IX Congresso Virtual HIV/AIDS. A INFECÇÃO VIH E O DIREITO

14 05 2008

Em primeiro lugar pretendia desejar as boas vindas a todos aqueles que irão participar em mais um congresso virtual e pretendia agradecer à organização AIDS/Portugal o honroso convite que constitui a co-presidência desde congresso.

Após mais de vinte e cinco anos de infecção VIH/SIDA penso que é tempo de fazer uma reflexão e uma revisão dos aspectos do direito e da ética associados a esta pandemia.  É importante conhecer a legislação que foi sendo publicada ao longo do tempo, as questões éticas que surgiram e também as áreas de vazio legislativo que ainda subsistem.

Nem sempre a evolução da medicina e do direito caminharam de mãos dadas. A medicina tem conhecido avanços importantes, especialmente ao longo da segunda metade do século XX.  A infecção VIH constituiu um desafio sem precedentes para a humanidade dado a sua disseminação poder efectuar-se através das mesmas vias utilizadas para a perpetuação da espécie.

Tal como outras pandemias do passado também esta tem estado associada à destruição da organização social e económica, à geração de pobreza e de infelicidade mas também tem permitido uma reflexão sobre a natureza profunda e o entendimento do que é a própria humanidade, afinal um pouco do que somos todos nós e cada um em particular.

Nunca terá existido uma resposta tão rápida da medicina e da tecnologia, com aplicação quase em tempo real dos conhecimentos que foram surgindo neste âmbito, essencialmente visíveis e com impacto nos últimos dez anos.
Saliento os aspectos da clínica e da terapêutica mas em especial os avanços extraordinários do diagnóstico e da monitorização e caracterização ao nível molecular tanto da infecção como do hospedeiro que permitirão, num futuro próximo, um tratamento personalizado de acordo com as diferenças de cada indivíduo.

Como é do senso comum a evolução não correspondeu sempre a uma linha recta ou ao caminho mais curto para um determinado objectivo, sendo importante a cada momento a definição de regras e a reflexão necessária que nos permita caminhar de forma segura para a próxima etapa.
Isto, é o que pretendemos que seja este congresso – um espaço de reflexão, de revisão e de interacção entre a medicina e o direito.

A todos, os meus agradecimentos.

Vítor Manuel Jorge Duque
Doutorado em Medicina Interna/Infecciosas.
Assistente Graduado de Infecciologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra.
Coordenador da Unidade funcional Laboratório de Virologia.
Presidente da Sociedade Portuguesa de Virologia.
Membro da Direcção da Associação Portuguesa para o Estudo Clínico da SIDA (APECS).

(AidsPortugal – 13.05.2008 )





Antidepressivo pode ajudar contra câncer e HIV, diz estudo

14 05 2008
Um estudo conduzido por pesquisadores americanos sugere que os antidepressivos podem ajudar o sistema imunológico a lutar contra doenças graves, como câncer e HIV/Aids.

Os cientistas da Universidade da Pensilvânia, na Filadélfia, afirmam que as células brancas – que uma vez instaladas em células infectadas provocam sua autodestruição – podem ser mais eficazes sob o efeito de antidepressivos.

A pesquisa foi motivada por estudos anteriores que concluíram que o estresse e a depressão podem acelerar os malefícios do câncer e do vírus HIV.

Para testar a hipótese de que os antidepressivos podem ajudar no combate dessas doenças, os especialistas recrutaram um grupo de mulheres infectadas com o vírus HIV. Algumas apresentavam quadro depressivo e outras não.

As voluntárias foram tratadas com três medicamentos contra depressão e estresse.

Dois deles, o citaloprama e a antagonista de substância P CP – 96345, aumentaram a atividade das células do sistema imunológico. Já o terceiro antidepressivo, o esteróide RU 486, não produziu efeitos.

