QUÉNIA: Líderes muçulmanos declaram guerra ao preservativo

25 05 2008

GARISSA, 21 Maio 2008 (PlusNews) – Líderes muçulmanos na província queniana do Nordeste resolveram organizar uma campanha contra a promoção de preservativos como meio de evitar o HIV.

A decisão foi tomada depois de um recente encontro sobre o tema “Islão e Saúde”, com a participação de mais de 60 académicos e professores muçulmanos na capital provincial de Garissa.

“Muito dinheiro está sendo gasto para envenenar a nossa comunidade…enormes somas de dinheiro são gastas na compra de preservativos, na compra de imoralidade”, disse o Sheik Mohamud Ali, do distrito de Garissa.

Os líderes concordaram em pregar activamente contra o uso e a promoção pública de preservativos como uma estratégia para conter a pandemia e evitar a gravidez. Eles também concordaram em se opor à distribuição de preservativos nas aldeias e instituições educacionais no nordeste.

“Não nos opomos às campanhas de resposta ao HIV do Ministério da Saúde, mas o que nos preocupa é que estão a usá-las de maneira errada, que não é aceitável na nossa tradição e religião”, disse Ali. “Não podemos usar os mesmos meios em todo país para combater estes problemas. Devemos nos envolver nas campanhas e as nossas sugestões devem aceites.”

Os clérigos ainda exigiram o fechamento de bares no nordeste e pediram ao governo que suspenda o licenciamento de quaisquer novos bares. Segundo eles, os bares locais e as “salas de vídeo” passam filmes pornográficos que estavam a contribuir para o aumento de infecções sexualmente transmissíveis. A propagação do abuso de drogas foi um outro factor: o “khat”, estimulante suave localmente produzido, é popular na região.

''Muito dinheiro está sendo gasto para envenenar a nossa comunidade… enormes somas de dinheiro são gastas na compra de preservativos, na compra da imoralidade.''

Os líderes ressaltaram que a melhor maneira para os jovens evitarem o HIV era através da obediência aos ensinamentos islâmicos, como jejum, reza regular e evitar relações extraconjugais. Eles aconselharam os homens a evitar olhar para as mulheres que, por sua vez, devem vestir-se com modéstia.

Abundam idéias erradas

Abdi Welli, um taxista de Garissa, disse que concordava com os clérigos que os preservativos deviam ser banidos. Ele acredita no famoso mito de que os preservativos estão contaminados com o HIV.

“Sabemos que os preservativos não são seguros…se queres contrair o vírus que causa a SIDA, então use [um preservativo],” disse. “Afinal, sempre ouvimos dizer no passado que o mundo ocidental está a usar o preservativo para eliminar os africanos, e os muçulmanos em particular.”

Discutir assuntos relacionados a sexo é tradicionalmente tabu, o que tem levado a uma ignorância generalizada sobre o HIV e a SIDA no nordeste.

Embora a seroprevalência na região seja uma das mais baixas no país – 1,4 por cento comparadas com a média nacional de 5,1 por cento, segundo o Conselho Nacional de Controlo da SIDA no Quénia – a região também tem a mais baixa taxa de utilização de preservativos, o que, segundo profissionais da saúde, contribui para novas infecções pelo HIV. Muitos comerciantes recusam-se a vender preservativos alegando que eles promovem imoralidade, portanto sua disponibilidade é limitada.

Profissionais da saúde mostraram-se preocupados com a decisão dos líderes muçulmanos, dizendo que ela pode prejudicar os esforços anti-SIDA na região. Osman Warfa, médico provincial, que participou na reunião, disse que os preservativos são essenciais na resposta à pandemia.

“Isso certamente vai dar a alguns jovens uma desculpa para não usar o preservativo, e isto vai colocar muitos deles em risco”, disse.

Preservativos gratuitos vão continuar a estar disponíveis nos centros de saúde do governo na região.
(PlusNews – 21.05.2008 )





Financiamento de projectos de apoio social a doentes com HIV/sida vai continuar, mas em moldes diferentes

25 05 2008

Os projectos de apoio social a pessoas com VIH/sida assegurados por entidades privadas sem fins lucrativos não vão deixar de ser financiados pelo Governo. O que vai mudar é o modo de financiamento destas actividades, que actualmente são apoiadas pelo Ministério da Saúde e, no espaço de quatro anos, deverão passar para a tutela do Ministério da Solidariedade Social.
Isto mesmo foi ontem garantido pelo coordenador nacional para a infecção HIV/sida, Henrique Barros, e pela ministra da Saúde, Ana Jorge. O que está em curso, e terá sido comunicado às associações “há mais de um ano”, é “uma mudança no processo de financiamento”, sublinhou a ministra, à margem de uma visita ao Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia.
Reagindo às críticas de várias associações que trabalham nesta área e que desesperam por estarem sem apoios desde o início deste ano, Henrique Barros assegurou ontem que as nove iniciativas herdadas do passado já foram aprovadas e que nos próximos quatro anos vão ser apoiadas em 100 por cento, em vez de 80 por cento como até agora acontecia.
O problema é que o concurso para a selecção de projectos nesta área, que normalmente se realiza nos meses de Setembro ou Outubro no âmbito do programa ADIS, apenas foi aberto em Fevereiro deste ano, colocando as associações que asseguram estas acções de continuidade na difícil situação de ter de pagar a funcionários e de suportar os custos das estruturas sem receber financiamentos. Este é o caso de apenas nove dos 50 projectos aprovados de um total de 98 candidaturas apresentadas no concurso deste ano, esclarece a alta-comissária da saúde, Maria do Céu Machado, que frisa que o problema deve estar solucionado dentro de duas semanas e que as entidades em questão receberão os apoios com retroactivos. “Ninguém vai ficar prejudicado”, diz.
O decreto-lei que regulou a atribuição de apoios a entidades privadas sem fins lucrativos anos e que impede que as candidaturas sejam renováveis para além de um período máximo de quatro anos já era conhecido das associações que trabalham nesta área (foi publicado em 2006), explica Henrique Barros. O que está em cau_
sa são serviços ou actividades que disponibilizam apoio social a estes doentes, de uma forma contínua, em moldes semelhantes aos das estruturas da Segurança Social ou da Rede de Cuidados Continuados e que não devem assim estar sujeito a concursos anuais, nota.
Criado no final de 2002, o Programa ADIS financia projectos e acções de prevenção, formação e apoio social. E se no início eram em maior número os projectos de apoio social, nos últimos anos, a situação inverteu-se. Algumas destas acções foram passando para a tutela da Segurança Social, através de acordos atípicos.
Os projectos de apoio social devem agora ser inovadores, apresentando modelos alternativos às respostas já disponíveis. “Não se podem manter soluções eternamente quando o mun-
do vai mudando, ainda mais quando se sabe que as soluções existentes não são as ideais”, defende o coordenador.
Cansada de esperar pelo financiamento anunciado, Margarida Martins, da Abraço, diz que só vai acreditar que os projectos da associação foram aprovados quando vir os documentos, o que até ontem não tinha acontecido. A Abraço garante apoio domiciliário a cerca de 60 pessoas em Lisboa e no Porto, assegura 100 refeições diárias e criou um gabinete que já disponibilizou mais de três mil consultas de medicina dentária. Com Patrícia Carvalho

3 milhões de euros é o montante que a Coordenação Nacional para a Infecção VIH/sida vai disponibilizar este ano para o financiamento de projectos de entidades da sociedade civil nesta área

(Alexandra Campos/Público – 22.05.2008 )





Guiné-Bissau: Tuberculose aumenta devido à pobreza e maus hábitos de higiene

25 05 2008

Bissau 21/05 – A tuberculose está a aumentar na Guiné-Bissau devido à pobreza, maus hábitos de higiene e consumo excessivo de bebidas alcoólicas e tabaco, disse hoje (quarta-feira) o director do Programa Nacional de Luta contra a Lepra e Tuberculose (PNLT).

