Associação SOL à beira da ruptura por falta de apoio do Governo

19 05 2008
O dia de ontem foi de festa para as crianças da Associação SOL. Nove delas foram baptizadas na Igreja de S. Pedro de Alcântara, em Lisboa. Apesar da alegria estampada nos seus rostos, a associação que lhes dá abrigo está em situação de quase ruptura por não ter ainda recebido os apoios do Governo.

“Já desde Abril do ano passado que estamos a atravessar uma crise muito grande, com muita falta de dinheiro. Melhor, estamos mesmo sem dinheiro.” É assim que a presidente da associação, Teresa d’Almeida, descreve a situação actual. Em Outubro, “estávamos a ficar muito preocupados, quando a RTP lançou uma campanha que nos veio ajudar, e a Segurança Social nos deu um subsídio, que tínhamos pedido quase há um ano” explica ao DN Teresa d’Almeida. “É assim que temos conseguido viver até agora”, refere a dirigente.

A Associação SOL acolhe, actualmente, 21 crianças infectadas ou afectadas pelo vírus da sida. Mas, oficialmente, só está autorizada a acolher onze. E é este o número de crianças abrangidas pelo apoio do Governo. “Dizem que tenho crianças a mais”, critica Teresa d’Almeida. Mas “continuam a pôr lá crianças, porque nós não vamos com uma rede de caçar borboletas buscar as crianças. Elas são postas lá pelo Tribunal ou Comissão de Menores, ou seja, pelo sistema e, depois, é o próprio sistema que diz que nós estamos com crianças a mais e não nos ajuda”, lamenta a presidente. A instituição está agora à espera de um subsídio extraordinário pedido à Coordenação Nacional da Infecção VIH/Sida. Entretanto, a SOL e outras associações já pediram “uma reunião com a ministra da Saúde, que ficou marcada para “dia 27″. “Há aqui um problema: a primeira tranche devia ter sido recebida em Janeiro e agora há dúvidas se nos vão pagar com retroactivos ou não”, acrescenta. Teresa d’Almeida faz questão de sublinhar que “estas crianças têm os mesmos direitos que as outras” e a prioridade é que não lhes falte nada.|

 (Diário Notícias – 19.05.2008 )





População continua a precisar de muita “educação contraceptiva”, alerta director executivo da APF

19 05 2008

O que se passa em Portugal pode ser resumido nesta frase do director executivo da Associação para o Planeamento da Família (APF), Duarte Vilar: “Atingiu-se já um patamar bastante satisfatório de contracepção, mas não podemos “desarmar” na educação.”
Um inquérito recente – sobre comportamentos sexuais – confirma que a maioria (81 por cento) da população (a amostra era representativa) faz contracepção, com a pílula uma vez mais a liderar (51,2 por cento).
Como todas as percentagens, pode ser lida de outra maneira: quase um quinto dos portugueses não utiliza qualquer método para evitar uma gravidez. Um terço porque não tem relações; 12, 4 por cento porque o homem ou a mulher não é fértil… e bastantes mais (45 em cada 100) por “outra razão”, aqui não especificada. Quando se restringem os resultados ao grupo até aos 55 anos, é de 14 por cento a percentagem dos que não fazem contracepção.
Duarte Vilar, que, no início do mês, apresentou a parte relativa à saúde sexual e reprodutiva do inquérito, chama agora a atenção para este dado, ao reflectir sobre a questão das gravidezes inesperadas (o mesmo estudo concluiu que um terço das mulheres portuguesas já alguma vez engravidou sem querer).
“Há uma parte dessas gravidezes que tem a ver com o não uso de métodos contraceptivos. E isto por parte de pessoas que têm uma vida sexual activa e não querem uma gravidez”, lembra. O inquérito, um trabalho do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, por encomenda da coordenação nacional para a infecção HIV/sida, ouviu neste capítulo mais de 2900 pessoas entre os 18 e os 65 anos. Quase metade (44,4 por cento) do grupo de mulheres que disse já ter tido uma gravidez inesperada não fazia nada para evitá-la; mas mais de um terço (34,4 por cento) atribui-a a falha do método contraceptivo. Por outras palavras, mais de um terço das que alguma vez engravidaram sem querer fazia contracepção quando isso aconteceu.
É outra situação que Duarte Vilar diz ser motivo de apreensão e justificar um investimento maior na “educação contraceptiva” das próprias utilizadoras dos métodos (sabem que existem e usam-nos, mas não os usam correctamente). Estudos anteriores dão conta de “percentagens bastante elevadas de mulheres que se esquecem de tomar a pílula e de outras situações em que muitas nem se apercebem de que estão a correr riscos”, por exemplo.
Concretizando: “As pessoas estão muito alerta em relação ao preservativo, porque, quando se rompe, vê-se. Mas desconhecem as interacções medicamentosas [que afectam a eficácia] ou ignoram que, quando estão enjoadas por qualquer razão e vomitam, devem tomar precauções [para acautelar a "falha" da pílula]“.
As fases de transição – ter tido um filho há pouco tempo, estar a iniciar um novo relacionamento… – são períodos de risco nesta matéria, explica. E depois “há factores intrapsíquicos, como, por exemplo, um certo desejo de correr riscos ou mesmo de provar a fertilidade”.
Três quartos das mulheres que responderam ter já tido uma gravidez inesperada optaram por continuá-la. Onze em cada cem das que interromperam fizeram-no já depois das dez semanas de gestação, o prazo permitido, na lei do aborto que entrou em vigor no ano passado, para a interrupção legal. O inquérito não perguntava em que período foi feito o aborto. “Eu diria que 90 por cento destes abortos provavelmente foram clandestinos, porque aconteceram antes da lei. Estes dados não nos dizem o que se passa depois do referendo”, esclarece Duarte Vilar.
(Público – 18.05.2008 )





