Santa Catarina: alunos expõem protótipo de máquina de camisinhas

30 06 2008

O anúncio de que o Governo Federal vai instalar máquinas de distribuição de preservativos em 400 escolas públicas brasileiras transformou o equipamento na maior atração em Florianópolis, onde está sendo realizado o VII Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e Aids. O equipamento será construído em série para combater dois problemas entre os jovens: a falta de conscientização e a timidez para pedir a camisinha.
O protótipo em exposição foi produzido por um grupo de seis alunos do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) de Santa Catarina e foi vencedor de um prêmio de inovação tecnológica no ano passado, conferido pelo próprio Ministério da Saúde e Organizações das Nações Unidas.

Parecida com uma máquina de refrigerantes, ela necessita de senha ou número de matrícula para que o estudante tenha acesso ao preservativo. Segundo o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, 400 máquinas serão construídas e distribuídas em escolas públicas do país até o final do ano, ao custo de R$ 400 a unidade. “Temos que dedicar uma atenção especial aos jovens, para trabalharmos a questão da prevenção”, destacou durante o congresso que reúne cerca de 4,5 mil pessoas na capital catarinense.

A idéia da construção da máquina surgiu de uma dificuldade dos próprios estudantes do grupo de trabalho do Cefet, considerada bastante comum entre estudantes e adolescentes. “Até pouco tempo, eu tinha muita vergonha de comprar uma camisinha se a balconista da farmácia ou supermercado fosse uma mulher. Não comprava de jeito nenhum se fosse atendido por uma mulher”, diz André Luis Pessetti, estudante de design que participou da construção da máquina. “Hoje vejo que era um preconceito grande de minha parte e não tenho mais esse problema”.

Segundo o professor Mário Lúcio, coordenador do projeto, a construção das máquinas e instalação em escolas precisa ser realizada simultaneamente a uma capacitação dos professores e profissionais de educação. “No projeto inserimos mais do que a distribuição de máquinas nas escolas e contemplamos um projeto de conscientização amplo”, destaca. “Temos que trabalhar junto com professores a questão das doenças e também da gravidez precoce”.

Para Mário, a máquina de camisinhas seria apenas uma “ferramenta” para evitar que a aids e outras doenças atinjam os jovens. “O projeto foi desenvolvido junto com grupos pedagógicos, de automação e design, pois a intenção não é simplesmente que a máquina seja colocada nas escolas sem uma orientação adequada”, completou.

O ministro Temporão afirmou que as máquinas serão desenvolvidas nos Cefets de Santa Catarina e Paraíba e deverão estar presente nas escolas a partir do primeiro semestre do ano que vem. O projeto também permite que o equipamento tenha uma série de adaptações e possa, por exemplo, ser usado em outros locais públicos. O teclado onde o aluno digita a senha pode ainda ser substituído por um dispensário de moedas ou mesmo retirado.

(Rádio Grande FM – 28.06.2008 )





PNUD financia ONG nacionais para fomentar desenvolvimento

30 06 2008

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) vai aplicar, no país, dois milhões de dólares em acções ligadas ao desenvolvimento humano sustentável. Para tal, este órgão assinou anteontem, em Luanda, um acordo de cooperação com 13 ONG nacionais e internacionais.
O acordo ora assinado enquadra-se no Programa Nacional de Luta contra a Malária, a Tuberculose e VIH/Sida do PNUD, desenvolvido no país em parceria com o Fundo Global.
Mário Luís Cooper, gestor do programa do PNUD, fez saber que as 13 Organizações não Governamentais (ONG) vão trabalhar, principalmente, na prevenção e sensibilização sobre sexo.
De acordo com Mário Luís Cooper, tais organizações vão implementar a actividade pela primeira vez.
O projecto, que está orçado em dois milhões de dólares, servirá para implementar as acções durante um ano.Entretanto, o gestor do programa do PNUD realçou que o Fundo Global disponibilizou cerca de 10 milhões de dólares para actividades do género.
“A ONG que terminar a sua actividade dentro do prazo acordado terá a oportunidade de obter outro financiamento”, disse o responsável do PNUD.
Mário Cooper referiu, no entanto, que o projecto do Fundo Global está dividido em duas partes, sendo que uma tem a ver com a sociedade civil, para assistir os problemas gerais, e a outra está à disposição do Instituto Nacional de Luta contra a Sida.
O financiamento destinado ao Programa Nacional de Combate ao Sida, tem como finalidade manter o nível de seroprevalência, considerado um mais baixo da África subsahariana.
Por sua vez, a directora geral adjunta do Instituto Nacional de Luta contra a Sida, Lúcia Furtado, destacou o esforço da sociedade civil para combater a doença.
Lúcia Furtado disse que as ONG exercem um papel importante no combate à doença, principalmente no âmbito da prevenção. Entretanto, o PNUD vai trabalhar com a Cruz Vermelha de Angola (CVA), Acção Humana, S.O.S Criança e Desenvolvimento Integral de Angola, Luta pela Saúde, para citar apenas estas.

(Jornal de Angola – 30.06.2008 )





Daspu apresenta nova coleção em Florianópolis

30 06 2008

A Daspu, grife de prostitutas criada e mantida pela ONG carioca Davida, fez um desfile cheio de looks modernos, muita sensualidade e também diversão nesta quinta-feira, em Florianópolis. A nova coleção foi para a passarela durante o 7º Congresso Brasileiro de Prevenção das DSTs e Aids, realizado no Centrosul.
Na passarela, em vez de modelos magérrimas, mulheres encorpadas, que não escondem o excesso de gordurinha na barriga e assumem-se como profissionais do sexo.

Jane Eloy surge às 18h44min. Sorriso estampado, dona de si, à espera dos aplausos que vêm sem preguiça. Ela é a primeira prostituta a tomar o piso vermelho montado para o desfile da Daspu. Posa para os fotógrafos e, quando vira-se para retornar ao backstage, lê-se no seu microvestido na altura que cobre o bumbum a frase: Meu Botão é Mais Embaixo.A mensagem anuncia que o desfile tem boa dose de diversão.

Segue-se a Jane outras mulheres da vida, intercaladas com homens e com cinco simpatizantes da ONG Davida. Elas distribuem camisinhas femininas e masculinas, encenam pequenos jogos de sedução e carregam uma espada, que representa a batalha, o espírito guerreiro das prostitutas.

A coleção, As Cruzadas – Entre o Botão e a Espada, é a primeira criada em parceria com estudantes de design de moda. Por isso, é considerada mais estruturada com tabela de cores e conceito firmado.

Os 31 modelos fizeram duas entradas na passarela, diante de um público que sempre pedia mais. O desfile terminou às 18h59min, com Jane, principal modelo da grife, puxando as meninas. Ao fundo, ouvia-se a música das donas da rua e nesta quinta-feira da passarela: “Daspu é uma puta parada. Daspu é uma parada de puta”.

Braço financeiro e de reconhecimento

A Daspu foi criada em 2005 a partir dos pensamentos de Gabriela Leite, diretora da ONG Davida (que mantém projetos para a prostitutas no Rio de Janeiro), profissional do sexo por 15 anos e hoje prostituta de coração (ela não gosta que a chamem de ex-prostituta).

A grife foi idealizada para ser o braço financeiro da ONG, mas por enquanto não a sustenta totalmente. Também é um manifesto:

— Quando se vê alguém vestido de uma maneira sensual, é comum dizer que a pessoa parece uma puta. Então quer dizer que a gente faz moda. A grife também é um jeito de quebrar esse preconceito — explica Gabriela.

Por que Daspu?

O nome Daspu foi escolhido a partir da luxuosa boutique paulista Daslu, cuja a dona, em 2005, era processada por lavagem de dinheiro. A Daslu chegou a intimar a Daspu a não usar mais o nome, mas a briga só deu mais força à nova marca. Bety Lago, Supla e Marisa Orth já desfilaram para a Daspu, que organiza seus desfiles sempre no circuito paralelo às duas principais semanas de moda do Brasil: São Paulo Fashion Week e Fashion Rio.

