EUA mudam estratégia na AIDS

27 03 2008

Os Estados Unidos decidiram modificar sua estratégia nos esforços para encontrar uma vacina contra a Aids, após o fracasso no ano passado de uma inoculação que prometia ser crucial.
Em reunião convocada pelo Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas, cientistas do Governo assinalaram que se dará prioridade aos trabalhos de laboratório e aos testes em animais.
Até agora esses esforços tinham sido centrados em testes em seres humanos de alto custo e resultados decepcionantes, assinalaram.
“É necessário fazer uma mudança, isto está muito claro. São necessárias novas idéias”, disse na reunião Anthony Fauci, diretor do organismo que faz parte dos Institutos Nacionais da Saúde do Governo dos Estados Unidos.
A medida foi anunciada depois do fracasso no ano passado de experimentos com uma vacina que era considerada a grande esperança contra a infecção causada pelo vírus de imunodeficiência humana (HIV).
Os testes clínicos confirmaram que a inoculação não protegia contra a infecção e até podia fazer com que as pessoas que a recebiam ficassem mais suscetíveis a contrair o vírus.
Fauci assinalou que o orçamento para a pesquisa realizada por seu instituto, de aproximadamente US$ 1,5 bilhão, será destinado agora em maior medida aos trabalhos de laboratório do que ao desenvolvimento da vacina.
O cientista acrescentou que esses esforços serão dirigidos a responder as “dúvidas fundamentais” da doença que ainda não têm uma resposta.
Segundo números da Organização Mundial da Saúde, o HIV infecta a cada dia cerca de 12 mil pessoas em todo o mundo.
As doenças oportunistas da Aids causaram a morte cerca de 25 milhões de pessoas.
No entanto, Fauci rejeitou a possibilidade do cancelamento de todos os esforços para encontrar uma vacina.
“Sob nenhuma circunstância poremos fim à pesquisa de uma vacina contra a Aids. Pelo contrário, aumentaremos os esforços na medida em que for possível”, indicou.

(Agenci de Notícias da AIDAS – 26/03/2008)




SP: 1ª Conferência Municipal GLBTT será dia 5 de abril

27 03 2008

 A I Conferência Municipal de Políticas Públicas para Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros, acontecerá em São Paulo no dia 5 de abril de 2008, no Auditório Franco Montoro da Alesp – Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo.
Apoiado pelo Fórum Paulista GLBTT, pelo Centro de Referência em Direitos Humanos de Prevenção e Combate a Homofobia, pelo Conselho Municipal de Atenção à Diversidade Sexual e pela Comissão Municipal de Direitos Humanos, o evento tem como objetivo propor direrizes para a implementação de Políticas Públicas pró-cidadania GLBTTT e avaliar estratégias para a construção de um programa municipal de promoção da cidadania e combate à homofobia. Também é parte dos objetivos da Conferência pautar a temática a ser proposta na Conferência Estadual GLBTT.
Os interessados em participar deverão inscrever-se até o dia 28/03/2008, através da ficha de inscrição que está disponível no portal da Prefeitura, através do link. 

(mixbrasil – 26/03/2008)




Países de língua portuguesa assinam carta de compromissos para combater AIDS entre mulheres

27 03 2008

A partir do texto (leia abaixo), será proposta uma agenda de cooperação horizontal entre os países para fortalecer as respostas nacionais no enfrentamento da feminização da epidemia de HIV/aids. Todos os países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa estiveram representados no evento. A CPLP é formada por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.

Para o secretário-geral da CPLP, embaixador Luís Fonseca, a reunião ocorre no momento certo, já que, no próximo mês, será realizado, também no Rio, o II Congresso da CPLP sobre DST e HIV/Aids. Com isso, será possível apresentar as demandas relacionadas ao tema “mulheres e HIV”, ampliando estratégias e compromissos comuns dos governos. “Chama a atenção o aumento dos casos de aids em mulheres no mundo. Não podemos deixar o enfoque na feminização passar desapercebido”.

