Especialistas globais renomados na área de saúde, políticos e parlamentares estarão reunidos na Cidade do Cabo de 17 a 19 de abril durante a conferência “Contagem Regressiva até 2015”(Countdown to 2015), para discutir a urgente necessidade de acelerar o progresso visando à redução de mortes maternas, neonatais e infantis.
Segundo o relatório de 2008, “Mapeando o Progresso na Sobrevivência Materna, Neonatal e Infantil”(Tracking Progress in Maternal, Newborn & Child Survival), lançado ontem, poucos dos 68 países em desenvolvimento que contribuem para 97% das mortes maternas e infantis em todo o mundo estão fazendo progresso adequado para garantir os cuidados em saúde necessários para salvar as vidas de mulheres, recém-nascidos e crianças.
Mais de 10 milhões de mulheres e crianças ainda morrem a cada ano de causas passíveis de prevenção e tratamento. A maioria das mortes maternas e infantis ocorre na África e no Sul da Ásia, sendo a África Subsaariana cada vez mais afetada pelo ônus global da mortalidade.
Uma a cada cinco crianças nasce na África Subsaariana, e, no entanto, cerca de 50% de todas as mortes infantis globalmente ocorrem na região, bem como metade das mortes maternas de todo o mundo. Na Nigéria, por exemplo, uma a cada 7 mulheres corre risco de morrer durante a gestação e o parto.
O relatório ressalta o rápido progresso que muitos desses 68 países têm feito ao prover vacinação, cobertura de suplementação da vitamina A e redes de proteção contra mosquitos com inseticidas para prevenir grandes males, como malária e sarampo.
No entanto, tratamento para doenças potencialmente fatais e outros serviços de saúde vitais não alcançam a maioria das mulheres e crianças, de acordo com o relatório.
Tais serviços dependem da existência de sistemas de saúde fortes, que possam providenciar cuidados 24 horas nas comunidades, em clínicas de saúde e por meio de um sistema de referenciamento que funcione quando intervenções mais sérias são necessárias. O acesso a tais serviços é mais crítico no momento do nascimento e durante as primeiras duas semanas de vida, que são mais arriscadas para a mãe e a criança.
A publicação “Mapeando o Progresso na Sobrevivência Materna, Neonatal e Infantil” identifica uma série de oportunidades perdidas para salvar vidas:
Planejamentofamiliar: asnecessidades não atendidas de contraceptivos são altas. Apenas 1/3 das mulheres dos 68 países prioritários estão usando métodos modernos de contracepção – considerados um meio comprovado de promoção da sobrevivência materna e infantil;
Cuidadosqualificados durante o nascimento: apenas cerca de metade das mulheres e dos recém-nascidos se beneficiam da presença de um profissional qualificado na hora do parto e menos ainda recebem cuidados nos dias e semanas críticos depois do nascimento;
Cuidadoclínico para crianças doentes: apenas cerca de 1/3 das crianças com pneumonia – o maior mal fatal entre crianças – recebem tratamento;
Nutrição: a subnutrição é a causa subjacente de 3,5 milhões de mortes de crianças anualmente e de quase 20% das mortes maternas.
Apesar dessas oportunidades perdidas, o relatório também nota que vários países, incluindo China, Haiti, Turquemenistão e vários países na África Subsaariana têm feito progresso considerável na redução de mortes de crianças com menos de 5 anos de idade nos últimos três anos. Dezesseis dos 68 países prioritários mencionados pelo relatório estão agora “a caminho” de alcançar o Objetivo 4 do Milênio, enquanto apenas três têm baixa mortalidade materna.
A fim de preparar o caminho para o bom funcionamento de um conjunto contínuo de cuidados, os governos e seus parceiros devem enfrentar obstáculos como sistemas de saúde frágeis, cortes de recursos e desigualdades no acesso a cuidados, diz o relatório.
A publicação mostra que famílias pobres são duplamente penalizadas: na falta de acesso à atenção qualificada ao parto e na falta de acesso a cuidados para recém-nascidos e crianças doentes. Outras barreiras incluem conflitos armados e alta prevalência para HIV, que juntos têm suplantado qualquer avanço na sobrevivência de crianças em pelo menos 12 países africanos.
Em geral, os recursos de governos doadores para saúde materna, neonatal e infantil têm crescido em anos recentes, com um aumento na assistência oficial ao desenvolvimento de U$2,1 bilhões para cerca de U$3,5 bilhões entre 2003 e 2006 – ou 64%. Esse investimento tem resultado em ganhos significativos na área de saúde, especialmente para aumentar os níveis de imunização e prevenir a malária.
No entanto, os sistemas de saúde para atenção materna, neonatal e infantil permanecem largamente sub-financiados se os recursos disponíveis são comparados com as necessidades dos países em questão. O total de contribuições para saúde materna, neonatal e infantil ainda representa apenas 3% do auxílio total desembolsado pelos doadores.
Os parlamentares presentes à 118a. Assembléia da União Inter-Parlamentar na Cidade do Cabo se juntarão a especialistas mundiais na área de saúde e políticos durante a conferência Countdown to 2015 para discutir o papel que podem desempenhar na aceleração de ações para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio 4 e 5, visando respectivamente à redução da mortalidade infantil e melhoria da saúde materna.
Os achados do relatório “Mapeando o Progresso na Sobrevivência Materna, Neonatal e Infantil” também serão objeto de um número especial da publicação médica The Lancet.
Comentários do UNFPA sobre o relatório Contagem Regressiva até 2015:
“A publicação“Mapeando o Progresso na Sobrevivência Materna, Neonatal e Infantil” revela uma enorme falta de acesso a cuidados básicos em saúde, como atenção qualificada ao parto e planejamento familiar. Isto é inaceitável.
Não alcançaremos os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio a não ser que os direitos e a saúde de mulheres e crianças sejam priorizados. Quando mulheres morrem, crianças, famílias e nações sofrem. É preciso ação coordenada e rápida AGORA.
Salvar as vidas de mulheres e recém nascidos requer sistemas de saúde fortalecidos, que possam prover serviços para as mulheres quando elas estão prestes a dar à luz. Investimento contínuo em serviços de saúde e recursos humanos são necessários urgentemente.
Nenhuma mulher deveria morrer dando à luz”.
Fonte: UNFPA
(Maracajú – 19.04.2008)
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