MOÇAMBIQUE: Netos órfãos e descaso – idosos enfrentam a epidemia

9 04 2008

 


Photo: Mercedes Sayagues/PlusNews
Velhice sem descanso: avó cuida de netos órfãos em Naamacha

DONDO, 7 Abril 2008 (PlusNews) – No pantanoso bairro de Mafarinha, na cidade de Dondo, Elisa Traquina, 62 anos, apóia-se numa bengala e cuida de sua neta, Dorca, de nove anos, embaixo de uma maçaniqueira.

Dorca, que é seropositiva, perdeu os pais para a SIDA quando tinha cinco anos. Quem cuida dela desde então é sua avó.

Para ajudá-la na tarefa de criar e educar a menina, Traquina recebe apoio moral e alimentar da organização não-governamental Associação de Apoio às Viúvas e Crianças Vulneráveis de Moçambique (ASVIMO), que opera na província de Sofala, regiao central de Moçambique.

“Os idosos estão a enfrentar um chocante episódio: ou são abandonados pela comunidade e seus parentes, sob alegações de bruxaria, ou são obrigados a se tornar pais substitutos e cuidar dos netos, que são órfãos da SIDA”, disse Gimo de Carmo Lourenço, coordenador da instituição.

Traquina é um dos 250 idosos no distrito de Dondo, em Sofala, que recebe auxílio da ASVIMO.

A associação, criada em 1999, ajuda os idosos a cuidar das crianças órfãs, entre outras actividades. Nos últimos cinco anos, por exemplo, a ASVIMO construiu 70 casas que beneficiaram 142 órfãos que vivem sob cuidados dos pais substitutos.

A organização também conta com 120 activistas formados em HIV/Sida e ensina as comunidades sobre cuidados domiciliários em sessões semanais.

Florinda Ze, 68 anos, mora no bairro de Machorroque, na vila de Dondo, e cuida de seu neto de dois anos, que é seropositivo e órfão.

“Eu cuido dele e mais dois sobrinhos e tenho que ficar em casa quase todo o tempo. Não posso ter outros afazeres que me obriguem a me ausentar. Não posso ir aos enterros, à igreja, nem visitar outras famílias”, explicou Ze.

Além da mudança na rotina, as dificuldades também são financeiras.

“Às vezes fico sem jeito de sustentar estas crianças. O pouco que tinha acabou em hospitais, curandeiros e comida. Até agora conto com apoio da minha filha, mas acaba também em sobrecarga porque o custo de vida vai alto”, comentou.

Impacto adicional

Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas, quatro por centro da população moçambicana tem mais de 55 anos. Dos 800 mil idosos no país, 120 mil estão a cuidar de crianças órfãs, geralmente devido à SIDA.

''O risco de HIV é o mesmo para todos, mesmo para aquelas que estão na menopausa.''

Um dos factores mais preocupantes nesse quadro é o desconhecimento que os velhos têm do HIV. Além de cuidar de netos, que muitas vezes são seropositivos, não é raro ver os idosos a trabalhar como cuidadores ou parteiras tradicionais.

“Os idosos não pensam em evitar o contacto com o sangue das pessoas infectadas”, disse Lourenço, da ASVIMO. “E quando são contaminados, eles não são testadas para o HIV, porque os médicos simplesmente deduzem que eles não são sexualmente activos e dizem que tudo é decorrência da ‘idade avançada’.”

E mesmo lidando com toda a consequência da epidemia, os idosos continuam fora do radar das campanhas de prevenção.

Segundo Marina Karagianes, directora provincial de saúde em Sofala, apesar de a abordagem do HIV ser feita nos grupos de risco, entre 15 e 45 anos, os idosos também devem ser alvo dos esforços.

“O risco é o mesmo para todos, mesmo para aquelas que estão na menopausa”, destacou.

Lourenço aponta a falta de centros com serviços de testagem e aconselhamento voluntário para idosos no país como um dos principais indicadores dessa exclusão.

“Muitos idosos ainda são sexualmente activos”, afirmou.

Para Karagianes, as igrejas são peça chave nesse quebra cabeça que envolve velhice e HIV.

“Os idosos frequentam geralmente as igrejas. Se as campanhas educativas forem feitas dentro da igreja poderíamos atingir este grupo, que não tem conhecimentos básicos sobre como se precaver em relação ao HIV”, sugeriu.

Ela acrescentou também que, em nível comunitário, o problema pode ser resolvido com as organizações de base que oferecem cuidados domiciliários e sensibilização de HIV.

Trabalhar a vida inteira

Moçambique assinou várias convenções internacionais sobre idosos – incluindo o Plano Internacional de Madrid para o Envelhecimento, de 2002, que apela aos governos que reconheçam os direitos dos idosos – mas para muitos, as mudanças ainda são invisíveis.

“Moçambique pouco tem feito para traçar e implementar políticas e leis sobre os idosos”, disse Traquina.


Photo: Mercedes Sayagues/PlusNews
Idosos fora do radar das campanhas de prevenção

A idade da aposentadoria em Moçambique é de 55 anos, e a aposentadoria média de um funcionário público é de 700 meticais (US$ 29) por mês. Esse valor, no entanto, se aplica somente a pessoas que trabalharam no sector formal.

O governo está a implementar uma política para subsidiar a aposentadoria para os trabalhadores do sector informal. Cada idoso, de acordo com essa política, receberia mensalmente cerca de 300 meticais (US$ 12).

Esse benefício ainda está ao alcance de poucos, entretanto, devido à burocracia na obtenção de documentos, como atestado de pobreza e certidão de residência.

O governo também introduziu um plano de assistência médica gratuita para pessoas a partir de 65 anos, mas que não inclui medicamentos.

“Não há em Moçambique uma política de cuidado aos idosos. Muitos de nós têm que trabalhar a vida inteira – caso contrário acabaríamos em asilos, depois de sermos abandonados pela comunidade”, lamentou Alfredo Ernesto, de 71 anos.

Para esses idosos, a velhice está longe de ser uma época de descanso. Depois de uma vida toda de trabalho, a SIDA os obriga a tomar novamente as rédeas da família e recomeçar.

