Construção do Preservativo Gigante e 2º Congresso da CPLP sobre VIH/Sida marcam as actividades do projecto CRIAS em Abril

29 05 2008

 A construção de um preservativo gigante no Vale da Amoreira e o 2º congresso da CPLP sobre VIH/sida foram as actividades de maior realce do projecto CRIAS durante o mês de Abril.

Segundo a equipa deste projecto a construção deste preservativo é uma iniciativa da Associação Moitense Amigos de Angola, que tem como objectivo sensibilizar a comunidade do Vale de Amoreira sobre a importância do uso do preservativo na prevenção do VIH/sida.

A ideia passa pela colocação de sete preservativos espalhados nos locais de maior concentração das populações tais como: Junta de Freguesia, Escolas e Centro Comercial.

Quanto ao 2º congresso da CPLP que teve lugar entre os dias 14 à 17 de Abril, no Rio de Janeiro, Brasil, foi um evento que reuniu diversos técnicos e profissionais na área do VIH/sida com objectivo de concertar esforços e promover a divulgação de boas práticas ao nível da prevenção, controlo e tratamento, entre os países participantes.

Importa frisar que a equipa do projecto esteve presente no Congresso e assistiu alguns dos painéis de discussão, tendo mesmo realizado a sua cobertura, permitindo ao serviço de notícias do CRIAS a sua divulgação.

Ainda em Abril, o Serviço de Notícias do CRIAS passou a fazer-se acompanhar por um blogue que permitiu o aparecimento de um espaço de comentário e debate. Ao mesmo tempo possibilitou a pesquisa por temas dos vários artigos já enviados electronicamente. 

Dynka Amorim





Comunicado de Imprensa conjunto das Associações de VIH /Sida, em Portugal

29 05 2008

As Associações que desenvolvem trabalho na área do VIH/SIDA, tem tido um papel essencial na Promoção da Saúde em Portugal, nomeadamente na luta contra a SIDA, prestando serviços regulares e/ou realizando projectos inovadores nos domínios da

- Prevenção e educação para a saúde;
- Tratamento, apoio psicossocial e reabilitação;
- Acções de combate aos fenómenos como o estigma e a discriminação associados à infecção;
- Prestação de cuidados no domicílio;
- Adesão terapêutica.

Também por isso e porque as Associações:

  • Têm uma ligação muito próxima e directa com as realidades locais e com as populações afectadas o que lhes permite agir melhor junto dessas populações e, por outro lado, permitir a sua participação activa nos projectos e actividades realizadas;
  • Reúnem profissionais especialistas nas suas áreas de intervenção, sendo entidades altamente especializadas nas suas áreas de acção e, por isso, com um papel fundamental na apresentação de propostas políticas e no apoio aos profissionais e serviços da saúde;
  • Têm contribuído para a economia da saúde, operando com orçamentos limitados e com um forte envolvimento voluntário, rentabilizando assim os apoios públicos que recebem do Estado Português., nomeadamente do Ministério da Saúde;
  • Têm dado continuidade as actividades inerentes aos projectos do Programa ADIS, quer graças à boa vontade dos técnicos envolvidos, que apesar de estarem com meses de honorários em atraso continuam a prestar apoio aos utentes/doentes, quer através de endividamento financeiro, para pagar os apoios e manter os projectos.

Neste quadro, e por se encontrarem em situações insustentáveis solicitaram uma audiência conjunta à Exma. Ministra da Saúde, com o objectivo de:

Clarificar as situações referentes à atribuição de apoios técnico-financeiros no âmbito do programa ADIS para os projectos de continuidade e solicitar o seu envolvimento e empenho para desbloquear, num curto espaço de tempo, estas situações.

Lisboa, 27 de Maio de 2008

Abraço – Associação de Apoio a Pessoas com VIH/SIDA
AJPAS – Associação de Jovens Promotores da Amadora Saudável
APF – Associação para o Planeamento da Família
Casa do Quero
FPCCS – Fundação Portuguesa a “Comunidade contra a SIDA”
GAT – Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA
LPCS – Liga Portuguesa Contra a SIDA
MAPS – Movimento de Apoio à Problemática da Sida
Positivo – Grupos de Apoio e Auto – Ajuda
Seres (con) viver com o VIH
SOL – Associação de Apoio às Crianças Infectadas pelo Vírus da SIDA e suas Famílias





ÁFRICA: Exclusão de seropositivos do exército inconstitucional

29 05 2008

JOHANNESBURG, 29 Maio 2008 (PlusNews) – A Suprema Corte da África do Sul em Pretória determinou que a exclusão do exército de pessoas seropositivas no recrutamento, promoção e mobilização de tropas no exterior é inconstitucional.

