CABO VERDE: Activismo e esperança na resposta ao HIV

20 05 2008

JOHANNESBURG, 20 Maio 2008 (PlusNews) – A data de fundação foi escolhida a dedo.

O activista Daniel Delgado escolheu o dia 1 de Dezembro, quando se comemora o Dia Mundial da SIDA, para dar o pontapé inicial à organização que baptizou de Associação Esperança, voltada para o trabalho com seropositivos em Cabo Verde.

Seis meses desde sua fundação, a instituição caminha a passos largos. Com 30 membros, a Associação Esperança investe em campanhas de prevenção, distribuição de preservativos, formação de voluntários e capacitação da população local.

“Nosso foco é alcançar as pessoas. Não esperamos sentados que elas venham até nós. Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé”, diz Delgado.

Uma das acções previstas para Junho é a clínica noturna, em que equipas de voluntários sairão por ruas de grande movimentação, onde estão os bares e as discotecas, para distribuir camisinhas e informações sobre prevenção de HIV.

“É à noite que as pessoas consomem mais álcool e drogas, então há muita mudança de comportamento”, explica.

A clínica noturna também passará por locais onde há muito consumo de drogas. “Nessas áreas geralmente há muita prostituição, porque muitos toxicodependentes vendem o corpo por drogas”, diz.

À noite na agitação, de dia na sala de aula. Delgado também quer falar com os jovens nas escolas sobre educação sexual, gravidez precoce e SIDA. As primeiras palestras em escolas da região já foram realizadas, com bons resultados.

“A juventude está acelerada hoje em dia. Muitos não têm informação, ou têm a informação errada. Precisamos fazer um trabalho de prevenção com eles”, afirma.

A área de actuação da Associação Esperança ainda é limitada. O trabalho se concentra na região de Santiago Norte, que abrange vilas e cidades como Pedra Badejo, Tarrafal, Santa Catarina e Assomada.

Esforço necessário

A Associação Esperança é a segunda organização não-governamental (ONG) em Cabo Verde que trabalha com seropositivos. A primeira foi criada pelo activista Zé Rocha, falecido em Julho de 2007, e que evoluiu para o que hoje é a Associação Renascer.

''Nosso foco é alcançar pessoas. Não esperamos sentados que elas venham até nós. Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé.''

Cabo Verde, um arquipélago de dez ilhas na costa do Senegal e cerca de 500 mil habitantes, tem uma seroprevalência de 0,8 por cento, uma das mais baixas da África.

Mesmo assim, Jaqueline Pereira, directora geral de saúde do Ministério da Saúde, diz que o país pode se beneficiar de mais uma associação para seropositivos.

“Acho que ainda é pertinente, mas é preciso cautela, porque a proliferação de ONGs pode criar problemas de sustentabilidade”, alerta.

A Associação Esperança – desde os preservativos distribuídos em campanhas até a infra-estrutura da sede em Pedra Badejo – é financiada pela Comissão Nacional Contra a SIDA.

Pereira destaca que uma das principais missões de ONGs voltadas para seropositivos é ajudar a diminuir o estigma.

“Mesmo com seroprevalência baixa, o estigma ainda existe. É importante fazer com que as pessoas se envolvam, que saibam que o HIV é um problema de todos e não discriminem os seropositivos”, diz.

Delgado também bate nessa tecla e fez questão que a Associação Esperança fosse aberta a todos os interessados, independente do estado serológico.

“Queremos combater a discriminação. Não podemos fazer isso criando um mundo separado para seropositivos”, enfatiza.

Malabarismo que vale a pena

O estagiário de jornalismo Jair Cabral, 26 anos, conheceu Delgado numa palestra da Cruz Vermelha, onde é voluntário. Não demorou muito para que se tornasse um dos membros fundadores da Associação Esperança.

“Quando conheci o Daniel, vi o HIV com outros olhos. Vi que não era o fim do mundo”, conta.


Photo: Lilian Liang/PlusNews
Jaqueline Pereira: HIV é um problema de todos

Hoje Cabral, que é seronegativo, é secretário da organização e participa de formações com outros voluntários, para aprender a abordar o assunto da melhor forma.

O jovem tem que equilibrar seu estágio no jornal A Nação, na capital Praia, os cuidados com seu filho de cinco meses, e o activismo com a Associação Esperança.

Não é uma rotina fácil, mas ele diz que o malabarismo compensa quando ele vê o impacto das campanhas de prevenção.

Ele se recorda de uma palestra em que o médico que estava a mediar a discussão lançou a pergunta “O que você faria se descobrisse que tem o HIV?”

“Um dos presentes disse que se mataria. Aí o Daniel levantou e contou sua história. Logo depois, o rapaz levantou e disse que retirava sua posição”, lembra.

Para Delgado, tão importante quanto as campanhas de prevenção é o acompanhamento dos que receberam a informação ou que se submeteram a testes.

