Crise alimentar mundial: Jóia na coroa de quem?

4 05 2008

 

O tão-badalado modelo político e económico que os países do mundo adoptaram com tanta esperança, cujas virtudes há tanto tempo e por tantos foram proclamadas, tem apenas um problema: não funciona. A economia de mercado baseia-se em fundamentais que são demasiado fáceis de corromper pela especulação e o actual modelo de social democracia nem é democrático nem o seu componente social basta para endereçar as necessidades dos cidadãos do mundo. A crise alimentar mundial é um exemplo esplendente do desastre em que este modelo se tornou.

De acordo com a ONU, pelo menos 100 milhões de pessoas correm o risco de enfrentarem graves faltas de alimentos por causa da alta nos custos – uma tendência crescente que lesa especialmente os mais pobres nos países em vias de desenvolvimento, onde tipicamente, 80% do orçamento familiar se destina a alimentos.

Entre 2006 e 2007, os preços dos alimentos aumentaram 37% e entre 2007 e 2008, por 56%, enquanto o preço dos cereais no mesmo período sofreu um incremento de 74%. Este salto sem precedentes põe em questão alguns dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.

Causas

As causas são muitas – o crescimento nas populações e em rendimentos criaram uma demanda/procura maior; condições meteorológicas e a concentração em bio-combustiveis em certas zonas reduziram a oferta e depois uma miríade de condições impostas por gula e especulação. Preços de petróleo a aumentar em flecha levaram a uma alta em custos de transportação e fertilizantes, levando agricultores a reduzirem a produção por dois terços em algumas áreas, que por sua vez aumentou ainda mais os preços. Políticas de compra motivadas mais por pânico do que por senso e o jogo nos preços das commodities – um passatempo tão popular nos dias de hoje, que envia ondas de choque quase diariamente através das economias da comunidade internacional – fizeram o resto.

Efeitos

Como sempre, os mais afectados são as mulheres e as crianças em geral e em especial, os órfãos, os doentes (SIDA/AIDS e VIH), os refugiados e Pessoas Internamente Deslocadas, nómadas e a população urbana pobre.

Os efeitos concretos para estas pessoas são três escolhas nuas e cruas: entre comer algo todos os dias ou comer mais em alguns dias e nada nos outros, gastar dinheiro em comida ou medicamentos e enviar as crianças à escola ou ao campo para trabalharem. Antigamente era nas escolas onde muitas crianças comiam uma refeição equilibrada. Hoje, muitas encontram, se tanto, um prato de arroz.

Soluções

A ONU realça o facto que a situação não é uniformemente muito grave em todas as regiões mas no entanto avisa que há mais que 100 milhões de pessoas em risco. Fez planos para uma ofensiva de três fases: no curto prazo, uma missão para buscar informações, identificar os mais vulneráveis e canalizar a distribuição; no médio prazo, programas de distribuição de sementes, fertilizantes e uma extensão de crédito; e a longo prazo, os planos incluem reformas políticas para fomentar a produção e investimento em redes de segurança alimentar sustentáveis.

Contudo, um belo comentário sobre a nossa comunidade internacional de hoje é providenciado pelo facto que falta ao Programa Alimentar Mundial da ONU a soma de 755 milhões de USD, num mundo onde se prefere desperdiçar centenas, senão milhares, de biliões de dólares no acto de chacina no Iraque do que fornecer serviços públicos numa escala global. Mas que sistema maravilhoso, esse.

A crise alimentar mundial é uma jóia esplendente na coroa de um sistema político e económico cuja única razão de ser foi historicamente constituir um cravo no pé do Socialismo e que não descansava enquanto não gastava triliões de dólares e empregava políticas assassinas para tentar (em vão) sabotar o modelo. O resultado é cristalino: caos no sistema monetária internacional, caos na economia global, caos no fornecimento de uma necessidade tão básica como comida na mesa para centenas de milhões de pessoas.

Este sistema não funciona.