“A pesquisa nos fornece evidências de que as funções das células de defesa podem ser ampliadas sob o efeito de inibidores específicos da recaptação da serotonina em pacientes depressivos e não-depressivos”, disse o coordenador da pesquisa, Dwight Evans.

O estudo foi publicado na revista especializada Biological Psychiatry.

(BBC Brasil – 12.05.2008 )

 




ICurso de Actualização sobre Tuberculose e SIDA 27 – 30 de Maio de 2008 – Maputo

14 05 2008




Genótipo de agente da tuberculose achado no Rio pode ter virulência maior

14 05 2008

Um terço dos casos de tuberculose ocorridos na cidade do Rio de Janeiro entre 2002 e 2003 foi causado por cepas de Mycobacterium tuberculosis que apresentam um genótipo particular e que podem ter virulência diferente do normal. A descoberta foi feita por um recente estudo realizado pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC) da Fiocruz, em parceria com pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos. Durante a pesquisa, identificou-se uma “família” de linhagens do bacilo, chamada RDRio, tendo em comum a perda de uma grande fração do DNA de uma bactéria ancestral, num processo chamado deleção. Esta é a maior deleção já encontrada entre as variedades de M. tuberculosis no mundo que pode ter conseqüências para a transmissão e o combate à doença, que ainda estão sendo estudadas. Apesar dos dados analisados serem referentes a 2002 e 2003, os pesquisadores acreditam que a proporção de casos causados pela cepa se mantém estável.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a tuberculose registra cerca de 9 mil casos anuais no Rio de Janeiro. A principal causadora da doença é a bactéria M. tuberculosis, que tem suas linhagens diferenciadas por pequenas alterações do DNA. Tais modificações podem ocorrer através de inserções, inversões, duplicações e vários outros eventos genéticos. A variedade RDRio, encontrada pelos pesquisadores, tem sua origem numa recombinação homóloga, que gerou uma deleção única, com a perda de cerca de 0,5% de todo seu genoma.

“Já foram encontradas linhagens com outras deleções prevalentes em outras regiões do mundo, por exemplo, na África do Sul, mas nunca apresentando uma deleção ou uma prevalência deste tamanho”, explica o pesquisador Philip Suffys, do Laboratório de Biologia Molecular Aplicada a Microbactérias do IOC, responsável por parte da caracterização deste genótipo no Brasil. “Essas diferenciações acontecem por acaso, mas sua sobrevivência até hoje e sua expressividade indicam que a perda deste pedaço considerável de material genético lhe dá alguma vantagem competitiva”, diz ele.

Suffys afirma que ainda é cedo para saber detalhes sobre a virulência, disseminação ou sintomas causados por este genótipo. Porém, explica que o estudo, publicado na edição de dezembro da revista Journal of Clinical Microbiology, apontou que entre os genes pertencentes à deleção havia dois do tipo conhecido como “PPE” (Proline-Proline-Glutamic acid), além de outros com função metabólica ou ainda desconhecida. “Os genes PPE são geralmente associados com variabilidade na apresentação de antígenos durante a resposta imune”, conta Suffys. “A ausência destes genes poderia tornar estas cepas menos visíveis por nosso sistema de defesa”.

Presença da bactéria no território brasileiro pode ser maior

O pesquisador considera que mais testes são necessários para que se determinem as diferenças que essa deleção pode trazer para a bactéria. “Ainda estamos na fase inicial das testagens, não há dados conclusivos para sabermos se sua virulência foi alterada”, explica.

Apesar do grande número de casos relacionados à infecção por este genótipo de M. tuberculosis no Rio de Janeiro, Suffys afirma que sua origem e distribuição ainda precisam ser esclarecidas. Ela faz parte de um grupo de linhagens de M. tuberculosis denominado Latin American Mediteranean (LAM), muito comum em outras partes do Brasil e do mundo. “Apesar de ser denominada RDRio, é possível que ela apareça em outros pontos do território brasileiro, onde talvez seja ainda mais disseminada do que no Rio de Janeiro”, o especialista pondera. “Outras linhagens desse grupo já foram observadas dentro e fora do Brasil e temos evidências preliminares de que o mesmo ocorre nesse caso”.

