Bié: OMS pede empenho na prevenção dos efeitos climáticos

8 04 2008

Kuito 08/04 – O representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) no Bié, Nunes Musse, exortou segunda-feira, no Kuito, a sociedade a se empenhar nas tarefas que visam a prevenção das consequências das mudanças climáticas.

 

O responsável, que falava à propósito do 7 de Abril (Dia Mundial da Saúde), salientou que a defesa das mudanças climáticas não é apenas uma tarefa dos governos e estados é, também, tarefa de toda a sociedade, visando a prevenção dos resultados nefastos no seio das comunidades.

 

Defendeu ainda a necessidade da melhoria do abastecimento de água potável as populações, o fortalecimento da vigilância e controlo das doenças infecciosas, ntensificação dos programas de vacinação a crianças menores de um ano de idade, bem como a melhoria da qualidade de assistência medico-medicamentoso a população.

 

Esta acção, segundo a fonte, pode permitir a prevenção do surgimento de doenças e a mortalidade no seio da população, sobretudo nas camadas mais vulneráveis. “Isto pode também contribuir para o progresso social e económico das comunidades”, acrescentou.

 

Apelou as instituições governamentais e não-governamentais para investir cada vez mais na melhoria das condições sanitárias, nomeadamente, o aumento de unidades hospitalares e respectivo apetrechamento, assim como na formação de quadros do sector da saúde.

 

Nunes Musse manifestou-se satisfeito com o trabalho do governo, em especial o da provincial do Bié, pela melhoria dos cuidados de saúde, atraves da implementação de projectos tendentes a reduzir a morbi-mortalidade nas comunidades.

 

Por seu turno, o director da saúde em exercício no Bié, Silva Cayeye, destacou a malária, doenças diarreicas e respiratórias agudas, sarampo, tosse convulsa, entre outras, como as que mais afectam e matam a população da região, crianças e mulheres grávidas.

 

Mas, acrescentou, existem outras doenças como a cólera, poliomielite, diabetes, hipertensão arterial, tuberculose, lepra e HIV/Sida que constituem igualmente uma preocupação do sector de Saúde.

 

O responsável garantiu haver em todas as unidades hospitalares medicamentos suficientes para assistir os pacientes nos diversos hospitais da região.

 

O Dia Mundial da Saúde foi instituido a 7 de Abril de 1948, pela Organização Mundial de Saúde “OMS”, com fundamentado no direito do cidadão à saúde e na obrigação do Estado na promoção da saúde.

 

Ao longo da história da humanidade, o saneamento ambiental tem sido o instrumento mais eficaz para a promoção da saúde.

(AngolaPress – 08.04.2008)





132 mil casos de violência doméstica

8 04 2008

As denúncias de violência doméstica estão a aumentar a um ritmo de 12 por cento por ano e em 2007 conheceram um novo recorde com 21 907 casos registados. Segundo o Relatório de Segurança Interna (RSI), entre 2000 e o ano passado as forças de segurança tiveram conhecimento de 131 556 ocorrências.

 

 

Em oito anos, as denúncias sobre este tipo de crime – autonomizado na última revisão do Código Penal, em Setembro – quase duplicaram, passando de 11 162 casos conhecidos no ano 2000 para 21 908 em 2007, o que corresponde a um aumento de 6,4 por cento em relação ao ano anterior.

 

De acordo com o Relatório, ‘os valores de 2007 estão em linha com o crescimento acentuado’ das participações de violência doméstica e são justificados com uma subida da taxa de queixa por parte das vítimas, mas também com um ‘aumento de capacidade de atendimento e acompanhamento’ das instituições policiais.

 

‘No campo da violência doméstica continuam a ser adoptadas medidas para um combate mais eficaz a este fenómeno’, lê-se no documento, onde se explica que já há no País 249 salas de apoio à vítima e que a PSP dispõe de 300 agentes nas equipas de proximidade de apoio.

 

Os dados mostram ainda que por cada dez mil habitantes são reportados 21 casos de violência doméstica, 81 por cento das quais entre cônjuges, sobretudo homens contra mulheres, com idades compreendidas entre os 25 e os 64.

 

No âmbito deste crime prevalecem as ofensas corporais e maus tratos, mais de 80 por cento do total, seguidos dos crimes contra a liberdade pessoal, principalmente ameaças e coacções.

 

Já o recurso a armas, em 2007, foi ‘minoritário’, apenas em nove por cento dos casos, mas as autoridades alertam que não pode ser desvalorizado. ‘Não se deverá considerar irrelevante porque corresponde a mais de dois mil casos’, lê–se no Relatório de Segurança Interna onde se explica que nestes casos as armas brancas e de caça são as mais utilizadas.

 

Quanto à incidência do fenómeno nas diferentes regiões do País, regista-se um maior número de ocorrências nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto e também na Madeira e nos Açores.

 

ALTERAÇÃO PENAL PEDIDA POR MULHERES

 

A Associação Portuguesa de Mulheres Juristas enviou ao Parlamento um pedido de alteração de dois artigos do novo Código de Processo Penal (CPP) que estão a impedir a polícia de deter agressores no contexto de violência doméstica – mesmo quando estes são apanhados em flagrante delito.

 

Em causa estão os artigos 257.º e 385.º do CPP relativos a detenção fora de flagrante delito e libertação do arguido. De acordo com as novas leis penais, em vigor desde 15 de Setembro de 2007, a detenção de um suspeito só é permitida quando houver fundadas razões para recear que o mesmo não se apresente espontaneamente perante autoridade judiciária. Esta alteração, que tem apenas em conta o perigo de fuga e não a continuação da actividade criminosa, não evita que a vítima, num contexto de violência doméstica, continue exposta ao agressor.

 

DISCURSO DIRECTO: ‘DEVE HAVER UM AGENTE ANJO-DA-GUARDA’:  Carlos Figueira, procurador

 

Correio da Manhã – Que medidas defende para agilizar os inquéritos de violência doméstica?

 

Carlos Figueira – Os casos considerados muito graves devem ter natureza urgente e passar à frente dos outros. Após uma rápida recolha de prova, que deve demorar entre três a quatro dias, o MP deve emitir mandados de detenção, caso o possa fazer, para primeiro interrogatório.

 

– E se o agressor ficar em liberdade?

 

– Enquanto não forem instituídos os meios de controlo electrónico há que implementar medidas policiais de monitorização e responsabilização, através de um agente, a que poderemos chamar anjo-da–guarda.

 

– Como é que isso funciona?

