Vale a pena correr o risco? Os perigos de transar sem camisinha

25 04 2008

A declaração de uma integrante do BBB 8, justamente a gaúcha Natália, trouxe uma velha polêmica à tona: sexo sem camisinha é realmente melhor? Natália afirmou isso no período que ainda estava dentro da casa, dando a entender que “sem” era muito melhor, mas será que realmente vale a pena?
 
Os riscos
 
Nove a cada dez jovens (de classe média) conhece os riscos de transar sem camisinha. Mas então por que o fazem? Por diversos motivos, sendo, um deles, o próprio “prazer extra” de transar em o preservativo. Mas é bom ficar ligado, você fica exposto há uma série de riscos, sendo que alguns deles são irreversíveis…
 
Aids, câncro mole, câncro duro, candidíase, herpes simples genital, gonorréia, condiloma acuminado/HPV, linfogranuloma venéreo, granuloma inguinal, granuloma inguinal, pediculose do púbis, hepatite B, pediculose do púbis, hepatite B… ufa! Além disso há mais um entrave, o risco de uma gravidez indesejada…
 
As vantagens
 
No lado das vantagens encontramos apenas um único item: o prazer. Boa parte das pessoas que já transaram com e sem camisinha, afirmam que realmente a coisa “vai mais ao natural” e que “camisinha atrapalha na hora H”…
 
O Kzuka adverte! É claro que quando falamos em transar sem camisinha estamos considerando que o parceiro (a) é freqüente, geralmente um namorado (a) de anos. Transar com uma pessoa que você mal conhece sem camisinha é algo simplesmente impensado e totalmente arriscado.
 
 
O que a galera pensa
 
Para o Quiropraxisista Rodrigo Perin, 25 anos, o motivo pelo qual a gurizada se esquece do preservativo é simples:
 
- Na hora do oba-oba a maioria nem lembra que existe camisinha!
 
Rodrigo concorda que sexo sem camisinha é melhor. Mas cabe a cada um fazer suas escolhas e ver se vale a pena correr o perigo.
 
- Os riscos são inúmeros, começando pela gravidez. O pior ainda é se você pega uma menina com HPV. Aí você vai transar com outras meninas e acaba passando o vírus adiante. Já pensou? No final da história, tem um monte de meninas infectadas!
 
Por isso, é muito melhor prevenir do que remediar, ensina Rodrigo.
 
- Por mais gata que seja a menina, nunca se sabe o que se esconde dentro dela! Tem muita mina gata, que tem Aids, DST e nem sabe… Por isso é muito importante fazer exames de sangue com freqüência – fala.
 
 
Pergunte ao Dr.Jairo
 
O Dr. Jairo é formado em medicina pela USP e participa de diversos projetos relacionados a sexualidade pelo Brasil inteiro. Você provavelmente já deve ter visto ele na TV ou ouvido seus sábios conselhos em algum programa de rádio. Confira algumas dúvidas freqüentes, relacionadas à camisinha, respondidas pelo Dr.Jairo.
 
Transei de camisinha com minha namorada no terceiro dia de menstruação dela, só que a camisinha escapou dentro da vagina. Não houve ejaculação, mas resolvemos usar a pílula do da seguinte. A menstruação seguinte dela atrasou uma semana, mas durou o período normal. Isso pode ter sido causado pela pílula do dia seguinte? Ainda há alguma possibilidade de gravidez?
 
Dr.Jairo – Realmente o atraso menstrual pode ser relacionado ao uso da pílula do dia seguinte que, por conter uma dose elevada de hormônios femininos, pode causar alterações no ciclo menstrual. Se já houve uma menstruação normal e a pílula do dia seguinte foi tomada de maneira correta e em tempo hábil na ocasião, a chance de uma gestação é praticamente nula. Para ter certeza absoluta seria uma boa idéia uma consulta com um médico e um teste de gravidez sangüíneo ou urinário. Certo?
 
Transei com um amigo e usamos camisinha. Mas, mesmo assim, estou com medo de estar grávida. Deveria menstruar na semana que vem, mas não tenho tido muitos sintomas que normalmente tenho na TPM. Fiz até um teste de gravidez e deu negativo. Será que realmente está correto?
 