Caso essa previsão se confirme, de acordo com o pesquisador, será necessário ter mais atenção quanto à utilização de novas formas de diagnóstico da tuberculose. Suffys explica que, nesse caso, será preciso tomar cuidado para que eles não sejam baseados em informações contidas em trechos de DNA que façam parte da deleção da linhagem RDRio. “Essa deleção supostamente não terá muita influência em relação à imunização, pois acredita-se que a vacina BCG não funciona somente à base de um pedacinho do DNA, mas estimula o sistema imune utilizando parte considerável do genoma”, explica o pesquisador. “O que poderia ser mais importante é uma virulência maior da cepa RDRio o que levanta a hipótese de tornar a vacinação menos eficiente ou causar uma doença de forma clínica mais agressiva”, conclui.

Abandono do tratamento é amplo e preocupa

A tuberculose é uma doença infecto-contagiosa, causada pela bactéria M. tuberculosis, que atinge principalmente o pulmão, mas pode afetar outros órgãos, como rins e meninges. Ela é transmitida de forma direta, de pessoa para pessoa, através do ar ou de objetos contaminados. Os principais sintomas, que no inicio podem ser fracos e dificultar o diagnóstico, são tosse persistente, com ou sem catarro, febre, principalmente à tarde, sudorese noturna, falta de apetite e emagrecimento. O diagnóstico é feito através do exame do escarro e de raio-x do tórax do paciente. Apesar de ser 100% curável se tratada no início, o índice de abandono do tratamento, realizado com antibióticos, é grande, por ser um processo longo, em que os sintomas regridem logo nos primeiros meses. Por isso, é importante que os pacientes procurem ajuda médico logo e só parem o tratamento após a liberação do médico. A vacina BCG, que deve ser aplicada ao nascer e protege, principalmente, contra formas mais graves da doença. O Brasil ocupa hoje, segundo a Organização Mundial da Saúde, a 15ª posição entre os 22 países com maior numero de casos de TB no mundo.

Fonte: Agência Fiocruz de Notícias

(Agencia de Notícias da AIDS – 13.05.2008 )





Glaxo ‘minimizou’ alerta de ataque cardíaco de anti-retroviral, diz o tablóide inglês The Independent. Empresa declara que não encontrou risco associado com o Abacavir em seus estudos clínicos

14 05 2008

A multi-nacional GlaxoSmithKline (GSK) minimizou um alerta sobre o crescente número de pessoas que sofreram ataques cardíacos depois de utilizar uma das suas drogas, o abacavir. A informação é do tablóide inglês The Independent, publicado nesta última segunda (12). Em março deste ano, oficiais de saúde dos Estados Unidos disseram que iriam rever a segurança de medicamentos de Aids vendidos pelas companhias GlaxoSmithKline e Bristol-Myers Squibb, depois que um estudo mostrou um risco maior de ataque cardíaco, em comparação com outros medicamentos de HIV. A empresa disse que “em nossa própria análise dos ensaios clínicos com mais de 9600 doentes, não há aumento do risco de ataque cardíaco associado com o abacavir”.

Glaxo ‘minimizou’ um alerta de risco de ataque cardíaco em droga contra a Aids

A multi-nacional GlaxoSmithKline (GSK) minimizou um alerta sobre o crescente número de pessoas que sofreram ataques cardíacos, depois de utilizar uma das suas drogas, o abacavir. A medicação anti-Aids é usada por milhares de pessoas em todo o mundo.

A GSK foi oficialmente informada do possível risco em maio de 2005, três anos antes a companhia emitiu uma declaração dizendo aos seus investidores que as conclusões de uma potencial ligação entre os ataques cardíacos e o abacavir eram “inesperadas” e “não-confirmadas”. A empresa disse também que não pôde encontrar uma associação entre o uso do abacavir e os ataques cardíacos, depois de vasculhar dados internos. No entanto, a farmacêutica falhou ao não mencionar que seu próprio resumo das características do remédio, emitido quando a droga foi lançada no fim dos anos 90, havia descrito uma “degeneração ligeira do miocárdio” em ratos que receberam a droga por dois anos.

