Maioria dos portugueses nunca fez teste ao VIH

7 05 2008
Casados menos preocupados, mas com 12% de infiéis

Mais de metade dos portugueses nunca fizeram o teste VIH/sida, mesmo que quase 60% admitam não ter usado preservativo na primeira relação com o parceiro mais recente. Estes são alguns dos resultados mais surpreendentes do estudo do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, que é considerado o maior alguma vez realizado sobre a sexualidade dos portugueses e que é hoje apresentado.

A percentagem dos que nunca realizaram o teste é maior entre os homens (57,8%) do que nas mulheres (52,6%) e nos que só têm o 1.º ciclo do ensino básico, grupo em que chega aos 76%. Os dados permitem concluir que, caso a análise não fosse obrigatória para as mulheres grávidas, a proporção de pessoas que nunca testou a sua exposição ao vírus (55,2%) seria substancialmente maior. Indicadores que não só dificultam o correcto diagnóstico sobre o número de infectados com sida em Portugal como, pelo desconhecimento, podem contribuir para níveis mais elevados de contaminação.

Os casados são dos que menos se preocupam com uma possível infecção – apenas 40% fizeram o teste. Mas o inquérito revela que, pelo menos, 12% dos portugueses em situação de conjugalidade tiveram relações sexuais fora do casamento.

A infidelidade é admitida por 16,9% dos homens, bastante mais do que pelas mulheres, com apenas 7,1% do universo a admiti-la. Face aos último e penúltimo parceiros, 15,7% e 21,8% dos homens, respectivamente, referem que foram relações ocasionais. Já no universo feminino, aquelas relações ocasionais são apenas apontadas por 5,9% das mulheres.

O inquérito “Comportamentos sexuais e a infecção VIH/sida em Portugal” identifica ainda diferenças substanciais entre homens e mulheres quanto ao número de parceiros. Enquanto 59,1% dos homens declaram ter tido quatro ou mais parceiros ao longo da vida, a grande maioria das mulheres (55,7%) diz ter tido apenas um parceiro. Mas há quase 18% de mulheres que afirmam ter tido quatro ou mais parceiros sexuais ao longo da vida.

Também as idades de iniciação sexual variam de homem para mulher. O inquérito revela que a idade do primeiro contacto sexual foi, em média, perto dos 15 anos, enquanto a idade da primeira relação sexual foi aos 18 anos. Mas para as mulheres o sexo aparece aos 19 anos, quatro anos mais tarde do que para os homens. Os dados não revelam as novas tendências entre os grupos mais jovens, com uma iniciação sexual mais precoce, mas a média entre todos aqueles em idade sexual activa.

Preservativo, esse mal-amado

Embora a maioria dos portugueses inquiridos (73,2%) já tenha usado preservativo, quase 60% dizem não o ter utilizado na primeira relação com o parceiro mais recente. Entre os menos escolarizados (com o primeiro ciclo do ensino básico), encontra- -se mesmo uma percentagem significativa (52,1%) que confessa nunca ter recorrido ao preservativo nas suas relações sexuais. Algo que poderá estar ligado a um escalão etário mais elevado. Já entre os que têm entre 25 e 34 anos, a grande maioria dos inquiridos (86,6%) garante que usa ou já usou o preservativo. Este é, de resto, o escalão etário em que a sua utilização é mais expressiva.

Nesta matéria, as mulheres revelam ser mais cuidadosas do que os homens, uma vez que nas relações ocasionais apenas 2,7% dizem não tomar prevenções, contra 10% dos homens.

O inquérito encomendado pela Coordenação Nacional para a Infecção VIH/Sida revela ainda que a maioria dos portugueses olha para a homossexualidade como algo “errado”. O sexo entre dois homens é visto como “totalmente errado” por quase 60% dos inquiridos. A tolerância aumenta muito ligeiramente para o sexo entre mulheres, vista negativamente por 54% dos inquiridos.

(Carla Aguiar/Diário Notícias – 06.05.2008 )





São já 17 as mulheres mortas vítimas de violência doméstica

7 05 2008

Foram 17 as mulheres assassinadas por violência doméstica no primeiro trimestre deste ano. Os dados evidenciam um aumento do número de mulheres mortas, já que, ao longo de todo o ano de 2007, 21 mulheres foram assassinadas pelos mesmos motivos. A União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) divulgou, ontem, os dados e aproveitou para alertar para a necessidade de reforçar o alerta social, aumentar as acções de prevenção e oferecer um apoio técnico profissional – e não apenas voluntário – a todas as mulheres vítimas da violência doméstica.

Através dos casos relatados pelos órgãos de Comunicação Social, a UMAR contabilizou em 28 os casos de violência doméstica registados apenas no primeiro trimestre deste ano. Destes, 17 resultaram em assassinato, enquanto os restantes 11 resumiram-se a tentativas de morte, que deixaram as mulheres em estado grave. Segundo os dados divulgados, a maioria das vítimas tem idades compreendidas entre os 55 e os 65 anos de idade. Logo a seguir, surge o grupo de mulheres com idades entre os 20 e os 30 anos.

