Investigação: Proteína humana pode abrir um novo caminho para combater a Sida

29 04 2008

Uma proteína humana pode vir a abrir uma nova via para combater o retrovírus responsável pela Sida (VIH) ao neutralizar a resistência do patogénio aos antiretrovirais, segundo trabalhos publicados hoje nos Estado Unidos.

Os investigadores afirmam ter bloqueado uma infecção com HIV numa proveta, ao desactivarem uma proteína humana, a ITK, activa nos linfócitos T, células imunitárias do organismo.

A maior parte dos tratamentos anti-sida visam as proteínas do próprio vírus.

Mas, tendo em conta que o HIV é capaz de múltiplas mutações, as proteínas visadas mudam rapidamente e conduzem à emergência de resistência do vírus aos tratamentos, explicaram os investigadores, cujo estudo surge nos Anais da Academia Nacional Americana das Ciências, de 28 de Abril.

Estes cientistas descobriram que, ao agirem sobre as proteínas ITK, podiam bloquear a infecção por HIV das células imunitárias humanas.

A proteína ITK activa os linfócitos T no mecanismo normal de resposta imunitária do organismo humano, explicou Pamela Schwartzberg, do Instituto Nacional Americano de pesquisa sobre o Genoma Humano (NHGRI), principal autora desta pesquisa.

Contrariamente às proteínas do vírus HIV, a proteína ITK desenvolve muito poucas mutações, adiantou, o que explica o recente interesse da comunidade científica em desenvolver os tratamentos para a neutralizar.

Estes trabalhos mostram também que se a proteína ITK não está activa, o vírus da Sida não pode utilizar eficazmente as células linfocitárias T para se reproduzir, o que retarda, ou até mesmo bloqueia, a sua propagação.

(RTP – 28.04.2008)

 





Aids cresce entre mulheres adultas

29 04 2008

A epidemia de Aids em Campinas apresenta um perfil diferente do panorama nacional. Um estudo recentemente divulgado pelo Ministério da Saúde mostra que, no País, o grupo de adolescentes mulheres, na faixa de 13 a 19 anos, apresentou crescimento de 58,8% de incidência da doença nos últimos dez anos. Já o último levantamento do Programa Municipal de DST/AIDS constatou que, nesses casos, o aumento da epidemia foi de 10% em Campinas. No entanto, o grupo que mais preocupa as autoridades campineiras é o de mulheres entre 20 e 49 anos, que apresenta crescimento significativo na última década, além de concentrar a maior quantidade de incidência da doença.

“Enquanto o quadro de Aids em Campinas pode ser considerado declinante, a população feminina jovem e adulta apresenta índices crescentes. A taxa desse aumento é tão representativa que em breve a população com Aids heterossexual feminina deverá ultrapassar a masculina, algo que era impensável nos anos 90”, avalia a coordenadora do Programa Municipal de DST/AIDS, Maria Cristina Feijó Januzzi Ilário. O boletim epidemiológico de Campinas, publicado em 2006, traz uma comparação entre a exposição da população heterossexual no período de 1991 a 1995 com os anos de 2000 e 2004.

A população de mulheres de 30 a 39 anos portadora do vírus HIV é a com maior incidência: são 35,7 casos a cada 100 mil habitantes, número 3,7 vezes maior do que dez anos antes. “Até em faixas etárias em que a incidência da doença não é grande, como nas mulheres de 50 a 59 anos ou nas de 60 anos ou mais, houve índices alarmantes de crescimento”, constata Maria Cristina. Apesar dos números mais atualizados do Programa Municipal de DST/AIDS referirem-se ao começo da década, a coordenadora não acredita em grandes mudanças em tão pouco tempo. “Mudanças no perfil epidemiológico demoram de cinco a dez anos para acontecerem”, afirma.

A previsão é de que um novo boletim epidemiológico seja publicado até a metade do ano com dados atualizados sobre a Aids em Campinas. E, de acordo com as análises preliminares, a feminilização da doença deve ser novamente uma característica comprovada pela estatística. “Geralmente, nós, aqui em Campinas, conseguimos captar as tendências da epidemia de Aids que mais tarde se confirmam em termos nacionais. E existe um potencial muito grande de num futuro próximo as mulheres superarem os homens no número de portadores da doença”, salienta.

Grupo de risco

Outra constatação ainda preliminar e que deve ser confirmada no próximo boletim, é a volta do crescimento da Aids na população homossexual masculina entre 19 e 25 anos. O grupo sempre foi classificado como de risco em termos epidemiológicos, mas há tempos não apresentava índices de incidência preocupantes. “Acredito que houve uma descontinuidade no trabalho preventivo e que ocasionou um crescimento inesperado. Mas já estamos investindo em campanhas preventivas diante da comunidade gay mesmo antes de possuirmos dados concretos do tamanho do aumento de incidência de Aids”, diz.

Campanha tem como alvo público de bares

Há um mês, o Programa Municipal de DST/Aids deu início a uma nova campanha que está dando o que falar em alguns bares campineiros. Foram produzidos descansos de copos com imagens e material informativo relativos à prevenção do HIV. “O objetivo é atingir o público de freqüentadores de bares que têm representantes de todos os setores da sociedade”, explica o assessor de comunicação Eli Fernandes.

Até o momento, os descansos de copos estão sendo distribuídos para proprietários e gerentes de bares do Centro, Cambuí e Barão Geraldo. Em alguns casos, o grupo participante do programa atua diretamente na distribuição. O objetivo é espalha-los pelos pontos da cidade com maior fluxo de pessoas. “Queremos provocar a reflexão das pessoas de uma forma não invasiva. Os descansos proporcionam um mínimo de informação e chamam a atenção da população para o serviço público”, avisa.

A administradora do Oca Bar, Luísa de Arguello, em Barão Geraldo, está contribuindo com a campanha. “Eu vejo que muita gente guarda os descansos e leva para casa. Fica até com pena de colocar o copo em cima”, conta. A estudante Marcela Sodol ficou surpresa com a idéia. “Achei criativa. Todo mundo olha para saber melhor.”

(Renan Magalhães/cOSMO oNLINE – 26.04.2008)





Projeto avalia transmissão do HIV entre casais sorodiscordantes

29 04 2008

Segundo os especialistas, há uma série de fatores ligados à transmissão do HIV entre casais sorodiscordantes. Adquirir outras doenças sexualmente transmissíveis (DST), por exemplo, aumenta a chance de transmissão do HIV. Dados da literatura mostram também que o fato de saber-se portador do HIV não implica, necessariamente, em uso do preservativo em todas as relações sexuais, mesmo com parceiro não portador ou de sorologia desconhecida.

O Ipec, em parceria com o Hospital Geral de Nova Iguaçu (HGNI) no projeto, está recrutando voluntários para participar do estudo. Os casais participantes têm garantido o sigilo das informações e o benefício de receber assistência clínica em HIV/Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis, aconselhamento individual e de casal voltado para a saúde sexual e reprodutiva. Os casais que desejam participar do projeto devem atender aos seguintes requisitos: estar em um relacionamento onde apenas um dos dois seja portador do vírus da Aids e nunca ter usado medicamentos para tratamento da Aids. Podem ser casais heterossexuais ou homossexuais masculinos.

“Um dos aspectos importantes do projeto desenvolvido pela Fiocruz é o cuidado com a saúde dos parceiros. Questões relacionadas ao impacto da revelação diagnóstica ao parceiro soronegativo, aos direitos sexuais e reprodutivos, aos cuidados necessários para a prevenção do HIV, entre outras, são discutidas com o casal”, explica a psicóloga Sandra Lúcia Filgueiras, que participa do projeto.

Para outro integrante da equipe, o psicólogo Nilo Martinez, a socialização dos casais é um dos destaques da pesquisa. “Conviver com as pessoas que passam pela mesma situação, conversar sobre questões dos sorodiscordantes que não estão necessariamente presentes na vida de uma pessoa soropositiva sem parceiro soronegativo, faz com que o casal se sinta acolhido. É a sensação de pertencimento, de fazer parte de um grupo, de verificar que o outro também tem os mesmos problemas”, explica Nilo, acrescentando que os aconselhamentos e as dinâmicas de grupos de casais são técnicas que têm dado resultados significativos.

