No dia 15 de Abril a equipe do CRIAS participou nos seguintes painéis:
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Estado da Arte em DST;
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Implementação de programas de atenção às pessoas vivendo com HIV/AIDS: desafios actuais.
Estado da Arte
Este painel teve como coordenador o Dr. Mauro Romero Leal Passos (Universidade Federal Fluminense, Brasil), debatedora a Dr.ª Paula Figueiredo (Angola) e como palestrantes: a Dr.ª Maria Luíza Bezerra Menezes (Brasil), o Dr.Philippe Godefroy (Brasil) e o Dr. Renato de Souza Bravo (Brasil).
Dr.ª Paula Figueiredo
A exposição da Dr.ª Paula Figueiredo centrou-se na situação das IST/VIH/sida em Angola e referiu os seguintes pontos:
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em Angola, não há dados que demonstrem a situação real das ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis), já que só a sífilis congênita e a sida são actualmente notificadas;
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os portadores de ISTs continuam a ser discriminados nos vários níveis dos Sistemas de Saúde;
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os jovens, os profissionais do sexo; homossexuais e bissexuais, têm pouca acessibilidade aos serviços;
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a falta de formação dos técnicos de saúde dificulta o trabalho com a população.
No entanto as IST devem serem priorizadas dado:
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a sua magnitude, dado o elevado número de pessoas que vivem com ISTs, apesar de muitas delas serem curáveis;
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a sua transcendência, que está associada ao facto de facilitar a transmissão do VIH, propiciar outras complicações graves, promover custos directos e indirectos para além do impacto psicológico e social;
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vulnerabilidade, apesar da prevenção ser possível e muitos dos tratamentos serem eficazes;
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factibilidade, já que existem serviços disponíveis, medicamentos gratuitos que a serem devidamente utilizados irão contribuir para a redução das ISTs.
A OMS estabeleceu como estratégia de controlo para 2006-2015:
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o fortalecimento das componentes de suporte, como por exemplo a melhoria do diagnóstico laboratorial;
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o aumento da oferta de serviços de qualidade na área das ISTs;
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a promoção de comportamentos saudáveis;
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promoção do acesso ao tratamento.
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o desenvolvimento da investigação.
Finalizou afirmando que as ISTs são a porta de entrada para o VIH/sida.
Dra. Maria Luíza B. Menezes- “Sífilis Congénita: será que não tem fim?”
De acordo com a OMS, por ano, aparecem 12 milhões de casos novos de sífilis congénita, a maior parte em países em desenvolvimento. No Brasil há uma sub-notificação dos casos de sífilis na gestação. Muitas vezes o número de óbitos de crianças por sífilis congénita é maior do que os casos de mulheres grávidas a quem foi diagnosticada sífilis, o que vem provar a sub-notificação. Refere por isso, a importância das consultas pré-natais. Muitos Estados brasileiros ou não fazem a consulta o pré-natal ou simplesmente não o fazem, com a qualidade necessária. Ressaltou também a importância da prevenção da sífilis, pois a redução dos custos com os tratamentos é fundamental. Finalizou a sua participação informando da existência do Dia Nacional de Combate à Sífilis que acontece sempre no terceiro sábado do mês de Outubro no Brasil.
Phillipe Godefroy- “Úlceras Genitais”
Phillipe Godefroy as úlceras genitais relacionadas com a herpes, o cancro mole, a donovanose, e o linfogranuloma venéreo. Começou por dizer que o maior problema associado às úlceras genitais está relacionado com a pouca valorização pelos profissionais de saúde, que por vezes não dão a devida importância. Em relação às pessoas é importante que se percebam em risco, que percebam os sintomas, que procurem atendimento e que sejam atendidas, diagnosticadas e tratadas correctamente. Referiu que valorizar o preservativo na prevenção não é a solução, já que este cobre apenas uma parte dos órgãos genitais* Salientou também a importância da boca como foco de ISTs por estar relacionada com o sexo oral. Refere a importância do compromisso do profissional de saúde em disponibilizar os exames, facilitar os tratamentos, orientar e oferecer o tratamento aos parceiros sexuais.
Dr. Renato de Souza Bravo-“Tricomoníase, desaparecida ou esquecida?”
