Pacientes trocam informações sobrre doenças em novo site de relacionamentos, informa Folha de S. Paulo

22 04 2008

À primeira vista, ele parece o Orkut, a rede de relacionamentos na internet. Aliás, à segunda também: o usuário escolhe um nome, senha, traça o próprio perfil com idade, foto, localidade e comentários pessoais. Antes disso tudo, no entanto, está a diferença: a obrigação de escolher a doença da qual é vítima. Aids, mal de Parkinson e depressão são algumas das enfermidades listadas. Lançado nos EUA, o site “Patients Like Me” (ou “Pacientes Como Eu”) já tem dezenas de membros no Brasil.

Basicamente, o site funciona assim: os usuários trocam informações sobre doenças, tratamentos, remédios, dosagens e efeitos colaterais. Tudo é compilado em gráficos que mostram a evolução da doença.

Infectologista e membro da câmara de bioética do CRM (Conselho Regional de Medicina), Caio Rosenthal vê com bons olhos e ter gostado da proposta do site. “Achei interessante. São pessoas que têm suas dúvidas”, avalia. O endocrinologista Danilo Possídio concorda: “É impossível fugir dessa nova realidade virtual. Os médicos agora têm de se adaptar.”

Os dois, no entanto, fazem uma ressalva: a ferramenta jamais poderá substituir a consulta médica e a análise clínica pessoal do paciente.

Cadastrado na página como portador do HIV, o cearense Marcos Braga diz ter se motivado a entrar no site para “compartilhar experiências”.

Ao concluir a inscrição, foi informado da quantidade de usuários que tomam a mesma combinação do coquetel antiAids: 89 pessoas com as quais pode trocar informações.

Em São Paulo, Débora Zopazo diz ter abandonado o tratamento contra síndrome do pânico. “O médico propôs tratamento com antidepressivos. Resolvi deixar o remédio e tentar me tratar por meio de relacionamentos com pessoas que sofrem do mesmo problema.”

Nos EUA, um termo já foi criado para definir o comportamento dos usuários do “Patients Like Me”, ainda não descrito na lista de doenças do site: são os “cibercondríacos”.

Fonte: Folha de S.Paulo

(Agencia de Noticias da AIDS – 21.04.2008 )




Revolução sexual e silenciosa força Pequim a admitir perigos da AIDS

22 04 2008

A epidemia está entre grupos vulneráveis, mas pode se espalhar entre toda a população. Enquanto isso, camponeses que exigem indenização de hospitais por terem sido infectos pelo HIV são presos. Estes são os temas de uma reportagem especial publicada no tablóide inglês The Guardian na última semana. “Tem havido uma espécie de revolução sexual desde as reformas de mercado”, disse o Dr. Heather Xiaoquan Zhang, um professor sênior nos estudos chineses da Universidade de Leeds, Inglaterra. “As pessoas estão mais abertas sobre sexo – mas na maioria dos casos, em áreas urbanas e entre as camadas mais instruídas da população”. Há uma estimativa de pelo menos 700 mil pessoas infectadas naquele país. Confira a matéria realizada a poucos meses das Olimpíadas de Pequim.

Quando pacientes HIV positivos, em Hebei, ouviram o anúncio de que o premiê chinês estava visitando a província, acharam que a chance deles havia chegado. Há anos eles lutam em vão pela indenização dos hospitais, que eles alegam ter espalhado o vírus da Aids por meio de transfusões de sangue.

“Eles sabiam que o premiê Wen [Jiabao] gostava de ouvir a voz do povo, então queriam contar a ele sobre seus problemas”, disse Jiang Tianyong, advogado das famílias.

Em vez disso, 11 pacientes e seus parentes foram detidos pela polícia conforme procuravam por Wen em sua visita a Shahe, sul da província. Uma semana e meia depois, oito deles ainda continuavam presos. A polícia recusou informações ao advogado Jiang sobre as infrações cometidas, descrevendo o caso como de “segurança nacional”.

O incidente diz bastante acerca da luta contra o HIV na China. Depois de anos de inação e negação, o governo enfrenta o problema. Reuniões de alto escalão entre pacientes e líderes políticos são uma solução para enfrentar o estigma e educar o público sobre a questão.