Miguel Camará explicou que os números de que o seu serviço dispõe neste momento apontam para cerca de duas mil pessoas infectadas com tuberculose por ano na Guiné-Bissau.

Até antes da guerra civil de 1998-99, ocorriam entre 800 a 1000 casos por ano e a situação estava sob o controlo das autoridades sanitárias, sublinhou.

O director do PNLT afirmou que a guerra civil fez com que a doença aumentasse no país, porque os doentes que estavam sob vigilância médica abandonaram o centro de referência nacional (o Hospital Raul Follereau) para procurar refúgio junto de familiares, levando consigo os riscos do contágio.

Segundo Miguel Camará, muitas famílias tiveram que habitar o mesmo espaço físico durante os 11 meses que durou a guerra civil, situação que disse ser propícia para a propagação da doença.

“Imaginemos que uma família alberga um doente da tuberculose e convive com essa pessoa na mesma casa, onde dormem seis ou sete pessoas, toda essa gente está propensa a ser contaminada”, exemplificou.

Camará sublinhou ainda como agravante o facto de os guineenses, sobretudo nas aldeias, não respeitarem as regras básicas de higiene alimentar ou de utilização de utensílios domésticos.

“Num quarto dormem seis ou sete pessoas, uma colher é utilizada por várias pessoas, um copo, uma toalha de banho. A pobreza e a sida também ajudaram a aumentar a tuberculose”, frisou.

A sida e a pobreza estão a aumentar no país, pelo que “é natural que a tuberculose também aumente”, sublinhou.

O aumento do consumo de bebidas alcoólicas e do tabaco associado à fraca alimentação são também outros dos factores para este recrudescimento da doença, referiu.

Miguel Camará disse estar preocupado com a situação e admitiu mesmo a possibilidade de a tuberculose atingir “números alarmantes”, ou seja 4.000 pessoas infectadas por ano, ano se a tendência actual se mantiver.

Segundo Camará, o Ministério da Saúde Pública já colocou “toda as baterias na luta contra a tuberculose” mas espera que a população tenha a consciência da situação.

Para fazer frente à doença, referiu, foi elaborado um Plano Estratégico para 2008-2013 que será submetido ao fundo mundial de apoio à luta contra a tuberculose, malária e sida.

Manifestando “muita esperança” na iniciativa, que disse ser um instrumento para um “combate enérgico” à tuberculose, Camará destacou que o Plano Estratégico prevê a realização de campanhas móveis de despistagem voluntária da doença nas aldeias, em vez de esperar, como agora, que os doentes procurem o hospital Raul Follereau, financiado pela comunidade do Sant`Egidio.

A tuberculose afecta em particular os jovens do sexo masculino com idades entre os 25 e os 40 anos que habitam nos centros urbanos, nomeadamente a capital, Bissau.

(AngolaPress – 22.05.2008 )





Sida dania

25 05 2008

A Fundação da Juventude coordenou a actividade de um conjunto de jovens que se comprometeram a contribuir para o combate à Sida/HIV, entre Abril e Dezembro de 2006, no âmbito do programa AIDS/Sida da responsabilidade da Coordenação Nacional para a infecção do HIV/Sida

Deste trabalho resultou uma proposta de três jovens da Área Metropolitana do Porto que motivou a reflexão sobre a cidadania e que foi editado pela Fundação da Juventude com o objectivo de promover a discussão do trabalho com três objectivos.

1. Analisar e avaliar os conhecimentos dos jovens sobre o HIV/Sida

2 . Caracterizar os jovens universitários do ponto de vista demográfico, social, económico e cultural

3. Fazer um diagnóstico específico das necessidades de saúde sentidas pelos jovens, do conhecimento dos recursos existentes, metodologias utilizadas para a prevenção do HIV/Sida, factores que influenciam ou não a utilização de métodos de prevenção, comportamentos de risco, conhecimento/reconhecimento e opinião sobre campanhas de prevenção da temática

É indiscutível a pertinência deste relatório que foi editado e distribuído pela Fundação da Juventude e que está ao alcance das organizações juvenis e das instituições académicas, particularmente do Ensino Superior , pela prevalência desta patologia nesta camada social e pela possibilidade de mobilizar uma participação social eficaz.

A forma como o relatório é apresentado é ainda um apelo à cidadania, face a um problema que coloca em risco a sobrevivência da Humanidade, pois o presidente da Comissão das Nações Unidas para este problema considera que são infectadas 16 mil pessoas por dia. A relação com comportamentos, como a homossexualidade, deixou de ser frequente e passou a ser a relação homossexual a via mais frequente do contágio e da difusão da Sida/HIV.

(Nuno Grande/Jornal Notícias – 22.05.2008 )





Sida: Ministério da Saúde continua a apoiar projectos por um máximo de quatro anos – coordenador

25 05 2008

Lisboa, 21 Mai (Lusa) – O Ministério da Saúde continuará a apoiar projectos na área da infecção VIH/Sida, mas por um máximo de quatro anos, o período limite de financiamento previsto na lei para cada candidatura aprovada, explicou hoje o coordenador nacional desta área.

Henrique Barros, coordenador nacional para a Infecção VIH/Sida, precisou que o decreto-lei que regula a atribuição de apoios a entidades privadas sem fins lucrativos, publicado em 2006, alterou a duração do financiamento para um máximo de quatro anos e aumentou de 80 para 100 por cento o montante atribuído a “projectos que prestam cuidados sociais ou de saúde às pessoas que vivem com a infecção”.

A lei impede assim o prolongamento, além de quatro anos, do apoio financeiro, realçou.

“Isto obriga a encontrar modelos de financiamento diferentes para actividades que, pela sua natureza, não são verdadeiros projectos e por isso se podem prolongar no tempo para além da duração prevista para estas candidaturas”, acrescentou o coordenador nacional para a Infecção VIH/Sida.

O Ministério da Saúde continuará, assim, a apoiar projectos e actividades “não só que sejam propostos como incentivará as organizações não governamentais a participarem activamente na resposta às necessidades identificadas”.

Nos próximos quatro anos, a coordenação quer em conjunto com as instituições “encontrar o processo mais adequado de assegurar a sustentabilidade” de acções que visam a “qualidade de vida e ganhos de saúde” às pessoas infectadas com o vírus da sida.