(PlusNews – 07.04.2008)




Brasil vai garantir tratamento integral para Aids em outros países

9 04 2008

O Brasil vai garantir tratamento integral a doentes de Aids em países da América Latina, África e Ásia. Dos 15 medicamentos do coquetel para o tratamento da doença, oito são fabricados no Brasil. Segundo o Diretor do Programa Nacional de DST/AIDS, do Ministério da Saúde, Pedro Chequer, o programa atual estabelece acesso a 100 tratamentos por país.
Pedro Chequer disse que desde a segunda metade da década de 90 o Brasil iniciou um processo de cooperação inicialmente com os países da América Latina e, em seguida, avançou para um processo de cooperação com os países de língua portuguesa. No ano passado, foi estabelecido um programa de cooperação internacional, pelo Ministério da Saúde, com apoio do Itamaraty.
As informações são da Agência Brasil.

(Diário Tempo Real – 09.04.2008)




BT E UNICEF UNEM FORÇAS NO TRABALHO COM JOVENS BRASILEIROS

9 04 2008

São Paulo – BT e UNICEF anunciam hoje o lançamento de um novo projeto com a participação de jovens. Trata-se de um projeto com foco em educação e comunicação para jovens brasileiros que vivem em comunidades de baixa renda. A BT está oferecendo R$ 1,75 milhão (500 mil libras esterlinas) para custear o programa.

Este programa irá apoiar e treinar adolescentes brasileiros na utilização de uma série de ferramentas de comunicação, com o objetivo de melhorar a qualidade da educação em suas escolas e comunidades e contribuir no processo de tomada de decisões para suas vidas. A parceria entre BT e UNICEF irá beneficiar dez mil adolescentes em dez escolas de cinco das maiores cidades brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Fortaleza.

Também participam do programa ONGs pertencentes à Rede CEP (Comunicação, Educação e Participação), que serão responsáveis por sua implementação nas cinco cidades onde será desenvolvido.

Os adolescentes irão utilizar ferramentas e técnicas de comunicação, como internet, rádio, blogs, fotografia e vídeo na criação e divulgação de campanhas que venham a trazer melhorias para suas escolas e contribuir na formatação de políticas públicas de serviços de saúde, meio ambiente, inclusão digital e outras questões comunitárias. Vídeos e blogs, por exemplo, podem ser usados para obter de autoridades locais melhorias no fornecimento de água potável e saneamento.

O projeto irá fornecer às escolas PCs, câmeras digitais e outros equipamentos. Além disso, será criado um website especialmente para que os adolescentes publiquem e compartilhem com seus colegas histórias e fotografias ilustrando sua experiência.

O UNICEF está trabalhando junto ao Ministério da Educação no desenvolvimento deste projeto e vem encorajando o MEC a implementar outros projetos com a participação de jovens em escolas de todo o país.

Para Luis Álvarez, Presidente da BT Global Services para Europa, Oriente Médio, África e América Latina, a parceria com o UNICEF cria um ambiente educacional em que os jovens recebem o apoio de que necessitam para crescer. “O acesso à informação e às tecnologias de comunicação pode encorajar o desenvolvimento de habilidades que, por sua vez, vão possibilitar que estes jovens passem nas provas, consigam um emprego, desempenhem um papel ativo em suas comunidades e atinjam seus objetivos de vida”, afirmou.

A BT, em todo o mundo, tem o compromisso de “fazer uma diferença positiva e sustentável nas comunidades em que atua”, observou Álvarez. “Trabalhando com o UNICEF estamos ajudando a desenvolver habilidades de jovens em uma perspectiva muito local, mas, em última instância, contribuindo para dar um futuro melhor a crianças de todo o mundo”, acrescentou.

Para Marie-Pierre Poirier, Representante do UNICEF no Brasil, ainda é um enorme desafio no Brasil assegurar a permanência das crianças na escola. “Somente quatro entre dez estudantes que começam a escola terminam o curso secundário. Uma das prioridades do UNICEF é promover a participação dos jovens em suas comunidades. O acesso a instrumentos de comunicação e a expressão de seus pontos de vista são direitos básicos do adolescente. Além disso, uma pesquisa feita pelo UNICEF em 2006 constatou que, no Brasil, os adolescentes que participam de atividades comunitárias são menos suscetíveis ao abandono da escola, à gravidez e ao envolvimento com a violência.”

A parceria entre BT e UNICEF no Brasil tem como objetivos engajar o adolescente nas questões sociais que afetam a eles e tornar seu ambiente escolar mais estimulante, de modo a reduzir as altas taxas de evasão. Ao capacitar estes adolescentes em tecnologia e técnicas de comunicação, BT e UNICEF estão, também, ajudando a fortalecer sua perspectiva de um futuro profissional, de modo a terem melhores chances de sucesso na vida adulta. 

Sobre a BT

A BT é uma das líderes mundiais no fornecimento de soluções e serviços de telecomunicações, operando em 170 países. Entre suas principais atividades se destacam serviços de TI em rede, serviços de telecomunicações locais, nacionais e internacionais, produtos e serviços de banda larga e Internet de alto valor agregado e produtos e serviços de convergência fixo/móvel. A BT tem quatro principais linhas de negócio: BT Global Services, Openreach, BT Retail e BT Wholesale. 

No ano fiscal encerrado em 31 de março de 2007, o faturamento do grupo BT foi de 20,223 bilhões de libras com lucros, antes dos impostos, de 2,484 bilhões de libras. 

A British Telecom é uma subsidiária integral do BT Group, e inclui praticamente todos os negócios e ativos do grupo. O BT Group está listado nas bolsas de valores de Londres e Nova York. Para mais informações, visite www.bt.com/aboutbt 

Sobre o Unicef

O UNICEF vem trabalhando no Brasil desde 1950, em parceria com o governo federal e governos estaduais e municipais, agências das Nações Unidas, sociedade civil, setor privado, mídia e organizações internacionais para defender e promover os direitos das crianças brasileiras. O trabalho do UNICEF no Brasil tem como foco os direitos de toda e cada criança: sobreviver e desenvolver-se, aprender, ser protegida e se proteger do HIV/AIDS, crescer sem violência e estar em primeiro lugar nas políticas públicas. O UNICEF está presente em mais de 150 países e territórios, ajudando a sobrevivência e crescimento de crianças desde a primeira infância até a adolescência. Maior fornecedor de vacinas aos países em desenvolvimento, o UNICEF apóia iniciativas que levem às crianças saúde, nutrição, água potável e saneamento, além de educação básica de qualidade para meninos e meninas, proteção contra violência, exploração e AIDS. O UNICEF é custeado inteiramente por contribuições voluntárias de indivíduos, empresas, fundações e governos.