“O avanço terapêutico e científico no tratamento da doença tem permitido que as pessoas se relacionem apesar do vírus. Hoje, não se fala mais em grupo de risco e sim, se discute as condições que colocam as pessoas em maior ou menor vulnerabilidade para a Aids. A prevenção continua sendo o grande desafio, pois implica em mudanças de atitude diante da vida e seu enfretamento envolve o compromisso de toda a sociedade. Todos podem estar vulneráveis em algum momento de suas vidas”, diz a diretora do Ipec, a infectologista Valdiléa Veloso, que sublinha que “apesar das melhorias do tratamento ainda temos muito que avançar em relação à estigmatização e à discriminação das pessoas que vivem com a Aids”.

A pesquisa internacional é coordenada pela Rede de Ensaios para a Prevenção do HIV (HIV Prevention Trials Network – HPTN), dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) do governo americano. O estudo foi analisado e aprovado por comitês de ética em pesquisa brasileiros e internacionais, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e é acompanhado pelo Comitê Comunitário Assessor (CCA), formado por representantes da sociedade civil.

Fonte: Agência Fiocruz de Notícias

(Agência de Notícias da AIDS – 28.04.2008)




Congresso dos EUA estuda cortar ajuda a programas pró-abstinência sexual

29 04 2008

O Congresso americano está investigando se deve ou não cortar o financiamento público de programas educativos que promovem a abstinência sexual até o casamento.

O debate é motivado por um relatório da principal agência de saúde americana, o Centro para Prevenção e Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês), que no mês passado revelou que uma em cada quatro adolescentes americanas tem doenças sexualmente transmissíveis (DTS).

Pelo menos 17 Estados americanos já saíram do programa federal que financia programas pró-abstinência, e outros suspenderam o recebimento das verbas enquanto o Congresso analisa se esses programas funcionam.

Críticos da abstinência afirmam que esse tipo de abordagem ignora o fato de que os adolescentes são sexualmente ativos, negligenciando-os informação médica precisa e conselhos em relação a sexo seguro.

Eles alegam que jovens abstinentes têm menos probabilidade de usar preservativos se decidirem quebrar seu voto de castidade.

“Temos educação sexual na escola e esse deveria ser o espaço onde os adolescentes exercem seu direito a se informar – mas isto não está acontecendo”, opina Mildred, uma jovem de 15 anos do Arizona, voluntária da organização Planned Parenthood.

“Eles não tocam em assuntos como sexualidade, DSTs, controle de natalidade. Não é permitido pela educação focada apenas na abstinência. Eles deixam você em uma situação de ansiedade – e muitos adolescentes se tornam sexualmente ativos durante os anos de escola.”

A ONG estima que dois terços dos adolescentes americanos tenham relações sexuais até o fim da escola média.

Com mais de 750 mil casos de gravidez indesejada, os Estados Unidos figuram nesta categoria como um dos primeiros no mundo desenvolvido, diz organização.

“O programa nacional que desperdiçou US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 2,5 bilhões) em dinheiro dos contribuintes é um fracasso, e nossos adolescentes estão pagando o preço”, diz a presidente da Planned Parenthood, Cecile Richards.

“Estamos desperdiçando dinheiro em programas que não funcionam, e vendo as conseqüências disto a cada dia.”

Controle

O debate em relação à educação pró-abstinência é parte de outro, mais amplo, sobre os “valores familiares”, que muitos americanos conservadores vêem estar em erosão.

Já para os liberais, a campanha para reverter o avanço dos programas pró-abstinência faz parte de uma luta mais ampla contra o que percebem ser elementos reacionários do governo americano.

Eles dizem que o conservadorismo tem peso político aberto e exagerado na administração americana, em especial na gestão do presidente George W. Bush.

Entretanto, mesmo que o Congresso decida restringir a verba desses programas, muitos devem continuar, porque contam com apoio público e podem encontrar outras fontes de financiamento.

Roger Norman, um advogado do Texas, se descreve como alinhado à “direita religiosa”. Ele dirige a organização Wonderful Days, que não recebe financiamento do governo e prega a abstinência com parte do currículo de saúde de algumas escolas locais.

“Estou convencido de que a abstinência é a única saída para as crianças. Você começa ensinando as conseqüências de se comportar mal e os benefícios de se comportar de maneira apropriada, e o faz de maneira que a criança entenda”, diz Norman.

“O autocontrole leva a uma vida feliz e cheia de alegrias. Se pudermos aprender a controlar de vez o mais básico de nossos instintos – o sexual -, podemos controlar as drogas, as gangues, o álcool e o ódio.”

Suas aulas ensinam que a doença é uma conseqüência do sexo antes do casamento, e que a virgindade para ambos os parceiros é um ideal.

Entretanto, Valerie Huber, executiva-chefe da Associação Nacional de Educação para a Abstinência, diz que apenas uma em cada escola nos Estados Unidos prega esse tipo de comportamento – a grande maioria segue um currículo amplo de educação sexual.

Para ela, esse tipo de abordagem promove as relações sexuais e está por trás do aumento nos casos de DST e gravidez adolescente.

“Para nós, a educação para a abstinência não é uma abordagem ideológica, é a melhor abordagem. Comparemos com a alimentação natural. Sabemos que a obesidade está aumentando nos Estados Unidos. Isto não significa que temos de minimizar a alimentação saudável como a melhor mensagem”, ela argumenta.

“Ainda enfatizamos a importância de se alimentar bem e de fazer exercícios, sabendo, infelizmente, que muitos americanos não vão nos ouvir.”

(BBC Brasil – 29.04.2008)




Mais de 500 seropositivos estão a ser assistidos no Lubango

29 04 2008

Mais de 500 pessoas seropositivas beneficiam, no Lubango, província da Huíla, de assistência médica e medicamentosa, material diversos e produtos alimentícios.
A assistência gratuita e regular aos infectados pelo vírus, nos bairros periféricos da cidade do Lubango, está a ser prestada pela Associação de Pessoas Seropositivas e Activistas de Luta contra a Sida (ASPALSIDA), que implementa desde Janeiro um projecto dirigido, denominado “Queremos viver”.
O educador social e activista do projecto, Paulo Adolfo, que avançou os dados ao Jornal de Angola, disse que além de medicamentos, roupa e produtos alimentares diversos, a ASPALSIDA promove sessões de terapia de grupo e conversas de ajuda mútua, para elevar a auto-estima dos infectados.
“Sensibilizamos os seropositivos para não passarem o vírus propositadamente. Aconselhamos, prestamos assistência moral e psicológica, antes e depois do teste, para evitar a frustração nas pessoas, quando o resultado é positivo”.
Paulo Adolfo manifestou-se preocupado pelo facto de o número de seropositivos estar a subir a cada dia que passa, tendo referido que quando a sua organização traçou este projecto contava assistir apenas 80 pessoas.
Questionado sobre o estigma e a discriminação de pessoas vivendo com o VIH/Sida na cidade do Lubango, o activista reconheceu haver diminuição de casos de marginalização, fruto de campanhas de sensibilização nas famílias, escolas, locais de trabalhos, entre outros de maior concentração populacional.
“Comparativamente aos anos anteriores reconhecemos haver mudanças a este respeito, graças ao grande esforço dos activistas. Embora ainda haver um ou outro caso de estigma e discriminação que muitas vezes fogem do nosso controlo”.

(Jornal de Angola – 29.04.2008)




Farmacêuticos africanos defendem luta eficaz contra mercado ilícito

29 04 2008

Os sindicatos dos profissionais farmacêuticos do Magrebe e da África Subsariana instaram sexta-feira os poderes públicos do continente a “redobrar de vigilância e conjugar esforços para uma luta eficaz contra o mercado ilícito de medicamentos”.

Este apelo foi lançado por ocasião do encerramento das jornadas científicas da Associação dos Farmacêuticos Mauritanos.

Num comunicado transmitido à PANA sábado, os farmacêuticos do Magrebe e da África Subsariana pedem igualmente o reforço da cooperação entre as duas regiões com vista a “erradicar o mais depressa possível os grandes flagelos do HIV/Sida, da tuberculose e da malária”.

(Panapress – 26.04.2008)




Zaire: Autoridades sanitárias instalam centros de aconselhamento em quatro municípios

29 04 2008

Quatro Centros de Aconselhamento e Testagem Voluntária (Catv) para o Vih-Sida serão instalados até Junho próximo, nos municípios do Kuimba, Nzeto, Nóqui e Tomboco pelas autoridades sanitárias locais, afirmou hoje, nesta cidade, o supervisor provincial do programa de luta contra a sida, Manuel Kai.

Em declarações à Angop, Manuel Kai afirmou que os referidos centros irão funcionar nos respectivos hospitais municipais e visam melhorar o quadro actual da sero-prevalência desta pandemia em todas as localidades da província.