Dos 98 projectos candidatos ao ano de 2008 foram aprovados 50, nos quais estão incluídos nove projectos já existentes.

Para estes projectos de continuidade, Henrique Barros afirmou que a solução poderá passar pelo apoio nomeadamente da Segurança Social, uma vez que o financiamento à luz da lei de 2006 “está naturalmente dirigido para áreas e opções de carácter inovador, experimental ou de demonstração”.

O coordenador salientou ainda que o Ministério da Saúde “defende a manutenção dos serviços que ao longo dos anos disponibilizaram apoio residencial, domiciliário e acompanhamento psicossocial”, e a “necessidade de novos serviços que o envelhecimento da população que vive com a infecção só por si irá exigir”.

O responsável acrescentou que a fórmula de apoio anterior a 2006 acabava por financiar serviços sociais.

“Não se tratavam de propostas com princípio e fim bem definidos, mas de verdadeiros serviços que disponibilizam apoio social às pessoas que vivem com a infecção, em continuidade e em termos semelhantes aos que presidem ao funcionamento das estruturas e serviços apoiados pela Segurança Social ou através da Rede de Cuidados Continuados”, argumentou.

O Programa ADIS financia projectos e acções em três grandes áreas na infecção VIH/Sida: prevenção, formação e apoio social.

Segundo Henrique Barros, os relacionados com prevenção e formação podem ser dirigidos a doentes e familiares, mas também a populações em situação de maior vulnerabilidade à infecção.

Os projectos de apoio social deverão apresentar “modelos alternativos às respostas já existentes para as pessoas que vivem com a infecção, devendo por isso acrescentar algo que, depois de avaliado, possa posteriormente vir a fazer parte das rotinas, melhorando os cuidados e não sendo simplesmente uma oferta adicional”, acrescentou.

(PL/Lusa – 21.05.2008 )





Jovens relatam constrangimento ao adquirir camisinhas

25 05 2008

A luta pela prevenção contra doenças sexualmente transmissíveis (DST), sobretudo a Aids, sempre teve como um dos principais obstáculos a resistência dos jovens ao uso de preservativos, causada pelo constrangimento em adquirir o produto. Hoje, no entanto, comprar uma camisinha na farmácia é encarado com naturalidade. Dados de um estudo divulgado esta semana pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que mais da metade dos jovens (53% em 2004) já fazem uso regular do preservativo, contra 9% em 1986. Mas na rede pública, onde o acesso deveria ser facilitado, ainda é comum a falta de preservativos, e quando há oferta, os usuários são submetidos ao embaraço de perguntas nada discretas.

 

Essa prática pode ser verificada em vários postos de saúde do município e não é fato novo. Há três anos, a ONG Cipó realizou uma pesquisa para traçar o perfil sexual dos jovens em comunidades da periferia. Os resultados foram reveladores: o constrangimento e a burocracia favoreciam a baixa procura. Janaína Lopes, hoje com 20 anos, percorreu alguns postos de saúde à procura de preservativos e conheceu de perto o emaranhado que cerca os programas de planejamento familiar e controle de DST/Aids.

 

Em 2005, durante a realização da pesquisa, Jana, como é conhecida, teve que se deslocar até o 18o Centro de Saúde Dr. Péricles Laranjeiras, em Fazenda Grande, depois de tentar, sem sucesso, encontrar preservativos no posto de São Caetano. Lá, teve que responder a um questionário verbal, no qual a assistente social traçava um perfil da sua vida sexual (veja boxe). Além disso, era exigida a identidade e os dados pessoais, com nome e endereço, o que afugentava os jovens.

 

Comentários – “Uma adolescente que faz sexo escondido dos pais não vai querer se identificar no posto para pegar camisinha”, argumentou Jana. Sem contar o fato de que algumas jovens são obrigadas a ouvir sermões. Uma adolescente mais nova recrutada por Jana para ajudar na pesquisa chegou a  escutar comentários do tipo: “menina, você é tão nova”. Para ela, tal expressão evidencia a censura a uma vida sexual ativa em relação os mais jovens.

 

A convite do Correio da Bahia, Jana voltou ontem ao 18º Centro, mas não foi atendida. A administração do posto informou que os preservativos estão em falta desde o último dia 9 e a previsão de nova remessa é apenas para a próxima quarta-feira. No posto, a assistente social Patrícia Tavares confirma que é necessário a apresentação de identidade para o primeiro atendimento, após o qual o usuário recebe um cartão para retirada mensal dos preservativos, no máximo de 15 por mês, de acordo com o estoque disponível. Quanto ao questionário, Patrícia diz se tratar de uma consulta preliminar para traçar o perfil do paciente e, se necessário, indicá-lo para acompanhamento em algum programa de controle de DST.

 

***

 

Estoques em baixa

 

Da Fazenda Grande, Janaína Lopes, a Jana, seguiu para o Centro de Saúde Professor Bezerra Lopes, na Liberdade, onde em 2005 não conseguiu atendimento, devido à falta de funcionários na sala de distribuição. A situação não parece ter mudado muito. Usuários flagrados pela reportagem queixaram-se da incompatibilidade de horários entre o guichê que emite o cartão de usuário e as enfermeiras que entregam os preservativos. Assim como no primeiro posto, Jana saiu de mãos abanando. A administração informou que as camisinhas estão em falta.

 

A enfermeira Ana Maria Guimarães, responsável pela distribuição de preservativos pela manhã, revelou que a última remessa havia sido entregue em 24 de abril e se esgotou seis dias depois. Na Liberdade, a cota mensal é de 12 camisinhas por usuário. A remessa habitual é de dez caixas de preservativo, com 144 unidades cada, suficientes apenas para atender 120 pessoas. Durante a entrevista, um funcionário do posto entregou duas caixas que, em princípio, tinham acabado de chegar.

 

Alegria para Daniel Conceição, 30 anos, que há dois meses procurava o posto sem conseguir os preservativos. Acostumado a usar a identidade, ele foi obrigado a fazer o cartão, mas por pouco não perdeu a viagem. Eram 11h48, quando o funcionário do guichê mandou que ele voltasse às 13h. “Você vem fazer cartão meio-dia? Tá todo mundo indo almoçar”, disse. Após alguma insistência e percebendo a presença da reportagem, o cartão foi feito e Conceição saiu do posto com suas 12 camisinhas. Ele também atestou ter sido submetido a constrangimento da primeira vez que foi em busca dos preservativos, com perguntas sobre a sua intimidade. “Eles querem saber sua vida toda”, queixou-se.

 

Procurada pela reportagem, a assessoria de comunicação da Secretaria de Saúde do município não foi localizada para comentar as queixas de constrangimento e falta de reposição dos preservativos. O telefone da coordenadora indicada para falar sobre o assunto, por um funcionário da secretaria, se encontrava fora de área.