As peças

Vestidos, camisetas com frase criativas e inteligentes, shortinhos e saias são as principais peças da grife. Elas podem ser compradas pelo site www.daspu.com.br ou em lojas de multimarcas no Rio de Janeiro e em São Paulo. As peças custam entre R$ 30 e R$ 50.

(CLICRBS.COM – 26.06.2008 )





90º aniversário de Nelson Mandela. Concerto reúne grandes nomes do rock e pop

30 06 2008

Esperam-se cerca de 50 mil pessoas para homenagear Mandela e obter fundos para o combate ao VIH/Sida, já que se trata de um concerto com fins de solidariedade. O ex-Presidente sul-africano criou a organização 46664 (o seu número enquanto prisioneiro político durante décadas) para ajuda a reunir fundos com esta epidemia em África.

Hyde Park vai concentrar não apenas artistas e fãs, mas muitas celebridades da vida política, económica, cultural e mediática a nível internacional, que são amigos de Mandela e que com ele querem comemerar os 90 anos de vida.

Há nove anos que Mandela deixou a vida política activa, mas as suas palavras são ainda muito poderosas em África e no mundo e espera-se que faça uma declaração sobre a situação no Zimbabué, que hoje vai a votos, apesar de não haver condições para que as eleições sejam justas e livres.

Num jantar em Londres, há dois dias, Mandela disse apenas uma frase sobre o assunto, mas maracou a sua posição de forma firme: “É um trágico falhanço de liderança”, disse.

Um concerto semelhante ao de hoje, em 1980, no Estádio de Wembley, tornou-se um símbolo da pressão contra o apartheid na África do Sul, sobretudo quando foi cantada a música “Libertem Mandela”, de Jerry Dammers.

Shirley Bassey, Simple Minds, Razorlight, Eminem, U2, Amy Winehouse, Spice Girls, Sugababes, Andrea and Sharon Corr, Eddy Grant, Zucchero são alguns dos outros artistas que vão actuar.

(Sic online – 27.06.2008 )





MOÇAMBIQUE: Pela rádio, os perigos da vida real

30 06 2008

A nossa conversa pelo telefone é interrompida por uma manchete no jornal do dia.

Gabriel Fossati-Bellani, coordenador da organização não-governamental sul-africana Mídia Comunitária para Desenvolvimento (CMFD, em inglês) em Moçambique, lê em voz alta: “Jovens instrumentalizadas aguardam regresso à casa”.

A notícia é sobre três jovens moçambicanas traficadas de Maputo a Pretória, capital sul-africana, onde foram vítimas de exploração sexual.

Segundo o artigo, as raparigas “estão completamente recuperadas do trauma psicológico e físico causado durante os dois meses em que estiveram no cativeiro.”

Bellani não consegue esconder a indignação.

“Como elas podem estar ´completamente recuperadas`? Isso desvaloriza o tipo de trauma que pode acontecer para uma traficada e minimiza o mal desse tipo de acontecimento”, protesta.

Bellani sabe do que fala. Ele é o coordenador do programa Troco, uma rádionovela lançada, em Moçambique, este mês e que trata exactamente do tráfico de pessoas.

Na trama, uma rapariga é aliciada pelo tio, com a promessa de um emprego numa loja de roupas na África do Sul. Ela acaba por ser traficada e explorada sexualmente, até que a sua mãe e a tia descobrem o que acontece e vão buscá-la.

Com a ajuda de uma assistente social da Organização Internacional para as Migrações (OIM), ela é resgatada. Uma amiga da protagonista, também traficada e a trabalhar num bordel clandestino, descobre estar grávida e ser seropositiva.

HIV na trama

Apesar de não ser o tema principal, a inclusão do HIV na história explicita os riscos trazidos pela migração, especialmente a ilegal.

“A pessoa fica dependente de quem ajuda e fica exposta a abusos, inclusive sexual, o que traz o risco de infecção pelo HIV”, explica Nely Chimedza, coordenadora do Programa de Assistência Contra o Tráfico na África Austral da OIM.

Segundo Chimedza, a maioria das vítimas dos traficantes são raparigas entre 16 e 25 anos, que acreditam que terão emprego ou oportunidade de estudo noutro país.

''A pessoa fica dependente de quem ajuda e fica exposta a abusos, inclusive sexual, o que traz o risco de infecção pelo HIV.''

O relatório Sedução, Venda e Escravatura: Tráfico de Mulheres e Crianças para a Exploração Sexual na África Austral, publicado pela OIM em 2003, identificou Moçambique como um dos principais países de onde mulheres e crianças são traficadas para a África do Sul.

“A trama é representativa do que acontece na realidade”, diz Chimedza.

Idealizada para ser transmitida na Zâmbia e em Moçambique e originalmente escrita em inglês, a rádionovela teve que ser adaptada à realidade moçambicana, tanto em termos de linguagem quanto em aspectos culturais.

O novo roteiro passou pelo crivo de grupos focais, formados por representantes da mídia e do público, para avaliar se a linguagem e a forma de difusão eram adequadas.

O tema delicado não assustou os 18 actores envolvidos no programa, que já estavam acostumados a trabalhar com questões difíceis, mas era a primeira vez que representavam uma trama sobre o tráfico humano.

“Ouvíamos falar coisas através da Internet e sabíamos que esse problema existia”, explica Carlos Chirindza, director artístico do programa e representante da Companhia Cultural Hopangalatana. “Mas não sabíamos que era nesse nível.”

“Incluir o HIV nessa trama é importante, mesmo que não com destaque. Só o facto de se falar do assunto já leva as pessoas a pensarem”, diz.

Meio mais eficaz

Chirindza, que também trabalha com outras formas de expressão, como teatro, acredita que a rádio é extremamente eficaz.

“A rádionovela tem muito impacto, porque ainda se ouve muito rádio aqui. Existem muitas zonas com rádios comunitárias”, destaca Chirindza.

Segundo Chimedza, da OIM, a rádio é o meio mais apropriado para atingir o público-alvo de Troco: pessoas vulneráveis e de poucas posses, que possam ser vítimas do tráfico de humanos.


Photo: Gabriel Fossati-Bellani/CMFD
Ator faz papel de chefe da máfia, um dos vilões da história

O programa será transmitido inicialmente por rádios de Maputo. Serão dois episódios por semana, num total de 13 semanas. Cada capítulo dura cerca de seis minutos.

Resgatada, a protagonista de Troco volta a Moçambique e retoma a sua vida, com o apoio da família e da comunidade. Mas a vida real é mais dura do que na rádio.

“Depois que a vítima volta, a reintegração é difícil e exige aconselhamento. Várias delas têm vergonha, porque muitos pensam que as vítimas do tráfico são pessoas de vida fácil”, diz Chimedza.

O HIV é uma das dificuldades, já que muitas raparigas são abusadas sexualmente e são obrigadas a trabalhar em bordéis.

“Nós sempre aconselhamos que elas façam o teste de HIV”, conta.

Já existe interesse em ampliar a transmissão de Troco para outros países lusófonos em África a partir da RDP-África, em Lisboa.

(PlusNews – 27.06.2008 )





ÁFRICA: Cuidado com a linguagem

27 06 2008

 O HIV afectou as nossas vidas, nossas famílias, nossas economias; ele também molda a nossa maneira de falar.

O IRIN/PlusNews observou como o vírus e o seu impacto se traduzem nas conversas do dia-a-dia, das ruas de Lagos até os subúrbios de Johannesburg, e concluiu que apesar de biliões de dólares gastos em estratégias de comunicação positiva, o discurso nas ruas continua decididamente negativo.

Em língua Shona, no Zimbábue, falada por cerca de 80 por cento da população, o calão é chamado de chibhende. Segundo Robert Muponde, professor sénior de estudos de Inglês na Universidade de Witswatersrand, na África do Sul, a expressão diz muita coisa sobre como o HIV é entendido e assimilado.

Chibhende significa falar de alguma coisa indirectamente, para não revelar o seu disfarce, ou para falar dela mais confortavelmente”, disse.

No Zimbábue, o HIV é muitas vezes chamado de ladrão (matsotsi). Se és seropositivo, as pessoas podem dizer que foste assaltado, ou Akarohwa nematsotsi em Shona, segundo Muponde. A frase dá uma ideia de como o vírus é entendido – como um ataque furtivo – mas também cria espaço para discussão que de outro modo poderia não existir.

