Preservativos infantis

12 05 2008

O Movimento ‘Algarve Pela Vida’ insurgiu-se contra a forma como foi realizada uma acção de prevenção na área do planeamento familiar, na escola EB 2,3 Dr. António Sousa Agostinho, de Almancil (Loulé). Em causa está a distribuição de preservativos a crianças de 11 e 12 anos.

“O Centro de Saúde enviou à escola uma enfermeira, com o beneplácito do Conselho Executivo, para uma acção de formação sumária, efectuada em breves minutos, nas várias salas de aula, e que terminou com a entrega, a cada um dos alunos, de um conjunto de três preservativos”, explica Reis Cunha, do ‘Algarve Pela Vida’, que se insurge contra o facto de “a distribuição ter sido efectuada a miúdos com 11 e 12 anos”.

O Conselho Executivo da escola refuta as acusações e explica que “cumpre a legislação em vigor, no que respeita ao Programa Nacional de Saúde Escolar, onde se insere aquela acção”. Os docentes explicam que as sessões, a alunos dos 8.º e 9º anos, foram previamente agendadas com a enfermeira do Centro de Saúde, o coordenador do Projecto de Educação para a Saúde e directores de turma. “Foram, efectivamente, distribuídos preservativos aos alunos, por solicitação destes, numa perspectiva de prevenção e promoção da saúde”, explicam os responsáveis escolares.

As explicações não são suficientes para o dirigente da ‘Algarve Pela Vida’. Reis Cunha diz concordar com a Educação Sexual junto da população estudantil, mas reclama que “deve acontecer, primordialmente, dentro e a partir das famílias” e, no caso das escolas, “em clara sintonia e com prévia autorização dos pais, o que não aconteceu”. O responsável do Movimento mostra-se chocado com o facto de os pais só terem sabido da acção quando, ao chegarem à escola, viram os filhos a brincar com os preservativos, transformando-os em balões e em luvas. “A escola pede autorização aos pais para fazer, por exemplo, rastreios de obesidade infantil, mas distribui preservativos a menores, sem a prévia autorização dos pais, ou pelo menos da respectiva associação”, conclui.

Dulce Costa, presidente da Associação de Pais, embora confirme não ter recebido a informação da realização da acção, não concorda com o protesto, “porque a sessão foi bem feita e por uma profissional de saúde, que utilizou palavras adequadas aos jovens”. A dirigente associativa lembra as quatro adolescentes da escola que se encontram grávidas, considerando as acções muito positivas.

(Teixeira Marques/Correio da Manhã – 12.05.2008 )




Comportamentos sexuais e a infecção de VIH/Sida em Portugal

12 05 2008

Reportagem da TVI

http://www.tvi.iol.pt/informacao/noticia.php?id=948416#

(TVI-06.055.2008)





RD Congo quer plano de acções para assistir seus 40 mil órfãos da sida

12 05 2008

Ateliers de sensibilização às consequências nefastas da sida sobre as crianças em particular terão lugar em Junho nas 11 províncias da República Democrática do Congo (RDC) sob a égide do Programa Nacional Multissectorial de Luta contra a Sida (PNMLS) em colaboração com os seus parceiros.

Esta informação foi prestada sexta-feira em Kinshasa à imprensa pelo encarregado dos programas de atenuação do impacto do HIV/Sida no PNMLS, Jean Voulu.

Interrogado sobre o objectivo destas acções, Voulu indicou que a RD Congo quer ter uma política definida em matéria de assistência às crianças órfãs da sida porque não existe nenhum plano de acções nem estratégias nacionais a seu favor.

“Cada parceiro faz o que lhe parece bom de tudo que tiver como meios. Mas desta feita, queremos um plano de acções nacional, uma mesma estratégia, uma mesma visão em relação às intervenções a favor das crianças órfãs da sida”, deu a conhecer o médido, aludindo aos seus parceiros, designadamente o UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), a USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional) e a Iniciativa das Politícas de Saúde.