MOÇAMBIQUE: Primeira Conferência Nacional sobre HIV/SIDA em Moçambique

19 05 2008

Para fortalecer a resposta ao HIV, será realizada em Maputo, entre 13 e 16 de Junho, a Primeira Conferência Nacional sobre HIV/SIDA em Moçambique.

A conferência, coordenada pela Rede de Organizações de Serviços da SIDA (Monaso), reunirá cerca de 500 pessoas, entre representantes do governo, sociedade civil, instituições de pesquisa e academia, para debater e analisar estratégias de prevenção ao HIV no país.

Entre os tópicos discutidos estará um estudo diagnóstico sobre a situação da epidemia em Moçambique, com ênfase em direitos humanos e HIV, acesso universal a tratamento e advocacia.

O programa da conferência está a ser preparado por 50 organizações da sociedade civil, como o Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV/SIDA (ONUSIDA), Kindlimuka, Rede Nacional de Associações de Pessoas Vivendo com HIV/SIDA (Rensida) e Movimento Acesso ao Tratamento (MATRAM).

Mais informações:
Gil Manuel, assessor de comunicação da Monaso
+258 82 463-1260
comunicacao.monaso@tvcabo.co.mz
(PlusNews – 19.05.2008 )





Tanzânia acolhe reunião sobre discriminação ligada ao HIV/SIDA

19 05 2008

Uma reunião sobre a discriminação das pessoas portadores do HIV/Sida ou de deficiências físicas nos locais de trabalho iniciou-se quinta-feira em Dar es-Salam (Tanzânia), constatou a PANA no local.

Participam neste encontro juizes do trabalho vindos de oito países africanos determinados a pôr fim à discriminação destes seres humanos nos locais de trabalho.

De acordo com o Escritório Internacional do Trabalho (BIT), milhares de trabalhadores estão diariamente sujeitos às discriminações onde trabalham por causa das suas deficiências físicas ou dos seus estatutos suposta ou realmente seropositivos.

“Embora estas mulheres ou estes homens beneficiem de leis que os protegem de tais discriminações, como podem obter a justiça ?”, interrogou-se Guebray Berhane, porta-voz do BIT para África em Addis Abeba, na Etiópia.

Na sua opinião, não se pode vencer a discriminação no local de trabalho baseando-se só na lei sem que esta legislação seja acompanhada por mudanças de comportamentos e por compromissos verdadeiros de promover um trabalho decente.

Este encontro visa reforçar as capacidades das jurisdições de tratar as queixas ligadas ao HIV/Sida e à deficiencia física no mundo do trabalho a fim de garanbtir um melhor respeito pela lei.

