ANGOLA: Cervejas, pedicures e camisinhas

31 03 2008


Photo: Mercedes Sayagues/PlusNews
Sexo comercial também pode ser seguro

CABINDA, 31 Março 2008 (PlusNews) – Há nove quartos e 25 prostitutas em Belita, um bar e prostíbulo famoso no bairro Comandante Jika em Cabinda.

Os quartos são abafados, quentes e sórdidos – um colchão de espuma imundo, um pano estampado africano faz as vezes de lençol, embalagens vazias de preservativos debaixo da cama.

Durante a visita do PlusNews, as prostitutas eram jovens congolesas em busca de dinheiro rápido em Cabinda, enclave angolana rica em petróleo.

Desde 2001, quando a longa guerra civil angolana terminou, muitas pessoas dos vizinhos instáveis e pobres – a República Democrática do Congo (RDC) e o Congo-Brazzaville – cruzam as fronteiras porosas para Cabinda, diz Evaristo Lucas Kanica, coordenador de um projeto de prevenção da SIDA da Cruz Vermelha na cidade até o ano passado.

Dinheiro e homens é o que não falta em Cabinda – trabalhadores da indústria petrolífera, camionistas, comerciantes e cerca de 60 mil soldados e policiais baseados no enclave, que abriga um movimento rebelde pela autonomia.

Com uma população de 350 mil, a seroprevalência em Cabinda é de pouco menos de três por cento, mas a segunda maior do país.

Cervejas e pedicures

São duas da tarde. O sol bate sobre um depósito de lixo enorme e fétido nos arredores de Belinda, mas o bar está escuro e fresco.

Com os olhos vermelhos, sonolentas, em diversos graus de bebedeira e consumo de maconha, as prostitutas conversam com o PlusNews.

Elas falam em Lingala e Kikongo, línguas faladas nos Congos, um pouco de francês se tiverem ido à escola em seus países, e palavras em português aprendidas no trabalho.

“As prostitutas angolanas fingem que não trabalham nos bordéis; elas enviam as raparigas congolesas para conversar conosco. Elas são mais abertas e falam sem problemas. Elas sabem pouco sobre SIDA e preservativos, mas têm vontade de aprender”, diz Kanika.

O movimento é fraco no começo da tarde. As mulheres jogam cartas, bebem cerveja Primus, fazem penteados, manicures e pedicures no pátio.

O Belita, batizado com o nome de sua falecida proprietária, uma antiga prostituta que enriqueceu e casou, é básico – pintura turquesa descascada nas paredes, chão sujo, cheiro de cerveja velha e suor – mas vibrante.

Stephanie*, 28 anos, explica que paga 200 kwanzas (US$ 1.3) por dia para usar um quarto e tem de 10 a 15 clientes por dia, a mil kwanzas (US$ 13) cada. Em um dia bom, ela ganha até US$ 180. Seu objectivo é economizar e abrir um comércio. Ela não faz sexo sem preservativo.

A prostituta mais popular, segundo Manel*, gerente do Belita, é Yvette*, 19 anos, chegada há três meses. Ela pode cobrar cinco vezes mais que as colegas, e consegue enviar, diz, até US$ 100 por mês a família na RDC.

Em lugares frequentados por homens de negócios e da indústria petroleira, uma profissional de sexo pode cobrar US$ 80 por cliente. Em outros lugares, diz Kanika, o sexo sem preservativo custa mil kwanzas (US$ 13); sem preservativo, 2 mil (US$ 26).

“Os homens vêm de dia e de noite, em todas as horas, entram e saem”, diz Kanika. “Soldados ficam baseados por dois meses; eles saem de férias para aproveitar a vida, eles vão aos bares e apenas saem de lá quando acaba o dinheiro.”

Em três meses, uma rapariga pode economizar até US$ 500 – uma quantia enorme nos seus países. Elas são recrutadas informalmente através de amigas. A maioria é autônoma, mas geralmente arruma um namorado angolano para ajudá-las a gastar dinheiro.

A polícia também as faz gastar dinheiro, assediando-as por causa de vistos vencidos. Durante a visita do PlusNews, a chegada de uma mulher foi calorosamente comemorada. Ela havia sido presa na véspera numa batida, pagou uma propina de 5 mil kwanzas (US$ 66) e voltou ao trabalho.

''Soldados saem de férias para aproveitar a vida, eles vão aos bares e apenas saem de lá quando acaba o dinheiro''

Nova pesquisa

Um estudo feito em 2001 entre 750 profissionais em Luanda revelou uma seroprevalência nesse grupo de 33 por cento, contra uma média nacional de menos de três por cento.

Uma nova pesquisa de seroprevalência, conhecimento sobre infecções e o grau de utilização de camisinhas entre trabalhadoras do sexo nas províncias de Luanda e Cabinda em 2005 será divulgado este ano pelo Instituto Nacional de Luta contra a SIDA (INLS).

O novo estudo ouviu 998 profissionais em Luanda e 367 em Cabinda. As que autorizavam eram testadas para HIV, sífilis e hepatite, explicou Marques Gomes, chefe do Departamento de Vigilância Epidemiológica do INLS.

Vender sexo em Luanda

A 480 km de Cabinda, na capital, Luanda, no prostíbulo do bairro periférico de Kilamba Kiaxi, o expediente começa cedo de manhã, às oito horas. As mulheres que trabalham ali em geral vêm de bairros distantes, para evitar ser reconhecidas.

Quando chega um cliente, paga-se no caixa e retira-se uma ficha que dá direito a um quarto com uma cama de casal e uma bacia de água. O programa custa 1000 kwanzas (US$ 13,5) sem preservativo, e 500 kwanzas (US$ 6,7) com preservativo. Metade do valor é para o prostíbulo, e a outra metade para a mulher.

O prostíbulo fecha às 17 horas. As mulheres casadas, que dizem ao marido que trabalham no mercado, vão para casa. Outras continuam o trabalho em pensões, bares e discotecas.

Uma vez por semana, a rotina é quebrada com a visita de activistas da organização não-governamental SCAM, para falar sobre saúde sexual com as profissionais e seus clientes.

A conversa não pode demorar mais do que meia hora porque as mulheres precisam trabalhar. A visita é esperada porque os visitantes levam camisinhas – 50 por semana para cada profissional, que atende, em média, sete clientes por dia.

“Quando não levamos, elas cobram”, conta António Maquiadi, activista na SCAM.

Mas para Luinda Isabel, conselheira no centro de testagem de HIV no Sanatório de Luanda, que fica nas proximidades, a resistência das vendedoras de sexo ao teste ainda é muito grande. Segundo Isabel, as trabalhadoras têm medo do resultado positivo, de ser discriminadas e perder clientes.

A conselheira conta que já houve casos de mulheres a tentarem comprar um resultado negativo por US$ 300.

Armas e camisinhas


Photo: Mercedes Sayagues/PlusNews
Quarto sórdido para sexo rápido

De volta ao Belita, Manel diz que apóia o programa da Cruz Vermelha: “Aqui, armas são proibidas e camisinhas obrigatórias”.

Manel senta perto da porta que leva do bar aos quartos, a dar camisinhas da Cruz Vermelha, e a receber dinheiro.

O sol ainda está alto lá fora, mas os clientes em uniforme já começam a chegar.

Três mulheres vão para a pista de dança. Outras vão buscar baldes de água para suas toilettes. Stephanie está a fazer uma pedicure no quintal. Nana traz seu filho de 10 anos para tirar uma foto.

Estoura uma briga por causa de uma dívida: trocam-se tapas, gritos e palavrões. As mulheres que estão assando frango e peixe no ingresso do Belita observam sem interesse.

Um soldado com roupa camuflada paga Manel e vai para um quarto com Yvette. Dez minutos depois ele sai, fechando o zíper da calça. Uma hora e várias cervejas depois, ele escolhe outra mulher, paga Manel e desaparece dentro de um dos quartos.

Uma tarde como qualquer outra no Belita.

* nome fictício

(PlusNews – 31/03/2008)





Milhares de crianças da Guiné exploradas nas ruas de Dacar

31 03 2008

Vão para o Senegal estudar o Corão, mas acabam por ser escravizadas pelos marabouts. Em Dezembro, Osman e Aladje conseguiram fugir.