(Timothy BANCROFT-HINCHEY/PRAVDA.Ru – 02.05.2008 )





Bié: Ong americana sensibiliza comunidades sobre doenças sexualmente transmissíveis

4 05 2008

Kuito, 02/05 – A organização não governamental americana “Care International” promove a partir de hoje, sexta-feira, no Kuito, província do Bié, um ciclo de palestras sobre as doenças sexualmente transmissíveis, com destaque para o Vih/Sida.

Em declaração hoje à Angop, o responsável da instituição no Bié, Miguel da Costa, frisou que a acção visa sensibilizar e prevenir as comunidades dos perigos das enfermidades, e ensina-los a lidar com pacientes infectados, em especial o Vih/Sida.

Actualmente, segundo Miguel da Costa, estão a ser implementados quatro projectos do género, nos municípios de Katabola (leste), Kunhinga e Andulo (norte) e na cidade do Kuito.

O programa é financiado pelo Instituto de Reintegração Social dos Ex-militares (IRSM) nesta circunscrição, sem no entanto adiantar o montante já investido.

Para além da prevenção das doenças, as populações são ainda dotadas de conhecimentos sobre o saneamento básico do meio, cuidados com a terra, perigo de minas e outras questões importantes às comunidades, acrescentando que o mesmo enquadra-se no Programa de Desenvolvimento Municipal (PDM) do governo angolano.

(AngolaPress – 02.05.2008 )





BNHC (clínica americana) visita Fogo

4 05 2008

Contactos com as estruturas de saúde e levantamento das necessidades ligadas a problemática do HIV-Sida são os objectivos de uma equipa de três elementos da clínica Brockton Neighboord Health Center, “BNHC”, que se encontra na ilha do Fogo.

 

Durante a sua estada, a missão já esteve no hospital regional de São FilipeCentro Sócio-Sanitário São Francisco de Assis dos Padres Capuchinhos, centro de saúde de Cova Figueira, e centro de saúde dos Mosteiros.

Análise da situação e identificação das necessidades em termos de luta contra o HIV-Sida, como teste rápido e medicamento anti-retroviral, são alguns dos objectivos desta visita.

Ao que asemanaonline pôde apurar nos próximos meses chegará ao país uma outra missão da “BNHC”, com elementos especializados sobretudo na problemática da SIDA. São várias, aliás, as actividades que a missão está a realizar na ilha, desde palestras sobre o HIV-Sida e distribuição de preservativos.

(A Semana Online – 04.05.2008 )





Ceará já registrou mais de 2.800 mortes

4 05 2008

No Ceará até maio de 2007, foram diagnosticados 8.786 casos de Aids, sendo 28,5% em mulheres. Em 27 anos foram mais de 2.800 óbitos no Estado. O primeiro caso foi detectado em 1980, um paciente originário de São Paulo que morreu em 1983. O segundo óbito aconteceu em 1985. Em dezembro do mesmo ano, o primeiro caso foi detectado no interior do Estado na cidade de Aratuba. A média atual é de 40 a 50 novos casos a cada mês, de acordo com a Secretaria de Saúde do Estado.

A maioria dos pacientes são de baixa renda e a doença já foi detectada em mais de 90% dos municípios. Atualmente, 6.040 pessoas que vivem com o HIV estão cadastradas no ambulatório do Hospital São José, destes 3.100 fazem uso do coquetel de anti-retrovirais. Desde 2005 existem dois outros hospítais que realizam atendimento a portadores do HIV, o Gonzaguinha de Messejana, voltado à gestantes e crianças e o Centro de Especialidades Médicas José de Alencar, que atende adultos e adolescentes.

As taxas de mortalidade por Aids no Ceará estão em ascensão, diferentemente de outros estados, cujas taxas estão em declínio. A faixa etária mais atingida pela doença são os adultos de 20 a 34 anos. Em relação as mulheres, a grande preocupação é com o aumento da transmissão vertical, haja visto que as mesmas estão adoecendo em plena idade reprodutiva.

A mulher infectada pode transmitir o vírus ao feto desde as fases mais precoces da gestação, durante o parto e após o nascimento da criança. No Ceará, de 1985 a maio de 2007, foram notificados 205 casos de Aids em crianças. Do total, 167 casos ocorreram devido à transmissão vertical. De acordo com a Sesa, é necessário investir mais em métodos de diagnósticos, para determinar com rapidez se uma determinada criança foi atingida pelo HIV, e em versões pediátricas dos remédios, para aumentar as taxas de sobrevivência.