De acordo com o director do BIT para a Tanzânia, o Uganda, o Quénia e a Somália, Jurgen Schwettmann, os juizes e advogados membros das organizações de entidades patronais e de organizações sindicais da Etiópia, do Quénia, do Lesoto, do Malawi, da África do Sul, do Uganda, da Tanzânia e da Zâmbia presentes neste encontro vão discutir sobre questões atinentes a estas matéroas, baseando-se nas normas e códigos de boa prática do BIT.

Passarão igualmente em revista as legislações nacionais que priorizam a questão do HIV/Sida e ds deficiências físicas e analisarão diferentes casos jurídicos relativos à recusa de emprego contra as pessoas contaminadas pelo HIV/Sida ou de deficientes físicos bem como o seu despedimento do trabalho em África.

O BIT e os seus 181 Estados membros adoptaram normas e códigos de boa prática sobre a sida e a deficiência física no local de trabalho que devem servir de guia na implementação de políticas ao nível nacional.

A Convenção das Nações Unidas relativa aos direitos das pessoas portadores de deficiências físicas, recentemente ratificada por sete países africanos, designadamente Egipto, Gabão, Guiné-Conakry, Mali, Namíbia, África do Sul e Tunísia, já entrou em vigor, tornando-se assim num tratado internacional que protege contra estas práticas anti-sociais.

De acordo com as últimas estimações da ONUSIDA (Programa Comum das Nações Unidas sobre o HIV/SIDA), a África Subsariana continua a ser a região mais afectada pela pandemia da sida. Em 2007, 22 milhões 500 mil crianças e adultos viviam com o vírus da sida.

(Panapress – 15.05.2008 )





MOÇAMBIQUE: HIV no rádio – por crianças, para crianças

19 05 2008

A moçambicana Vladimira Oliveira Cidazal é uma das produtoras mais jovens da Rádio Infantil, no distrito de Alto Molócue, na província da Zambézia.

Com apenas 11 anos, ela tem uma agenda cheia, com a produção de quatro programas por semana e a apresentação ao vivo de um deles aos sábados, para uma platéia de 100 crianças.

Sua voz é de criança, mas a propriedade e o engajamento com que fala de seu trabalho não têm nada de infantil.

“Eu sou pequena, mas gosto de trabalhar na rádio. Eu falo de direitos das crianças e ainda apresento um programa ao vivo”, diz, orgulhosa.

Sua carreira na Rádio Infantil começou por acaso: ela é vizinha do estúdio e de sua sala conseguia ouvir a música alta, principalmente quando o programa era ao vivo.

Um dia ela resolveu aparecer no estúdio. Não demorou muito para ser convidada a integrar a equipa.

Vladimira é uma das 50 crianças envolvidas no projecto Rádio Infantil, criado em 2002 pela organização não-governamental dinamarquesa Ibis Moçambique e transmitido pela Rádio Comunitária do Alto Molócue.

Os quatro programas da Rádio Infantil – Uma história para ti, Magazine, Crianças alegres e Conheça seus direitos – são inteiramente produzidos e apresentados por crianças com idades entre sete e 15 anos, em português e na língua local lomue.

“Quem melhor do que as crianças para falar com outras crianças?”, pergunta Tomás Samuel Liomba, oficial de programa de educação da Ibis Moçambique, em Alto Molócue. “Os programas são feitos por crianças, para crianças.”

Isso se aplica também à questão do HIV: todos os programas da Rádio Infantil hoje reservam alguns minutos de sua grade para falar sobre a epidemia.

Moçambique tem uma seroprevalência nacional de 16,2 por cento. Na província da Zambézia, esse número é de 18,4 por cento.

Programas feitos sob medida

Cris Matepule André, de 15 anos, trabalha voluntariamente na rádio desde os 11 anos. De ouvinte a produtora, hoje uma de suas responsabilidades é produzir as pequenas intervenções sobre HIV inseridas na programação.

''Engajar e capacitar crianças é fácil. Difícil é os pais aceitarem que seus filhos falem sobre HIV. Eles acham que é muito cedo.''

“Eu já tinha aprendido um pouco na escola, mas nós tivemos uma formação sobre a SIDA. Aprendemos muito, inclusive como falar sobre o HIV com crianças”, diz.

Segundo Liomba, a abordagem do tema varia de acordo com a idade dos ouvintes.