(segs – 08.04.2008)





Huambo: Diagnosticados 62 novos casos de HIV/Sida

9 04 2008

Sessenta e dois novos casos de HIV/Sida foram diagnosticados de Janeiro a Março deste ano, na cidade do Huambo, pelo Centro de Aconselhamento e Testagem Voluntária “Elavoko”, segundo revelou hoje, terça-feira, à Angop a sua responsável, Conceição Ferreira.

Sublinhou que durante este período foram efectuados 692 testes, sendo 661 adultos de ambos os sexos, incluindo 21 grávidas, e 31 crianças.

Conceição Ferreira esclareceu ainda que o mês de Fevereiro é o que mais casos positivos produziu, com 27, resultantes de 259 testes efectuados, contra 229 do mês de Janeiro (18 positivos) e Março com 17 casos positivos dos 211 testados.

Dos 62 novos casos de HIV/Sida, realçou, 43 foram diagnosticados em mulheres (jovens e adultas), 16 do sexo masculino e três crianças recém-nascidas.

Embora sejam as mulheres as mais infectadas pelo vírus da Sida, Conceição Ferreira disse que ao longo do primeiro trimestre deste ano foram os homens que mais afluíram ao centro para realizarem testes.

Disse também que diariamente o centro realiza entre 10 a 25 testes.

(AngolaPress- 08.04.2008)




Brasil é destaque em relatório da Unicef

9 04 2008
Bruxelas – A iniciativa do Brasil de criar um mecanismo de assistência a outras nações em desenvolvimento para promover o acesso às primeiras linhas de tratamento contra o vírus HIV foi destaque no relatório “Infância e aids” do Fundo da ONU para a Infância (Unicef), apresentado ontem em Nova York.

Países como Bolívia, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Nicarágua, Paraguai, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste já se beneficiam do programa brasileiro, que conta com o apoio do Unicef e do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/aids (Unaids).

O relatório “Infância e aids” revê os avanços conseguidos desde outubro de 2005, quando a Unicef realizou uma convocação global ao combate ao vírus HIV entre as crianças.

A entidade admitiu hoje que a possibilidade de ver uma geração livre da aids ainda é algo distante e ressaltou que, por outro lado, é cada vez maior o número de mulheres grávidas e crianças soropositivas que recebem tratamento médico.
“As crianças e os jovens não conhecem um mundo livre da aids”, disse a diretora-executiva do Unicef, Ann M. Veneman.

Veneman lembrou que ainda são “milhares” as crianças que morrem a cada ano por causa da doença, e “milhões as que perderam seus pais ou responsáveis” por este motivo. “As crianças devem estar no centro da agenda global da luta contra a aids”, afirmou a diretora-executiva do Unicef.

Nas 52 páginas do documento, elaborado junto à Organização Mundial da Saúde (OMS), são analisados os avanços e os desafios que ainda existem na prevenção da transmissão do vírus de mães a filhos, assim como entre jovens e adolescentes, no tratamento pediátrico e na assistência aos soropositivos nos países de baixa renda. Os dados do Unicef mostram que das 33,2 milhões de pessoas que sofriam de aids em 2007, 2,1 milhões são menores de 15 anos.

Além disso, somente no ano passado, houve 420 mil novos casos de crianças infectadas pelo HIV e 290 mil mortes, sendo a África Subsaariana a região do mundo na qual se concentram 90% dos casos infantis.

O número dos que sofrem com a aids duplicou entre 2000 e 2007 nessa região, chegando a 12,1 milhões de crianças e jovens.

A Unicef lembra que a maior parte das crianças soropositivas foi infectada na gravidez, no parto, ou no período de amamentação. Segundo a agência da ONU, 50% dos bebês nessa situação “morrem antes dos dois anos”.

As estatísticas também mostram que 40% dos novos casos registrados em 2007 ocorreram entre jovens de 15 a 24 anos, e que esse é um grupo de população no qual há 5,4 milhões de soropositivos, entre eles 3,1 milhões de mulheres.

Para combater o problema, o Unicef, em cooperação com a rede de televisão MTV, produz na América Latina e no Caribe o programa “Sexpress Yourself”, no qual durante uma hora jovens falam abertamente sobre sexo, sexualidade e aids.

De acordo com o fundo da ONU, 140 mil mulheres e 280 mil homens entre 15 e 24 anos estão infectados pelo HIV. A Unicef constata em seu relatório que houve progressos na luta contra a doença nos países de baixa renda, onde a proporção de mulheres grávidas que recebem tratamento com anti-retrovirais passou de 10% em 2004 para 23% em 2006.

No caso do Sul e do Leste da África, as mulheres grávidas que recebem essa assistência passou de 11% a 31% no mesmo intervalo de tempo. Além disso, 127 mil crianças receberam remédios anti-retrovirais em 2006, contra 75 mil em 2005.

Outro avanço foi uma queda na quantidade de mulheres infectadas grávidas de entre 15 e 24 anos.

O documento também destaca que um dos países africanos que mais avançou na luta contra a aids é Botsuana, onde só 7% dos recém-nascidos de mulheres com HIV são infectados, contra o índice 35-40% registrado há poucos anos.

Segundo dados do Unicef, os países que em 2006 proporcionavam remédios a 48% das grávidas nessa situação eram África do Sul, Argentina, Barbados, Belarus, Benin, Butão, Botsuana, Brasil, Burkina Fasso, Cuba, Fiji, Geórgia, Jamaica, Quênia, Moldávia, Namíbia, Ruanda, Rússia, Suazilândia, Tailândia e Ucrânia.

(Portugal Diário – 04.04.2008)




Bié: Província regista 52 novos casos de VIH/SIDA

9 04 2008

Os Serviços de Saúde do Bié registaram, no primeiro trimestre do ano em curso, na província, 52 novos casos de VIH/SIDA, informou hoje, no Kuito, o chefe do Programa de Luta Contra a Doença, Adelino Camato.

A fonte considera preocupante o “aumento assustador” do contágio do vírus, sobretudo, na camada mais jovem (20-39 anos de idade).

Kuito, Andulo, Camacupa e Chinguar foram os municípios que maior número de seropositivos registaram, mais 10 em comparação aos registados em igual período de 2007. Os números registados nos outros municípios não foram avançados.

Indica ainda que a prostituição, alcoolismo, associada ao desconhecimento das medidas de prevenção e outras matérias relacionadas ao Sida têm vindo a contribuir significativamente para a disseminação da patologia no seio da comunidade.

De modo a melhorar a situação, realçou, o sector de Saúde na província colocou em cada unidade hospitalar um Centro de Aconselhamento e Testagem Voluntária do VIHIV/Sida.

