O pagamento de subsídios em atraso a Organizações Não-governamentais (ONG) com projectos na área do VIH/Sida será feito com retroactivos no início de Junho, garantiu a porta-voz de organizações que hoje se reuniram com a ministra da Saúde.
“Está para breve. Em princípio e sem qualquer vinculação apontou-se para início de Junho”, afirmou Maria Eugénia Saraiva, também presidente da Liga Portuguesa contra a Sida.
A porta-voz das ONG adiantou, à saída de uma reunião de cerca de três horas com Ana Jorge no Ministério da Saúde, que o pagamento dos subsídios, que estão em atraso desde Janeiro, será feito a 100 por cento, em vez dos anteriores 80 por cento.
Este aumento no financiamento das ONG decorre da entrada em vigor do decreto-lei que regula a atribuição de apoios a entidades privadas sem fins lucrativos, publicado em 2006 e que alterou a duração do financiamento para um máximo de quatro anos, tendo também aumentado de 80 para 100 por cento o montante atribuído a projectos que prestam cuidados sociais ou de saúde às pessoas que vivem com a infecção.
Maria Eugénia Saraiva declarou-se satisfeita com os resultados da reunião de hoje e realçou a “abertura ao diálogo” demonstrada pela ministra da Saúde, Ana Jorge.
Uma das preocupações levadas à reunião pelas ONG prende-se com a limitação do financiamento aos projectos aprovados a um máximo de quatro anos, com Maria Eugénia Saraiva a lembrar que algumas das actividades desenvolvidas pelas organizações se estendem por um período superior.
“O que foi dito [na reunião] foi que o Ministério da Saúde iria ajudar a sociedade civil a encontrar novos programas de contratos e alternativas a esta situação. Os projectos plurianuais serão também ajudados”, afirmou Maria Eugénia Saraiva.
A presidente da Liga Portuguesa contra a Sida acrescentou ainda que o Ministério da Saúde será “parceiro” a encontrar novos apoios, “nomeadamente no Instituto de Segurança Social e outros parceiros, de forma a poder ser dada continuidade a apoios psicossociais, ou outros como o domiciliário, na área da adesão à terapêutica, discriminação e vários outros que estas associações prestam”.
Em declarações anteriores à Agência Lusa, o coordenador nacional para a Infecção VIH/Sida, Henrique Barros, referiu que os limites impostos pelo decreto-lei de 2006 obrigavam “a encontrar modelos de financiamento diferentes para actividades que, pela sua natureza, não são verdadeiros projectos e por isso se podem prolongar no tempo para além da duração prevista” nas candidaturas.
(Diário Digital / Lusa – 27.05.2008 )


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