 

– À semelhança do que acontece com os agentes de liberdade condicional noutros países, este polícia, com sede nas proximidades da residência da vítima e com o telemóvel dela, ficaria acessível para qualquer emergência e registaria todos os incumprimentos por parte do agressor.

 

– Defende a especialização de magistrados para estas investigações?

 

– O que é necessário é a uniformização de procedimentos na investigação e articulação com instituições de solidariedade porque nenhuma mulher promove o afastamento do agressor se souber que vai ficar sem casa e sem dinheiro.

 

APONTAMENTOS

 

EQUIPA EM SINTRA

 

A Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa decidiu especializar a investigação dos casos de violência doméstica na comarca de Sintra, depois de concluir, através de uma análise da criminalidade na zona, que a violência no seio da família ‘assume particular significado’.

 

21 MORTAS EM 2007

 

Morreram 21 mulheres por violência doméstica em 2007, divulgou a União de Mulheres Alternativa e Resposta, com base em casos noticiados. O número pode ser mais elevado, a exemplo de 2006, em que a Amnistia Internacional divulgou 39 mortes e três crimes não foram noticiados.

 

/Ana Luísa Nascimento/Correio da Manhã – 07.04.2008)





São Paulo sedia encontro sobre combate à violência doméstica

8 04 2008

Brasília – A violência doméstica é tema de encontro que será realizado hoje (7) e amanhã, em São Paulo, com o objetivo de capacitar e sensibilizar os operadores do direito e profissionais ligados ao assunto para o atendimento adequado às vítimas. O 4º Seminário – Protegendo as Mulheres da Violência Doméstica é promovido pelo Fórum Nacional de Educação em Direitos Humanos e a Comunidade Bahá’í do Brasil, em parceria com a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres.

 

No encontro, também serão avaliados os resultados da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06), que torna mais rigorosa a pena contra quem agride mulheres, e apresentados casos de boas práticas no atendimento às vítimas de violência.

(Agência Brasil – 08.0.4.2008)




A lógica do Terceiro Setor na globalização

8 04 2008

O orçamento do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) para o presente exercício é de 10,1 bilhões de dólares. O montante, um bilhão maior do que o valor de 2007, evidencia a crescente valorização da responsabilidade social, considerando que os recursos provêm de doações privadas e fundos para causas específicas, como educação e saúde, além de verbas governamentais.

No ano passado, o recorde de contribuições recebidas por outro organismo, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), corrobora a ampliação da consciência universal quanto à necessidade de reduzir os índices de miséria e promover a inclusdão social e mlehoria da qualidade da vida. No total, 181 Estados-membros contribuíram com 419 milhões de dólares para o UNFPA. Isto representa o número mais elevado de países doadores e o maior montante recebido a título de contribuições desde que a agência iniciou suas operações, em 1969.

O destino dos recursos demonstra o significado do apoio aos organismos da ONU, bem como a todas as instituições sérias, de natureza privada ou estatal, dedicadas ao bem comum. No caso do PNUD, o dinheiro financia suas atividades em 160 países, em programas relativos ao desenvolvimento de capacidades para atingir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e outras metas de caráter socioambiental. As mudanças climáticas são uma das prioridades, e os dirigentes da agência enfatizam não haver maneira de as prevenir apenas com recursos públicos. Para eles, atrair o setor privado será a chave para solucionar o aquecimento global.

Quanto ao UNFPA, os recursos destinam-se à promoção dos direitos de cada mulher, homem, jovem e criança a uma vida saudável, com igualdade de oportunidades para todos. As verbas também são aplicadas no apoio aos países na utilização de dados sociodemográficos para políticas e programas de redução da pobreza. Contribuem, ainda, para assegurar que todas as gestações sejam desejadas, todos os partos sejam seguros, todos os jovens fiquem livres do HIV/aids e todas as meninas e mulheres sejam tratadas com dignidade e respeito.

Além de seus propósitos humanitários, as agências da ONU têm outro aspecto em comum: para ambas, os recursos privados são estratégicos e fundamentais. O mesmo raciocínio aplica-se às organizações do Terceiro Setor que atuam localmente, circunscritas ao atendimento de uma demanda social ou público específico. Como não têm fins lucrativos, sua capacidade de gerar receitas próprias é limitada. Assim, dependem do exercício da responsabilidade social por parte do capital privado e do esforço do voluntariado.

A lógica do Terceiro Setor, quanto à sua inserção no mundo globalizado, é a mesma que rege o universo dos negócios. Há organizações globais, como as agências da ONU, e as locais, como alguns excelentes exemplos brasileiros, dentre os quais a APAE (Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais), AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente), Fundação Dorina Nowill e ABRALE (Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia). Tanto quanto as empresas, esses organismos devem ter atuação com foco local, mas olhar globalizado, mantendo-se sintonizadas nas tendências e capazes de promover intercâmbio internacional, para adotar práticas sempre atualizadas no cumprimento de sua missão humanitária.

Nesse contexto, é de se esperar que as verbas recordes das agências da ONU indiquem uma tendência não só globalizada, como também regional, pois os desafios são cada vez maiores para as entidades do Terceiro Setor. No caso das que atuam na luta contra o câncer, como a ABRALE, dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) dimensionam a grandeza do embate: 84 milhões de pessoas morrerão da doença em dez anos, se nada for feito. Mais de 70% dos óbitos ocorrem em países em desenvolvimento e do terceiro mundo, onde os recursos necessários à prevenção, diagnóstico e tratamento são limitados ou inexistentes. Tal quadro caracteriza o câncer como problema de saúde pública e justifica os recentes movimentos para a estruturação de uma estratégia global de controle. O exemplo é didático e conclusivo sobre como deve organizar-se o Terceiro Setor no cenário da globalização.

(Merula Steagall é presidente da ABRALE (Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia) e da ABRASTA (Associação Brasileira de Talassemia).)

(Investnews – 08.04.2008)





Vacina contra HIV reúne especialistas

8 04 2008

MAIS de 100 especialistas e pesquisadores de África e Europa reuniram-se semana passada durante dois dias na Praia de Bilene em Gaza com o objectivo de delinear  bases com vista  à elaboração de um plano estratégico de pesquisa para a vacina do HIV e ensaios clínicos que deverão estar concluídos dentro de aproximadamente um ano.

As pesquisas estão a ser lideradas por diversos organismos internacionais com destaque  para o consórcio Tanzania/Moçambique,” Tamovac”, estando disponíveis para a prossecução desta iniciativa, cinco milhões de euros disponibilizados pelos Estados Unidos e Suécia. El Hadi, representante da Organização Mundial de Saúde OMS  no nosso país, falando a jornalistas à margem daquele encontro considerou aquela iniciativa de bastante oportuna, pelo facto desta  contribuir para a criação de capacidades internas para fazer face a esta enfermidade.

