Como enganar a cegonha? Como evitar as doenças sexualmente transmissíveis? Estas foram as interrogações lançadas ontem pela Escola Secundária das Laranjeiras para, em conjunto com os médicos, explicar aos alunos como devem evitar, eventualmente, uma gravidez na adolescência e proteger-se contra as doenças sexualmente transmissíveis, evitando, sempre, os comportamentos sexuais de risco.
Rui Costa, Médico de Família e responsável pelo Gabinete de Apoio ao Adolescente naquela Escola, fez questão de sublinhar que a sexualidade começa na infância entre mãe e filho, através dos afectos que vão influenciar a nossa vida futura, através da memória, defendendo que a educação para os afectos deve começar na família que condicionam a vivência em sociedade. “Vivemos uma época permissiva em que todos pensam saber o que estão a fazer, mas não sabem o que é o planeamento familiar”, daí a importância da contracepção, que foi o tema abordado por Paula Moniz, Ginecologista, que desfez os mitos, deixando claro que não há nenhum método que seja 100% eficaz, porque “a falha pode acontecer e todos os jovens têm de estar preparados para isso” ao iniciarem uma vida sexual activa. Por isso, é importante que antes de terem relações sexuais procurem um médico para escolherem o método contraceptivo mais adequado, embora realce que quanto mais tarde iniciarem a vida sexual melhor, porque, ainda hoje, é o melhor para evitar uma gravidez e as doenças.
Contudo, se os jovens optarem por ter relações têm uma panóplia de métodos contraceptivos à sua disposição, – para não serem apanhados desprevenidos quando ouvem dizer que estão grávidas e com uma crianças que não queriam -, como o preservativo (combinado com espermicida), a pílula, a pílula de emergência – tem de ser tomada até às 72 horas do acto -, o implante (colocado debaixo da pele e com duração de 3 anos, adesivos (colados no braço e que duram 8 dias), anel vaginal (dura 3 semanas) , pois o diafragma (não é comercializado em Portugal), o DIU Intra-uterino, e o coito interrompido não são aconselhados para adolescentes.
A médica diz que a contracepção é muito importante porque “ainda são umas crianças e já estão grávidas, garantindo que há que apostar na prevenção, cujo método mais seguro, de entre os vários possíveis, é a pílula, que para além de evitar a gravidez também evita o acne, os quistos da mama e do ovário, o cancro do ovário e a dor menstrual. O preservativo também deve ser sempre usado, principalmente na adolescência, quando os jovens mudam de parceiro, acrescenta Francisca Senra Estrela, Dermatologista e veneralogista.
A médica diz que as doenças sexualmente transmissíveis (doenças apanhadas através de relações com um parceiro infectado) são um problema de saúde pública e há uma taxa mais elevada nos adolescentes, porque biologicamente mais susceptíveis a infecções e porque têm relações de curta duração (troca constante de parceiros), aumentando o risco de apanhar as doenças.
Entende que a prevenção é fundamental e só se evita as doenças se houver um parceiro fixo, se possível os jovens devem iniciar as relações sexuais o mais tarde possível. Devem utilizar sempre o preservativo e devem fazer a vacinação para as doenças que já têm vacina.
As doenças sexualmente transmissíveis são muito dolorosas, como fez questão de sublinhar a médica, que transportam para o doente “uma dor martirizante quer fisicamente como psicologicamente”.
“As infecções podem ser vaginais, orais e anais, por isso há que ter uma vida sexual boa, consciente e responsável”, diz a médica.
Francisca Estrela enumerou uma série de doenças passíveis de transmissão, como sendo também as doenças mais comuns e com maior impacto na saúde. São elas ulcerações genitais (sífilis e Herpes genital); uretrites e cervicites (gonorreia, infecção, clamídia); condilomas acuminados (pediculose pública [xatos], hepatite B e infecção pelo VIH – SIDA).
A médica explicou aos jovens os sintomas de cada doença e como se propaga, garantindo que, na sua maioria, só o preservativo pode evitar a contaminação, garantindo que a herpes genital é a doença mais frequente, que se deve, essencialmente, ao facto de hoje em dia se terem alterado as práticas sexuais. “É uma doença que se trata mas não passa. A pessoa pensa que está boa, mas está infectada e passa a doença ao parceiro”. Neste caso o preservativo pode não evitar a transmissão da infecção e pode levar à infertilidade da mulher.
Também muito frequente na transmissão são os condilomas (parece uma couve flor), um vírus que se localiza nos órgãos genitais. Também aqui a pessoa pode pensar que não está infectada mas está, e tem graves complicações, uma vez que a doença provoca cancro do pénis, ânus e do colo do útero, que já tem vacina para evitar a infecção. Mesmo não havendo penetração pode haver transmissão da doença, alerta a médica.
Como conclusão, a médica lembrou que as doenças sexualmente transmissíveis só se evitam se os jovens se prevenirem.
(Diário dos Açores – 11.04.2008)
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