O programa Uma história para ti, por exemplo, voltado para crianças menores, trata da epidemia de uma perspectiva mais infantil.

“Falamos que não é bom brincar com lâminas porque elas podem se cortar. Ou que podemos brincar com crianças seropositivas, porque elas são crianças normais”, explica.

Cris, que quer ser engenheira agrónoma porque “gosta de plantar”, diz que o retorno dos programas é muito bom. Além das opiniões dos colegas na escola, ela recebe cartas dos ouvintes com sugestões.

“O programa é muito útil porque ensinamos os direitos e deveres das crianças, falamos sobre HIV e SIDA, todo mundo participa”, diz.

O que poderia ser apenas uma percepção foi comprovada na prática: uma pesquisa feita recentemente entre os ouvintes da Rádio Comunitária do Alto Molócue mostrou que os programas do projecto Rádio Infantil são os mais ouvidos da estação.

Crianças engajadas, pais desconfiados

Mesmo com a pouca idade das crianças, Zuneide Omar Ali, coordenadora da Rádio Infantil, acredita que nunca é cedo para que elas comecem a se envolver no trabalho com a rádio.

“Nós ensinamos um pouco de jornalismo, depois passamos alguns aspectos técnicos. Elas participam e aprendem tudo muito rápido”, conta.

Apesar de a Rádio Infantil ser campeã de audiência, alguns pais ainda olham para o aspecto HIV da programação com certa desconfiança.


Photo: IBIS Mozambique
Hora de brincadeira na Rádio Infantil

“Engajar e capacitar as crianças é fácil. Difícil é os pais aceitarem que seus filhos falem sobre HIV. Eles acham que é muito cedo”, diz.

Esaú João Porto Mwalacalaquenle, de 15 anos, faz parte da equipa desde 2002. Falante e bem articulado, ele diz que foi graças ao trabalho na rádio que venceu a timidez.

Também um dos responsáveis pelo trecho HIV da programação, ele diz que é importante falar do tema, principalmente com os adolescentes, que ouvem o programa Magazine.

“Falamos de prevenção, de abstinência, não é tão difícil. Procuramos uma linguagem simples para que depois de escutar, todo mundo possa praticar”, conta.

Rumo ao futuro

Os jovens produtores têm planos de ampliar a abordagem do HIV na programação: a ideia é promover um debate, para aumentar a participação do público.

“Mas para os debates precisamos de meios para comunicar com as crianças, como telefone, que não temos no estúdio”, diz Cris.

Mais do que infra-estrutura, Ali lamenta falta de profissionais, como médicos e activistas, que possam preparar e supervisionar as crianças para tratar de um tema tão delicado.

“A única formação que tivemos sobre o assunto aconteceu há dois anos. Precisamos de alguém que possa nos capacitar, reciclar o conhecimento das crianças”, conta.

Mesmo com os obstáculos, ela fala de sua equipa com orgulho e esperança.

“É muito bom ver essas crianças tão novas já capacitadas e passando o conhecimento para frente. E elas ainda são crianças – imagine quando estiverem crescidas”, diz Ali.
(PlusNews – 15,05,2008 )





SIDA/África: Por cada pessoa que inicia tratamento, entre quatro a seis contraem o vírus

19 05 2008

Por cada pessoa em África com HIV/SIDA que inicia um tratamento anti-viral, outras quatro a seis são infectadas pelo vírus, revela hoje um relatório do Banco Mundial, que anunciou uma nova estratégia para combater a epidemia.

O relatório do Banco Mundial, intitulado “Sida em África: Plano de Acção 2007-2011″, refere que o HIV/SIDA vai continuar a ser um desafio económico, social e humano “sem precedentes num futuro previsível” e lembra que a África subsariana continua a ser “o epicentro global da doença”.

O documento adianta que cerca de 22,5 milhões de africanos são doentes seropositivos e que o HIV/SIDA foi responsável por mais “de 20 por cento das mortes registadas em África em 2000″.

Como resultado desta epidemia, o Banco Mundial estima também que 11,4 milhões de crianças e menores tenham perdido um dos seus pais, destacando que “90 por cento das crianças seropositivas no continente vivem na região da Africa subsariana”.