O diretor-executivo-adjunto do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS), Michel Sidibe, disse que a reunião é uma oportunidade se estabelecer uma agenda comum, em especial na luta contra as iniqüidades e desigualdades de gênero. “O hiato é grande, mas é possível alcançarmos os objetivos propostos se criarmos essa solidariedade entre países de língua portuguesa com oportunidades para todos, fundamentada no respeito mútuo no intercâmbio de experiências”.

Recursos – Na abertura do evento, na última segunda-feira (24), Michel Sidibe anunciou um acordo do UNAIDS com o Governo Brasileiro que prevê o repasse de US$ 1,5 milhão para o Centro Internacional de Cooperação Técnica em HIV/Aids (CICT). Os recursos serão utilizados nos próximos anos para que o CICT, sediado no Programa Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde (PN-DST/AIDS), promova a cooperação horizontal com os países em desenvolvimento, priorizando os membros da CPLP.

Na América Latina, existe o Grupo de Cooperação Técnica em HIV/Aids, que reúne representantes dos 19 programas de aids da região. Segundo a diretora do PN-DST/AIDS, Mariângela Simão, é importante criar um fórum semelhante no âmbito da CPLP para que os países possam trocar experiências e conhecimentos que auxiliem na melhoria de suas capacidades de resposta à epidemia.

Feminização – Durante o encontro, a ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SEPM), Nilcéa Freire, ressaltou a necessidade de ampliar canais de diálogo entre as mulheres e de promover o encontro delas para fortalecimento das redes e das agendas em que as mulheres sejam protagonistas da resposta à epidemia de aids.

Nos dois dias de atividades, foram apontados fatores que contribuem para a vulnerabilidade feminina à epidemia, como a desigualdade nas relações de poder entre homens e mulheres, o menor poder de negociação das mulheres quanto ao uso de preservativo e às decisões que envolvem a sua vida sexual e reprodutiva. A violência doméstica e sexual contra mulheres e meninas; a discriminação e o preconceito relacionados à raça e etnia; e a falta de percepção das mulheres sobre o risco de se infectar pelo HIV também são pontos de debate.

A realização do encontro foi uma parceria do PN-DST/AIDS, da SEPM, do UNAIDS, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (UNIFEM) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

Leia abaixo a integra da Carta do Rio de Janeiro:
I REUNIÃO MINISTERIAL DE POLÍTICAS PARA MULHERES E VIH-SIDA
Construindo Alianças entre Países de Língua Portuguesa para o Acesso Universal
Rio de Janeiro, Brasil, 24 e 25 de março de 2008.

CARTA DO RIO DE JANEIRO

Nós, Ministras, Ministros e Representantes dos Estados da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), responsáveis por políticas para Mulheres e de enfrentamento a epidemia de VIH-SIDA, reunidos no Rio de Janeiro, em 24 e 25 de março de 2008;

Reconhecendo que o enfrentamento à epidemia de VIH-SIDA constitui-se numa emergência global e apresenta-se como um grande desafio ao desenvolvimento, ao progresso e à estabilidade social e que demanda uma resposta ampla envolvendo todos os setores da sociedade;

Reconhecendo a importância da participação efetiva de mulheres adultas e jovens e aquelas vivendo com VIH-SIDA, nos processos de definição e operacionalização de políticas e planos nacionais;

Reconhecendo que mulheres que vivem com VIH-SIDA, em sua diversidade, demandam ações que atendam às especificidades do viver com SIDA.

Reconhecendo que mulheres, em especial as jovens e adolescentes, encontram-se em situação de maior vulnerabilidade à infecção pelo VIH em razão da desigualdade de gênero, da violência, do racismo e da discriminação que as atinge em toda a sua diversidade;

Reafirmando nosso compromisso com os Planos de Ação de Cairo (1994), Pequim (1995) e Durban (2001), com a Convenção para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres – CEDAW; com os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (2000), com o cumprimento da Declaração de Compromisso sobre VIH-SIDA, intitulada “Crise Global – Ação Global”, adotada pela Assembléia Geral das Nações Unidas em sua 26ª Sessão Especial, em 2001, com as resoluções da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento do Milênio (2005) e com a Declaração Política sobre VIH-SIDA, adotada pela Assembléia Geral das Nações Unidas – UNGASS-, em sua 87ª Sessão Plenária, em 2006;