Tão significativo quanto é aumentar os fundos de programas de prevenção e anti-retrovirais para pacientes. Informação pública e filmes são a primeira estratégia para abordar as necessidades de homens que têm relações sexuais com outros homens – um dos grupos mais vulneráveis.

“Há muita chance de melhorar”, diz Wan Yanhai, diretor do Instituto Aizhixing, um dos líderes no ativismo de HIV/Aids. “A geração de líderes – Hu Jintao, Wen Jiabao e Wu Yi – encontrou pessoas que vivem com Aids. Eles aumentaram o orçamento, abriram as portas para doadores internacionais e toleram algumas participações da sociedade civil”.

Mas, quando há difíceis questões, quando ativistas embaraçam oficiais, ou quando existe a implementação de políticas, as deficiências são claras. Experts temem que a China sofra uma epidemia se mais ações não forem realizadas. O Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV/Aids (Unaids) estima que há cerca de 700 mil soropositivos até o ano passado.

As províncias de Yunnan, Henan, Guangxi, Guangdong e Sichuan e a região de Xinjiang, cada uma, têm mais de 10 mil residentes afetados. Wan acredita que o verdadeiro número é maior e adverte – assim como especialistas internacionais – que o vírus é transmitido de grupos vulneráveis como prostitutas, usuários de drogas, migrantes e gays para a grande população. No último ano foram cerca de 50 mil novos casos. O relaxamento e mais liberdade para o sexo – mas ainda a ignorância sobre os riscos das DSTs – e um crescimento no comércio sexual pioram o problema.

“Tem havido uma espécie de revolução sexual desde as reformas de mercado”, disse o Dr. Heather Xiaoquan Zhang, um professor sênior nos estudos chineses da Universidade de Leeds, Inglaterra.

“As pessoas estão mais abertas sobre sexo – mas na maioria dos casos, em áreas urbanas e entre as camadas mais instruídas da população. Mas, a tradição confuncionista ainda significa para a maioria da população um embaraço ao falar sobre sexo abertamente. O conhecimento de riscos e vulnerabilidades é bastante limitado”, disse.

O governo tem apoiado uma série de programas, que vão desde educar os trabalhadores migrantes sobre o uso de preservativos até o comissionamento de estrelas de filmes, como Jackie Chan.

Wan salienta ainda que alguns assuntos permanecem ‘além das fronteiras’. O Unaids estima que 41% das pessoas com HIV na China foram infectadas em relações heterossexuais, 38% por meio de drogas injetáveis, 11% em relações homossexuais – e quase 10% através de venda ou recebimento de sangue e de produtos hemoderivados.

O escândalo da epidemia em áreas rurais da China, particularmente na província de Henan, foi um dos fatores que impulsionaram o HIV a entrar na agenda política.

Camponeses que venderam o sangue por dinheiro sacrificaram sua saúde conforme os serviços de coleta reutilizavam agulhas sujas.

Mas Wan acredita que os oficiais não vão admitir problemas na transfusão de sangue – como no caso de Shahe – porque eles são relutantes em admitir falhas no sistema.

“O governo admitiu que há uma epidemia entre pessoas que doam sangue – mas não entre aqueles que recebem. Não é informado ao público sobre os riscos de transfusão de sangue e não é sugerido que as pessoas são testadas”, disse.

Ele adverte que a hierarquia em serviços do governo dificultam as necessidades de diferentes serviços de saúde e torna-se fácil abrigar funcionários corruptos, com pouco espaço para trabalhos de base.

As organizações que recebem dinheiro centram-se mais na reunião com o governo do que com o público: constroem a capacitação e educação, mas não se engajam no trabalho de ponta.

“O governo oferece suporte no trabalho com comunidade gay e isso é bom. Temos mais de 100 organizações neste setor hoje. Mas, você vai a uma sauna e não existem preservativos”, disse. O trabalho essencial de engajamento em grupos mais vulneráveis sobra para as ONGs – quando são permitidas a executá-lo. Aqueles que trabalham na sociedade civil criticam a segurança nos preparativos para as Olimpíadas. Segundo eles, os funcionários tornaram-se muito mais suspeitos em suas negociações com as organizações.

Nesta última semana o Instituto Aizhixing anunciou um protocolo de emergência para proteger seus funcionários, voluntários, colaboradores e clientes nos Jogos Olímpicos.