A acção, segundo ainda a fonte, visa dar maior acesso à população, bem como incentivá-la, em especial a juventude, a aderir aos postos, assim como possibilitar saber o real estado serológico e consequentemente evitar a propagação da doença.

Adelino Camato assegurou que para as pessoas afectadas com a enfermidade existem retrovirais suficientes, desde que socorram-se às unidades sanitárias a nível do Bié, apelando, por outro lado, a todos a afim de afluírem aos Centros de Aconselhamento e Testagem Voluntária (CATV), para não viverem de dúvidas a respeito da Sida.

Refere que em 2006 foram detectados 281 casos, enquanto que em 2007 as autoridades sanitárias locais diagnosticaram-se 329 casos fruto do aumento de mais centros de aconselhamento e testagem voluntária (CATV), mormente no interior da província, associada às campanhas de sensibilização junto das comunidades.

Durante o primeiro trimestre deste ano, na província do Bié, quatro pessoas morreram vítimas da SIDA, informou Adelino Camato.

(AngolaPress-08.04.2008)





Preservativos made in Amazónia

9 04 2008

Mais rentáveis e resistentes. Dois argumentos suficientes para o Governo brasileiro ter inaugurado ontem, no município de Xapuri, estado do Acre, a primeira fábrica de preservativos a utilizar látex de seringueira nativa das árvores da Amazónia. Natex é o nome da nova “camisinha” brasileira que contará com uma produção de cem milhões de unidades por ano.

De acordo com a ministra do Ambiente do país, Marina Silva, citada pela edição online do jornal “Página 20”, a “fábrica é fruto da necessidade de prevenção das Doenças Sexualmente Transmissíveis, sendo que ao mesmo tempo agrega valor ao produto dos seringueiros, criando um novo padrão de produção e um processo novo de inclusão com a valorização da floresta e das suas reservas”.

O Brasil conseguirá, assim, reduzir a sua dependência na importação de preservativos, principalmente de países asiáticos como a China, Coreia e Tailândia, e poderá aumentar a distribuição gratuita dos mesmos na luta que tem desenvolvido para controlar a propagação da sida – um dos maiores programas do mundo, com 120 milhões de unidade distribuídas, só em 2007, de acordo com dados fornecidos pelo Programa Nacional de DST/Aids.

Por outro lado, a produção de preservativos vai criar 150 postos de trabalho directos e vai trazer benefícios a 550 famílias da Reserva Extrativista Chico Mendes, onde a actividade é responsável por 83 por cento da renda familiar. A fábrica utilizará 500 mil toneladas de látex por ano

O preservativo que será produzido em Xapuri sairá dez por cento mais barato, tem uma rentabilidade até oito por cento superior ao látex de cultivo e como tem menos minerais na sua composição é mais resistente.

Apesar de a fábrica utilizar produtos da Amazónia o Governo garante que o projecto fará um “uso sustentável da floresta, dos recursos naturais e da tecnologia”. Também o governador do Acre, Binho Marques, em declarações à “Página 20” elogiou a fábrica por conciliar o desenvolvimento do ambiente com o desenvolvimento social. “A Natex significa, especialmente, a possibilidade de inclusão social. Nessa obra temos o que podemos chamar de PPC: público, privado e comunitário”, acrescentou Binho Marques.

Um terço dos jovens brasileiros não usa preservativo
De acordo com um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), divulgado no início de Abril, no Brasil quase um terço dos jovens entre os 15 e os 25 anos não usa preservativos nas relações sexuais.

Contudo, um ponto positivo no combate à sida é que, até 2010, a Unicef prevê que o país consiga garantir o acesso a medicamentos a 80 por centos das mulheres grávidas e crianças portadoras da doença, quando em 2006 este número era de apenas 71 por cento. A média na América Latina é de 40 por cento e de 23 por cento noutros países em desenvolvimento.

A ONU estabeleceu como meta que, até 2010, todos os governos devem conseguir atingir os 80 por cento de acesso aos medicamentos e uma taxa de mortalidade de crianças seropositivas de 25 por cento.

(Romana Borja-Santos/Público – 08.04.2008)





BOTSWANA: Seropositivos se voltam para a homeopatia

9 04 2008


Photo: Kristy Siegfried/PlusNews
Um paciente segura os remédios homeopáticos que acabou de receber

MAUN, 9 Abril 2008 (PlusNews) – Maun, uma cidade comum do norte do Botsuana, é geralmente nada mais do que uma etapa intermediária no caminho que leva aos campos de safari de Okavango Delta, um paraíso da vida selvagem e um dos destinos turísticos mais populares da África.

Para Hilary Fairclough, antiga enfermeira inglesa, a visita a Maun em 2000, quando acompanhou seu parceiro durante uma viagem de trabalho, plantou a semente de uma idéia que hoje faz com que ela volte duas vezes por ano ao país.

Ela ficou impressionada com o estrago causado pelo HIV em Botswana, numa época em que os antiretrovirais (ARV) ainda não eram disponíveis no setor público. Em 2002 ela voltou ao país para descobrir se havia, entre os seropositivos, uma demanda por seus serviços como especialista em homeopatia.

Há pouquíssimos homeopatas em Botswana, e poucas pessoas em Maun tinham ouvido falar desta forma alternativa de medicina antes de sua chegada, mas o Projeto Homeopático Maun, como ficou conhecido, já tratou 1,5 mil seropositivos na região.

O serviço, que é gratuito graças a doações dos patrocinadores no Reino Unido, é fornecido por dois homeopatas voluntários que ela recruta na Inglaterra para trabalhar em Maun por um período de três meses.

Muitos dos pacientes do projeto agora estão a tomar ARVs, mas contam que os remédios homeopáticos ajudaram-nos a lidar com os efeitos colaterais, que às vezes são desagradáveis, assim como com as infecções oportunistas e a depressão, e que melhoram o bem-estar geral.

“O projeto está sendo realmente bem acolhido”, disse Fairclough. “As pessoas têm-se mostrado bem abertas. Eu acho que elas sentem-se apoiadas porque nós as ouvimos, mas eu acredito que os remédios também ajudam realmente as pessoas.”

O debate sobre homeopatia

Apesar de já existir há mais de 200 anos, a eficiência da homeopatia ainda é objeto de controvérsia. Os partidários da medicina convencional tendem a considerá-la no melhor dos casos como um placebo, e no pior, como charlatanismo. Em um artigo publicado no jornal sul-africno The Star, Mark Colvin, doutor em epidemiologia, descreveu a homeopatia como baseada em uma “premissa absurda” que nunca foi cientificamente provada.