Alguns cientistas que acompanham a segurança de drogas contra a Aids estão particularmente furiosos pelo fato da GSK ter minimizado o significado de um dos maiores testes de segurança do abacavir – um dos anti-retrovirais usados em terapia contra o HIV – quando os achados foram publicados no mês passado.

“A GSK foi extraordinariamente bem preparada em termos de uma declaração que minimizou o significado dos resultados”, disse um cientista próximo do estudo de segurança. “Como conseqüência, as pessoas estão confusas. Elas pensam que existe algo errado, devido a GSK afirmar não poder encontrar evidências para apoiar conclusões de uma ligação com enfarte do miocárdio [ataque cardíaco].”

Alastair Benbow, diretor médico da GSK na Europa, disse que a empresa leva a sério informações sobre segurança das drogas, mas não quis realçar aquilo que pode ser uma “falsa observação” sobre o abacavir.

O primeiro sinal público de associação do abacavir com aumento de ataque cardíaco foi publicado pela revista The Lancet, com o estudo “DAD” que mostrou reações adversas aos medicamentos anti-HIV após observações clínicas de 33.347 pacientes soropositivos em toda a Europa, Austrália e Estados Unidos.

O estudo concluiu que o risco de ter um ataque cardíaco em doentes tratados com abacavir foi quase o dobro do que doentes infectados pelo HIV que não tomaram a droga.

Cientistas independentes que analisaram os resultados do estudo DAD disseram que os dados não eram fortes o suficiente para estabelecer um nexo de causalidade porque isso teria exigido um tipo diferente de estudo; mas eles afirmaram que o observado aumento de risco de ataques no coração foi ” muito forte para ignorar “.

Os mesmos cientistas também apontaram que os estudos sobre o qual a GSK baseou-se para lançar dúvidas sobre o DAD não foram suficientemente fortes para desfazer um elo de ligação entre a droga e ataque cardíaco.

Para coincidir com a publicação The Lancet, a GSK emitiu uma declaração para seus investidores jogando para baixo a associação entre o abacavir e os ataques cardíacos.

A declaração não disse que a GSK tinha tomado conhecimento, três anos antes, de um relatório envolvendo 34 casos de ataques cardíacos em doentes tratados com o abacavir. O relatório ou “sinal” foi enviado à empresa em maio de 2005 pelo Uppsala Monitoring Centre in Uppsala, na Suécia.

Didier Lapierre, vice-presidente de desenvolvimento clínico da GSK, disse aos investidores, no momento do estudo DAD, que o aumento do risco relativo de ataques de coração era fraco em termos absolutos e que os doentes não deviam interromper o tratamento sem orientação médica.

“As conclusões do DAD são inesperadas, uma vez que não vimos resultados semelhantes em nossos estudos, e nós não temos conhecimento de qualquer mecanismo de potencial biológico que possa explicá-las. Em nossa própria análise dos ensaios clínicos com mais de 9600 doentes, não há aumento do risco de ataque cardíaco associado com o abacavir”, disse o Dr. Lapierre.

O FDA nos Estados Unidos e a Agência Européia de Medicamentos disseram que não existe qualquer razão para alterar a prescrição do abacavir. Mas ambos vão rever a segurança dos dados sobre a droga em relação aos ataques cardíacos.

Fonte: The Independent

 

No mês de março, a filial brasileira já emitiu comunicado sobre o estudo DAD à imprensa. Veja a seguir.

Declaração da GSK sobre o Abacavir:

Os resultados do estudo D:A:D são inesperados pois não há nada no funcionamento do medicamento que possa explicar este achado. De fato, o abacavir não aumenta os níveis de lipídeos ou de glicose, que são os fatores de risco claros para doenças cardiovasculares.