Os relatórios da Unicef indicam que 90 por cento das crianças pedintes no Senegal estão em Dacar para estudar o Corão

Não há rasgo nenhum de alegria no olhar de Osman; um olhar cravado numa expressão demasiado séria para os seus 12 anos. Aladje é um pouco mais velho. Não sorri e também o seu olhar se esquiva. Porém, segundo um familiar, “comparado com o dia em que chegaram, não há aqui tristeza nenhuma”.
O dia em que Osman e Aladje chegaram a Bissau, vindos do Senegal, foi em Dezembro. No corpo, traziam pouco mais de uma peça de roupa, autênticos trapos por cima dos seus corpos magros, quase doentes. Preferiam esquecer o que deixaram para trás na noite em que fugiram da casa do mestre corânico, perto de Dacar. Saíram sem medo, parecem querer dizer. Pois era do medo que se libertavam.
Osman tem os olhos pregados no chão de areia em volta da casa onde mora no bairro Plack 2, à saída de Bissau. Os primeiros anos da infância foram passados numa aldeia perto de Bafatá, no Leste da Guiné. Depois foi entregue a um mestre corânico (marabout) perto de Dacar, no Senegal, para estudar o Corão. Lembra-se mal do pouco tempo dedicado à aprendizagem do Corão; uma, ou talvez duas horas por dia. E quase sempre de madrugada.
O dia era sobretudo passado a mendigar nas grandes rotundas da capital senegalesa, explica tímido. E quando não trazia os 500 francos exigidos pelo marabout – a quantia exigida aumenta consoante a idade – era castigado. Os mais velhos agarravam-lhe os braços, enquanto era “batido” pelo mestre corânico. Aconteceu “várias vezes”. A ele como a todos os outros meninos.
A cara da mãe de Aladje ilumina-se quando fala do reencontro com o filho. Não estava de acordo, quando o pai, hoje falecido, “impôs a sua decisão” e o entregou, de entre seis filhos, ao mestre corânico. Esta é uma tradição enraízada no meio rural essencialmente em famílias de etnia fula; uma tradição de várias gerações em todo o Leste da Guiné-Bissau, onde se concentram a maioria dos muçulmanos que constituem cerca de 40 por cento da população do país.
A religião como um dever
“Nas sociedades islâmicas da África Ocidental, os pais consideram, de forma geral, que a educação religiosa das suas crianças é um dever importante”, lê-se no relatório Crianças Pedintes na Região de Dacar, de Novembro de 2007, elaborado pela Unicef, Organização Internacional do Trabalho (OIT) e Banco Mundial.
Nos últimos dez anos, porém, o ensino do Corão no Senegal passou a servir, na maioria dos casos, (não em todos), para encobrir um “tráfico” de crianças de vários países da região, a maioria da Guiné-Bissau, mas também Mali, Guiné-Conacri, Gâmbia, acrescenta Laudolino Medina, secretário executivo da Associação dos Amigos da Criança (Amic) da Guiné-Bissau. Para ele, “esta é a escravatura dos tempos modernos”. A Unicef acrescenta que das milhares de crianças pedintes no Senegal 90 por cento são “talibés” (que significa alunos do Corão).
O fenómeno teve especial atenção no fim de 2007, quando, em Novembro, foram interceptados dois grupos de crianças que estavam prestes a atravessar a fronteira, acompanhadas por familiares ou intermediários. Uns e outros muitas vezes confundem-se. Os casos foram noticiados. Os suspeitos, presos, foram entretanto libertados.
Como Osman e Aladje, também Semba regressou recentemente por iniciativa própria a Bissau. Tinha 14 anos quando foi enviado pela mãe, há dois anos. Tem uns grandes olhos em forma de amêndoa, veste umas calças brancas e uma camisa vermelha, que lhe dão um ar impecável, de quem se cuida e vive bem, como qualquer miúdo a terminar o liceu. Mas não. Depois do tempo perdido em Dacar, recomeça com dificuldade a escolaridade interrompida, quando, atraído pela ideia de estudar o Corão em Dacar, escolheu seguir os passos do irmão mais novo. Com ele viviam dezenas de outras crianças num grande recinto, que era a residência do marabout, conhecido por “Alpha Mouniro”, um guineense há muito tempo a viver no Senegal.
Quantas dessas crianças eram guineenses? “Todas”, alguém traduz, enquanto Semba continua, entre o crioulo e o fula: “Essas crianças dormem no chão, vivem muito mal. Um dia, não aguentam e fogem.”
Laudolino Medina, da Amic, completa as partes inacabadas de uma reconstituição difícil de fazer. Longe da família, no Senegal, Semba desabituou-se do crioulo. Mas parece estranhar ainda mais ouvir alguém traduzir a sua história para português.
A sua família vive do pequeno comércio. A mãe vende mancarra (amendoim) e açúcar, em casa. “A maior parte dos familiares destas crianças são extremamente pobres. Os marabouts enriquecem à custa delas”, diz Laudolino Medina.
É difícil saber quantas crianças estão nesta situação, que, segundo a Unicef, “as expõe às doenças e aos acidentes”, por viverem numa “precariedade extrema”, sem acesso à escola ou aos cuidados básicos de saúde, mas também sujeitas a “vários tipos de violência”.
O investigador guineense e autor do estudo Tráfico de crianças na Guiné-Bissau, de 2007, Leonardo Cardoso, não avança números absolutos. Mas estima que haja pelo menos quatro a cinco mil crianças guineenses nesta situação no Senegal e acrescenta que há tabancas (aldeias) do Leste da Guiné de onde saem 40 ou 50 crianças por ano. Também ele considera que este fenómeno se explica pelo “agravamento do nível de pobreza nos dois países”, em parte explicado pela desvalorização da moeda comum, o franco CFA. Uma pobreza que contrasta com a riqueza dos marabouts, que agora “têm carros, boas casas, televisões”, diz.
O chefe de família que agora recebe Osman, Aladje e Semba acolhe outras crianças na mesma situação. Também se chama Semba. Escolheu como apelido “Portugal”, onde viveu alguns anos. É imã deste bairro, que junta cerca de 60 mil pessoas. Muçulmano devoto, estudou o Corão há 20 anos em Gabu, no Leste da Guiné-Bissau. Diz não haver qualquer justificação para o aproveitamento da situação para fins lucrativos por parte de alguns marabouts. Não todos, frisa. O ensino do Corão deve ser apoiado na Guiné-Bissau para evitar que as crianças partam para o Senegal com esse fim, defende.
Este problema tem aumentado, pela “pobreza generalizada” em que vivem muitas famílias guineenses. Mas também por uma “perda de valores”, acrescenta na mesma conversa Laudolino Medina. “Assiste-se a uma transgressão de normas e valores culturais, com a pobreza.” E conclui: “No caso da Guiné-Bissau, com a instabilidade, muitas famílias que fugiram do conflito de 1998 e 1999 e se instalaram no Senegal ficaram lá. Encontraram como alternativa para a sua sobrevivência pôr as crianças nos centros corânicos.”
O PÚBLICO viajou a convite da Cooperação Portuguesa

“O que se passa é um atentado aos direitos das crianças”

Leonardo Cardoso é historiador, investigador em Ciências Sociais do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa (INEP) de Bissau e autor do estudo Tráfico de crianças na Guiné-Bissau elaborado a pedido da Organização Internacional para as Migrações (OIM) em Maio de 2007.
Como descreve a situação das crianças “talibés” que vão parar à mendicidade nas ruas de Dacar?

É uma situação absolutamente deplorável, porque efectivamente grande parte das crianças que vão para o Senegal levam uma vida extremamente dura. São exploradas e maltratadas. O que se passa é um atentado aos direitos mais elementares dessas crianças. Mas é importante dizer que nem todas as crianças “talibés” estão sujeitas a estes males. O próprio termo “talibé” significa “aluno”. Esta é uma tradição com raízes muito antigas. Existem escolas corânicas que têm uma longa tradição e são muito reputadas. Há relações de parceria entre escolas corânicas na Guiné-Bissau e no Senegal. Antigamente, saíam crianças de algumas escolas da Guiné-Bissau, porque havia afinidade entre mestres corânicos dos dois países. Não havia então qualquer objectivo de exploração. E as crianças iam de facto para aprender o Corão.
Quando começou a haver exploração?
É um fenómeno recente de há uma dezena de anos, mas está a piorar. No âmbito da aprendizagem do Corão, os “talibés” devem sujeitar–se a algum sofrimento para serem homens amanhã. O que acontece é que os marabouts [mestres corânicos] aproveitam isto para obter rendimento. E reprimem as crianças, quando estas não reúnem os montantes exigidos. Essas crianças são obrigadas a passar o tempo quase todo a mendigar. É aí que aparece o fenómeno da exploração e que se começa a deturpar a base da razão e do objectivo do envio das crianças.
A quem podem ser atribuídas responsabilidades?
Há implicação de quem envia as crianças e, na maioria dos casos, quem as envia são familiares. Não os pais biológicos, mas aqueles que ficam com elas, quando, por exemplo, o pai morre. São os pais adoptivos ou os tios. Nas sociedades islamizadas e sociedades fulas da Guiné-Bissau, os tios têm habitualmente uma grande influência na família. E, quando o pai morre, a mãe, viúva, é recebida em herança por um irmão do marido. Muitas vezes com a pressão deste, a mãe cede e assim se desenrola o processo. Quem acompanha, em grande parte dos casos, são esses familiares. Quem leva é normalmente quem autoriza. Mas depois há quem deixa passar na fronteira. E tudo leva a crer que há situações de subornos nas fronteiras, apesar de, muitas vezes, a transposição de fronteiras não se fazer nos pontos de passagem oficiais. E de as próprias autoridades estarem desprovidas de meios para controlar a situação. Por outro lado, há uma certa cumplicidade entre famílias de aldeias muito próximas de um e de outro lado da fronteira que facilita a passagem das crianças.
O que podem as autoridades de Bissau fazer para travar este fenómeno?
Tem havido uma certa intervenção e algumas diligências, mesmo a nível das embaixadas, mas que pode ser insuficiente. Deviam ser elaborados programas de apoio às crianças, porque nem sempre são bem acompanhadas e reintegradas nas famílias. O Estado também deve ser encorajado a aprovar uma legislação que preveja medidas punitivas severas para os traficantes e os agentes policiais envolvidos.

