A percentagem dos que nunca realizaram o teste é maior entre os homens (57,8%) do que nas mulheres (52,6%) e nos que só têm o 1.º ciclo do ensino básico, grupo em que chega aos 76%. Os dados permitem concluir que, caso a análise não fosse obrigatória para as mulheres grávidas, a proporção de pessoas que nunca testou a sua exposição ao vírus (55,2%) seria substancialmente maior. Indicadores que não só dificultam o correcto diagnóstico sobre o número de infectados com sida em Portugal como, pelo desconhecimento, podem contribuir para níveis mais elevados de contaminação.
Os casados são dos que menos se preocupam com uma possível infecção – apenas 40% fizeram o teste. Mas o inquérito revela que, pelo menos, 12% dos portugueses em situação de conjugalidade tiveram relações sexuais fora do casamento.
A infidelidade é admitida por 16,9% dos homens, bastante mais do que pelas mulheres, com apenas 7,1% do universo a admiti-la. Face aos último e penúltimo parceiros, 15,7% e 21,8% dos homens, respectivamente, referem que foram relações ocasionais. Já no universo feminino, aquelas relações ocasionais são apenas apontadas por 5,9% das mulheres.
O inquérito “Comportamentos sexuais e a infecção VIH/sida em Portugal” identifica ainda diferenças substanciais entre homens e mulheres quanto ao número de parceiros. Enquanto 59,1% dos homens declaram ter tido quatro ou mais parceiros ao longo da vida, a grande maioria das mulheres (55,7%) diz ter tido apenas um parceiro. Mas há quase 18% de mulheres que afirmam ter tido quatro ou mais parceiros sexuais ao longo da vida.
Também as idades de iniciação sexual variam de homem para mulher. O inquérito revela que a idade do primeiro contacto sexual foi, em média, perto dos 15 anos, enquanto a idade da primeira relação sexual foi aos 18 anos. Mas para as mulheres o sexo aparece aos 19 anos, quatro anos mais tarde do que para os homens. Os dados não revelam as novas tendências entre os grupos mais jovens, com uma iniciação sexual mais precoce, mas a média entre todos aqueles em idade sexual activa.
Preservativo, esse mal-amado
Embora a maioria dos portugueses inquiridos (73,2%) já tenha usado preservativo, quase 60% dizem não o ter utilizado na primeira relação com o parceiro mais recente. Entre os menos escolarizados (com o primeiro ciclo do ensino básico), encontra- -se mesmo uma percentagem significativa (52,1%) que confessa nunca ter recorrido ao preservativo nas suas relações sexuais. Algo que poderá estar ligado a um escalão etário mais elevado. Já entre os que têm entre 25 e 34 anos, a grande maioria dos inquiridos (86,6%) garante que usa ou já usou o preservativo. Este é, de resto, o escalão etário em que a sua utilização é mais expressiva.
Nesta matéria, as mulheres revelam ser mais cuidadosas do que os homens, uma vez que nas relações ocasionais apenas 2,7% dizem não tomar prevenções, contra 10% dos homens.
O inquérito encomendado pela Coordenação Nacional para a Infecção VIH/Sida revela ainda que a maioria dos portugueses olha para a homossexualidade como algo “errado”. O sexo entre dois homens é visto como “totalmente errado” por quase 60% dos inquiridos. A tolerância aumenta muito ligeiramente para o sexo entre mulheres, vista negativamente por 54% dos inquiridos.
(Carla Aguiar/Diário Notícias – 06.05.2008 )


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