Partidários da homeopatia respondem que a medicina homeopática funciona de forma tão diferente da medicina convencional – o tratamento da pessoa como um todo ao invés de somente da doença – que os métodos convencionais de medida de eficiência são inadequados.

Fairclough acredita que parte do sucesso da homeopatia no Botswana está ligado ao fato de que ela associa elementos da medicina tradicional e da medicina ocidental. “Ela tem a forma de um comprimido, mas a abordagem – que leva em consideração a mente, o corpo e o espírito – é mais Batswana. As pessoas sentem-se mais à vontade com isto”, disse ela.

Depende do indivíduo

Kelebogile, mulher frágil de quase cinquenta anos, é paciente de Fairclough desde 2002. Ela começou a tomar ARVs em 2003, mas ainda toma o que ela chama “os comprimidinhos” porque eles a ajudaram a tratar de “muitos problemas”.

''Os remédios não são sempre os mesmos para todos os seropositivos. Depende da pessoa, do tipo de stress e de como ela reage a diferentes situações.''

As consultas são feitas na Igreja Luterana de Maun, onde o projeto instalou a clínica que abre duas vezes por semana. A consulta de Kelebogile durou cerca de 30 minutos e não houve exame clínico.

“Os remédios não são sempre os mesmos para todos os seropositivos”, disse Fairclough. “Depende da pessoa, do tipo de stress ou trauma que ela teve, e de como ela reage a diferentes situações”.

Ela escolheu três vidros de comprimidos diferentes de sua caixa de medicamentos e colocou alguns de cada um em sacos plásticos; um para as dores, um outro para seu estado emocional e o último para estimular o sistema imunitário.

Serviços de saúde sobrecarregados

Para entender porque tantos pacientes esperam na fila em frente à Igreja Luterana, tendo às vezes viajado centenas de quilómetros, é só dar uma olhada no sistema de saúde pública sobrecarregado do país.

Como os remédios homeopáticos, os ARVs são gratuitos no Botswana. Porém, com uma seroprevalência de 24 por cento, a segunda depois da Suazilândia, a necessidade é imensa. Justamente quando o governo decidiu expandir o acesso ao tratamento ARV, médicos e enfermeiras começaram a sair do país em busca de melhores salários, na África do Sul ou em outros países vizinhos, ou até na Austrália ou no Reino Unido.

O programa de tratamento ARV do Botswana é frequentemente citado como um exemplo para outros países da região, mas algumas pessoas, inclusive o antigo médico chefe do Hospital Maun, Eric Beltz, pensam que o programa privilegiou a quantidade ao invés da qualidade.

Beltz, que mudou-se para a Austrália há três anos, estava a visitar o Botswana quando falou com PlusNews; o que o preocupa é o fato de que a rápida expansão do programa de tratamento do HIV/Sida, associada à falta de profissionais para monitorizar a aderência aos medicamentos e o fracasso do tratamento, poderá provocar problemas importantes de resistência aos medicamentos num futuro próximo.


Photo: Hilary Fairclough/MaunHomeopathyProject
A enfermeira Hilary Fairclough visita um de seus pacientes

Embora Fairclough trate regularmente os pacientes contra os efeitos colaterais dos ARVs, ela hesita em descrever a homeopatia como um tratamento “complementar” ao tratamento ARV.

“Alguns dos meus pacientes me disseram que queriam somente a homeopatia, mas eu disse não, não é o suficiente, precisa-se também dos ARVs. Pode até ser que a homeopatia pudesse retardar a necessidade dos ARVs, mas não podemos nos dar ao luxo de fazer este tipo de teste”.

Planos futuros

Alex Sarefo e Wasanapi Kapii, dois jovens voluntários do projeto, servem de intérpretes para os homeopatas, mas esperam um dia poder ter seus próprios pacientes. O projeto visa a sustentabilidade a longo prazo, e está a ajudá-los a terminar uma formação à distância numa escola no Reino Unido para obter a habilitação para praticar a medicina homeopática.

“No começo eu era cético, até que vi os resultados nos pacientes; comecei então a ler sobre a homeopatia e a entender sua base científica”, disse Sarefo, que começou a participar do projeto quando interrompeu seus estudos de medicina no Zimbábue.

Kapii espera poder abrir seu próprio consultório homeopático após obter sua habilitação, enquanto Sarefo fala de fundar uma escola de homeopatia e defender o uso maior das medicinas alternativas como a homeopatia. “Aqui não há preconceito quanto à medicina alternativa, e eu acho que deve continuar assim.”

 

 

(PlusNews – 09.04.2008)




Instituição beneficente Conceição Macedo, que luta contra a epidemia da AIDS, promove encontro da Sociedade Civil de Países de Língua Portuguesa em Salvador

9 04 2008
 

Acontece nesta quarta-feira (09/04), das 9h00 às 11h00, o “Colóquio: a Sociedade Civil no enfrentamento das DST/HIV/Aids em Países de Língua Portuguesa”. O encontro, que reunirá ativistas de países que têm como língua oficial o português, será na Câmara Municipal de Salvador.

“O evento tem como objetivo consolidar uma rede de diálogo e cooperação intercontinental entre organizações da sociedade civil de Países de Língua Portuguesa, sobre formas eficazes de enfrentamento das DST/HIV/Aids”, explica texto de divulgação da iniciativa.

De acordo com a Instituição Beneficente Conceição Macedo, entidade que organiza o colóquio, o encontro é uma preparação para o 2º Congresso da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa sobre DST/Aids. O evento acontece na cidade do Rio de Janeiro entre os dias 14 e 17 de abril.