“Não é um caso de relevância do HIV num contexto militar”, argumentou o advogado sénior Gilbert Marcus. “Trata-se da exclusão do recrutamento, promoção e mobilização de pessoas seropositivas, sem nenhuma avaliação individual de seu estado de saúde.”

O processo contra a Força de Defesa Nacional Sul-Africana (SANDF, em inglês), que poderia constituir um precedente para as Forças Armadas a nível internacional, foi levado à Corte pelo Sindicato das Forças de Segurança Sul-Africana (SASFU, em inglês), organização que representa os empregados da SANDF, e por dois homens a quem foi negada qualquer possibilidade de mobilização ou oportunidades de trabalho devido à sua seropositividade.

Marcus, que representou os dois homens e o sindicato, disse que quase 25 por cento dos empregados do SANDF são seropositivos.

O que estava em jogo era a política atual da SANDF, que exclui todo seropositivo do recrutamento, promoção e emprego no exterior. Os advogados representando a SASFU e os homens argumentaram que esta política é inconsistente com a política formulada pelo gabinete.

O SANDF admitiu que a exclusão era inconstitucional e disse que esta política, juntamente com a classificação de estado de saúde usada para justificá-la, já estava a ser revisada.

O juiz da Suprema Corte Roger Claassen emitiu uma interdição no início de Maio, dando à SANDF seis meses para apresentar à Corte uma nova política que leve em conta os indicadores de saúde tais como a contagem CD4 (que mede a força do sistema imunitário) e aptidões físicas gerais na avaliação dos funcionários.

A nova política também deverá ser aprovada pelos advogados do Projecto de Lei para a SIDA (ALP, em inglês), organização sul-africana sem fins lucrativos especializada no auxílio a seropositivos em casos de discriminação. A organização também ajudou a SASFU e os requerentes a levar o caso à Corte.

''O governo é um empregador importante. Não é que todos gostem de combate, mas para muitas pessoas o exército é um emprego.''

O juiz decidiu que Sipho Mtehthwa, um dos requerentes e um membro da SANDF, que é especialista em armas e oficial encarregado do treinamento físico, deveriam ser autorizados a mobilizar-se com sua unidade durante um período de quatro meses, como parte do próximo rodízio.

Estabelecendo o padrão

O director executivo da ALP, Mark Heywood, disse que a organização tinha estado a combater a proibição do HIV no exército durante os últimos 13 anos. Para ele, este caso criaria um precedente para outros militares da região e também de todo o mundo.

“O governo é um empregador importante”, acrescentou Heywood. “Não é que todos gostem do combate, mas para muitas pessoas o exército é um emprego.”

O companheiro requerente de Mthethwa, que preferiu manter o anonimato e que tinha sido recusado pelo SANDF devido à sua condição, disse: “O pior disso tudo é o fato de não ser aceito para fazer uma coisa que realmente queres fazer [alistar-se no exército], mas por causa de uma coisa só, o fato de ser seropositivo. É por isso que decidi ir à Corte e lutar contra isto.”

A conclusão do procedimento de contratação para recrutas seropositivos será provavelmente suspenso até que seja preparado um projeto da nova política, mas a decisão do juiz Claassen já garantiu ao companheiro requerente de Mthethwa um emprego imediato.

HIV proibido nas Forças Armadas

Na África Austral, a Zâmbia ainda impõe uma proibição do HIV com respeito às forças armadas, mas Botsuana e Namíbia não.

Angola também não tem legislação que impeça o ingresso ou a promoção de seropositivos dentro do exército, mas o estigma impede que a questão seja discutida abertamente.

O país viveu 27 anos de guerra civil e só a partir de 2002 passou a experimentar dias de paz. Por isso, sua existência como nação independente é pautada por alta e constante militarização.