“É difícil falar de sexo numa língua tímida como Shona,”, disse Muponde. “O calão torna mais fácil dizer o indizível ao fazê-lo parecer acessível e banal.”

Felicity Horne, pesquisadora de SIDA e linguagem na Universidade da África do Sul, concordou, dizendo que enquanto muitas comunidades lutaram para formalmente quebrar o silêncio sobre HIV e SIDA, termos informais ou calão para a pandemia proliferavam e começavam a construir uma resposta à pandemia.

“A linguagem não pode nem ser separada dos nossos pensamentos e sentimentos, nem do contexto social em que ela é usada,” disse ela. “Palavras e imagens criam realidades conceptuais diferentes do fenómeno.”

Organizações como a SAfAIDS, um serviço de disseminação de informação sobre HIV/SIDA na África Austral sediado no Zimbábue, diz que o calão usado para designar o vírus – que é quase sempre negativo – reforça o estigma e fatalismo que provou ser difícil de erradicar durante os 25 anos de advocacia.

O IRIN/PlusNews compilou uma curta lista das maneiras como as pessoas se referem ao HIV/SIDA no continente.

Angola (Português)

Pisar na mina - Contrair HIV é como “pisar numa mina”

Bichinho - “Um pequeno bicho” (o vírus)

Quénia (Kikuyu, falado principalmente no centro do país)

kagunyo - “O verme” (eufemismo para HIV)

Nigéria (Hausa, falada principalmente no norte)

Kabari Salama aalaiku - Literalmente traduzido por “Com licença, sepultura” (referência à SIDA)

Tewo Zamani - Traduzido como a “doença desta geração” (outra referência à SIDA)

Nigéria (Igbo, falada principalmenteno Leste)

Ato nai ise - “Cinco e três” (5 + 3 = 8, e “oito”, em inglês, soa como AIDS)

Oria Obiri na aja ocha - “Doença que termina em morte” (eufemismo para SIDA)

Nigéria (Yoruba, falada principalmente no ocidente)

Eedi - “Maldição”

Arun ti ogbogun - “Doença sem cura”

Nigéria (Pidgin, a lingua franca não-oficial)

He don carry - “Ele carrega o vírus”

Nigéria (Inglês)

HIV – Ele Pretende Vitória (He Intends Victory, em inglês. As iniciais formam a sigla de HIV. Trata-se também de uma frase popular entre cristãos renascidos)

África do Sul (IsiXhosa and IsiZulu)

Udlala ilotto - “Jogar na loteria” /ubambe ilotto – “ganhaste a loteria” (diz-se de alguém suspeito de ser seropositivo)

Unyathele icable - Contrair HIV é como “pisar no cabo electrificado”

África do Sul (Inglês)

House in Vereeniging - Sigla de HIV, a tradução é casa em Vereeniging. “Compraste uma casa em Vereeniging”, cidade a cerca de 50km a sul de Joanesburgo, refere-se a alguém suspeito de ser seropositivo)

Driving a “Z3″/ “having three kids”/ the “three letters” - Dirigir uma “Z3”, ter “três filhos”, as “três letras”. Todas se referem às letras da sigla HIV

Tracker - Rastreador. Se és suspeito de ser seropositivo as pessoas dizem que Deus está a te rastrear, como o popular serviço na África Austral de rastreamento e recuperação de veículos roubados.

Tanzânia (KiSwahili)

amesimamia msumari - “Ficar em pé em cima de um prego”; eufemismo para estar magro, ou de estar suficientemente pequeno para caber na cabeça de um prego, referindo-se à perda de peso relacionada à SIDA.

kukanyaga miwaya - Contrair HIV á como “pisar um cabo electrificado”

mdudu - “O bicho” (refere-se ao HIV)

Uganda (Inglês)

Slim - Magro. Eufemismo para HIV/SIDA como resultado da perda de peso associada à doença; menos popular desde o advento dos antiretroviriais (ARVs)

Uganda (Luganda, falada principalmente na região central)

Okugwa mubatemu - Foste emboscado por ladrões (contraiu HIV)

Zâmbia (Nyanja, falada principalmente no Leste e na capital, Lusaka)

Kanayaka - “Acendeu” (refere-se à reacção positiva do teste de HIV)

Ka-onde-onde - “Coisa que te faz cada vez mais magro” (HIV)

Zâmbia (Bemba, falada principalmente no norte e em Lusaka)

Bamalwele ya akashishi - “Os que sofrem do germe” (seropositivos)

Kaleza - “Lâmina” (refere-se à pessoa estar magro devido à perda de peso associada a SIDA)

Zimbábue (Shona)

Ari pachirongwa - “Ele está em programa de tratamento”

Akarohwa nematsoti - “Ele foi atingido por ladrões”

Mukondas - Abreviatura de “mukondombera” (epidemia)

Ari kumwa mangai - “Ele está a beber mangai” (mangai são sementes fervidas de milhos, que representam ARVs)

Akabatwa - “Ele foi pego” (recebeu um diagnóstico positivo)

Zvirwere zvemazuvano - “As doenças actuais” (a epidemia do HIV)

Akatsika banana - “Ele(a) pisou numa banana e escorregou” (alguém que testou seropositivo e por isso vai “cair” ou morrer em resultado disso)

Shuramatongo - “má premonição para os familiares”

Zimbábue (Inglês)

Red card - Cartão vermelho. Como um jogador de futebol que é expulso do campo, a vida acabou

Go slow - Significa que ele está a caminhar progressivamente para a morte

TB2 - Refere-se à alta taxa de co-infecçao por HIV e tuberculose (usada para significar SIDA)

RVR - Calão para ARVs, adaptada do veículo desportivo da Mitsubishi RVR

John the Baptist - João Batista. Quando alguém tem TB, diz-se que ele foi baptizado por “João Baptista”, que veio anunciar a vinda do HIV.

FTT - A tradução é “Incapacidade de prosperar” (adaptado da frase médica, agora usada para falar de crianças seropositivas)

Boarding pass - Cartão de embarque. Significa que o HIV é passaporte para a morte

Departure lounge - Sala de embarque. Uma pessoa infectada pelo HIV está na sala de embarque à espera da morte. 

O PlusNews está interessado em ouvir se podes melhorar este glossário. Por favor envia os teus exemplos, com uma breve descrição do significado e onde o calão é usado, para o email@plusnews.org
(PlusNews – 27.06.2008 )





Conflitos nos fármacos para VIH/sida

27 06 2008

Algumas administrações de hospitais estão a evitar a prescrição de fármacos mais recentes e caros para tratamento do VIH/sida, uma situação que tem merecido críticas por parte da classe médica.

Os clínicos sublinham que esta medida não faz qualquer sentido, sobretudo, porque não há medicamentos alternativos, sublinha Teresa Branco, especialista em VIH/sida.

Em declarações à Lusa, Teresa Branco não adiantou quais os hospitais que estarão a levar a cabo estas medidas, embora garanta que a decisão não esteja a ser bem vista pelos médicos, que estão obrigados a justificar a prescrição dos fármacos e mostrar que não há outras opções.

A médica salienta que a situação acabará por se tornar insustentável, dado que «nenhum médico pode aceitar que não seja prescrito um fármaco eficaz que um doente necessite quando não há outra opção».

Por seu lado, o presidente Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, Pedro Lopes, justificou a medida, salientando que tal apenas será possível quando exista uma «panóplia de medicamentos» e «estudos económicos» que referem as melhores opções.

Pedro Lopes adianta, no entanto, que, sempre que tal não se justifique, os médicos não terão outra opção senão passar mesmo outro medicamento mais caro.

O presidente da associação garante que não acredita que a não dispensa de medicamentos prescritos pelos médicos «aconteça de uma forma generalizada».
(Fábrica de Conteúdos – 26.06.2008 )





PNUD, Fundo Global e sociedade civil no combate ao VIH/Sida

27 06 2008

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) com financiamento do Fundo Global assinou hoje em Luanda um acordo com 13 organizações não-governamentais para o combate ao VIH/Sida junto das trabalhadoras do sexo e camionistas.