(Correio da Bahia – 22.05.2008 )





MOÇAMBIQUE: Tenho muito a dar a este país

25 05 2008

 


Photo: Abraço
 

MAPUTO, 23 Maio 2008 (PlusNews) – Quando recebeu o resultado positivo de seu teste de HIV, a primeira reacção do universitário moçambicano Lauro* foi achar que a senhora que o atendia estava a lhe pregar uma peça.

Não estava.

Foi um baque. O rapaz, que até então nunca tinha ficado doente, perdeu oito quilos em uma semana. A princípio, escondeu a verdade de todos. Depois contou a seus pais e à namorada. Sua família o apoiou. A namorada pôs fim à relação.

Hoje, Lauro está no último ano da faculdade. Mantém-se saudável, participa do grupo de evangelização de sua igreja e diz que “tem muito a dar a este país”. “Não estou doente. Sou apenas seropositivo, o que é diferente”, diz.

Ele ressalta que os universitários também são vulneráveis, apesar de terem mais informação. “Muitas vezes o problema não é a falta de informação. Tudo depende de como se faz a gestão dessa informação”, explica.

Não estou doente. Sou apenas seropositivo.

Lauro*

Nasci na cidade da Beira, em 1983. Vivi muitos anos em Nampula, no norte de Moçambique, onde cresci e tive a minha formação secundária.

Agora frequento o último ano do meu curso na minha universidade, em Maputo. Moro numa residência universitária com outros estudantes de cursos diferentes.

Sou cristão e frequento a igreja Assembléia de Deus. Sou membro de um grupo de jovens que cantam rap para evangelizar. Nas nossas canções incluímos também mensagens sobre SIDA.

Sou seropositivo e soube dessa situação em 2006, quando fiz o teste de HIV. Não me é fácil saber onde, quando e como fiquei infectado, mas julgo que não foi bastante tempo porque nunca fiquei doente. Nunca tive crise de saúde.

Comecei a sentir alguns sintomas estranhos como feridas por baixo do braço, mas que não doíam. Corri logo ao hospital e o médico aconselhou-me a fazer o teste de HIV. Eu nunca pensei que pudesse ser seropositivo, por isso não hesitei em ir.

No dia seguinte fui ao Gabinete de Aconselhamento e Testagem Voluntária do Centro de Saúde Primeiro de Maio em Maputo e fiz o teste. Alguns minutos depois a senhora que me atendeu anunciou-me o resultado.

Era positivo. Não acreditei. Primeiro pensei que ela estivesse a gozar comigo, mas era mesmo verdade. Mostrou-me os papéis e confirmei.

Chorei bastante antes de sair daquela sala, mas a senhora desempenhou um papel muito importante naquele momento. O seu aconselhamento fortificou-me. Na verdade, disse-me tudo aquilo que eu já sabia, mas o disse de uma forma diferente. Convenceu-me de que eu não estava morto. Que estava apenas infectado com o vírus, mas não doente.

Enfrentando a realidade

Embora o aconselhamento daquela profissional tivesse sido muito importante para mim naquele dia, confesso que toda aquela semana sofri bastante. Eu pesava 60 quilos antes do teste, mas perdi volta de oito em uma só semana.

Aquela verdade me feria, mas não a queria compartilhar com ninguém. Escondi a verdade de todos: dos meus colegas do quarto e da faculdade, dos professores, da minha namorada e dos meus pais na Beira.

Nas férias de Junho daquele ano viajei a Beira e contei a verdade aos meus pais. Eles ficaram chocados no início, mas deram-me uma grande força. Meu pai convocou uma reunião em casa e chamou meus dois irmãos, para informar-lhes sobre o meu estado.

Graças a Deus, todos me deram força e continuam a dar-me até hoje.

Na época tinha uma namorada. Ela era minha conterrânea, mas conhecemo-nos na universidade. Depois dos meus pais, chegava a vez de enfrentar a minha parceira. Quando lhe informei da minha situação, ela preferiu romper com a relação.

Não me zanguei com ela. Estava no seu direito decidir se queria ou não continuar comigo. A moça tinha apenas 21 anos e não era justo forçá-la a ficar comigo.

Felizmente ela não estava infectada, pois usávamos sempre o preservativo. Depois de romper com a relação, decidi ficar sozinho e concentrar-me nos meus estudos.

Comecei a medicar logo que soube da minha situação. Os medicamentos nunca me causaram efeitos negativos. Foi bom ter sabido do meu estado a tempo.

Ser universitário seropositivo

Eu tenho um nível de percepção suficiente para entender que minha vida não terminou. Sou um jovem saudável, tenho 24 anos e tenho muito a dar a este país. Não estou doente, isso deve ficar claro. Sou apenas seropositivo, o que é diferente. Os médicos dizem que estou bastante bem.

Se não interromper o tratamento antiretroviral poderei permanecer saudável durante cerca de 20 anos. Não bebo, não fumo e decidi, por enquanto, não envolver-me sexualmente com ninguém. Isso me vai ajudar a resistir a doenças oportunistas.

Mesmo assim, não posso revelar-me seropositivo diante de meus colegas da residência e da turma. Se o fizer, vou sofrer muita discriminação. Nem quero imaginar o isolamento que eles me vão causar. Assim me tratam como pessoa normal e me respeitam. Se soubessem que estou infectado eu estaria numa situação diferente.

Portanto, nem os professores nem os colegas sabem da minha situação. E prefiro que não saibam, pelo menos durante a minha formação.

Quando falo sobre minha situação a pesquisadores e jornalistas, peço sempre que me garantam anonimato. Mais do que meu nome, o mais importante é o que tenho a dizer. A discriminação é muito forte e não gostaria de experimentá-la.

Universitários também são vulneráveis

É lógico que os universitários são mais informados que outras pessoas. Nós somos a minoria esclarecida. Mas muitas vezes o problema não é a falta de informação. Tudo depende de como se faz a gestão dessa informação.

Eu conhecia as maneiras pelas quais se apanha o HIV, mas não consegui controlar-me. Estar mais informado não significa ser menos vulnerável. Eu não concordo com a ideia de que os mais informados são menos vulneráveis. É mentira. Há dados que provam que nas universidades há muitos estudantes seropositivos.

*nome fictício

(PlusNews – 23.05.2008 )





Risco de Aids entre os homossexuais ainda é 11 vezes maior

25 05 2008

1982: É identificado o primeiro caso de Aids no Brasil. 1983: Morre em Nova York o estilista mineiro Markito, 31 anos, primeira pessoa pública do país a morrer por causa da Aids.

Naquele início dos anos 80, a doença era chamada de ‘câncer’ gay e muita gente tinha receio de apertar a mão de homossexuais e pegar a doença.

2008. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), 33,2 milhões de pessoas no mundo vivem hoje com o vírus HIV. Por dia, 6.800 pessoas são infectadas e 5.700 morrem por causa da doença.

Há muito caiu o preconceito. Houve o que a comunidade médica classifica como desomossexualização da doença .

Mas, ainda assim, os gays representam ainda 30% dos doentes em tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

No Brasil, estima-se que 620 mil pessoas vivem com o HIV. Segundo dados do Grupo pela Vida, 180 mil pessoas fazem atualmente tratamento para controle da doença.