(Diário do Nordeste – 04.05.2008)





BAD ajuda países africanos vítimas da crise alimentar

4 05 2008

Túnis, Tunísia (PANA) - O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) decidiu mobilizar um fundo suplementar de um bilião de dólares americanos para fazer face à crise alimentar que ameaça cerca de 150 milhões de pessoas em África, anunciou sexta-feira à noite em Túnis o presidente deste instituição, Donald Kaberuka.

Esta soma deverá juntar-se a três biliões 800 milhões de dólares americanos consagrados desde Julho último pelo BAD ao apoio ao sector agrícola em África, declarou Kaberuka à imprensa no termo dum Conselho de Administração da instituição financeira continental.

O alto funcionário ruandês à frente do BAD disse que as populações que correm riscos muito sérios são os pobres das zonas urbanas e rurais, mães e crianças de tenra idade, bem como pessoas portadoras do HIV/Sida.

Ele citou 12 países, entre os mais ameaçados no continente, nomeadamente os que acabam de sair de conflitos ou que dependem das importações, tais como a Libéria, a Gâmbia, a Guiné-Bissau, a República Centro-Africana, a República Democrática do Congo, o Djibuti e até o Egipto.

Este financiamento anunciado, que dará igualmente uma ajuda aos países cujas balanças de pagamento estão em dificuldade, faz parte duma série de medidas que o Conselho de Administração do BAD acaba de tomar durante a sua reunião consagrada ao debate sobre esta crise, a seu ver, “afecta todos os países”, garantiu.

Durante o mesmo encontro foi decidida a mobilizaçao de cerca de 250 milhões de dólares americanos a título de financiamentos de mergência para a compra de instrumentos agrícolas e fertilizantes nos próximos 12 anos, de acordo com Kaberuka.

Por outro lado, acrescentou, o Mecanismo Africano para os Fertilizantes criado pelo BAD vai tornar-se operacional com vista a aumentar a utilização dos adubos nas pequenas explorações agrícolas.

O presidente do Conselho de Administração do BAD deu a conhecer que O choque foi entretanto provocado este ano pela seca que assolou a Austrália e pela interdição por alguns países produtores de exportações de cereais, nomeadamente o trigo e o arroz, além dos fundos especulativos”.

Independentemente das medidas imediatas necessárias, trata-se, segundo o BAD, duma “crise a longo prazo que não vai desaparecer imediatamente e que, consequentemente, exige uma solução a longo prazo para dar um novo impulso a tudo que diga respeito à produção agrícola”, preveniu Kaberuka.

Depois de ter rendido homenagem aos países que anunciaram ajudas de emergência, dos quais França, Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Japão, para apoiar os países afectados em África, o presidente do BAD lançou um apelo aos países que proibiram exportações “para deixar de obstruir o comércio internaiconal e o livre jogo do mercado”.

O BAD pretende, por outro lado, reorientar uma parte importante da sua pasta de infra-estruturas para dinamizar os investimentos nos sistemas de irrigação, disse.

É também sua ambiciona acelerar as actividades visando reduzir as perdas pós-colheitas avaliadas em 40 por cento das colheitas em África, indicou.

Segundo uma avaliação do BAD, uma redução de 10 por cento destas perdas permitirá obter cinco milhões de toneladas suplementares de cereais.

Um relatório dos serviços especializados da instituição financeira africana salientou que as tendências da crise actual começaram a manifestar-se desde há dois anos.

O BAD estima em cerca de 35 milhões 800 mil toneladas métricas o défice dos produtos alimentares em África.

(Panapress – 03.05.2008 )

<!–

-->





Comportamentos Sexuais e a infecção HIV/Sida em Portugal

4 05 2008

Apresentação de resultados do inquérito ‘Comportamentos Sexuais e a infecção HIV/Sida em Portugal’ – ICS apresenta resultados do maior inquérito realizado no nosso país sobre os comportamentos sexuais dos portugueses.

