Têm menos de 25 anos, pouco mais do que a 4.ª classe e, na grande maioria dos casos, uma gravidez não planeada. O perfil das grávidas vítimas de violência doméstica foi traçado por um estudo nacional que determinou que quase uma em cada quatro (24%) mulheres vítimas de agressão física durante a gestação teve um bebé antes das 37 semanas. Um valor muito superior aos 8% de partos prematuros contabilizados em grávidas que não viveram a experiência da violência.
O trabalho, realizado por investigadores do Porto, mereceu honras de publicação na revista ‘American Journal of Obstetrics & Gynecology’. Os resultados, que tiveram por base inquéritos feitos a 2660 futuras mamãs, levados a cabo entre 1999 e 2000, surpreenderam – avança ao CM Teresa Rodrigues, ginecologista e obstetra do Hospital de São João e uma das responsáveis pelo estudo. “Não estávamos à espera de encontrar quase 10% de violência doméstica entre as grávidas e muito menos um risco três vezes superior de partos prematuros entre as gestantes vítimas de agressões físicas.”
Mas há mais. O estudo encontrou ainda uma relação entre as agressões durante a gravidez e a ocorrência de nascimentos de bebés pequenos para a idade, assim como hemorragias vaginais nos primeiro, segundo e terceiro trimestres. “Ou seja, parece que a violência se relaciona com vários resultados menos bons.”
No entanto, sabe-se ainda pouco sobre os factores de risco do parto pré-termo e menos ainda sobre aqueles que se pode modificar. “Foi para os procurar e associar aos factores sociais que decidimos fazer este trabalho”, explica a médica, um dos elementos de uma equipa de três, composta ainda por um epidemiologista e uma assistente social da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e do Hospital de São João, também na Invicta.
Os números mostram uma tendência para a estabilização do número de partos antes do tempo, mas com todos os cuidados pré-natal e com o acompanhamento médico a que são submetidas as grávidas este é, defende a especialista, “um mau resultado”.
RISCOS PARA A SAÚDE A LONGO PRAZO
Dificuldades cardíacas, neurológicas, anemia e retinopatia são apenas alguns dos problemas que os bebés prematuros têm de enfrentar quando nascem. No entanto, as consequências de nascer antes das 37 semanas prolongam-se muitas vezes pela infância e adolescência, traduzindo-se num aumento da mortalidade, diminuição da capacidade reprodutiva e dificuldade na aprendizagem. De acordo com uma equipa de cientistas noruegueses e norte-americanos, que analisou os partos prematuros (5,2%) entre 1,1 milhões de nascimentos, os bebés pré-termo apresentam um maior risco de doenças crónicas e mortalidade a longo prazo. Para além disso, quanto menor a idade gestacional dos jovens maior o risco de não alcançarem o ensino Secundário e menores as probabilidades de conseguirem fazer uma licenciatura.
ABUSOS FÍSICOS DURANTE A GRAVIDEZ
50% das mulheres maltratadas foi agredida mais de três vezes durante a gravidez.
57,6% referiu a estalada ou o empurrão como o acto de violência mais grave sofrido no decorrer da gestação.
42,4% referiu incidentes mais graves.
39,3% da mulheres foram agredidas com murros, pontapés, sofreram hematomas, cortes e/ou dor prolongada.
3,1% foram espancadas, tiveram ossos partidos, traumatismos internos na cabeça e/ou ferimentos permanentes.
PERFIL DA MÃE AGREDIDA
44% tinha menos de vinte anos
75,5% vivia com o pai da criança
52,9% tinha o ensino Básico
56,4% vivia com 600 euros de rendimento familiar
81,3% não teve uma gravidez planeada
6,6% consumiu drogas ilícitas durante a gravidez
27,6% fumava
PARTOS PREMATUROS EM PORTUGAL
O número de bebés que nascem antes do tempo, ou seja, antes das 37 semanas de gestação, tem sofrido oscilações ao longo dos anos. O maior aumento foi de 2005 para 2006.
2000: 5,9%
2001: 5,6%
2002: 6,4%
2003: 6,9%
2004: 6,8%
2005: 6,6%
2006: 7,9%
Fonte: Instituto Nacional de Estatística
(Correio da Manhã – 30/03/2008)
Sou gestante estou de 32 semanas e já fui agredida psicológicamente e fisicamente.
Sei que é muito dificil assumir que seu parceiro te agride.
Pois você pensa em construir uma familia com aquele homen que tanto amou, mas do nada tudo desmorona.Depois da primeira agressão você se sente triste sem entender , tem vergonha de falar para os outros só fica pedindo pra Deus que isso nuncá mais aconteça, pelo menos enquanto estiver grávida.