A maternidade do hospital provincial do Uíje realizou dois mil e 101 partos, durante o primeiro trimestre do ano em curso.
Segundo a chefe de secção da referida instituição, Madalena Anselmo, do número de partos realizados, 103 foram nados mortos, enquanto que dez parturientes faleceram no período em referência.
Em declarações ao Jornal de Angola, Madalena Anselmo esclareceu que foram efectuados 52 partos por cesariana e 54 de gémeos.
Madalena Anselmo avançou que o número elevado de mortes neonatais registado naquela maternidade deveu-se, fundamentalmente, à falta de médicos ginecologistas nas unidades sanitárias que funcionam em diversas localidades da província, que, na sua opinião, deveriam garantir maiores cuidados médicos às mulheres grávidas.
“As mulheres grávidas em certas localidades não recebem a devida assistência, por falta de especialistas nas áreas de ginecologia, por isso elas são, muitas vezes, encaminhadas para a maternidade central do Uíje, com partos arrastados, rupturas uterinas e apresentação pélvica, facto que faz com que os bebés não resistam e acabem por morrer”.
Sobre as mortes, disse ainda que a falta de informação no seio das gestantes é outro dos factores que contribuem para o aumento do número de casos de nados mortos.
“Realizam partos nos bairros, sem cuidado algum. Outras, quando sentem as dores de parto são aconselhadas por pessoas não peritas na matéria a tomarem certos líquidos, a mastigarem folhas ou ingerir medicamentos tradicionais, que são contra-indicados pelos médicos”. Durante o primeiro trimestre deste ano, ainda de acordo com Madalena Anselmo, a maternidade atendeu 67 mulheres grávidas, na condição de seropositivas, que estão a ser controladas e seguidas pelos médicos, até completarem os nove meses de gestação, altura em que serão submetidas ao programa de corte de transmissão vertical, durante a realização do parto, para impedir a transmissão do vírus do VIH/SIDA aos bebés. Madalena Anselmo aconselhou as mulheres grávidas a procurarem com regularidade os centros de saúde mais próximos de suas casas, a fim de fazerem as consultas pré-natais com a máxima regularidade possível.

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