Evaristo David, 22, é activista nas Forças Armadas em Luanda e desenvolve campanhas de conscientização sobre HIV entre militares, além de fazer testagem e aconselhamento.


Photo: ACORD
HIV nas tropas angolanas: comum, mas pouco discutido

Segundo ele, quem descobre ser seropositivo no exército pode permanecer no serviço militar, mas isso não é garantia contra a discriminação.

“Nós geralmente pedimos permissão ao paciente para comunicar os superiores de que o teste voltou positivo, porque só assim é possível solicitar os antiretrovirais ao Ministério da Saúde”, explica. “Mas os colegas do paciente nunca ficam sabendo, para evitar o estigma.”

David afirma que o HIV nas Forças Armadas é mais comum do que se pensa. Depois de uma palestra de conscientização na semana passada, 26 participantes quiseram ser testados. Sete resultados voltaram positivos.

“A SIDA ainda é tabu dentro do exército”, afirmou Pombal Maria, coordenador da organização não-governamental angolana Acção Humana. “Por isso, a maioria das campanhas sobre HIV/SIDA são feitas dentro das próprias Forças Armadas, sem muito envolvimento da sociedade civil.” pLUS
(PlusNews – 29.05.2008 )





Novo tratamento imunitário pode controlar o vírus da SIDA

29 05 2008

A partir dos resultados bem sucedidos com macacos, os cientistas estão já a planear ensaios clínicos em humanos de uma nova abordagem para combater a infecção pelo VIH.
    
Nas descobertas apresentadas online na Sexta-Feira, os investigadores descreveram o potencial tratamento conhecido como OPAL, de Overlapping Peptide-pulsed Autologous Cells. O processo envolve misturar as próprias células sanguíneas de um doente com pequenos pedaços de proteínas do VIH. A abordagem seria categorizada como uma técnica de imunoterapia ou uma vacina terapêutica, disse Stephen Kent e colaboradores da University of Melbourne.
    
Os investigadores trabalharam com macacos infectados com o Vírus da Imunodeficiência Símia (VIS). A equipa pegou em péptidos do vírus e colocou-os em placas de cultura de laboratório com sangue total e com células isoladas do sistema imunitário. Isto ajudou a treinar as células a reconhecerem o vírus e a montar uma defesa eficaz contra ele.
    
“As células CD4 específicas para vírus são tipicamente muito fracas em humanos infectados com VIH ou macacos infectados com VIS; houve um estímulo dramático destas células induzido pela imunoterapia OPAL e isto salienta a sua eficácia,” escreveu a equipa.
    
Os investigadores salientaram que os melhores resultados foram obtidos quando o tratamento foi introduzido logo após a infecção. “Embora seja um desafio identificar humanos 3 semanas após a infecção, esta é tipicamente a fase em que os indivíduos com VIH-1 apresentam infecção aguda,” escreveram.
    
“Os níveis de vírus em macacos vacinados era 10 vezes menor do que nos controlos, e este efeito durou mais de um ano após as vacinações iniciais,” escreveu a equipa. “A imunoterapia resultou em menos mortes por SIDA. Concluímos que esta é uma técnica de imunoterapia promissora. Estão a ser planeados ensaios com a terapia OPAL em humanos infectados com VIH.”
    
O estudo completo, “Control of Viremia and Prevention of AIDS Following Immunotherapy of SIV-Infected Macaques with Peptide-Pulsed Blood,” foi publicado na Public Library of Science Pathogens (2008;4(5):e1000055).

Reuters   (02.05.08)::Maggie Fox

(AIDS PORTUGAL – 29.05.2008 )





Corrupção e SIDA: Travão ao Desenvolvimento em Moçambique

29 05 2008

De acordo com a delegação da União Europeia enviada a Moçambique, o governo deste país está a avançar no sentido de uma estabilização macro-económica e consolidação das finanças públicas mas a SIDA, a corrupção e a burocracia continuam a dificultar a erradicação da pobreza.

            “O VIH e a SIDA são um grande problema, apesar do governo estar a par da situação enquanto que a corrupção está a ser combatida com ajuda internacional”, afirmou Glauco Calzuoloa numa entrevista.