- O avanço da medicina e a disponibilidade de medicamentos na rede pública tornaram a Aids uma doença crônica, como a diabetes ou a hepatite. Ela já não é mais associada à morte, diz Mario Scheffer, doutor em medicina preventiva e integrante do Grupo Pela Vida.

Há, porém, a outra face da moeda.

Segundo a avaliação de Scheffer, na medida em que a Aids deixou de ser uma doença associada a grupos de risco, se alastrando entre os heterossexuais, houve na sociedade um certo grau de negligenciamento da epidemia entre os homossexuais.

Os mais velhos, que viram amigos morrer vítimas da doença, mantêm a preocupação com o uso constante de preservativos nas relações sexuais. Entre os mais jovens, há um certo relaxamento.

- O conceito de grupo de risco foi eliminado na década de 90. Ao mesmo tempo em que serviu para acabar com o preconceito, teve o efeito de afastar os homossexuais da prevenção. Houve paralisação e redução das ações e campanhas voltadas para este público inclusive pelas ONGs, que tiveram papel fundamental na mobilização da década de 80, afirma Scheffer.

O resultado é um recrudescimento da doença entre os mais jovens. Enquanto entre os homossexuais com mais de 30 anos há uma redução da taxa de incidência, a Aids aumentou no público adolescente e jovem.

O boletim epidemiológico do Ministério da Saúde revela o aumento. Em 1996, 24% dos homossexuais com Aids tinham entre 13 e 24 anos. Em 2006, este percentual pulou para 41%. Na faixa etária de 25 a 29 anos, variou de 26% para 37% no período.

A Aids é um problema de saúde pública que afeta a todos, indistintamente, mas não se pode deixar de alertar que os homossexuais são 11 vezes mais vulneráveis à doença do que os heterossexuais.

- A incidência da Aids no público homossexual é de 226,5 casos para cada 100 mil, 11 vezes mais do que a taxa da população em geral, que é de 19,5 casos por 100 mil habitantes, explica Eduardo Barbosa, diretor-adjunto do Programa DST/Aids do governo federal.

O vírus da Aids não escolhe sexo ou lugar para atacar.

Segundo dados do Ministério da Saúde, a Aids está presente em 86% das cidades brasileiras, mas é nos grandes centros que a maior parte dos casos se concentram. A capital paulista responde, sozinha, por 25% dos casos de todo o país.

- A grande história hoje é como voltar a priorizar a prevenção para este publico sem permitir que retome o preconceito, explica Scheffer.

Até quando o sistema será capaz de bancar o custo do tratamento da Aids?

Esta é a pergunta que se faz o médico Mário Scheffer. Hoje, o Ministério da Saúde desembolsa R$ 1,4 bilhão por ano para tratar de seus 180 mil doentes.

No total, 18 medicamentos que compõem os coquetéis destinados ao tratamento da Aids estão disponíveis na rede pública de saúde. Destes, apenas oito são fabricados no país.

Os demais são protegidos por patentes. No ano passado, pela primeira vez, o Brasil quebrou a patente do Efavirenz , um dos retrovirais usados no coquetel anti-aids.

Até 1996, as alternativas de medicamentos eram poucas e apenas a oferta do AZT era garantida. Agora, os doentes podem contar com medicamentos muito mais potentes.

- A Aids se tornou uma doença de caráter crônico. Tem cada vez mais pacientes dependendo do tratamento e com expectativa de vida maior. É um sério problema de saúde pública, diz Scheffer.

Eduardo Barbosa, do Ministério da Saúde, afirma que a quebra de patentes não é o único caminho e que o país caminha para aumentar a produção local, o que barateia custos. Além disso, assegura, as negociações de preços têm avançado.

Reconhecido pela ampla cobertura no tratamento dos doentes, o Brasil ainda registra por dia 30 mortes pela doença.

- É como se um ônibus lotado caísse no precipício todo dia sem que se torne notícia, afirma Scheffer.

Assim como ocorre com doenças como a tuberculose, a Aids tem como divisor de águas a pobreza. Nada menos do que 43% das pessoas com Aids chegam tardiamente ao serviço de saúde.

Poucos fazem o teste para para saber se é HIV positivo. Sem ele, os soropotivos não conseguem se beneficiar desde cedo pela modernidade do tratamento. Sem ele, correm o risco de transmitir a doença.

(Globo Online – 23.05.2008 )





Contaminação por omissão

25 05 2008

Agência FAPESP – Um levantamento feito com 272 casos de indivíduos que doaram sangue na Fundação Pró-Sangue, em São Paulo, apesar de estarem infectados com o vírus da Aids, apontou que 48,9% omitiram fatores de risco durante a triagem, o que poderia ter evitado a coleta.

O estudo foi feito por César de Almeida Neto, chefe do Departamento de Notificações e Orientação de Doadores com Sorologias Alteradas da fundação, e apresentado no início do ano como tese de doutorado na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Almeida Neto avaliou o perfil de doadores de sangue portadores do HIV entre 1999 e 2003, por meio de um estudo caso-controle, no qual 272 doadores de sangue confirmadamente positivos para a doença, a maioria do sexo masculino, foram comparados com um grupo controle de 468 doadores sem a doença. Os indivíduos foram entrevistados antes e depois da doação.

“A entrevista realizada antes da coleta de sangue tem o objetivo de identificar situações de risco que o indivíduo tenha vivido nos últimos meses, uma vez que os exames convencionais para a detecção do vírus da Aids podem não detectá-lo em um primeiro momento, devido ao período que chamamos de janela imunológica. No caso do HIV, a formação de anticorpos no organismo, que permite a detecção da doença, ocorre de quatro a oito semanas após a infecção”, disse o pesquisador à Agência FAPESP.

“Isso significa que se um indivíduo se contamina hoje, e daqui a uma semana vai doar sangue, a doença ainda não se manifestou e seu exame provavelmente dará negativo. Com isso, o sangue do doador pode ser liberado normalmente para uso por outros pacientes, mesmo que esteja com o vírus da Aids. A triagem antes da doação é realizada para identificar riscos potenciais nesse período de janela imunológica”, destacou.

Segundo Almeida Neto, uma mesma bolsa de sangue infectada, ao ser liberada para uso, pode contaminar vários pacientes, uma vez que o sangue normalmente é fracionado em componentes como hemácias, plasma e plaquetas, que podem ser utilizados em três pessoas diferentes, contaminando-as.

“Mesmo seguindo todos os procedimentos de segurança, ainda existe o que chamamos de risco residual. Em qualquer lugar do mundo o sangue é uma importante fonte de transmissão de doenças. Ao serem questionados antes da coleta, muitos indivíduos têm vergonha de assumir os fatores de riscos e negligenciam esse tipo de informação. Outra hipótese é que alguns deles usaram os serviços do banco de sangue para simplesmente fazer ou comprovar o teste do HIV”, disse.

“Calcula-se que, no Estado de São Paulo, o risco residual de infecção por Aids em períodos de janela imunológica seja de uma a cada 60 mil transfusões de sangue”, disseAlmeida Neto.