Reafirmando os compromissos firmados no âmbito da CPLP, por meio da Declaração sobre VIH-SIDA, firmado na Conferência de Chefes de Estado e de Governo, em Maputo (2000), do Programa de Apoio à Luta contra ITS-VIH-SIDA nos países de Língua Oficial Portuguesa (2001), do Acordo de Cooperação entre os Governos da CPLP, sobre o Combate ao VIH-SIDA, firmado na Conferência de Brasília (2002) e da Resolução sobre a Luta contra o VIH-SIDA adotada na V Conferência da CPLP (2004);

Mobilizamo-nos para discutir e enfrentar o impacto da epidemia de VIH-SIDA entre mulheres adultas, adolescentes e jovens, bem como garantir e fortalecer a participação daquelas que vivem com VIH-SIDA;

Apoiamos o estabelecimento de uma agenda de cooperação horizontal que fortaleça as respostas nacionais no enfrentamento à feminização da epidemia de VIH-SIDA e as estratégias de empoderamento das mulheres seropositivas;

Comprometemo-nos a facilitar a formulação e implementação de trabalhos de cooperação horizontal em VIH-SIDA a serem acordados entre nossos países, com vista a garantir a efetivação dos direitos das mulheres; o acesso universal à promoção, prevenção, assistência e tratamento de ITS-VIH-SIDA, abordando prioritariamente, as interfaces entre SIDA e violência contra a mulher, a disponibilidade e adesão ao uso de preservativo feminino e masculino; bem como a diminuição das iniqüidades de gênero e o engajamento e a parceria efetiva dos homens.

Comprometemo-nos também a discutir ações integrais e intersetoriais para mulheres que vivem com VIH-SIDA, dentre as quais o acesso a ARV, assistência e insumos de prevenção, a promoção dos direitos sexuais e reprodutivos, o combate à violência de gênero, ao estigma e à discriminação, a promoção da inclusão social e comunitária e o fomento ao seu protagonismo.

Convidamos as Organizações das Nações Unidas, em especial ao Programa Conjunto das Nações Unidas sobre VIH-SIDA (ONUSIDA), ao Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), ao Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento da Mulher (UNIFEM) e ao Fundo das Nações Unidas para Infância (UNICEF) a participarem como parceiros deste processo.

Solicitamos ao Secretariado da Comunidade de Países de Língua Portuguesa que inclua a leitura desta Carta de Intenções na próxima Reunião de Ministros de Saúde da CPLP, no Conselho de Ministros, na Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CPLP que será realizada em julho de 2008 e que, igualmente, seu conteúdo seja transmitido durante a próxima reunião da Assembléia Parlamentar da CPLP.

Feito e assinado no Rio de Janeiro, Brasil, em 25 de março de 2008.

Pelo Governo da República de Angola
Ministra Cândida Celeste da Silva

Pelo Governo da República Federativa do Brasil
Ministra Nilcéa Freire

Pelo Governo da República de Cabo Verde
Ministro Sidonio fontes Lima Monteiro

Pelo Governo da República da Guiné-Bissau
Ministro Alfredo Antonio da Silva

Pelo Governo da República de Moçambique
Sansão Antonio Buque

Pelo Governo da República Portuguesa
Elza Maria Henriques Deus Pais

Pelo Governo da República Democrática de São Tomé e Princípe
Ministra Maria Tomé Ferreira D’Araujo

Pelo Governo da República de Timor Leste
Idelta Maria Rodrigues
Fonte: Programa Nacional de DST/Aids

(Agência de Notícias da AIDS – 27/03/2008)