        Desde 1992, quando terminou a guerra civil que já durava há 17 anos, que Moçambique passou de um dos países mais pobres do mundo a uma das nações do sul de África com maior taxa de desenvolvimento. No entanto, esta expansão tem sido fortemente influenciada por ajudas externas e a economia local tem-se desenvolvido lentamente.

       “Apesar de reconhecermos os esforços governamentais apelamos à duplicação destes esforços”, afirma Calzuoloa.

            De acordo com o Ministério da Saúde, pelo menos 16 por cento dos residentes activos com idades entre os 14 e os 29 anos estão infectados pelo VIH/SIDA. A cada dia que passa surgem mais 500 infecções.

            Calzuoloa apela ao governo para que este continue a atrair o investimento estrangeiro e a promover a estabilidade política ao apoiar pequenas e médias empresas e não apenas “mega projectos que contribuem para o crescimento do país mas que não produzem efeito imediato nas populações.”

Reuters   (05.11.08)::Charles Mangwiro

(AIDS PORTUGAL – 29.05.2008)





Empresários em associação contra o HIV/SIDA

29 05 2008

ACABA de ser constituída, em Joanesburgo, África do Sul, a Associação Pan-Africana de Empresários contra o HIV-SIDA (PABC, em Inglês), e que conta entre os seus membros efectivos com a ECoSIDA, a associação moçambicana de empresários que luta contra esta pandemia.

De referir que esta organização transnacional, constituída sob o patrocínio da Standard Bank, reúne empresários de todo o continente, visando facilitar a partilha de informação e gestão do conhecimento, numa resposta por parte do sector privado para assistir os governos locais, nos seus esforços para a mobilização contra o HIV/SIDA.

(Notícias – 29.05.2008 )





SUAZILÂNDIA: Questionando o baixo uso de camisinhas

29 05 2008

MANZINI, 28 Maio 2008 (PlusNews) – Por que preservativos são tão impopulares? Essa questão frustrou e desencorajou especialistas da área da saúde por uma década, mas na Suazilândia o mistério pelo qual homens e mulheres se recusam a usar preservativos está lentamente sendo desvendado por um projecto que está a fazer com que homens suazi falem sobre o uso – ou a falta de uso – do preservativo.

Muito já foi dito e escrito sobre os mitos e equívocos que inibem o uso de preservativos, mas pouco foi feito para reflectir essas realidades em campanhas já existentes de educação e prevenção do HIV/SIDA.

Actualmente, uma iniciativa liderada pelo activista e profissional de saúde Hanni Dlamini e o Conselho Nacional de Emergência em HIV/SIDA (NERCHA, em inglês), órgão governamental que financia organizações voltadas à epidemia, espera mudar essa realidade tentando entender a origem das atitudes dos homens em relação à saúde sexual.

A primeira Pesquisa Demográfica da Saúde da Suazilândia, em 2007, observou que 26 por cento dos suazis sexualmente activos estavam infectados pelo HIV. Embora quase 99 por cento dos participantes tenham dito saber sobre a doença, quase a metade admitiu ter múltiplos parceiros sexuais e manter relações sem preservativo.

“Os homens na Suazilândia não usam preservativos. Preservativos são distribuídos por toda parte, mas não são usados”, disse Dlamini.

Nos últimos três anos, o projecto NERCHA cobriu duas das quatro regiões da Suazilândia: a central e populosa Manzini, núcleo comercial do país, e a região Hhohho no Norte, onde a capital, Mbabane, está localizada. Os próximos no itinerário são Shiselweni no Sul e Lubombo no Leste.

O programa adoptou uma abordagem tradicional para comunicação, em vez do método padrão com uso de questionários para colectar informações. Para fazer com que os homens falassem, Dlamini e o dramaturgo Modison Magagula observaram os costumes tradicionais suazi que ainda são muito praticados pelos homens suazi em áreas rurais e entendidos por todos os homens suazi.

“Nós recriamos o sihonco, que consiste num cerco, como o que se faz para o gado, aonde os homens vão para assar a carne, fumar ervas tradicionais e conversar. As mulheres não entram no sihonco, assim como por costume os homens não entram nas cabanas especiais das mulheres. Nós chamamos o programa de educação sobre a SIDA de ‘kudliwe inhloko’ que é uma expressão siswati que significa o momento em que os homens sentam juntos e conversam entre si”, explicou Dlamini.