A RD Congo conta 40 mil crianças órfãs da sida, de acordo com as estatisticas publicadas pelo ministério congolês dos Assuntos Sociais, a que a PANA teve acesso sábado.

A cidade Kinshasa conta mais de cinco mil petizes nesta situação assistidos por Organizações Não Governamentais (ONG) de defesa dos direitos da criança, bem como por agências onusinas e humanitárias.

“Milhares destas crianças, caçadas pelos seus próprios pais, desenrascam-se diariamente para sobreviver na rua onde são vítimas de estruturas familiares duvudosas, da negligência e de abusos”, indicou à PANA o coordenador para a cidade de Kinshasa do Escritório Internacional Católico para a Criança (BICE), Floribert Kabeya Ibanda.

O combate diário é muito difícil para uma vida de criança. Muitas de entre elas, manipuladas ou exploradas por adultos sem escrúpulos, prejudicam a sua saúde fazendo trabalhos perigosos ou são constrangidas a violar a lei para sobreviver”, indignou-se.

Além das crianças órfãs da sida, o BICE leva a cabo programas de campo a favor das chamadas crianças bruxas, crianças soldados presas, jovens mães de filhos em situação difícil e outros menores que vivem na rua.





Cuba: Mais de 9.000 casos de VIH/Sida diagnosticados até ao final de 2007

12 05 2008

Cuba diagnosticou 9.304 casos de pessoas contagiadas com VIH/Sida até Dezembro de 2007, com maior prevalência nos homens, informou sábado a directora do Centro Nacional de Prevenção de Infecções de Transmissão Sexual e VIH, Rosaida Ochoa.

Cerca de 80 por cento dos portadores do vírus na ilha são do sexo masculino e, entre eles, 84 por cento são homens que têm sexo com outros homens, indicou Ochoa, que apresentou em Havana a Jornada pelo Dia Mundial contra a Homofobia e a Transfobia, que se celebra a 17 de Maio.

Até Outubro, a ilha havia diagnosticado 9.039 infectados, dos quais 3.427 estavam doentes e mais de 3.000 encontravam-se em tratamento anti-retroviral.

A especialista indicou que a relação de infecção em Cuba é de quatro homens por mulher, pelo que este ano a campanha de prevenção do VIH/Sida estará centrada nos homens que tenham sexo com outros homens, sem abandonar o programa dirigido às mulheres.

Um estudo realizado em 2007 pelo Instituto Nacional de Estatísticas revelou que os portadores homossexuais do VIH sentem maior discriminação social pela sua orientação sexual do que por estarem contagiados com o vírus, disse.

(RTP – 11-05-2008 )





ÁFRICA: Epidemia mais rápida que a resposta

12 05 2008

JOHANNESBURG, 12 Maio 2008 (PlusNews) – Em menos de um mês, representantes de governos e activistas da SIDA do mundo todo se reunirão em Nova Iorque para uma revisão da resposta mundial à epidemia.

Os relatórios nacionais de progresso, entregues há alguns meses, serão comparados aos objectivos fixados em 2001 por ocasião da Sessão Especial da Assembléia Geral das Nações Unidas sobre HIV/SIDA (UNGASS, em inglês).

Com base na revisão dos relatórios dos países da África oriental e austral, as regiões mais afetadas pela crise do HIV/Sida, especialistas do Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV e SIDA (ONUSIDA) já concluíram que apesar do progresso significativo em áreas como tratamento, muitos dos objetivos da UNGASS ainda estão longe de ser alcançados.

“Os dados apresentados pelos países confirmam que, de modo geral, a expansão do acesso a todos os serviços não está a acompanhar o ritmo da expansão da epidemia nesta região”, disse Mark Stirling, diretor da ONUSIDA para a África oriental e austral.

Os países tiveram que fornecer dados em relação a 25 indicadores principais, para acompanhar o progresso em áreas como prevalência do HIV, educação, fornecimento de tratamento antiretroviral (ARV), adesão aos preservativos e assistência aos órfãos.