“Os municípios que mais nos preocupam são os do Kuimba, Nzeto, Nóqui e Tomboco, porque ainda não temos centros de aconselhamento e testagem voluntária nessas localidades, o que significa que esses municípios são ligeiramente silenciosos em termos de Hiv-Sida”, referiu.

De acordo com o responsável, a presença de Centros de Aconselhamento e Testagem Voluntária (Catv) nesses municípios vai melhorar o impacto desta doença junto das populações, porque para além da testagem fornecem também informações necessárias para a prevenção desta doença.

Para a sua implementação, disse, as autoridades sanitárias locais esperam receber do instituto nacional de luta contra a sida, equipamentos diversos, tais como reagentes e materiais educativos para a expansão desses serviços àqueles municípios da província do Zaire.

A província do Zaire notificou durante o primeiro trimestre deste ano, cento e cinco casos de Hiv-sida, que resultaram em um óbito. Actualmente, a província dispõe de dois centros de aconselhamento e testagem voluntária, instalados nos municípios de Mbanza Kongo e Soyo.

(AngolaPress – 29.04.2008)





ANGOLA: Infecção propositada: crime e castigo?

29 04 2008

 Engana-se quem pensa que a reforma do Código Penal angolano, actualmente em curso, passa longe da discussão sobre o HIV.

Na verdade, os dois debates nunca estiveram tão ligados.

O vírus é contemplado no futuro Código Penal no seu artigo 198, que estabelece uma pena de três a 10 anos de prisão para quem intencionalmente transmitir doenças infecto-contagiosas, o que inclui o HIV.

A nova medida tem dividido opiniões no país: enquanto alguns concordam que a infecção proposital deve ser punida, outros defendem que ela trará mais problemas que benefícios.

Não é a primeira vez que se tenta aprovar a criminalização da infecção dolosa em Angola. A legislação específica de HIV e SIDA do país, parcialmente em vigor desde 2004, prevê a penalização da transmissão intencional. A medida, no entanto, ainda não foi regulamentada.

Vítima e algoz

Roberto Brant Campos, conselheiro do Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV/SIDA (ONUSIDA), é um dos que se opõe à proposta.

“A criminalização é um tiro no pé. Ela vai contra os direitos humanos e o combate à discriminação e não vai impedir a infecção dolosa”, diz.

Num documento divulgado no ano passado, o ONUSIDA e a Organização Mundial da Saúde manifestaram-se contra a medida no mundo inteiro, alegando que ela representa um retrocesso nos esforços de prevenção ao HIV.

Segundo Campos, uma das principais dificuldades é determinar se houve intenção ou não.

“Transmitir por negligência é diferente de transmitir propositadamente”, enfatiza.

Nos casos de transmissão por via sexual, Campos destaca que a penalização só cria uma relação de vítima e algoz entre os envolvidos.

“Não existe vítima, as pessoas são os sujeitos da sua própria história”, diz. “O sexo é uma relação a dois, onde a responsabilidade é necessariamente compartilhada.”

Para o conselheiro, provar a transmissão entre dois indivíduos já é difícil, quanto mais provar que a infecção foi proposital.

Ele também enumera outros problemas que podem surgir com a criminalização, como em casos de infecção por via sanguínea ou de mãe para filho.

“Quase 20 por cento das infecções acontecem por transfusões com sangue contaminado. Quem será o culpado nesses casos, o Estado?”, pergunta.

Nos casos de transmissão vertical, Campos diz que a punição abre precedentes para que filhos processem pais. Ele cita um caso na Flórida, Estados Unidos, em que um rapaz processou a mãe por ter lhe transmitido o HIV.

''Quase 20 por cento das infecções acontecem por transfusões com sangue contaminado. Quem será o culpado nesses casos, o Estado?''

“Dessa forma, os pais se sentirão intimidados para revelar a sua condição. Isso só alimenta a cadeia de estigma e discriminação”, diz.

Há, porém, quem defenda outras posições.

Carolina Pinto, activista da organização não-governamental Luta pela Vihda, acredita que quem infecta o parceiro de propósito deve ser punido, mas também ressalta que a linha entre negligência e intenção é ténue.

“Fazer de propósito é diferente de não contar, mas quem tem o vírus tem que aceitar a condição e proteger a vida do parceiro. Além disso, os dois precisam ser responsáveis e tomar as medidas necessárias, senão a sua vida depende do outro”, diz.

Mesmo assim, Pinto, que é seropositiva, diz que alguns sinais são indicativos de uma transmissão deliberada.

“Se aconteceu uma vez tudo bem. Mas se a pessoa continua a praticar sexo desprotegido mesmo sabendo que está infectada, acho que é de propósito. E essa pessoa deve ser punida, sim”, argumenta.

Legislar para a maioria

Campos afirma que, da perspectiva de direitos humanos e saúde pública, a penalização atrapalha mais do que ajuda.

“Muitas vezes a pessoa não conta por medo – de rejeição, de ser expulsa de casa, principalmente as mulheres. Isso é uma realidade em Angola. Com a criminalização ela corre o risco de ser penalizada duplamente”, diz.

Ele cita o exemplo de uma seropositiva que se tornou activista e veio a público na televisão. Na reportagem, os moradores da vizinhança não queriam nem que o bairro fosse mostrado.


Photo: Lilian Liang/PlusNews
Carolina Pinto: “quem tem o vírus tem que proteger a vida do parceiro”

“Com esse grau de discriminação, como alguém vai ter coragem de fazer o teste e depois contar ao parceiro?”, diz.

Ele acrescenta que a criminalização desencoraja a testagem voluntária.

“As pessoas vão pensar ‘Se existe uma lei que diz que eu vou ser penalizado, melhor não saber meu estado serológico’”, diz. “Temos que ter leis que ampliem a testagem, não desmotivem.”

António Jordão, oficial do programa de HIV/SIDA da organização não-governamental Irlandesa Trócaire, acredita num meio-termo.

“Só procurar culpados não adianta. Todo mundo teve o seu passado com uma componente de risco”, diz. “Punir é importante, mas é preciso levantar a história da pessoa e trazê-la à razão.”

António Coelho, director da Rede de Organizações de Serviço da SIDA (Anaso), também prefere optar por uma atitude intermediária em relação às pessoas que transmitem o HIV intencionalmente.

“Preferimos trabalhar com essas pessoas, aconselhar sobre a mudança de comportamento”, conta. “A nossa missão é acabar com a cadeia de transmissão.”

Para Campos, a situação precisa ser analisada num contexto maior.

“As pessoas que contaminam intencionalmente são a excepção e eu não posso legislar para a excepção”, afirma. “Como a lei vai coibir a infecção dolosa? O facto da pessoa ser presa por supostamente ter transmitido o HIV ao parceiro vai mudar alguma coisa?”

A penalização, defende ele, acaba tirando o foco do que ele considera os verdadeiros desafios.

“A lei deve legislar para o bem comum”, destaca. “Deveríamos, isso sim, estar preocupados com os 95 por cento [de seropositivos] que estão infectados sem saber.”

(PlusNews – 29.04.2008)