Maria José Magalhães, membro da direccção da UMAR – uma organização não governamental feminista – apoia-se nos números para justificar a necessidade de reforçar o alerta social e combate à permissividade perante os assassinatos conjugais.

“Há que garantir um atendimento eficaz às vítimas que englobe uma atenção completa ao problema vivido pelas mulheres e pelas suas famílias e o apoio necessário para que reorganizem as suas vidas”, salientou.

A este passo, Maria José Magalhães referiu-se aos centros de atendimento que aquela organização gere e que disponibilizam apoio 24 horas por dia e 365 dias por ano. “Esses centros funcionam em regime de voluntariado e com as verbas que angariamos através da quotização das associadas”, referiu.

Contudo, aquela técnica da UMAR defende um carácter mais profissional para os centros de atendimento, onde técnicos especializados ocupem os lugares agora preenchidos por voluntários. Para tanto, a UMAR necessita do apoio financeiro indispensável da Segurança Social.

Enquanto isso não acontece, a organização tenta angariar fundos através da implementação de iniciativas como o ciclo de cinema “UMAR-te Assim Perdidamente”. Ao todo serão sete os filmes a serem exibidos, na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, de 12 a 18 deste mês, sempre às 21 horas.

A exibição dos filmes contará, ainda, com palestras sobre a temática da violência doméstica. Pretende-se focar os três níveis do combate à violência sobre as mulheres alerta social, prevenção e atendimento qualificado e eficaz.

Recorde-se que os dados sobre violência doméstica divulgados pela UMAR resultam da análise diária dos órgãos de comunicação social. Isto significa que a realidade pode ser diferente da retratada pelos números, se se tiver em conta que, por vergonha, muitos casos são silenciados.

(José Mota/Jornal de Notícias – 06.05.2008 )





Modos de consumo alterados

7 05 2008

Um estudo realizado por Ester Sá, enfermeira num estabelecimento prisional do Norte, conclui que a reclusão não só obriga a uma diminuição dos consumos, como altera as formas de uso. A maioria dos reclusos que utilizava a droga por via endovenosa na altura da detenção abandonou essa forma, optando pela via inalada ou fumada.

Este trabalho é de 2002, mas um outro trabalho, mais recente, ainda em fase de ultimação, confirma os dados então obtidos. Outra das principais conclusões de Ester Sá é a de que a actividade ocupacional, em lugar de diminuir os consumos, aumenta-os.Os consumos, segundo verificou a enfermeira, eram superiores na população com actividade face à restante.

Os reclusos, aliás, recorrem a essas actividades como forma de conseguir dinheiro para a aquisição da droga. No trabalho académico, verifica-se, ainda, que a adesão a programas de tratamento e de substituição de drogas visa mais “a obtenção de benefícios” (atenuação das penas, por exemplo), do que decorre de uma sincera intenção de abandonar o consumo.

O estudo incidiu sobre 60 reclusos de um estabelecimento prisional do Norte, com uma média de 30 anos de idade.

(Jornal de Notícias – 06.05.2008 )





Presos recusam seringas

7 05 2008

O Programa Específico de Troca de Seringas (PETS) nas cadeias não tem tido adesão dos reclusos. Em Paços de Ferreira, onde, juntamente com o estabelecimento Prisional de Lisboa, a medida experimental foi implementada, não houve mesmo nenhum candidato ao programa, que visa a redução de riscos e contágio de doenças infectocontagiosas, confirmou o JN.

O relatório intermédio de avaliação da medida deverá chegar à Assembleia da República em finais de Junho e, para já, enquanto “não estão sistematizados os dados”, nem a directora-geral dos Serviços Prisionais nem o Ministério da Justiça pretendem fazer qualquer leitura da situação.

O gabinete de Alberto Costa diz mesmo que é “prematuro” fazer qualquer tipo de análise antes do relatório final, que deverá estar pronto no final do ano, quando perfizerem 12 meses sobre o início da experiência.

Afastando qualquer conclusão precipitada, o Ministério garante, desde já, que “toda a informação foi prestada à população prisional e forças de segurança” e que a “confidencialidade dos participantes no programa” está assegurada.

Jorge Alves, do Sindicato do Corpo dos Guardas Prisionais, que sempre se opôs à medida por motivos de segurança, defende que a falta de adesão se deve a uma mudança de hábitos de consumo entre os reclusos. “Já não recorrem tanto às drogas injectáveis”, diz, citando um estudo que aponta exactamente nesse sentido (ler texto ao lado).

Para o sociólogo António Pedro Dores, porém, a fraca adesão dos reclusos não causa qualquer supresa. “Prevíamos que acontecesse isso mesmo”, diz, ao JN, o dirigente da Associação Contra a Exclusão pelo Desenvolvimento. Há, segundo diz, um paradoxo e “uma grande hipocrisia” numa medida que permite a troca de seringas mas proíbe o consumo e o tráfico de droga. Para António Pedro Dores, é natural que os presos não adiram, com medo de se “autodenunciar”. Mais ainda quando se sabe que os guardas prisionais se opuseram à medida. “O local de passagem para as salas de chuto é um local frágil”, um preso que ali seja apanhado pode ser punido, por posse de droga, ou “sujeito às maiores chantagens”.