A GSK investigou seus próprios dados clínicos e os do monitoramento pós-lançamento do medicamento com cuidado e não encontrou qualquer sinal de aumento de risco de ataque cardíaco neles. Nós também não estamos cientes de qualquer literatura publicada até hoje que dê razões para se acreditar em aumento de risco de ataque cardíaco com abacavir. É importante notar que o estudo D:A:D foi apenas apresentado em poster e não foi sequer publicado.

A GSK considera os dados relativos à associação de enfarte miocárdico com o tratamento com abacavir inconclusivos.

(Agencia de Notícias da AIDS – 13.05.2008 )





Dia das Mães: Feminização da AIDS aumenta e transmissão vertical cai 51% na última década

14 05 2008

Neste próximo dia 11, o Brasil comemora mais um Dia das Mães. No País, o aumento do número de casos de 44% de infecção pelo HIV na população feminina durante a última década, entre 1996 e 2005, fez com que o Ministério da Saúde lançasse o Plano de Enfrentamento da Feminização da Aids e outras DST. Por outro lado, houve uma redução de 51,5% na taxa de transmissão vertical (mãe para filho) no mesmo período. “As mães que são positivas jamais devem deixar de esconder a verdade para os filhos”, disse Sandra*, faxineira que trabalha na zona leste da capital paulista. Para celebrar a data deste domingo, a Agência de Notícias da Aids consultou três mães para contarem experiências que passaram ao revelarem a infecção. Confira hoje o primeiro perfil.

Quando a Aids surgiu no Brasil, na década de 80, chegou-se a ter 1 caso em mulher para cada 26,5 em homens. A proporção caiu e está em 1,5 (homem) para 1 (mulher). O plano de enfretamento tem como meta dobrar o percentual de mulheres que fazem testes de HIV, hoje de cerca de 35%, reduzir a transmissão vertical (de mãe para filho) de 4% para menos de 1% até o fim de 2008, aumentar a compra de preservativo feminino de 4 milhões para 10 milhões em 2008 e eliminar a sífilis congênita.

Contar ou não para os filhos?

Contar sempre e jamais esconder a verdade. Esta é a opinião de Sandra*, moradora da zona leste de São Paulo. Há oito anos infectada pelo HIV, ela tem duas filhas, sendo uma com 14 e outra com 12 anos de idade. “A iniciativa de explicar a elas partiu de mim”, disse.

Sandra tem 38 anos de idade e preferiu contar a situação o quanto antes para a filha mais velha, que tinha 7 anos na época. “Expliquei desde que elas eram pequenas e isso ajudou a não ter reação negativa”, afirmou.

Depois de lidar com a infecção do HIV, ela se integrou ao Projeto Bem-Me-Quer, que atua em locais como Perus e Franco da Rocha, bairros da periferia da Grande São Paulo (veja o site da instituição).

“A gente tem que ser forte e explicar a situação, não ter medo da verdade, pelo menos com os filhos, porque eles podem te ajudar”, contou.

Na tarde deste domingo,a Agência Aids vai publicar mais dois perfis de mães soropositivas para comemorar o Dia das Mães.

(Rodrigo Vasconcellos/Agencia de Notícias da AIDS – 10.05.2008 )

*nome trocado a pedido da entrevistada





G1 dá dicas para quem quer ser mamãe

14 05 2008

Alguns cuidados especiais são fundamentais na hora de planejar a gestação. Para auxiliar as mamães de primeira viagem nesse período tão importante, o G1 conversou com a médica Denise Coimbra, ginecologista especialista em Reprodução Humana, sobre quais os exames necessários na gravidez, além de cuidados com alimentação e exercícios físicos.

