Henrique Barros diz que ainda é cedo para tirar conclusões do estudo sobre comportamentos sexuais

9 05 2008

Coordenador Nacional para a Infecção VIH/Sida salienta resultados positivos do estudo do ICS e recusa conclusões antes de um relatório.

O estudo “Comportamentos Sexuais e a Infecção HIV/SIDA em Portugal” do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa revelou dados alarmantes sobre o número de portugueses que utilizam preservativo.

No entanto, para o Coordenador Nacional para a Infecção VIH/Sida, Henrique Barros, da estrutura que encomendou o estudo, não há motivo para alarme. “Temos de pôr as coisas em contexto. As gerações mais novas, com menos de 30 anos, já estão muito próximas dos 100 por cento de pessoas que alguma vez usaram preservativo”, explica, em declarações ao JPN à margem da abertura da exposição “De Ricardo Jorge ao séc. XXI, 150 anos de História de Saúde Pública”.

Segundo Henrique Barros, a análise apresentada no maior estudo feito em Portugal sobre comportamentos sexuais foi “meramente descritiva”, pelo que ainda não se podem tirar conclusões. “Estes dados são uma avaliação preliminar, por isso ainda não há um relatório escrito”, esclarece.

O coordenador salienta os dados positivos do estudo e realça o facto de existir uma evolução positiva do aumento do uso do preservativo. “O movimento é favorável, mas ainda não é suficiente. O que é importante é que daqui a uma década, quando fizermos outro inquérito, as coisas estejam francamente melhores, que as gerações mais novas mantenham o mesmo tipo de comportamentos, que são melhores do que os das gerações mais velhas”, afirma.

Henrique Barros destaca ainda a importância das campanhas de sensibilização, não só no uso de preservativo, mas também na adesão a testes de HIV/Sida. “Há claramente efeito do aumento do uso do preservativo e de testes de HIV/Sida. Nota-se que, à medida que o tempo passa, que há mais pessoas a terem a percepção de que devem falar com profissionais de saúde para perceberem as atitudes que têm de tomar”, realça.

(Jornalismo Porto Net – 09.05.2008 )





Comportamento sexual de risco dos portugueses

9 05 2008

 O inquérito “Comportamentos Sexuais e a Infecção HIV/SIDA em Portugal” encomendado ao Instituto de Ciencias Sociais (ICS), pela Coordenação Nacional para a Infecção por VIH tem motivado a produção de várias notícias ,muitas a agravarem a desinformação e o preconceito.

Já no início da pandemia o Programa Mundial sobre SIDA liderado por Johnathan Mann e o Instituto PANOS , alertavam para a importancia dos meios de comunicação social na resposta adequada à infecção por VIH. Nessa época (anos 80!) já se afirmava que apesar de cometerem muitos erros eram vistos como um importante aliado no processo de educação e na desconstrução do preconceito em relação às pessoas que vivem com VIH.

Traduzir a informação científica de forma adequada ao público ao qual se dirige pressupõe a definição de uma cuidada estratégia de comunicação.

Os leitores que estão na mailling list do Serviço de Notícias do CRIAS são, na sua maioria, activistas na resposta a esta pandemia. Apelo a todos que aproveitem este momento e tornem este blog um espaço de partilha de opinião e de esclarecimento aos que têm dúvidas.

Pela minha parte lanço o desafio com este vídeo do programa que foi ao ar ontem dia 8 de Maio, “Aqui e agora” (Sic Noticias) sobre “Comportamento sexual de risco dos portugueses”.

http://sic.aeiou.pt/online/scripts/2007/videopopup2008.aspx?videoId=%7B8E4FF425-0147-40FC-BADD-F221AF4AD047%7D

É precioso o vosso comentário.

