SIDA/Prisões: Uma em cada dez mulheres detidas em 2005 tinha SIDA, indica estudo feito em duas prisões

23 04 2008

Uma em cada dez mulheres detidas em 2005 em duas prisões portuguesas estava infectada com VIH/Sida, segundo um estudo divulgado hoje sobre o vírus no meio prisional que revela existirem mais mulheres infectadas que homens.

O estudo “Sida em meio prisional, uma caracterização prisional com base nos estabelecimentos prisionais de Tires e Montijo” mostra que 8,9 por cento dos homens e 9,9 por cento das mulheres detidas em 2005 naquelas prisões estavam infectadas com o vírus da VIH/Sida.

A maioria dos reclusos infectados com VIH/Sida sabia que estava infectado, diz o estudo, que contou com a colaboração de 825 reclusos dos estabelecimentos prisionais de Tires e Montijo (323 homens e 502 mulheres), cuja situação jurídico-penal era maioritariamente a de condenados e estavam detidos entre um a três anos.

Elaborado por Henrique de Barros, coordenador nacional para a Infecção VIH/Sida, o documento revela igualmente que 22 por cento dos homens detidos tinham hepatite C, enquanto 12 por cento das reclusas estavam infectadas com esse vírus.

Henrique de Barros destacou o facto de todos os casos de infecção VIH, em particular nos homens, estarem associados à presença de anticorpos para o vírus da hepatite C.

Segundo o autor, o consumo de drogas e a partilha de material poderá explicar a prevalência de infecção VIH.

O estudo refere que 12,1 por cento dos reclusos (mais do que o dobro que as mulheres) afirmaram ter partilhado material para consumo de drogas ao longo da vida.

O documento mostra também que os reclusos tinham consumido cannabis, heroína e cocaína no mês anterior à realização do inquérito, ou seja, dentro do estabelecimento prisional.

De acordo com o mesmo estudo, 39 por cento dos reclusos e 31 por cento das detidas afirmaram ter tido relações sexuais durante os três meses anteriores ao inquérito, dos quais respectivamente 36 e 10 por cento referiram ter tido mais do que um parceiro.

Mais de dois terços dos reclusos declararam não ter usado preservativo na última relação sexual.

A maioria dos inqueridos já tinha feito o teste para a detecção da infecção do VIH e cerca de 40 por cento dos reclusos afirmou não ter informação sobre o vírus, apesar de um quinto ter demonstrado estar “pouco” ou “nada” preocupado.

A maioria dos 825 reclusos que responderam ao inquérito tinha, em 2005, entre 30 e 39 anos, nacionalidade portuguesa, residia na região de Lisboa, era solteiro e tinha escolaridade inferior ao nono ano.

Além do inquérito, destinado a caracterizar os conhecimentos, atitudes e os comportamentos relacionados com a infecção VIH/Sida, foi também colhida uma mostra de sangue.

Estiveram envolvidos no estudo sobre a Sida no meio prisional a Fundação Calouste Gulbenkian, Direcção Geral dos Serviços Prisionais, Coordenação Nacional para a Infecção VIH/Sida e o Instituto da Droga e da Toxicodependência.

(RTP – 23.04.2008)

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