 

(Notícias de Moçambique – 08.04.2008)





7 de Abril : Mulher na Beira reclama espaço

8 04 2008

MULHERES entrevistadas pelo nosso jornal na cidade da Beira, província de Sofala, por ocasião do Dia da Mulher Moçambicana, ontem assinalado no país, instaram o Governo no sentido de trabalhar mais no sentido de combater os casos de violência doméstica, bem assim de discriminação. Maputo.

 

Numa auscultação feita pela nossa Reportagem, as nossas interlocutoras lançaram também um apelo no sentido de se envolverem com mais afinco nos esforços de  combater à pobreza absoluta, o HIV/SIDA, o analfabetismo e todas as doenças que constituem principais causas da mortalidade em Moçambique.

 

Estas mensagens reflectiram também o enfoque dos pronunciamentos feitos   pelo governador de Sofala, Alberto Vaquina, que dirigiu a cerimónia de deposição de flores, bem como pelos representantes do Estado  e da edilidade naquela urbe, Cremilda Sabino e Alexandre Vasco, respectivamente, e também  a mensagem dos combatentes da luta de libertação nacional.

 

Ana Manuença, residente no bairro de Chipangara, mostrou-se satisfeita pelo facto de, segundo ela, neste momento haver um número expressivo de mulheres na direcção de vários cargos,  tanto no Estado, como nas associações e outros organismos.

 

“Estamos a evoluir mas precisamos de mais espaço para a  nossa maior integração na sociedade”- ajuntou.

 

Ana Maria Jofrisse, moradora do 12º bairro, Maraza, também expressou a sua opinião afirmando que “temos espaço, mas ainda falta-nos poder económico, pois continuamos a depender do nosso parceiro, o homem. Se nós trabalharmos ainda mais, tenho fé que conquistaremos este espaço ,embora haja muitas mulheres que já tenham conquistado esse privilégio”, referiu.

 

Margarida Eduardo, residente em Inhamízua, sustentou que “as mulheres já estão a ganhar muito espaço na sociedade, mas ainda devemos continuar a lutar pelo nosso bem-estar económico porque muitas de nós dependem dos maridos”.

 

Por seu lado, o governador de Sofala potenciou, no seu discurso, a necessidade de as mulheres se engajarem na luta contra a pobreza, tendo como inspiração os ideais de Josina Machel e outras mulheres que lutaram lado a lado com o homem pela libertação do país, bem como na criação do destacamento feminino que gerou a actual Organização da Mulher Moçambicana (OMM).

 

O mesmo sentimento foi manifestado pelos representantes do Estado e da edilidade na cidade, nomeadamente Cremilda Sabino e Alexandre Vasco, bem como pelos combatentes de luta de libertação nacional. Na essência, todos focalizaram os avanços assinaláveis que a mulher vem conseguindo no país, e a necessiade destas continuarem a lutar por melhores condições e o seu comprometimento na luta contra a pobreza, doenças endémicas, entre outros males que ainda enfermam a nossa sociedade.

 

(Notícias de Moçambique – 08.04.2008)





Apoio ao desenvolvimento: Nações Unidas adoptam mecanismo integrado

8 04 2008

AS agências do sistema das Nações Unidas vão criar, a partir do biénio 2008/09, um programa único de apoio ao desenvolvimento de Moçambique, no âmbito do processo da reforma acelerada daquele organismo internacional, o qual preconiza um programa, uma estrutura orçamental, um líder e escritórios comuns.
 

Para o efeito, foi assinado, há dias, um programa conjunto de assistência, orçado em cerca de 113 milhões de dólares americanos, segundo revelou ao nosso Jornal o representante residente do PNUD, Ndolamb Ngokwey, que é igualmente coordenador residente do sistema das Nações Unidas no nosso país.

 

Ndolamb Ngokwey disse que o montante será aplicado nas prioridades definidas pelo Governo moçambicano no âmbito do PARPA e do programa quinquenal.

 

Nesse contexto, as agências das Nações Unidas estabelecidas no país ratificaram 11 programas de apoio que eram desenvolvidos separadamente para um único, eliminando, desta feita, a dispersão de esforços e recursos.

 

A criação de um programa conjunto de assistência, segundo explicou a nossa fonte, resulta do facto de Moçambique ser um exemplo-piloto do processo da reforma acelerada das Nações Unidas.

 

Exemplo disso é que o próprio orçamento das agências das Nações Unidas estabelecidas em Moçambique está a registar um progressivo crescimento, tendo passado de 100 milhões de dólares anuais para 150 milhões de dólares graças, segundo Ndolamb Ngokwey, mobilização de recursos especiais referentes ao programa de reformas.

 

“O aspecto positivo é o facto de que Moçambique como país-piloto  das reformas das Nações Unidas  está a receber muito dinheiro. Por exemplo, o nosso orçamento no ano passado para toda a família das Nações Unidas foi de 100 milhões de dólares, mas, por causa de Moçambique ser um país piloto, há uma forte mobilização de recursos especiais e o nosso orçamente este ano, cresceu em mais 50 milhões de dólares”, disse ajuntando que a realização em Maputo da reunião dos representantes residentes do PNUD, é uma demonstração de que Moçambique está no bom caminho.

 

Ressalvou que a reunião mobilizou todos os representantes e coordenadores residentes do PNUD em África, em número de 45, mais 20 directores de países, incluindo directores centrais do PNUD e quatro secretários-gerais adjuntos.

 

(Notícias de Moçambique – 08.04.2008)




Na estratégia de combate à pobreza : Governo encoraja educação da rapariga – Armando Guebuza, nas celebrações dos 35 anos da OMM

8 04 2008

Armando Guebuza, que falava por ocasião da passagem dos 35 anos da criação da OMM, afirmou que o aniversário desta organização representa um longo percurso da mulher desde a luta pela libertação nacional, onde desempenhou papel extremamente importante até aos dias de hoje.

Segundo o Presidente da República, foi a sua participação na luta contra o regime colonial que permitiu que a mulher pudesse mostrar que era capaz de dar uma maior contribuição para a libertação e para o desenvolvimento do país.

“Hoje, ao celebrar este momento histórico, queremos renovar a nossa homenagem pelos feitos da mulher, pela libertação do país e não só, pelo processo de desenvolvimento”.

De acordo com o Chefe do Estado,  felizmente,  a mulher continua a desempenhar um papel activo em todos os processos de desenvolvimento, indicando como exemplo o seu empenho na educação, onde ela está em grande número em relação ao seu companheiro. “Diferentemente do que acontecia ontem, hoje temos maior número de mulheres nas escolas primárias, secundárias, universidades, incluindo na alfabetização e educação de adultos, o que mostra a sua determinação”, elogiou o Presidente da República.