Dr.Jairo – Se vocês usaram a camisinha da maneira correta do início ao fim da transa, a chance de você ter engravidado é praticamente nula. Mas se houve algum deslize em que pode ter ocorrido a fecundação de um óvulo, o teste de farmácia só passa a apresentar um resultado confiável quando se inicia o atraso menstrual – no seu caso, a partir da semana que vem. Procure um médico pra conversar sobre o assunto e quem sabe fazer o exame de sangue que já pode com certeza confirmar ou descartar uma gestação. Use a camisinha em todas as suas relações sexuais para evitar não só uma gravidez indesejada como também a transmissão de uma doença sexualmente transmissível (DST).
Mas lembre-se que nem todo atraso menstrual significa gravidez e que os sintomas da TPM podem variar de um mês para outro, certo?
 
Acho que não posso ter filhos. Sempre transo sem camisinha, não tomo pílula e não engravido. Por quê?
 
Dr.Jairo – A gravidez depois de uma relação sexual desprotegida é uma questão de probabilidades. Estima-se que um casal saudável tem 20% de chance de engravidar se transar no período fértil da mulher sem nenhum tipo de proteção. Os especialistas recomendam que os casais que querem filhos tentem engravidar por um ano para então buscar causas de infertilidade. O fato de você não ter engravidado até hoje não significa que não irá engravidar em mais nenhuma transa. Se não deseja uma gestação agora, o melhor é usar a camisinha em todas as suas relações sexuais, do início ao fim da transa. Certo?
 
Nunca traí minha namorada e sempre tivemos relações sexuais com a maior proteção. Mas tenho a curiosidade de saber como é transar sem camisinha. A gente não tem nenhuma DST, pois perdemos a virgindade juntos e já fizemos exames. Meu medo é que ela engravide…
 
Dr.Jairo – Se a sua namorada estiver tomando a pílula corretamente, da forma como o médico que a acompanha prescreveu, a chance de uma gravidez indesejada depois de uma relação sem camisinha é praticamente nula. A questão é que, apesar de não ter que se preocupar com uma gestação, no sexo sem camisinha não há proteção nenhuma contra a transmissão de uma doença sexualmente transmissível (DST). Dá para ter certeza que nenhum dos dois se expôs a nenhuma situação de risco para DSTs antes ou até mesmo durante o namoro? Vocês devem avaliar o risco e decidir se vale a pena.

(Guilherme Barcellos / Roberta Rech/Kzuka – 22.04.2008 )




Mr. Gay cede sua imagem para campanha de prevenção à DST e Aids

25 04 2008

Luciano Lupo, o primeiro Mr. Gay Brasil, eleito em 2007, é o convidado especial do Projeto Fluxus – Informação, Arte e Saúde-, que acontecerá no dia 30 de maio, em Campinas. Durante os dois dias em que estará em Campinas, Luciano ficará à disposição do público na tenda do Projeto Fluxus, quinzenalmente montada na Praça Bento Quirino ao lado de uma equipe do Programa DST/Aids da cidade, que tira dúvidas sobre o tema além de dar instruções sobre o uso de preservativo e sobre como acessar os serviços do Sistema Único de Saúde.

Seguindo o exemplo de outras personalidades que também emprestaram sua imagem à campanha de conscientização do Programa DST/Aids de Campinas, como a apresentadora Monique Evans, o sambista Neguinho da Beija-Flor e os atores Bruno Gagliasso e Alexandre Frota, Lupo literalmente vestirá a camiseta da campanha “Vista-se” e se apresentará em locais públicos, posando para fotos e incentivando os cuidados com a prevenção.

Luciano ainda participará de um ensaio fotográfico exclusivo com a fotógrafa e médica Cláudia Barros Bernanrdi, infectologista e coordenadora do Núcleo de Assistência do Centro de Referência do Programa DST/Aids de Campinas. 

(MixBrasil – 23.04.2008 )




Portador de HIV inicia tratamento quando saúde já está debilitada

25 04 2008

Apesar do acesso amplo a exames e remédios, 43,7% dos pacientes com aids no Brasil descobrem ser portadores da doença e iniciam o tratamento quando a saúde já está bastante debilitada. A demora para o início da terapia se reflete nas estatísticas de mortalidade: 28,7% deles morreram no primeiro ano depois da confirmação da infecção. “É um índice inaceitável”, disse a coordenadora do Programa Nacional de DST-Aids, Mariangela Simão, acrescentando que a porcentagem de detecção tardia “merece reflexão da estratégia usada para diagnóstico da doença”.

Relatório brasileiro enviado à Assembléia-Geral das Nações Unidas em HIV/Aids mostra que o risco de morte do paciente com início tardio de tratamento é 22 vezes maior do que das pessoas que começam a terapia no tempo oportuno. Dos pacientes que começaram o tratamento e morreram entre 2003 e 2006, a maioria (94%) era de pacientes tardios – que já apresentam deficiências severas e sintomas.