Mais regimes abertos

De facto, no despacho que regulamenta o programa, está bem definido, no seu artigo 6.º, que “a posse, tráfico e consumo de substãncias estupefacientes e psicotrópicas não prescritas pelo médico constituem actos ilícitos”.

António Dores defende que a solução passava por um maior recurso aos regimes abertos, precisamente “o contrário” do que tem sido feito, em sua opinião, como o comprova a recém-construída cadeia de alta segurança de Monsanto, em Lisboa.

Com este programa, o Governo pretende reduzir o risco de contágio de doenças infectocontagiosas. O kit distribuído aos presos pelos serviços de saúde das cadeia contém duas seringas, um filtro, um toalhete desinfectante, carica, ácido cítrico, água bidestilada e um preservativo. No fundo, trata-se de transportar para os estabelecimentos prisionais o que já acontece “cá fora”, em qualquer farmácia.

A prevalência de doenças infecciosas em meio prisional é elevada e mais de metade dos presos estão encarcerados por crimes relacionados com o consumo e tráfico de droga.

(José Mota/Jornal Notícias – 06.05.2008 )





ÁFRICA DO SUL: Chakras e crianças

7 05 2008

JOHANNESBURG, 6 Maio 2008 (PlusNews) – Após vinte anos de pandemia, as pessoas procuram novas maneiras de viver com HIV e para alguns, a medicina alternativa se tornou parte da resposta.

O Centro Comunitário de Formação e Desenvolvimento de TsaBotsogo, em Dobsonville, em Soweto, um vasto subúrbio a sul de Johannesburg, na África do Sul, trabalha com professores para identificar crianças vulneráveis e encaminhá-las para voluntários formados pelo centro para aconselhamento.

Este ano, a organização levou 30 das crianças para acampar por uma semana, na esperança de lhes dar uma oportunidade de brincar, fazer amigos e construir um melhor relacionamento com os voluntários do TsaBotsogo, disse a directora executiva, Kefilwe Ndaba.

“O Rolls Royce da Cura?”

O acampamento foi num lugar onde menos se esperava encontrar conversa sobre medicina alternativa, chakras e “campos energéticos”, mas Amanda du Toit e vários outros “praticantes de medicina energética” vieram para ajudar a equilibrar as energias das crianças.

O termo “medicina alternativa” é muitas vezes usado para descrever práticas fora do campo de acção do médico ou enfermeiro típico, e pode incluir homeopatia, a velha prática indiana de medicina ayurvédica e naturopatia, em que se acredita que a cura está associada à natureza.

Praticantes da medicina energética como du Toit acreditam que a doença física é causada por desequilíbrios entre tais energias no organismo. Eles dizem que usam energia física, tal como a vibração, bem como formas menos palpáveis de energia, como os “campos energéticos”, ou a energia subtil que se acredita estar em todos os seres vivos, para curar certas doenças físicas.

Usando um sistema desenvolvido pelo empresário conhecido por Master Del Pe, baseado nos Estados Unidos, estas mulheres dizem ter aprendido a ler chakras – os supostos sete centros de energia espiritual no corpo humano na filosofia yoga – e podem abrir e fechar estes centros para equilibrar as energias do corpo.

No fim da sessão, muitas das crianças mais novas já estavam a sonecar, enquanto os mais crescidos estavam pacatamente sentados, de olhos fechados. A sessão não envolveu qualquer contacto físico entre as mulheres e as crianças, o que du Toit descreveu como uma vantagem quando se trabalha com crianças, que podem não ser capazes de verbalizar o que sentem.

''A medicina alternativa pode ser perfeitamente inofensiva, mas a minha preocupação é: como explicar algo assim à mãe de uma criança?''

“[A medicina energética] é uma espécie de nova geração de cura; é muito efectiva – como um “Rolls Royce” de cura”, disse du Toit, que caracteriza a abordagem de Del Pe como uma mistura de religiões orientais, como o budismo e o hinduísmo. “Nós acreditamos que esta é a medicina do futuro.”

Del Pe veio à África do Sul em 2006 para dar aulas gratuitas sobre sua recém-desenvolvida forma de cura energética. O objectivo era ajudar seropositivos a lidar com infecções oportunistas e outras doenças relacionadas.

Desde então ele já voltou várias vezes, cobrando cerca de 1.500 rands (US$ 191) por cursos de um dia como “Traçar os Teus Sete Ciclos de Vida”.

Uma realidade bem adulta

Segundo um estudo do departamento sul-africano da educação de 2006, 15 por cento das crianças terão perdido pelo menos um dos pais até aos 14 anos, o que os coloca em crescente risco de pobreza, desnutrição e absenteísmo escolar.

O governo sul-africano gastou mais de 563 milhões de rands (US$ 72 milhões) desde 1997 em intervenções comunitárias para, entre outros objectivos, salvaguardar crianças em risco. Se o país conseguir alcançar os objectivos traçados no seu plano estratégico para HIV e SIDA, 30 por cento de crianças vulneráveis e famílias orientadas por crianças poderão ter acesso a benefícios sociais e apoios até 2008.

Contudo, as necessidades psicossociais e emocionais das crianças como as de TsaBotsogo são muitas vezes difíceis de incluir no orçamento e ainda mais difíceis de identificar, segundo estudos do Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV/SIDA.