Começou por referir que, de acordo com dados da OMS, existem 170 milhões de novos casos de tricomoníase a cada ano, dos quais a maior parte se refere a Mulheres. Salientou o facto do portador masculino ser assintomático o que dificulta o tratamento das mulheres. No que diz respeito aos sintomas, é possível observar-se a secreção vaginal, amarela ,espumosa e micro purulenta, mas que só ocorre em 20 % dos casos. Por isso o diagnóstico da infecção não pode ser baseado apenas em sinais clínicos, devendo ser confirmado através de colpocitologia.
* por exemplo, a zona da púbis fica a descoberto permitindo o contágio (apontamento do anotador).
Painel: Implementação de programas de atenção às pessoas vivendo com HIV/AIDS: desafios actuais.
Este painel teve como coordenadora a Dr.ª Valdiléia Veloso, da Instituição Fiocruz, Brasil, debatedor o Dr. Orival Silveira, do Plano Nacional das DST/AIDS Brasil, e como palestrantes: Dr. David da Silva Te, do Plano Nacional Sida da Guiné-Bissau, a Dr.ª Maria Lúcia Mendes Furtado, do Instituto Nacional de Luta contra a Sida de Angola e o Dr. Innocent Ntaganira da OMS África.
Dr. ª Valdiléia Veloso
Segundo a Dr.ª Valdiléia Veloso, assistiu-se a um conjunto de iniciativas que contribuíram para aumentar o acesso à assistência e tratamento anti-retroviral nos Países em Vidas de Desenvolvimento:
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Fundo Global para AIDS, tuberculose e malária em 2002;
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Iniciativa “3 by 5” lançada pela OMS em 2003*;
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PEPFAR- Plano de Emergência do Presidente Bush para a redução da sida
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Programa da SIDA para Múltiplos Países da África de 2000-2006, mais conhecido pela sigla MAP e lançado pelo Banco Mundial;
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Bill and Melinda Gates;
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Clinton Foundation.
Permanecem contudo, um conjunto de desafios:
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Fragilidade do sistema de saúde – visível ao nível da limitação da estruturas laboratoriais e ao nível da limitação dos recursos humanos (devido ao número insuficiente de profissionais e ao baixo nível de capacitação);
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Limitação no monitoramento e avaliação, que é visível no plano da colecta e análise de dados, impacto de programas, e resultados;
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Diagnóstico tardio;
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Prevenção da transmissão vertical do HIV (que se sabe poder reduzir até valores próximos do 1%);
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Tratamento de crianças;
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Estigma e discriminação;
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Sustentabilidade financeira, já que apesar de haver tratamentos cada vez mais eficazes, eles são também mais caros.
* Em 2003, a OMS estabeleceu como meta a atingir até 2005, o acesso a medicamentos anti-retovirais para 3 milhões de pessoas a viverem com VIH/sida em países de desenvolvimento médio e em vias de desenvolvimento.
Dr. Orival Silveira
O Dr. Orival Silveira começou por fazer uma breve contextualização sobre a forma como a questão do VIH/sida tem vindo a ser abordada no Brasil. Tendo como base 1996, que marcou o início da distribuição de medicamentos anti-retrovirais no país, o representante do Plano nacional DST/AIDS foi dando conta de alguns passos importantes dados pelo país até 2007, ano em que é iniciada a distribuição do darunavir.
O cenário actual é marcado por:
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Emergência de pacientes em 3ª linha e sem opções terapêuticas;
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Maior impacto das co-infecções, que no caso do Brasil são essencialmente a tuberculose e hepatite;
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Necessidade de manejo dos efeitos adversos do anti-retrovirais;
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Diferenças significativas na taxa de transmissão vertical nas diferentes regiões do país;
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Diagnóstico tardio, o que significa que cerca de 44% das pessoas que vivem com VIH realizam o teste numa fase tardia, ou seja quando o nível de células CD4 já baixou para menos 200, ou evidenciam uma doença definidora de SIDA.
Para contrariar estas tendências, o Ministério da Saúde identificou um conjunto de medidas:
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o Plano Nacional das DST e AIDS no Brasil, estabeleceu como meta a atenção integral das Pessoas que vivem com VIH/AIDS, através do incentivo à actividade física e adesão ao tratamento;
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Negociação dos preços dos medicamentos com as multinacionais produtoras de anti-retrovirais;
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Articulação com o Programa Nacional de Controle da Tuberculose e com o Programa de Hepatites Virais;
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Incorporação de recomendações terapêuticas relativas aos efeitos adversos dos anti-retrovirais;
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Lançamento do Plano Operacional para Redução da Transmissão Vertical;
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Ampliação da oferta de testes rápidos acompanhada de capacitação dos profissionais de Saúde;
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Aumento das campanhas de sensibilização de profissionais de saúde e população para realização do teste e uso do preservativo.