 

 Saudações

Ethel Feldman





Consumo de álcool e drogas aumenta risco de doenças sexualmente transmissíveis

9 05 2008

Quem usa garante que tem mais e melhor sexo, mas também admite mais percalços e desatenções. Os investigadores avisam que o efeito de certas substâncias pode ser fatal

Um estudo patrocinado pela Comissão Europeia revela uma relação entre o uso de álcool e de drogas por parte dos jovens e comportamentos sexuais de risco.
De acordo com um inquérito feito a 1341 pessoas, de nove cidades europeias, com idades entre os 16 e os 35 anos, este tipo de substâncias é usado de forma estratégica quer  como factor de desinibição, quer  para melhorar a performance sexual.
Entre o grupo de inquiridos de Lisboa, a cidade portuguesa escolhida pelos investigadores, 66,7 por cento afirmaram já ter consumido cannabis e 27,1 por cento experimentado cocaína. Um quarto afirmou ainda ter consumido ecstasy. O álcool é, em todo o caso, a substância mais usada de muito longe, com um resultado de 99,3.
No geral, contabilizando os participantes das nove cidades, os dados mostram que 28,6 por cento dos consumidores de álcool fazem-no para facilitar a existência de encontros sexuais. Já o uso de cocaína tem como objectivos prolongar a relação sexual (para 26,3 por cento dos consumidores desta substância) e aumentar as sensações durante o acto sexual (28,5).
A cannabis e o ecstasy estão também associados, sobretudo, ao aumento de sensações durante o acto sexual (25,8 e 22,6).
Os investigadores concluem ainda que a iniciação sexual antes dos 16 anos está associada ao uso do álcool, da cannabis, da cocaína e do ecstasy. E que as pessoas que consomem drogas de forma regular têm mais parceiros sexuais.
A cocaína é apresentada como a droga mais indicada pelos inquiridos que querem “explorar a excitação”, que procuram “sexo invulgar” e “despertar sensações”. “Em grande medida é o afrodisíaco moderno”, concluem os autores do estudo, ontem divulgado à imprensa e que será publicado na revista BMC Public Health.
A comparação entre os utilizadores de cocaína regulares e aqueles que nunca experimentaram esta droga demonstrou que os primeiros são cinco vezes mais propensos a terem cinco ou mais parceiros sexuais no período de um ano, do que os últimos.
A mesma média é alcançada pelos consumidores de cannabis, cocaína ou ecstasy e pelos inquiridos que afirmaram ter estado bêbedos nas quatro semanas que antecederam o questionário.
Cocaína vista como sexy
Os autores do estudo, intitulado “O uso sexual do álcool e de drogas e os riscos para a saúde”, chamam a atenção para o facto de estes dados poderem ser lidos como positivos pelos jovens e da necessidade de as campanhas na área das doenças sexualmente transmissíveis contraporem os riscos associados a este tipo de comportamentos.
É avançado o exemplo de estas substâncias diminuírem, a prazo, a potência sexual. Mas não só: apesar de sobretudo a cocaína ser vista como uma substância sexy, frequentemente a actividade sexual acompanhada do seu consumo “resulta em decisões menos informadas”, em mais “relações desprotegidas” e em mais relações “de que as pessoas se arrependem”.
O número dos que assumiram ser consumidores regulares é de 91 em 1341 participantes no questionário, mas são os seus utilizadores os que disseram mais vezes ter tido relações nos últimos 12 meses (58,2 por cento tiveram mais de 50 vezes) e os que mais vezes não usaram preservativo.
O mesmo vale para quase todas as outras substâncias alvo de estudo. Aqueles que consumiram álcool de uma forma regular (1011 num total de 1341 inquiridos) tiveram mais sexo, mas também tiveram mais sexo de forma “totalmente desprotegida”.
A mesma tendência verifica-se entre os consumidores de ecstasy (mesmo os ocasionais) e de cannabis.

Amostra do estudo

A amostra do estudo, publicado na revista BMC Public Health não tem a intenção de ser representativa da juventude de cada cidade, antes se centra nos frequentadores da noite. Foi conseguida através da escolha de angariadores em cada uma das cidades europeias (Lisboa, Palma de Maiorca, Veneza, Ljubljana, Brno, Atenas, Viena, Berlim e Liverpool), que depois recrutaram outros inquiridos entre frequentadores da noite ou directamente nos próprios locais de divertimento nocturno. Os angariadores por país foram dois homens e duas mulheres, com idades inferiores a 19 anos, e duas pessoas de cada sexo com mais de 19 anos.
Cada um dos inquiridos indicou depois dez indivíduos da sua rede de amigos e foi instado a escolher três deles: um amigo chegado, um amigo distante e um com que tivesse uma relação intermédia. Estas pessoas foram depois convidadas a participar, iniciando-se um novo ciclo. Do total, 48,5 por cento dos participantes são do sexo masculino, a média de idades é de 21 anos, 56 por cento são solteiros e apenas 6,5 revelaram estar casados.