Quanto ao HIV-SIDA, o Chefe do Estado deixou uma mensagem de esperança, convidando a mulher a continuar com os esforços para não ser tão vulnerável como o é hoje, de modo a garantir o crescimento saudável da sociedade, sendo ela responsável pela educação da família.

Num outro desenvolvimento, Armando Guebuza reconheceu que o país ainda está a registar alguns problemas, explicando que os mesmos fazem parte do processo de desenvolvimento, recordando que a solução de um problema resulta num outro.

Lamentou, no entanto, o facto de existirem vozes que sustentam que o Governo não está a fazer nada para o combate à pobreza, ignorando o crescimento económico e social que está ao alcance dos olhos de todos.

O Chefe do Estado apontou o crescimento da rede escolar, desde o ensino primário até ao superior, a expansão da rede sanitária, a construção de novas pontes, a alocação dos sete milhões de meticais aos distritos e outros feitos em prol do desenvolvimento do país.

De acordo com Armando Guebuza, o Governo tem plena consciência de que o custo de vida é alto, daí que o manifesto eleitoral do seu partido apresentou o combate à pobreza como uma das principais metas a atingir ao longo do seu mandato.

“Portanto, não é nenhuma descoberta dizer que o nível de vida em Moçambique é alto, o importante neste momento é em conjunto encontrarmos soluções dos problemas que ainda afligem o país”, afirmou o Chefe do Estado para quem a pobreza será vencida.

(Noticias de Mocambique – 08.04.2008)




OMS alerta para o papel do clima nas epidemias

8 04 2008

A Organização Mundial da Saúde (OMS) chega aos 60 anos preocupada com as mudanças climáticas. Para o organismo, que logo em seu início teve como desafio a devastação causada pela Segunda Guerra Mundial, a inquietação mais recente é a relação entre o aquecimento global e o reaparecimento de epidemias em todo o mundo. Viroses como a gripe aviária e o ebola, e o aumento da incidência de casos de malária, tuberculose, dengue e de contaminação pelo HIV representam, no momento, os grandes obstáculos da OMS. Hoje, a organização celebra o Dia Mundial da Saúde alertando para a responsabilidade do homem nas epidemias motivadas por alterações climáticas.

De acordo com a OMS, doenças transmitidas pela água, pelos alimentos e por vetores – como mosquitos -, além de males relacionados à poluição do ar, só tendem a se multiplicar com o descontrole do clima. “Ondas de calor, tempestades, enchentes e secas matam dezenas de milhares de pessoas a cada ano. Problemas como diarréia, malária e desnutrição já causaram mais de 3 milhões de mortes em todo o mundo. Mas nem esses números conseguem refletir os impactos devastadores do aquecimento global para a saúde humana”, destacou a diretora-geral da organização, Margaret Chan 

Desde a década de 1970, 39 novas doenças foram identificadas e, só nos últimos cinco anos, a OMS registrou mais de 1,1 mil epidemias, incluindo cólera, pólio e gripe aviária. Os países pobres são os que mais sofrem, sendo o sul e o centro da África e o sudeste asiático as áreas que mais exigem esforços da instituição (veja o mapa nesta página). “Um de nossos grandes desafios é garantir a saúde como item fundamental para o desenvolvimento e a segurança desses países, construindo um sistema com base nas necessidades da cada um”, explicou ao Correio o porta-voz da OMS, Dick Thompson.  

A organização estima que haja cerca de 33 milhões de pessoas infectadas com o vírus HIV, da AIDS, só na África Subsaariana. A mesma região concentra ainda 90% dos 300 milhões de casos de malária registrados por ano – que resultam em 1 milhão de óbitos. Epidemias como a de dengue no Brasil também servem como alerta para a OMS. Dados da agência da ONU mostram que, dos 900 mil casos de dengue registrados em todo o continente americano em 2007, 560 mil ocorreram no Brasil. Em 2008, 21 pessoas já morreram em decorrência de dengue hemorrágica no Rio de Janeiro, o que representa um índice de letalidade em torno de 5%. Para a OMS, a taxa aceitável é de 1%.  

Importância Quando foi criada, a Organização Mundial de Saúde tinha como papel principal a distribuição de remédios e vacinas, a contenção dos surtos de doenças e o cuidado com os refugiados da Segunda Guerra. Nos seus primeiros 30 anos, padronizou doenças e medicamentos, e erradicou epidemias como a varíola e a pólio. “A OMS ainda foi importante por ter definido o conceito de saúde como o ‘completo bem-estar físico, mental e social’. Ou seja, não é só cuidar da saúde física”, explica o professor Gastão Wagner de Sousa Campos, da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp.  

Nos anos 1990, no entanto, o organismo da ONU teve sua atuação inibida, em parte, pelo apoio prestado por bancos de fomento, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Mundial, aos países pobres. “Mas já no começo deste século há uma retomada dos trabalhos, principalmente pela questão do clima, das novas viroses e epidemias”, lembra Campos. Para o especialista, a OMS ainda exerce função essencial ao estimular a produção de soros, vacinas e remédios para doenças negligenciadas, que não interessam às indústrias farmacêuticas. “A OMS criou uma cultura de difusão de políticas públicas e de experiências bem-sucedidas. E isso é fundamental para garantir a saúde da população mundial, principalmente nos países mais pobres”, avalia.  

Seis décadas de conquistas 

Confira os principais avanços obtidos pela OMS desde sua criação 

1948
Surgimento da Classificação Internacional de Doenças (CID)  

1952

O programa de controle mundial da bouba (infecção causada por um microorganismo) é lançado, sendo eficiente no tratamento de 300 milhões de pessoas em 50 países, reduzindo a incidência da doença em mais de 95% em todo o mundo  

1974
Lançado o Programa Ampliado de Imunizações (PAI), responsável por evitar cerca de 3 milhões de mortes por ano  

1979
Erradicação da varíola  

1988

É lançada a campanha de erradicação global da pólio. Desde a sua criação, os casos de pólio foram reduzidos em 99%. Em 2008, apenas quatro países são considerados endêmicos para a doença  

1995

O programa Dots, que permite às vítimas de tuberculose receberem gratuitamente medicamentos e atendimento, é criado e beneficia mais de 30 milhões de pessoas  