(Ana Dias Cordeiro (textos) e Nuno Ferreira Santos (fotos), na Guiné/Público – 31/03/2008)




Três olhares sobre a Aids

31 03 2008

Dirigido por Thom Fitzgerald, o filme Unidos pelo sangue (3 Needles, Canadá, 2005) traz diversas visões sobre a Aids e o impacto da doença em três países de diferentes continentes. Uma das tramas ocorre no Canadá, com o jovem ator Denys (Shawn Ashmore), que trabalha em filmes pornô mesmo sabendo que é soropositivo.

Na China, a jovem gestante Jin Ping (Lucy Liu) comercializa sangue sem a devida autorização, sendo que a coleta é feita em condições duvidosas, pondo em risco toda uma população. Já na África do Sul, a noviça Clara (Chloë Sevigny), juntamente com as freiras Mary (Sandra Oh) e Hilde (Olympia Dukakis), tentam converter os portadores do HIV ao Catolicismo, mas logo Clara percebe que o mais importante é prestar ajuda aos doentes.


(Comuni Web - 30/03/2008)





Entre eles e elas

31 03 2008

CORAÇÃO ABERTO Daiene diz que se apaixona por pessoas, independentemente do sexo

Eles não são necessariamente afeminados, nem elas, masculinizadas. Não gostavam de jogar bola e brincar de boneca ao mesmo tempo, não usavam roupas do sexo oposto, mas, desde cedo, gostavam de meninos e meninas. Hoje, em vez de disputarem pretendentes com pessoas do mesmo sexo, incluem os “rivais” nas possibilidades de relacionamento, ampliando em 50% a chance de um encontro com a almejada cara-metade. “Os bissexuais têm o comportamento igual ao de qualquer pessoa do mesmo sexo que seja heterossexual. A diferença está apenas no desejo sexual”, explica a ginecologista e terapeuta sexual Glene Rodrigues. O tema polêmico voltou à arena dos debates nacionais depois que Marcelo Arantes, 31 anos, participante do último Big Brother Brasil, assumiu ser bissexual e Thatiana Bione, 20, que também participou do programa, revelou já ter beijado mulheres.Mas a pluralidade no desejo vem acompanhada de um alto preço: o preconceito. Os bissexuais são alvo de críticas de todos os lados. Os heterossexuais os responsabilizam pela transmissão da AIDS e os homossexuais os acusam de camuflarem a verdadeira opção GAY e enfraquecer a luta por direitos iguais. “Não existe bissexualidade pela psicologia. As pessoas que se dizem bi são, na verdade, homossexuais que não têm coragem de se assumir”, afirma o psicólogo e especialista em sexologia Arnaldo Risman. “A maioria dos bissexuais são gays que se protegem do preconceito e raramente se engajam na causa GLS”, acusa o fundador do Grupo GAY da Bahia, Luiz Mott. PRECOCE Felipe, 18 anos, namora meninos e meninas desde os 11 A polêmica sobre se a bissexualidade existe é falsa para quem sente atração por homens e mulheres. “É como obrigar alguém a escolher entre pessoas loiras ou morenas. Não se pode gostar dos dois?”, questiona o ator e modelo Felipe Defall, 18 anos, que namora garotos e garotas desde os 11 anos. “É simples. Nós nos apaixonamos por pessoas, sem rótulos. O sexo é apenas uma questão secundária”, resume a professora de educação física Daiene Cruz Mercado, 25 anos.Na maior pesquisa sobre sexualidade brasileira, coordenada por Carmita Abdo, do Projeto Sexualidade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, 3,1% das mulheres se declararam homo ou bissexuais. Entre os homens, 3,9% afirmaram ter práticas homossexuais e 4,7% bissexuais. No total, foram ouvidas 2.835 pessoas, em 2001, em seis capitais e algumas cidades paulistas. A crescente contaminação de mulheres casadas pelo HIV também jogou luz sobre os homens bissexuais ocultos. Estima-se que 80% delas tenham sido infectadas pelos maridos que, paralelamente, mantinham relação com homens. NA TEVÊ O big brother Marcelo assumiu ser bi no programa Nem uma relação monogâmica de longo prazo é motivo para questionar a bissexualidade, segundo uma pesquisa de janeiro passado da Universidade de Utah (EUA). De acordo com o estudo, 89% das mulheres bissexuais mantêm a orientação sexual mesmo quando envolvidas em uma relação estável com um único parceiro. “A sociedade caminha para um modelo único de relacionamento na medida em que o homem perde características tipicamente masculinas e a mulher absorve estas características”, explica o pesquisador e médico italiano Umberto Veronesi, estudioso da sexualidade humana. “O prazer com os dois sexos é a evolução natural da espécie humana”, aposta.Mas, apesar do desejo duplo, os bissexuais costumam ter preferências. Em geral, elas tendem a rejeitar os machões e não resistem aos tipos sensíveis, companheiros e que gostam de discutir a relação. Eles, por sua vez, evitam mulheres frágeis, preferindo as mais fortes e determinadas. “Com as muito sensíveis, a gente tem de ter mais cuidado com o jeito de falar. Os homens são mais desencanados”, opina Ajams Smytt, 20 anos. O funcionário público Rodrigo Santana conversa abertamente sobre a sua bissexualidade com a esposa, sua parceira há cinco anos. “Ela sabe que já tive um namorado e, quando saímos, admiramos juntos os homens bonitos”, conta ele, que diz ter encontrado nela a parceira ideal para viver seus desejos sexuais na plenitude.BISSEXUAIS HISTÓRICOSAo longo dos anos, não faltaram exemplos de personalidades que assumiram gostar de ambos os sexos:  Alexandre, o Grande O rei da Macedônia, conhecido pela sua virilidade e bravura, teria se apaixonado por Hephastion, um amigo de infância com quem manteve uma relação de anos. Mas nunca deixou de se relacionar com mulheres, entre elas a princesa Roxane, da Pérsia.  Frida Kahlo Apesar da paixão pelo seu marido, Diego Rivera, e do envolvimento com León Trotsky e o poeta André Breton, a pintora mexicana se relacionou com as atrizes Dolores Del Rio, Maria Felix e Paulette Goddard e a artista plástica Georgia O’Keeffe. Simone de Beauvoir

Na obra O segundo sexo, a escritora fala abertamente da sua bissexualidade e das relações que mantinha com as alunas. Ela defendia os triângulos amorosos e se relacionava com o filósofo Jean-Paul Sartre, com quem compartilhava amantes.

(Carina Rabelo/Isto É- 30/03/2008)




Exploração sexual : Traficante de raparigas responde em Tribunal

31 03 2008

O JULGAMENTO da principal suspeita no tráfico de raparigas de Maputo para exploração sexual na África do Sul tem início hoje, em Garfonteim, Pretória, onde a mulher, supostamente de nacionalidade moçambicana, embora possua passaportes de outros países e com nomes diferentes, se encontra sob custódia policial.

Entretanto, a Rede da África Austral contra o Tráfico e Abuso de Menores (SANTAC) manifesta o seu repúdio perante aquilo que considera de falta de respeito e protecção às crianças, fenómeno que nos últimos tempos se tem manifestado sobretudo na forma de violência física, psicológica, exploração laboral e sexual, dentro e fora do país, com impunidade.

Através de um comunicado de Imprensa enviado à nossa Redacção, o Secretariado Executivo da SANTAC exige dos parlamentares moçambicanos e sul-africanos a adopção imediata de leis específicas contra o tráfico humano, para o devido e efectivo tratamento legal de casos como o mais recente em Moçambique.

Para além do ponto de vista legal, este organismo regional exige que algo seja feito em relação às vítimas deste mal. “Como país de destino, a África do Sul deve cumprir de imediato com as suas responsabilidades de proteger as vítimas, garantindo-lhes um abrigo seguro, assistência médica e tratamento psico-social, bem como condições para que possam continuar com os seus estudos na África do Sul até recuperarem do trauma e serem expatriadas voluntariamente, caso haja condições para a sua integração nos seus locais  de origem”, indica o documento.

Moçambique e África do Sul ratificaram o Protocolo das Nações Unidas para a Prevenção, Supressão e Punição  em casos de tráfico humano. É à luz deste protocolo que a SANTAC exige  do Governo sul-africano indemnização às vítimas.

De entre os vários posicionamentos, a rede regional é pela necessidade de adopção urgente de políticas comuns sócio-económicas pelos países da SADC, de modo a evitar que as crianças dos países mais desfavorecidos na região sejam as maiores vítimas de exploração laboral e sexual durante  a integração regional prevista para 2015.

Entretanto, o denunciante deste caso disse recentemente, em entrevista à Televisão de Moçambique, que a Polícia conhece e tem informação, incluindo imagens, sobre as redes  de traficantes e suas ramificações dentro e fora da África do Sul. Aliás, segundo ele, durante o processo de investigação sobre este caso descobriu-se que se estava perante um sindicato internacional e que uma das crianças já tinha um passaporte pronto para a sua transferência para a França.