Para Mariangela Simão, uma das formas de melhorar o acesso aos exames é a ampliação da oferta de testes rápidos para detectar a aids. Ela lembra que, embora a oferta do teste tenha aumentado 140% de 2005 para cá, há ainda resistência nos serviços públicos para o uso desses kits. Mariangela admite que, no primeiro estágio, parte dos testes perdeu validade nos estoques, sem ser usada. “Hoje não perdemos mais testes”, garantiu.

Mariangela defende, porém, que os testes rápidos devem ficar restritos aos serviços de saúde. “É preciso colher o sangue do paciente e para isso é preciso um profissional habilitado.” Ela admite que, se os testes de HIV que analisam a saliva dos pacientes forem aprovados, tal estratégia poderá ser reavaliada.

O pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) e um dos colaboradores do documento brasileiro, Alexandre Grangeiro, disse que “é chegado o momento de se pensar em estratégias mais agressivas para oferta dos exames de detecção do HIV”. Para ele, é preciso não só intensificar campanhas que mostram a importância sobre o diagnóstico como também ampliar a oferta dos postos de testagem gratuita. Ele defende, por exemplo, a realização de exames em Organizações Não-Governamentais de prevenção de aids. “Uma ação semelhante à que foi realizada com oferta de preservativos.”

Os índices brasileiros de tratamento tardio não diferem muito dos de países desenvolvidos. “Isso não significa que devamos ficar inertes. Temos muito a melhorar”, afirmou Mariangela. O risco do início do tratamento tardio varia de acordo com a idade, sexo e região do paciente.

(Paraná-Online – 24.04.3308 )




África Acolhe Conferência Histórica sobre Cuidados Primários de Saúde para Renovar o Compromisso da “Saúde Para Todos”

25 04 2008

Brazzaville, 22 de Abril, 2008 – Trinta anos após a divulgação do slogan “Saúde Para Todos”, o Escritório Regional Africano da Organização Mundial de Saúde, em colaboração com os parceiros de desenvolvimento e o Governo do Burkina Faso, organiza uma importante conferência, de 28 a 30 de Abril, em Ouagadougou, no Burkina Faso, para renovar o compromisso com os cuidados primários de saúde, enquanto meio para alcançar melhores resultados na área da saúde para as populações Africanas.

Esta conferência de três dias, que coincide com o 30º aniversário da Declaração de Alma-Ata sobre Cuidados Primários de Saúde (CPS) e com o 60º aniversário da OMS, tem por finalidade a revitalização dos cuidados primários de saúde e o desenvolvimento dos sistemas de saúde nos países da Região Africana, de modo a alcançar as Metas de Desenvolvimento do Milénio (MDM) relativas à saúde.

“Uma boa saúde não é uma presente nem um bem que se adquire em função da capacidade de pagar por esse serviço. A riqueza de uma nação não deve determinar a saúde do seu povo. Os cuidados de qualidade e economicamente acessíveis à população são um direito humano, é uma questão de justiça elementar…”, afirmou o Director Regional Africano da OMS, Dr. Luís Sambo. “O principal problema não é apenas a pobreza”, acrescentou o Dr. Sambo, “Que as pessoas não possam pagar para ter acesso a cuidados de saúde de qualidade é uma injustiça… uma flagrante injustiça! E não há melhor estratégia para combater a injustiça na saúde do que os cuidados primários de saúde”.

Esperam-se mais de 500 participantes, de África e do exterior, para assistirem à conferência, que será aberta oficialmente pelo Chefe de Estado do Burkina Faso, o Presidente Blaise Compaore.

Entre os participantes contam-se: Ministros da Saúde, decisores políticos e gestores dos serviços de saúde; investigadores, académicos e antropologistas sociais; representantes de instituições de formação e ministérios actuantes na área da saúde (p.ex., Ministério da Educação e Ministério das Finanças); e representantes, entre outros, de organizações internacionais, da sociedade civil, de organizações de jovens, de mulheres e do sector privado.

A conferência irá decorrer em sessões plenárias e sessões paralelas para debater um leque de tópicos que incluem: os recursos humanos para a saúde; o financiamento da saúde; as tecnologias da saúde e medicamentos essenciais; a governação, descentralização, gestão e prestação de serviços de saúde essenciais e de qualidade; as parcerias público / privado para gestão da saúde; e a colaboração multissectorial para o desenvolvimento da saúde.