(Ricardo Dias Felner/Publico – 09.05.2008 )





Tintas das tatuagens são “reutilizáveis” e podem infectar

9 05 2008

Quando se pensa nos riscos de infecções envolvidos na realização de tatuagens associa-se quase sempre às agulhas, mas a presidente da Associação SOS Hepatites, Emília Rodrigues, lembra que as tintas são “reutilizáveis” e que os restos passam de uma utilização para outra.
A responsável sublinhou ainda que mesmo os estabelecimentos de piercings e tatuagens que abrem o material à frente do cliente podem não oferecer garantias de segurança. Isto porque unidades que aparentemente usam “material descartável” esterilizam muitas vezes o material nas suas instalações e depois voltam a embalá-lo com máquinas próprias. O problema é que o vírus da hepatite C sobrevive até aos 300 graus de temperatura, diz Emília Rodrigues, que refere o exemplo de uma unidade que esteriliza a apenas 120 graus.
O responsável pela consulta de hepatites víricas do Hospital de Santa Maria, Rui Tato Marinho, refere que o risco de contágio das hepatite B e C – as formas mais perigosas da doença – através de material infectado usado em tatuagens e piercings ou em manicures e pedicures é baixo (dois por cento), mas existe. E deu o exemplo de um doente que atendeu recentemente que tinha sido contaminado com hepatite B numa ida a um manicure fora de Portugal. O especialista, que falava num workshop para jornalistas sobre hepatites, defendeu “uma maior fiscalização nestas áreas”.
Tato Marinho lembra que na hepatite B, transmissível através de contacto com sangue e fluidos de pessoa infectada, existe vacina e está incluída no plano nacional de vacinação administrando-se em três doses na infância. Mas a sua inclusão data apenas de 2000 e, sendo uma doença transmissível por via sexual, há pessoas com actividade sexual que estão desprotegidas. Defende, por isso, que as pessoas por volta dos 30 a 40 anos se vacinem. Trata-se de uma doença com tratamento mas sem cura.
A presidente da Associação SOS Hepatites defende que as pessoas devem fazer rastreio às hepatites através do médico de família, bastando para isso o pedido de uma análise sanguínea. Mas alerta: “A análise sanguínea normal não inclui hepatites, têm que se pedir. O rastreio não é normal em centros de saúde e é no médico de família que deve começar o processo de descoberta”.
O especialista do Hospital de Santa Maria, que é também presidente da Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado, defende ainda que as crianças devem ser vacinadas contra a hepatite A a partir de um ano de idade, apesar de tal não ser obrigatório. A hepatite A é uma forma menos grave da doença que se transmite, por exemplo, através de mãos mal lavadas, às vezes em creches. A vacina não faz parte do plano nacional de vacinação e admite que a sua inclusão não seja uma prioridade.

(Publico – 09.05.2008 )





Rio Claro faz palestras sobre hepatite

9 05 2008

Na noite da próxima quinta-feira, dia 15, a Fundação Municipal de Saúde de Rio Claro realizará uma série de palestras sobre hepatite. Organizado pelo Programa Municipal de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST)/Aids, o evento “Conhecendo melhor as hepatites” é aberto ao público e tem vagas limitadas para 150 pessoas. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas pelo telefone 3533-3350 com Marisa ou Rita.

Entre as pessoas que apresentam maiores riscos de contrair hepatite estão profissionais como manicures e pedicures, os tatuadores e aplicadores de piercing. As palestras, porém, são abertas ao público em geral.

A primeira palestra será às 19h30, com a infectologista Márcia Borges Machado que falará sobre os cuidados gerais para a prevenção das hepatites. Em seguida, a coordenadora da Vigilância Sanitária, Cláudia de Salvo Passarelli, apresentará as novas regulamentações para prestadores de serviços. A terceira palestra abordará sintomas, diagnóstico e tratamento das hepatites, com a infectologista Suzi Berbet de Souza.

As palestras serão realizadas no auditório da Associação Comercial e Industrial de Rio Claro (Acirc), que fica no centro de Rio Claro.

(Canal Rio Claro – 09.05.2008 )





MOÇAMBIQUE: Mais fácil namorar outro seropositivo

9 05 2008

Chamo-me Manuel Sitóe e tenho 44 anos.