(Notícias – 31/03/2008)




Desviar a rota de quem “já está na fronteira” do mundo da droga

31 03 2008

Não veio por causa do haxixe fumado à socapa – fumou um só charro, para experimentar. Veio porque parece caminhar para um buraco. Falta às aulas. Quando não falta, porta-se mal. Às vezes, até sai a meio. Não possui uma teoria apurada sobre esta atitude que repete, repete, repete. Encolhe-se na cadeira: “Não gosto das aulas.” Ela tão grande, já com 14 anos, e os outros tão pequenos, ainda com dez ou 11. E os pais? “Os pais não dizem nada.”
Os pais nada podem dizer – ele já morreu, ela vê-a de 15 em 15 dias. Mas há no lar que a acolhe quem muito lhe diga “que vá, que não falte”. Impotente, esse alguém encaminhou-a para o Projecto Integrado de Apoio à Comunidade, uma iniciativa pioneira da Delegação Regional do Norte do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT) destinada a crianças e jovens em risco.
Enquanto, lá em baixo, no rés-do-chão, decorre a consulta dela, cá em cima, no primeiro andar, o delegado regional, Adelino Vale Ferreira, e a coordenadora do projecto, Albina Sousa, libertam alguns detalhes. Um e outro usam a expressão “prevenção indicada”: a dirigida a quem ainda não entrou no mundo das drogas, está ali, “na fronteira” – “pode até já ter iniciado os consumos, só que não é toxicodependente”.
Diana (nome fictício) corresponde ao perfil. Está a repetir o 5.º ano e já antes reprovara três vezes. Cada retenção alarga a distância que a separa dos colegas de turma. É como se aquele lugar já não lhe pertencesse. Junta-se aos mais velhos, “que às vezes nem escola fazem, que querem é divertir-se”, fumar uns charros, namoriscar. Valoriza muito, demasiado, quem com ela passa as horas roubadas às aulas.
Há jovens que precisam de aconselhamento e jovens que precisam de acompanhamento – consulta de psicologia e/ou de psiquiatria. Há pais necessitados de informação e de orientação para lidar com situações de crise e há pais necessitados de terapia. Há instituições, sobretudo escolas inseridas em contextos problemáticos, aflitas. O projecto procura actuar nas diversas frentes, como um todo.
“Não havia um serviço destes” e o delegado regional inquietava-se com o que se lhe afigurava ser uma “grande lacuna”. Não é que fosse o grau zero, que existisse rigorosamente nada. “Já existia uma consulta dirigida a não toxicodependentes”, salientaria, já fora daquele espaço, o presidente do IDT, João Goulão. Só não havia uma resposta “tão estruturada, tão sólida”.

Recurso de retaguarda
Desconfiado de “respostas parciais, dispersas, fragmentadas”, Adelino Vale Ferreira quis incorporar a interdependência dos vários factores de risco, afastar-se da estratégia centrada na substância consumida, avançar para a intervenção do indivíduo inserido na comunidade. “Não nos vamos sobrepor [às organizações que operam no terreno], vamos complementar [o seu trabalho]“, enfatiza Albina Sousa. Isto será, por exemplo, “o recurso clínico que lhes faltava na retaguarda”.
O Projecto Integrado de Apoio à Comunidade contempla uma vertente de formação a agentes que trabalham com crianças e jovens em risco e até um espaço de consultadoria e apoio técnico (no planeamento, na execução e na avaliação) a instituições. Esta é uma forma de dar “um suporte científico” ao trabalho desenvolvido na região. Albina Sousa dá o exemplo do psicólogo da escola que “se sente muito só”. Outro exemplo é o do professor que cai numa turma mais turbulenta e carece de estratégias para captar os alunos, envolver as famílias. A EB 2.3 Dr. Leonardo Coimbra (filho), uma das escolas mais problemáticas do Porto, “já pediu para ir lá uma equipa fazer prevenção indicada”.
Diana é trazida por uma psicóloga do lar que a acolhe. Não percebe o apoio psicológico que esta lhe dá lá dentro como tal. É como se deslocar-se ali, à delegação regional do IDT, servisse para sacralizar o apoio. Talvez o estar ali, fechada, naquela sala de pé-direito impressionante, com uma técnica que só vê na consulta, facilite a construção de relação de confiança que precisa para a sua terapia.
Olha-se para ela toda encolhida na cadeira, a vislumbrar o futuro: “Quero ser empregada de mesa, é o meu sonho.” O que a atrai naquela carreira? “Sei lá! Gosto. Uma colega minha, a Marina, tem-me contado as coisas que faz e eu acho engraçado.” Marina, a amiga, fez um curso específico. Diana terá de ter o 6.º ano para nele ingressar. E para ter o 6.º ano terá de ir às aulas, de estudar. “O discurso faz sentido para ela, só que ela sente-se incapaz de o pôr em prática”, comenta quem a traz.

Projecto já abrange 26 concelhos
Há outras zonas do país que ambicionam avançar

O Projecto Integrado de Apoio à Comunidade abrange 26 concelhos da região norte. A unidade é constituída por uma equipa multidisciplinar, dependente do delegado regional do Norte do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT), Avelino Vale Ferreira, e do núcleo de apoio técnico. “Os colegas querem introduzir isto noutras áreas geográficas”, orgulha-se a coordenadora do projecto, Albina Sousa. Estão ambos animados, embora conscientes de que este projecto, como qualquer outro, não é uma panaceia. Simplesmente tenta funcionar em rede, trocar uma lógica passiva (esperar que alguém venha ao IDT) por uma lógica activa (os técnicos deslocam-se, por exemplo, às escolas). Uma parceria com o Departamento de Comportamento Desviante da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto e outra com o Departamento de Psicologia da Justiça da Universidade do Minho irá garantir formação contínua à equipa.

(Ana Cristina Pereira/Público – 31/03/2008)




Grávidas agredidas têm bebés prematuros

31 03 2008

Têm menos de 25 anos, pouco mais do que a 4.ª classe e, na grande maioria dos casos, uma gravidez não planeada. O perfil das grávidas vítimas de violência doméstica foi traçado por um estudo nacional que determinou que quase uma em cada quatro (24%) mulheres vítimas de agressão física durante a gestação teve um bebé antes das 37 semanas. Um valor muito superior aos 8% de partos prematuros contabilizados em grávidas que não viveram a experiência da violência.

O trabalho, realizado por investigadores do Porto, mereceu honras de publicação na revista ‘American Journal of Obstetrics & Gynecology’. Os resultados, que tiveram por base inquéritos feitos a 2660 futuras mamãs, levados a cabo entre 1999 e 2000, surpreenderam – avança ao CM Teresa Rodrigues, ginecologista e obstetra do Hospital de São João e uma das responsáveis pelo estudo. “Não estávamos à espera de encontrar quase 10% de violência doméstica entre as grávidas e muito menos um risco três vezes superior de partos prematuros entre as gestantes vítimas de agressões físicas.”

Mas há mais. O estudo encontrou ainda uma relação entre as agressões durante a gravidez e a ocorrência de nascimentos de bebés pequenos para a idade, assim como hemorragias vaginais nos primeiro, segundo e terceiro trimestres. “Ou seja, parece que a violência se relaciona com vários resultados menos bons.”

No entanto, sabe-se ainda pouco sobre os factores de risco do parto pré-termo e menos ainda sobre aqueles que se pode modificar. “Foi para os procurar e associar aos factores sociais que decidimos fazer este trabalho”, explica a médica, um dos elementos de uma equipa de três, composta ainda por um epidemiologista e uma assistente social da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e do Hospital de São João, também na Invicta.

Os números mostram uma tendência para a estabilização do número de partos antes do tempo, mas com todos os cuidados pré-natal e com o acompanhamento médico a que são submetidas as grávidas este é, defende a especialista, “um mau resultado”.

RISCOS PARA A SAÚDE A LONGO PRAZO

Dificuldades cardíacas, neurológicas, anemia e retinopatia são apenas alguns dos problemas que os bebés prematuros têm de enfrentar quando nascem. No entanto, as consequências de nascer antes das 37 semanas prolongam-se muitas vezes pela infância e adolescência, traduzindo-se num aumento da mortalidade, diminuição da capacidade reprodutiva e dificuldade na aprendizagem. De acordo com uma equipa de cientistas noruegueses e norte-americanos, que analisou os partos prematuros (5,2%) entre 1,1 milhões de nascimentos, os bebés pré-termo apresentam um maior risco de doenças crónicas e mortalidade a longo prazo. Para além disso, quanto menor a idade gestacional dos jovens maior o risco de não alcançarem o ensino Secundário e menores as probabilidades de conseguirem fazer uma licenciatura.

ABUSOS FÍSICOS DURANTE A GRAVIDEZ

50% das mulheres maltratadas foi agredida mais de três vezes durante a gravidez.

57,6% referiu a estalada ou o empurrão como o acto de violência mais grave sofrido no decorrer da gestação.

42,4% referiu incidentes mais graves.

39,3% da mulheres foram agredidas com murros, pontapés, sofreram hematomas, cortes e/ou dor prolongada.

3,1% foram espancadas, tiveram ossos partidos, traumatismos internos na cabeça e/ou ferimentos permanentes.

PERFIL DA MÃE AGREDIDA

44% tinha menos de vinte anos

75,5% vivia com o pai da criança

52,9% tinha o ensino Básico

56,4% vivia com 600 euros de rendimento familiar

81,3% não teve uma gravidez planeada

6,6% consumiu drogas ilícitas durante a gravidez

27,6% fumava

PARTOS PREMATUROS EM PORTUGAL

O número de bebés que nascem antes do tempo, ou seja, antes das 37 semanas de gestação, tem sofrido oscilações ao longo dos anos. O maior aumento foi de 2005 para 2006.