Muitas delas sentem-se como se estivessem sozinhas”, disse Ndaba. “Algumas falam e dizem que não têm pais, que é difícil ir à escola sem nada no estômago, mas outras são muito reservadas”, comentou. “Não é fácil abrirem-se, e por isso temos promovido muitos jogos, orando para eles, abraçando-os, e tentando fazer que eles confiem em nós e se abram.”


Photo: Laura Lopez Gonzalez/PlusNews
Durante a aula de artes, um acampante incluiu um laço da SIDA como parte das actividades com argila

Sophie Kekana, conselheira na TsaBotsogo, disse que trabalhar com crianças é um desafio. “Podes ver as suas necessidades de longe – algumas estão doentes ou a sofrer, outras estão amargas. Muitas delas foram atingidas pela pobreza; podes ver tudo isto pela forma como comem.”

“Pelo menos agora elas sabem que não estão sozinhas, que têm mães fora [das suas famílias] que cuidam delas”, disse Ndaba.

Consentimento é base de todas as abordagens

Com o avanço da epidemia do HIV e SIDA, as pessoas podem encontrar novas maneiras de cuidar dos afectados, mas os activistas dos direitos infantis destacam que o consentimento dos pais e das crianças é essencial, seja qual for o estilo da terapia.

“[A medicina alternativa] pode ser perfeitamente inofensiva, mas a minha preocupação é: ‘como explicar algo assim à mãe de uma criança?’”, disse Noreen Ramsden, desenvolvedora de materiais no Centro dos Direitos das Crianças, em Durban.

Segundo Ramsden, administrar terapias alternativas como cura energética sem consentimento informado dos pais reflecte um certo elemento de manipulação, e ameaça minar o direito dos pais a conduzir o crescimento dos seus filhos.

Ndaba, do TsaBotsogo, disse que a cura energética não estava originalmente no programa, e por isso não foi explicada pelos professores aos responsáveis na hora de obter autorização para as crianças irem acampar.

Helen Meintjies, oficial pesquisadora no Instituto Infantil da Universidade de Cape Town, concordou com Ramsden, aconselhando que o perigo de manipulação é muito real ao trabalhar com pessoas que não querem dizer “não” em presença de algo que olham como um favor.

“Questões de consentimento são aplicáveis em todos os assuntos quando se trabalha com crianças, não importa em que actividade, e isso significa que as crianças devem ser informadas [sobre a actividade] de maneira que possam entender”, disse Maintjies. “Nunca subestime a importância de as crianças entenderem aquilo em que estão envolvidas.”

(PlusNews – 06.05.2008 )





Aborto: uma chance para a reflexão

7 05 2008

O documento “Aborto e saúde pública: 20 anos de pesquisas no Brasil”, produzido pela Universidade de Brasília e pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro, financiado pelo Ministério da Saúde, expõe a realidade da prática de aborto no Brasil. O relatório revelou que 3,7 milhões de brasileiras já recorreram ao aborto e que mais de 70% delas tratam o procedimento como uma medida de planejamento reprodutivo, empregado em último caso, quando os outros métodos falharam.

Resultados que vão ao encontro de uma discussão que já acontece há mais de um ano e que têm, em uma das pontas, a preocupação do Ministério da Saúde com o grave problema de saúde pública que é o aborto inseguro.

Neste momento, com base científica, o Brasil tem a oportunidade de qualificar a discussão em torno da ampliação do âmbito de legalidade do aborto. O relatório produzido pelas pesquisadoras Debora Diniz, da UnB, e Marilena Cordeiro Dias Villela Corrêa, da Uerj, cumpre o papel importante de retirar o véu que encobre a realidade de morte e de graves seqüelas pelas quais são vítimas milhares de brasileiras, todos os anos, em razão do aborto inseguro.

A pesquisa revelou a subnotificação em torno dos casos, tendo em vista que chegam ao Sistema Único de Saúde mais de 220 mil mulheres por ano em razão de complicações da interrupção da gravidez, sejam elas resultantes de abortos espontâneos ou intencionais. Dessa maneira, o texto revela dois brasis: o de mulheres que podem pagar pela segurança na interrupção da gravidez; e o de mulheres que arriscam a vida e a fertilidade com procedimentos caseiros.

A verdade é que o aborto inseguro e a clandestinidade são fatores de morbidade e de mortalidade materna entre adolescentes e jovens, de todas as raças e etnias, atingindo, sobretudo, aquelas em situação de pobreza. Dados do Ministério da Saúde apontam a alarmente situação de um total de 2.000 mulheres que morrem anualmente de óbito materno no Brasil, quase 1.200 morrem na faixa etária entre 10 e 29 anos.

Não fosse crime no Brasil, médicos e hospitais poderiam atender adequadamente as mulheres que se utilizam desse último subterfúgio da interrupção da gravidez. A situação atual as deixa sujeitas a métodos cruéis que, quando não matam, deixam seqüelas irreversíveis, como a infertilidade.

A pesquisa é um importante ponto de reflexão sobre o tema. O Estado e sociedade devem refletir sobre esse debate, afinal o aborto é a quarta causa de mortalidade materna, embora passe como se não existisse.