SIDA: CDS questiona ministro sobre lares que recusam idosos

27 03 2008

O CDS-PP considerou hoje «inaceitável e injustificável» que lares apoiados pelo Estado se recusem a aceitar idosos seropositivos, instando o Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social a apurar responsabilidades nestes casos.
Num requerimento dirigido ao ministro Vieira da Silva, os deputados democratas-cristãos salientam que «os lares apoiados pelo Estado, ao abrigo de acordos de cooperação, têm a obrigação legal de dar respostas sociais nos mesmos termos em que o Estado o faz», não podendo discriminar idosos por razões de saúde.
A iniciativa do CDS-PP surge na sequência de uma notícia divulgada este mês pela agência Lusa, que noticiou que o Instituto de Segurança Social (ISS) instaurou processos a três instituições, só no ano passado, depois de estas terem negado uma vaga a idosos com Sida.
Dizer que não há vaga ou pedir mais dinheiro são algumas das formas usadas para barrar a entrada a quem está infectado. As associações que trabalham no terreno asseguram que há uma discriminação «camuflada» e generalizada para contornar a lei e dificultar a actuação das autoridades.

Considerando que «esta situação é inaceitável e injustificável em qualquer Estado de Direito civilizado», os deputados Teresa Caeiro, Hélder Amaral e Pedro Mota Soares, que assinam o requerimento, questionam o ministro Vieira da Silva no sentido de saber se este tem conhecimento do caso e pretende tomar medidas no sentido de apurar responsabilidades.

(Diário Digital – 2008-03-27)




Busca de vacina para a sida tem de mudar

27 03 2008

O vírus da sida é ainda mal compreendido pelos cientistas,e não há vacinas à vista para breve
Mais de 20 anos depois de ter sido identificado o HIV e a doença do sistema imunitário que provoca, todas as tentativas de elaborar uma vacina contra o vírus falharam. É preciso dar um novo rumo aos esforços para inventar uma vacina, voltar ao nível da investigação básica sobre o vírus e sobre a doença, defendeu Anthony Fauci, director do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos.
“Temos de virar a agulha na direcção da descoberta. Precisamos de novas ideias. Não há dúvida”, disse Fauci, num encontro de cientistas e decisores políticos realizado esta semana nos EUA. O motivo próximo para convocar esta reunião são os resultados muito desencorajadores de uma vacina desenvolvida pela Merck e abandonada no Outono: em vez de proteger da infecção, parecia tornar as pessoas mais susceptíveis à invasão das suas células do sistema imunitário pelo HIV. Este resultado surpreendente – não se percebe ainda por que é que a vacina agrava a susceptibilidade ao vírus – levou os cientistas a reconhecer que depois de 25 anos de labor intensivo, ainda se compreende mal o vírus da sida. “Apesar de se terem gasto muitas centenas de milhões de dólares, a realidade é que, em 2008, uma vacina contra a sida está ainda fora do nosso alcance”, disse Warner Greene, professor de Medicina na Universidade da Califórnia em São Francisco, citado pela Reuters.
Por isso é que Fauci avançou com a ideia de alterar a forma como é distribuído o orçamento do seu instituto dedicado à sida. Até agora, um terço do orçamento de 1500 milhões de dólares tem sido dedicado à busca de uma vacina. Mas o mais certo seria dedicá-lo à investigação básica – tentar compreender como funciona o HIV e como domina as células imunitárias, em vez de tentar dar o passo mais longínquo de desenvolver uma vacina sem compreender realmente o HIV.

(Público – Clara Barata – 2008-03-27)




Doença motiva preconceito

27 03 2008

Já faz quase três décadas que o vírus HIV foi descoberto, mas mesmo parcelas instruídas da sociedade brasileira ainda preservam idéias equivocadas sobre a Aids e pessoas soropositivas. Uma pesquisa feita com 503 estudantes universitários revela:
15% acreditam que crianças soropositivas não deveriam freqüentar a escola.

E, quando perguntados se um patrão deve demitir uma pessoa que tem o vírus para proteger seus colegas de trabalho, 22% indicaram que sim. É importante lembrar que o convívio social com pessoas soropositivas não coloca ninguém em risco de se infectar pelo HIV e o direito à educação e ao trabalho deve ser assegurado.