Num documento de trabalho preparado pela OMS que irá ser submetido a aprovação na conferência, afirma-se que, ao longo de três décadas, desde Alma-Ata, muitos países da Região Africana adoptaram os CPS e instituíram medidas para reforçar os seus sistemas de saúde. Essas medidas incluem: a descentralização e a criação de distritos sanitários; a formação de pessoal para a gestão dos CPS; a criação de comissões de promoção do bem-estar social; e a integração de programas como a vacinação, as doenças diarreicas e os medicamentos essenciais nos CPS. Muitos países elaboraram políticas e planos estratégicos de saúde, declarando claramente que os CPS constituem a principal estratégia para melhorar a saúde e o acesso universal a um pacote básico de serviços, com vista à consecução das MDM, como finalidade última destes documentos.

Progressos na implementação dos CPS

O documento acrescenta:”A descentralização do sector da saúde contribuiu para o aumento do número de estabelecimentos de saúde mais adequados às necessidades e mais equitativamente distribuídos, como se pode ver no Uganda e nas antigas “homelands“, na África do Sul. Os esforços desenvolvidos para construir instalações para prestação de serviços básicos de saúde nas zonas rurais conduziram a um melhor acesso geográfico aos serviços básicos de saúde por parte das populações, sobretudo no meio rural. Por exemplo, no Uganda, a percentagem de habitantes que vive num raio de cinco quilómetros de um estabelecimento de saúde subiu de 49%, no início dos anos 90, para 72% em 2004″.

Registaram-se ainda progressos substanciais em países como a Tanzânia, o Gana, o Quénia e a Zâmbia, que tomaram decisões pragmáticas para formar parcerias com entidades privadas de serviços de saúde, inclusive ONG, organizações de cariz religioso e outros organizações privadas prestadoras de serviços e bens, conduzindo assim a uma cobertura mais alargada e mais eficaz dos serviços básicos. Muitos países desenvolveram quadros legislativos e reguladores de governação do sector sanitário, tendo estabelecido entidades reguladoras, nomeadamente Conselhos de Práticas Médicas e de Enfermagem. Tem havido melhorias na disponibilização de informação para a tomada de decisões na Região, com a institucionalização dos sistemas de informação da gestão sanitária na maioria dos países. Muitos Estados-Membros também elaboraram listas de Medicamentos Essenciais.

Segundo o relatório, alguns países publicam actualmente relatórios anuais de saúde, abrangentes e de boa qualidade e, desde finais dos anos 90, adoptaram Abordagens Alargadas a todo o Sector para o desenvolvimento da saúde, cuja essência é uma parceria de actores intervenientes no sector, incluindo os sectores público e privado e agências de financiamento sob a tutela do governo. Isto colocou os governos nacionais mais abertamente no papel de agentes condutores e orientadores, tornando assim possível a mobilização de mais recursos, em sintonia com as políticas e prioridades nacionais, incluindo a implementação da estratégia dos CPS.

Em certos países, tem-se sublinhado a participação e o envolvimento das comunidades, pela inclusão de membros da comunidade nas comissões de gestão de estabelecimentos de saúde, em conselhos e comissões locais de saúde. Estas comissões estão normalmente mandatadas para debater questões de desenvolvimento e de sector, podendo afectar recursos a vários sectores e dentro do mesmo sector. Uma das formas especializadas de participação comunitária é o recurso a praticantes de medicina tradicional e de parteiras tradicionais, as quais dão assistência durante o parto às mulheres e aos bebés, na maioria dos países africanos. Alguns países, como o Gana, o Malaui e a Nigéria, desenvolveram legislação e orientações para gerir esta forma de envolvimento comunitário.

Resumindo os progressos alcançados com a implementação dos CPS na Região, no relatório declara-se: “A criação destas e de outras medidas conduziu nas últimas três décadas a melhorias do estado de saúde dos povos da Região, embora estas tenham sido mais lentas do que em outras partes do globo. Tais melhorias estão patentes no declínio das taxas de mortalidade de crianças com menos de 5 anos, de 188 para 165, por 1000 nados-vivos, entre os anos 70 e 2005, e pelo declínio das taxas de mortalidade de bebés, de 116 em 1980, para 99 por 1000 nados-vivos, em 2005. Os casos de morte de crianças por doenças para as quais há vacinas diminuíram significativamente e, em alguns países, a mortalidade devida ao VIH/SIDA regrediu. Conseguiram-se bons resultados em especial na redução do número de óbitos causados pelo sarampo: cerca de 75%, entre 1999 e 2005.”