DATA/HORA: Terça-feira, 6 de Maio, às 9h30

LOCAL: Instituto de Ciências Sociais

Avenida Aníbal Bettencourt, nº 9, em Lisboa

ICS apresenta resultados do maior inquérito realizado no nosso país sobre os comportamentos sexuais dos portugueses

O Instituto de Ciências Sociais (ICS) apresenta, dia 6 de Maio, os resultados do inquérito ‘Comportamentos Sexuais e a infecção HIV/Sida em Portugal’, o maior estudo realizado até hoje nesta área e que resulta de uma encomenda da Coordenação Nacional para a Infecção VIH/Sida. Mais de 3500 portugueses com idades compreendidas entre os 16 e os 65 anos foram questionados sobre o tipo e a regularidade da sua actividade sexual, o grau de satisfação, o número de parceiros, a idade em que iniciaram a vida sexual, o uso do preservativo e o conhecimento das formas de prevenção da transmissão sexual do VIH, entre outras.

Este inquérito foi coordenado por Manuel Villaverde Cabral e Pedro Moura Ferreira, ambos investigadores do ICS, e o trabalho de campo foi realizado ao longo de 2007. Deste projecto, faz também parte um estudo inédito sobre práticas e identidades sexuais na homossexualidade e da bissexualidade, da responsabilidade da socióloga Sofia Aboim, cujos resultados serão também agora divulgados.

A fechar a apresentação dos resultados do inquérito, irá realizar-se a conferência ‘Sexualidade, género e saúde em França: as alterações do panorama’ conduzida por Michel Bozon, prestigiado sociólogo francês e especialista em comportamentos sexuais. É autor de diversos livros e artigos sobre família, género e sexualidade, além de projectos de investigação sobre sexualidade, comportamento e sociabilidade realizadas em França e no Brasil.

(Pravda – 03.05.2008 )





Jovens soropositivos querem o direito a uma vaga nas reuniões do Comitê que elabora o cosenso terapêutico para crianças e adolescentes

4 05 2008

Uma aula prática de ativismo. Esse pode ser o resumo de palestra ministrada por José Araújo, diretor da AFXB (centro de convivência para crianças e adolescentes que vivem com HIV/Aids em São Paulo), na manhã de quinta-feira (01/05). A apresentação integra a programação do “Curso Nacional de Ativismo e Direitos Humanos para Jovens Vivendo com HIV/Aids”, que teve início na noite da última quarta-feira (30/04).

O evento, que conta com a participação de 34 adolescentes soropositivos de várias partes do país, termina domingo (04/05). Em sua exposição, José Araújo explicou, entre outras coisas, o significado do termo ativismo e maneiras de exercê-lo.

O integrante da AFXB também propôs aos presentes um exercício prático: discutir a possibilidade de revisão, por parte do Programa Nacional de DST/Aids, das informações contidas no Consenso Terapêutico para crianças e adolescentes e a abertura de uma vaga, no comitê que elabora o Consenso, que seria destinada aos jovens que atuam no movimento de luta contra a Aids.

O Consenso Terapêutico é uma espécie de guia que orienta profissionais de saúde de todo o país sobre os tratamentos mais eficazes para pessoas vivendo com HIV/Aids. De acordo com José Araújo, o Consenso dirigido aos jovens estaria desatualizado: o documento teria sofrido alterações pela última vez no ano de 2005 (segundo Araújo).

Ficou acertado, após votação, que os jovens vão redigir uma carta pedindo a atualização do Consenso e a abertura de uma vaga no comitê que formula o documento. A mensagem terá como destinatário o Programa Nacional de DST/Aids.

“Você não pede espaço, você ocupa espaço”, disse José Araújo. Sobre o Consenso Terapêutico voltado aos jovens, Araújo avaliou que o documento estaria “ultrapassado”. O ativista comanda, na cidade de São Paulo, um centro de convivência que acolhe crianças e adolescentes soropositivos.

“No ativismo nós temos que pensar no que fazer e em como fazer”, ensinou, aos atentos ouvintes, o diretor da AFXB. Para José Araújo, o ativismo começa nas “pequenas coisas”. “Ativismo é utopia pura”, disse. Soropositivo, o ativista lembrou que, em setembro de 2008, fará 24 anos que ele é portador do vírus HIV.