“As porcentagens parecem baixas, mas o fato de os participantes serem universitários indica que algumas questões acerca da Aids deveriam ser mais difundidas”, alerta Tânia Renata Alves Ribeiro, autora da pesquisa Opiniões e preconceitos em relação a pessoas HIV+ entre jovens universitários, feita sob a orientação da professora Eliane Maria Fleury Seidl, do Instituto de Psicologia (IP) da Universidade de Brasília (UnB), realizada dentro do Projeto Afroatitude. O levantamento contou com a participação de estudantes de uma instituição de ensino superior de Brasília, e mostra que os universitários parecem conservar os mesmos preconceitos que o resto da população em relação à aids. O estudo foi realizado durante os anos de 2006 e 2007 e é parte de uma pesquisa maior sobre Representações sociais e práticas preventivas às DST/HIV em jovens universitários. “A falta de informação pode levar a uma conduta preconceituosa”, afirma a professora Eliane Seidl.

A situação torna-se ainda mais preocupante em outros dois pontos da pesquisa. Diante da frase “mulheres portadoras do HIV deveriam evitar filhos”, 30% dos universitários concordaram com essa afirmativa, segundo o Ministério da Saúde, o risco de transmissão do vírus HIV da mulher gestante para o bebê é da ordem de 1%, nos casos em que medidas preventivas da transmissão vertical do vírus são adotadas. “Se a mulher tem acesso e segue o protocolo com as ações preventivas recomendadas, a chance do vírus ser transmitido é muito baixa. Antes de tudo temos que garantir os direitos reprodutivos dessas mulheres” , afirma a professora.

Culpa –Dos entrevistados, 39% acham que o portador do vírus é responsável por sua condição de saúde. A atribuição de culpa pela infecção pelo HIV valoriza aspectos pessoais e desconsidera questões socioeconômicas, por exemplo, que também influenciam na vulnerabilidade à infecção pelo vírus da aids. “Muitas pessoas não têm acesso à informação sobre sexo seguro e, quando têm, muitas vezes falta dinheiro para se proteger. Tem gente que sabe tudo sobre os benefícios e não têm crenças negativas sobre a camisinha, mas não tem como comprá-la”, defende a professora. Isso reforça a necessidade de políticas públicas que garantam o acesso da população à informação e a insumos de prevenção, como o preservativo.

As opiniões preconceituosas evidenciadas nas respostas desses universitários indica, de acordo com Eliane, que é preciso tratar publicamente – e com mais atenção – de questões cada vez mais específicas relativas ao HIV/Aids. Só assim as pessoas soropositivas poderão usufruir plenamente de direitos como educação, maternidade e trabalho.

Contato
Professora Eliane Seidl pelo e-mail seidl@unb.br.
Pesquisadora Tânia Renata Alves Ribeiro pelo e-mail guiratinguinha@yahoo.com.br

(Envolverde/UnB Agência – 26/03/2008)





Rede de Diversidade Viral pode ser modelo para países em desenvolvimento

27 03 2008

A Rede de Diversidade Genética Viral (RDGV), um “instituto virtual” que congrega especialistas para estudos de vírus no estado de São Paulo, pode ser considerada modelo para países em desenvolvimento. Em um artigo publicado no dia 11 de março na revista científica PLos Biology, cientistas brasileiros descrevem a importância da RDGV, que vem reunindo pesquisas e informações sobre quatro vírus no estado: o da Imuno Deficiência Humana (HIV-1); o vírus Respiratório Sincicial Humano (VRSH); o da Hepatite C (VHC); e o Hantavirus. Segundo um dos coordenadores do projeto, o professor Paolo Zanotto, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, a iniciativa congrega, entre pesquisadores, estudantes de pós-graduação e iniciação científica, pouco mais de 250 pessoas, com financiamento da Fapesp.