O projecto, avaliado em 1,9 milhões de dólares, terá a duração de um ano e visa sensibilizar as trabalhadoras do sexo e os camionistas para o risco de contraírem sida por estarem permanentemente expostos à doença.

Segundo a directora-geral adjunta do Instituto Nacional de Luta contra a Sida (INLS) em Angola, Lúcia Furtado, a estratégia da instituição consiste em realizar parcerias com os diferentes sectores, sobretudo a sociedade civil, para adoptart acções nos diferentes níveis da luta contra a sida, como a prevenção primária (antes de contrair a doença), a secundária (depois da contaminação) e a terciária (tratamento).

“Com esse acordo pretende-se expandir as actividades no âmbito do combate ao VIH/Sida nas comunidades”, salientou .

De acordo com Lúcia Furtado, neste grupo deverão realizar-se acções de prevenção primária mediante a criação de condições para que população/alvo tenha acesso à informação, educação, serviços de aconselhamento e testagem voluntária, aos serviços de assistência, tratamento e seguimento.

O projecto abrangerá nove províncias, designadamente, Luanda, Zaire, Benguela, Cunene, Cabinda, Huíla, Lunda-Sul, Moxico e Huambo, cujos critérios de selecção obedeceram à taxa de prevalência da epidemia, em que o Cunene é a mais atingida com 9,4 por cento, por se situar junto à fronteira com a Namíbia, que tem uma prevalência de 20 por cento.

A sero-prevalência do VIH/Sida na população angolana em geral é de 2,1 por cento, uma das mais baixas de África.

Segundo Lúcia Furtado, a situação não deixa de ser “alarmante”, porque o país conta uma extensa fronteira com outros países africanos, nomeadamente Zâmbia e Namíbia.

Para o gestor do programa de VIH/Sida e tuberculose do PNUD em Angola, Mário Cooper, trata-se de um projecto que tem por meta manter a taxa de prevalência actual em Angola, por ser das mais baixas de África.

“Este projecto destina-se também a não permitir que a taxa de prevalência suba, com incidência para as trabalhadoras do sexo pelos riscos que o tipo da actividade que desenvolvem as remete”, referiu Cooper.

Entre as actividades específicas a desenvolver no projecto, inclui-se a prevenção e educação junto das trabalhadoras do sexo, que pela primeira vez se realiza em Angola.

O representante da organização não-governamental angolana de combate ao VIH/Sida, Pombal Maria, em nome das 13 organizações da sociedade civil, referiu que a assinatura do acordo representa um “compromisso” com as comunidades mais vulneráveis.

“Neste caso pensamos diminuir o impacto do VIH/Sida nessas comunidades e acho que este projecto será integrado no sentido de comportar também a atribuição de pequenos créditos às mulheres que fazem a troca de sexo por dinheiro, por ser uma preocupação económica”, afirmou.
(Notícias Lusofonas – 26.06.2008 )





Celebridades afro-americanas e líderes cívicos juntos em campanha contra a sida

27 06 2008

Várias celebridades afro-americanas do mundo do cinema e da música, entre eles o actor Eric “Little E” Wright e o rapper Coolio e o cantor Jody Watley, juntam-se esta sexta-feira, 27, aos líderes cívicos dos Estados Unidos da América numa campanha contra a sida intitulada “Test 1 Million”. O objectivo é fazer o teste de VIH a 1 milhão de negros americanos até 1 de Dezembro de 2009.

A SIDA é a principal causa de morte de mulheres negras dos 25 aos 34 anos e estima-se que 46% de homossexuais negros podem ser VHI positivo e, de acordo com as autoridades americanas, mais de 260 mil pessoas nos Estados Unidos infectadas com o VIH não sabem que estão infectados.

Para ajudar a pôr fim a esta epidemia da sida nos EUA, dezenas de celebridades participam na campanha “Teste 1 Milhão”. Quem quiser fazer o teste deve consultar o site www.blackaids.org para conhecer a localização do posto de teste do VIH no seu bairro ou cidade. “A sida nos Estados Unidos da América é hoje uma doença dos negros. Ninguém quer falar sobre isso e ninguém quer assumir a culpa. Este silêncio está a matar-nos”, diz o director executivo e fundador do Black AIDS Institute, Phill Wilson .

Por isso, continua, “estamos a convocar 1 milhão de negros americanos para fazer o teste de VIH no próximo ano, porque o resultado do teste pode salvar a sua vida, e cada um de nós tem a responsabilidade sobre a nossa própria pessoa e as nossas comunidades de falar com os membros da nossa família e entes queridos sobre isso”.

A campanha “Teste 1 Milhão” é parte do projecto Mass Black Response to the AIDS, que é financiado por um grupos de instituições de cariz social como Black AIDS Institute, The Balm in Gilead e the National Black Leadership Commission on AIDS, por um período de quatro anos. Os principais objectivos desse projecto é reduzir para metade o número de negros americanos infectados com o VIH, aumentar em 50 % o número de negros americanos que conhecem o seu status VIH, reduzir o estigma em negros americanos em 50% e aumentar o número de negros americanos que recebem tratamento.

Jimmy Jean-Louis , actor da série televisiva “Heroes”, que é um dos rostos da campanha “Teste 1 Milhão”, conta que “aos 14 anos, quando vivia em Paris, eu era o único estudantes forçado a fazer um teste de VIH para poder ir numa visita de estudo a Londres porque era negro e vinha do Haiti”. “Essa experiência pôs-me a par da epidemia, e desde então lutar contra esta doença é um estilo de vida. Fazer um teste de sida pode provocar medo mas é extremamente importante saber o seu status VIH. Eu conheço o meu status. Sou o número 1 num milhão”.

Os números que relacionam os negros americanos à sida não deixam dúvidas sobre a importância desta campanha: o VIH é a principal causa de morte entre as mulheres negras dos 25 aos 34 anos; em 2005, os negros compunham 48 % dos novos infectados com o VIH (em 33 estados) embora sejam apenas 13% da população dos EUA; e 65% das crianças que foram infectados com VIH à nascença são negras.

(A Semana Online – 27.06.2008 )





Governo instalará 400 máquinas de distribuição camisinhas em escolas

27 06 2008

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse nesta quinta-feira que o governo pretende produzir e distribuir 400 máquinas de camisinha para escolas que integram o programa Saúde e Prevenção nas Escolas. O anúncio foi feito no 7º Congresso Brasileiro de Prevenção das DST Aids, que ocorre em Florianópolis (SC), até sábado (28).

A iniciativa faz parte de um projeto piloto do Ministério da Saúde, iniciado no ano passado, que realizou um concurso entre os Cefet (Centros Federais de Educação Tecnológica) para a produção de máquinas de camisinha por menos de R$ 400. No exterior, o aluguel mensal dessas máquinas possui preço semelhante. A unidade de Santa Catarina ficou em primeiro lugar, seguida pela da Paraíba.

Divulgação
Máquina de distribuição de camisinhas que será instalada em escolas
Máquina de distribuição de camisinhas que será instalada em escolas do país

A expectativa do ministério é que as máquinas comecem a ser produzidas –metade pelo Cefet-SC e metade pelo Cefet-PB– até o final do ano, e que as primeiras delas sejam distribuídas no começo de 2009. Ainda não há decisão sobre quais escolas serão contempladas nem sobre que critérios serão utilizados na escolha.

Segundo o Ministério da Saúde, o censo das escolas realizado em 2006 mostrou que cerca de 100 mil já trabalham o tema DST/Aids no currículo. Destes, por volta de 10% distribuem preservativos. São na maioria escolas públicas. O uso das máquinas e o acesso aos preservativos ficarão a cargo das próprias escolas.

O professor do Departamento Acadêmico de Metal-Mecânica do Cefet de Santa Catarina, Mário Roloff, que coordenou o grupo vencedor do concurso, diz que o protótipo da máquina prevê peso inferior a 30 kg e capacidade de 600 preservativos. O projeto apresentado no concurso indica corredores, banheiros e enfermarias como locais de instalação das máquinas.

De acordo com Roloff, a máquina será similar a um caixa eletrônico, e o aluno precisará da matrícula e de uma senha para retirar um número limitado de preservativos por semana. Os critérios quanto a quais os alunos autorizados e qual o limite serão também definidos pela escola, em acordo com os pais.