Desafios

No entanto, numerosos desafios precisam ainda de ser ultrapassados, uma vez que a cobertura dos serviços de saúde continua a ser limitada. Por exemplo, segundo a OMS, 12 em 32 países, que representam 54% da população da Região, a cobertura dos serviços médicos abrangia menos de 50% da população. A igualdade de acesso tem sido limitada pela falta de recursos (equipamento, más infraestruturas e cortes no pessoal de saúde) e fraco acesso a serviços de saúde para pessoas que vivem em zonas remotas ou de difícil acesso

Outro dos obstáculos é de natureza programática: embora a política dos CPS tenha sido sempre a favor de uma abordagem alargada, os serviços continuam a estar altamente direccionados para os cuidados curativos. Alguns programas ainda funcionam verticalmente, não só ao nível nacional, mas também de distrito. A motivação para actuar na área da saúde comunitária tem vindo a esmorecer entre os membros das equipas de saúde, devido a más condições de trabalho (falta de transportes, locais mal servidos, escassez de medicamentos, etc.) e baixas remunerações. As comunicações insuficientes com os sistemas de referência afectam a coordenação entre estes, uma vez que muitos utentes não utilizam o sistema, em parte devido à escassez de pessoal e ao alcance limitado dos serviços oferecidos pelo primeiro nível. Outro desafio advém do próprio conceito de CPS. A falta de um entendimento comum relativamente a este conceito tem sido um dos maiores entraves à sua tradução em políticas e planos adequados.

Em muitos países, a formulação das políticas e o planeamento, fracos e fragmentados, dos recursos humanos para a saúde, assim como o espaço fiscal limitado, têm dificultado o reforço da produção, recrutamento e implementação de esquemas para motivar e reter os profissionais de saúde. Isto levou ao número inadequado de profissionais de saúde, à sua distribuição geográfica desigual e fraca motivação nos seus países, e ainda a uma migração cada vez maior do pessoal de saúde para fora da Região Africana. A inadequada distribuição das infraestruturas sanitárias, associado a uma funcionalidade limitada e à má manutenção decorrente dos fracos recursos para fazer face aos custos são ainda obstáculos significativamente difíceis de transpor. Há cada vez maior procura de medicamentos essenciais e de materiais médicos, devido ao rápido crescimento demográfico na maioria dos países africanos, associado ao aumento do fardo das doenças, quer transmissíveis quer não transmissíveis.

Este é o principal documento que irá orientar as deliberações na Conferência, a terceira da série de conferências sobre cuidados primários de saúde: – Buenos Aires, em Agosto de 2007; Beijing, em Novembro de 2007 e Bangkok, em Janeiro de 2008. Uma quarta conferência realizar-se-á ainda este ano, mais tarde, no Casaquistão, um país que pertencia à antiga União Soviética e onde foi aprovada a Declaração de Alma-Ata, de 1978.

Espera-se que na Conferência de Ouagadougou sobre Cuidados Primários de Saúde se aprove uma nova Declaração Regional, semelhante em espírito à de Alma-Ata, a qual deverá propor a criação e a implementação de políticas públicas e de estratégias, quer a nível regional, quer nacional, para continuar a melhorar a saúde das populações da Região Africana.

(appablog – 23.04.2008 )





INLS realiza curso avançado de tratamento de casos de VIH

25 04 2008

O manuseamento clínico de pacientes com VIH e SIDA é o tema do terceiro curso avançado que o Instituto Nacional de Luta Contra a SIDA (INLS) promove em Luanda, desde ontem. A acção formativa conta com a participação de 36 médicos, no âmbito da extensão do Programa de Prevenção e Transmissão Vertical (PTV) e o Programa SIDA para adultos e jovens a todas as províncias de Angola.
Com encerramento previsto para o dia 25 de Abril, o curso, que terá uma carga horária total de 30 horas, com aplicação de aulas teóricas e práticas, no anfiteatro do INLS, é dirigido a profissionais que realizam atendimento de pacientes adultos, adolescentes e gestantes do Programa SIDA/
/PTV e que concluíram o curso básico de capacitação em VIH/SIDA, oriundos das províncias do Bengo (1), Benguela (2), Bié (1), Cabinda (2), Cunene (2), Huambo (2), Lunda-Sul (1), Lunda-Norte (1), Namibe (1), Malanje (1), Moxico (1), Huíla (2), Kwanza-Sul (2), Kwanza-Norte (1), Kuando Kubango (1), Uíje (2), Zaire (1)
e Luanda (12).
Esta acção formativa, a terceira do género, visa dotar os participantes de conhecimentos sobre epidemiologia da infecção do VIH em Angola, noções básicas de informática, fisopatogenia da infecção pelo VIH, novos aspectos, noções de farmacologia, primeira consulta do paciente VIH positivo, novas drogas anti-retrovirais, principais efeitos colaterais tardios dos ARVs, entre outras matérias.
Ainda no âmbito da implementação das actividades de luta contra a SIDA para o ano de 2008, e com o objectivo não só de aumentar o acesso ao tratamento anti-retroviral como também de melhorar a qualidade de vida das pessoas infectadas pelo VIH e SIDA, incluindo as crianças, o INLS realizou na semana finda o IV Curso Básico sobre VIH e SIDA Pediátrico para médicos que prestam assistência em pediatria em unidades sanitárias com Programa PTV implantando, num total de 30, em representação das províncias do Bié, Uíje, Huíla, Cunene, Namibe, Huambo, Cabinda, Lunda-Sul, Lunda-Norte, Kwanza-Norte, Kuando-Kubango e Luanda.
Refira-se que recentemente foi realizado, no Rio de Janeiro, Brasil, o segundo congresso da Comunidade de Países de Língua Portuguesa sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e VIH/Sida, um evento que produziu importantes recomendações sobre as acções tendentes a reforçar a prevenção e tratamento destas enfermidades.