Trabalhei como mineiro na África do Sul entre 1982 e 2002. Lá tive uma mulher que ao andar do tempo adoeceu e morreu em 2002. Os médicos informaram-me que ela sofria de tuberculose.

No mesmo ano comecei a sentir dores no peito. O médico me aconselhou a parar de fumar e beber, mas mesmo assim meu estado de saúde piorou.

O médico me disse que só podia ter contraído HIV ou tuberculose. A partir desse dia passei a evitá-lo e sempre fugia dele quando o via.

Fiquei doente de tal modo que só esperava o dia da morte. Vomitava tudo que comia e era muito fraco. Foi uma fase muito difícil para mim.

Um dia, em Janeiro de 2003, um familiar descobriu meu grave estado de saúde e me trouxe de volta a Moçambique, depois de oito anos sem voltar. Minha mãe e familiares me acolheram e me levaram ao hospital de Mavalane, em Maputo, para tratar da tuberculose.

No hospital tiraram meu sangue e testaram para HIV sem meu consentimento. O resultado saiu positivo e a minha cunhada, que é enfermeira, me disse que eu devia fazer outro tipo de tratamento, mas não me disse qual.

Ela me levou ao hospital Central de Maputo e fui atendido por uma conselheira, que me fez perguntas como “O que é HIV?” e “O que faria se soubesse que era seropositivo?”.

Depois de uma longa conversa, ela me disse que eu tinha HIV.

Tive que aceitar essa realidade.

Quando cheguei em casa expliquei à minha mãe e ela me deu muita coragem. Em 2003 ainda não era fácil ter acesso ao tratamento antiretroviral, mas depois de testar minha carga viral, o médico me aconselhou a fazer dois tratamentos simultaneamente: o de tuberculose e o antiretroviral.

Tinha que comprar medicamentos numa farmácia privada e gastava 2 200 meticais (US$ 100) por mês. Embora meus familiares me ajudassem bastante, depois de seis meses tinha gasto todas as minhas poupanças.

Em 2005, passei a receber o tratamento do programa DREAM da Comunidade Sant’Egidio na Machava. Continuo lá até hoje. Agora me sinto forte e estável porque cumpro todas as orientações do médico.

Não tenho receio de me apresentar como seropositivo. As pessoas tentaram me discriminar, mas não dei espaço para que isso acontecesse.

Encontrar apoio entre os amigos não é fácil porque muitos dos activistas são mulheres. Não é simples contar [que é seropositivo], só contam ali nas organizações, e geralmente não tem homens. É mais difícil para os homens falar sobre isso.

Vida mais fácil a dois

Faz três anos que estou junto com a minha actual esposa, que também é seropositiva.

Nós nos conhecemos no centro de saúde. Eu estava a levar uma amiga para fazer o teste e a Elvira estava lá para se certificar de que era positiva mesmo, porque não conseguia acreditar. Quando olhei para ela, não conseguia acreditar que ela era seropositiva.

Saímos de lá juntos. Falei da minha vida, ela falou da dela. Os dois eram viúvos. Viramos amigos e depois as coisas foram acontecendo.

Eu acho que, se você é seropositivo, é mais fácil namorar com alguém que seja positivo também.

Eu e minha mulher fazemos o tratamento juntos, tomamos os comprimidos na mesma hora, sabemos que cuidados devemos tomar. Quando ela se esquece, eu aviso que ela precisa tomar o remédio. Ela faz o mesmo comigo.

No centro de saúde que frequentamos procuramos encorajar os seropositivos que são solteiros a arrumar um companheiro que também seja positivo. É importante ter alguém para te encorajar. Se um dia você ficar doente, essa pessoa vai entender e te ajudar.

Por isso, casos como o meu e da Elvira são muito comuns. As pessoas se apaixonam. Às vezes você acerta, às vezes erra, mas eu sempre digo que é bom casar para dividir a vida e as dificuldades. A vida é mais fácil assim.
(PlusNews – 09.05.2008 )





MOÇAMBIQUE: HIV – da educação ao entretenimento

9 05 2008

JOHANNESBURG, 8 Maio 2008 (PlusNews) – Com apenas 25 anos, o moçambicano Milton Manhenje tem uma desenvoltura invejável. Fica à vontade diante das câmeras, fala em público sem hesitar e aborda assuntos que fariam muitos gaguejar.

