Aids cresce entre mulheres adultas

29 04 2008

A epidemia de Aids em Campinas apresenta um perfil diferente do panorama nacional. Um estudo recentemente divulgado pelo Ministério da Saúde mostra que, no País, o grupo de adolescentes mulheres, na faixa de 13 a 19 anos, apresentou crescimento de 58,8% de incidência da doença nos últimos dez anos. Já o último levantamento do Programa Municipal de DST/AIDS constatou que, nesses casos, o aumento da epidemia foi de 10% em Campinas. No entanto, o grupo que mais preocupa as autoridades campineiras é o de mulheres entre 20 e 49 anos, que apresenta crescimento significativo na última década, além de concentrar a maior quantidade de incidência da doença.

“Enquanto o quadro de Aids em Campinas pode ser considerado declinante, a população feminina jovem e adulta apresenta índices crescentes. A taxa desse aumento é tão representativa que em breve a população com Aids heterossexual feminina deverá ultrapassar a masculina, algo que era impensável nos anos 90”, avalia a coordenadora do Programa Municipal de DST/AIDS, Maria Cristina Feijó Januzzi Ilário. O boletim epidemiológico de Campinas, publicado em 2006, traz uma comparação entre a exposição da população heterossexual no período de 1991 a 1995 com os anos de 2000 e 2004.

A população de mulheres de 30 a 39 anos portadora do vírus HIV é a com maior incidência: são 35,7 casos a cada 100 mil habitantes, número 3,7 vezes maior do que dez anos antes. “Até em faixas etárias em que a incidência da doença não é grande, como nas mulheres de 50 a 59 anos ou nas de 60 anos ou mais, houve índices alarmantes de crescimento”, constata Maria Cristina. Apesar dos números mais atualizados do Programa Municipal de DST/AIDS referirem-se ao começo da década, a coordenadora não acredita em grandes mudanças em tão pouco tempo. “Mudanças no perfil epidemiológico demoram de cinco a dez anos para acontecerem”, afirma.

A previsão é de que um novo boletim epidemiológico seja publicado até a metade do ano com dados atualizados sobre a Aids em Campinas. E, de acordo com as análises preliminares, a feminilização da doença deve ser novamente uma característica comprovada pela estatística. “Geralmente, nós, aqui em Campinas, conseguimos captar as tendências da epidemia de Aids que mais tarde se confirmam em termos nacionais. E existe um potencial muito grande de num futuro próximo as mulheres superarem os homens no número de portadores da doença”, salienta.

Grupo de risco

Outra constatação ainda preliminar e que deve ser confirmada no próximo boletim, é a volta do crescimento da Aids na população homossexual masculina entre 19 e 25 anos. O grupo sempre foi classificado como de risco em termos epidemiológicos, mas há tempos não apresentava índices de incidência preocupantes. “Acredito que houve uma descontinuidade no trabalho preventivo e que ocasionou um crescimento inesperado. Mas já estamos investindo em campanhas preventivas diante da comunidade gay mesmo antes de possuirmos dados concretos do tamanho do aumento de incidência de Aids”, diz.

Campanha tem como alvo público de bares

Há um mês, o Programa Municipal de DST/Aids deu início a uma nova campanha que está dando o que falar em alguns bares campineiros. Foram produzidos descansos de copos com imagens e material informativo relativos à prevenção do HIV. “O objetivo é atingir o público de freqüentadores de bares que têm representantes de todos os setores da sociedade”, explica o assessor de comunicação Eli Fernandes.

Até o momento, os descansos de copos estão sendo distribuídos para proprietários e gerentes de bares do Centro, Cambuí e Barão Geraldo. Em alguns casos, o grupo participante do programa atua diretamente na distribuição. O objetivo é espalha-los pelos pontos da cidade com maior fluxo de pessoas. “Queremos provocar a reflexão das pessoas de uma forma não invasiva. Os descansos proporcionam um mínimo de informação e chamam a atenção da população para o serviço público”, avisa.

A administradora do Oca Bar, Luísa de Arguello, em Barão Geraldo, está contribuindo com a campanha. “Eu vejo que muita gente guarda os descansos e leva para casa. Fica até com pena de colocar o copo em cima”, conta. A estudante Marcela Sodol ficou surpresa com a idéia. “Achei criativa. Todo mundo olha para saber melhor.”

(Renan Magalhães/cOSMO oNLINE – 26.04.2008)


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