Para que isso não ocorra, o pesquisador explica que os interessados em fazer o exame do HIV devem procurar o Centro de Referência de Treinamento em Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e Aids, e não os bancos de sangue.

Fatores de risco potenciais para a Aids, além de dados demográficos dos doadores, número de doações prévias, comportamento sexual e associação com os demais marcadores de triagem sorológica foram algumas informações coletadas nas entrevistas.

O estudo destacou, como fatores de risco para o HIV, entre os homens, as relações sexuais com outros homens, pagar ou receber dinheiro em troca do sexo e ter tido duas ou mais parceiras nos últimos 12 meses. As mulheres com parceiro sexual usuário de drogas injetáveis ou que tiveram dois ou mais parceiros nos últimos 12 meses foram as que apresentaram mais riscos.

Mais informações: www.crt.saude.sp.gov.br

(Thiago Romero /Agência FAPESP – 16.05.2008 )





VIH-SIDA. Projectos de continuidade comprometidos

25 05 2008

As associações de apoio a doentes com SIDA queixam-se de alegados atrasos no financiamento de projectos de continuidade.

A denúncia é de Eugénia Saraiva, da Liga Portuguesa contra a SIDA: “Com o novo regulamento, as candidaturas foram apresentadas entre 18 de Fevereiro e 18 de Março, e os técnicos continuam a trabalhar sem receber desde Janeiro”.

Em resposta, Henrique Barros, coordenador nacional para a infecção VIH-SIDA, assume atrasos, mas diz que os compromissos não podem ser cobrados à Coordenação Nacional. Ainda assim garante que o dinheiro segue na próxima quinzena: “Eu não queria comprometer-me com a próxima semana, porque não depende de mim, mas seguramente nos próximos quinze dias estará resolvido.

(Rádio Renascença – 22.05.2008 )





Instituto de Luta contra a Sida aprimora mecanismos de vigilância

25 05 2008

O Instituto Nacional de Luta contra a Sida (INLS) está a expandir a implementação do Sistema Informatizado de Vigilância Epidemiológica do VIH/SIDA, normatizando os critérios e aplicação das fichas de notificação a nível nacional. Para o efeito, a instituição está a capacitar equipas de técnicos de saúde de 11 províncias onde o sistema foi já implementado, para o manuseamento electrónico das bases de dados.
Coordenado pela direcção geral do INLS e direcções provinciais de Saúde cujos técnicos estão envolvidas, a acção de formação que conta com o financiamento e apoio logístico do Fundo Global, processar-se-á em cinco fases e tem como objectivo específico treinar os técnicos de Vigilância e Estatística que realizam actividades relacionadas com notificação e manuseamento electrónico de bases de dados.
Direccionada para equipas de técnicos de saúde das províncias de Benguela, Cabinda, Cunene, Huambo, Huíla, Lunda Norte, Malanje, Moxico, Namibe, Zaire e de profissionais de dez unidades sanitárias da província de Luanda, nomeadamente do Hospital Esperança, Pediátrico, Cajueiros, Divina Previdência, Kilamba Kiaxi, das Maternidades Lucrécia Paim e Augusto Ngangula, da Clínica Multiperfil e dos centros de saúde Viana e Cacuaco, um total de 40 formandos participam da acção que ­encer­ra no dia 3 de Junho.
Oito técnicos das unidades sanitárias do Cacuaco, Cajueiros, Divina Providência e Kilamba Kiaxi tomaram parte na primeira fase, a que se seguiu a segunda, ontem terminada, com igual número de participantes, oriundos de Benguela, Cabinda, Cunene e Huambo.
A terceira fase destinada a implementação do Sistema Informatizado de Vigilância Epidemiológica do VIH/SIDA começa na próxima segunda-feira, 26 de Maio, destinada a técnicos de Malanje, Moxico, Huíla e Lunda Norte. Na quarta fase vão apenas participar técnicos das unidades de Luanda, mormente do Hospital Esperança, Maternidade Lucrécia Paim, Maternidade Augusto Ngangula e da Clínica Multiperfil.
No dia 2 de Junho inicia a quinta e última fase do ciclo de treinamento para consolidação do sistema informatizado de notificação em VIH e SIDA, para o qual foram seleccionados oito técnicos das províncias de Luanda (Pediatria e Viana), Namibe e Zaire.

(Jornal de Angola – 23.05.2008 )





Bengo: CATV regista 121 pessoas seropositivas de VIH/Sida

25 05 2008

Cento e 21 pessoas seropositivas foram registadas em 2007 na província do Bengo, pelo Centro de Aconselhamento e Testagem Voluntária (CATV) de VIH/Sida, informou hoje (sexta-feira), na cidade de Caxito, a coordenadora provincial, Eugénia Filipe dos Santos.

Em declarações à Angop, Eugénia dos Santos disse que no mesmo período foram efectuados dois mil 276 testes, enquanto duas mil 731 pessoas foram aconselhadas pelo CATV, para se prevenirem da doença.

Apesar de não ter registado nenhuma vítima mortal, Eugénia dos Santos acrescentou que 455 pessoas recusaram-se em fazer o teste de VIH/Sida, adiantando que a situação é preocupante, porque muitos destes pacientes fogem quando tomam conhecimento do seu estado, sobretudo as gestantes.

“As gestantes são orientadas a ter um acompanhamento médico durante o estado de gestação até a data do parto para realizar o corte de transmissão vertical e muitas delas não cumprem”, lamentou.

Disse ainda que 171 pessoas portadoras têm sido acompanhadas no Bengo, desde a implantação do CATV, em Abril de 2006, através de consultas periódicas e entrega de medicamentos anti-retrovirais.

A província do Bengo conta com centros de aconselhamento e testagem voluntária de VIH/Sida nos municípios do Dande (na comuna da Barra do Dande e Caxito), Ambriz (na sede municipal com o mesmo nome), Dembos (na vila de Kibaxe) e Icolo e Bengo (na vila de Catete).

A coordenadora provincial do Programa de Luta Contra a Sida no Bengo perspectivou, para o corrente ano, a abertura de novos Centros de Aconselhamento e Testagem Voluntária nos municípios onde não existem: no Pango-Aluquem, Bula-Atumba, Kissama e Nambuangongo.

Preconizou igualmente, dentre outras acções para 2008, a formação de técnicos nos oito municípios da província em matérias de aconselhamento e testagem voluntário, a promoção de serviços de aconselhamento e testagem móvel, bem como reforçar o serviço de mobilização comunitária, no sentido de aderirem o CATV, para melhor controlo da epidemia na província.

(AngolaPress – 23.05.2008 )





Bié: VIH/Sida deixa mais de 60 crianças órfãs em três anos

25 05 2008

Kuito, 23/05 – As autoridades sanitárias do Bié anunciaram hoje, na cidade do Kuito (Bié), a existência de sessenta e sete crianças órfãs, cujos progenitores pereceram de Sida nos últimos três anos, informou o supervisor da enfermidade, Adelino Camato.