Jovem estrela de cinema quer obrigar Egipto a enfrentar o tabu da sida

27 04 2008

É uma voz solitária num país conservador: a jovem estrela de cinema Amr Waked denuncia a política não oficial do seu país que atira para as prisões as pessoas com sida. “É de loucos!”, diz Waked, cujos papéis controversos – incluindo um ao lado de um actor israelita – o tornaram num alvo dos ataques da imprensa.
Com o actor Khaled Abul Naga, há pouco nomeado embaixador da boa vontade das Nações Unidas, Waked decidiu tomar em mãos a tarefa de obrigar o Egipto a enfrentar este tabu.
“A confusão deliberada deve parar – a estigmatização não ajuda a luta contra a sida”, diz, acrescentando que espera ser parte de uma nova geração empenhada em derrubar estes persistentes estereótipos.
No dia 9 de Abril, um tribunal do Cairo mandou para a prisão cinco homens, quatro deles com HIV. Foram condenados a três anos por acusações de “deboche” ligadas à homossexualidade num processo descrito por grupos de direitos humanos como “caça às bruxas”.
“Três choraram e os outros dois ficaram só pasmados”, diz Hossam Bahgat, director da Iniciativa para os Direitos Pessoais, uma das raras organizações não governamentais que defende os homossexuais no país.
Os cinco foram obrigados a fazer testes ao HIV e estiveram acorrentados às camas do hospital até os resultados serem conhecidos.
A homossexualidade não está na lista de ofensas sexuais explicitamente criminalizadas pela lei egípcia, mas pode ser punida com recurso a diferentes leis de moralidade. Segundo a lei 10 de 1961, “deboche” é um termo flexível usado para criminalizar relações entre pessoas do mesmo sexo.
“Eles recorreram, mas continuam na prisão. Não sabemos se têm acesso a médicos”, explicou Wessam al-Beih, director no país da UNAIDS, o programa da ONU para o HIV/Sida.
Desde Outubro outros sete homossexuais foram presos e obrigados a fazer testes, enfrentando insultos e humilhações, e sendo acorrentados às camas, diz Bahgat. Três foram libertados, mas quatro condenados a um ano de prisão.
A imprensa e as ONG locais quase nem tocam no tema, mas 117 organizações internacionais, incluindo a Human Rights Watch, condenaram as detenções e os testes médicos ilegais.
Bahgat acredita que nem sequer se trata de um ataque à comunidade gay. “Ao contrário de outros incidentes homofóbicos, esta é uma ofensiva contra a sida”, diz.
Para Waked, “uma profunda ignorância sobre a sida alia-se a preconceitos religiosos”. “E estas condenações só vão reforçar os preconceitos.”
Há anos que as autoridades negam ou tentam minimizar a existência da doença. “São entre 2000 e 17.000 as pessoas que vivem com ela, mas o Egipto é um dos países com maior crescimento de casos”, diz Beih, da UNAIDS, estimando que 80 por cento das mulheres com o vírus foram infectadas pelos maridos.
Waked, protagonista do filme Aquarium, que trata este tema, acredita que a sociedade está a mudar. “O Egipto começa a avançar, há uma geração inteira à espera disso.” AFP

(Publico – 27.04.2008 )




Vale a pena correr o risco? Os perigos de transar sem camisinha

25 04 2008

A declaração de uma integrante do BBB 8, justamente a gaúcha Natália, trouxe uma velha polêmica à tona: sexo sem camisinha é realmente melhor? Natália afirmou isso no período que ainda estava dentro da casa, dando a entender que “sem” era muito melhor, mas será que realmente vale a pena?
 
Os riscos
 
Nove a cada dez jovens (de classe média) conhece os riscos de transar sem camisinha. Mas então por que o fazem? Por diversos motivos, sendo, um deles, o próprio “prazer extra” de transar em o preservativo. Mas é bom ficar ligado, você fica exposto há uma série de riscos, sendo que alguns deles são irreversíveis…
 
Aids, câncro mole, câncro duro, candidíase, herpes simples genital, gonorréia, condiloma acuminado/HPV, linfogranuloma venéreo, granuloma inguinal, granuloma inguinal, pediculose do púbis, hepatite B, pediculose do púbis, hepatite B… ufa! Além disso há mais um entrave, o risco de uma gravidez indesejada…
 
As vantagens
 
No lado das vantagens encontramos apenas um único item: o prazer. Boa parte das pessoas que já transaram com e sem camisinha, afirmam que realmente a coisa “vai mais ao natural” e que “camisinha atrapalha na hora H”…
 
O Kzuka adverte! É claro que quando falamos em transar sem camisinha estamos considerando que o parceiro (a) é freqüente, geralmente um namorado (a) de anos. Transar com uma pessoa que você mal conhece sem camisinha é algo simplesmente impensado e totalmente arriscado.
 
 
O que a galera pensa
 
Para o Quiropraxisista Rodrigo Perin, 25 anos, o motivo pelo qual a gurizada se esquece do preservativo é simples:
 
- Na hora do oba-oba a maioria nem lembra que existe camisinha!
 
Rodrigo concorda que sexo sem camisinha é melhor. Mas cabe a cada um fazer suas escolhas e ver se vale a pena correr o perigo.
 
- Os riscos são inúmeros, começando pela gravidez. O pior ainda é se você pega uma menina com HPV. Aí você vai transar com outras meninas e acaba passando o vírus adiante. Já pensou? No final da história, tem um monte de meninas infectadas!
 
Por isso, é muito melhor prevenir do que remediar, ensina Rodrigo.
 
- Por mais gata que seja a menina, nunca se sabe o que se esconde dentro dela! Tem muita mina gata, que tem Aids, DST e nem sabe… Por isso é muito importante fazer exames de sangue com freqüência – fala.
 
 
Pergunte ao Dr.Jairo
 
O Dr. Jairo é formado em medicina pela USP e participa de diversos projetos relacionados a sexualidade pelo Brasil inteiro. Você provavelmente já deve ter visto ele na TV ou ouvido seus sábios conselhos em algum programa de rádio. Confira algumas dúvidas freqüentes, relacionadas à camisinha, respondidas pelo Dr.Jairo.
 
Transei de camisinha com minha namorada no terceiro dia de menstruação dela, só que a camisinha escapou dentro da vagina. Não houve ejaculação, mas resolvemos usar a pílula do da seguinte. A menstruação seguinte dela atrasou uma semana, mas durou o período normal. Isso pode ter sido causado pela pílula do dia seguinte? Ainda há alguma possibilidade de gravidez?
 
Dr.Jairo – Realmente o atraso menstrual pode ser relacionado ao uso da pílula do dia seguinte que, por conter uma dose elevada de hormônios femininos, pode causar alterações no ciclo menstrual. Se já houve uma menstruação normal e a pílula do dia seguinte foi tomada de maneira correta e em tempo hábil na ocasião, a chance de uma gestação é praticamente nula. Para ter certeza absoluta seria uma boa idéia uma consulta com um médico e um teste de gravidez sangüíneo ou urinário. Certo?
 
Transei com um amigo e usamos camisinha. Mas, mesmo assim, estou com medo de estar grávida. Deveria menstruar na semana que vem, mas não tenho tido muitos sintomas que normalmente tenho na TPM. Fiz até um teste de gravidez e deu negativo. Será que realmente está correto?
 
Dr.Jairo – Se vocês usaram a camisinha da maneira correta do início ao fim da transa, a chance de você ter engravidado é praticamente nula. Mas se houve algum deslize em que pode ter ocorrido a fecundação de um óvulo, o teste de farmácia só passa a apresentar um resultado confiável quando se inicia o atraso menstrual – no seu caso, a partir da semana que vem. Procure um médico pra conversar sobre o assunto e quem sabe fazer o exame de sangue que já pode com certeza confirmar ou descartar uma gestação. Use a camisinha em todas as suas relações sexuais para evitar não só uma gravidez indesejada como também a transmissão de uma doença sexualmente transmissível (DST).
Mas lembre-se que nem todo atraso menstrual significa gravidez e que os sintomas da TPM podem variar de um mês para outro, certo?
 
Acho que não posso ter filhos. Sempre transo sem camisinha, não tomo pílula e não engravido. Por quê?
 
Dr.Jairo – A gravidez depois de uma relação sexual desprotegida é uma questão de probabilidades. Estima-se que um casal saudável tem 20% de chance de engravidar se transar no período fértil da mulher sem nenhum tipo de proteção. Os especialistas recomendam que os casais que querem filhos tentem engravidar por um ano para então buscar causas de infertilidade. O fato de você não ter engravidado até hoje não significa que não irá engravidar em mais nenhuma transa. Se não deseja uma gestação agora, o melhor é usar a camisinha em todas as suas relações sexuais, do início ao fim da transa. Certo?
 
Nunca traí minha namorada e sempre tivemos relações sexuais com a maior proteção. Mas tenho a curiosidade de saber como é transar sem camisinha. A gente não tem nenhuma DST, pois perdemos a virgindade juntos e já fizemos exames. Meu medo é que ela engravide…
 
Dr.Jairo – Se a sua namorada estiver tomando a pílula corretamente, da forma como o médico que a acompanha prescreveu, a chance de uma gravidez indesejada depois de uma relação sem camisinha é praticamente nula. A questão é que, apesar de não ter que se preocupar com uma gestação, no sexo sem camisinha não há proteção nenhuma contra a transmissão de uma doença sexualmente transmissível (DST). Dá para ter certeza que nenhum dos dois se expôs a nenhuma situação de risco para DSTs antes ou até mesmo durante o namoro? Vocês devem avaliar o risco e decidir se vale a pena.