(Jornal de Angola – 25.04.2008 )




Zaire: Província regista mais de uma centena de casos de sida em três meses

25 04 2008

Mbanza Kongo, 24/04 – Cento e cinco casos de hiv-sida foram notificados durante o primeiro trimestre deste ano, na província do Zaire, mais 52 em relação ao período anterior, informou hoje (quinta-feira), nesta cidade, o supervisor do programa de luta contra sida, Manuel Kai.

Em declarações à Angop, o responsável explicou que deste número de casos, oitenta e cinco são do sexo feminino e vinte do masculino, diagnosticados nos centros de aconselhamento e testagem voluntária (catv), bem como nas consultas pré-natal às mulheres grávidas.

Apontou que os municípios de Mbanza Kongo e Soyo, registaram os maiores números de casos de Hiv com 73 e 36, seguindo-se os do Kuimba e Nóqui, com dois e quatro casos, respectivamente.

Manuel Kai adiantou que, actualmente, quarenta e três portadores desta pandemia beneficiam de tratamento com anti-retrovirais em diversas unidades sanitárias da região, dos quais 29 mulheres e 14 homens.

Considerou preocupante a situação do hiv-sida na província e apelou à população a continuar a acatar os conselhos das autoridades sanitárias para se evitar a proliferação desta doença.

Para o efeito, disse, as autoridades sanitárias locais têm estado a desdobrar-se em campanhas de sensibilização e prevenção desta enfermidade, realizando junto das populações, palestras educativas, distribuição de preservativos, cartazes, folhetos e manuais sobre os perigos que esta doença representa.

Durante o ano passado, foram notificados na província do Zaire 363 casos de hiv-sida, dos quais 14 resultaram em óbito

(AngolaPress – 24.04.2008 )




Bengo: ADPP sensibiliza mais de 50 mil pessoas para o combate ao VIH/Sida

25 04 2008

Caxito, 24/04 – Cinquenta e uma mil pessoas dos municípios do Dande, Nambuangongo e Ambriz, província do Bengo, beneficiaram desde Julho de 2006 a Dezembro de 2007, de 510 mil e quatrocentas e setenta e nove preservativos distribuídos pelo Gabinete Total Controlo de Epidemia, afecto à ONG Ajuda de Desenvolvimento de Povo para Povo (ADPP).

O facto foi revelado hoje, quinta-feira, à Angop, pelo responsável do Gabinete, Mwansa Fredrik, para quem o êxito da sua actividade contou com a participação de 34 mil aderentes, que sensibilizaram as munícipes sobre o risco da infecção pela doença, bem como instruíram as mesmas, no caso de infectados, a seguirem os métodos para o seu pré-tratamento.

O programa Total Controlo de Epidemia visa afastar o maior possível o grau de contágio do HIV/Sida a população da África Austral, estando actualmente a funcionar nos países de Angola, Zimbabwe, Moçambique, Botswana e Namíbia.

De acordo com ele, está prevista, para o dia 18 de Maio deste ano, um encontro designado “Memorial internacional a Luz de vela”, que vai realizar-se nos municípios do Ambriz, Nambuangongo e Dande, em homenagem as vítimas do VIH/Sida.

(AngolaPress – 24.04.2008 )




ÁFRICA: Do tabu à primeira página

25 04 2008


Photo: Mercedes Sayagues/PlusNews
 

JOHANNESBURG, 24 Abril 2008 (PlusNews) – Jornalistas em África lusófona interessados em cobrir a epidemia de HIV e SIDA têm agora mais uma ferramenta para ajudá-los nesta tarefa.