2000: 5,9%

2001: 5,6%

2002: 6,4%

2003: 6,9%

2004: 6,8%

2005: 6,6%

2006: 7,9%

Fonte: Instituto Nacional de Estatística 

(Correio da Manhã – 30/03/2008)




Violência sem trégua

31 03 2008

Um grupo de mulheres vítimas da violência nas relações conjugais optou pela gravidez com a expectativa de que os filhos consolidassem a família, garantindo maior segurança na vida conjugal.Mas, segundo a tese de doutorado Vozes do silêncio: estudo etnográfico sobre violência conjugal e fertilidade feminina, defendida no Instituto Fernandes Figueira, unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no Rio de Janeiro, nos casos analisados a “estabilidade” no casamento após o nascimento das crianças não ocorreu e, pior, muitas vezes acabou expondo a mulher a riscos ainda maiores.

A autora do trabalho, Corina Mendes, do Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas da Fiocruz, entrevistou, durante um ano, 85 mulheres no Centro Integrado de Atendimento à Mulher (Ciam), serviço do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher que presta atendimento psicossocial e jurídico a vítimas de violência.

A pesquisadora traçou a trajetória dessas mulheres com o objetivo de avaliar as implicações da violência conjugal em suas vidas reprodutivas. “Ainda que elas tenham uma forte percepção de que o amor possa reparar os danos causados pela violência, o trabalho nos mostra que a gravidez não as protege”, disse à Agência FAPESP.

“Para a maioria, a decisão de engravidar foi tomada como uma experiência reparadora do relacionamento violento, mas essa expectativa de proteção não correspondeu, em nenhuma delas, a um novo padrão de relação após a gestação”, explicou.

Em alguns casos houve mudanças temporárias no padrão de comportamento. “Mas, de modo geral, a gravidez não só não alterou as práticas violentas como também fez com que algumas mulheres experimentassem sentimentos de vulnerabilidade ainda mais intensos. O agressor passou a dirigir a agressão a dois focos: à mulher e à própria gravidez”, disse a psicóloga, que também trabalha na Assessoria de Prevenção de Acidentes e Violência da Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro.

Corina constatou que a idealização da família de origem dessas mulheres, ou seja, o fato de muitas delas não terem vindo de um ambiente familiar consolidado e terem passado por experiências de desamparo, teve grande influência na decisão de engravidar.

Segundo ela, todas as mulheres do estudo tiveram a decisão voluntária de engravidar. “É importante ressaltar que nenhuma engravidou por conta de violência sexual, apesar de esse tipo de violência também fazer parte da relação conjugal de algumas delas”, apontou.

Lei Maria da Penha

Para Corina Mendes, mesmo que a magnitude desse tipo de agravo ainda seja subestimada no Brasil, diariamente mulheres vítimas de violência doméstica procuram os setores de saúde da rede pública e privada no país.

“Só o Ciam, no Rio de Janeiro, recebe uma média de 600 casos de violência conjugal por mês. E a literatura científica nos mostra que hoje cerca de 20% das mortes maternas podem estar associadas à violência no período de gestação”, disse.

Dentre as formas de violência mais comuns se destacam a agressão física sob a forma de tapas e empurrões, a violência psíquica de xingamentos e as ameaças por meio de objetos quebrados ou atirados, roupas rasgadas e outras formas indiretas de agressão.

Assim como o estudo, que foi realizado com mulheres que romperam os limites do espaço privado para buscar ajuda institucional no Ciam, a psicóloga explica que um instrumento que tem feito com que vítimas de agressão comecem a buscar ajuda fora do ambiente familiar é a Lei Maria da Penha, que entrou em vigor em setembro de 2006.

Trata-se de uma homenagem à biofarmacêutica cearense Maria da Penha Maia, que se tornou símbolo da luta contra a violência doméstica após ter lutado durante 20 anos para ver seu agressor condenado.

“A lei veio como uma ação afirmativa em um cenário no qual qualquer agressão contra a mulher que ia parar no juizado especial criminal era tratada como uma lesão de menor potencial ofensivo. Isso dava abertura a conciliações cujas penas alternativas, na maior parte das vezes, era uma cesta básica que saía da mesa da própria mulher. Com a lei, as mulheres brasileiras estão rompendo o silêncio do espaço privado para buscar intervenções junto ao Estado”, destacou.

A Lei Maria da Penha alterou o Código Penal brasileiro e fez com que triplicasse, de um para três anos, o tempo máximo de prisão para agressões domésticas contra mulheres, além de ter aumentado os mecanismos de proteção, entre eles a saída do agressor de casa, a proteção dos filhos e o direito de a vítima reaver seus bens. A lei também permite que agressores sejam presos em flagrante ou que tenham prisão preventiva decretada.

(Thiago Romero/Agência FAPESP – 31/03/2008)





Casos de filhos que agridem os pais aumentam no Minho

31 03 2008
O número de denúncias de maus tratos e violência doméstica à PSP de Viana do Castelo está a aumentar de forma “preocupante” e com “especial incidência” nos casos de pais agredidos pelos filhos, revelou ao DN o comando daquela polícia.

Segundo o registo da PSP, em 2006 foram participados 51 casos de violência doméstica, em que a grande parte das vítimas eram mulheres. Número que, em 2007, chegou aos 92 casos e que até 25 de Março já ascendia a 33 situações participadas.

Para além do aumento de denúncias, a PSP aponta o facto de muitos destes casos envolverem violência de filhos sobre os pais. Um destes casos remonta à tarde do dia de Páscoa. “Um senhor que estava internado no hospital de Viana foi agredido pelo filho e respectiva companheira, por sinal psicóloga. Foi de tal forma violentado que teve de ser socorrido nas urgências da mesma unidade”, disse ao DN o comandante da PSP de Viana do Castelo.

Segundo o intendente Martins Cruz, este caso configura maus tratos e, segundo a participação feita por elementos clínicos à PSP, o homem, de 58 anos e residente em Caminha, foi alvo de “várias agressões nas pernas”, alegadamente perpetradas pelo filho e pela companheira deste, ambos de 27 anos e residentes em Lisboa.

Este caso remonta ao final da tarde do domingo de Páscoa, à hora da visita na unidade de psiquiatria, onde o homem estava internado há vários dias. Os alegados agressores não apresentaram qualquer justificação para este episódio de maus tratos. No entanto, e segundo os números da PSP, é já o quinto caso de maus tratos de filhos sobre pais registados na cidade este ano. “Estamos a falar de crimes públicos que, através do aumento do número de denúncias, está a tomar sérias proporções”, reconheceu ainda Martins Cruz. “Não podemos dizer que a violência doméstica está aumentar, sabemos é que o número de denúncias cresceu. Mas também criámos condições, no comando de Viana, para que isso aconteça”, garante ainda.

Entre as medidas adoptadas conta-se o policiamento de proximidade, através do polícia de bairro, que “ganhou confiança nas áreas em que está inserido”, ou pela criação de um gabinete próprio, de acesso restrito, para receber este tipo de participação. “Começámos igualmente a fazer o registo fotográfico da destruição resultante destes episódios de violência doméstica. Também nunca deixamos o alegado agressor à sua vontade”, acrescenta.

O comandante da PSP garante já ter alertado o governador civil do distrito, bem como o poder autárquico, de forma a promover e “incentivar” a denúncia destes episódios às autoridades. “Não se pode fazer como a avestruz. Denunciando estes casos, fazemos com que quem agride os familiares idosos e os cônjuges pense duas vezes”, concluiu.

(Diário de Notícias – 31/03/2008)




Estudantes vão receber folheto sobre a doença

31 03 2008

BRASÍLIA – Escolas da rede pública de 350 municípios, incluindo as 109 cidades mais populosas do país, vão receber nos próximos meses um guia com informações sobre prevenção da Aids e doenças sexualmente transmissíveis. O Folheto do estudante traz 11 perguntas sobre a vida sexual dos estudantes. Quem responde que já manteve relação sexual sem preservativo é orientado a procurar o sistema de saúde para decidir se é o caso de fazer ou não o exame de HIV. 

Acompanha o folheto Preciso fazer o teste do HIV/Aids? o Caderno das coisas importantes — confidencial, espécie de diário, agenda e guia de informações sobre sexo, uso correto do preservativo e masturbação. “É fundamental que os jovens passem por esse processo de conscientização. E a escola é o melhor lugar para isso. Sem hipocrisia, falando a língua deles”, diz a secretária de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC), Maria do Pilar. 

A primeira edição da cartilha foi distribuída dois anos atrás. Segundo a secretária, os textos provocaram reação negativa de setores da Igreja. O MEC vai enviar 500 mil exemplares do caderno e 300 mil do material pedagógico e dos folhetos. A iniciativa faz parte do projeto Saúde e Prevenção nas Escolas, em parceria com o Ministério da Saúde, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

O projeto foi lançado em 2003 e tem como desafio virar realidade no dia-a-dia das escolas, vencendo resistências e o descaso de diretores e professores que não vestem a camisa. “Se o diretor e os professores não estiverem sensíveis, o negócio acontece de maneira burocrática. Por isso, sempre digo que enviar o material à escola sem uma sensibilização prévia não funciona”, afirma Maria do Pilar.