Caridade x Solidariedade

O paulista José Araújo também discutiu a diferença entre dois termos aparentemente similares: caridade e solidariedade. “A caridade pode vir de várias maneiras, mas muito mais para nos tranqüilizar. A solidariedade é diferente”, explicou. Para o ativista, muitos praticam a caridade para aliviar sentimentos relacionados com a culpa.

“A solidariedade é muito forte porque você dorme com ela, acorda com ela”, explica. “Essa solidariedade você leva para o ativismo”, afirma José Araújo. “Ativista não tira férias”, diz. O diretor da AFXB usou o exemplo, com o intuito de diferenciar solidariedade e caridade, de pessoas que ajudam crianças soropositivas financeira e pontualmente, mas que não lutam ou não compreendem a importância de lutar pelos direitos civis desses jovens.

“Caridade parece que tá mais no campo assistencialista”, avaliou um dos jovens presentes. “Caridade pode ser um ato bondoso e justo também”, acrescentou Samir, outro adolescente que participa do “Curso Nacional de Ativismo e Direitos Humanos para Jovens Vivendo com HIV/Aids”. O evento, que acontece na capital paulista, é realizado pelo Grupo de Incentivo à Vida, pela Anima e pelo Fórum de ONG/Aids de São Paulo.

A iniciativa, que será encerrada neste domingo (04/05), conta com apoio do Programa Nacional de DST/Aids, do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).

(Léo Nogueira/Agencia de Notícias da AIDS – 02.05.2008 )





Pesquisas não detém a Aids

4 05 2008

O vírus HIV foi descoberto e isolado há 25 anos, vários foram os avanços das pesquisas, mas falta a vacina

A equipe do pesquisador francês Luc Montaigner, do Instituto Pasteur de Paris, tornou pública ao mundo, através de artigo publicado na revista americana Science, há 25 anos, a identificação e isolamento do vírus da Aids. Desde então 25 milhões de pessoas já morreram em decorrência da doença e 65 milhões foram infectadas. Apesar dos avanços das pesquisas ainda não foi descoberta uma vacina que possa dar alento as 32 milhões de pessoas que convivem com a sindrome nos dias atuais.

A pandemia da Aids tem se agravado nos últimos anos nos países pobres. A África subsaariana e meridional continuam como epícentro da doença, são mais de 24 milhões de infectados, ou 70% do número total de casos. A doença avança também na Ásia. A Índia, com 5,7 milhões de doentes passou a ser o país com maior número de infectados no mundo, desbancando a África do Sul, que tem 5,5 milhões. Os números na China triplicaram já atingindo 650 mil pessoas.

O Brasil aparece no último relatório da Unaids (unidade da Organização das Nações Unidas para Aids) na 16ª colocação com 620 mil casos. Número este dispare aos oficiais do Ministério da Saúde, que detectou de 1980 a 2007, 474.327 casos no País. Na América Latina são 2,4 milhões de infectados.

O Brasil foi o primeiro país em desenvolvimento a introduzir o fornecimento de antiretrovirais através do sistema público de saúde. O primeiro protótipo do programa surgiu ainda timidamente em 1987. Mas a entrada em cena do Banco Mundial como financiador de projetos na área da saúde muda essa tendência. Em 1994 o Brasil assina um primeiro acordo com o Banco, o que alavanca o desenvolvimento do programa nacional.

Este ano o Programa Nacional de DST Aids, chega aos 21 anos, de forma consolidada. O Brasil é referência mundial em políticas públicas de combate a Aids e internacionalmente tem conseguido quebrar a patente de grandes laboratórios.

A experiência brasileira já virou exemplo para o mundo em desenvolvimento. Na América Latina, onde existem 1,9 milhões de soropositivos, o Brasil está apoiando projetos de controle da Aids em sete países. Países da África, entre eles Botsuana, onde quase 40% da população adulta está contaminada, também estão recebendo assessoria dos brasileiros.