Na área da prevenção, descrita na Declaração de Compromisso de 2001 como “a base da resposta”, o progresso tem sido particularmente decepcionante, com alguns países tendo até registado um retrocesso em relação à última rodada de relatórios em 2006.

Zâmbia, Uganda, Ruanda e Angola mostraram um declínio no uso do preservativo entre 2005 e 2007, enquanto a adesão aos serviços de prevenção da transmissão vertical diminuiu em Angola, na Tanzânia e na Zâmbia.

As crianças ainda representam um em cada seis novos casos de infeção pelo HIV no mundo em 2007, segundo o ONUSIDA. Embora alguns países na região tenham visto uma queda na seroprevalência entre jovens de 15 a 24 anos – a faixa etária que fornece a melhor indicação sobre novas infecções em adultos –, em outros ela continuou estável ou aumentou um pouco.

Em 11 países com alta seroprevalência onde pesquisas foram recentemente realizadas, somente cerca de 15 por cento dos órfãos estavam a viver em lares que estavam a receber alguma forma de assistência médica, financeira ou psicossocial, o que representa um aumento de somente 5 por cento desde 2005.

Reconhecendo as tendências pouco encorajadoras relatadas por alguns países, Andy Seale, conselheiro regional do ONUSIDA, enfatizou a importância de examinar-se os dados levando em conta o contexto fornecido pelos relatórios.

Muitos países tiveram dificuldades para recolher dados para os 25 indicadores. “É muito difícil para alguns deles alinhar seus mecanismos de monitorização e avaliação às nossas exigências”, notou Seale, acrescentando que os relatórios não se baseavam unicamente em fontes do governo.

“Fizemos um grande esforço para assegurar que fossem relatórios nacionais, não somente governamentais; acho que podemos estar relativamente confiantes em relação aos dados”, disse Seale.

''A sociedade civil já sofreu muitos desgastes durante estes eventos mundiais, e não sei bem quanto mais podemos nos beneficiar deles.''

O relatório nacional da África do Sul indicou que não havia dados disponíveis para 17 dos 25 indicadores, na maioria dos casos porque as pesquisas são efetuadas a cada cinco anos.

O resumo do ONUSIDA reconheceu os aumentos “extraordinários” na cobertura do tratamento em países como Ruanda, onde 60 por cento dos que necessitavam de ARVs estavam a recebê-los em 2007, comparado a um por cento em 2003.

Estima-se que três milhões de pessoas de países de média e baixa renda estavam a receber ARVs no final de 2007, um aumento de 50 por cento em relação a Dezembro de 2006.

Longo prazo

As expectativas em relação à reunião da UNGASS em Nova Iorque são provavelmente influenciadas pelo que muitos descrevem como um resultado decepcionante da última reunião, em 2006. Uma tentativa de atingir um consenso entre países com atitudes e prioridades conflituosas resultou numa declaração que a maioria dos grupos da sociedade civil considerou como fraca e desprovida de objectivos.

Sisonke Msimang, diretora da Open Society Initiative for Southern Africa (OSISA), instituição que esteve altamente envolvida nos esforços internacionais para apoiar a ida das organizações a Nova Iorque em 2006, disse que a OSISA reduziria seus esforços para a reunião deste ano.

“Ainda é importante que agentes africanos e suas vozes sejam representados nestes espaços e fóruns, mas nossas expectativas não são tão grandes quanto no passado”, disse Msimang. “Muitos recursos estão a ser empregados em procedimentos a longo prazo… A sociedade civil já sofreu muitos desgastes durante estes eventos mundiais, e não sei bem quanto mais podemos nos beneficiar deles.”

César Mufanequiço, coordenador nacional do Movimento Acesso ao Tratamento, baseado em Maputo, Moçambique, destacou que os alvos são importantes, mas é preciso encontrar melhores mecanismos para atingi-los.

“O comprometimento político para que as metas fossem atingidas não se formou em Moçambique”, lamentou. “Faltou harmonia entre os intervenientes. Existe uma completa descoordenação entre as acções do governo e da sociedade civil.”