Há duas semanas, o MEC reuniu representantes das 109 cidades mais populosas do país para tratar do assunto. Encontros regionais deverão ocorrer nas próximas semanas. O Censo Escolar de 2005 mostrou que apenas metade das escolas de educação básica no país desenvolviam atividades sobre Aids e DSTs. Desse total, apenas 9,1% disponibilizavam preservativos para os alunos. (AG)

(Correio da Bahia – 31/03/2008)




Consumo de álcool começa aos 13 anos

31 03 2008
Os 13 anos são a idade média em que os jovens começam a beber álcool e se o consumirem frequentemente até à maioridade o risco de dependência aumenta em 50 por cento, avisou hoje um especialista português.

O hepatologista Rui Tato Marinho tem desenvolvido desde o início do ano lectivo um projecto-piloto de sensibilização de jovens para os perigos do consumo do álcool, mostrando que o retrato-tipo do trabalhador rural como alcoólico se alterou em Portugal.

«O tipo de alcoolismo actual é mais grave. Há fenómenos como o ‘binge drinking’ – beber muito num curto período de tempo principalmente ao fim-de-semana – e ao qual está associada a violência, os acidentes rodoviários e sexo com desconhecidos e desprotegido. A própria Organização Mundial de Saúde aponta o consumo excessivo de álcool como factor de risco para a infecção da Sida», sublinhou à Lusa.

«Temos de pensar por que é que temos quatro vezes mais infecções de Sida do que a Espanha. Talvez estes comportamentos dos jovens sejam parte da explicação», avançou, lembrando que o consumo de 10 ’shots’ (concentração de um alto grau de álcool num pequeno copo) equivale a três litros de cerveja.

O presidente da Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado comentou ainda que o consumo de ’shots’ «dá maiores lucros económicos e faz parte de uma teia de interesses que faz mal à saúde».

A preocupação com o binge drinking levou no passado dia 12 o ministro das Finanças britânico, Alistair Darling, a anunciar um aumento dos impostos sobre as bebidas alcoólicas.

«À medida que os lucros aumentam, o preço do álcool diminui», explicou o ministro, lembrando que há 11 anos uma garrafa de vinho custava em média 4,45 libras e hoje rondará as quatro libras.

Um estudo de Fevereiro da Associação de Médicos Britânicos indicava que a Grã-Bretanha estava «em plena epidemia» de abuso de álcool e recomendou um aumento de impostos e a proibição de promoções especiais na venda de bebidas.

Com a lei portuguesa a autorizar o consumo a partir dos 16 anos e sem um plano nacional de combate ao alcoolismo, Rui Tato Marinho argumentou que a mensagem fundamental a transmitir não é que beber faz mal, mas sim mostrar as consequências do consumo excessivo.

«Ninguém quer morrer e ficar paralisado e é preciso lembrar que os acidentes rodoviários são a principal causa de morte entre os jovens», referiu o especialista português, sublinhando, porém, que a percentagem da população portuguesa com elevados consumos ronda os 15 por cento.

Tato Marinho recordou ainda que o risco de dependência aumenta anualmente 10 por cento até os jovens completarem o seu desenvolvimento, ou seja aos 18 anos. «Quando se começa a beber aos 13 anos e se passa a consumir frequentemente, os jovens têm mais 50 por cento de risco de serem alcoólicos quando chegam aos 18», precisou.

O cenário de uma cirrose também pode tornar-se real a mais longo prazo (10 a 20 anos) e deve afectar entre 10 e 15 por cento dos praticantes do binge drinking.

Em termos nacionais não há estudos realizados, mas o especialista referiu que em Inglaterra, nos últimos 30 anos, houve um aumento de mil por cento no número de mortes precoces (antes dos 65 anos) em mulheres por cirrose.

«Sabe-se que a quantidade tóxica é de duas a três bebidas para um homem e metade nas mulheres. Por isso as mulheres correm mais riscos quando bebem iguais quantidades de álcool em relação aos homens», sublinhou o médico, recordando que uma cirrose aumenta também a hipótese de cancro do fígado.

O binge drinking, também denominado bingeing pode levar a coma e a eventuais sequelas para toda a vida e nos Estados Unidos concluiu-se que os estudantes universitários que bebiam muito e começavam a fazê-lo muito cedo tinham menos capacidades para tomar decisões, à semelhança do que acontece com os alcoólicos crónicos.

Na lista de riscos a longo prazo estão ainda problemas emocionais, doenças cardíacas, hipertensão, diabetes e outras doenças metabólicas.

(Lusa / SOL – 31/03/2008)




Malanje: Sindicalistas terminam formação sobre HIV/SIDA

31 03 2008

Malanje, 30/03 – Trinta sindicalistas de diversas instituições da função pública de Malanje, filiadas na Unta-Confederação sindical e Cgsila, terminaram sábado nesta cidade, com resultados positivos o curso sobre HIV-SIDA.

Durante quatro dias de formação, os participantes abordaram temas relacionados com o Hiv-Sida, como se transmite, sintomas mais frequentes, prevenção, o que é o preservativo, causas da vulnerabilidade, sexualidade, conceitos gerais sobre a sexualidade, aspectos culturais que influenciam a sexualidade aos adolescentes e anti-retrovirais.

Ao proceder a cerimónia de encerramento do evento, o vice- governador para o sector técnico e comunitário Durbalino de Carvalho regozijou-se pela acção de formação, uma vez que a mesma demonstra a capacidade dos angolanos em atingir os objectivos comuns para a classe trabalhadora.

Pediu aos participantes a multiplicarem os conhecimentos adquiridos a partir dos seus locais de trabalho, igrejas, locais desportivos, escolas, entre outras areas.

Por outro lado Durbalino de Carvalho apelou aos cidadãos no sentido de efectuarem testes do Hiv/Sida, devido ao crescimento que se regista sobre a pandemia.

“Temos que procurar educar a nossa juventude e os nossos filhos e nós temos que ser o exemplo deste exercício para que a taxa de prevalência diminua na província” frisou o governante.

O seminário é uma promoção da Unta-Confederação Sindical e Cgsila em parceria com a Organização Internacional do Trabalhador (Oit) e visou capacitar e informar os participantes sobre a pandemia do Hiv-sida.

(AngolaPress – 30/03/2008)




Acções conjuntas de combate à Sida na cimeira CPLP; Portuguesa Elza Pais presente

31 03 2008

Brasil: Acções conjuntas de combate à Sida entre as mulheres propostas na Cimeira da CPLP

Uma carta de intenções aprovada hoje na I Reunião Ministerial de Políticas para as Mulheres e HIV/Sida entre países de língua portuguesa, no Rio de Janeiro, será levada à apreciação dos chefes de Estado da CPLP, em Julho próximo.

“A carta reafirma o empenho dos membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa na luta contra o HIV/Sida, tendo em conta a necessidade de promoção do tratamento e prevenção em relação às mulheres”, afirmou à Lusa o secretário executivo da CPLP, Luís Fonseca, que está a participar do encontro.

O embaixador disse que o documento, a ser apresentado também na I Reunião dos Ministros da Saúde da CPLP, dias 11 e 12 de Abril na cidade da Praia, em Cabo Verde, será submetido aos chefes de Estado da CPLP durante a cimeira de Julho, em Lisboa.

“Há um interesse evidente por parte dos estados membros em reafirmar a sua disponibilidade no combate à Sida entre as mulheres”, declarou Fonseca, elogiando a iniciativa brasileira de propor acções conjuntas dos países lusófonos na luta contra a feminização da epidemia.

A representante de Portugal na reunião, Elza Pais, lembrou que, apesar de os países da CPLP apresentarem características muito diferentes em relação à epidemia de Sida, há um denominador comum, que é o crescimento do número de casos entre as mulheres.

A presidente da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género da Presidência do Conselho de Ministros disse à Lusa que a tónica adoptada no encontro sobre a necessidade de se promover a igualdade de género é fundamental.

Na avaliação de Elza Pais, “não se pode combater o HIV/Sida nas mulheres enquanto não se promover a igualdade de género”, área em que Portugal está a aumentar significativamente o financiamento.

No actual quadro estratégico, Portugal vai investir 83 milhões de euros até 2013 nas políticas de igualdade de género.

Segundo Elza Pais, de cerca de mil casos de Sida notificados em Portugal no ano passado, 700 foram registados em homens e 300 em mulheres, com aumento crescente da epidemia particularmente em mulheres com relações heterossexuais e casadas.

No mundo todo, as mulheres já representam 50 por cento da população infectada.

Elza Pais elogiou a iniciativa do Governo brasileiro de realizar uma reunião para construir uma agenda intersectorial de combate à Sida entre as mulheres da CPLP.

“É uma iniciativa extraordinária do Governo brasileiro, porque nos permite trocar boas práticas, reflectir em conjunto e desenhar estratégicas comuns no âmbito da CPLP. Todos juntos temos muito mais força”, concluiu.

Durante os dois dias da reunião, que começou segunda-feira, foram discutidos largamente as causas que contribuem para a vulnerabilidade feminina à epidemia da Sida.

Entre esses factores estão a desigualdade nas relações de poder entre homens e mulheres, o menor poder de negociação das mulheres quanto ao uso de preservativo e falta de percepção das mulheres sobre o risco de se infectar pelo HIV.