Seguindo o exemplo, hoje 140 países aprovaram declaração da ONU se comprometendo a promover o acesso universal a antiretrovirais até 2010. Até lá serão necessários 17,8 bilhões de euros para combate à doença, que é a segunda a fazer mais vítimas no mundo, logo atrás da tuberculose.

A Aids é causada por um retrovírus, o HIV, provavelmente originário de gorilas, de acordo com pesquisadores. O fato é que a doença chegou aos seres humanos. O vírus se aloja nas células e passa a destruir o sistema imunológico. A pessoa infectada, desprotegida, fica a mercê de infecções oportunistas que podem ser fatais.

Existem teorias de que a Aids não é uma doença surgida no final do século XX, mas na primeira metade do século passado. O primeiro humano teria sido infectado em 1930 na África, mas ficou restrito ao local.

Massificação do vírus

Com o tempo, as melhoria das tecnologias e até da medicina, como a massificação das transfusões sangüíneas, a sindrome passou a ter um mecanismo de transmissão. Nos países africanos onde o sistema de saúde é precaríssimo a doença foi disseminada na proporção geométrica.

Nos dias atuais, com a existência de coqueteis de remédios, a Aids não significa mais uma sentença de morte. Os medicamentos conseguem reduzir em 99% o número de vírus no organismo. Assim as pessoas infectadas passaram a conviver com a doença com uma certa qualidade de vida.

Mas na maior parte do planeta, quem tem o HIV muitas vezes morre sem ter acesso a qualquer medicamento. Segundo relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV/Aids (Unaids) apenas um em cada 10 africanos que precisam de tratamento recebe alguma assistência, enquanto na Ásia é um em cada sete.

(MARCELO RAULINO/ Diário do Nordeste – 04.05.2008 )

FIQUE POR DENTRO
Descoberta gerou disputa entre cientistas

Somente em 1984, o retrovírus, considerado agente etiológico da AIDS, foi descoberto. Dois grupos de cientistas reclamaram ter sido o primeiro a descobri-lo, um do Instituto Pasteur de Paris, chefiado pelo Dr. Luc Montangnier e o outro dos Estados Unidos, chefiado pelo Dr. Robert Gallo. O fato é que uma das pesquisadoras do Instituto Pasteur de Paris, Françoise Barre-Sinoussi, conseguiu cultivar um retrovírus em laboratório e enviou o material para o laboratório de Robert Gallo, para que este confirmasse o seu achado, por se tratar de um eminente cientista. Com base neste material, Gallo divulgou a descoberta como se fosse sua, vindo a retratar-se somente no início da década de 90. Gallo é um importante virologista, e já havia identificado outros dois retrovírus. Depois das disputas esclarecidas, chegou-se ao consenso de denomina-lo HIV.





Cunene: Sindicato quer respeito por seropositivos nos locais de serviço

4 05 2008

Ondjiva, 02/05 – O presidente da União dos Sindicatos no Cunene, Pedro Adão Kahalo, apelou quinta-feira em Ondjiva, cidade capital da província, para o melhor e harmonioso convívio laboral entre funcionários junto de trabalhadores seropositivos nos locais de serviço.

Falando no acto provincial da celebração do Dia Internacioal do Trabalhador, assinalado a 01 de Maio do corrente ano, referiu o VIH/Sida é uma doença que todos podem contrair, sendo necessária a envolvência da população em geral nos vários estrato sociais no combate a doença.

Deve-se evitar o estigma e preconceito aos trabalhadores seropositivos desenvolvendo um convívio laboral mais sadio e harmonioso porque o portador do vírus do VIH/Sida não é uma pessoa diferente, somente conhece o seu estado serológico quanto a doença, sublinhou o responsável.

Pedro Adão Kahalo persuadiu aos empregadores do sector privado a cultivarem o princípio da não descriminação dos trabalhadores infectados pela patologia (Sida), sendo que o seropositivo constitui ainda um elemento fundamental no desenvolvimento do país, dando o seu saber em prol do progresso de Angola porque a doença não escolhe a quem infectar.

O VIH/Sida hoje é uma das doenças mais mortíferas a nível do mundo pois calcula-se que trabalhadores dos 18 aos 45 anos de idade são os mais infectados pela pandemia, disse o sindicalista.