Dr. David da Silva Te – “A experiência do Hospital Nacional Simão Mendes na atenção integral das pessoas que vivem com o VIH/SIDA”
Iniciou a sua apresentação, com um breve resumo sobre a geografia da Guiné-Bissau: localização, população e línguas mais faladas.
No que concerne o sector da saúde, começou por esclarecer que a referência nacional no sistema de saúde, é o Hospital Nacional Simão Mendes. Neste hospital têm vindo a ser realizados estudos sentinelas que apresentam indícios sobre a forma como o VIH/sida tem vindo a evoluir no país. Assim, enquanto que em 1987 a percentagem de pessoas que vivia com VIH2 se situava em 8% e VIH 1 em zero, em 2004 a mesma metodologia indicava que os casos de VIH 2 tinham descido para 2% enquanto que os de VIH 1 tinham aumentado para cerca de 5%.
O ano de 2005, marca uma viragem na abordagem ao VIH/sida na Guiné Bissau. Até 2005, o país evidenciava:
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a pouca preparação dos profissionais da saúde quer na fase de “pré”, quer na fase de pós-teste;
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dificuldades no acompanhamento das pessoas que vivem com VIH/sida;
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aumento das hospitalizações por sida. Na medicina interna a hospitalização por sida chegou a atingir os 70% do total de hospitalizações.
O ano de 2005, mostra uma melhoria da resposta nacional ao VIH/sida, fruto:
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do apoio de ONGs e associações;
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reforço da cooperação sul-sul, nomeadamente com o Brasil;
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reforço da cooperação sub-regional, em particular com o Senegal através do programa AWARE (apoiado pela USAID).
A melhoria da capacidade de resposta foi particularmente visível ao nível da organização do Centro de Tratamento Ambulatório-CTA do Hospital Nacional Simão Mendes o que permitiu o seguimento das pessoas que vivem com VIH/sida no Centro de Tratamento Ambulatório, num total de 770 adultos e 21 crianças.
No entanto, a continuação da melhoria da capacidade de resposta no que toca as Pessoas que vivem com VIH/sida requer um conjunto de medidas:
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descentralização dos cuidados e tratamento;
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aumento da adesão ao tratamento;
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melhoria em qualidade e quantidade da atenção Psicossocial;
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melhoria da atenção nutricional;
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disponibilização de exames regulares;
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continuação da capacitação dos profissionais de saúde;
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criação de uma base de dados que integre os cuidados a prestar às pessoas que vivem com VIH/sida.
Dr.ª Maria Lúcia Mendes Furtado – “A Experiência do Instituto Nacional de Luta contra a SIDA no apoio a ONGs”
O ano de 1986 foi marcado pelo primeiro diagnóstico de VIH/sida no país. Desde então o país tem vindo a desenvolver Planos Estratégicos Nacionais, o Programa de Prevenção de Transmissão Vertical, o melhoramento da vigilância sentinela, a expansão do aconselhamento e testagem voluntária e a criação do Instituto Nacional de Luta contra a SIDA.
Se considerarmos uma prevalência na ordem dos 2,1%, estima-se que cerca de 182 mil pessoas vivam com VIH/sida, dos quais 16 282 são crianças com idades compreendidas entre os 0 e os 14 anos.
Para o futuro, espera-se expandir os serviços e programas de atenção às Pessoas que Vivem com VIH, a prevenção primária, através de programas de Informação, Educação e Comunicação- I.E.C. e expansão do Aconselhamento e Testagem Voluntária. Os principais constrangimentos estão associados ao número insuficiente de recursos humanos capacitados, áreas de difícil acesso, acesso limitado por parte da população a serviços de saúde, entre outros.
Dr. Innocent Ntaganira- “Intensificação da prevenção do VIH em pessoas vivendo com o VIH/sida: estratégias para redução da transmissão sexual do VIH
O Dr. Innocent Ntaganira, da OMS África, dedicou a sua apresentação ao tema: “intensificação da prevenção do VIH em pessoas vivendo com o VIH/sida: estratégias para redução da transmissão sexual do VIH”.
(Maria Teresa Santos, Renata Cortizo – 17.04.2008)
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