Também foram pontos de debate na “I Reunião Ministerial de Políticas para as Mulheres e HIV/Sida: Construindo Alianças entre Países de Língua Portuguesa para o Acesso Universal” a discriminação e o preconceito relacionados à raça e à etnia e a violência doméstica e sexual contra mulheres e meninas, como estupro e mutilações.

As acções para o combate à Sida entre as mulheres lusófonas contarão com recursos do Programa das Nações Unidas para o HIV/Sida.

Durante o encontro no Rio de Janeiro, o director-executivo-adjunto do UNAIDS, Michel Sidibé, anunciou um acordo com o Ministério da Saúde do Brasil que prevê uma verba de 1,5 milhões de dólares para o Centro Internacional de Cooperação Técnica em HIV/Sida.

Os recursos darão suporte para as acções de cooperação entre os países em desenvolvimento, com prioridade para os membros da CPLP.

CMC.

(Vidas Alternativas – 26/03/2008)




Huíla: Estudantes do Instituto Médio doTchivinguiro terminam seminário sobre HIV /Sida

31 03 2008

Lubango, 30/03 – Estudantes internos do Instituto Médio Agrário do Tchivinguiro e activistas do município da Humpata, Huíla, terminaram hoje um seminário sobre a abordagem da temática do HIV-SIDA, promovido pelo Grupo Bíblico de Estudantes cristãos de Angola, afecto à Igreja Evangélica.

Os participantes debruçaram-se sobre as consequências socio-económicas do VIH-Sida, sua história natural e transmissão, mitos e crenças que influenciam na transmissão da doença, assim como direitos e obrigações dos sero-positivos e ainda temas bíblicos que se relacionam com o VIH-Sida.

Os mandamentos bíblicos sobre a pureza sexual, sentimentos e atitudes comuns de igrejas para com pessoas infectadas e o plano de Deus para o sexo a dois, dominaram o certame que foi orientado pelo missionário Miguel João, da Associação da Mocidade para Cristo.

O coordenador da acção, Kanda Justino, disse que a sua organização pretende com este tipo de acções incitar um maior envolvimento dos estudantes na causa de luta contra esta doença, começando pela sua instrução com vista a multiplicarem, pela divulgação, o conhecimento das vias de contracção, formas de prevenção e as consequências deste mal de que enferma a sociedade.

A fonte disse ainda que actividade similar será realizada quarta-feira no seio dos alunos do Instituto Médio de Economia e da Escola de Formação de Professores, na cidade do Lubango.

A Associação de Obreiros do grupo bíblico de estudantes cristãos, afecta à Igreja Evangelica de Angola (IECA), foi fundado há mais de 10 anos.

(AngolaPress – 30/03/2008)




Aids: brasileira denuncia países que não permitem entrada de soropositivos

30 03 2008

RIO – Há pouco mais de um ano, às vésperas do dia Internacional da Mulher, a brasileira Janaína Regina da Conceição, 28 anos, que havia sido convidada a participar do 51º Encontro da Comissão de Status da Mulher, sediado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, tinha negado o seu direito de entrar nos Estados Unidos.

A pernambucana, que é mãe de dois filhos, seria só mais uma entre tantas pessoas que não conseguem o visto do governo americano, não fosse por um detalhe: Janaína é soropositiva. A jovem, que contraiu a doença enquanto era obrigada por sua mãe adotiva a se prostituir nas ruas de Recife, faria parte do lançamento de uma campanha internacional para alertar sobre a relação entre a violência praticada contra as mulheres e a Aids.

O motivo oficial para a recusa do visto foi a ausência de emprego fixo. O consulado dos EUA em Pernambuco alegou que Janaína não apresentou provas de vínculo empregatício no Brasil. Para a jovem, entretanto, o que pesou na decisão foi o fato de ela ser portadora do vírus HIV.

- Eu tinha passagem de ida e de volta, comprovação de hospedagem em hotel, carta de recomendação da ONU, tudo em mãos. Mas eles mal me olharam e já foram dizendo que eu não tinha qualificação para viajar – lembra a jovem, que conversou por telefone com o GLOBO ONLINE.

- Eu era patrocinada pela Action Aid (uma importante ONG internacional que cobriria todos os custos da viagem), tinha recebido um convite formal das Nações Unidas, mas eles sequer olharam os papéis. Alegaram que eu não tinha vínculo trabalhista. Mas acho que foi por eu ser soropositiva – relata.

O caso da pernambucana, que diz ter se sentido humilhada engrossa agora uma outra lista: a de pessoas que tiveram violado o direito de ir e vir por assumir publicamente sua condição de soropositividade. Hoje, segundo a ONU, 72 países, incluindo o Canadá, negam vistos permanentes àqueles que têm a doença. Os EUA, por sua vez, fazem parte de um grupo de uma dezena de nações que, contrariando recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), vetam a entrada de portadores do vírus HIV mesmo para permanência de curto prazo no país. Para as Nações Unidas, a prática fere a legislação internacional dos Direitos Humanos.

- Eu saí de lá arrasada. Parecia que eu levava dois chumbos na perna. Foi horrível – conta Janaína, com a voz embargada. – Senti que fui discriminada. Doeu muito. Sinceramente, dói até hoje.

Protesto na ONU

Para tentar acabar com as restrições aos soropositivos, o Programa das Nações Unidas para HIV/Aids (Unaids) criou recentemente grupos de trabalho para analisar a questão. O Brasil, onde não há nenhum tipo de restrição para visitantes que são HIV positivos, foi convidado a coordenar as discussões relativas ao veto aos turistas (curtas estadas). O governo das Filipinas será o coordenador do grupo que debaterá o veto a imigrantes. Dessas discussões sairão as recomendações a serem levadas, em setembro deste ano, para a Assembléia-Geral da ONU.

Mariângela Simão, coordenadora do Programa Nacional de DST-Aids do Ministério da Saúde, entende como discriminação o veto ao acesso de um turista soropositivo a qualquer país. Segundo ela, a medida não tem qualquer embasamento científico.

- A medida não é fundamentada em evidências cientificas. A Aids não é uma doença que se transmite pelo ar. O HIV não é transmitido de pessoa para pessoa em uma relação casual ou em um encontro. Desta forma, não se justifica que haja qualquer restrição à circulação de soropositivos por quaisquer motivos – defende ela, citando o regulamento sanitário internacional da Organização Mundial de Saúde.

- A Aids não pode ser comparada à Sars [Síndrome Respiratória Aguda Severa] ou à gripe aviária, por exemplo, que são doenças consideradas altamente contagiosas e que realmente pedem restrições deste tipo – reforça Mariângela, que está em Genebra, na Suíça, para participar da segunda rodada de discussões do seu grupo, entre os dias 31 de março e 2 de abril (segunda a quarta-feira da semana que vem).

Comprovar que a circulação de pessoas que vivem com Aids ou que são HIV positivas não gera riscos à população em geral ou impactos ao sistema de saúde pública é o principal foco do trabalho brasileiro frente ao grupo, segundo Mariângela.

- O Brasil é um ótimo exemplo. Apesar de não adotar qualquer tipo de restrição à entrada de soropositivos em seu território, não houve aumento da epidemia. Apesar de oferecer tratamento gratuito aos portadores do vírus da Aids, o sistema de saúde não quebrou. O governo compra e garante distribuição do coquetel desde 1997, mas isso não fez com que bolivianos, paraguaios e colombianos, que não tem acesso universal ao tratamento nos seus países, migrassem em massa para cá – ressalta.

Dentre as medidas de flexibilização das leis imigratórias defendidas pelo Brasil, está a proibição de uma prática que, segundo Mariângela, não apenas é altamente discriminatória, como fere o direito de confidencialidade de status de saúde garantido aos portadores do vírus da Aids.

- Hoje, o que acontece em países como os Estados Unidos é que, uma vez que você assuma a sua condição de soropositivo, você não apenas é automaticamente deportado e tem o seu visto cancelado, como essa informação passa a constar do seu passaporte. Um código te identifica. Você fica “fichado” na imigração como portador do vírus da Aids – explica, lembrando que a lei americana data da década de 1990 e nunca foi revista. – É um absurdo. O que os americanos fazem é criminalizar os doentes.

Omissão

Como conseqüência desta política, muitos soropositivos acabam omitindo a sua condição e são obrigados a esconder seus remédios em outros frascos para viajar aos Estados Unidos. Outros, para não levantar suspeitas, simplesmente não levam a medicação para pequenas viagens, o que é altamente prejudicial ao tratamento a que têm que se submeter.

Foi o caso do professor de inglês Apolo Marcos, de 48 anos, que em junho de 2005 passou cerca de 12 horas detido no aeroporto de Miami depois de declarar ser soropositivo. Ele não pôde tomar seus remédios, passou mal e afirma ter sido humilhado pelas autoridades americanas, que o deportaram para o Brasil no mesmo dia. Segundo o consulado brasileiro em Miami, ele, como portador de doença trazia “riscos à saúde pública” e só poderia entrar no país com uma autorização especial.