Estimativas do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV/Sida (UNAIDS), citadas no estudo, referem ainda que cerca de 2,2 milhões de crianças menores de 15 anos estavam infectadas com o vírus em 2006.

O relatório apela aos países africanos para continuarem a desenvolver “esforços de prevenção para atrasar e inverter a taxa de novas infecções com o vírus”, sublinhando que a doença constitui a “principal causa de morte prematura no continente, especialmente entre jovens e mulheres”.

Dados de 2007 do mesmo Programa indicam que a doença é “predominantemente feminina”, uma vez que 61 por cento das pessoas infectadas são mulheres.

“Mais de 60 por cento das pessoas com HIV em África são mulheres, sendo as jovens do sexo feminino com idades compreendidas entre 15 e 25 anos seis vezes mais susceptíveis de contrair a doença do que os jovens do sexo masculino na mesma faixa etária”, lê-se no documento.

O Banco Mundial lamenta também no seu relatório que apenas “pouco mais de um quarto dos doentes infectados em África que necessitam de tratamento estejam a ser tratados”.

Além da “falta de verbas” e a “sobrecarga dos sistemas nacionais de saúde africanos” – que enfrentam inúmeros desafios sanitários e têm pouca capacidade de resposta – o relatório aponta a estigmatização e discriminação dos doentes como outros dos maiores obstáculos para garantir o acesso destas pessoas ao tratamento.

No relatório, o Banco Mundial – que mobilizou mais de 1.5 mil milhões de dólares para mais de 30 países da Africa Subsariana desde 2000 – afirma que vai mudar o seu “papel inicial de resposta de emergência” como principal financiador de programas HIV/SIDA para uma “nova missão que ajude os países a melhorar a gestão dos recursos para lidar com a doença”.

Nesse sentido, o organismo apresentou na sua estratégia 2007-2011 vários objectivos prioritários como aconselhar os países na gestão complexa do financiamento internacional e reforçar a supervisão e avaliação da capacidade dos países no acompanhamento da eficiência e eficácia dos seus programas HIV/SIDA.

(RTP – 15.05.2008 )





Mais de 50% dos jovens gays abrem mão da camisinha, diz pesquisa

19 05 2008

Uma pesquisa da organização não-governamental Arco-íris, do Rio de Janeiro, mostrou que 51,6% dos jovens gays, entre 14 e 29 anos, abrem mão da camisinha pelo menos em alguma situação em que há dificuldade de negociar o uso do preservativo. O estudo “Juventude Gay, Comportamento e Aids” ouviu 150 pessoas e foi realizado no final de 2007.

Segundo o Ministério de Saúde, no início do ano, a coordenação Nacional de DST/Aids apontou o aumento dos casos de Aids nesse grupo ao lançar o Plano Nacional de Enfrentamento da Epidemia de Aids e das DST entre Gays, Travestis e HSH (homens que fazem sexo com homens, mas que não se assumem como homossexuais). Dos infectados por HIV, na faixa etária entre 13 e 19 anos, os gays, os HSH e os travestis correspondiam a 40% dessa população, em 2005. Em 1999, essa parcela era de 18%.

Os números foram divulgados um dia antes da abertura da 1ª Conferência Estadual de Políticas Públicas GLBT do Rio, que acontece a partir desta sexta-feira (16) na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).

Na ocasião, a diretora do Departamento de Apoio à Gestão Participativa, Ana Maria Costa, apresenta o documento Saúde da População GLBT, que propõe sensibilizar os profissionais de saúde para as questões de gênero.

(Globo – 15.05.2008 )





Maputo acolherá IV Assembleia Geral do Fórum da Juventude da CPLP

19 05 2008

Luanda, 13/05 – A capital moçambicana, Maputo, vai acolher, de 16 a 18 de Maio deste ano, a IV Assembleia Geral do Fórum da Juventude da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (FJ-CPLP), que vai eleger os novos órgãos directivos e definir a estratégia da organização para o Encontro da Juventude Pan-Africana, a ter lugar em Junho do ano em curso, em Brazaville (República do Congo).

Em declarações por telefone hoje à Angop, o presidente do Conselho Nacional de Juventude (CNJ), Cláudio de Brito Aguiar, disse que o país far-se-á representar no evento por uma delegação chefiada pelo seu vice-presidente Kikas Machado.