HIV é um desses temas. Manhenje será um dos apresentadores do programa Sem tabus, que começa a ser transmitido em Junho pela Televisão de Moçambique.

No programa, duas duplas de gerações diferentes debaterão temas considerados tabu, como sexualidade e HIV/SIDA. Cada equipa terá o apoio de dez pessoas da mesma faixa etária para elaborar perguntas e respostas.

“Vamos falar de catorzinhas [raparigas que se relacionam com homens mais velhos por dinheiro], por exemplo, que é um assunto muito polémico”, explica. “Queremos estimular o debate.”

Forma e conteúdo

Estimular o debate sobre HIV de forma atraente é hoje o principal desafio dos meios de comunicação em África.

Essa foi uma das principais discussões da conferência Input 2008, promovida pela organização não-governamental International Public Television em parceria com a African Broadcast Media Partnership Against HIV/AIDS (ABMP).

A ABMP é formada por 53 estações de televisão e rádio em África que se comprometeram a doar cinco por cento de sua programação diária – cerca de uma hora – para conteúdos sobre HIV e SIDA.

O encontro reuniu esta semana em Johannesburg, na África do Sul, profissionais de todo o mundo envolvidos no debate da televisão pública e seu papel em mudanças sociais.

“Precisamos encontrar novas formas de captar a atenção da nossa audiência, para que eles ouçam a mensagem e pratiquem”, disse Bekhizizwe Peterson, da Universidade de Witwatersrand, em Johannesburg, na África do Sul.

A resposta a esse desafio veio salpicada de termos como novos medias, Internet, vídeo, SMS e iPod, principalmente entre o público jovem.

Para Fabian Adeoye Lojede, director executivo de Bluejeans Communications e responsável pelo desenvolvimento de conteúdo de programas, o segredo para tornar a discussão sobre HIV atraente é investir nessa variedade de plataformas.

“Temos que entreter enquanto eles aprendem”, explicou. “O modelo de ameaça, em que se mostram pessoas a morrer, não é ameaçador o suficiente para os que nasceram durante a epidemia.”

Manhenje sabe ao que Lojede se refere. Parte de uma geração que cresceu no meio de mensagens de prevenção – o jovem hoje tem a exacta idade da epidemia – ele admite uma certa fadiga e distanciamento dos modelos tradicionais de campanhas.

Na vida real

A boa notícia é que Manhenje também é parte de uma geração que assiste a uma inédita convergência de diferentes medias e novas abordagens do HIV.

''Nós só teremos feito um bom trabalho se a mensagem chegar a quem tem que chegar e as taxas de infecção diminuírem.''

O jovem foi o representante de Moçambique na primeira edição do programa Imagine Afrika, um reality show produzido pela ABMP e que foi para o ar em Outubro de 2007.

Os 12 participantes do programa foram escolhidos entre cerca de 10 mil inscritos em todo o continente e divididos em três equipas, alocadas em países da África Ocidental, Oriental e Austral.

Cada episódio apresentava um problema – ajudar uma família liderada por uma criança, organizar um evento de testagem e aconselhamento de HIV ou melhorar as condições de saneamento em determinada área – e a equipa que tinha que encontrar um meio de saná-lo.

O programa cativou audiências também por tratar da epidemia com pessoas e histórias reais. Um dos episódios marcantes mostrou a participante sul-africana Thembi Ngubane a revelar no ar – para a sua equipa e o público – que era seropositiva.

“A gente não conseguia acreditar porque ela é gordinha, bonita, está sempre alegre”, disse. “Chega a um ponto em que não é mais um programa, é vida real.”

O jovem considera o impacto do Imagine Afrika “fenomenal”, não apenas sobre a audiência, mas também ao nível pessoal. “É impossível voltar a ser a mesma pessoa depois disso”, afirmou.

A segunda edição do programa começará a ser transmitida em breve.

Valores, tradições e práticas sociais 

Graça Machel, mulher do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela e viúva do ex-presidente de Moçambique Samora Machel, elogiou os novos formatos dos medias, mas ressaltou que eles devem trazer também conteúdo que “confronte valores, tradições, práticas sociais e padrões duplos”.

Ela dá um exemplo: “Muitos comportamentos dos rapazes são encorajados pelas próprias mães, que os estimulam a ter filhos para dar continuidade à família. Mas se não houver uma mudança de atitude, eles serão os últimos da família.”

