentes infecciosos que provocam as doenças”.

O stress oxidativo, que ocorre quando o oxigénio das células não consegue combater certos efeitos tóxicos, é a “principal causa da mutação do DNA e cancro”.

“Fico surpreendido quando há doentes diagnosticados repentinamente com cancro aos 40/50 anos . Tem que haver sinais antes e acho, mas tenho que confirmar, que esses passam por sintomas de stress oxidativo. Quem mostrar esse stress corre risco de sofrer de qualquer tipo de cancro e de doenças neurológicas”, considerou.

A redução do número de doenças crónicas irá também reduzir as despesas hospitalares, com medicamentos e da segurança social e por isso terá que se inverter a lógica dos investimentos. “Tem que se investir mais na prevenção do que no tratamento”, defendeu Luc Montaigner em entrevista à Agência Lusa.

Outra prioridade para o virulogista francês é a preocupação com efeitos a longo prazo, face, por exemplo, ao “crescimento exponencial anual dos campos electromagnéticos” e com a demografia e com o contínuo aumento da taxa de natalidade em África.

“Não poderemos suportar o crescimento demográfico, é muito elevado e as pessoas irão morrer”, assegurou à Lusa.

Respostas futuras no campo da Saúde passarão pelas células estaminais, que têm o potencial de substituírem qualquer outra célula no corpo humano, e que podem ser adultas ou embrionárias.

“Devemos usar as células adultas de nós próprios que depois são transformadas. Porque usando as de terceiros, corre-se o risco de problemas de rejeição”, argumentou.

PL.