A título de explicação, um registro de incidentes recentes revela a prisão domiciliária ou vigilância de mais de 100 pessoas soropositivas e ativistas na primeira metade de março. A lista começa em Dezembro passado, quando o próprio Wan foi detido brevemente, e termina com a detenção em Shahe.

Oficiais em Hebei não responderam sobre o caso à reportagem do The Guardian.

Mas Jiang, advogado, sustenta que as detenções são ilegais. O Gabinete de Segurança Pública disse a ele que precisa de pelo menos um mês para “executar a lei”.

“É um direito deles conhecer o primiê”, acrescentou. “Os soropositivos e suas famílias são inocentes: eles enfrentam a dor, a pobreza e os preconceitos”.

Fonte: The Guardian

(Agencia de Noticias da AIDS – 21.04.2008 )




Brasil dará vistos para casais homossexuais estáveis

22 04 2008

O governo brasileiro concederá visto para os companheiros e companheiras de estrangeiros com uniões homossexuais estáveis, segundo informou ontem em comunicado a Associação Nacional de Estrangeiros e Imigrantes do Brasil (Aneib). Até o presente momento, os vistos são limitados aos cônjuges em uniões heterossexuais. De acordo com a Aneib, está na Casa Civil o projeto que modifica o “Estatuto do estrangeiro” e que tem o objetivo de dar ao companheiro do imigrante, sem distinção de sexo, os mesmos direitos de casais heterossexuais. O documento pretende também vetar a expulsão de estrangeiros que tenham companheiros brasileiros do mesmo sexo.

Fonte: Correio Braziliense





Cambambe terá centro de aconselhamento sobre Sida

22 04 2008

O município de Cambambe, província do Kwanza-Norte, terá, este ano, o primeiro Centro de Aconselhamento e Testagem Voluntária (CATV) de VIH/SIDA, segundo fonte hospitalar.
A unidade sanitária, ligada ao hospital municipal, foi construída na cidade do Dondo, com o financiamento do Instituto Português de Medicina Preventiva e da Sonangol, encontrando-se já apetrechada com equipamentos doados pelo Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento.
O estabelecimento funcionará com 13 técnicos de saúde, sendo dois médicos, sete enfermeiros e quatro de laboratório. Possui um centro que comporta um laboratório, farmácia, sala de aconselhamento e de testagem voluntária.
Enquanto isso, o hospital municipal de Cambambe beneficiou, na semana finda, de meios hospitalares diversos, oferecidos pelo Programa das Nações Unidas Para o Desenvolvimento (PNUD) e pelo Fundo Global.
O director daquela unidade sanitária, João Mendes, que prestou a informação à Angop, no Don­do, citou a recepção de materiais gastáveis para laboratório, estetos­cópios, termómetros, biom­bos, mesas (de consultório), filtros de água, ficheiros e cadeiras de rodas para pacientes com dificuldades de locomoção.
Constaram igualmente da doação meios para os apetrechos de um centro de aconselhamento e Testagem Voluntária do VIH/Sida (CATV), construído na cidade de Dondo, sede do município, 74 quilómetros a sul de Ndalatando.
Segundo o médico, a entrega destes materiais veio colmatar algumas carências enfrentadas pelo hospital, há já algum tempo, o que melhorou os níveis de atendimento
Paralelamente a isso, o governo do Kwanza-Norte entregou também ao mesmo centro hospitalar uma câmara mortuária com capacidade de conservar seis cadáveres, elevando-se para oito o número de gavetas disponíveis na morgue do hospital de Cambambe.
Acrescentou ser satisfatória a capacidade de conservação da morgue, tendo, no entanto, apontado a necessidade do alargamento das dependências da casa mortuária, construída ainda antes da independência nacional.