(Agência de Notícias da Aids – 08,04.2008)

 





Espanha é excepção na integração e realojamento de ciganos, forma como vivem em Portugal é “degradante”

9 04 2008

É “degradante” para a democracia a forma como muitos ciganos vivem, em Portugal, considera Rosário Farmhouse, alta-comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural, durante a abertura dos trabalhos do seminário internacional Ciganos: Território e Habitat, que termina hoje em Lisboa. Durante o dia foram apresentados casos europeus. A experiência espanhola é uma excepção no cenário de outros países europeus.
Em Portugal, calcula-se que 4200 ciganos não têm habitação fixa, de um total de sete mil que vivem sem condições de habitabilidade, avança o trabalho dos investigadores Alexandra Castro e André Correia, do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa.
Rosário Farmhouse lembra que “todos têm direito, a uma habitação”, tal como diz a Constituição. Mas, no caso de muitos ciganos este direito é “apenas um desejo, lamenta.
Se Portugal, França, Itália e Reino Unido têm dificuldade em integrar os ciganos, em Espanha a sua “incorporação” tem sido uma aposta desde a década de 1970, explica Ana Collados, da Fundación Secretariado Gitano. Actualmente serão cerca de 10 a 12 por cento, em 600 mil, os que vivem em situação precária.
O sucesso deve-se ao apoio dado, diz. Por exemplo, na procura e compra de casa, no acesso a crédito bancário; no aprender a usar a casa; na ajuda a encontrar emprego e na ida das crianças à escola, explica Ana Collados ao PÚBLICO.
Mas também há problemas, admite. Para os evitar é necessário continuar a investir nos bairros, para que não se transformem em guetos.
Em Itália, os ciganos vivem em cerca de 400 acampamentos e bairros, feitos com contentores e isolados, denuncia Laura Fantone, da Universidade de Pádua. A situação agravou-se com a chegada de refugiados da guerra dos Balcãs e dos ciganos do Leste, na década de 1990. “Há menos integração e menos recursos”, informa. “Não há saída do campo”, alerta. As boas práticas têm sido poucas. Em Florença, Pádua e Génova estão a ser construídas pequenas vilas, mas os preços dos terrenos limítrofes baixaram porque ninguém quer ser vizinho dos ciganos, refere.
Também no Reino Unido, os ciganos, entre 180 e 300 mil, são recebidos com hostilidade, refere Pat Niner, da Universidade de Birmingham. A situação dos ciganos franceses, cerca de 400 mil, é muito semelhante à dos portugueses, considera Didier Botton, da Fédération de Associations Solidaires d”Action avec les Tsiganes.
Tal como cá, em França vivem da venda e do trabalho no campo; são nómadas, forçados pelas autoridades, que se recusam a deixá-los ficar muito tempo no mesmo sítio. Tal como cá, também há conflitos intra-étnicos – o que obriga a que as famílias se desloquem sempre que há problemas.

(Bárbara Wong/Público – 09.04.2008)





Médicos de centros de saúde voltam a estar disponíveis para ir fazer consultas a casa

9 04 2008

Estar doente e ter um médico que vai a casa fazer a consulta tornou-se uma raridade nas últimas décadas. As excepções quase só são abertas para pessoas acamadas. A partir de Maio há médicos que vão passar a receber 30 euros por cada um destes actos.

Mas os efeitos do novo modelo organizativo de centros de saúde (Unidades de Saúde Familiar – USF) neste tipo de consulta já se nota, revela um estudo do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (Insa).

Dados preliminares do estudo do Insa que analisa as consultas domiciliárias em clínica geral chegaram à “inesperada” conclusão de que em 41 por cento dos casos foi o médico quem tomou a iniciativa de ir ver o doente a casa, nota um dos seus autores, José Marinho Falcão, responsável pelo departamento de epidemiologia do Insa, em Lisboa.

“Inesperada” porque sempre pensou que este número seria “residual”. Tomando como base as 2229 consultas realizadas em 2007 pela amostra de 150 médicos da rede Médicos-Sentinela (clínicos voluntários de todo o país que disponibilizam dados), constatou-se que só 36 por cento destas consultas tinham sido feitas por iniciativa do familiar/cuidador e 18 por cento do utente.

Para o investigador, a grande percentagem de médicos que decidem consultar os doentes em casa já será o reflexo do novo modelo organizativo dos centros de saúde. No final de 2006 arrancou uma reforma que prevê que grupos de médicos, enfermeiros e administrativos se organizem de forma autónoma para alargarem a sua lista de utentes (Unidades de Saúde Familiar), prestando-lhes uma série de cuidados previamente definidos, as consultas domiciliárias são um deles. “Os médicos passaram a ter um plafond a atingir” e isso tem reflexos, refere Marinho Falcão.

Ainda assim, na população de utentes estudada pelo Insa só 1,2 por cento tiveram pelo menos uma consulta ao domicílio em 2007. Dados de 2005 dos centros de saúde de todo o país apontam para uma percentagem inferior: dos 26,4 milhões de consultas realizadas nesse ano só 140 mil foram domicílios (cerca de 0,5 por cento).

Cultura contrária

O coordenador da Missão para os Cuidados de Saúde Primários, Luís Pisco, afirma que somos um dos países europeus com menos domicílios. “Agora não há obrigatoriedade de fazer domicílios. É uma boa prática”, mas acredita que o acto receba impulso com a entrada em funcionamento das USF de modelo B que prevêem incentivos remuneratórios para os médicos que o praticam.

“Há uma cultura que fez desaparecer os domicílios” porque não são pagos ao médico e ele tem mesmo que custear a deslocação. Quando se realizam, tem que haver “uma justificação”, muitas vezes são pessoas acamadas”, explica. E as próprias pessoas já nem têm hábito de pedir, refere: “A população habituou-se a chamar a ambulância e ir para o hospital.”

Em Maio entrará em vigor o regime onde por cada domicílio o médico recebe 30 euros até um máximo de 20 domicílios mensais, a partir daí já não recebe; o utente paga a taxa moderadora. Prevê-se que arranquem as primeiras 36 USF com o novo modelo e que a partir de Junho vão avançando as outras 72.

Mas os centros de saúde que não têm o novo modelo, a grande maioria, ficam de fora desta reforma.

(Catarina Gomes/Público – 09.04.2008)





Pesquisas debateu HIV/SIDA na Beira

9 04 2008

UM “workshop”  de harmonização das acções de pesquisa em HIV/SIDA inicia amanhã  na cidade da Beira.  

Trata-se de um evento inserido  nas acções de implementação do Programa Nacional de Investigação da doença, aprovado pelo Governo em Dezembro de 2007. Esta iniciativa, promovida pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e que contará com a colaboração do Governo da província de Sofala,  enquadra-se no processo de estabelecimento de uma Plataforma Nacional de Investigação na área, cujo objectivo é instituir mecanismos e instrumentos que promovam o desenvolvimento de pesquisa de qualidade.





Dos direitos reprodutivos das mulheres vivendo com SIDA

9 04 2008

FALAR sobre os direitos das pessoas vivendo com o vírus do HIV/SIDA não é sempre uma questão fácil, tendo em conta todo o preconceito, a estigmatização, as contradições  de informação e as emoções que sempre rodeiam a discussão sobre a questão do HIV/SIDA.  

