Médicos dizem em pesquisa que 74% dos portadores do HIV não revelam infecção aos parceiros e amigos

17 04 2008

Mesmo assim, os dados não significam uma exatidão de 100% do dia-a-dia de todos os profissionais no País, mas um panorama da visão de infectologistas, segundo o Dr. Furtado. “A gente considera o preconceito como uma realidade. Só depois, mais tarde, quando acontece uma estabilidade da infecção, muitos já contam para família”, disse Juvêncio.

Sobre o fato de 74% dos pacientes não informar suas relações sexuais a ninguém, “cabe aos médicos sensibilizá-los para a informação chegar em seus parceiros”, explicou. Na opinião pessoal do especialista, as pessoas demoram pelo menos seis meses para revelar o HIV para a família e amigos mais íntimos.

Para os médicos entrevistados, o número de pessoas infectadas cresce todos os anos, inclusive no Brasil, principalmente porque ainda se pratica sexo sem o uso de preservativos. Essa é a opinião de cerca de 82% dos especialistas. Para um terço deles, 33%, o aumento no número de casos é também um reflexo da melhora no serviço de notificação e registro de pacientes recém-infectados. Já para 29%, esse crescimento é conseqüência da falta de acesso da população aos serviços de saúde.

Reação

Outro dado apresentado pela pesquisa é de que 63% das pessoas que vão a um consultório médico já sabem seu status sorológico, segundo a percepção dos médicos. Para 12 % dos infectologistas, os pacientes reagem ao diagnóstico sem grandes preocupações, pois acreditam que a Aids deixou de ser uma ameaça de morte e pode ser controlada.

“Acho que é um pouco mais do que 12%. As pessoas tem mais aceitação da doença do que no passado. Antigamente, a revelação causava até suicídio. O que falta lembrar é que o tratamento vai ter que acontecer diariamente, com precisão britânica”, disse Juvêncio Furtado.

“Essa falsa sensação de segurança com a Aids não vai permitir, necessariamente, uma vida normal. A aceitação da Aids pode trazer um relaxamento e até a exposição proposital ao HIV – existem várias coisas. Muitos jovens, por acharem que o parceiro(a) não tem HIV, se descuidam e acreditam que não há problemas. Tratar a Aids não é tomar uma pílula de açúcar, essas medicações têm efeitos colaterais como aumento de risco cardiovascular ou liposdistrofia”, lembrou

Já para outra parte de especialistas, a reação do paciente ao descobrir que é portador do vírus não mudou muito nas últimas duas décadas. Para 62% dos médicos, o paciente reage pensando que vai morrer. Para 50%, o paciente entra em depressão; para 32%, entra em desespero; para 30%, demonstra revolta e para 29%, choque. Segundo os especialistas, 73% dos portadores de HIV não descobriram por acaso a infecção.

Segundo a Pfizer, o fato de esses profissionais conseguirem descrever a reação de seu paciente perante a doença denota a forte relação entre os dois. Mas o médico tem consciência da extensão do seu papel e, por isso, 93% consideram o apoio de familiares e amigos essencial ou muito importante para o sucesso do tratamento.

Futuro

Quando questionados sobre os principais desafios na luta contra a doença no futuro, 48% dos especialistas dizem que a resposta é a prevenção. Já 16% ressaltam a questão da baixa adesão ao tratamento; outros 16% apontam a resistência do vírus. Há que se considerar que não é sempre devido à baixa adesão que o vírus adquire resistência. Logo, as questões precisam ser tratadas separadamente. A falta de informação e de diagnóstico precoce, bem como a necessidade de novos tratamentos também foram apontados como importantes desafios para o futuro.

Para o presidente da SBI, a Aids “é uma doença prevenível, portanto, é inadmissível casos novos. O grande desafio é reduzir drasticamente a infecção”.

“Ter cada vez mais medicações, com menos pílulas diárias e menos efeitos colaterais é outro desafio. O mais fantástico, mesmo, seria uma vacina”, concluiu Juvêncio Furtado.

(Rodrigo Vasconcellos/Agencia de Notícias da AIDS – 16.04.2008 )


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