Segundo Denise, o primeiro passo assim que se descobre que está grávida é procurar seu médico. As visitas do pré-natal costumam ser mensais até o sétimo mês de gestação, passam a ser quinzenais no oitavo mês e semanais no decorrer do nono mês de gravidez.
                                         

 Exames médicos

Para começar o pré-natal, alguns exames laboratoriais são obrigatórios:
-Anemia;
-Diabetes;
-Sífilis;
-Toxoplasmose;
-HIV;
-Tipagem sangüínea e fator RH;
-Rubéola;
-Urina;
-Protoparasitológico.

Na 11ª semana de gestação, a futura mamãe já pode fazer seu primeiro ultra-som. Para o médico, segundo explica Denise, esse exame é importante porque acerta a idade gestacional e define se a gravidez é única ou gêmeos. Esse ultra-som é também importante para detectar alguma má-formação, como a síndrome de Down, por exemplo.

Entre a 29ª e 30ª semana de gravidez, a recomendação é repetir todos os exames que podem evitar a transmissão para o bebê de vírus como o HIV (vírus da Aids), HTLV tipos I e II (associados à leucemia, linfoma e alterações neurológicas) e os vírus da hepatite B (HBV) e C (HCV).

Na 31ª semana, um novo ultra-som pode ser solicitado para avaliação do crescimento fetal, determinação do peso estimado, e outras avaliações necessárias aos médicos.
                                                

 Exercícios Físicos

Até a 9ª semana, a gestante não deve fazer nenhuma atividade física. O recomendado, segundo Denise, depois desse período, é fazer caminhadas, alongamentos e ioga até perto do parto. Uma atividade com bons resultados é a hidroginástica, mas só a partir do quarto mês de gravidez.
                                             

 Cuidados com o convênio médico

Desde quando souber que está grávida e começar o pré-natal, a gestante deve se inteirar sobre a cobertura do seu plano de saúde. A partir do sexto mês de gravidez, o ideal é que a futura mamãe comece a visitar as maternidades que estão em seu plano e decidir com seu médico qual poderá atendê-la melhor.

Segundo Denise, a escolha do médico que irá acompanhar a mulher no parto deve ser da própria gestante. “É importante que o médico que acompanhe o pré-natal e cuide da saúde pós-parto seja um profissional de confiança. Para a gestante que só pode usar os médicos do convênio, é bom pedir indicação de amigas e parentes”, afirma.
                                           

 Alimentação

Para Denise, comer mais vezes ao dia e em menor quantidade é fundamental durante a gravidez. “A gestante deve evitar seguir dietas da moda, e não ligar para ’segredinhos’ de amigas, sogra, mãe e comadres. Um dos maiores perigos é que muitas gestantes cortam o carboidrato para não engordar, sem saber que o carboidrato e a gordura são importantes para a formação do feto e para a mãe durante toda a gestação”, explica.

Até a 9ª semana, ainda de acordo com Denise, a grávida tem muitos enjôos. A indicação é comer melhor pela manhã. Isso ajuda a minimizar o enjôo matinal e a rejeição pelo café-da-manhã. “Além disso, durante toda a gestação, a grávida deve usar a moderação e o bom senso para se alimentar e seguir orientação profissional de uma nutricionista”, diz.
                                           

 Cuidados especiais

Segundo Denise, a gestante pode sentir muito sono e estar mais distraída durante o período de gestação, por isso é muito importante ter cuidado no volante em trajetos longos. “Ela também deve evitar ambientes com muito fumo, como boates. Deve-se tomar cuidado com o uso de saltos altos e roupas apertadas, que limitem a respiração e incomodem os movimentos”, afirma.

E quando o assunto é a hora ideal para deixar o trabalho, a ginecologista afirma que cada caso é um caso. “A maioria das grávidas pára no fim do oitavo mês, desde que a gestação seja tranqüila e saudável. A regra é estar bem física e psicologicamente para desempenhar suas atividades no trabalho. Não tenha vergonha de pedir moderação nas rotinas e fazer pausas a cada duas horas para se alimentar e caminhar um pouco”, diz.

(G1Globo.com – 11.05.2008 )