Apesar de hoje serem quase que internacionalmente reconhecidos alguns direitos às pessoas vivendo nessa condição, como o direito a não discriminação no que se refere ao acesso ao emprego, educação e determinados recursos, como sejam o crédito bancário e o seguro, o caminho percorrido para o seu reconhecimento foi longo e, mesmo assim, na prática, não são poucas as vezes que assistimos a uma violação de tais direitos.

A questão da protecção dos direitos humanos das pessoas vivendo com o HIV/SIDA mais complicada se torna quando entramos em áreas como a protecção dos seus direitos reprodutivos, pois é crença de uma parte da sociedade que uma pessoa e, principalmente uma mulher, uma vez diagnosticada com o vírus do HIV não deverá ter filhos, tendo em conta que uma das formas provadas de transmissão do vírus do HIV é a chamada transmissão vertical que ocorre da mãe para o feto (para além da possibilidade de Transmissão que ocorreria por via sexual na relação sexual que provocasse a gestação).

No entanto, esperar que cesse a vida reprodutiva das mulheres vivendo com HIV/SIDA é uma expectativa pouco realista, considerando uma série de factores, o primeiro dos quais é que, segundo dados estatísticos, o maior índice de seroprevalência ocorre em pessoas entre os 15 e os 49 anos, justamente no auge da idade reprodutiva, e atendendo também ao facto de que nem todas as mulheres têm capacidade negocial para discutir um sexo consensual com os seus parceiros e muitas delas só se deparam com o seu estado de seropositividade quando vão fazer o teste de HIV no rol dos testes pré-natais obrigatórios.

No entanto,  uma questão que valerá a pena discutir é se terão, igualmente, as mulheres que já conhecem o seu estado de seropositividade anteriormente à gravidez o direito de decidir ter uma vida reprodutiva?

Infelizmente, esta é uma questão cuja discussão é ainda rodeada de muita estigmatização. Desconheço qual é a realidade em Moçambique, mas na consulta de alguma informação relativa a alguns países  pude confrontar-me com alguns casos de projectos de saúde que oferecem o tratamento anti-retroviral a mulheres grávidas na condição de elas se submeterem a um processo de esterilização ou ao uso de um determinado método anti-conceptivo, havendo também relatos de casos em que as mulheres grávidas diagnosticadas com o HIV são obrigadas a submeter-se a um aborto, numa clara violação do seu direito reprodutivo mais essencial que é o direito de decidir  sobre ter ou não ter filhos.

Tais actos radicais e completamente desumanos mostram-se completamente injustificados quando hoje está cientificamente provado que o risco de uma  mulher seropositiva transmitir o vírus para o feto é inferior a 2% se determinadas medidas forem tomadas, como o tratamento apropriado durante a gravidez,  o parto por cesariana e a amamentação em determinadas condições bem definidas e, mesmo não sendo tomadas tal precauções o risco de transmissão é de cerca de 30%.   Tais posições são, ainda, mais injustificadas se considerarmos que, no caso, de algumas outras doenças como diabetes e certos tipos de cancro que poderão  ser transmitidos por via genética não existir  uma expectativa social de que a mulher cesse a sua vida reprodutiva, a que aliás, como todas as outras mulheres, ela têm pleno direito.

Daí que possa concluir que, no concerne ao direito reprodutivos das mulheres  portadoras do vírus do HIV a sua  principal arma seja o acesso à informação, pois, uma vez na posse desta, poderão tomar decisões responsáveis e esclarecidas no que se refere à sua vida reprodutiva. De entre a informação que deverá estar disponível às mulheres portadoras do HIV, no que se refere à sua saúde reprodutiva, cabe realçar o seguinte: i) a informação relativa a possibilidade de poder engravidar sem o risco de transmitir o vírus ao seu parceiro, no caso deste ser sero-negativo, através de formas alternativas de concepção, como a fecundação in vitro (apesar deste ser um método caro e talvez não disponível em Moçambique); ii) o direito que ela possui de, como qualquer outra mulher,  decidir  sobre a terminação ou não de uma gravidez, não podendo tal decisão lhe ser imposta, fora nos casos especificamente previstos na lei em que esteja em risco a sua vida; iii) o direito ao acesso ao tratamento anti-retroviral, incluindo durante a gravidez, sem que tenha  de comprometer quaisquer aspectos relativos à sua reprodutividade; iv) a informação sobre as melhores decisões  relativamente à amamentação  do recém-nascido, inclusivamente sobre os riscos e as condições em que tal poderá ser efectuado.

  • Cristina Hunguana – Advogada




Quando o amor acaba: Sair do lar de “mãos a abanar”

9 04 2008

A VIOLAÇÃO dos direitos da mulher não se resume à violência física ou sexual. Existem muitos outros tipos de manifestação que são denunciados à Polícia, tais como expulsar a mulher de casa, deixando para trás, muitas vezes, as crianças e  tudo o que foi construindo ao longo de vários anos de convivência comum com o seu companheiro. Argumentos: “já não gosto de ti, arruma o que é teu e desaparece da minha casa”. Estas palavras são pronunciadas quase todos os dias e em qualquer canto deste país, envolvendo pessoas de todos os estratos sociais, segundo Lurdes Mabunda, chefe do Departamento de Atendimento à Mulher e Criança Vítimas de Violência Doméstica no Comando da Polícia da República de Moçambique.

Quando um homem já não gosta da sua esposa não hesita em mandá-la embora. Isso acontece quer com mulheres casadas oficialmente quer com as que vivem em união de facto. “Nós sabemos que a união de facto é um tipo de junção de duas pessoas que não é reconhecida como os outros casamentos, mas tem uma vantagem, ou melhor, quando é altura da separação a mulher não sai de “mãos a abanar”, desde o momento que ela tenha vivido pelo menos durante um ano com esse homem significa que ela tem direitos. Os direitos têm a ver com o património que eles têm, falamos dos bens adquiridos, o que significa que se o homem tinha uma casa e outros bens antes de casar com ela isso não entra na  partilha. Ela vai partilhar os bens que serão adquiridos depois de estarem juntos. A Lei da Família protege apenas o que diz respeito ao património e à questão das crianças, elas têm direitos”, explicou Lurdes Mabunda.