A sua lista de tradições e práticas sociais incluiu também o sexo entre gerações, a igualdade entre géneros, os ritos de iniciação e o fortalecimento do sexo feminino.


Photo: Laura Lopez Gonzalez/PlusNews
A sul-africana Thembi Ngubane abriu sua seropositividade na televisão

“Precisamos questionar o modo de pensar”, disse Machel, também directora do Fundo da Aliança Global de Vacinas e Imunização (GAVI, em inglês), que trabalha para criar políticas de vacinação de longo prazo nos países em desenvolvimento.

“Temos que tratar de coisas concretas e falar com grupos específicos para que eles se identifiquem com a mensagem”, continuou.

Mark Stirling, director regional do Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV/SIDA (ONUSIDA) na África Austral e Oriental, “os media têm o poder de acelerar as mudanças sociais e exigir atitudes dos envolvidos na resposta à epidemia. Por isso os seus esforços na questão do HIV devem ser dobrados.”

Cenas do próximo capítulo

Com a experiência em Imagine Afrika, o moçambicano Manhenje resolveu mergulhar de cabeça no universo dos media e do HIV.

A sua participação no programa Sem tabus, que terá um total de 13 episódios, será seguida de uma longa viagem do Sul ao Norte de Moçambique. O jovem pretende colher depoimentos de seropositivos e pessoas afectadas pela epidemia, que darão origem a um documentário.

A ideia é entender como o HIV atingiu o seu país – Moçambique tem uma seroprevalência nacional de 16 por cento – e usar o filme para conscientização.

Com isso, Manhenje pretende pôr em prática as palavras da ex-primeira dama moçambicana Graça Machel: “Nós só teremos feito um bom trabalho se a mensagem chegar a quem tem que chegar e as taxas de infecção diminuírem.”

(PlusNews – 08.05.2008 )





Italia: Contágio do HIV ao recém nascido através da mãe pode ser evitado, revela estudo

9 05 2008

O problema de mães grávidas que contaminam os filhos com o vírus do HIV/SIDA pode ser evitado, de acordo com a pesquisa da University College de Londres, segundo a qual o índice de transmissão do vírus no Reino Unido passou de 20 para 1 porcento nos últimos dez anos.

Se os tratamentos estivessem disponíveis para todos, advertem os especialistas no estudo publicado, mil 800 crianças deixariam de nascer com SIDA a cada dia.

Os pesquisadores estudaram os dados de mais de 5 mil gestações completas de mães soropositivas que efectuaram o tratamento antiviral pelo menos 14 dias antes do parto.

O percentual de contágio ficou em 1,2 porcento, enquanto que nos anos 1990 este número foi superior aos 20 porcento.

O parto cesáreana mostrou ser um outro factor que protege o contágio, que ocorre sobretudo no momento do nascimento, no entanto, bons resultados também foram obtidos com o parto natural.

“A chave do sucesso é o teste pré-natal, feito por muitas mulheres e que agora nos permite detectar 95 por cento das infecções antes do nascimento, enquanto que antes eram apenas 70 porcento”, explicou à BBC Claire Townsend, autora do estudo.

Os medicamentos antivirais são freqüentemente comprados no mundo ocidental, mas não nos países em desenvolvimento, onde segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) apenas 10 porcento das mulheres tem acesso.

O resultado disso é que a cada dia, perto de mil 800 crianças nascem com HIV transmitido atravez da mãe.

(AngolaPress – 09.05.2008 )





AR: Bloco de Esquerda propõe Educação Sexual obrigatória do 1º ciclo ao secundário

9 05 2008

O Bloco de Esquerda entregou hoje um diploma para promover a Educação Sexual nas escolas e acusou o Governo de fracassar nesta matéria, perante estudos que revelam elevadas taxas de jovens com SIDA e de gravidezes adolescentes.

Numa declaração política no Parlamento, o deputado do BE Moura Soeiro anunciou a entrega de um projecto de lei que prevê a criação de uma área curricular específica de educação sexual de frequência obrigatória — 90 minutos por semana no 4º ano do 1º ciclo, no 6º ano do básico, no 9º ano do 3º ciclo e no 12º ano no secundário.

“Apesar das expectativas geradas em sentido contrário, este Governo voltou a cometer o erro do costume: diluir a Educação Sexual numa área mais vasta, (Educação para a Saúde), cujas preocupações centrais são a regulação dos comportamentos dos alunos, em vez de criar uma área específica e contratar profissionais formados para essa área”, acusou.