A RDGV é composta por cinco laboratórios centrais e 17 unidades-satélite. Sete laboratórios são de biossegurança nível 3, responsáveis em trabalhar com amostras de roedores silvestres colhidas para os estudos do Hantavirus. As operações da rede tiveram início em 2001. Atualmente, de acordo com o professor Zanotto, uma grande quantidade de dados de base virológica sobre as doenças já está disponibilizada no sistema de saúde pública do estado de São Paulo, com materiais prontos para publicação. Aliás, a publicação na PLoS Biology mostra que, após a instituição do “instituto virtual”, houve aumento significativo na produtividade científica em Virologia no Estado de São Paulo, como indicado pelo número de publicações em periódicos indexados no PUBMED.

Os estudos com o HIV-1 contém dados clínicos de 1.279 pacientes de oito cidades paulistas, amostrados entre 2001 e 2004. “Atualmente, esses dados são usados num estudo dos padrões de dispersão de subtipos circulantes e recombinantes do HV-1. As informações nos permitem avaliar em profundidade o programa de saúde brasileiro em relação à doença”, avalia Zanoto.

Informações sobre os vírus
As tarefas coordenadas da rede em relação à hepatite C envolvem o estudo de 1.000 pacientes submetidos à diversos tipos de terapias e acompanhamento clínico em três cidades do estado. De acordo com o pesquisador, os dados destas pesquisas têm fornecido informações importantes não só sobre a dinâmica de propagação do VHC mas também do impacto de medidas de controle sobre a dispersão de genótipos virais ao longo dos últimos 40 anos.

Em relação ao Vírus Sincicial Humano (VRSH), o instituto virtual já conta com 2.000 amostras, coletadas desde 2005. Zanotto lembra que o VRSH é o principal microorganismo envolvido em casos de bronquiolite, “a quinta causa de mortalidade infantil no mundo”. Os estudos têm permitido uma perspectiva sobre a intrincada flutuação dinâmica do vírus dos tipos A e B e informando sobre o possível repertório de escape imune.

A hantavirose pulmonar vem se tornando um problema de saúde no País. Somente em 2007 foram notificados 884 casos, com uma taxa de 39% de mortalidade. A doença é provocada pela inalação do vírus no ar ou pelo contato com roedores contaminados. “Na última semana a RDGV teve um paper aceito no jornal Molecular Biology and Evolution no qual demonstra-se que os hantavírus evoluem a taxas muito elevadas de mutação”, conta Zanotto. Este achado, segundo o cientista, é intrigante e preocupante. “Ele explicaria o porque de somente nos últimos 50 anos termos observado a emergência de hantaviroses em humanos no mundo inteiro. Isto porque os dados sugerem que os hantavirus teriam começado a se espalhar recentemente (nos últimos 2 séculos) entre diversas espécies de roedores, que perfazem 2/3 dos mamíferos existentes, colocando os humanos em sério risco potencial e crescente.”

Até o momento, já foram investidos no projeto RDGV cerca de US$ 9 milhões para aparelhar a rede de laboratórios. O instituto virtual tem a coordenação científica do professor Paolo Zanotto. O professor Edison Durigon, também do ICB, é o responsável pela implementação laboratorial. “Ele teve um papel relevante além do “instituto virtual”, pois foi crucial para a montagem da rede brasileira de laboratórios de biosegurança de nível 3 (NB3) sendo criada pelo Ministério de Saúde”, ressalta Zanotto. O setor de relações institucionais da rede é de responsabilidade do professor Eduardo Massad, da Faculdade de Medicina da USP.

(Antonio Carlos Quinto- Agência USP – 26/03/2008)




MOÇAMBIQUE: Atitude exemplar

27 03 2008


Photo: Paola Roletta/PlusNews

Nem o HIV conseguiu derrubar a moçambicana Agustinha Cuamba, 30 anos.

Cuamba estava grávida do terceiro filho quando descobriu que era seropositiva. Não teve tempo para entrar em crise: começou a fazer o tratamento de prevenção vertical assim que recebeu o diagnóstico. Sua filha Chélzia, hoje com quatro anos, nasceu negativa.

Junto com a seropositividade, Cuamba teve que administrar crises familiares, lidar com ex-maridos pouco cooperativos e se desdobrar para sustentar as crianças. Mas nem por isso se lamenta.