Na ocasião, este responsável solicitará apoios com vista a renovação do mandato de Angola no Secretariado Executivo da União da Juventude Pan-Africana (UPJ).

Angola, na qualidade de presidente da Mesa de Assembleia Geral do FJ-CPLP, dirigirá os trabalhos da sessão.

No fórum, será igualmente apresentado o relatório de actividades e revisados os estatutos do FJ-CPLP e redefinir o plano de acção do FJ-CPLP, visando o incremento do seu papel na defesa e promoção dos Direitos Humanos e na participação da classe nos fóruns de decisão.

O combate ao tráfico e abuso de menores, na luta contra o HIV/Sida e na implementação da Carta Africana da Juventude e das recomendações da Cimeira da Juventude Europa/África estarão também em análise no encontro.

À margem da Assembleia haverá uma conferência que discutirá os desafios da juventude no combate ao HIV/Sida, onde serão apresentadas experiências de Moçambique e da Guiné Bissau neste sector.

O FJ-CPLP, constituído em Assembleia Geral na cidade de Praia em Cabo Verde a 01 de Maio de 1997 é a entidade que congrega os organismos coordenadores das Ong de juventude dos Estados Membro da CPLP.

O fórum define-se pela sua independência governamental partidária, ideológica, religiosa ou étnica.

Constituem fins do fórum, manter e aprofundar os laços de fraternidade, a cooperação, a solidariedade e o diálogo intercultural entre os jovens lusófonos, bem como a promoção dos direitos humanos, do desenvolvimento sócio-económico e da interdependência na CPLP.

Fazem parte do FJ-CPLP os Conselhos Nacionais de Juventude de Angola, Brasil, Cabo-Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São-Tomé e Princípe e Timor Leste e Portugal.





Ministério da Família forma ´´Educadores de Pares“ sobre Hiv-sida

19 05 2008

Luanda, 13/05 – Vinte trabalhadores, na sua maioria mulheres do ministério da Família e Promoção da Mulher (Minfamu), foram capacitados de 21 a 25 de Abril último, em Luanda, como Educadores de Pares no local de serviço, visando a prevenção do HIV e SIDA e outras doenças.

Uma nota do Ministério da Família, enviada hoje à Angop, indica que a formação durou cinco dias e teve como objectivo dotar os trabalhadores de conhecimentos sobre HIV-SIDA e outras patologias, que deverão ser partilhados no local de serviço.

O documento refere que o curso foi dirigido aos trabalhadores do ministério e da direcção provincial de Luanda do sector, no âmbito do sub-projecto de saúde denominado “Kuanesa”.

O sub-projecto “Kuanesa” é financiado pelo Projecto “Hamset” do Ministério da Saúde de Angola (Minsa) e significa dividir, distribuir ou repartir informações sobre o VIH e SIDA e outras doenças com colegas ou familiares mais próximos.

Os vinte participantes do encontro aprimoraram os seus conhecimentos no que toca ao “Perfil do Educador de Pares” e “Promoção da Saúde e a Importância da Comunicação”.

Temas como “A Transmissão e Prevenção das ITS incluindo o HIV-SIDA, a malária, a tuberculose”, “Aspectos ligados ao estigma e descriminação”, bem como “A Lei do SIDA”, mereceram também tratamento, segundo a nota.

São objectivos do projecto a mudança de comportamentos que favoreçam as medidas de prevenção e diminuir a probabilidade de transmissão destas endemias, o combate a descriminação, bem como a estigmatização de portadores do HIV-SIDA e da tuberculose no local de trabalho.

O Projecto Hamset é parceiro do governo angolano no processo de encorajamento de comportamentos que favoreçam a promoção da saúde no local de trabalho, através de programas de educação de pares.

O curso, que será extensivo aos trabalhadores do sector em outras províncias, é o primeiro do género e foi orientado por técnicos do Ministério da Saúde ligados a matéria.

(AngolaPress – 13.05.2008 )





Mães positivas afirmam que contar sorologia aos filhos fortalece amor e amizade

19 05 2008

“Eles se tornam mais amigos da gente, o carinho aumenta”, disse Nalva da Silva Andrade. Para ela, quando mães positivas contam aos filhos sobre a infecção pelo HIV, o amor e a amizade ficam mais fortes entre ambos. Nalva tem dois filhos e mora no Guarujá, baixada santista em São Paulo, e vive com o vírus há cerca de 19 anos.