(Guilherme Barcellos / Roberta Rech/Kzuka – 22.04.2008 )




Mr. Gay cede sua imagem para campanha de prevenção à DST e Aids

25 04 2008

Luciano Lupo, o primeiro Mr. Gay Brasil, eleito em 2007, é o convidado especial do Projeto Fluxus – Informação, Arte e Saúde-, que acontecerá no dia 30 de maio, em Campinas. Durante os dois dias em que estará em Campinas, Luciano ficará à disposição do público na tenda do Projeto Fluxus, quinzenalmente montada na Praça Bento Quirino ao lado de uma equipe do Programa DST/Aids da cidade, que tira dúvidas sobre o tema além de dar instruções sobre o uso de preservativo e sobre como acessar os serviços do Sistema Único de Saúde.

Seguindo o exemplo de outras personalidades que também emprestaram sua imagem à campanha de conscientização do Programa DST/Aids de Campinas, como a apresentadora Monique Evans, o sambista Neguinho da Beija-Flor e os atores Bruno Gagliasso e Alexandre Frota, Lupo literalmente vestirá a camiseta da campanha “Vista-se” e se apresentará em locais públicos, posando para fotos e incentivando os cuidados com a prevenção.

Luciano ainda participará de um ensaio fotográfico exclusivo com a fotógrafa e médica Cláudia Barros Bernanrdi, infectologista e coordenadora do Núcleo de Assistência do Centro de Referência do Programa DST/Aids de Campinas. 

(MixBrasil – 23.04.2008 )




Portador de HIV inicia tratamento quando saúde já está debilitada

25 04 2008

Apesar do acesso amplo a exames e remédios, 43,7% dos pacientes com aids no Brasil descobrem ser portadores da doença e iniciam o tratamento quando a saúde já está bastante debilitada. A demora para o início da terapia se reflete nas estatísticas de mortalidade: 28,7% deles morreram no primeiro ano depois da confirmação da infecção. “É um índice inaceitável”, disse a coordenadora do Programa Nacional de DST-Aids, Mariangela Simão, acrescentando que a porcentagem de detecção tardia “merece reflexão da estratégia usada para diagnóstico da doença”.

Relatório brasileiro enviado à Assembléia-Geral das Nações Unidas em HIV/Aids mostra que o risco de morte do paciente com início tardio de tratamento é 22 vezes maior do que das pessoas que começam a terapia no tempo oportuno. Dos pacientes que começaram o tratamento e morreram entre 2003 e 2006, a maioria (94%) era de pacientes tardios – que já apresentam deficiências severas e sintomas.

Para Mariangela Simão, uma das formas de melhorar o acesso aos exames é a ampliação da oferta de testes rápidos para detectar a aids. Ela lembra que, embora a oferta do teste tenha aumentado 140% de 2005 para cá, há ainda resistência nos serviços públicos para o uso desses kits. Mariangela admite que, no primeiro estágio, parte dos testes perdeu validade nos estoques, sem ser usada. “Hoje não perdemos mais testes”, garantiu.

Mariangela defende, porém, que os testes rápidos devem ficar restritos aos serviços de saúde. “É preciso colher o sangue do paciente e para isso é preciso um profissional habilitado.” Ela admite que, se os testes de HIV que analisam a saliva dos pacientes forem aprovados, tal estratégia poderá ser reavaliada.

O pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) e um dos colaboradores do documento brasileiro, Alexandre Grangeiro, disse que “é chegado o momento de se pensar em estratégias mais agressivas para oferta dos exames de detecção do HIV”. Para ele, é preciso não só intensificar campanhas que mostram a importância sobre o diagnóstico como também ampliar a oferta dos postos de testagem gratuita. Ele defende, por exemplo, a realização de exames em Organizações Não-Governamentais de prevenção de aids. “Uma ação semelhante à que foi realizada com oferta de preservativos.”

Os índices brasileiros de tratamento tardio não diferem muito dos de países desenvolvidos. “Isso não significa que devamos ficar inertes. Temos muito a melhorar”, afirmou Mariangela. O risco do início do tratamento tardio varia de acordo com a idade, sexo e região do paciente.

(Paraná-Online – 24.04.3308 )




África Acolhe Conferência Histórica sobre Cuidados Primários de Saúde para Renovar o Compromisso da “Saúde Para Todos”

25 04 2008

Brazzaville, 22 de Abril, 2008 – Trinta anos após a divulgação do slogan “Saúde Para Todos”, o Escritório Regional Africano da Organização Mundial de Saúde, em colaboração com os parceiros de desenvolvimento e o Governo do Burkina Faso, organiza uma importante conferência, de 28 a 30 de Abril, em Ouagadougou, no Burkina Faso, para renovar o compromisso com os cuidados primários de saúde, enquanto meio para alcançar melhores resultados na área da saúde para as populações Africanas.

Esta conferência de três dias, que coincide com o 30º aniversário da Declaração de Alma-Ata sobre Cuidados Primários de Saúde (CPS) e com o 60º aniversário da OMS, tem por finalidade a revitalização dos cuidados primários de saúde e o desenvolvimento dos sistemas de saúde nos países da Região Africana, de modo a alcançar as Metas de Desenvolvimento do Milénio (MDM) relativas à saúde.

“Uma boa saúde não é uma presente nem um bem que se adquire em função da capacidade de pagar por esse serviço. A riqueza de uma nação não deve determinar a saúde do seu povo. Os cuidados de qualidade e economicamente acessíveis à população são um direito humano, é uma questão de justiça elementar…”, afirmou o Director Regional Africano da OMS, Dr. Luís Sambo. “O principal problema não é apenas a pobreza”, acrescentou o Dr. Sambo, “Que as pessoas não possam pagar para ter acesso a cuidados de saúde de qualidade é uma injustiça… uma flagrante injustiça! E não há melhor estratégia para combater a injustiça na saúde do que os cuidados primários de saúde”.

Esperam-se mais de 500 participantes, de África e do exterior, para assistirem à conferência, que será aberta oficialmente pelo Chefe de Estado do Burkina Faso, o Presidente Blaise Compaore.

Entre os participantes contam-se: Ministros da Saúde, decisores políticos e gestores dos serviços de saúde; investigadores, académicos e antropologistas sociais; representantes de instituições de formação e ministérios actuantes na área da saúde (p.ex., Ministério da Educação e Ministério das Finanças); e representantes, entre outros, de organizações internacionais, da sociedade civil, de organizações de jovens, de mulheres e do sector privado.

A conferência irá decorrer em sessões plenárias e sessões paralelas para debater um leque de tópicos que incluem: os recursos humanos para a saúde; o financiamento da saúde; as tecnologias da saúde e medicamentos essenciais; a governação, descentralização, gestão e prestação de serviços de saúde essenciais e de qualidade; as parcerias público / privado para gestão da saúde; e a colaboração multissectorial para o desenvolvimento da saúde.

Num documento de trabalho preparado pela OMS que irá ser submetido a aprovação na conferência, afirma-se que, ao longo de três décadas, desde Alma-Ata, muitos países da Região Africana adoptaram os CPS e instituíram medidas para reforçar os seus sistemas de saúde. Essas medidas incluem: a descentralização e a criação de distritos sanitários; a formação de pessoal para a gestão dos CPS; a criação de comissões de promoção do bem-estar social; e a integração de programas como a vacinação, as doenças diarreicas e os medicamentos essenciais nos CPS. Muitos países elaboraram políticas e planos estratégicos de saúde, declarando claramente que os CPS constituem a principal estratégia para melhorar a saúde e o acesso universal a um pacote básico de serviços, com vista à consecução das MDM, como finalidade última destes documentos.

Progressos na implementação dos CPS

O documento acrescenta:”A descentralização do sector da saúde contribuiu para o aumento do número de estabelecimentos de saúde mais adequados às necessidades e mais equitativamente distribuídos, como se pode ver no Uganda e nas antigas “homelands“, na África do Sul. Os esforços desenvolvidos para construir instalações para prestação de serviços básicos de saúde nas zonas rurais conduziram a um melhor acesso geográfico aos serviços básicos de saúde por parte das populações, sobretudo no meio rural. Por exemplo, no Uganda, a percentagem de habitantes que vive num raio de cinco quilómetros de um estabelecimento de saúde subiu de 49%, no início dos anos 90, para 72% em 2004″.

Registaram-se ainda progressos substanciais em países como a Tanzânia, o Gana, o Quénia e a Zâmbia, que tomaram decisões pragmáticas para formar parcerias com entidades privadas de serviços de saúde, inclusive ONG, organizações de cariz religioso e outros organizações privadas prestadoras de serviços e bens, conduzindo assim a uma cobertura mais alargada e mais eficaz dos serviços básicos. Muitos países desenvolveram quadros legislativos e reguladores de governação do sector sanitário, tendo estabelecido entidades reguladoras, nomeadamente Conselhos de Práticas Médicas e de Enfermagem. Tem havido melhorias na disponibilização de informação para a tomada de decisões na Região, com a institucionalização dos sistemas de informação da gestão sanitária na maioria dos países. Muitos Estados-Membros também elaboraram listas de Medicamentos Essenciais.

