Cerca de 150 pessoas apresentaram queixas de violência doméstica

3 04 2008

A violência domestica foi precisamente o tema escolhido para um colóquio que teve lugar em Alfândega da Fé, dia 19 de Março. Berta Nunes, Coordenadora da Sub-região de saúde de Bragança garante que neste momento existem núcleos de prevenção e intervenção em violência doméstica constituídos em todos os Centros de Saúde. “Nestes poucos meses de trabalho já tivemos 29 vítimas que pediram ajuda e estão a ser seguidas, ou encaminhadas, sendo que três delas tiveram que ser enviadas para casas de abrigo”, refere a responsável.
O facto de haver cada vez mais queixas, não quer dizer que haja cada vez mais casos, mas sim que as pessoas estão cada vez mais abertas a solicitarem ajuda especializada. O número de queixas aumenta todos os anos, no entanto, muitos casos não chegam a tribunal porque o medo ainda persiste. O Major Sá Pires, da GNR de Bragança esclarece que, “às vezes as vítimas não querem que o marido vá preso, contactam – nos ou às vezes à Segurança Social, mas é no sentido de fazer um pedido de socorro, ela quer é que cesse a agressão não quer desarticular a família”.
Berta Nunes adianta que o próximo passo é trabalhar na articulação para que a vitima não seja mais vitimizada. “Muitas vezes as vítimas vão ao Centro de Saúde procurar ajuda e contam a sua história, depois vão à GNR e tem que contar a sua história, depois encaminhadas para o Ministério Público e voltam a contar a história. Queremos é que toda a rede de apoio possa trabalhar em conjunto para encontrar as situações melhores que será sempre a decisão da própria pessoa que procura ajuda e para evitarmos esta vitimização que é facto a pessoa ter que andar pelas várias instituições sempre a contar a sua história e sujeitar-se as vezes a situações menos agradáveis”.
No total de 147 queixas apresentadas no ano de 2007 no distrito de Bragança, existem 5 homens que foram vitimas de violência, 16 dos crimes foram praticados contra os filhos, seis contra deficientes.
A coordenadora da Sub-região de saúde garante que vai continuar a ser dada formação a todos os profissionais. “Neste momento, estamos a reunir com as instituições da comunidade que intervêm nesta área, estamos a falar da GNR, PSP, Ministério Público, das Juntas de Freguesia, de todas que podem dar um contributo para trabalhar nesta área de forma a prevenir as situações de vitimização e ajudar as vítimas que precisam de ajuda”.
O Bispo da Diocese Bragança-Miranda, D. António Montes Moreira, acredita que o trabalho da diocese coloca-se, essencialmente, da formação para o casamento. “É na preparação que estes assuntos têm que ser estudados e preparados. Não se pode partir para o casamento de uma forma irresponsável tem que ser de uma forma em que o parceiro seja considerado um ser humano que dever ser respeitado com toda a dignidade e o amor não pode ser dominação, tem que ser respeito pelo outro”, afiança o Bispo.

(Marisa Alves/Terra Quente – 01/04/2008)


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