Responsáveis da Cruz Vermelha inteiram-se projectos sobre VIH/SIDA no Cunene

19 04 2008

Luanda, 18/04 – O secretário-geral da Cruz Vermelha de Angola (CVA), Walter Quifica, e a delegada da Cruz Vermelha da Alemanha para a África Austral, Hanna Schmuck, deslocaram-se hoje a Ondjiva, capital do Cunene, para se inteirarem da execução do projecto que beneficiará directamente 6 mil e 500 pessoas portadoradas do VIH/SIDA.

Segundo uma nota de imprensa da instituição chegada à Angop, o programa servirá igualmente 930 órfãos, vítimas da pandemia, nos municípios de Namakunde, Kwanhama e Ombandja.

Este projecto, de acordo com fonte da CVA, foi erguido em duas fases, a primeira das quais começou a ser implementada em Julho de 2007, com a reabilitação e equipamento das instalações da CVA e recrutamento de pessoal para a organização.

A segunda arrancou em Janeiro do corrente ano e estender-se-à ao longo de 2009 com acções concretas, a favor das pessoas infectadas e afectadas nos referidos municípios.

A fonte acrescentou que o plano, avaliado em 998 mil euros (um euro está cotado hoje a 116,714 Kwanzas), financiados pela União Europeia (75 porcento) e pela Alemanha (25 porcento ), atende cerca de 120 mil munícipes.

A Cruz Vermelha Alemã colocou em Ondjiva um delegado mexicano que acompanha a implementação do projecto, em nome dos doadores, a partir do terreno, explicou a fonte.





Moçambique: Fábrica de anti-retrovirais arrranca este ano com investimento inicial de 2,5 ME do Governo brasileiro

19 04 2008

Rio de Janeiro, Brasil, 18 Abr (Lusa) – A fábrica de medicamentos anti-retrovirais de Maputo vai arrancar ainda este ano com um investimento inicial de quatro milhões de dólares (2,5 milhões de euros) do Governo brasileiro, revelou à Lusa o presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Segundo Paulo Marchiori Buss, Moçambique produzirá, num primeiro momento, três anti-retrovirais para suprir a demanda interna do país, além de outros sete medicamentos para tratamento de hipertensão e diabetes.

“Até ao final de 2008, os primeiros medicamentos da nova fábrica já estarão sendo entregues pelo Governo moçambicano para consumo interno. Vai chegar o momento em que a fábrica de Moçambique produzirá todos os anti-retrovirais”, afirmou Buss. “São produtos fora de patentes, que nós já aprendemos a fazer ao longo dos últimos doze anos aqui no Brasil”, adiantou.

O presidente da Fiocruz falava à Lusa à margem do II Congresso dos Países de Língua Portuguesa sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis e Sida, que terminou quinta-feira no Rio de Janeiro.

Durante o evento, foi discutida a situação alarmante da sida em Moçambique, onde 19 por cento da população está infectada pelo vírus HIV.

Dados da Organização Mundial de Saúde indicam que mais de dois terços (68 por cento) de todos os infectados com o HIV no mundo vivem na África sub-saariana.

Nessa região, ocorreram 76 por cento de todos os óbitos provocados pela sida no ano passado.

De acordo com Paulo Buss, à medida que a fábrica de Maputo conseguir atender a demanda do país, o excesso de medicamentos poderá ser vendido para outros países africanos, preferencialmente para os de língua oficial portuguesa (PALOP).

Buss disse ainda que a transferência de tecnologia poderá demorar até cinco anos.

“Além da transferência tecnológica, nós vamos fornecer as pessoas que vão capacitar os novos e necessários profissionais em Maputo”, destacou.

Na avaliação de Buss, a parceria brasileira com Moçambique é um exemplo da “diplomacia da saúde”.

“O Brasil tem uma visão de solidariedade internacional e ética com o subdesenvolvimento, principalmente nos países africanos. Nós queremos compartilhar, temos confiança na formação de gente, na capacidade de tecnologia e de pesquisa do Brasil”, salientou.

O projecto de instalação da fábrica de anti-retrovirais em Maputo existe há quatro anos, mas apenas no ano passado foi aprovado o estudo de sua viabilidade económica, feito pelo Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos) da Fiocruz.

O custo total do projecto está avaliado em 12 milhões de dólares.

O escritório da Fiocruz em África, credenciado junto da União Africana para auxiliar no desenvolvimento do sistema de saúde do continente, também terá sede em Maputo.

Com essa medida, Moçambique passa a ser o segundo país africano a contar com a experiência da Fiocruz, uma vez que a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) já implantou seu primeiro mestrado internacional em Saúde Pública em Angola.

FO/CMC.

(Lusa - 18.04.2008)




Países comprometem-se a reforçar combate e prevenção da sida

19 04 2008

O Plano Estratégico de Cooperação em Saúde da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) deverá incluir mecanismos de combate e prevenção da Sida e a cooperação entre os estados membros nesta área será reforçada.

O compromisso foi feito no II Congresso sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis e Sida da CPLP, que terminou quinta-feira no Rio de Janeiro.

No documento final do congresso, denominado Carta do Rio de Janeiro, são destacadas como prioridades a cooperação técnico-científica e o acesso universal ao tratamento e à prevenção de VIH/Sida em todos os países da CPLP – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

“A Carta do Rio reforça a necessidade do apoio entre os países e faz uma série de recomendações que poderão representar, de facto, um avanço importante na diminuição do impacto económico, social e humano da doença”, disse à Lusa o secretário executivo da CPLP, Luís Fonseca.