Silvia Almeida, também tem a mesma opinião. “A gente tem que colocar nossa felicidade acima de qualquer doença, os filhos são nossos reflexos”, acrescenta a ativista do GIV. A Agência de Notícias da Aids entrevistou as duas para contarem suas experiências no Dia das Mães. Confira.

Silvinha

Silvia tornou-se membro do Grupo de Incentivo à Vida (GIV) em 1996, depois de perder o marido e também ter se infectado pelo HIV. “Não contei de cara para meus filhos. Pensei como é que eu ia lidar com aquilo primeiro. Então, estruturei-me e fui buscar apoio ”, explica.

Na época, o segundo filho de Silvinha tinha 10 anos de idade e havia perdido o pai quando ainda tinha quatro anos. “Uma coisa muito importante foi que no GIV tem um grupo de crianças e adolescentes, chamado ‘Viver’. Meu filho foi aprendendo a desmistificar o HIV, a não ter preconceito. Isso me ajudou quando contei a ele”, afirma.

Já a primeira filha tinha 14 anos e viu o pai adoecer. “Ela sabia que tinha alguma coisa errada, mas precisava de uma explicação. Quando contei sobre a minha sorologia, ela foi categórica e disse: “tudo bem”. Meu mundo caiu, como ela podia dizer isso? Depois, percebi que esse “tudo bem” poderia significar um monte de coisas. Não era tudo bem sobre HIV, mas sim que ela me amava”, relembra.

“Hoje, tenho dois netos e me sinto mais mãe do que antes. O HIV não impede que eu realize meus sonhos como mãe e avó. Assim, o vírus não pode impedir nenhuma mulher de ser feliz na maternidade. A felicidade tem que estar acima do estigma e preconceito”, diz

“É nosso papel contar, somos espelhos dos nossos filhos. A gente consegue enfrentar o preconceito com o auxílio deles”, acrescenta.

Nalva da Silva Andrade

Nalva vive com o vírus há cerca de 19 anos e quando se infectou, tinha dois filhos, um menino com seis e outra menina com sete anos. “Só pensava em como iria criá-los. Eu chorava bastante, achando que ia morrer, já que naquela época o estigma era enorme”, conta. “Moro em comunidade e seria muito difícil eles assimilarem tudo, ainda mais por causa do preconceito na escola”, diz.

Em meados de 1991, Nalva trouxe a filha para São Paulo, na casa da avó da menina para conseguir lidar com o assunto. “Enquanto isso, tentei explicar para meu outro filho, mostrando para ele outros amigos que estavam passando pela mesma história”, relembra.

“Minha filha ficou meio triste quando soube, ainda mais porque vivia mais com minha mãe do que comigo”, acrescenta, afirmando que a situação foi superada um ano depois que a garota voltou a morar no Guarujá.

No meio da década de 90, Nalva filiou-se ao Movimento das Cidadãs Posithivas como forma de fortalecimento pessoal. “Fiz parte também da militância durante muitos anos. Hoje estou mais parada, sou ativista das antigas”, comenta. A vida dela voltava ao normal e,com o passar do tempo, passou a dar aulas sobre HIV/Aidse, falar de prevenção, em palestras.

Hoje, Nalva tem 45 anos, é dona de casa e namora há três meses outro homem que é soronegativo. “Essa história não me impede de ser feliz”, diz.

“As mulheres são muito vulneráveis. A mensagem que quero deixar para as mães é que o ideal é conversar com os filhos, devagar. Não esconda a história porque é mais difícil. Se eles descobrem depois, ficam revoltados. Os filhos se tornam mais amigos da gente, o carinho aumenta quando confiamos neles”, alerta.

“Amor é a base de tudo. Se a gente não ensina, eles no futuro, poderão se infectar também”, finaliza.

(Rodrigo Vasconcellos/Agencia de Notícias da AIDS – 11.05.2008 )





BURUNDI: Política de HIV ignora deficientes

19 05 2008

BUJUMBURA, 14 Maio 2008 (PlusNews) – Fabien Hamisi não pode ouvir ou falar, mas não o chame de mudo apenas porque ele se comunica através de uma língua que não é entendida por todos.