A fonte prestou essa informação por ocasião da realização do seminário sobre o VIH/Sida e outras doenças sexualmente transmissíveis, que decorre nesta cidade desde quarta-feira.

O responsável frisou que ao longo deste período, o sector da Saúde notificou ainda, nos vários Centros de Aconselhamento e Testagem Voluntária (CATV), 713 pessoas a viverem infectadas pelo vírus do VIH/Sida, afectando grandemente a camada juvenil feminina com idades compreendidas entre os 19 e 45 anos.

Salientou que durante o primeiro trimestre do ano em curso, as autoridades, diagnosticaram cinquenta e quatro novos casos da pandemia, sem, no entanto, revelar as zonas mais endémicas.

Por formas a reforçar a actividade de prevenção, foram entregues a população, fundamentalmente na faixa etária referenciada ainda este ano, 310 mil preservativos, nos 74 postos de distribuição de material de divulgação e de aconselhamento existentes na província.

A instituição, segundo a fonte, trabalha igualmente na prevenção peri-natal (corte vertical), sanguínea no Hospital Provincial e Centros de Saúde municipais, também desenvolve campanhas de sensibilização sobre a doença, em locais com maior aglomerado populacional (mercados, escolas), assim como aos camionistas e taxistas.

Aproveitou a oportunidade e aconselhou a sociedade no sentido de se evitar a prática do estigma aos indivíduos infectados pelo vírus da sida, sublinhando que esta atitude contribuiu negativamente no comportamento do indivíduo, acrescentando que pode acelerar a tomada de decisões prejudiciais para com o mesmo, amigos ou familiares.

(AngolaPress – 23.05.2008 )





Africa : Japão doa 560 milhões de dólares para luta contra sida e malária

25 05 2008

Tóquio, 23/05 – O Japão anunciou hoje (sexta-feira) que vai conceder 560 milhões de dólar norte americano (equivalente a 355 milhões de euros) para a luta contra a sida, tuberculose e paludismo, a algumas semanas da cimeira do G8 aumentar a ajuda à Africa.

Esta ajuda, reavaliada ao aumento após um primeiro anúncio de cerca de de 200 milhões de dólares em Fevereiro, será dada ao Fundo mundial da luta contra o sida, tuberculose e paludismo, criado em 2002 pelo grupo das oito nações mais industrializadas do mundo (G8).

O primeiro ministro japonês Yasuo Fukuda declarou que esta ajuda será dada “ nos próximos anos ” a partir de 2009, sem precisar os anos.

O sida, a tuberculose e o paludismo já causaram a morte a cerca de 5 milhões de pessoas em cada ano, especialmente em paises em desenvolvimento, particularmente em Àfrica.

(AngolaPress – 24.05.2008 )





Madonna a leilão

25 05 2008

Madonna leiloou uma actuação privada.

A cantora decidiu, dessa forma, ajudar a iniciativa organizada pela actriz Sharon Stone, no festival de cinema de Cannes, a favor do combate à SIDA.

O objectivo é angariar cerca 280 mil euros, sendo que aquele que oferecer a maior quantia terá direito a uma espécie de mini-espectáculo no backstage de um dos concertos da nova tournée de Madonna.

A rainha da pop irá apresentar, em exclusivo para o vencedor do leilão, duas canções. No entanto Madonna não aceita qualquer oferta, tendo dito, em Cannes - onde esteve a promover o seu documentário sobre a SIDA - para não a envergonharem licitando por baixo o seu “lote”. «Há pessoas que já me ofereceram milhões para eu actuar nos seus Bar Mitzvahs», afirmou, em declarações à Gigwise.

(Cotonete – 24.05.2008 )





Efeméride: 25 de Maio, Dia da África

25 05 2008

O continente africano celebra domingo o 25 de Maio, dia em que foi instituída a Organização de Unidade Africana (OUA), o que vem lembrar mais uma vez aos africanos as suas responsabilidades históricas, económicas, integração, unidade de África e inserção no contexto mundial.

No dia 25 de Maio de 1963, 32 chefes de estados africanos se reuniram contra a colonização e subjugação a que todo continente foi submetido durante séculos ao colonialismo e neocolonialismo, “partilha da África”.

Os termos mudaram ao longo do tempo, mas os africanos viram as suas riquezas naturais e humanas serem roubadas por povos que se consideravam superiores. Na reunião de 1963, em Addis Abeba, capital da Etiópia, esses líderes criaram a OUA (Organização de Unidade Africana), hoje a União Africana.

Dada a importância daquele momento, o 25 de Maio foi instituído pela ONU (Organização das Nações Unidas), em 1972, Dia da Libertação da África.

O objectivo da data se insere ainda na divulgação dos aspectos culturais, sociais, históricos, económicos e do quotidiano dos países africanos, e assim reduzir a falta de informação reinante nas novas gerações de africanos, despertar e perpetuar o ideal dos países fundadores do sonho africanista.

Passadas quatro décadas e com a libertação do continente, África se afigura ainda como um continente em busca da sua identidade e unidade. O continente está a passar por enormes alterações políticas.

Embora persistam os conflitos destruidores, o seu número diminuiu e muitos países adoptaram sistemas de Governo pacíficos e democráticos. No Burundi, a conclusão pacífica e democrática do processo de transição constituiu um marco para o país e, espera-se, para o futuro de toda a região dos Grandes Lagos.

Na República Democrática do Congo, uma nova Constituição e uma nova Lei Eleitoral assentam a base para eleições democráticas, enquanto a Guiné-Bissau assistiu ao restabelecimento da ordem constitucional. E na Libéria, um escrutínio histórico levou ao poder a primeira mulher a ser eleita presidente de um Estado africano.

Juntamente com perspectivas económicas um pouco melhores, o continente beneficiou de fluxos mais elevados de ajuda pública para o desenvolvimento e de uma – muito necessária – redução da dívida. Os países desenvolvidos, que formam o Grupo dos Oito, comprometeram-se a duplicar, aumentando-a para 25 biliões de dólares, a ajuda a África, até 2015, enquanto 18 dos países mais endividados viram anulada a quase totalidade da sua dívida externa.

As Nações Unidas comprometeram-se a ajudar o povo africano a dar continuidade a estes progressos. A nova Comissão de Consolidação da Paz, o Fundo para a Democracia e o Conselho de Direitos Humanos aumentaram a capacidade de resposta das Nações Unidas ao programa para África, tal como foi delineado pela Nova Parceria para o Desenvolvimento da África e União Africana.

As Nações Unidas e a União Africana já estão a colaborar no reforço da capacidade de manutenção de paz na África e na promoção de um desenvolvimento equilibrado. Apesar do optimismo, subsistem grandes desafios. A violência que continua em Darfur, não obstante o recente acordo de paz, ameaça milhões de vidas.

A situação entre a Etiópia e a Eritreia inspira preocupação, enquanto o conflito no Norte do Uganda prolonga uma das piores tragédias humanitárias do mundo. Ao mesmo tempo, a seca assola o Corno de África e partes da África Austral, e o HIV/AIDS (VIH/SIDA) continua a ter um efeito terrível no futuro do continente africano.