Polêmica

O tratamento dispensado ao tratamento da Aids tem gerado polêmica nas últimas semanas. No último dia 9, o chefe do departamento para HIV/Aids da OMS (Organização Mundial da Saúde), ligada à ONU, Kevin de Cock, afirmou em entrevista ao jornal britânico “The Independent” não haver mais risco de epidemia da síndrome entre heterossexuais, exceto na África subsaariana.

O Ministério da Saúde tem posição diferente e diz atuar no combate universal à Aids, como foco na educação sexual, por isso a criação das máquinas. Segundo o Programa Nacional de DST/Aids, na população em geral há 16 homens infectados pelo HIV para cada dez mulheres, enquanto que entre jovens de 13 a 19 essa proporção se inverte. ~

(Folha Online – 26.06.2008 )





Especialistas discutem plano contra aids entre mulheres

27 06 2008

Gestores, profissionais de saúde, pesquisadores e representantes dos movimentos sociais se reúnem em Florianópolis para discutir a implementação de medidas contra a disseminação do HIV e das DST entre mulheres no Brasil.

Trata-se do Fórum do Plano Integrado de Enfrentamento da Feminização da Epidemia de Aids e outras DST e da Oficina Plano Integrado de Enfrentamento da Feminização da Epidemia de Aids e outras DST: Compartilhando experiências de implementação. Estas são atividades que antecedem o VII Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e Aids, que acontece na cidade de 25 a 28 de junho.

Entre os tópicos a serem trabalhados tanto no Fórum como na Oficina destacam-se a descentralização da implementação do Plano em nível local, participação e mobilização da sociedade civil, troca de experiências e lições aprendidas nas esferas federal e estadual e estratégias para implementação e monitoramento do Plano.

Plano integrado

O Plano Integrado de Enfrentamento à Feminização da Epidemia de Aids e outras DST, lançado durante as comemorações do Dia Internacional da Mulher em março de 2007, é uma resposta ao crescimento de 44% na infecção por HIV entre mulheres no período de 1995 a 2005.

É considerado um avanço na resposta nacional ao HIV, pois promove a integração de ações de enfrentamento à feminização da epidemia de aids e outras DST, realizadas por diferentes áreas do setor saúde e do setor de políticas para mulheres.

Desde o lançamento do Plano, foram realizadas seis oficinas macro-regionais para elaborar planos de ação em nível estadual, contribuindo para definir as estratégias para implementação do Plano a partir das experiências e demandas dos estados para 2008.

Com o objetivo de reduzir as vulnerabilidades das mulheres em relação ao HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis, o Plano inclui entre suas metas: dobrar o percentual de mulheres que realizaram testes anti-HIV (de 35% para 70%); reduzir a transmissão vertical de 4% para menos de 1% até 2008; aumentar a aquisição de preservativos femininos de 4 milhões em 2007 para 10 milhões em 2008; e eliminar a sífilis congênita.

Segundo os especialistas envolvidos com a implementação do Plano, os próximos passos incluem: a definição de estratégias de monitoramento e avaliação em nível nacional, a pactuação junto aos gestores dos estados e municípios, a implementação dos planos estaduais, o desenvolvimento de uma agenda de trabalho junto aos homens que fazem sexo com mulheres e a adoção do plano integrado como referência para o apoio a iniciativas da sociedade civil para ação em rede.

Segundo Alanna Armitage, Representante do UNFPA, Fundo de População das Nações Unidas no Brasil, há grandes expectativas em relação à implementação do plano contra a feminização da epidemia de aids. “Para o sucesso das ações propostas, é crucial a gestão solidária dos governos estaduais e municipais, a integração entre os setores saúde e de políticas para mulheres, entre outros, e, sem dúvida, a mobilização da sociedade”, ponderou.
(maRACAJUnEWS – 25.06.2008 )





GOVERNO RETOMA ARTICULAÇÃO PARA REEDITAR O PROGRAMA AFROATITUDE

27 06 2008

A retomada do programa Afroatitude será o ponto principal de uma reunião que acontecerá em Brasília, na segunda quinzena de julho. A decisão foi tomada durante a II Mostra Afroatitude, que acontece como atividade prévia do VII Congresso Brasileiro de Prevenção às DST e Aids, que se realiza em Florianópolis (SC), de 25 a 28 de junho. Participarão do encontro representantes do Programa Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde, de duas secretarias especiais ligadas à Presidência da República (Políticas de Promoção da Igualdade Racial/SEPPIR e Direitos Humanos/SEDH) e da Secretaria Nacional da Juventude, além de estudantes e professores universitários.

De acordo com os participantes da Mostra, o maior desafio para reeditar o Afroatitude é garantir sua sustentabilidade financeira. Estima-se que seja necessário R$ 1,872 milhão para atender dez universidades durante um ano. Cada instituição contaria – de acordo com essa previsão – com 50 bolsas para alunos, no valor de R$ 300, e com uma de R$ 600 para o professor coordenador. Na reunião do próximo mês, também serão debatidas questões como a gestão do programa e a articulação com outras áreas do governo.

Representando a SEPPIR no encontro, Maria do Carmo Ferreira da Silva anunciou a intenção da pasta em assumir a gestão do programa e, assim, promover a aproximação com outros parceiros dentro do governo. A idéia, segundo ela, não é pensar o programa como uma iniciativa da atual gestão, mas como uma ação do Estado. “Além dos recursos, é preciso capacitar servidores públicos e fazer com que eles se apropriem do Afroatitude”.

Histórico – O Afroatitude foi criado em 2005, dentro do “Programa Estratégico de Ações Afirmativas: população negra e aids”. Previsto para vigorar inicialmente por um ano, beneficiou cerca de 500 estudantes cotistas de dez universidades públicas, até 2007. Dentro do programa, foram desenvolvidos projetos nas áreas de saúde, vulnerabilidades ao HIV e à aids, racismo, protagonismo e ações afirmativas. Sob a coordenação do Programa Nacional de DST e Aids, foi investido cerca de R$ 1,7 milhão.

Para Karen Bruck, coordenadora do Afroatitude no Ministério da Saúde, os estudos desenvolvidos nos dois anos do programa ajudaram a responder uma lacuna de conhecimento sobre a questão racial da epidemia. “O maior ganho [do Afroatitude] foi que o tema se tornou transversal. Hoje, todos os planos do Programa Nacional de DST e Aids têm o quesito raça e cor”.

Na visão de Aurelielza Santos, estudante da Universidade Estadual da Bahia (UNEB), o Afroatitude ajudou a dar novo significado ao espaço dos cotistas nas instituições. “Tínhamos medo do que falariam de nós por causa das cotas. [...] O programa nos ajudou a conquistar respeito, direito e a permanecer na universidade”, ressalta a estudante, que desenvolveu o estudo “Vulnerabilidade e Avaliação de Ações Preventivas no Ensino Médio do Município Santo Antônio de Jesus – BA”.

Perspectivas – A retomada do programa vai beneficiar gente como a estudante de Letras Maria Félix de Carvalho, da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). Bolsista em 2005, ela iniciou trabalho sobre racismo e preconceito nas séries iniciais do ensino fundamental. “Meu projeto não parou porque há muita carência de trabalho sobre essas séries, mesmo no ensino infantil”. Com a bolsa, ela e sua orientadora chegaram a ministrar palestras para professores de escolas de Nova Andradina (MS), onde mora, e de Taquarussu e Bataiporã, municípios vizinhos.

O diretor-adjunto do Programa Nacional de DST e Aids, Eduardo Barbosa, acredita que o maior avanço do encontro foi o compromisso da SEPPIR em incorporar o Afroatitude às suas linhas de ação. “O programa de aids cumpriu seu papel de estimular o debate e promover respostas para a população negra. É importante que, a partir de agora, isso seja implementado por outras áreas do governo”.

Fonte: Programa Nacional de DST/Aids
(Agencia de Noticias da AIDS – 25.06.2008 )





Congresso em Florianópolis discute doenças sexualmente transmissíveis e aids

27 06 2008

Começa esta quarta-feira (25) em Florianópolis o 7º Congresso Brasileiro de Prevenção das DST [Doenças Sexualmente Transmissíveis] e Aids. O encontro, que vai até sábado (28), é promovido pelo Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde.