Tal como acrescentou, o  homem pode casar com uma outra mulher, isso não é crime, mas terá que dar assistência aos filhos. A outra situação tem a ver com os casamentos tradicionais e religiosos. Esses têm validade do casamento civil depois de registados. Quando a pessoa não faz o registo deste matrimónio não há como ter protecção legal. Se não tem registo estes matrimónios não são considerados casamentos civis, embora depois de as pessoas fazerem o lobolo ou então casarem na igreja se forem ao conservador poderão registar e terá a mesma validade. “Mas quando as pessoas se acomodam somente na situação de lobolo a mulher, sobretudo, acaba ficando prejudicada. Existem muitos casos desses. Os casais ficam juntos e fazem aqueles casamentos tradicionais e não vão oficializá-los”, explicou  Lurdes Mabunda.

De acordo com a nossa interlocutora, a expulsão da mulher do seu lar é um problema sério. Normalmente tem acontecido que o homem  só diz vai embora e ela sai de casa sem exigir os seus direitos, muitas vezes por desconhecimento. Vezes há em que ele diz, leva as tuas coisas e as crianças também e vá, esquecendo que os filhos são do casal. “Quando é assim nós procuramos proteger a ela e às crianças. Só que às vezes é difícil.  Por exemplo, no último caso que nos foi comunicado o homem mandou embora a mulher e fechou as portas da casa e viajou. Fica um pouco difícil para a Polícia arrombar a porta e deixar esta mulher entrar com os filhos.  É preciso que haja uma decisão do tribunal para tal efeito,  e isso leva tempo. Por isso, quando é assim recorremos às organizações não-governamentais que dão assistência e patrocínio jurídico às vítimas da violência, como por exemplo a Liga dos Direitos Humanos, que constitui um assistente de modo que ela consiga ter, pelo menos, o direito à partilha dos bens do casal. E tem também a Associação das Mulheres de Carreira Jurídica, a MULEIDE e outras”, disse.

“Talvez seja importante dizer que não trabalhamos sozinhos”, explicou Lurdes Mabunda, acrescentando que trabalhamos em rede, só que essa rede ainda não está consolidada. Todavia, trabalhamos com várias instituições e organizações do Governo e outras não-governamentais. Temos, por exemplo, algumas instituições do Governo, tais como a Acção Social, o Tribunal de Menores, o Ministério da Saúde e da Justiça, para além das organizações não-governamentais já mencionados.

Os casos de expulsão de mulheres dos seus lares pelos próprios maridos ocorrem ultimamente com alguma frequência, o que é de lamentar, segundo a chefe do Departamento de Atendimento à Mulher e Criança, vítimas de violência doméstica na PRM. “Não sei porquê, mas o homem se sente no direito de dizer à mulher: vai embora, até nos casos em que ela o encontrou sem nada e construíram tudo juntos, só porque ele contribuiu com mais dinheiro, ou o casal construiu apenas com dinheiro dele e ela apenas esteve a fazer uma supervisão, acha que pode mandá-la embora”. Todavia, ele não tem esse direito. Quando fizer isso, está a violar os direitos daquela mulher, porque ela também é dona daquela casa. A partir do primeiro ano de convivência, independentemente do tipo de casamento, se eles construíram juntos uma casa, significa que na altura da separação deve ser partilhada”.

Só no ano passado registaram-se 493 casos em todo o país. Estes dados não reflectem à realidade, pois estes referem-se apenas aos casos denunciados à Polícia, mas devem existir muitos outros espalhados pelo país.

Lurdes Mabunda falou também daqueles casos em que a decisão de sair de casa é da própria mulher. “Por vezes a decisão de abandonar o lar indo para um outro casamento é dela.  Mas estes casos não são denunciados. Os homens só se queixam quando a mulher sai de casa e deixa uma criança pequena, de colo e que precisa do leite materno. Quando há uma criança que depende do leite da mãe ela é procurada e penalizada por isso, não porque abandonou o lar, mas porque está a renegar aquilo que é o direito da criança, a alimentação. Nalgumas vezes sensibilizamos esta mulher, porque o que queremos é que ela volte ao lar e alimente a criança. Se ela não quer continuar lá então que leve consigo o bebé e devolve-o numa altura em que ele já não depende apenas do lei materno”, explicou.

(Notícias de Moçambique – 08.04.2008)





Mulher deve lutar contra mortalidade materna no país – Maria da Luz Guebuza, Primeira Dama e Presidente da Organização da Mulher Moçambicana (OMM), incentivando a mulher a tomar decisões sobre a sua própria saúde

9 04 2008

A PRIMEIRA Dama, Maria da Luz Guebuza, lançou um veemente apelo a toda mulher moçambicana por forma a tomar a sério a necessidade de inverter os actuais números referentes à mortalidade materna, que apontam para uma média de 11 mulheres que morrem diariamente no país por razões ligadas ao parto.

Aliás, dados divulgados no encontro pelo Departamento de Saúde Materno e Infantil indicam que mais de 3480 mulheres morrem anualmente em Moçambique, o que representa a morte de 11 mulheres por dia. São causas directas destas mortes as hemorragias, rotura uterina e convulsões, enquanto que as indirectas são a SIDA e a malária.

Esta situação faz com que Moçambique figure neste momento na lista dos países com uma das mais elevadas taxas de mortalidade materna do mundo, com cerca de 408 mortes maternas por cada 100 mil nados vivos.

O fraco poder de decisão da mulher em relação à sua própria saúde e da criança, associados ao conhecimento diminuto do homem, que geralmente toma as decisões na família sobre os casos de risco de morte, na situação de doença, a falta de informação no seio da comunidade do que é determinante e que conduz à morte e doença contribui para a ocorrência de elevadas taxas de mortalidade materno, neonatal e infantil no país.

Segundo a presidente da OMM, que falava sexta-feira, numa palestra enquadrada nas comemorações dos 35 anos da fundação daquele órgão, é urgente que se inverta esta situação dramática também associada à insuficiente rede sanitária e à escassez de recursos humanos.

Maria da Luz Guebuza disse que não se compreende que a mulher morra quando vai à maternidade, no lugar de ter parto seguro e trazer ao mundo uma nova vida, que representa a continuidade dos pais e a realização dos seus sonhos.

Nas zonas rurais apontam-se as longas distâncias que separam as unidades sanitárias, onde a mulher teria melhor assistência, dos locais de residência, como um obstáculo difícil de ultrapassar para uma maternidade sã.  Os casamentos prematuros de crianças do sexo feminino, cujo organismo ainda não está preparado para a gravidez, sendo mais propensas a complicações e com maior risco de morte, contribuem para a mortalidade materna no nosso país.

(Notícias de Moaçambique – 07.04.2008)