Na prevenção dessas mortes evitáveis e gestações indesejadas, o Estado brasileiro, por meio do SUS e de ações intersetoriais, coloca em prática políticas públicas que garantam os direitos reprodutivos a mulheres, adolescentes e jovens de ambos os sexos. A eficácia dessas políticas depende da disseminação de informações, que ser feito em casa e nas escolas e integrar as ações das equipes do Programa Saúde da Família.

Os ministérios da Saúde e da Educação, por meio do projeto Saúde e Prevenção nas Escolas, lançado em 2003, trabalham a inclusão, na educação de jovens das escolas públicas, dos temas saúde reprodutiva e sexual – tendo como principais elementos a educação preventiva e formação de consciência crítica de forma interdisciplinar. O objetivo é reduzir a vulnerabilidade dos jovens e adolescentes às doenças sexualmente transmissíveis, à infecção pelo HIV e à gravidez precoce, como resposta a estudos que mostram a exposição da população com idades entre 13 e 19 anos a todos esses eventos.

O país não deve fechar os olhos para a ferida aberta que o aborto causa na saúde pública apenas porque o tema suscita debates entusiasmados.

(JOSÉ GOMES TEMPORÃO*/Diário de Cuiabá – 07.05.2008 )

* JOSÉ GOMES TEMPORÃO é mestre em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz e doutor em Medicina Social pelo Instituto de Medicina Social da UERJ, é ministro da Saúde





Maioria não teme vir a contrair doença sexual

7 05 2008

Das atitudes dos portugueses face à sexualidade, aquela que é mais evidente é a rejeição dos comportamentos infiéis e homossexuais destacou ao JN o sociólogo Pedro Moura Ferreira, um dos autores do inquérito do Instituto das Ciências Sociais da Universidade de Lisboa sobre as práticas sexuais dos portugueses.

O investigador realça três tendências temporais importantes persistem acentuadas diferenças entre homens e mulheres, mas caminha-se para a convergência; há uma evolução no sentido liberal das gerações mais velhas para as mais novas (por exemplo na idade de iniciação sexual); há progressos, mas não os desejados, na protecção relativamente ao risco de VIH/sida.

O estudo teve como objectivo conhecer até que ponto os portugueses estão conscientes dos riscos e da prevenção do VIH/sida e baseia-se na realização de 3643 inquéritos a indivíduos entre os 16 e os 65 anos numa amostra representativa da população de Portugal continental.

Mais de metade dos portugueses, 59,2%, admitem não ter usado preservativo na primeira relação com o parceiro mais recente, sendo que os dados apontam para o aumento, nas faixas etárias jovens, das relações extraconjugais, com parceiros simultâneos e das relações sexuais ocasionais. Ainda assim é significativa a percentagem dos que entre os 25 e os 34 anos garantem que usam ou já usaram preservativo ao longo da sua vida 86,6%.

Dos dados ressalta também que 12% dos portugueses são infiéis mas, comparando homens com mulheres, encontram-se percentagens mais significativas de homens cujos últimos parceiros foram ocasionais – 15,7% e 21,8% dos homens referem que o último e o penúltimo parceiro, respectivamente, foram ocasionais. Apenas 4,5% e 5,9% das mulheres afirmam que o último e penúltimo parceiro, respectivamente, foram ocasionais.

Ao relacionar aqueles que mantêm relações ocasionais com a prevenção do VIH/sida, é significativo que 6,5% admitam não ter usado preservativo nas relações com o último ou penúltimo parceiro – uma ausência de prevenção que abrange 10% dos homens e 2,7% das mulheres.

Quanto à homossexualidade, e 5,1% dos portugueses admitem ter tido uma experiência sexual com pessoas do mesmo sexo, embora apenas 0,7% se assumam homossexuais e 1,5% assumem-se bissexuais.

Dos que assumem práticas homossexuais, quase metade (46,6%) dos homens que mantêm relações com pessoas do mesmo sexo usam preservativo, valor que sobe para 59,2% nas mulheres, sendo que entre estas 62,5% diz recusar-se a ter relações ocasionais ou passageiras. As infecções ou as doenças transmitidas através das relações sexuais parecem não preocupar muito os portugueses – 38% confessa não ter nenhum receio a este nível e mais de 55,2% revela que nunca tirou uma amostra de sangue para fazer o teste para o VIH.

Quanto às diferenças de género, Moura Ferreira destaca a idade em que se iniciam as relações sexuais os homens aos 17 anos e mulheres aos19. O investigador destaca também que o número de parceiros sexuais dos homens é mais expressivo do que os declarados pelas mulheres – 59,1% dos homens garantem ter tido quatro ou mais parceiros ao longo da vida e 55,7% das mulheres afirmam ter tido apenas um. Mas, no total do universo feminino e masculino, maisde 60% dos portugueses revelam estar satisfeitos com a sua vida sexual.

O estudo, coordenado pelos sociólogos Manuel Villaverde Cabral e Pedro Moura Ferreira é apresentado hoje no ICS.