O presidente da União dos Sindicatos no Cunene revelou à Angop que o seu organismo pretende desenvolver acções de sensibilização sobre as medidas de prevenção, tratamentos e possíveis cuidados para evitar o contágio da Sida, nos locais de trabalhos lutando contra a proliferação e estigma da doença no seio laboral.

Entretanto, o acto provincial do 01 de Maio na província, contou ainda com a realização de uma passeata nos arredores da cidade de Ondjiva, onde estiveram presentes trabalhadores de vários organismos estatais e do sector privado.

O Dia Mundial do Trabalhador foi criado em 1889, por um Congresso Socialista realizado em Paris. A data foi escolhida em homenagem à greve geral, que aconteceu em 1 de Maio de 1886, em Chicago, o principal centro industrial dos Estados Unidos naquela época.

Milhares de trabalhadores foram às ruas para protestar contra as condições de trabalho desumanas a que eram submetidos e exigir a redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias.

(AngolaPress – 02.05.2008 )





UGANDA: O custo de manter a seropositividade das crianças em segredo

4 05 2008

KAMPALA, 1 Maio 2008 (PlusNews) – Durante toda sua infância, Gordon Turibamwe, 20 anos, foi uma criança doente, com crises recorrentes de malária e infecções pulmonares. Seu pai, no entanto, só contou-lhe que ele era seropositivo quando o menino completou 16 anos, o que Turibamwe diz ter lhe causado um grande trauma.

“Eu fiquei muito chocado e com muita raiva de meu pai durante muito tempo”, disse. “Pensei que fosse morrer logo, eu tinha muito pouca esperança.”

Turibamwe foi diagnosticado quando tinha 10 anos e começou a tomar o antibiótico Septrin, mas ninguém lhe disse por que tinha que tomar o remédio. Quando ficou mais velho, suas doenças frequentes, a morte de sua madrasta e a saúde frágil de seu pai fizeram com que desconfiasse de seu estado. Seu pai acabou por contar-lhe, sob a pressão de um médico.

“Se eu tivesse sabido antes eu poderia ter lidado melhor com isto, mas eu não confiava mais em meu pai e culpava-o por ter-me transmitido o HIV”, disse ele. O pai de Turibamwe faleceu em Março, quando a relação pai-filho já estava melhor.

Turibamwe é o autor de um pequeno livro, uma autobiografia intitulada Como eu descobri que era seropositivo. Ele espera que o livro possa destacar aos pais a importância de contar aos filhos seu estado serológico.

Seu irmão mais novo, Graham, que agora tem 12 anos, também é seropositivo mas soube mais cedo. “Pode-se ver que ele está a lidar bem com a situação e faz parte de um grupo de apoio – vai dar tudo certo para ele”, disse Turibamwe.

Estigma e negação

Segundo Goretti Nakabugo, conselheira ugandense que trabalhou com jovens seropositivos, a razão principal para que os pais não revelem o estado serológico dos filhos é o medo de que as crianças sejam estigmatizadas.

“As crianças vivem muito mal as revelações tardias. É muito repentino e eles geralmente estão doentes quando ficam sabendo, o que piora ainda mais a situação”, disse.

“Eles sentem muita raiva, culpa e têm a impressão de terem sido impedidos de fazer um papel importante em suas vidas”, acrescentou Nakabugo. “A revelação é um processo, ela deveria ser feita por etapas a partir dos oito ou dez anos de idade, dependendo da maturidade da criança.”

''Eu fiquei muito chocado e com raiva do meu pai por muito tempo. Pensei que fosse morrer logo, tinha muito pouca esperança.''

Muitas vezes, nota Nakabugo, os pais recusam-se a aceitar seu próprio estado, e o fato de admitir o estado serológico de seus filhos os forçaria a encarar a própria situação.

Foi o que aconteceu com a namorada de Turibamwe, Princess Nuru, de 22 anos. Ela descobriu ser seropositiva aos 18 anos, após uma doença que lhe foi quase fatal. Seus médicos contaram-lhe que era seropositiva e quando ela contou à sua mãe, ela acusou Princess de ter contraído o vírus através de relações sexuais.