O tema escolhido para orientar o encontro é Município-mundo e tem o objetivo de explorar diversas abordagens da dimensão global e local na formulação de respostas ao enfrentamento da epidemia de aids e outras DST.

Temporão participa hoje da abertura dos trabalhos. Amanhã (26) de manhã, ele faz palestra sobre Os 20 anos do SUS [Sistema Único de Saúde} e a construção da resposta brasileira à epidemia de aids.

Durante o congresso, serão debatidos temas polêmicos como a restrição da entrada de estrangeiros com HIV em certos países e a garantia de tratamento aos pacientes de aids no Brasil, considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) líder no fornecimento de medicamentos anti-retrovirais a aidéticos.

(Agencia Brasil – 25.06.2008 )





27 06 2008

O consumo de álcool e substâncias e drogas pelos condutores sintrenses ganha no próximo fim-de-semana um novo fôlego. A campanha “Sintra-se Seguro”, que decorre no Largo D. Fernando II, em São Pedro, nas noites de 27 e 28 de Junho, pretende prevenir a presença daquelas substâncias nos jovens do concelho.

No local, será feita uma avaliação dos riscos através da realização de testes de alcoolemia. A campanha conta ainda com a distribuição de folhetos informativos e aconselhamento relativamente ao álcool, outras drogas psico-activas e VIH/SIDA.

A iniciativa enquadra-se no Programa de Redução de Riscos e Minimização de Danos em contextos de diversão nocturna (discotecas, bares, after-hours, ambientes envolventes e festas), locais propícios ao uso e abuso de drogas e álcool, resultante de um protocolo celebrado entre a Autarquia e a “Conversas de Rua – Associação” e está ser realizado no concelho de Sintra desde o Verão de 2004.

 ”Conversas de Rua” é um projecto que assenta fundamentalmente na intervenção precoce junto de jovens, consumidores experimentais de drogas de síntese e/ou ditas de diversão.  A metodologia de desenvolvimento deste programa assenta no Trabalho Educativo de Rua. Os educadores de Rua desenvolvem a sua actividade junto aos bares do Centro Histórico de Sintra, Praia Grande e Praia das Maçãs.

(ALvor Sintra – 26.08.2008 )





ZÂMBIA: Governo falha em tirar crianças de rua do vício

26 06 2008

Um projecto piloto para reabilitar milhares de crianças que vivem nas ruas de Lusaka, capital da Zâmbia, não está tendo sucesso porque o governo está a excluir a sociedade civil do programa, dizem líderes civis.

Há dois anos, o governo começou a recolher as crianças das ruas de Lusaka, colocando-as em centros de formação sob os cuidados do Serviço Nacional da Zâmbia – um departamento dos serviços de segurança nacional do governo que também inclui a polícia e o exército – para ensiná-las profissões como carpintaria e alfaiataria.

Mas depois da formação, as crianças de rua estão a voltar para suas antigas vidas, já que não houve planejamento do governo em relação à forma com que as crianças de rua poderiam utilizar as habilidades para seu benefício.

“Nós não planejamos bem em termos de estratégia de saída. Muitos recursos governamentais foram destinados à reabilitação das crianças de rua nos últimos dois anos, mas não se pensa no destino dessas crianças após a formação”, disse Godfridah Sumaili, presidente da Children In Need Network, uma coalizão de organizações não-governamentais que trabalham com órfãos e crianças vulneráveis.

“Esse programa está falhando, principalmente porque o governo não fez um trabalho conjunto com a sociedade civil. O projecto foi executado sem envolvimento da sociedade civil. O governo deve garantir que a sociedade civil esteja engajada em ajudar a reintegrar à sociedade essas crianças [treinadas]”, disse ele.

Moses Phiri, 15 anos, é uma das milhares de crianças de rua da Zâmbia que foram enviadas para um dos centros de formação, mas desde que completou sua reabilitação, ele voltou ao seu antigo modo de vida, a pedir dinheiro pelas ruas.

“Eu vivo assim desde 2001 quando meus pais morreram. Eu durmo em fossos. Se eu vejo pessoas a carregar sacolas, peço para ajudá-las. Eles me dão qualquer coisa, às vezes 1.000 kwacha [US$ 0,30], às vezes mais. Eu fui forçado a deixar as ruas, mas aquele programa não é bom, não nos está a ajudar”, afirmou.

A vida na rua expõe as crianças a violência e condições de trabalho exploratórias e perigosas, como prostituição e tráfico de crianças. Um plano para combater tais influências foi elaborado pelo governo em 2006.

Há cerca de dois anos o programa de Reabilitação das Crianças de Rua tem focado em meninos de rua, enviando-os para um dos três centros de formação situados nas províncias de Copper Belt, Oriental e um centro nos arredores de Lusaka.

Até então o projecto piloto está voltado exclusivamente a meninos de Lusaka, deixando de fora outras áreas urbanas na Zâmbia.

''Quando uma criança vai para as ruas, primeiro ela se assusta com o ambiente, mas depois se acostuma e torna-se muito difícil reabilitá-la uma vez que atinge esse estágio.''

Desde o início do programa no final de 2006, o governo estima que mais de 1.200 crianças tenham completado com sucesso o programa de formação e reabilitação, apesar de apenas alguns terem conseguido viver com as habilidades que adquiriram.

“Se eles [o governo] querem que eu saia das ruas, eles também deveriam me dar um emprego. Eles levam-me para o centro, ensinam-me inglês, ensinam-me como fazer camas, cadeiras, mas depois não me dão um emprego”, reclamou Phiri.

“Eles deram-me ferramentas. Vendi-as por um preço baixo. Portanto, voltei a pedir dinheiro, nada mudou. Eu não tenho quem me ajude, eu peço dinheiro nas ruas para viver”, lamentou.

O vício da vida nas ruas

Pobreza e HIV/SIDA são frequentemente citados como os principais factores responsáveis pelo crescente número de crianças de rua na Zâmbia.

Cerca de dois terços dos 12 milhões de habitantes da Zâmbia vivem com US$ 1 ou menos por dia. O Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV/SIDA estimou que cerca de 17 por cento da população entre 15 e 49 anos são seropositivos.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância estimou que a Zâmbia tem cerca de 1,25 milhão de órfãos, ou uma a cada quatro crianças. Dessas, metade têm 10 anos de idade ou menos.

Segundo números apresentados pelo governo, há cerca de 75 mil crianças de rua na Zâmbia, embora estimativas não-oficiais considerem que há quase o dobro desse número.

A ministra de desenvolvimento comunitário Catherine Namugala, cujo departamento também está envolvido no programa de reabilitação de crianças, disse que o governo não pode ser inteiramente culpado pelo fato das crianças de rua voltarem ao modo de vida que tinham antes dos campos de formação.

“Deve-se levar em consideração que as técnicas ensinadas são apenas para ajudar as crianças a se virar sozinhas e não continuar pedindo esmolas nas ruas. O problema é que elas estão viciadas na vida nas ruas. A vida nas ruas é viciante”, disse.

“Quando uma criança vai para as ruas, primeiro ela se assusta com o ambiente, mas depois se acostuma e torna-se muito difícil reabilitá-la uma vez que atinge esse estágio”, afirmou Namugala.

“Nós damos a essas crianças ferramentas para usar em seus novos ofícios, mas o problema é que eles querem que tudo seja feito por eles. O governo não pode criar empregos para todos, por isso nós estamos a capacitar nossas crianças para serem auto-suficientes e, acima de tudo, para imputar disciplina nelas”, disse ela.

Viola Kamutumwa, consultora e especialista em assistência infantil, afirmou que para que o programa de capacitação seja bem-sucedido, o governo deve mudar sua estratégia e acrescentar um senso de independência e know-how empreendedor.

“O governo deveria dizer a verdade a essas crianças, e a verdade é que elas têm que lutar pela sobrevivência após a formação”, disse.