Pormenores revelevantes do estudo concluído pelo ICS

Homossexualidade

Os portugueses consideram erradas as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo. 58,8% dos inquiridos considera que uma relação sexual entre dois homens é totalmente errada e 53,8% considera o mesmo no caso de se tratar de duas mulheres. No universo feminino não há grandes diferenças a assinalar para 39, 2% uma relação entre homens é algo errado, sendo que a percentagem eleva-se para 40% quando se trata de julgar o relacionamento sexual entre mulheres. Destaca-se que os valores de desaprovação das relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo são elevados nas camadas mais jovens e nunca descem a baixo dos 53%.

Infidelidade

Dos portugueses que vivem em casal há mais de cinco anos, 12% dizem ter tido outros parceiros. A prática sexual com parceiros diversos é mais relatada nas camadas mais jovens. Comparando o fenómeno entre homens e mulheres verifica-se que são os homens aqueles que mais dizem ter sido infiéis – 16,9%. Na faixa etária dos 25 aos 34 anos é referida mais vezes a existência de parceiros simultâneos. E são os homens, mais uma vez que relatam ter tido relações sexuais ocasionais 15,7% dizem que o seu último parceiro sexual foi de uma relação fortuita, enquanto apenas 4,5% das mulheres refere o mesmo.

(Isabel Teixeira da Mota/Jornal de Notícias – 06.05.2008 )





Pastoral lança ônibus para atender portadores de HIV/AIDS

7 05 2008

Dom Moacyr José Vitti, arcebispo metropolitano, lança no próximo sábado (10), 18h, o projeto “Se eles Soubessem”, coordenado pela Pastoral da Aids da Arquidiocese de Curitiba. O evento vai ocorrer na paróquia Nossa Senhora da Luz, no CIC.
Tendo como público-alvo jovens, adolescentes, adultos e idosos – além daqueles que se sentem envolvidos pela causa das pessoas que vivem com HIV/AIDS -, o projeto proposto pelo Centro Popular de Formação Padre Josímo Tavares, está sob a coordenação da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), junto com Pastoral da Aids. Trata-se de um ônibus que irá percorrer diversas cidades. São 22 dioceses nos estados do Paraná, Santa Catarina e cidades de fronteira da Argentina e Paraguai, perfazendo 110 regiões num período de 11 meses, a partir do lançamento. 
Com a adequação de um ônibus a um “Moto Home”, pretende-se realizar capacitações específicas para voluntários que prestam apoio às pessoas que vivem com o vírus. A principal proposta é realizar, após o lançamento, intervenções nos locais por onde percorrer, levando informações sobre HIV/AIDS para cerca de 120 mil pessoas. 
Para que a
ação se realize foram elencadas etapas do projeto. Além da compra do ônibus e transformação em Moto Home (adequado com equipamentos de projeção de filmes temáticos, entre outros itens), também foi estabelecida parceria com o Ministério da Saúde/Programa Nacional de DST/AIDS para custeio das despesas de adaptação do veículo, bem como subvenção para 11 meses de itinerância do projeto nos estados.
Intervenções - Quando o projeto estiver nas cidades serão realizadas ações no período de um dia: projeção de filmes comentados com temáticas sobre sexualidade, afetividade e família, com debate posterior; intervenções lúdicas na rua – teatro, música e dança com concepção cênica sobre o preconceito; capacitação em controle social e Aids – com voluntários envolvidos com o tema e palestra sobre sexualidade e amor próprio para comunidade escolar – alunos, pais e professores.
A Pastoral DST/AIDS é um serviço de prevenção ao HIV e assistência aos soropositivos que tem como missão evangelizar homens e mulheres. A Igreja assume este serviço e, sem preconceitos, acolhe, acompanha e defende os direitos daqueles e daquelas que foram infectados pela Aids. Faz também trabalho de prevenção, pela conscientização dos valores evangélicos, sendo presença misericordiosa e promovendo a vida como bem maior. Atenta as necessidades das pessoas que vivem com HIV, a Pastoral trabalha na prevenção e contribui com a sociedade na contenção da epidemia, envolvendo todos os cristão na luta contra a Aids.
O Centro Popular de Formação Padre Jósimo Tavares é uma associação civil, de caráter educacional, cultural, assistencial e religioso, com larga experiência em prover meios de sustentabilidade de famílias, geração de emprego e renda, formação para adolescentes, jovens, distanciados da dependência química, bem como lutar pela construção de uma sociedade mais justa. Em decorrência dessas ações, o Centro Popular desenvolve trabalhos em conjunto com a Pastoral Nacional da Aids, que tem por objetivo disseminar informações preventivas sobre a epidemia e lutar pela defesa dos valores evangélicos, bem como um trabalho de acolhida e solidariedade às pessoas que já estão infectadas com HIV/AIDS.

(Paranashop – 05.05.2008 )





Situação de presídios nas Américas é desesperadora

7 05 2008

A situação do sistema penitenciário das Américas em relação ao tratamento e à prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (DST´s) é desesperadora. A afirmação é do coordenador da organização não-governamental (ONG) Fundación por los Detenidos Sociales, Daniel Barberis.

Em entrevista à Agência Brasil, durante a 1ª Conferência Regional de HIV/Aids no Sistema Prisional realizada em São Paulo, o coordenador, que é ex-presidiário da Argentina, disse que há muita omissão por parte dos governantes.