“Mas eu sabia que nunca tinha tido relações sexuais, então só podia haver uma explicação, especialmente sabendo que eu tinha passado grande parte da minha infância doente”, disse Princess. “A revelação foi um choque, mas a reação de minha mãe foi ainda pior.”

O pai de Nuru faleceu há vários anos. Embora sua esposa soubesse que ele tinha morrido de doenças relacionadas à SIDA, ele só fez o teste recentemente – quase quatro anos depois do diagnóstico de Nuru.

“Ela teve tuberculose no ano passado e foi então que ela finalmente se testou e soube que era seropositiva”, disse Nuru. “Agora nossa relação é boa, ela pediu desculpas e está a seguir o tratamento para a TB, mas ainda está bem doente.”

Segundo Nakabugo, a chave para revelar a seropositividade de uma criança é lidar primeiro com a estigmatização.

“Se os próprios pais adotam uma atitude de auto-estigmatização, eles vão transmiti-la às crianças”, disse ela. “O estigma leva à negação e à revelação tardia; a revelação tardia, por sua vez, leva à estigmatização porque a criança acha que não pode falar de seu estado já que foi um segredo tão bem guardado durante tanto tempo – é um círculo vicioso.”

Segundo a Academia Americana de Pediatria, as pesquisas indicam que as crianças que conhecem seu estado serológico têm uma melhor auto-estima que as crianças seropositivas que o ignoram.

“Os pais que revelaram a seus filhos seu estado serológico sofrem menos de depressão do que aqueles que não o fizeram”, disse a Academia em sua declaração de política sobre a revelação de seu estado serológico a crianças e adolescentes que vivem com o HIV.

“A revelação deveria levar em consideração não somente a idade e a maturidade da criança e a complexidade da dinâmica familiar, mas também o contexto clínico”, disse a declaração. “Nos casos de crianças gravemente doentes, as discussões sobre a morte podem ser mais apropriadas do que a revelação da seropositividade.”
(PlusNews – 01.05.2008 )

 





Uma ajuda para mães e filhos na Espanha

4 05 2008

Elas chegam à Espanha advindas da África, Ásia, América Latina ou leste da Europa em busca de uma vida melhor. Mães solteiras ou casadas, mas na maioria dos casos sem os seus maridos. Todavia, o empenho por tentar assegurar esta (muitas vezes utópica) nova e melhor vida não garante a única coisa que o dinheiro não pode comprar: saúde.

Um hospital de Madrid está desenvolvendo um programa destinado às doenças infecciosas para evitar que as mães transmitam aos seus filhos.

Miriam Navarro, médica e pesquisadora do Hospital Ramón y Cajal de Madrid afirma: “Muitos têm a crença errada de que os imigrantes são portadores de doenças infecciosas. Não é certo. A maioria é jovem, sã e forte. O que acontece é que muitos chegam ao seu destino e se esquecem de cuidar de sua própria saúde: só querem trabalhar, além de não saberem se prevenir adequadamente”.

A médica também criou um projeto em 2006 para cuidar especialmente de pacientes com o vírus da Aids. A idéia surgiu depois que se soube que muitos imigrantes desconheciam por completo como se transmite o vírus HIV. Alguns chegavam a pensar que um mosquito poderia ser o vetor da doença.

O primeiro programa contou com 138 imigrantes de origem africana procedentes de 20 países, com a média de 26 anos de idade. Um pouco mais de 10% dos pacientes sequer sabiam da existência da Aids e para cerca de 60%, o vírus HIV representava um castigo de Deus.

O objetivo do programa é informar às pacientes sobre as doenças infecciosas e ensiná-las na prevenção, haja vista que 88% das participantes afirmaram que não usavam preservativos nas relações sexuais, o que representa um risco alto para as DST – doenças sexualmente transmissíveis.

As próximas etapas do projeto terão o foco na doença de Chagas e na tuberculose. “A doença de Chagas tem uma elevada taxa de incidência na Bolívia. Aqui na Espanha há muitas bolivianas e elas desconhecem a doença, pois é silenciosa e tampouco sabem que podem transmitir para os seus filhos”, conta Miriam Navarro.

(SRZD - 28.04.2008  )