“As crianças precisam ser constantemente lembradas de que não há mercado para seus serviços, mas elas o têm que criá-lo por si mesmas. De outra forma, elas se esquecem e o produto final é o que vemos agora – elas estão de volta às ruas”, disse Kamutumwa.
(PlusNews – 26.06.2008)





Huíla: Empregues 10 mil dólares em projecto de prevenção contra Sida

26 06 2008

Dez mil dólares americanos serão empregues pela organização religiosa Movimento Juvenil para Paz, num projecto de prevenção contra a sida na província da Huíla.

Segundo informou à Angop o responsável da instituição, Eduardo Jumbi, o projecto denominado “Cikola Omuenyo” está vocacionado para a formação de jovens cristãos na vertente de prevenção do VIH/Sida.

A acção formativa com a duração de um ano tem início previsto para Julho próximo e numa primeira fase serão capacitados 100 jovens de várias igrejas sobre cuidados preventivos, doenças de transmissão sexual, saúde reprodutiva e o impacto da sida nas comunidades.

Na Huíla estão controlados mais de 600 seropositivos. Em 2007 foram registados 18 óbitos provocados por esta doença.

Movimento Juvenil para Paz é uma ONG afecta a Igreja Evangélica Congregacional de Angola (IECA) que tem como objecto social a implementação de projectos para juventude.

(AngolaPress – 25.06.2008 )





Clinton elogia Portugal nas energias renováveis

26 06 2008

O antigo presidente norte-americano Bill Clinton elogiou, hoje, Portugal pelo investimento nas energias renováveis, lembrando que as alterações climáticas constituem um grande problema para o futuro do planeta. O 42º presidente dos Estados Unidos falava no Museu da Electricidade, em Lisboa, na conferência “Uma só humanidade”, organizada pela agência de comunicação Cunha Vaz e Associados para assinalar o seu quinto aniversário.

“Portugal tem liderado o caminho das novas formas de energia”, disse, dando como exemplo o trabalho feito ao nível da “energia das ondas”.

Assinalando que “as alterações climáticas são um grande problema para o futuro”, Bill Clinton insistiu: “É por isso que o que Portugal aqui faz em termos de energias limpas é tão interessante”.

Bill Clinton apontou como “característica deste novo milénio uma interdependência sem precedentes” entre os países, salientando que só com “cooperação internacional” se podem enfrentar problemas como o das alterações climáticas, da imigração, do terrorismo, das epidemias, da crescente desigualdade entre países ricos e pobres e entre os cidadãos dos países mais desenvolvidos.

Considerando não haver nenhum país que possa enfrentar sozinho qualquer daqueles problemas, o antigo chefe de Estado chamou a atenção para a “enorme responsabilidade” que têm de ajudar os que beneficiaram da globalização.

Papel da sociedade civil

A propósito, destacou o papel da sociedade civil, adiantando que nos Estados Unidos existe mais de um milhão de organizações privadas, mais de metade das quais nasceu nesta década.

Entre elas encontra-se a fundação William J. Clinton, cujo trabalho ao nível do combate à SIDA foi dado como exemplo pelo antigo presidente da necessidade de organizar sistemas nos países pobres para poderem beneficiar da ajuda, nomeadamente financeira.

Clinton disse que o Brasil é um exemplo positivo no combate à SIDA porque além de dinheiro organizou um sistema de distribuição de medicamentos, adiantando que a sua fundação procurou também organizar o mercado ao nível dos produtores dos medicamentos e instalar serviços nos países a ajudar.

Segundo o presidente, a lição vale também para o combate a outros problemas, como o do aumento do preço dos alimentos.

“Também se pode organizar o sistema agrícola dos países, ajudando-os a serem autosuficientes”, disse, considerando que “aumentar a autosuficiência dos países africanos seria ainda mais importante” do que “cortar subsídios aos agricultores dos Estados Unidos e da Europa”.

Em relação ao combate às alterações climáticas, lamentou estar “a ser feito pouco trabalho sério” em relação à obrigatória mudança de sistema para poder gerir o mundo com novas formas de energia.

“É preciso mudar o sistema”, insistiu, adiantando, no entanto, que “só se pode conseguir se se provar que é positivo economicamente ficar livre do gás carbónico”, o gás do efeito de estufa que mais contribui para o aquecimento do planeta.

Considerou assim que tudo o que Portugal possa fazer para provar que é possível crescer economicamente sem atirar mais gases com efeito de estufa para a atmosfera “é um bom trabalho” para o mundo.

Num mundo interdependente, é nestes termos que a nossa cidadania deve ser definida, sustentou.

“Não nos basta trabalhar e pagar impostos, é preciso fazer mais”, afirmou, defendendo, nestes termos, que a cidadania requer um nível de envolvimento em termos de interesse público.

“Deviamos ensinar os nossos filhos nas escolas a pensar em cidadania em termos globais”, disse ainda Bill Clinton, para considerar que “há sempre alguma coisa que se pode fazer”.

O antigo presidente está na Europa esta semana para celebrar o 90º aniversário de Nelson Mandela, fazer conferências e trabalhar para a Fundação William J. Clinton.
(SIC Online – 25.06.2008 )





Sida: Epidemia é um “enorme desastre” em África que deve ser comparado às catástrofes – Cruz Vermelha

26 06 2008

 A Sida é um enorme desastre cuja envergadura e alcance poderiam ter sido evitados e, para travar a epidemia em África, deve-lhe ser dada pelos governos e organizações uma prioridade igual à dos planos de catástrofes e desastres.

Esta é uma das principais mensagens do Relatório Mundial sobre Desastres, divulgado hoje em Genebra pela Cruz Vermelha, que realça que a epidemia no Sul de África deve ser considerada “uma catástrofe”, ao mesmo nível que “as inundações ou a fome”.

O relatório da Cruz Vermelha, este ano dedicado especialmente ao vírus do VIH, que infecta cerca de 33 milhões de pessoas em todo o Mundo, sublinha que a Organização das Nações Unidas (ONU) define uma catástrofe como “ruptura grave do funcionamento de uma sociedade pondo em causa factores humanos, materiais e ambientais cuja amplitude excede as capacidades de lhe fazer face”.

Lindsay Knight, que chefia a equipa de peritos que elaborou documento, explicou, em conferência de imprensa, que “o estigma, a ignorância e a falta de acção política” provocaram milhões de mortes que poderiam ter sido evitadas.

A mesma responsável recordou que, “segundo a ONUSIDA, desde que começou a epidemia, em 1981, já morreram cerca de 25 milhões de pessoas e 7.000 são infectadas diariamente”.

De acordo com os dados, 22,5 milhões de pessoas do Sul do continente africano são portadoras do vírus da Sida, o que significa que pelo menos uma em cada dez é seropositiva na África do Sul, Zimbabué, Lesoto, Malawi, Moçambique, Namíbia, Suazilândia e Zâmbia.

“Poderiam salvar-se milhões de vidas se os líderes religiosos e políticos adoptassem acções” para que se dê prioridade a esta enfermidade e destinadas a acabar com o estigma, referiu.

O documento da Cruz Vermelha considera a Sida como “um desastre” pelas suas caóticas consequências e destaca que nos países mais afectados da África subsariana, onde as taxas de prevalência da doença atingem os 20 por cento, a esperança de vida da população está reduzida a metade e as conquistas em termos de desenvolvimento são reduzidas.

Além disso, acrescenta o relatório, os desastres naturais e os provocados pelo ser humano, como guerras e conflitos, interrompem os serviços básicos e agravam outros factores de propagação da epidemia.

“Depois de uma catástrofe, como um terramoto, nada funciona e há poucas possibilidades de levar a cabo medidas de prevenção da Sida”, evidenciou a perita.

Em casos de violência e conflitos, prosseguiu, surgem associadas situações de violações de mulheres e de raparigas, que contribuem para o alastramento da epidemia.

Vários dos peritos que participaram no relatório defenderam que “não criminalizar” os portadores do VIH é uma das chaves para evitar a propagação e apelaram aos governos para que incluam o problema em todas as formas de assistência humanitária.

A Sida é a quinta causa principal de mortalidade nos países de rendimentos médios, a terceira nos de baixos rendimentos e a primeira na África subsariana, que concentra dois terços dos seropositivos do Mundo.