“Há uma enorme quantidade de países nas Américas que parece que tomaram a decisão política de deixar morrer as pessoas nessas situações. Mas nós podemos denunciar isso, nossa obrigação, como sociedade civil, é trazer essas denúncias. E trazer propostas de como solucionar essa desesperadora situação a que estão submetidas centenas de milhares de pessoas nas prisões”, afirmou.

Barberis disse também que a situação “é parecida” em institutos de menores, em hospitais psiquiátricos e em lugares para terceira idade.

Para o coordenador, um passo imediato para se tentar amenizar os problemas de saúde e de transmissão de doenças no sistema carcerário é uma articulação “horizontal” entre os setores envolvidos.

“Tem que haver uma articulação horizontal entre o Estado, a partir dos ministérios, a sociedade civil e também o sistema das agências das Nações Unidas. A primeira resposta já é um trabalho horizontal em pé de igualdade entre os setores e um plano de ação imediata que deve reconhecer que nas Américas é necessário adotar medidas de emergência sanitária em presídios.”

Segundo ele, há uma distância entre os representantes do governo e da sociedade civil que precisa ser quebrada. “A sociedade civil tem várias experiências mas se não tivermos ouvidos que escutam essas experiências elas vão para o lixo, são desperdiçadas. O Estado sabe como manejar as políticas, mas o Estado não sabe o que está acontecendo nos lugares mais afastados dos seus olhos e dos seus ouvidos. Então a sociedade civil deve ser escutada e escutar o Estado.”

Para Barberis, apesar de o Brasil ter avançado em termos de propostas para a questão, a situação do sistema penitenciário ainda é caótica. “Em formulação e proposta o Brasil está muito bem, mas a realidade carcerária do Brasil é espantosa, é horrível. Agora, a vontade política do governo brasileiro e da sociedade civil brasileira de trabalhar junto para solucionar sim, está bem.”

Um estudo do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) concluiu que a prevalência de HIV nas prisões chega a ser 20 vezes maior do que entre a população em liberdade. A situação de confinamento, a falta de assistência adequada e fatores de risco, como uso de drogas injetáveis e compartilhamento de material utilizado em tatuagens, contribuem para esses números.

(Agência Brasil – 06.05.2008 )





Um quarto dos portugueses nunca usou preservativo

7 05 2008

Um quarto dos portugueses nunca usou preservativo na vida, revelam dados do inquérito sobre comportamentos sexuais e a infecção HIV/sida em Portugal, que hoje é apresentado no Instituto de Ciências Sociais (ICS) de Lisboa. São também 38 por cento os que dizem não ter qualquer receio de contrair uma infecção ou doença transmitida por via sexual.

Embora a maioria da população (75 por cento) diga que usa ou usou no passado preservativo, há um conjunto de pessoas que nunca recorreu ao método. Neste grupo encontram-se sobretudo os menos escolarizados – mais de metade dos que dão esta resposta têm o 1.º ciclo do básico -, os mais velhos (a partir dos 45 anos) e os solteiros sem relacionamento (35,5 por cento). São também os que reportam prática religiosa mais frequente (mais de uma vez por semana) que mais dão a resposta de não utilização ao longo da vida (53 por cento). O estudo tem como base 3643 inquéritos, feitos a indivíduos entre os 16 e os 65 anos, uma amostra representativa da população de Portugal continental. Foi levado a cabo por uma equipa do ICS, coordenada pelos investigadores Manuel Villaverde Cabral e Pedro Moura Ferreira, por encomenda da Coordenação Nacional para a Infecção HIV/sida. Mais de metade dos portugueses – 59,2 por cento – admitem que não usaram o preservativo na primeira relação com o parceiro mais recente, contra 40,7 por cento dos que afirmaram tê-lo usado. Mais de metade dos portugueses – 55,2 por cento – revelam que nunca fizeram teste para o HIV. Um dos grupos expostos à infecção são os profissionais de saúde. Para prevenir riscos de contágio foi ontem lançada em Lisboa a versão portuguesa das directrizes conjuntas sobre os serviços de saúde e a infecção HIV/sida, da Organização Internacional de Trabalho e Organização Mundial de Saúde. António Sousa Uva, especialista em Medicina do Trabalho, disse ontem que “a taxa de perfuração de luvas cirúrgicas é de 13 por cento”. Isabel Caixeiro, representante da Ordem dos Médicos, nota que existe “falta de saúde ocupacional nos hospitais e centros de saúde”. O coordenador nacional para a Infecção HIV/sida, Henrique Barros, afirma que “em Portugal não haverá, ao longo de 30 anos, meia dúzia de casos [de contágio de profissionais de saúde] inequivocamente atribuíveis ao HIV”, os acidentes acontecem mas o contágio é evitado graças aos medicamentos tomados a seguir à exposição ao risco.