(ANGOLA, SIDA, TRATAMENTO, DIAGNÓSTICO, PREVENÇÃO)





Portugal é sede do próximo congresso da CPLP sobre Sida

22 04 2008

Portugal ofereceu-se para albergar o terceiro Congresso da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) sobre DTS-HIV/Sida, marcado para 2010. A manifestação foi expressa no encerramento, quinta-feira, do II Congresso da CPLP sobre HIV/Sida, ocorrido no Rio de Janeiro, Brasil.
No fim do encontro os participantes recomendaram que a rede de cooperação em HIV/Sida seja o mecanismo privilegiado de cooperação, através do intercâmbio de informação, partilha de experiências e promoção de boas práticas.
As recomendações, que fazem parte do conteúdo da carta do Rio, salientam que o plano estratégico de cooperação em saúde da CPLP tenha como uma das áreas de concentração as Infecções de Transmissão Sexual (ITS) e HIV/Sida, a partir do plano de acção conjunta a ser aprovado na primeira reunião, a realizar-se em São Tomé e Príncipe, no segundo semestre deste ano.
A Rede da Sociedade Civil das Pessoas que vivem, convivem ou trabalham com HIV/Sida nos países de língua portuguesa foi proclamada quarta-feira, à margem do II Congresso.
Os participantes recomendaram ainda que o plano de acção tenha presente a especificidade da comunidade e representa uma mais valia para cada um dos parceiros, numa perspectiva de oportunidade, complementaridade, sustentabilidade e viabilidade técnica e financeira, envolvendo toda a sociedade.

(Jornal de Angola – 22.04.2008 )




Europa preocupada com suicídio de adolescentes

22 04 2008

A Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa aprovou esta quarta-feira uma resolução em que expressa inquietação por a sociedade subestimar o número de suicídios de adolescentes, entre os 11 e os 24 anos, que afecta anualmente dezenas de milhar de jovens, noticia a agência Lusa.

 

A resolução, aprovada por unanimidade de 29 votos, destaca a influência da violência física, psíquica e económica, assim como a discriminação religiosa, étnica ou sexual, que pode levar um adolescente a tomar essa decisão.

Segundo o relatório, intitulado «O suicídio de crianças e adolescentes na Europa: um grave problema de saúde pública» debatido pelo Plenário, 15 por cento de adolescentes que fizeram uma tentativa de suicídio são reincidentes e 75 por cento não são hospitalizados.

O texto também manifesta a sua preocupação com a «taxa particularmente mais elevada de suicídio de jovens lésbicas, homossexuais, bissexuais e transsexuais» face à constatada entre os restantes jovens.

A Assembleia incide no perigo que representa uma «má utilização da Internet», onde se encontram espaços que fazem a apologia do suicídio.

«É preciso escutar e entender»

Para prevenir esta situação, a Câmara convida os 47 Estados membros a converter este assunto numa prioridade política, a prevenir a violência e intimidação escolar, a converter o suicídio numa disciplina de estudo e a combater o abuso de estupefacientes e álcool entre os menores.

Exorta ainda a lutar contra a «prática desumana» dos casamentos forçados e a homofobia, e a alargar o apoio psicológico e social.

Segundo o relator do documento, o legislador monegasco Bernard Marquet, este é um «assunto tabu», em que é preciso que «a sociedade saiba escutar e entender».

Marquet afirmou que o suicídio de raparigas costuma estar relacionado com uma violação, abusos sexuais ou a ruptura de uma relação e advertiu os pais «que não querem falar do tema e ocultam as circunstâncias» em que ocorre o suicídio.

(Portugal Diário – 22.04.2008 )




Farmacêuticos de língua portuguesa aprovam resoluções sobre combate ao VIH/SIDA e contrafacção de medicamentos

22 04 2008

Começa na Praia, às 14 horas de amanhã, quarta-feira 23 de Abril, a Assembleia-Geral da Associação dos Farmacêuticos dos Países de Língua Portuguesa (AFPLP). Logo de seguida acontece o XI Congresso Mundial de Farmacêuticos da Língua Portuguesa, promovido pelo AFPLP.

 

O encontro deve produzir duas resoluções, uma sobre a “Contrafacção de Medicamentos – um desafio global” e outra que vai determinar a “intervenção Farmacêutica no âmbito do VIH/SIDA”. Ambas resoluções pretendem realçar o papel dos farmacêuticos na protecção da saúde pública e na hora de conferir segurança no circuito do medicamento.

Este congresso que deve também definir a data e o tema do próximo congresso, bem como o país a que Cabo Verde deve passar a tocha, para acolher o próximo encontro máximo dos farmacêuticos da CPLP, vai ainda passar em revista o associativismo profissional farmacêutico nos países de língua portuguesa e eleger os novos corpos sociais da AFPLP.

De referir que a AFPLP reúne os profissionais de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe

 

(A Semana Online – 22.04.2008 )