2002

É criado o Fundo Internacional de Combate à AIDS, à tuberculose e à malária  

2003

O vírus da Sars (sigla em inglês para Síndrome Respiratória Aguda Grave) é identificado pela primeira vez e controlado. Nesse ano, também é assinado o tratado antitabaco da ONU, um dos acordos com maior adesão em toda a história das Nações Unidas

(Correio Braziliense – 07.04.2008)





Proteína extraída do veneno de cobras consegue impedir o avanço do vírus da AIDS, indica estudo da USP de Ribeirão Preto

8 04 2008

Proteínas extraídas do veneno de cascavel e jararacas conseguiram inibir em testes in-vitro o vírus da Aids. As peçonhas brasileiras, que estão sendo estudadas por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, atingiram apenas o agente e impediram o avanço do HIV tanto na fase de replicação quanto na entrada dele na célula. De acordo com o professor Andreimar Martins Soares, do Departamento de Análises Clínicas, Toxicológicas e Bromatológicas da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, que coordena o estudo há dois anos em parceria como Hemocentro, os resultados ainda são preliminares e precisam ser testados em animais e em pacientes antes de significarem uma cura, mas já confirmam o potencial dessas toxinas. Soares, que trabalha há 16 anos com venenos de serpentes e há 10 com plantas medicinais anti-veneno, disse que a toxicologia é uma das áreas que mais cresce no mundo por causa do potencial para fármacos e até para a cosmética. “Várias proteínas de peçonhas já são aplicados comercialmente, o melhor exemplo é o remédio Captopril, desenvolvido aqui na USP de Ribeirão pelo professor Sérgio Henrique Ferreira e sintetizado a partir do veneno de jararaca, que se tornou o remédio para pressão mais usado no mundo”, afirmou.

 

Segundo o professor, os venenos animais tem se mostrado eficientes contra tumores e variados fungos, bactérias e vírus. Soares disse que já há estudos no País que demonstram o uso de venenos no combate à dengue e a agentes de doenças como a esquitossomose, leishmaniose e chagas.

 

Como os venenos têm um custo alto —um grama de veneno de uma cascavel custa cerca de R$ 300 e o grama do de jararaca pode chegar até R$ 900—-, esse tipo de pesquisa não é fácil no Brasil.

 

“Agora, como a universidade está começando a fazer parcerias com empresas, aumentam as chances de conseguirmos patentear e de levarmos para a fase clínica, mas conseguir recursos é sempre uma luta”, declarou Soares. O trabalho do professor conta com uma equipe de 16 pessoas, entre alunos da graduação e da pós, além de parcerias com outras universidades do País e internacionais.

 

BIOPIRATARIA

 

Soares disse que um dos principais problemas enfrentado hoje no campo de toxicologia é a biopirataria. O professor afirmou que já chegou a acessar um site francês que vendia venenos que só existem no Brasil.

 

“Como eles conseguiram? Alguém daqui vendeu, só que esses estrangeiros vão sintetizar e patentear o veneno e depois vender por milhares de euros, inclusive para os brasileiros”, declarou Soares, para quem fiscalização e conscientização são as únicas formas de combate.

 

Peçonha de coral vale até US$ 140 mil

 

Venenos de serpentes valem mais que metais preciosos. O grama da peçonha da cascavel, que é uma das mais produzidas, por exemplo, chega a custar seis vezes mais que o grama de ouro, cotado a R$ 50. Outros venenos mais raros e difíceis de extrair, como o da coral verdadeira, podem chegar a US$ 14 mil o grama no mercado internacional.

 

A extração, porém, leva tempo —20 cascavéis rendem um grama por mês e para juntar a mesma quantia de uma coral, pode levar dois anos. Quanto ao licenciamento ambiental, todas os novos pedidos para serpentários estão suspensos desde o ano passado e só devem ser retomados quando o Ibama liberar a nova instrução normativa —o que não deve acontecer antes do final do ano.

 

Cuidar de animais é muito difícil

 

Veterinário de animais silvestres, Gustavo César Fazio, 32, tenta autorização para um serpentário. “O custo para manter serpentes não é tão alto perto do lucro, o valor agregado por cabeça é melhor que o de gado, mas tem que ser feito cumprindo a legislação e tratando bem o bicho, que é muito frágil”, disse Fazio.

 

Alexandra Sandrin, 47, e Carla Zanchi, 44, são donas de um dos três serpentários autorizado da região e trabalham no ramo há 12 anos. “Cobras precisam de manutenção diária, porque qualquer estresse, como mudança de temperatura, faz com que elas adoeçam e morram”, disse Alexandra, que é bióloga. Para Carla, novos criadouros ajudariam na preservação de exemplares que estão em extinção.

 

Danielle Castro

 

Fonte: Gazeta de Ribeirão

 

 

(Agencia de Noticias da AIDS – 07/04/2008 )




Unitaid, organização que financia tratamento e diagnóstico da AIDS, vai custear a produção de barras de alto teor nutritivo para crianças soropositivas de países pobres, informa a organização Médicos Sem Fronteiras

8 04 2008

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) participou, na última quinta-feira (03/04), do encontro do Conselho Executivo do Fundo Internacional para a compra de Medicamentos (UNITAID, na sigla em inglês), que se reuniu pela primeira vez no Brasil.

 

Durante a reunião realizada em Brasília, foi aprovada a proposta do Unicef (Fundo das Nações Unidas para Infância e Adolescência) de custeio da produção de barras de alto teor nutritivo por parte da agência.

 

Especialmente elaborada para as crianças em fase de crescimento, essa nova geração de alimentos, composta por 40 nutrientes fundamentais e baseada em leite em pó e amendoim, tem sido usada com sucesso nos centros nutricionais mantidos por Médicos Sem Fronteiras, em crianças de menos de 3 anos que sofrem de desnutrição severa aguda.

 

No entanto, apesar dos altos índices de recuperação de peso e redução da mortalidade, apenas 3% das cerca de 20 milhões de crianças que sofrem de desnutrição severa aguda em todo o mundo têm acesso a essas barras.

 

O objetivo da proposta é usar esses alimentos como complemento no tratamento de crianças com HIV/Aids, uma vez que a desnutrição aguda grave favorece a manifestação de doenças infecciosas, podendo levar à morte.

 

Apesar de a UNITAID ter sido criada para financiar medicamentos e diagnósticos para HIV/Aids, tuberculose (TB) e malária, a iniciativa não é nova para a agência. Ela já havia custeado a compra de alimentos de alto teor nutritivo (ou RUFT na sigla em inglês) pela Fundação Clinton para desnutrição em crianças soropositivas. A proposta atual seria uma expansão dessa ação.