Segundo o relatório, alguns países publicam actualmente relatórios anuais de saúde, abrangentes e de boa qualidade e, desde finais dos anos 90, adoptaram Abordagens Alargadas a todo o Sector para o desenvolvimento da saúde, cuja essência é uma parceria de actores intervenientes no sector, incluindo os sectores público e privado e agências de financiamento sob a tutela do governo. Isto colocou os governos nacionais mais abertamente no papel de agentes condutores e orientadores, tornando assim possível a mobilização de mais recursos, em sintonia com as políticas e prioridades nacionais, incluindo a implementação da estratégia dos CPS.

Em certos países, tem-se sublinhado a participação e o envolvimento das comunidades, pela inclusão de membros da comunidade nas comissões de gestão de estabelecimentos de saúde, em conselhos e comissões locais de saúde. Estas comissões estão normalmente mandatadas para debater questões de desenvolvimento e de sector, podendo afectar recursos a vários sectores e dentro do mesmo sector. Uma das formas especializadas de participação comunitária é o recurso a praticantes de medicina tradicional e de parteiras tradicionais, as quais dão assistência durante o parto às mulheres e aos bebés, na maioria dos países africanos. Alguns países, como o Gana, o Malaui e a Nigéria, desenvolveram legislação e orientações para gerir esta forma de envolvimento comunitário.

Resumindo os progressos alcançados com a implementação dos CPS na Região, no relatório declara-se: “A criação destas e de outras medidas conduziu nas últimas três décadas a melhorias do estado de saúde dos povos da Região, embora estas tenham sido mais lentas do que em outras partes do globo. Tais melhorias estão patentes no declínio das taxas de mortalidade de crianças com menos de 5 anos, de 188 para 165, por 1000 nados-vivos, entre os anos 70 e 2005, e pelo declínio das taxas de mortalidade de bebés, de 116 em 1980, para 99 por 1000 nados-vivos, em 2005. Os casos de morte de crianças por doenças para as quais há vacinas diminuíram significativamente e, em alguns países, a mortalidade devida ao VIH/SIDA regrediu. Conseguiram-se bons resultados em especial na redução do número de óbitos causados pelo sarampo: cerca de 75%, entre 1999 e 2005.”

Desafios

No entanto, numerosos desafios precisam ainda de ser ultrapassados, uma vez que a cobertura dos serviços de saúde continua a ser limitada. Por exemplo, segundo a OMS, 12 em 32 países, que representam 54% da população da Região, a cobertura dos serviços médicos abrangia menos de 50% da população. A igualdade de acesso tem sido limitada pela falta de recursos (equipamento, más infraestruturas e cortes no pessoal de saúde) e fraco acesso a serviços de saúde para pessoas que vivem em zonas remotas ou de difícil acesso

Outro dos obstáculos é de natureza programática: embora a política dos CPS tenha sido sempre a favor de uma abordagem alargada, os serviços continuam a estar altamente direccionados para os cuidados curativos. Alguns programas ainda funcionam verticalmente, não só ao nível nacional, mas também de distrito. A motivação para actuar na área da saúde comunitária tem vindo a esmorecer entre os membros das equipas de saúde, devido a más condições de trabalho (falta de transportes, locais mal servidos, escassez de medicamentos, etc.) e baixas remunerações. As comunicações insuficientes com os sistemas de referência afectam a coordenação entre estes, uma vez que muitos utentes não utilizam o sistema, em parte devido à escassez de pessoal e ao alcance limitado dos serviços oferecidos pelo primeiro nível. Outro desafio advém do próprio conceito de CPS. A falta de um entendimento comum relativamente a este conceito tem sido um dos maiores entraves à sua tradução em políticas e planos adequados.

Em muitos países, a formulação das políticas e o planeamento, fracos e fragmentados, dos recursos humanos para a saúde, assim como o espaço fiscal limitado, têm dificultado o reforço da produção, recrutamento e implementação de esquemas para motivar e reter os profissionais de saúde. Isto levou ao número inadequado de profissionais de saúde, à sua distribuição geográfica desigual e fraca motivação nos seus países, e ainda a uma migração cada vez maior do pessoal de saúde para fora da Região Africana. A inadequada distribuição das infraestruturas sanitárias, associado a uma funcionalidade limitada e à má manutenção decorrente dos fracos recursos para fazer face aos custos são ainda obstáculos significativamente difíceis de transpor. Há cada vez maior procura de medicamentos essenciais e de materiais médicos, devido ao rápido crescimento demográfico na maioria dos países africanos, associado ao aumento do fardo das doenças, quer transmissíveis quer não transmissíveis.

Este é o principal documento que irá orientar as deliberações na Conferência, a terceira da série de conferências sobre cuidados primários de saúde: – Buenos Aires, em Agosto de 2007; Beijing, em Novembro de 2007 e Bangkok, em Janeiro de 2008. Uma quarta conferência realizar-se-á ainda este ano, mais tarde, no Casaquistão, um país que pertencia à antiga União Soviética e onde foi aprovada a Declaração de Alma-Ata, de 1978.

Espera-se que na Conferência de Ouagadougou sobre Cuidados Primários de Saúde se aprove uma nova Declaração Regional, semelhante em espírito à de Alma-Ata, a qual deverá propor a criação e a implementação de políticas públicas e de estratégias, quer a nível regional, quer nacional, para continuar a melhorar a saúde das populações da Região Africana.

(appablog – 23.04.2008 )





INLS realiza curso avançado de tratamento de casos de VIH

25 04 2008

O manuseamento clínico de pacientes com VIH e SIDA é o tema do terceiro curso avançado que o Instituto Nacional de Luta Contra a SIDA (INLS) promove em Luanda, desde ontem. A acção formativa conta com a participação de 36 médicos, no âmbito da extensão do Programa de Prevenção e Transmissão Vertical (PTV) e o Programa SIDA para adultos e jovens a todas as províncias de Angola.
Com encerramento previsto para o dia 25 de Abril, o curso, que terá uma carga horária total de 30 horas, com aplicação de aulas teóricas e práticas, no anfiteatro do INLS, é dirigido a profissionais que realizam atendimento de pacientes adultos, adolescentes e gestantes do Programa SIDA/
/PTV e que concluíram o curso básico de capacitação em VIH/SIDA, oriundos das províncias do Bengo (1), Benguela (2), Bié (1), Cabinda (2), Cunene (2), Huambo (2), Lunda-Sul (1), Lunda-Norte (1), Namibe (1), Malanje (1), Moxico (1), Huíla (2), Kwanza-Sul (2), Kwanza-Norte (1), Kuando Kubango (1), Uíje (2), Zaire (1)
e Luanda (12).
Esta acção formativa, a terceira do género, visa dotar os participantes de conhecimentos sobre epidemiologia da infecção do VIH em Angola, noções básicas de informática, fisopatogenia da infecção pelo VIH, novos aspectos, noções de farmacologia, primeira consulta do paciente VIH positivo, novas drogas anti-retrovirais, principais efeitos colaterais tardios dos ARVs, entre outras matérias.
Ainda no âmbito da implementação das actividades de luta contra a SIDA para o ano de 2008, e com o objectivo não só de aumentar o acesso ao tratamento anti-retroviral como também de melhorar a qualidade de vida das pessoas infectadas pelo VIH e SIDA, incluindo as crianças, o INLS realizou na semana finda o IV Curso Básico sobre VIH e SIDA Pediátrico para médicos que prestam assistência em pediatria em unidades sanitárias com Programa PTV implantando, num total de 30, em representação das províncias do Bié, Uíje, Huíla, Cunene, Namibe, Huambo, Cabinda, Lunda-Sul, Lunda-Norte, Kwanza-Norte, Kuando-Kubango e Luanda.
Refira-se que recentemente foi realizado, no Rio de Janeiro, Brasil, o segundo congresso da Comunidade de Países de Língua Portuguesa sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e VIH/Sida, um evento que produziu importantes recomendações sobre as acções tendentes a reforçar a prevenção e tratamento destas enfermidades.

