Mães positivas afirmam que contar sorologia aos filhos fortalece amor e amizade

19 05 2008

“Eles se tornam mais amigos da gente, o carinho aumenta”, disse Nalva da Silva Andrade. Para ela, quando mães positivas contam aos filhos sobre a infecção pelo HIV, o amor e a amizade ficam mais fortes entre ambos. Nalva tem dois filhos e mora no Guarujá, baixada santista em São Paulo, e vive com o vírus há cerca de 19 anos.

Silvia Almeida, também tem a mesma opinião. “A gente tem que colocar nossa felicidade acima de qualquer doença, os filhos são nossos reflexos”, acrescenta a ativista do GIV. A Agência de Notícias da Aids entrevistou as duas para contarem suas experiências no Dia das Mães. Confira.

Silvinha

Silvia tornou-se membro do Grupo de Incentivo à Vida (GIV) em 1996, depois de perder o marido e também ter se infectado pelo HIV. “Não contei de cara para meus filhos. Pensei como é que eu ia lidar com aquilo primeiro. Então, estruturei-me e fui buscar apoio ”, explica.

Na época, o segundo filho de Silvinha tinha 10 anos de idade e havia perdido o pai quando ainda tinha quatro anos. “Uma coisa muito importante foi que no GIV tem um grupo de crianças e adolescentes, chamado ‘Viver’. Meu filho foi aprendendo a desmistificar o HIV, a não ter preconceito. Isso me ajudou quando contei a ele”, afirma.

Já a primeira filha tinha 14 anos e viu o pai adoecer. “Ela sabia que tinha alguma coisa errada, mas precisava de uma explicação. Quando contei sobre a minha sorologia, ela foi categórica e disse: “tudo bem”. Meu mundo caiu, como ela podia dizer isso? Depois, percebi que esse “tudo bem” poderia significar um monte de coisas. Não era tudo bem sobre HIV, mas sim que ela me amava”, relembra.

“Hoje, tenho dois netos e me sinto mais mãe do que antes. O HIV não impede que eu realize meus sonhos como mãe e avó. Assim, o vírus não pode impedir nenhuma mulher de ser feliz na maternidade. A felicidade tem que estar acima do estigma e preconceito”, diz

“É nosso papel contar, somos espelhos dos nossos filhos. A gente consegue enfrentar o preconceito com o auxílio deles”, acrescenta.

Nalva da Silva Andrade

Nalva vive com o vírus há cerca de 19 anos e quando se infectou, tinha dois filhos, um menino com seis e outra menina com sete anos. “Só pensava em como iria criá-los. Eu chorava bastante, achando que ia morrer, já que naquela época o estigma era enorme”, conta. “Moro em comunidade e seria muito difícil eles assimilarem tudo, ainda mais por causa do preconceito na escola”, diz.

Em meados de 1991, Nalva trouxe a filha para São Paulo, na casa da avó da menina para conseguir lidar com o assunto. “Enquanto isso, tentei explicar para meu outro filho, mostrando para ele outros amigos que estavam passando pela mesma história”, relembra.

“Minha filha ficou meio triste quando soube, ainda mais porque vivia mais com minha mãe do que comigo”, acrescenta, afirmando que a situação foi superada um ano depois que a garota voltou a morar no Guarujá.

No meio da década de 90, Nalva filiou-se ao Movimento das Cidadãs Posithivas como forma de fortalecimento pessoal. “Fiz parte também da militância durante muitos anos. Hoje estou mais parada, sou ativista das antigas”, comenta. A vida dela voltava ao normal e,com o passar do tempo, passou a dar aulas sobre HIV/Aidse, falar de prevenção, em palestras.

Hoje, Nalva tem 45 anos, é dona de casa e namora há três meses outro homem que é soronegativo. “Essa história não me impede de ser feliz”, diz.

“As mulheres são muito vulneráveis. A mensagem que quero deixar para as mães é que o ideal é conversar com os filhos, devagar. Não esconda a história porque é mais difícil. Se eles descobrem depois, ficam revoltados. Os filhos se tornam mais amigos da gente, o carinho aumenta quando confiamos neles”, alerta.

“Amor é a base de tudo. Se a gente não ensina, eles no futuro, poderão se infectar também”, finaliza.

(Rodrigo Vasconcellos/Agencia de Notícias da AIDS – 11.05.2008 )


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