(Catarina Gomes/Público – 06.05.2008 )





Aumento de casos de Sida preocupa

7 05 2008

O índice de prevalência do Vih/Sida no país continua a subir. Esta tendência preocupa toda a sociedade angolana, já que a doença vitima sobretudo cidadãos em idade considerada activa e deixa muitas crianças órfãs.
Segundo estimativa do Instituto Nacional de Luta contra a Sida, divulgada em Abril deste ano, pela sua directora, Ducelina Serrano, cerca de 180 mil angolanos vivem com o vírus.
Para conter a subida, na cidade do Lubango, província da Huíla, por exemplo, muitas instituições do Governo e Organizações Não Governamentais (ONG) tentam, através de projectos de sensibilização, aconselhar os cidadãos, particularmente os jovens, a evitarem o contágio.
O projecto Jango Juvenil, um exemplo desse esforço no combate à Sida, instituído em 2003 pela ONG Acção de Solidariedade e Desenvolvimento (ASD), em parceria com a Direcção Provincial da Juventude e Desportos, promove ciclos de palestras sobre os perigos da doença na cidade do Lubango.
Durante as palestras de prevenção, os jovens que afluem aos encontros, realizados nas instalações do Jango, em escolas e noutros locais públicos do Lubango, são informados das consequências da epidemia na camada juvenil e dos métodos existentes para evitar a doença.
Nos encontros são abordadas igualmente questões ligadas às Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), com a apresentação de cartazes com imagens ilustrativas das suas fases. Os técnicos realçam que as IST aumentam o risco de contaminação.
No âmbito das actividades programadas para este ano, o Jango Juvenil juntou, recentemente, activistas de luta contra a Sida da Huíla e do Huambo, numa sessão de troca de experiências que visou reflectir sobre “o impacto da Sida em Angola” e traçar estratégias de acção para os próximos tempos.
No final do evento, que reuniu cerca de 27 activistas das duas províncias, o coordenador da Rede Criança na Huíla, Gouveia de Sousa, manifestou-se preocupado pelo número de vítimas que o Vih/Sida continua a causar, o que obriga o Governo, e não só, a aplicar avultadas somas de dinheiro no combate à doença.
“Os números tendem a aumentar. O Governo angolano e os seus parceiros continuam a empregar muito dinheiro no combate à Sida. Estes valores poderiam ser investidos na construção de mais escolas, hospitais e outras infra-estruturas sociais para o bem-estar das populações”, frisou.
Por seu turno, o activista do projecto Jango Juvenil, Bornito Rodrigues, considera que a abstinência e/ou o retardamento da actividade sexual, o uso do preservativo e a fidelidade constituem métodos aconselhados por serem “os barcos da salvação” para os jovens evitarem a infecção.

(DOMINGOS MUCUTA/Jornal de Angola – 07.05.2008 )





Milhares de adultos frequentam aulas de alfabetização no Bengo

7 05 2008

O número de cidadãos que frequenta actualmente aulas de alfabetização no Bengo é de 5. 527, segundo acaba de informar o responsável local do sector de alfabetização, Sebastião de Carvalho.
As aulas são asseguradas por 147 alfabetizadores, principalmente jovens recrutados nas localidades dos alunos, cujos ordenados são garantidos pelo Ministério da Educação, através de um contrato celebrado entre o técnico que dá as aulas e a entidade empregadora.
O presente ciclo de formação terá a duração de três meses. Os alunos aprendem matérias como “Eu e o meu nome”, “Meus registos”, “Minha família”, “Minhas raízes”, “Saúde pessoal e colectiva”, “Água e as doenças endémicas”, “VIH/Sida” e “Lixo doméstico e colectivo”.
(Jornal de Angola – 07.05.2008 )





Instituto de Luta Contra Sida assina acordo com Instituições Públicas

7 05 2008

Luanda, 07/05 – O Instituto Nacional de Luta Contra a Sida (INLS) e instituições públicas angolanas assinam hoje, quarta-feira, na sua sede, um acordo, no âmbito do financiamento do Fundo Global.

Segundo uma nota de imprensa do INLS chegada hoje à Angop, deste acordo resulta a transferência faseada durante 3 anos de 10.972.308 milhões de dólares americanos a serem geridos pela instituição no período de 2008 a 2011.

Deste financiamento, o INLS prevê desenvolver e financiar actividades de parceria no âmbito da prevenção do VIH e SIDA com os Ministérios da Educação, Administração Pública e Segurança Social, Reinserção Social, Defesa, o Instituto Nacional de Saúde Pública e o Centro Nacional de Sangue.

Durante a primeira fase do projecto do Fundo Global em Angola, que teve a duração de 2 anos, a INLS geriu três milhões 991 mil e 44 dólares americanos, enquanto que para a segunda fase o INLS prevê a gestão de 10 milhões 972 mil e 308 USD.

Com este apoio, o Fundo Global, através do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), prevê intensificar o sistema de vigilância epidemiológica do HIV/Sida, expandir o acesso aos serviços de aconselhamento e testagem voluntária, aumentar a prevenção do HIV entre os grupos vulneráveis, como jovens, mulheres, camionistas, prisioneiros, trabalhadoras do sexo, consolidar o programa nacional do corte da transmissão vertical nos serviços de saúde reprodutiva e, garantir a assistência médica às pessoas vivendo com o Hiv.

Em Angola o PNUD, principal receptor do Fundo Global, assumiu a responsabilidade de ajudar o país no controlo da Malária, tuberculose e VIH.

(AngolaPress – 07.05.2008 )