(Jornal de Angola – 25.04.2008 )




Zaire: Província regista mais de uma centena de casos de sida em três meses

25 04 2008

Mbanza Kongo, 24/04 – Cento e cinco casos de hiv-sida foram notificados durante o primeiro trimestre deste ano, na província do Zaire, mais 52 em relação ao período anterior, informou hoje (quinta-feira), nesta cidade, o supervisor do programa de luta contra sida, Manuel Kai.

Em declarações à Angop, o responsável explicou que deste número de casos, oitenta e cinco são do sexo feminino e vinte do masculino, diagnosticados nos centros de aconselhamento e testagem voluntária (catv), bem como nas consultas pré-natal às mulheres grávidas.

Apontou que os municípios de Mbanza Kongo e Soyo, registaram os maiores números de casos de Hiv com 73 e 36, seguindo-se os do Kuimba e Nóqui, com dois e quatro casos, respectivamente.

Manuel Kai adiantou que, actualmente, quarenta e três portadores desta pandemia beneficiam de tratamento com anti-retrovirais em diversas unidades sanitárias da região, dos quais 29 mulheres e 14 homens.

Considerou preocupante a situação do hiv-sida na província e apelou à população a continuar a acatar os conselhos das autoridades sanitárias para se evitar a proliferação desta doença.

Para o efeito, disse, as autoridades sanitárias locais têm estado a desdobrar-se em campanhas de sensibilização e prevenção desta enfermidade, realizando junto das populações, palestras educativas, distribuição de preservativos, cartazes, folhetos e manuais sobre os perigos que esta doença representa.

Durante o ano passado, foram notificados na província do Zaire 363 casos de hiv-sida, dos quais 14 resultaram em óbito

(AngolaPress – 24.04.2008 )




Bengo: ADPP sensibiliza mais de 50 mil pessoas para o combate ao VIH/Sida

25 04 2008

Caxito, 24/04 – Cinquenta e uma mil pessoas dos municípios do Dande, Nambuangongo e Ambriz, província do Bengo, beneficiaram desde Julho de 2006 a Dezembro de 2007, de 510 mil e quatrocentas e setenta e nove preservativos distribuídos pelo Gabinete Total Controlo de Epidemia, afecto à ONG Ajuda de Desenvolvimento de Povo para Povo (ADPP).

O facto foi revelado hoje, quinta-feira, à Angop, pelo responsável do Gabinete, Mwansa Fredrik, para quem o êxito da sua actividade contou com a participação de 34 mil aderentes, que sensibilizaram as munícipes sobre o risco da infecção pela doença, bem como instruíram as mesmas, no caso de infectados, a seguirem os métodos para o seu pré-tratamento.

O programa Total Controlo de Epidemia visa afastar o maior possível o grau de contágio do HIV/Sida a população da África Austral, estando actualmente a funcionar nos países de Angola, Zimbabwe, Moçambique, Botswana e Namíbia.

De acordo com ele, está prevista, para o dia 18 de Maio deste ano, um encontro designado “Memorial internacional a Luz de vela”, que vai realizar-se nos municípios do Ambriz, Nambuangongo e Dande, em homenagem as vítimas do VIH/Sida.

(AngolaPress – 24.04.2008 )




ÁFRICA: Do tabu à primeira página

25 04 2008


Photo: Mercedes Sayagues/PlusNews
 

JOHANNESBURG, 24 Abril 2008 (PlusNews) – Jornalistas em África lusófona interessados em cobrir a epidemia de HIV e SIDA têm agora mais uma ferramenta para ajudá-los nesta tarefa.

O PlusNews Português, o serviço de notícias das Nações Unidas especializado em HIV e SIDA na África de expressão portuguesa, acaba de lançar um guia de reportagens sobre o tema.

Publicado com o apoio da Agência Sueca de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional (SIDA), o Guia para reportagens sobre HIV e SIDA é uma resposta à necessidade dos jornalistas na África lusófona de mais contexto e orientação na cobertura da epidemia.

“A cobertura da SIDA em Angola é muito diminuta, geralmente vinculada a actividades, e nem sempre feita da melhor maneira, por isso um manual desse tipo é salutar”, explica Susana Mendes, editora do jornal Angolense, baseado em Luanda.

Segundo ela, uma das dificuldades é o facto de o HIV ainda ser um assunto tabu.

“O outro obstáculo é o próprio jornalista não entender a epidemia, não saber como lidar com o assunto, como fazer perguntas”, diz.

O Guia para reportagens sobre HIV e SIDA divide-se em duas vertentes: a primeira é um panorama geral da epidemia, com um dicionário sobre os termos, siglas e acrónimos mais usados; a segunda se refere à cobertura apropriada do tema segundo os parâmetros do serviço PlusNews – cuidados a ser tomados pelo jornalista, como abordar os entrevistados, como escrever de forma ética e sem julgamento.

Para Maurício Cysne, coordenador do Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV/SIDA em Moçambique, “um guia dessa natureza facilita a abordagem de temas mais sensíveis, como a prática do sexo comercial, homens que fazem sexo com homens e usuários de drogas injectáveis.”

“O manual facilita ao profissional de jornalismo a abordar temas mais sensíveis, que estão no cerne da questão de se controlar, diminuir e atacar o estigma”, afirma.

O guia também aborda questões estilísticas e de linguagem, por exemplo, regionalismos na África lusófona, diferenças em relação ao português falado no Brasil, e dados sobre a unificação da língua portuguesa em curso.

Os últimos capítulos trazem contactos e websites úteis para os jornalistas, e dados de seroprevalência na África lusófona.

''Se o jornalista entende o assunto, ele faz perguntas pertinentes e o entrevistado responde com informações mais profundas. Isso acaba por ajudar na educação dos leitores sobre HIV e SIDA.''

Moçambique (16,2 por cento) é um dos países mais afectados mundialmente. Países que emergem de conflitos como Guiné-Bissau (quatro por cento) e Angola (três por cento) não têm uma epidemia generalizada, mas precisam fortalecer esforços de prevenção e tratamento. Os arquipélagos de Cabo Verde e São Tomé e Príncipe têm baixa seroprevalência, menos de um por cento e 1,5 por cento respectivamente.

Discriminação e estigma ainda são a ordem do dia. Em São Tomé, nenhum seropositivo teve coragem de abrir sua condição em público. Guiné-Bissau e Cabo Verde só aprovaram leis anti-discriminação no ano passado.

Alzira do Rosário, coordenador do Programa Nacional de Luta contra a SIDA em Guiné-Bissau, afirma que o guia chegou em boa hora.

“Este guia será muito importante. Os jornalistas em São Tomé não têm este tipo de ferramenta para melhorar a qualidade da informação e fazer melhor o seu trabalho”, diz.

Mizé Badia, presidente da organização não-governamental Renascer, em Praia, Cabo Verde, acredita que quanto mais capacitados estiverem os jornalistas, melhor a cobertura da epidemia. O Guia para reportagens sobre HIV e SIDA, segundo ela, pode ajudar nesse processo.

“Se o jornalista entende o assunto, ele faz perguntas pertinentes e o entrevistado responde com informações detalhadas e mais profundas”, diz. “Isso acaba por ajudar na educação dos leitores sobre HIV e SIDA.”

Criado em Janeiro de 2006, o PlusNews Português (www.plusnews.org/pt) já se tornou referência na cobertura de HIV e SIDA em Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe.

Baseado em Johannesburg, na África do Sul, o PlusNews Português conta com uma rede de correspondentes nas capitais e províncias dos cinco países lusófonos.

O grupo PlusNews, que conta com serviços em inglês e francês, é parte das Redes Regionais Integradas de Informação (IRIN) do Gabinete das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

Para ver o Guia para Reportagens sobre HIV e SIDA online clique aqui.

Para receber uma cópia, envie uma solicitação para lilian@plusnews.org

(PlusNews – 24.0.4.2008 )





ANGOLA: Trabalho, amigos, saúde e HIV

25 04 2008

Apesar de trabalhar como contabilista num hospital de Cabinda, o angolano Elias Lengo nunca ouvia falado do HIV.

Foi só a partir de 2000, quando começou a ficar doente com freqüência que começou a desconfiar que talvez houvesse algo mais grave por trás da tuberculose, das manchas no corpo e das diarréias. Os exames que fazia não mostravam nada.

Só em 2002, numa bateria de testes realizados, é que Lengo descobriu: era seropositivo.

Como se não bastassem as doenças oportunistas que o levaram a ser internado mais de 20 vezes em dois anos, Lengo teve que lidar com a discriminação no trabalho, na família e entre os amigos. “Cheguei a perder a vontade de viver, de estar com outras pessoas”, lembra.