“Costumo dizer que os filhos são só meus”, diz, bem-humorada.

Hoje sua seropositividade também ajuda outros a encontrar força. Cuamba se tornou activista do programa DREAM e fala sobre a SIDA com desenvoltura e coragem. Mas suas atitudes são os melhores exemplos de que a vida com o HIV é possível.

(PlusNews – 26/03/2008)





MOÇAMBIQUE: Descobri que era seropositiva quando estava grávida do meu terceiro filho

27 03 2008


Photo: Paola Roletta/PlusNews

Descobri que era seropositiva quando estava grávida do meu terceiro filho.

Não passava pela minha cabeça fazer o teste do HIV. Mas como a minha ficha tinha sido transferida para o centro de prevenção vertical, fui ao aconselhamento e explicaram-me da importância do teste.

Infelizmente o resultado veio positivo. Assim que soube do diagnóstico comecei o tratamento de prevenção vertical. Minha filha Chélzia nasceu negativa e é uma menina sã. Ela vai completar quatro anos em Outubro.

Eu já tinha dois filhos e levei-os a fazer o teste, com medo que eles também estivessem infectados. Graças a Deus deu negativo para ambos.

Eu continuo a fazer os controlos e até hoje não preciso tomar antiretrovirais.

Família em crise

Antes de viver em Maputo, vivia na Beira com o meu primeiro marido. Tínhamos um filho e quando fiquei grávida do segundo, no terceiro mês de gravidez, decidi divorciar-me.

O problema principal era os meus sogros. Não conseguia viver com eles. Decidi vir a Maputo onde vivia o meu irmão. Claro que ele não ficou muito contente da minha decisão porque eram mais bocas a alimentar.

Era impossível viver ouvindo queixas contínuas. Aluguei um quarto e arranjei um trabalho como doméstica. Depois fui trabalhar num hotel, mas mal a minha barriga havia crescido fui despedida.

Tive o meu bebé e foi mesmo complicado porque tinha pouca poupança. Mas lá me aguentei. Preparava chamussas para vender. E foi a minha salvação.

O meu primeiro marido nunca me deu um tostão para criar os nossos filhos. Não sei se por sorte ou azar, sempre fiz os meus pequenos negócios das chamussas. Mesmo quando vivíamos juntos, ele não participava nas despesas. Portanto a minha situação de divorciada não mudou a situação económica.

Ele nunca nos procurou, nunca telefonou. Os meus filhos perguntam por ele, mas o que posso fazer? Mesmo se o encontrasse não poderia forçá-lo a tomar conta dos filhos.

Tenho o exemplo do pai da minha filha mais nova. Ele vive aqui em Maputo. Mal soube que era seropositiva, abandonou-me. Não quis saber nada da filha: se está bem, se come, se se veste. Portanto costumo dizer que os meus filhos são só meus!

Tomo conta também de dois irmãos mais novos. Somos seis no total. Os meus pais morreram durante a guerra. A nossa família, que é de Inhambane, foi completamente dividida. Eu fui levada para a Beira por uma senhora que me queria ajudar. Levou-me junto de uma amiga dela, viúva, que me tratou como uma filha.

Novas perspectivas

Conheci a prevenção vertical quando fiquei grávida do meu terceiro filho. Foi uma surpresa porque nunca tinha tido ocasião de falar do HIV com outras pessoas. É verdade que tinha ouvido alguns programas no rádio ou na televisão, mas não me tinha preocupado do assunto.

Frequentei um curso de informática em 2005, poupando do meu salário. Sentia que devia melhorar a minha formação para ter um trabalho melhor. A “ginástica” financeira foi complicada, mas consegui e hoje uso esta competência no meu trabalho como activista do centro DREAM, na Matola II.

Desde que tenho um emprego regular, consegui comprar um terreno e estou a construir uma casa. Ainda só consegui acabar a cobertura de um quarto. E lá vivemos os seis. Mas pelo menos já não pago o aluguer e tenho algo de meu.

(PlusNews – 26/03/2008)