O relatório destaca “as catastróficas consequências, não só de saúde, mas também sociais e económicas, para muitos países de África, e dá como exemplo o Botsuana, que por causa da Sida perdeu, entre 1999 e 2005, 17 por cento da força de trabalho no sector da saúde, ou da África do Sul, onde 21 por cento dos professores com idades entre os 25 e os 34 anos são seropositivos.

Em muitos países africanos, a epidemia traduz-se também pela diminuição do número de trabalhadores qualificados, ao mesmo tempo que origina uma procura acentuada dos serviços de saúde, acrescenta o relatório da Cruz Vermelha.

(ARA/visão online – 26.06.2008 )





CONGO: Eu, você e a camisinha

26 06 2008

Depois de um longo dia de trabalho numa gráfica em Brazzaville, capital da República do Congo, André Mikangou* geralmente compra uma cerveja na loja de conveniências de um posto de gasolina local e pega um pacote de preservativos Ami-3 do distribuidor automático.

“Eu coloquei minha moeda de 100 francos CFA (US$ 0.28) na máquina e caiu um pacote de três preservativos”, disse Mikangou, que tem cerca de 50 anos.

“Muitas pessoas que usaram esse simples serviço tinham-me falado da facilidade de obter-se preservativos imediatamente. Eu não acreditava, mas agora não posso mais duvidar. Eu vou experimentar estes preservativos de que tanto se fala”, disse ele antes de terminar sua cerveja e partir para pegar um taxi.

O distribuidor fica numa loja de conveniência de um posto de gasolina aberto 24 horas em Makélékélé, bairro populoso ao sul de Brazzaville.

Distribuidores de preservativos agora podem ser encontrados nas cidades mais movimentadas do país, graças à iniciativa do Conselho Nacional de Luta contra a SIDA (Conseil national de lutte contre le sida – CNLS, em francês), em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a População, que instalou cerca de 40 máquinas pelo país para promover o uso de camisinhas.

“O termo Ami-3 vem do fato de que, por causa da SIDA, o ato sexual não envolve mais somente dois parceiros, mas três: eu, meu parceiro e o preservativo, o que está a tornar-se inevitável”, disse Maurice Ndefi, diretor da associação de apoio a iniciativas de saúde comunitária (Association pour l’appui aux iniciatives de santé communautaire – AAISC, em francês).

''Na era da SIDA, relações a três – eu, meu parceiro e a camisinha – são mais seguras e confiáveis.''

AAISC, que dirige a campanha de marketing do Ami-3, iniciou a rede de distribuição e venda de preservativos em 2007, cobrindo 12 estados da República do Congo, incluindo Sangha State, ao norte, onde encontram-se 82 por cento dos seropositivos. Estima-se que a seroprevalência nacional seja de 4,2 por cento.

No ano passado cerca de sete milhões de preservativos masculinos foram distribuídos por vários canais.
 
Desses, 300 mil estavam em distribuidores instalados em áreas frequentadas regularmente por jovens, principalmente discotecas, campi universitários, parques temáticos e hotéis. Postos de gasolina também foram incluídos, já que motoristas de táxi e ônibus são um dos setores da sociedade mais expostos à infecção, segundo o CNLS.

Relações a três

Para sensibilizar os consumidores quanto ao uso do preservativo, uma propaganda passa toda noite no programa popular de televisão da Costa do Marfim, difundido pela televisão nacional.

“Na era da SIDA, relações com três parceiros, e não dois, são mais seguras e mais confiáveis”, lembram os personagens do programa.

Os pacotes com três custam 100 francos CFA (US$ 0.28) nos distribuidores e 50 CFA (US$ 0.14) em outros pontos de distribuição, como hospitais e farmácias. Eles também são distribuídos gratuitamente em eventos especiais de sensibilização.

“O Ami-3 é bem acolhido pelos jovens. Eles são bem lubrificados, resistentes, super-finos e não rasgam facilmente”, disse Lydie Blanche Mahoundi, responsável pela promoção, informação, educação e comunicação da AAISC.

Juliette Ngoma, estudante da Universidade Marien Ngouabi em Brazzaville, concordou: “Até a embalagem dos Ami-3 é reconfortante. É realmente fácil de usar. Eles só rasgariam se o homem for violento.”

Os jovens não são os únicos receptivos às mensagens de promoção do preservativo, e a querer tirar vantagem do fato de poder comprá-los facilmente e discretamente, disse Achille Mongo, um dos responsáveis por um posto de gasolina dotado de um distribuidor

“Jovens e adultos vêm o tempo todo ao posto para comprar preservativos”, disse ele. “Há dias em que há mais velhos do que jovens a refazer seu estoque de preservativos.”

Segundo a última pesquisa sentinela realizada pelas autoridades sanitárias do país em 2003, com o apoio do Banco Mundial, 95 por cento das pessoas vivendo com HIV/SIDA no Congo tinham sido infectadas em relações sexuais. A AAISC planeja colocar à disposição a mesma quantidade de preservativos em 2008.





GUINÉ-BISSAU: Capacitar para mudar

26 06 2008

Dar ferramentas para que as comunidades que ainda praticam a mutilação genital feminina em Guiné-Bissau abandonem a prática é a estratégia de um novo programa lançado no início de Junho no país.

A iniciativa é resultado de uma parceria entre o governo guineense com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e o Fundo das Nações Unidas para a População.

A implementação ficará sob a responsabilidade da organização não-governamental britânica Tostan, que trabalha com o desenvolvimento de comunidades em África.

Actualmente, estima-se que uma em cada quatro raparigas guineenses sejam excisadas em Guiné-Bissau. Segundo dados oficiais, mais de quatro mil jovens foram submetidas ao fanado no país em 2007.

O programa pretende erradicar a prática até 2012.

“O fanado é um problema delicado. Deve haver uma reflexão ponderada sobre a prática em Guiné-Bissau, porque muitas vezes ele é confundido com a religião”, afirmou Fernanda Cardoso, especialista em género e comunicação.

O programa terá duração de três anos e dará ênfase à capacitação da população, criando condições para que o fanado seja abandonado.

A estratégia teve bons resultados no Senegal e na Guiné-Conacri, onde as taxas de mutilação genital feminina caíram depois da criação de projectos geradores de renda.

“Em muitas populações, o fanado era uma forma de garantir a suficiência financeira da família [muitas fanatecas defendem a prática por lhes garantir trabalho]. Com outras fontes de renda a excisão já não se justificava”, disse Sílvia Luciani, representante do Unicef em Guiné-Bissau.

Outro método adoptado pelo programa da Tostan é utilizar os próprios membros das comunidades em campanhas de sensibilização.

“Escolhe-se, por exemplo, um familiar que sabe dos aspectos negativos da prática a outro familiar que quer excisar suas filhas. Nunca trazemos ninguém de fora”, explicou.

As regiões-alvo do programa serão Bafatá e Gabú no Leste, onde o fanado é mais comum devido às populações muçulmanas, Oio no Norte e Quinará no Sul.

Problemas físicos, psicológicos e HIV

Com quase a metade da população muçulmana, segundo dados oficiais, Guiné-Bissau é um dos países da África Ocidental onde a excisão feminina ainda é praticada.

A prática envolve, dependendo do país, a remoção parcial ou total da genitália feminina e é obrigatória em certos grupos étnicos, majoritariamente muçulmanos.

Acredita-se que o fanado mantém a castidade da rapariga ao controlar sua sexualidade. Uma moça que não tenha sido fanada não pode casar. Uma mulher não-excisada é considerada impura e não pode preparar refeições para o marido, por exemplo.

O procedimento, no entanto, traz consequências físicas e psicológicas às raparigas. Além disso, há o risco de infecção pelo HIV, já que muitas vezes a mesma faca é usada para excisar várias meninas.

Na Guiné-Bissau, as raparigas das etnias fula, mandinga, beafada e balanta-mané representam 83 por cento das raparigas excisadas, segundo o relatório Abuso e a Exploração Sexual de Menores na Guiné-Bissau, do Instituto da Mulher e da Criança e do Unicef.

“A mutilação genital feminina é uma verdadeira violência contra mulheres e crianças”, disse Luciani. “Não existe nenhuma religião no mundo que mande mutilar as mulheres genitalmente.”
(PlusNews – 25.06.2008 )