Porém, a União Africana encontra-se em fase de consolidação e muitas das suas instituições estão já implantadas. O Parlamento Pan-Africano foi inaugurado e funciona como uma plataforma para a articulação das aspirações dos povos de África e, pela primeira vez, uma mulher foi eleita presidente de um Parlamento.

Também há assinalar progressos consideráveis na execução da NEPAD, especialmente em domínios como a agricultura, as infra-estruturas, o ambiente e a saúde, que constituem áreas fundamentais para a redução da pobreza, a promoção da estabilidade social e a melhoria da qualidade de vida.

Nesta vertente, esforços estão em curso para a criação do Mecanismo de Avaliação Intra-Africano, um dos aspectos mais importantes e inovadores da NEPAD, cujo objectivo é fomentar a adopção de políticas e práticas que conduzam à estabilidade política, ao crescimento económico, à responsabilização, à boa governação e à democracia.

Hoje, África começa a dar mostras de novo dinamismo, rumo ao progresso.

Em Angola, a data está a ser comemorada com a realização de várias palestras.

(Rufino Marcelino/AngolaPress – 24.05.2008 )





Repressão torna jovens mais vulneráveis ao sexo inseguro

25 05 2008

Nada parece ser pior aos homossexuais do que a fase de adolescência. A repressão dos pais e o preconceito na escola aparecem no relato de quase todos, sejam lésbicas, gays, travestis ou transexuais. É neste caldo de preconceito que a Aids torna os jovens mais vulneráveis.

Aos adolescentes, dizem os especialistas, não basta saber que é preciso usar camisinha para se prevenir da Aids e não ter filhos.

- O jovem não precisa saber só disso. Ele precisa saber como negocia o uso com o parceiro e há pouco espaço para a educação sexual afetiva. A educação é informativa, não formativa – diz a psicóloga Beth Franco, doutora em Educação, professora da USP e integrante do Grupo de Incentivo à Vida (GIV)

Não é raro meninas serem chamadas de ‘galinhas’ por estar com preservativo na bolsa. Para não se expor a comentários deste tipo, muitas vezes se submete a sexo inseguro. O modelo masculino também não ajuda. “Se é homem é garanhão, comedor e, portanto, invulnerável”.

Para os homossexuais, a situação se torna ainda mais difícil.

- Não é dada ao homossexual a chance de falar de seus medos. Ele vive sua sexualidade no isolamento. A família não aceita e a escola lida mal com as diferenças. Quem se manifesta diferente paga um preço alto – afirma Beth.

Há um diálogo ainda mais incômodo: em qual banheiro da escola deve ir um travesti? No das meninas ou dos meninos?

O preconceito costuma servir como escudo. Mas não adianta. A discussão está posta.

- A escola deveria ser espaço para destruir preconceitos. A prevenção não passa só pela dimensão racional, mas pela auto-estima, por questões afetivas se por se sentir forte para negociar o preservativo – explica.

Beth cita que a distribuição de preservativo na rede pública de saúde não alcança os adolescentes. Se ele vai ao posto pegar, um adulto olha com ironia. Há casos até em que o próprio funcionário dispara: “Você vai fazer sexo?”

- É lógico que vai. A pergunta causa mal estar e o adolescente não volta mais – diz Beth.

Na avaliação dela, falta aos jovens saber qual o impacto da Aids na vida e até mesmo os adultos fogem do diálogo. Afinal, falar em Aids não combina com a idéia de prazer e liberdade.

- Sexo é gostoso, como falar de algo chato? Para não associar o prazer a uma doença, é melhor fazer de conta que não acontece.

Na periferia, onde a situação é de vulnerabilidade social, tráfico e mortes, qual o sentido em pensar na prevenção no ato sexual?

Há grupos que levam a discussão sobre a Aids às escolas, mas também eles enfrentam o preconceito. Muitas vezes, são acusados de incentivar o sexo precoce ou a homossexualidade.

Máquina dispensadora de camisinha

Uma ação do Ministério da Saúde pode ajudar as comunidades a levantar a discussão. Uma máquina dispensadora de preservativos foi desenvolvida por alunos do Centro Federal de Educação Tecnológica de Santa Catarina e deverá ser colocada nas escolas que manifestarem intenção. Cem delas devem ser instaladas em escolas públicas do estado este ano.

O projeto foi premiado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Eduardo Barbosa, diretor-adjunto do Programa DTS/Aids, explica que o adolescente terá um código pessoal e uma cota de três preservativos por semana.

 (Globo Online – 23.05.2008 )





Estremoz: abrigo para vítimas violência doméstica em Setembro

25 05 2008

Uma casa-abrigo para mulheres vítimas de violência doméstica abre em Setembro na cidade de Estremoz, depois de a Misericórdia local ter esperado quase três anos por um acordo com a Segurança Social, disse hoje o provedor da instituição.

O responsável da Santa Casa da Misericórdia de Estremoz, José Alves Marçal, explicou à agência Lusa que já foram superados com a Segurança Social «os constrangimentos e condicionantes existentes», sobretudo de «ordem financeira», que impediam a abertura da unidade.

«Já foi possível estabelecer um acordo entre a Misericórdia de Estremoz, responsável pela criação da casa-abrigo, e a Segurança Social para o funcionamento da unidade de apoio a mulheres maltratadas», afirmou José Alves Marçal.

O provedor da Misericórdia lembrou que a instituição tem a casa pronta a funcionar há quase três anos, mas a sua abertura estava dependente da assinatura de um protocolo com a Segurança Social.

Depois de estabelecido o acordo, segundo o responsável, vai ser celebrado em breve um protocolo com o Centro Distrital de Évora do Instituto de Segurança Social para que sejam garantidas as contratações dos trabalhadores necessários ao funcionamento da casa-abrigo.

«A Misericórdia não tem meios financeiros para suportar sozinha o funcionamento da casa», reconheceu o provedor, acrescentando que, para começar a funcionar, é necessária a contratação de uma equipa técnica e de pessoal auxiliar.

José Alves Marçal indicou ainda que a equipa técnica para o funcionamento da casa é constituída por uma directora técnica, uma psicóloga, uma técnica superior de serviço social e uma educadora social.

Para além da assessoria jurídica assegurada através de uma sociedade de advogados, acrescentou o responsável, o pessoal auxiliar a contratar engloba sete pessoas.

Segundo o provedor, a casa-abrigo, que pode acolher um total de 15 mulheres maltratadas e filhos que se encontrem a seu cuidado, vai abrir a 01 de Setembro.

A Casa de Santa Isabel-Abrigo e Apoio vai funcionar num edifício da Misericórdia de Estremoz, que beneficiou de obras de remodelação, num total de 500 mil euros, com o apoio de fundos da União Europeia.

De acordo com José Alves Marçal, a casa de apoio a mulheres vítimas de maus-tratos pretende contribuir para a «reintegração social das utentes», através de apoio psicológico, de formação profissional e de outras actividades, entre as quais o trabalho.

(Diário Digital / Lusa – 23.05.2008 )