 

Criadas em 1997, as barras de alto teor nutritivo não precisam ser misturadas à água para serem ingeridas, o que significa que não há risco de contaminação por bactérias. Esses alimentos podem ser guardados de maneira segura em casa, sem necessidade de refrigeração, e até mesmo em regiões onde as condições de higiene não são adequadas.

 

Médicos Sem Fronteiras começou a usar um protótipo dessas barras de alto teor nutritivo em 1997, no Sudão. Mas foi em 2005, ano em que foi registrada uma das mais graves crises alimentares no Níger, que MSF pôde melhor comprovar a eficácia desses alimentos. Somente em Maradi, 38 mil crianças gravemente desnutridas foram tratadas com as barras de alto teor nutritivo, com 90% de sucesso.

 

No ano seguinte, 65 mil crianças foram tratadas, dentre as quais 92,5% sofriam de desnutrição moderada e 7,5% de desnutrição severa. Os índices de recuperação chegaram a 95,5% para os que sofriam de desnutrição moderada e de 81,3% entre os pacientes mais graves.

 

A confecção das barras de alto teor nutritivo é simples, porém aquém das necessidades mundiais e o preço ainda é caro. Quando produzidas localmente, custam 3 dólares por quilo. Uma criança que sofre de desnutrição aguda severa precisa de entre 10 a 15 quilos das barras de alto teor nutritivo, consumidas por um período de seis a oito semanas, para se recuperar.

 

Este valor é alto demais para a população dos países africanos visados pelo programa, por isso é preciso fornecer o alimento gratuitamente. Em 2006, Médicos Sem Fronteiras tratou mais de 150 mil crianças com desnutrição aguda em 99 programas mantidos em 22 países.

Fonte: Médicos sem Fronteiras

 

(Agencia de Notícias da AIDS – 07.04.2008)




São e Príncipe: Inquérito Demográfico

8 04 2008

O Ministério da Saúde de São Tomé e Príncipe vai inquirir mais de cinco mil famílias são tomenses ao longo dos próximos seis meses, com o objectivo é obter dados estatísticos dos diferentes sectores vitais do arquipélago.

Com este inquérito as autoridades pretendem também adquirir informações sobre a fecundidade, a mortalidade das crianças menores de cinco anos e sobre a prevalência do HIV/SIDA nas populações.

Trata-se de um inquérito demográfico–sanitário que na última semana foi validado durante um seminário em São Tomé.

José Manuel de Carvalho, Director dos cuidados primários da saúde, explica o alcance deste inquérito.

“É necessário apurar dados estatísticos vitais que dizem respeito aos aspectos ligados à saúde, nomeadamente a saúde das mulheres, das crianças, dos adolescentes e dos homens.”

Trata-se de recolher informações sobre a fecundidade, a mortalidade de crianças menores de cinco anos, o planeamento familiar e a saúde materno-infantil.

Com este inquérito, as autoridades da saúde pretendem conhecer também a prevalência do HIV Sida na população e de outras doenças como a anemia.

José Manuel de Carvalho acrescentou que o inquérito também visa verificar dados estatísticos do Ministério da Saúde.

“Vamos ver se conseguimos estender o inquérito para abranger o conhecimento da Hepatite B de modo a podermos confirmar as taxas que nós temos.”

De acordo com o Director dos cuidados primários da saúde, os resultados deste inquérito demográfico–sanitário, vão permitir também uma melhor planificação.

Trata-se da sua utilização pelos sectores e instituições interessados na melhoria do planeamento no país.

Para esta iniciativa, o governo conta com o apoio da Organização Mundial da Saúde, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, do Banco Mundial e de outros parceiros multilaterais.

(AngolaPress-07.04.2008)




Seropositivos no Cunene associam-se

8 04 2008

Uma rede provincial de pessoas portadoras de VIH/Sida foi constituída recentemente na província do Cunene, de modo a contribuir nos esforços empreendidos pelo governo local no combate, tratamento e prevenção à pandemia, de acordo com a coordenadora da referida associação, Natália Ismael.
Segundo a responsável, controlam já 800 pessoas seropositivas nos municípios de Kwanhama, Namacunde, Cuvelai, Curoca, Ombadja e Kahama.
A agremiação, afecta à Rede Nacional de pessoas vivendo com VIH/Sida, será parceira activa do governo local, tal como acontece em outras províncias do país onde existem associações do género, no combate à proliferação da Sida, frisou. A interlocutora lembrou que “antes nos escondíamos para morrer e hoje nos mostramos para viver”, sendo este o lema que norteia as actividades da rede.
Reconheceu haver grande apoio por parte do Governo angolano aos seropositivos, no desenvolvimento contínuo das acções de sensibilização e mobilização, no tocante à prevenção e tratamento da terapia com anti-retrovirais, bem como na criação de serviços virados à sua assistência médica.
Por seu turno, a coordenadora do Programa Nacional de Luta contra a Sida no Cunene, Cândida Alcina, sublinhou que a constituição da rede é uma mais-valia na luta contra a proliferação da doença.

(Jornal de Angola – 08.04.2008)





O nomadismo dos ciganos é um mito?