O PlusNews Português, o serviço de notícias das Nações Unidas especializado em HIV e SIDA na África de expressão portuguesa, acaba de lançar um guia de reportagens sobre o tema.

Publicado com o apoio da Agência Sueca de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional (SIDA), o Guia para reportagens sobre HIV e SIDA é uma resposta à necessidade dos jornalistas na África lusófona de mais contexto e orientação na cobertura da epidemia.

“A cobertura da SIDA em Angola é muito diminuta, geralmente vinculada a actividades, e nem sempre feita da melhor maneira, por isso um manual desse tipo é salutar”, explica Susana Mendes, editora do jornal Angolense, baseado em Luanda.

Segundo ela, uma das dificuldades é o facto de o HIV ainda ser um assunto tabu.

“O outro obstáculo é o próprio jornalista não entender a epidemia, não saber como lidar com o assunto, como fazer perguntas”, diz.

O Guia para reportagens sobre HIV e SIDA divide-se em duas vertentes: a primeira é um panorama geral da epidemia, com um dicionário sobre os termos, siglas e acrónimos mais usados; a segunda se refere à cobertura apropriada do tema segundo os parâmetros do serviço PlusNews – cuidados a ser tomados pelo jornalista, como abordar os entrevistados, como escrever de forma ética e sem julgamento.

Para Maurício Cysne, coordenador do Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV/SIDA em Moçambique, “um guia dessa natureza facilita a abordagem de temas mais sensíveis, como a prática do sexo comercial, homens que fazem sexo com homens e usuários de drogas injectáveis.”

“O manual facilita ao profissional de jornalismo a abordar temas mais sensíveis, que estão no cerne da questão de se controlar, diminuir e atacar o estigma”, afirma.

O guia também aborda questões estilísticas e de linguagem, por exemplo, regionalismos na África lusófona, diferenças em relação ao português falado no Brasil, e dados sobre a unificação da língua portuguesa em curso.

Os últimos capítulos trazem contactos e websites úteis para os jornalistas, e dados de seroprevalência na África lusófona.

''Se o jornalista entende o assunto, ele faz perguntas pertinentes e o entrevistado responde com informações mais profundas. Isso acaba por ajudar na educação dos leitores sobre HIV e SIDA.''

Moçambique (16,2 por cento) é um dos países mais afectados mundialmente. Países que emergem de conflitos como Guiné-Bissau (quatro por cento) e Angola (três por cento) não têm uma epidemia generalizada, mas precisam fortalecer esforços de prevenção e tratamento. Os arquipélagos de Cabo Verde e São Tomé e Príncipe têm baixa seroprevalência, menos de um por cento e 1,5 por cento respectivamente.

Discriminação e estigma ainda são a ordem do dia. Em São Tomé, nenhum seropositivo teve coragem de abrir sua condição em público. Guiné-Bissau e Cabo Verde só aprovaram leis anti-discriminação no ano passado.

Alzira do Rosário, coordenador do Programa Nacional de Luta contra a SIDA em Guiné-Bissau, afirma que o guia chegou em boa hora.

“Este guia será muito importante. Os jornalistas em São Tomé não têm este tipo de ferramenta para melhorar a qualidade da informação e fazer melhor o seu trabalho”, diz.

Mizé Badia, presidente da organização não-governamental Renascer, em Praia, Cabo Verde, acredita que quanto mais capacitados estiverem os jornalistas, melhor a cobertura da epidemia. O Guia para reportagens sobre HIV e SIDA, segundo ela, pode ajudar nesse processo.

“Se o jornalista entende o assunto, ele faz perguntas pertinentes e o entrevistado responde com informações detalhadas e mais profundas”, diz. “Isso acaba por ajudar na educação dos leitores sobre HIV e SIDA.”

Criado em Janeiro de 2006, o PlusNews Português (www.plusnews.org/pt) já se tornou referência na cobertura de HIV e SIDA em Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe.

Baseado em Johannesburg, na África do Sul, o PlusNews Português conta com uma rede de correspondentes nas capitais e províncias dos cinco países lusófonos.

O grupo PlusNews, que conta com serviços em inglês e francês, é parte das Redes Regionais Integradas de Informação (IRIN) do Gabinete das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

Para ver o Guia para Reportagens sobre HIV e SIDA online clique aqui.

Para receber uma cópia, envie uma solicitação para lilian@plusnews.org

(PlusNews – 24.0.4.2008 )





ANGOLA: Trabalho, amigos, saúde e HIV

25 04 2008

Apesar de trabalhar como contabilista num hospital de Cabinda, o angolano Elias Lengo nunca ouvia falado do HIV.