Hamisi é o director executivo da Associação Nacional para Surdos do Burundi, cujo objetivo é facilitar a comunicação dos deficientes auditivos ensinando a eles a linguagem de sinais.

A política de HIV/SIDA no Burundi não tem determinações especiais para a educação de deficientes sobre o HIV, portanto, essa parcela da população permanece em grande parte desinformada até mesmo dos factos básicos sobre o vírus.

“Na televisão nós vemos apenas imagens, mas sem intérprete não há mensagem”, diz Hamisi.

Poucos deficientes auditivos têm acesso à educação formal e as poucas escolas privadas para deficientes auditivos não avançam além do ensino primário. Como resultado, eles não apenas perdem os programas de HIV/SIDA ensinados na escola, mas muitos nunca aprendem a ler, escrever ou até mesmo usar sinais.

A maioria comunica-se utilizando sinais inventados que só são compreendidos pelos membros mais próximos da família. Entretanto, a Associação Nacional para Surdos começou recentemente a ensinar-lhes a linguagem de sinais formal e está a educá-los sobre os perigos do HIV.

“É a única mensagem sobre HIV/SIDA a que pessoas como eu têm acesso”, disse Charles Njejimana, um dos beneficiados por esse treinamento.

Os deficientes auditivos não são o único grupo de deficientes excluído da educação sobre HIV/Sida. “Deficientes auditivos ou visuais não têm mensagens adaptadas às suas limitações, aqueles com deficiências físicas não podem chegar aos lugares onde tais informações estão disponíveis, como reuniões públicas ou centros de saúde”, revelou Pierre Claver Seberege, presidente da Assembléia Nacional dos Portadores de Deficiência.

''Muitos comerciantes procuram ter relações sexuais com deficientes para atrair prosperidade para seus negócios.''

Num encontro sobre HIV e deficientes em Abril, na capital Bujumbura, Immaculée Nahayo, Ministra da Solidariedade Nacional, também responsável pelos assuntos relacionados aos direitos humanos, afirmou que o Burundi tem uma estimativa de 15 mil deficientes seropositivos.

Especialmente vulneráveis

Handicap International, organização não-governamental que organizou o encontro, apóia 15 associações de portadores de deficiência no Burundi, treinando-os para ser educadores de pares e ensinando técnicas como alfaiataria e carpintaria.

Come Niyongabo, coordenador de programas na Handicap International, ressaltou que pessoas com deficiências eram com frequência vistas equivocadamente como sexualmente inactivas. Ele observou que, na tradição burundiana, uma criança nascida com uma deficiência de qualquer tipo é vista como uma maldição – alguém a ser escondido dos olhos do mundo.

“Essa marginalização é a razão pela qual as mulheres deficientes são menos propícias a casar-se, ou tendem a aceitar qualquer proposta (sexual) de homens”, disse Niyongabo. “É fácil encontrar mulheres e raparigas deficientes grávidas porque elas consideram que conceber uma criança irá valorizá-las aos olhos da comunidade; isso as expõe a diversos parceiros sexuais e, portanto, a um maior risco de contrair HIV”.

Mulheres com deficiências são também presas fáceis para estupradores, já que muitas não podem se defender de ataques físicos. Alguns burundianos acreditam inclusive no mito de que ter relação sexual com uma menina portadora de deficiência está associado à boa sorte.

“Muitos comerciantes procuram ter relações sexuais com elas para atrair prosperidade para seus negócios”, comentou Niyongabo.

Delegados presentes no encontro solicitaram ao governo que incorpore os deficientes na política nacional de tratamento, cuidados e prevenção ao HIV, e que encoraje a participação deles em todos os níveis de tomada de decisão sobre a epidemia.

“Todas as pessoas envolvidas no sector deveriam desenvolver mensagens específicas para levar em consideração as diferentes formas de deficiência: mensagens específicas para aqueles com deficiência auditiva ou visual e até mesmo para os deficientes mentais”, disse Seberege, da Assembléia Nacional dos Portadores de Deficiência.

Os portadores de deficiência também foram desafiados a ser mais directos quanto às suas necessidades e a responsabilizar-se pelos assuntos relativos à sua saúde.

(PlusNews-14.05.2008 )