8 04 2008

“Eles são nómadas porque isso faz parte da cultura deles.” Esta justificação já foi ouvida pelo antropólogo André Correia da boca de populares, funcionários de autarquias e agentes da autoridade. Mas parece que não é bem assim, há razões internas e externas que explicam tudo. “Eles” são os ciganos. Calcula-se sejam 40 mil em Portugal. Destes, cerca de 4200 têm um modo de vida itinerante e sete mil vivem em condições de habitação precária.
São portugueses, mas são os mais discriminados, considera José Gabriel Pereira Bastos, do Centro de Estudos de Migrações e Minorias Étnicas da Universidade Nova de Lisboa.
A situação habitacional dos ciganos é discutida, hoje e amanhã, no seminário internacional Ciganos: Território e Habitat, em Lisboa. O encontro é promovido pelo Centro de Estudos Territoriais do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (CET/ISCTE). Hoje é Dia Internacional dos Ciganos. Além da situação portuguesa, serão debatidas as estratégias de alojamento usadas em Espanha, França, Itália e Reino Unido.
O objectivo deste encontro é perceber que modelos e estratégias funcionam, explica a investigadora Alexandra Castro, do CET/ISCTE. Porque se há ciganos obrigados a ser itinerantes, também os que vivem em casas têm problemas. “A situação habitacional dos ciganos raramente é encarada como fazendo parte da política global de habitação, mas sim como um problema particular associado a este grupo”, escreve Alexandra Castro.
Visão romântica
Durante dois anos, a investigadora e André Correia acompanharam famílias ciganas sem residência fixa e concluem que esta situação se repercute nas oportunidades que estes podem ter para melhorar as suas vidas. Ou seja, se tiverem uma morada fixa poderiam estar mais integrados, trabalhar e pôr os filhos a estudar.
Para José Gabriel Pereira Bastos os ciganos não são nómadas por gosto, mas são forçados a sê-lo, diz, citado pela agência Lusa. Há uma visão “romântica” do nomadismo, acrescenta André Correia.
No que diz respeito aos nómadas, apesar de não existir legislação, há a ideia de que não podem permanecer no mesmo sítio mais de 24 ou 48 horas. As famílias queixam-se de perseguição e de serem expulsas.
Num inquérito feito às autarquias e à GNR, os investigadores verificaram que, perante a presença dos ciganos no mesmo local mais de 48 horas, a GNR tenta impedi-los (43,7 por cento) ou vigia-os (27,6 por cento). Quanto às câmaras, contactam os agentes de autoridade (31,8 por cento), os serviços municipais informam-nos para desocuparem esses locais (12,1 por cento), ou os ciganos são “avisados ou intimados” a abandonar o local por “uma entidade não discriminada”.
Quanto às famílias que ocupam casas ou infra-estruturas devolutas, ou que construíram barracas em terrenos públicos ou privados, “parece existir uma vontade deliberada”, por parte das autarquias, de não fazer esforços para as integrar. Por exemplo, não possibilitando o acesso à água, luz ou saneamento básico com o pretexto de que seria um incentivo para outros se fixarem.
No que diz respeito à maioria dos ciganos, aquela que vive em casas – muitos foram realojados pelas autarquias -, alguns têm dificuldade em adaptar-se e uma das razões principais são os conflitos intra-étnicos, sublinha Alexandra Castro. Um estudo da socióloga Maria Manuela Ferreira Mendes, de 2005, conclui que o realojamento de forma demasiado concentrada pode aumentar os conflitos e a exclusão social, refere a Lusa.
No entanto, defende Ferreira Mendes, os realojamentos são “cruciais” para o sucesso da integração social destas comunidades.
Em Santo Tirso, algumas garagens das moradias, feitas pelo município em 2000, foram transformadas em quartos porque as famílias crescem rapidamente. Ali, os ciganos queixam-se de ter sido criado um bairro só para eles e de este ser demasiado barulhento.
No Algarve, em Lagoa, há famílias que lamentam não ter campo para semear ou ter alguns animais, noticia a Lusa. E também ali se queixam do barulho. O que melhorou foi terem deixado de ser importunados pela justiça e pela polícia, aponta um cigano.
Para Pereira Bastos, em declarações ao semanário Expresso, é preciso “realojar com dignidade” e “premiar as famílias a cada grau de ensino que os filhos terminem.” “Há uma geração, a dos mais novos, que não devia ficar perdida”, conclui André Correia.

“Três passos para a frente e dois para trás”