Segundo o embaixador, são necessários mecanismos para facilitar aos cidadãos da CPLP o acesso a medicamentos, medidas que incentivem a não-discriminação dos portadores do HIV, maior participação dos doentes na definição das políticas públicas e também uma maior cooperação no domínio da pesquisa.

De acordo com o secretário executivo, não existe um padrão da doença na CPLP, já que os países membros apresentam realidades muito diferentes.

Brasil e Portugal têm uma epidemia concentrada, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, enquanto nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) a epidemia é generalizada.

Em Portugal, cerca de 24 mil pessoas vivem com a doença, com registo de cerca de 1.000 mortes por ano, e no Brasil o número de portadores do HIV/Sida é de 600 mil.

Luís Fonseca lembrou que, em 2007, o Programa das Nações Unidas sobre HIV/Sida (UNAIDS) e a CPLP firmaram uma parceira para elaborar um retrato da epidemia de Sida nos países de língua portuguesa.

“Isso será referência para o seguimento das actividades de acesso universal, prevenção e cuidados. Trata-se de uma iniciativa de grande alcance, um instrumento valioso para a avaliação e diagnóstico da situação VIH/Sida nos estados da CPLP”, assinalou.

Na avaliação do secretário-executivo da CPLP, o conhecimento da língua portuguesa é um veículo de comunicação indispensável no esforço multilateral para combater a epidemia.

O epidemiologista Henrique de Barros, coordenador do Programa Nacional de Luta contra o HIV/Sida em Portugal, considera que o essencial é a capacitação dos recursos humanos e a ajuda ao desenvolvimento sustentável dos países da CPLP.

No contexto europeu, Portugal ocupa o segundo lugar entre os países com maior número de casos de Sida, mas há uma estabilização da transmissão sexual e tendência de queda no número de novos casos, de acordo com Barros.

O epidemiologista destacou ainda que Portugal comprometeu-se na reunião dos ministros da Saúde da CPLP este mês, na cidade da Praia, em Cabo Verde, a assegurar o financiamento inicial para um programa da prevenção de infecção entre os trabalhadores deslocados.

“No nosso espaço comunitário da língua portuguesa, há milhares de pessoas que trabalham fora do país de origem e isso pode aumentar o grau de vulnerabilidade”, referiu.

(Notícias Lusofonas – 18.04.2008)




Número de portadores do VIH/Sida em Angola é estimado em 180 mil

19 04 2008

As autoridades sanitárias estimam que cerca de 180 mil angolanos vivam com o vírus da Sida, quando dados oficiais apontam um total de 31 mil e 657 casos, de 1985 a Dezembro de 2007.
A informação é da directora do Instituto Nacional de Luta contra a doença, Ducelina Serrano, quando dissertava, quarta-feira, sobre o tema “Resposta nacional contra o VIH/Sida em Angola,” no segundo dia do Congresso da CPLP sobre a doença e outras Infecções Transmitidas Sexualmente, que decorre no Rio de Janeiro, Brasil.
Segundo a médica, apesar deste número, Angola ainda possui a taxa mais baixa (2.1 por cento) se comparada com os demais países de África.
Esta baixa cifra em relação aos demais Estados do continente deve-se à prolongada guerra civil (1975 a 2002), período durante o qual as fronteiras permaneceram fechadas e os movimentos da população eram restritos, limitando a mistura das populações com estrangeiros.
Angola encontra-se na posição peculiar de ter a prevalência de VIH mais baixa no cone austral de África, disse.
Acrescentou que Angola enfrenta vários desafios no combate à pobreza e à fome, como a reconstrução das infra-estruturas económicas e sociais, a reinserção social de militares desmobilizados e a recolocação dos retornados ao país. A este quadro soma-se a epidemia do VIH.
Devido às características sócio-económicas da população angolana e à crescente movimentação de pessoas, receia-se que haja um forte alastramento da epidemia nos próximos anos.
Neste sentido, as autoridades sanitárias reforçaram as políticas e estratégias de combate à Sida, enquadrando-as nos planos de desenvolvimento do Governo, o que passou pela criação do Programa Nacional de Luta contra a Sida (PNLS), em 2005, entre outras actividades.
As estratégias criadas visaram fortalecer a resposta nacional contra essa pandemia. Este programa de combate à doença está dividido em cinco grandes áreas, nomeadamente a gestão, a vigilância epidemiológica, a prevenção, a assistência e os cuidados e apoio às pessoas vivendo com a enfermidade.
Por seu turno, a directora adjunta do PNLS, Lúcia Furtado, disse que o país conta com 154 centros de aconselhamento e testagem voluntária e 56 unidades que realizam cuidados integrados de acompanhamento, seguimento laboratorial, tratamento com anti-retrovirais e de infecções oportunistas e de prevenção da transmissão vertical, distribuídos em 56 municípios.
Acrescentou que do número estimado (180 mil) de infectados pelo VIH, mais de 16 mil são crianças dos 0 aos 14 anos de idade.
Actualmente, o país conta com 81 unidades de saúde que oferecem aconselhamento e testagem voluntária às gestantes, das quais 57 com programa de prevenção da transmissão vertical completo, ou seja, realizam partos.
Um total de 4.220 gestantes foram registadas para acompanhamento no período de 2004 a Dezembro de 2007. Só em 2007 foram rastreadas 83.747 grávidas, das quais 2.404 foram positivas para o VIH.
Apontou como principais constrangimentos nessa luta o número insuficiente de recursos humanos capacitados, existência de áreas de difícil acesso, acesso limitado aos cuidados primários de saúde, entre outros.

(Jornal de Angola- 18.04.2008)