Seis anos depois do diagnóstico e passada a tormenta inicial, Lengo recuperou o trabalho, está junto de sua família e de seus amigos e, principalmente, está saudável.

“Quase que as pessoas não acreditam que eu estou nessa situação”, diz.

A contabilidade das conquistas 
Nasci em Cabinda e formei-me técnico de contabilidade. Em 1980, aos 25 anos, comecei a trabalhar como contabilista no Hospital Central de Cabinda.

Daí a dois anos, em 1982, eu me casei. Fiquei casado durante quinze anos e minha mulher e eu tivemos oito filhos. Em 1997, minha esposa faleceu de tuberculose óssea.

Viúvo, comecei a viver maritalmente com uma mulher. Tivemos mais dois filhos.
Dos meus 10 filhos, a mais velha tem 23 anos e a mais nova, cinco. Seis deles moram comigo.

De 2000 a 2002, comecei a ficar doente frequentemente. Tinha tuberculose, manchas pelo corpo, diarréias. Ia ao médico, mas os exames não acusavam nada. Em 2002, fui a Ponta Negra, no Congo, e fiz todo tipo de exame, inclusive o de HIV.

O resultado foi positivo. Meu corpo estava muito enfraquecido, meu CD4 era de apenas 174. Comecei o tratamento antiretroviral assim que voltei a Cabinda.

Na época, os antiretrovirais eram muito caros. Um frasco de remédio custava quase US$ 50, então eu só comprava a medicação quando tinha dinheiro. Por isso, continuei doente. Em dois anos, fui internado mais de vinte vezes. Tinha uma anemia grave e recebi 16 transfusões de sangue. Nesse período, fui afastado do trabalho no hospital.

Em 2003, fiquei internado quase um ano. Cheguei a ficar em coma. Durante esse tempo, vi dezenas de pessoas morrerem ao meu lado, tanto por falta de medicação quanto por falta de atendimento.

Como eu era funcionário e conhecido no hospital, recebia assistência da equipa médica. Mas, em geral, os enfermeiros tinham medo de se contaminar e não tratavam dos pacientes seropositivos. Nem da família estes pacientes tinham apoio: como achavam que os pacientes estavam condenados, os parentes davam as costas e as pessoas morriam sozinhas.

Isso quase aconteceu comigo. Minha esposa fez o teste em 2003 e descobriu que também tinha o HIV. Ela ficou desesperada e foi embora. Mas depois de dois meses, graças a um trabalho de aconselhamento, ela voltou para casa.

Na época minha esposa não precisava de tratamento, mas há três meses ela começou a tomar os antiretrovirais porque a contagem de CD4 dela caiu para 295.

Em 2004, fiz um relatório sobre o atendimento que recebi no hospital durante o tempo que fiquei internado. Minha conclusão foi de que fui bem atendido. Meu médico, Dr. Alberto Macosso, levou o documento para Luanda.

Não sei se esse relatório teve alguma participação nisso, mas o facto é que, no mesmo ano, os antiretrovirais chegaram a Cabinda.

Em 2006, a Televisão Pública de Angola fez uma reportagem no Hospital de Cabinda e dei uma entrevista. Por isso, agora toda gente sabe que sou seropositivo: no serviço, na minha família. Tenho 52 anos e ainda sou funcionário no Hospital de Cabinda.

Trabalho também como activista e já fui convidado pela companhia petrolífera Chevron para fazer uma palestra. Depois de muito sofrimento, vejo que a situação de discriminação está a melhorar: trabalho, estou junto com meus filhos, a família aparece em casa e os amigos voltaram. Quase que as pessoas não acreditam que eu estou nessa situação.

Hoje também acho que somos melhor atendidos no hospital e nos Centros de Aconselhamento e Testagem Voluntária. Temos apoio psicológico com pessoas mais experientes, o que ajuda muito, e temos mais acesso a medicamentos.

(PlusNews – 24.04.2008 )




EUA. Teste rápido de detecção do HIV enfrenta batalha de patente na justiça

23 04 2008

O sucesso da OraSure Technologies em produzir um teste rápido de detecção do HIV está sob ataque de uma empresa rival. A Inverness Medical Innovations entrou com processo na justiça acusando a companhia de infringir patente nas vendas do “OraQuick”.

O produto da OraSure é o mais conhecido nos Estados Unidos e obteve aprovação do governo americano em 2002. Ele pode detectar o vírus causador da Aids na saliva e no sangue em menos de 20 minutos. A ação foi apresentada no tribunal distrital de Nova Jersey, nos Estados Unidos.

Inverness é uma empresa de Boston (EUA) mais conhecida por fabricar testes de gravidez e fertilidade, mas também vende exames de HIV. Oficiais da empresa não foram encontrados para comentar o caso. Muito mais do que a reputação da OraSure está em jogo. O “OraQuick” é um dos líderes em lucros da companhia. Em 2007, as vendas representaram US$ 33 milhões. Isso representa mais do que um terço das receitas da empresa.

O potencial do produto também é promissor. No exterior, as vendas dobraram no último ano. E um impulso para tornar o teste disponível em farmácias está em curso. O analista financeiro Aaron Lindberg disse que a ação da Inverness não é uma surpresa. Ele descreveu a empresa como “ligitiosa” e que oficiais dela já discutiam uma ação judicial.

A polêmica patente tem a ver com um “fluxo lateral” de tecnologia, explicou Lindberg. Segundo ele, o argumento da OraSure é que a inovação não tem origem na Inverness, mas em uma grande companhia farmacêutica, a Abbott, com quem ela tem acordos.

“Acho que a OraSure tem uma posição razoavelmente defensável ”, disse Lindberg, que trabalha para a William Smith Special Opportunities Research, uma companhia em Denver (EUA) de aconselhamentos de investidores institucionais.

“Dito isto, [a ação judicial] irá custar dinheiro e tempo, e ela provavelmente pode demorar anos.”, acrescentou Aaron Lindberg. A companhia OraSure tem mais de 200 empregados em tempo integral. Na última quinta-feira (17/04), a cotação de suas ações na Nasdaq era de US $ 6,58 e caiu 40 centavos (o equivalente a um recuo de 6%).

Fonte: Allentown Morning Call

(Agencia de Noticias da AIDS – 22.04.2008 )




Vih/Sida constitui obstáculo na implementação do programa educação para todos

23 04 2008

O vice-ministro da educação para a reforma educativa, Pinda Simão, disse hoje, em Luanda, que a pandemia do Vih/Sida constitui um dos obstáculos para a implementação do programa educação para todos que prevê erradicar o analfabetismo até ao ano de 2015.

O governante fez este pronunciamento quando dissertava na palestra sobre “Os desafios da educação para todos em Angola” realizado no Instituto Médio de Economia de Luanda (IMEL), no âmbito da Semana Internacional de Educação para Todos (EPT).

Para Pinda Simão, muitos professores em formação ou já formados sobre os currículos a serem implementados na reforma educativa morreram por terem contraído Vih/Sida, o que obrigou o recrutamento e a formação de outros, atrasando em parte o andamento do processo.

“No domínio de luta contra as Infecções de Transmissão Sexual (ITS) e o Vih/Sida foram incluídos nos currículos aspectos transversais e realizaram-se acções de formação de professores em todo o país”, disse.

Para contrapor este défice, o Ministério da Educação (MED) no período de 2002 a 2008 elaborou um plano que visou aumentar os efectivos escolares, que resultou num crescimento de uma taxa de 120 porcento, representando uma média de crescimento ano de 20 porcento, o que corresponde a uma média ano de 512.679 novos alunos.

Segundo Pinda Simão, ultrapassada que está a questão dos docentes, houve um aumento da taxa de cobertura de 21 por cento e prevê-se para 50 porcento em 2010 e 90 porcento em 2015, na iniciação.

A redução da taxa de abandono de 13,9 porcento actualmente para 9, 8 porcento em 2010 e 6,9 porcento em 2015, a taxa de promoção é de 59,8 porcento, prevê-se 71,5 porcento em 2010 e 79 porcento em 2015, bem como o aumento da taxa de conclusão que é de 36 porcento para 61,6 em 2010 e 80 porcento e 2015.

A Semana Internacional de Educação para Todos (EPT), com início nesta segunda-feira e com termo previsto para o dia 27 deste mês, abordará ainda outras palestras como a “Equidade do governo”, “A protecção e desenvolvimento da primeira infância” e uma reunião de coordenação interministerial do EPT, envolvendo o MED, o MINARS, o MAPESS, o MINFANU e a sociedade civil.

(AngolaPress – 22.04.2008 )