“Aí é que o trabalho começa. Não podemos abandonar uma pessoa que voltou com o resultado positivo, nem as pessoas que têm resultado negativo”, diz. “Depois da transmissão da informação, precisamos gerir o conhecimento das pessoas.”
(PlusNews – 20.05.2008 )





Após sexo inseguro jovens recorrem a coquetel anti-Aids

20 05 2008

O alerta vem dos médicos infectologistas. Embalados pela noitada, bebidas e sexo inseguro, jovens brasileiros entre 20 e 30 anos estão recorrendo ao coquetel anti-Aids no dia seguinte à balada.”No Rio e em São Paulo, temos informações que isso já é algo preocupante, principalmente porque os medicamentos são comercializados ilegalmente em raves (festas de música eletrônica)”, afirma a infectologista Tânia Marcial, que é membro da Sociedade Mineira de Infectologia.

A presidente nacional do Grupo de Apoio à Prevenção da Aids (Gapa), Patrícia Werlang, também reconhece a demanda. Ela admite que pessoas recorrem ao grupo em busca de informações sobre o chamado “coquetel do dia seguinte”.

“Há demanda. Porém nosso trabalho é orientar o jovem a procurar um especialista. Desenvolvemos uma ajuda na base, na formação da consciência de prevenção sexual para evitar demandas como essa”, ressalta.

Comprovação. O coordenador científico da Sociedade Mineira de Infectologia, Antônio Carlos Toledo, explica que, apesar da demanda, ainda não foi realizada nenhuma pesquisa científica controlada que comprove a eficácia do uso do coquetel no dia seguinte na prevenção da infecção da Aids.

O que existe são pesquisas um tanto limitadas com mulheres vítimas de estupro. Nesses casos, as participantes dos estudos que receberam o tratamento profilático não desenvolveram a doença. O grande problema é o fato de não se saber se o agressor era ou não portador do vírus HIV.

Os trabalhos mais rigorosos envolvem os profissionais de saúde infectados acidentalmente pelo vírus. Nesses casos, segundo as estatísticas, as taxas de sucesso chegam a 80%.
Camisinha. Médicos infectologistas alertam que a melhor forma de prevenção da Aids, no momento, ainda é o uso do Preservativo masculino durante todas as relações sexuais.

“Este não é, em definitivo, o momento de deixar o Preservativo de lado”, escreveu o médico norte-americano Dan bowes em um artigo sobre as conseqüências da profilaxia com remédios usados no tratamento da Aids.

O presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, Carlos Starling, lembra que o coquetel anti-Aids é fornecido pelo governo para casos extremos, como estupros, e que seu uso deve ser autorizado apenas para essas situações. Starling alerta que nenhum médico infectologista deve recomendar o uso do coquetel do dia seguinte após uma noite na balada.

 

(Última Hora – 19.05.2008 )





Governo maurício dá fundos a 12 ONG de luta contra HIV/Sida no país

20 05 2008

O ministro maurício da Saúde e Qualidade da Vida, Satish Faugoo, entregou segunda-feira cheques estimados em 220 mil dólares americanos a 12 Organizações Não Governamentais (ONG) para as ajudar a prosseguirem com a luta contra o HIV/Sida nas ilhas Maurícias.

Justificando este apoio financeiro, Faugoo disse que as 12 ONG tinham respondido a um apelo do seu pelouro consagrado a um novo programa visando principalmente trocar seringas, bem como a uma campanha de sensibilização, informação e comunicação sobre o HIV/Sida.

As beneficiárias deste fundo submeteram projectos de sensibilização dos estudantes, encorajando-os a fazerem despistagens e motivando organizações confissionais para falar desta doença no seio das suas congregações, regozijou-se o ministro maurício da Saúde e Qualidade da Vida.

“Apelo às ONG que receberam este dinheiro para levarem a cabo os seus projectos com transparência. Elas devem criar obrigatoriamente um mecanismo de controlo e enviar regularmente um relatório ao Ministério (da Saúde) sobre a evolução dos seus projectos”, recomendou Faugoo.

Um dos projectos elaborado pelo movimento Accção Familiar, prosseguiu, vai encorajar a fidelidade dos casais ao passo que um outro, apresentado pela Federação dos Jovens Muçulmanos (MYF), vai formar formadores, particularmente os chefes religiosos para que possam, por sua vez, consciencializar a população desta doença.

Actualmente, três mil 438 casos de HIV/Sida foram detectados nas ilhas Maurícias, tendo o primeiro caso sido descoberto em 1987. Dos três mil 438 casos, 224, entre os quais quatro crianças, já falaceram, soube de fonte sanitária no local.

De acordo com um estudo do Ministério maurício da Saúde, de 2007, a maioria dos casos detectados, ou seja 80,6 por cento, foram notados nos drogados que apanharam o vírus da sida por via intravenosa.

(Panapress – 19.05.2008 )