Foi só a partir de 2000, quando começou a ficar doente com freqüência que começou a desconfiar que talvez houvesse algo mais grave por trás da tuberculose, das manchas no corpo e das diarréias. Os exames que fazia não mostravam nada.

Só em 2002, numa bateria de testes realizados, é que Lengo descobriu: era seropositivo.

Como se não bastassem as doenças oportunistas que o levaram a ser internado mais de 20 vezes em dois anos, Lengo teve que lidar com a discriminação no trabalho, na família e entre os amigos. “Cheguei a perder a vontade de viver, de estar com outras pessoas”, lembra.

Seis anos depois do diagnóstico e passada a tormenta inicial, Lengo recuperou o trabalho, está junto de sua família e de seus amigos e, principalmente, está saudável.

“Quase que as pessoas não acreditam que eu estou nessa situação”, diz.

A contabilidade das conquistas 
Nasci em Cabinda e formei-me técnico de contabilidade. Em 1980, aos 25 anos, comecei a trabalhar como contabilista no Hospital Central de Cabinda.

Daí a dois anos, em 1982, eu me casei. Fiquei casado durante quinze anos e minha mulher e eu tivemos oito filhos. Em 1997, minha esposa faleceu de tuberculose óssea.

Viúvo, comecei a viver maritalmente com uma mulher. Tivemos mais dois filhos.
Dos meus 10 filhos, a mais velha tem 23 anos e a mais nova, cinco. Seis deles moram comigo.

De 2000 a 2002, comecei a ficar doente frequentemente. Tinha tuberculose, manchas pelo corpo, diarréias. Ia ao médico, mas os exames não acusavam nada. Em 2002, fui a Ponta Negra, no Congo, e fiz todo tipo de exame, inclusive o de HIV.

O resultado foi positivo. Meu corpo estava muito enfraquecido, meu CD4 era de apenas 174. Comecei o tratamento antiretroviral assim que voltei a Cabinda.

Na época, os antiretrovirais eram muito caros. Um frasco de remédio custava quase US$ 50, então eu só comprava a medicação quando tinha dinheiro. Por isso, continuei doente. Em dois anos, fui internado mais de vinte vezes. Tinha uma anemia grave e recebi 16 transfusões de sangue. Nesse período, fui afastado do trabalho no hospital.

Em 2003, fiquei internado quase um ano. Cheguei a ficar em coma. Durante esse tempo, vi dezenas de pessoas morrerem ao meu lado, tanto por falta de medicação quanto por falta de atendimento.

Como eu era funcionário e conhecido no hospital, recebia assistência da equipa médica. Mas, em geral, os enfermeiros tinham medo de se contaminar e não tratavam dos pacientes seropositivos. Nem da família estes pacientes tinham apoio: como achavam que os pacientes estavam condenados, os parentes davam as costas e as pessoas morriam sozinhas.

Isso quase aconteceu comigo. Minha esposa fez o teste em 2003 e descobriu que também tinha o HIV. Ela ficou desesperada e foi embora. Mas depois de dois meses, graças a um trabalho de aconselhamento, ela voltou para casa.

Na época minha esposa não precisava de tratamento, mas há três meses ela começou a tomar os antiretrovirais porque a contagem de CD4 dela caiu para 295.

Em 2004, fiz um relatório sobre o atendimento que recebi no hospital durante o tempo que fiquei internado. Minha conclusão foi de que fui bem atendido. Meu médico, Dr. Alberto Macosso, levou o documento para Luanda.

Não sei se esse relatório teve alguma participação nisso, mas o facto é que, no mesmo ano, os antiretrovirais chegaram a Cabinda.

Em 2006, a Televisão Pública de Angola fez uma reportagem no Hospital de Cabinda e dei uma entrevista. Por isso, agora toda gente sabe que sou seropositivo: no serviço, na minha família. Tenho 52 anos e ainda sou funcionário no Hospital de Cabinda.

Trabalho também como activista e já fui convidado pela companhia petrolífera Chevron para fazer uma palestra. Depois de muito sofrimento, vejo que a situação de discriminação está a melhorar: trabalho, estou junto com meus filhos, a família aparece em casa e os amigos voltaram. Quase que as pessoas não acreditam que eu estou nessa situação.

Hoje também acho que somos melhor atendidos no hospital e nos Centros de Aconselhamento e Testagem Voluntária. Temos apoio psicológico com pessoas mais experientes, o que ajuda muito, e temos mais acesso a medicamentos.

(PlusNews – 24.04.2008 )