Na área da prevenção, algumas organizações voltadas à SIDA estão a questionar-se sobre a utilidade do estabelecimento de metas de curto prazo como as da UNGASS, e estão a redirecionar seus esforços para estratégias de maior prazo e que enfatizem fatores sociais e culturais responsáveis pela epidemia do HIV/SIDA.

“Acho que os objectivos a curto prazo foram estabelecidos quando começou-se a enxergar a SIDA como uma epidemia; a necessidade de tratá-la como uma emergência é compreensível”, disse Seale. “Ainda é preciso fazê-lo, mas a tendência agora é considerar cada vez mais modelos a longo prazo.”

Para Omar Tamsir Sall, coordenador do ONUSIDA em Angola, é importante manter uma discussão permanente e reavaliar as metas de tempos em tempos.

“Precisamos avaliar o que é possível e identificar as fraquezas e determinar em que pontos podemos trabalhar”, explicou. “As metas são necessárias. Algumas são muito altas, outras menos desenvolvidas, mas é necessário revisá-las sempre.”

A reunião deste ano não vai publicar uma declaração, mas um “documento de resultados” que deverá conter apenas os relatórios das sessões.

Seale destacou que este evento continua a ser uma oportunidade para um aprendizado entre os países, o estreitamento das relações entre doadores e seus beneficiários, e fornece “uma pressão suplementar sobre os países, para garantir que estejam recolhendo dados e informações.”
(PlusNews – 12.05.2008 )





Religiosos: na primeira linha contra AIDS, ams com poucas ajudas

12 05 2008

Uma maior coordenação entre os institutos religiosos para elaborar eficazes propostas comuns e para contar mais nos organismos internacionais que dirigem os recursos financeiros destinados às emergências de saúde no mundo: este foi o pedido mais urgente do Fórum organizado de 3 a 5 de maio em Roma pela União de Superiores Gerais (USG) e a União Internacional das Superioras Gerais (UISG).

O encontro reuniu representantes de numerosas congregações empenhadas em lutar contra a difusão do vírus da Aids e que serviu para apresentar os resultados de uma pesquisa realizada em colaboração com a Agência das Nações Unidas para a luta contra a Aids (ONUSIDA) e com a Universidade de Georgetown.

Titulado «In loving service», um serviço de amor, representa a análise global do empenho dos institutos religiosos contra a praga da doença.

Segundo o informe, há países pobres nos quais os cristãos proporcionam até 40% dos serviços de saúde, mas não têm voz e são deixados sozinhos para combater suas batalhas, com escassos recursos.

A Aids é uma pandemia que, em dezembro de 2007, segundo estimativas, afetava mais de 33 milhões de pessoas no mundo. Houve 3 milhões de mortos apenas nesse ano.

Segundo a ONUSIDA, em 2005 mais de 15 milhões de jovens menores de 18 anos ficaram órfãos por causa do vírus e mais de 12 milhões deles residiam na África subsaariana.

Os jovens abaixo dos 25 anos – o futuro da humanidade – constituem a metade dos novos infectados do planeta. A China e a Índia, por causa do aumento exponencial do número dos habitantes, são os países que correm o risco mais elevado.

Desde o início da pandemia, os institutos religiosos católicos assumiram um papel fundamental ao cuidar diretamente dos enfermos e pessoas afetadas, na prevenção do HIV entre a população, em seguida assinalando os fatores culturais, políticos e sócio-econômicos que contribuem tanto à proliferação da síndrome como a suas conseqüências.

Os participantes representam cerca de 2 mil institutos de vida consagrada presentes na USG e UISG: um exército de sacerdotes e religiosos aos quais se somam três milhões de leigos que, em estreita colaboração, trabalham em cerca de mil hospitais, em mais de 5 mil dispensários e em 800 orfanatos (só na África).

Todos estes dados tornam finalmente visível, através do informe apresentado neste Fórum, um extraordinário serviço de amor.

(Nieves San Martin/Zenit-08.05.2008 )