O deputado defendeu a distribuição de preservativos em todas as escolas secundárias, a criação de uma “bolsa de profissionais” que se dediquem em exclusivo à área curricular de Educação Sexual e gabinetes de atendimento a jovens em todas as escolas.

O diploma do BE prevê que as metodologias pedagógicas a usar no âmbito da Educação Sexual sigam as “recomendações do relatório final do grupo de trabalho” nomeado pelo Governo.

No primeiro ciclo, o BE propõe que se aborde o conhecimento do corpo, os afectos e as diferenças entre rapazes e raparigas. No 12º ano, propõe-se o estudo da fisiologia da reprodução humana, as doenças sexualmente transmissíveis, os métodos contraceptivos, a discussão das “dimensões afectivas e do prazer” e o conhecimento das “taxas e tendências dos métodos abortivos” e consequências.

“A lei de educação sexual [de 1984] é mais velha do que eu. E os resultados são 60 mil infectados com SIDA e um quarto dos portugueses nunca usou preservativo na vida”, frisou o deputado, de 23 anos, citando os dados de um estudo sobre os comportamentos sexuais dos portugueses recentemente divulgado.

O deputado destacou que os jovens são responsáveis por cerca de metade dos novos casos de infecção com o VIH/Sida em Portugal e que há 15,6 por cento de mães adolescentes.

Para o BE, “a falta de vontade política” do ministério da Educação, “num contexto em que os professores estão afogados em tarefas burocráticas e exigências crescentes, fez com que a Educação Sexual tenha sido mais uma vez um completo fracasso”.

Moura Soeiro argumentou que é o “próprio psiquiatra Daniel Sampaio, nomeado pelo Governo para o grupo de trabalho que fez propostas sobre educação sexual, quem reconhece este fracasso quando afirma que tem tardado a concretização das medidas”.

Do lado do PS, a deputada Luísa Salgueiro contrapôs que “houve uma evolução clara” na educação sexual nas escolas em três anos de Governo socialista, frisando que as medidas recomendadas pelo psiquiatra Daniel Sampaio têm sido “implementadas na íntegra”.

(RTP – 07.05.2008 )





Fome e Sida travam desenvolvimento humano no continente africano

9 05 2008

O director geral da UNESCO, Koichiro Matsura, chamou atenção particular dos Estados africanos para a crise alimentar mundial que se desenha e para o flagelo do VIH/Sida, que continua a dizimar vidas em África.
De acordo com o director geral da UNESCO, nos próximos anos, estes factores vão constituir uma séria ameaça ao desenvolvimento humano do continente, pois milhares de crianças africanas estarão privadas de escola e de qualquer forma de ensino.
Koichiro Matsura fez este alerta, segunda-feira, em Maputo, na abertura da VIII Bienal da Associação para o Desenvolvimento e Educação em África (ADEA), que vai decorrer até amanhã, sob o lema ‘‘Para além da educação primária: desafios e abordagens para o alargar das oportunidades de aprendizagem em África”.
O director geral da UNESCO avançou que, apesar das contrariedades em África, 36% de crianças entraram para o ensino primário, o que representa aproximadamente 29 milhões de alunos no cumprimento da escolaridade obrigatória.
No entanto, lamentou o facto de o número de desistências ser muito alto quando comparado com outras partes do mundo. O sexo feminino continua a ser o mais penalizado. Segundo as estatísticas, 33 milhões de raparigas em África não são escolarizadas.
O representante da UNESCO lembrou ainda que até 2015 África vai necessitar de 3,8 milhões de professores suplementares para alfabetizar cinco milhões de adultos, entre os quais dois terços são mulheres.
Face ao quadro, Koichiro Matsura disse que a prioridade continua a ser educação para todos. Aos líderes africanos pediu que cumpram cabalmente com as promessas feitas na Conferência de Dakar, em 2000.
De igual modo, pediu às organizações financeiras mundiais, nomeadamente o Banco Mundial e o Banco de Desenvolvimento Africano, para que incrementem os apoios financeiros aos países africanos, de modo a reforçar o incentivo da educação a todos os níveis.
“Para a UNESCO, a educação é um processo contínuo e necessário para todos os níveis de educação”, sublinhou.
(Jornal de Angola – 08.05.2008 )