Gouveia Monteiro, vereador da Câmara Municipal de Coimbra, admite que “não é possível falar de sucesso, sem mais”, quando se faz o balanço do projecto que começou em 2004, com o realojamento do mais temido clã de etnia cigana da cidade – os Monteiros. Mas, depois de quatro anos “a andar três passos para frente e dois para trás”, diz que a experiência permitiu, pelo menos, “apontar uma alternativa à exclusão”.
“Este projecto é sofrível, caro, difícil? Talvez. Mas qual seria a alternativa? Enfiá-los num bairro social onde mais ninguém teria entrado?”, desafia o autarca.
O projecto arrancou por causa dos Monteiros. Para libertar terrenos necessários à remodelação da estação ferroviária, a autarquia tinha de realojar a família que ali vivia há décadas. Mais propriamente, 36 mulheres e crianças do clã, porque os homens, 16 ao todo, estavam na prisão, por tráfico de droga.
A autarquia investiu 700 mil euros na construção das habitações, onze destinadas a outros tantos núcleos familiares e a restante a um centro de apoio social. A ideia não era criar um gueto, mas um “centro de estágio habitacional”, inédito: os elementos do clã não teriam ali alojamento definitivo, mas a possibilidade de participar num projecto de inserção que os viria a habilitar a ocupar apartamentos em diferentes pontos da cidade.
As mulheres tiveram formação, as crianças rumaram à escola, todos aprenderam a viver em casas a sério.
Quatro anos depois, ainda há más notícias. Um dos núcleos que entretanto foram realojados, formado por mãe e filhos, não resistiu à saída da prisão do homem da casa – há um ano era apontado como um caso de sucesso, há semanas foi notícia por causa de um tiroteio. Mas, se este acontecimento está num prato da balança, no outro o vereador põe, entre outras coisas, o facto de haver dez meninos do clã no segundo ciclo do ensino básico, “algo impensável há cinco anos”. “Não se pode fazer um balanço definitivo, é cedo, muito cedo”, avalia o vereador.
Mais curta, ainda, é a experiência de Beja, completamente diferente da de Coimbra. Naquele caso, tratou-se de, em Janeiro de 2006, transferir para o chamado “Parque Nómada das Pedreiras” cerca de duas centenas de famílias de etnia cigana que, até então, tinham vivido num bairro de lata, na periferia da cidade.
Hoje, Miguel Ramalho, vereador da Câmara de Beja, realça o cuidado que os habitantes têm na higiene das suas casas e o progressivo desaparecimento dos conflitos iniciais, associados à adaptação ao novo espaço, que partilham com famílias realmente nómadas e em trânsito. O maior problema, segundo o autarca, está na dificuldade de algumas famílias para liquidarem a renda das casas que ocupam. G.B.R. e C.D.
Em Lisboa são poucos, mas visíveis
Em Lisboa, o bairro camarário com maior número de famílias ciganas é o da Ameixoeira, seguido do Bairro Alfredo Bensaúde, nos Olivais. Nestes dois residem cerca de um terço dos 760 agregados familiares recenseados na capital, contabiliza a Gebalis, Empresa Municipal. Esta minoria representa apenas 3,4 por cento das famílias residentes em bairros de realojamento, “o que constitui um dado surpreendente dada a sua elevada visibilidade social”, diz o texto que a Gebalis vai apresentar no seminário, em Lisboa. A existência de conflitos intra-étnicos é a razão mais apontada pelas famílias para mudar de casa (26,4 por cento). Quase um quarto já fez um pedido de transferência habitacional. Um quarto invoca problemas com os vizinhos. A existência de sobreocupação da casa (14,9 por cento) é outra das razões. A maior parte destes pedidos é aceite. A grande maioria das famílias não paga a renda devida. Apesar de o valor das rendas ser, em média, cerca de metade do aplicado aos outros agregados, há 2,5 vezes mais ciganos devedores do que não ciganos.
O rendimento das famílias provém da venda ambulante e do Rendimento Social de Inserção, mas mais de metade da população é dependente. A maior parte das casas onde vivem ciganos foi atribuída em regime de cedência, mas há sete por cento que estão ocupadas ilegalmente.
Face ao elevado número de pessoas por agregado familiar, a Gebalis reconhece que mais de metade dos fogos são desadequados a estas famílias. A Gebalis administra cerca de 23 mil fogos, distribuídos por 67 bairros e com uma população de cerca de 80 mil pessoas.
“Todos os dias peço a Deus uma casinha”, confessa Cláudia, 50 anos
Está sentada no chão, junto à carroça, toda vestida de negro – o lenço que traz à cabeça (porque é viúva) já tem alguns buracos, assim como a saia comprida -, os pés descalços e muito sujos de terra. Cláudia da Conceição Silva tem 50 anos, mas o rosto curtido pelo sol, pelas ralações e pelas noites passadas ao relento parece carregar muitos mais. Cláudia é a matriarca da família Ganhão, tem oito filhos e muitos netos. São portugueses de etnia cigana e são nómadas.
Em Portugal, existem cerca de 4200 ciganos itinerantes, que pernoitam por poucos dias num sítio, levantam o acampamento e seguem caminho. Não têm morada fixa, por isso, não têm trabalho, nem põem os filhos na escola. A pobreza, no caso da família de Cláudia Silva, é extrema, sobrevivem da caridade e da esmola que ela vai pedindo.
Como não tem os miúdos na escola, não está em condições de aceder ao Rendimento Social de Inserção (RSI). Ninguém sabe ler. Como está sempre a caminho, não pode trabalhar. “A fazer o quê? Se ninguém lê?”, pergunta. Como não pára no mesmo lugar não pode candidatar-se a nenhuma habitação social, lamenta. “Todos os dias peço a Deus uma casinha”, confessa.
As inúmeras mantas estão todas dobradas, já em cima da carroça de madeira com pneus de um automóvel. Está quase tudo pronto para abandonar aquela beira de estrada, em Porto Alto, no Ribatejo. A GNR já lhes fez uma visita e advertiu-os a sair, conta o filho José Manuel, de 19 anos, que tem uma perna ligada com um trapo sujo de sangue. Cortou-se com uma foice quando apanhava erva para as mulas que puxam as carroças. Precisava de levar uns pontos, mas não há dinheiro para isso.
Pelo campo, andam os filhos e os netos da matriarca, todos mais ou menos das mesmas idades. Têm os rostos, as mãos e os pés sujos, mas não cheiram mal, orgulha-se Cláudia Silva. Embora lamente ser difícil conseguir água para beber, cozinhar e para os banhos tomados num alguidar. “Somos pobres, mas com a graça de Deus gosto de asseio e de limpeza”, diz, ao mesmo tempo que adverte a filha mais nova, de sete anos, que pega num tacho e tira água de uma enorme leiteira de alumínio para beber: “Cuidado, Marcelina, que a água ainda é longe…”
Todos os dias Cláudia Silva pede a Deus uma casinha em Évora, porque foi lá que viveu toda a vida, numa casa de madeira, até há quatro anos, quando a câmara derrubou tudo, conta.
Agora, sempre que a família regressa a Évora, a GNR expulsa-a. O que acontece em qualquer lado onde estão muito tempo. “Os guardas não nos deixam estar em lado nenhum, eles vêm numa carrinha grande, são mais de 20, pegam em coisas e batem-nos. Cortam-nos os panos [as lonas com que montam o acampamento], já me ficaram com uma das carroças”, lamenta.
Antes, a família fazia trabalho sazonal, na agricultura. Agora já não o faz, a culpa é das máquinas que apanham o tomate e a azeitona. “Já ninguém precisa de pessoal”, conclui.
Não se adaptaram à casa
A família de Lola Monteiro da Silva vive desde 1984 pelos pinhais da Marinha Grande, Beira Litoral. Mas Lola, que nasceu em Lisboa, já andou por Lugo, Pamplona e Madrid, em Espanha. Por cá, viveu em barracas e tendas no Porto, Santarém, e na zona de Leiria. “Gostava de ter uma casa nas Caldas da Rainha”, sonha a mulher de 66 anos e com muitos quilómetros com a casa às costas.
O que a faz andar de um lado para o outro são os conflitos com outros ciganos, admite. Quando há um problema, não podem regressar ao mesmo sítio. “Estou cansada de tantos filhos e de tantos netos, preferia viver sozinha”, confessa. Os filhos bebem muito, fazem zaragatas, Lola Silva também não se deixa ficar e ameaça-os que os pendura nas árvores pelos pés ou que lhes arranca um olho, vai desfiando divertida. “Não gosto de tanta ciganagem junta!”, ri.
Lola vive perto da zona industrial. Paco, um dos filhos, a mulher Maria Cecília e os nove filhos vivem na outra ponta da Marinha Grande, junto ao estádio municipal. Ao todo, a família Monteiro da Silva é constituída por 35 pessoas, 25 são crianças.
Destas, a maior parte vai à escola. No pinhal, as meninas saltam em cima de um colchão, cantam o último sucesso dos Morangos com Açúcar. Junto ao estádio, Filipa, filha de Paco, com 11 anos e no 6.º ano, gostava de ser professora.
Todos têm acesso ao RSI, vivem da sucata que apanham e dos cestos que fazem e vendem. Têm autorização da autarquia para permanecer nos espaços ocupados.
Os acampamentos de Lola e o de Paco são semelhantes. As lonas esticadas e presas a estacas servem de telhado e parede. O chão é tapado por mantas, há camas desdobráveis e colchões, há rendas que tapam as malas das roupas, ao fundo a televisão que trabalha graças a um gerador, há mesas cheias de panelas e pratos lavados, há arcas com comida, mas também muito lixo espalhado pelo chão.
A família de Lola já viveu numa casa no centro da Marinha Grande, mas as queixas dos vizinhos obrigaram-na a sair. Culpa os netos por isso. A família de Paco também ocupou, com autorização, uma casa de um guarda-florestal. Fizeram uma horta, arranjaram as janelas, mas não se adaptaram. “Era muito escuro, os miúdos tinham medo de brincar lá fora.” Ali têm os holofotes do estádio. “Se tivesse água e luz, nunca tinha saído de lá”, conta Cecília, de 29 anos, que dá de mamar ao nono filho, sentada numa manilha de cimento.
(Bárbara Wong/Público – 08.04.2008)