O grupo teatral de Magagula apresenta uma peça sobre determinados assuntos, tal como homens envolvidos com raparigas menores de idade, para estimular a discussão.

Cerca de oito mil homens já participaram até agora, mas os organizadores pretendem fazer com que esse projecto continue e eventualmente atinja todos os homens suazi, para informá-los dos factos sobre a SIDA e combater a pressão da sociedade e os mitos prevalentes sobre a doença.

Hannie Dlamini comentou que as informações erradas transmitidas boca a boca frequentemente preenchem a ausência de conhecimentos correctos, porque não há educadores de saúde que reúnam-se regularmente com as comunidades, especialmente em áreas rurais remotas.

O que os homens realmente pensam?

“O resultado desse projecto não foram estatísticas, mas entendimento: por que os homens se comportam de determinada maneira, quais são suas crenças”, disse Wiseman Dlamini, oficial do projecto NERCHA na região de Manzini.

''Os homens na Suazilândia não usam preservativos. Preservativos são distribuídos por toda a parte, mas não são usados.''

Hannie Dlamini diz que as anedotas mostram um impressionante padrão de similaridade. “Os homens dão muitas razões para não usar preservativo, mas são apenas desculpas. O problema é que os preservativos nunca foram devidamente apresentados aos homens”, afirmou.

Como resultado, os homens suazi são sugestionados a adotar mitos contra o preservativo como razão para rejeitar o que eles consideram uma intrusão externa e anti-natural à sua vida sexual.

“Um mito que nós ouvimos muito é de que os preservativos foram criados para destruir a virilidade africana; além disso, eles dizem que o gel nos preservativos diminuem o tamanho e a duração da ereção”, informou Dlamini.

Reações alérgicas ao preservativo foram outra desculpa comum.

“Alguns homens estão desenvolvendo erupções cutâneas e outros problemas. Isso realmente está a acontecer com eles. Mas os outros homens vêem isso e decidem que preservativos são perigosos. Se um homem fica com alergia significa que a comunidade inteira não os usará”, afirmou Dlamini.

“Nós avisamos aos homens que se eles tiverem problemas com os preservativos de borracha látex, a mulher deve usar um preservativo feminino, feito de plástico. Mas até as mulheres suazi têm medo de usar o preservativo. Os homens envergonham-se com a sugestão. Se as mulheres não os usam, os homens também não vão querer usar”, observou.

Entediado e casado

Relacionamentos fora do casamento também são discutidos nas reuniões dos homens. De acordo com os homens que participaram, dormir sempre com a mesma mulher fez com que eles perdessem o interesse em sexo.
“Eles não tem mais ereções porque dormem com a mesma mulher todos os dias, então os homens procuram diversão com outras mulheres”, esclarece Dlamini.

Renovar o entusiasmo no casamento é um desafio para casais no mundo inteiro, e embora aconselhamento de casais não seja o objectivo do projecto de Dlamini, as medidas de prevenção da SIDA terão que levar em conta tais descobertas.

“No passado, poligamia era a maneira dos homens suazi evitarem o tédio na vida sexual. Por razões financeiras, essa opção não é mais a opção que era antigamente, portanto, há a necessidade de manter a chama acesa entre o homem e a mulher casados para evitar que ele traia”, disse a conselheira sobre a SIDA Patricia Dube.

Será que esse projecto fará diferença? Dlamini é franco e realista em sua avaliação.
“É verdade que as pessoas ouvem, mas depois de dois dias já pensam de outra forma. Eles esquecem. São influenciados por seus amigos. Os homens ouvem quando falamos com eles, mas amanhã eles farão exatamente o que faziam antes”, concluiu.

Ele disse que para o progresso ser alcançado, é necessário que as campanhas educativas sejam regulares nas comunidades.

NERCHA, o Ministério da Saúde e Bem-Estar Social e as organizações não-governamentais voltadas à SIDA analisarão os resultados para encontrar possíveis meios de promover uma mudança de comportamento.

Para Dlamini, se o ponto de vista e as preocupações das pessoas comuns tivessem sido considerados desde o início da epidemia, soluções mais eficientes teriam sido encontradas, talvez até mesmo se atingindo o difícil objectivo da mudança de comportamento.
(PlusNews – 28.05.2008 )