Uma em cada dez mulheres detidas em 2005 em duas prisões portuguesas estava infectada com VIH/Sida, segundo um estudo divulgado hoje sobre o vírus no meio prisional que revela existirem mais mulheres infectadas que homens.
O estudo “Sida em meio prisional, uma caracterização prisional com base nos estabelecimentos prisionais de Tires e Montijo” mostra que 8,9 por cento dos homens e 9,9 por cento das mulheres detidas em 2005 naquelas prisões estavam infectadas com o vírus da VIH/Sida.
A maioria dos reclusos infectados com VIH/Sida sabia que estava infectado, diz o estudo, que contou com a colaboração de 825 reclusos dos estabelecimentos prisionais de Tires e Montijo (323 homens e 502 mulheres), cuja situação jurídico-penal era maioritariamente a de condenados e estavam detidos entre um a três anos.
Elaborado por Henrique de Barros, coordenador nacional para a Infecção VIH/Sida, o documento revela igualmente que 22 por cento dos homens detidos tinham hepatite C, enquanto 12 por cento das reclusas estavam infectadas com esse vírus.
Henrique de Barros destacou o facto de todos os casos de infecção VIH, em particular nos homens, estarem associados à presença de anticorpos para o vírus da hepatite C.
Segundo o autor, o consumo de drogas e a partilha de material poderá explicar a prevalência de infecção VIH.
O estudo refere que 12,1 por cento dos reclusos (mais do que o dobro que as mulheres) afirmaram ter partilhado material para consumo de drogas ao longo da vida.
O documento mostra também que os reclusos tinham consumido cannabis, heroína e cocaína no mês anterior à realização do inquérito, ou seja, dentro do estabelecimento prisional.
De acordo com o mesmo estudo, 39 por cento dos reclusos e 31 por cento das detidas afirmaram ter tido relações sexuais durante os três meses anteriores ao inquérito, dos quais respectivamente 36 e 10 por cento referiram ter tido mais do que um parceiro.
Mais de dois terços dos reclusos declararam não ter usado preservativo na última relação sexual.
A maioria dos inqueridos já tinha feito o teste para a detecção da infecção do VIH e cerca de 40 por cento dos reclusos afirmou não ter informação sobre o vírus, apesar de um quinto ter demonstrado estar “pouco” ou “nada” preocupado.
A maioria dos 825 reclusos que responderam ao inquérito tinha, em 2005, entre 30 e 39 anos, nacionalidade portuguesa, residia na região de Lisboa, era solteiro e tinha escolaridade inferior ao nono ano.
Além do inquérito, destinado a caracterizar os conhecimentos, atitudes e os comportamentos relacionados com a infecção VIH/Sida, foi também colhida uma mostra de sangue.
Estiveram envolvidos no estudo sobre a Sida no meio prisional a Fundação Calouste Gulbenkian, Direcção Geral dos Serviços Prisionais, Coordenação Nacional para a Infecção VIH/Sida e o Instituto da Droga e da Toxicodependência.
(RTP – 23.04.2008)
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