Segundo Mariângela, há dois anos Bush promete mudanças – como a retirada do veto a pacientes que provem que a doença está estabilizada -, mas estas nunca saíram do papel. Mas há outros vários países que já estão revendo suas posições. O Canadá foi um dos que, recentemente, revogou a lei que impedia a entrada de viajantes soropositivos no país. Atualmente, apenas vistos permanentes são negados aos portadores do vírus da Aids.

China e a Colômbia, ao que parece, também caminham para algum tipo de flexibilização – mesmo que longe do ideal. Isso por que, apesar de ambos os países ainda constarem da lista divulgada pelo Programa Nacional DST/Aids do Ministério da Saúde das nações que vetam totalmente a entrada de soropositivos em seu território, procuradas pelo GLOBO ONLINE as suas embaixadas negaram conhecer ou aplicar quaisquer restrições ao ingresso de portadores do vírus da Aids.

Segundo o conselheiro de imprensa da Embaixada chinesa em Brasília, Pan Mingtao, apesar de o postulante ao visto ser obrigado a preencher um formulário que pergunta, com todas as letras, se ele é ou não portador do vírus da Aids, esta medida não teria como objetivo discriminar o doente ou impedir o seu acesso ao país.

- O soropositivo que entra no país fica automaticamente sob os cuidados do orgão sanitário chinês. O governo precisa estar ciente de que a pessoa tem a doença para que tome as providências necessárias – diz, sem fornecer detalhes sobre tais “providências” que, segundo ele, apenas visam a “proteção” do próprio soropositivo. – O ideal é que o hotel onde esta pessoa ficará hospedada seja avisado com antecedência, assim como o restaurante em que ela pretende fazer as suas refeições(…) É claro que há algumas limitações. Essa pessoa não poderá ir a determinados lugares, como piscinas públicas, por exemplo – explica Mingtao, lembrando que a omissão da doença no processo de obtenção do visto ou entrada no país acarreta o pagamento de uma multa.

Na representação diplomática da Colômbia em Brasíia, o cônsul negou, por meio de um porta-voz, que o país imponha qualquer tipo de restrição ao ingresso de soropositivos em seu território, seja para fins de turismo ou de moradia. Outros países que, segundo o Programa Nacional DST/Aids vetam a entrada de imigrantes ou turistas com o HIV são Arábia Saudita, Armênia, Brunei, Qatar, Iraque, Líbia, Moldávia e Sudão.


 (Ângela Góes – O Globo Online – 29-03-2008)




Aids: sem medo da morte, jovens gays se descuidam

30 03 2008

RIO – Reportagem de Ricardo Galhardo publicada na edição deste domingo do jornal “O Globo” alerta para o avanço dos casos de Aids entre jovens gays. Segundo médicos, ativistas e homossexuais ouvidos pelo jornal, o recrudescimento da epidemia entre os jovens homossexuais tem um motivo: os jovens gays não viram seus amigos morrendo – como a geração anterior viu – e se tornaram sexualmente ativos quando o uso do coquetel anti-Aids já estava disseminado. Por isso, simplesmente relaxaram no uso do preservativo.

Dados do Ministério da Saúde revelam que o percentual de homossexuais com idade entre 13 e 24 anos contaminados pelo HIV cresceu assustadoramente nos últimos 10 anos, de 26% em 1996 para 41% dos 32 mil novos casos registrados em 2006. O avanço da doença fez com que governo divulgasse na semana passada a primeira campanha voltada exclusivamente para o público homossexual sob o slogan “Faça o que quiser, mas faça com camisinha”.

De acordo com a reportagem, uma rápida pesquisa em sites de encontros gays na internet mostra que a procura por sexo sem camisinha é grande. Em um destes sites, a reportagem entrou em contato, em menos de meia hora, com cinco rapazes que procuravam parceiros para uma relação sem preservativo. Perguntado se não tinha medo de ser contaminado, um deles respondeu:

- Hoje em dia tem o coquetel de graça. Ninguém morre de Aids no Brasil, não.

Escolas receberão folhetos

Escolas da rede pública de 350 municípios, incluindo as 109 cidades mais populosas do país, vão receber nos próximos meses um guia com informações sobre prevenção da Aids e doenças sexualmente transmissíveis. Segundo reportagem de Demétrio Weber, o “Folheto do estudante” traz 11 perguntas sobre a vida sexual dos alunos.

Acompanha o folheto “Preciso fazer o teste do HIV/Aids?” o “Caderno das coisas importantes – Confidencial”, espécie de diário, agenda e guia de informações sobre sexo, uso correto do preservativo e masturbação.

(O Globo Online – 29-03-2008)





Detectados 25 casos de tuberculose em Óbidos em 2007

29 03 2008

Em 2007 foram detectados perto de 25 casos de tuberculose no concelho de Óbidos, em pessoas com idades entre os 20 e os 35 anos. Os dados foram avançados pela enfermeira Amadora Oliveira, no Dia Mundial da Tuberculose (24 de Março), que falava sobre a temática com os utentes do centro de convívio do programa Melhor Idade, do Bairro da Senhora da Luz. A responsável explicou que as pessoas apresentavam sintomas de emagrecimento e má disposição sem causa aparente e que, depois de irem ao Centro de Saúde, fizeram exames e foi-lhes diagnostica tuberculose pulmonar. Este ano ainda não foi diagnosticado nenhum caso desta doença. No entanto, a tuberculose continua a fazer vítimas porque as “pessoas ainda não vão ao médico, mesmo quando apresentam indícios desta doença”. O tratamento dura, em média, seis meses, mas depois a pessoa terá que continuar a ser vigiada durante, pelo menos, mais dois anos, e até “ter a certeza que está curado”, referiu a enfermeira e voluntária no projecto “Melhor Idade”. Portugal é o país da Europa que apresenta maior número de casos de tuberculose, apesar da tendência ser decrescente. No último ano, foram diagnosticados 2916 casos, entre situações novas e tratamentos resultantes de recaídas. A ministra da Saúde, Ana Jorge, já fez saber que o Governo pretende igualar as metas europeias em três anos, passando dos actuais 25,7 para 18 casos por cem mil habitantes. Anualmente e em todo o mundo, surgem nove milhões de casos de tuberculose e mais de 1,5 milhões de pessoas morrem de uma doença cuja cura se prolonga por seis meses. Na Europa são, em média, diagnosticados 50 novos casos por dia e morrem sete pessoas por hora. Anualmente mais de 70 mil casos desenvolvem multi-resistência aos fármacos, sendo por isso potencialmente incuráveis.A tuberculose é transmissível através de tosse ou espirro por parte da pessoa doente, sendo que a probabilidade de adoecer aumenta entre os desnutridos, diabéticos, dependentes de drogas injectáveis e imunossuprimidos (portadores de HIV ou pacientes em uso de corticoterapia).Entre os sintomas destacam-se a tosse e escarro por um período longo, falta de apetite e emagrecimento, dificuldade para respirar, suores nocturnos e cansaço fácil. A vacinação continua a ser a melhor prevenção, aliada aos cuidados a ter com o tratamento dos doentes. “Todos os nossos órgãos podem ter tuberculose”, informou Amadora Oliveira, acrescentando que apesar da pulmonar ser a mais conhecida e letal, existe também a tuberculose óssea, renal, hepática e até mesmo da pele. A iniciativa de assinalar o Dia Mundial da Tuberculose com uma palestra sobre a temática foi da animadora do Centro de Convívio do Bairro da Senhora da Luz, Lúcia Santo. Face à adesão de participantes, perto de 30 idosos, a responsável garante que a iniciativa irá ter continuidade, dando destaque a outras efemérides. “A saúde é um tema muito importante e do qual falamos regularmente”, contou Lúcia Santo, acrescentando que semanalmente ali é medida a taxa de glicémia e os diabetes. “As pessoas queixam-se pouco e têm medo de ir ao médico pois é provável de tenham alguma coisa”, acrescenta a responsável, que está a par também das medicações que tomam os utentes.  Jovens acompanham idosos durante as férias escolares Sara e David Neto são irmãos e há quatro anos que participam no programa “Férias Activas”, promovido pela Câmara de Óbidos. Durante as férias da Páscoa estiveram a colaborar com o Centro de Convívio do Bairro da Senhora da Luz e foram eles que fizeram toda a pesquisa sobre a tuberculose que foi apresentada na palestra. “É um trabalho que tem uma utilidade prática para as pessoas”, dizem estes jovens, que investigaram durante quatro dias aquela doença. David Neto destaca que deu-lhe um gozo especial falar sobre este assunto, que considera ser ainda desconhecido da grande maioria dos utentes do centro e é “uma forma de tentar ajudar as pessoas a que não se sintam tão excluídas da sociedade”. Este jovem de 20 anos refere ainda que participa neste programa porque gosta de conviver com os mais idosos. “Eles ensinam-me coisas que eu jamais pensaria que acontecessem e estão sempre bem dispostos. É uma troca de experiência muito enriquecedora”, afirmou.

Sara Neto frequenta o 9º ano na Escola Josefa D’Óbidos e gostaria de ser assistente social ou analista de laboratório. Já o irmão, David, frequenta a Escola Secundária Raul Proença onde se está a especializar em Informática, mas conta que também gostava de ser massagista.

(Fátima Ferreira – Gazeta das Caldas – 28-03-2008)





Kwanza Norte: Projecto `Habilidades para a vida´ forma jovens em Ndalatando

29 03 2008

Vinte e um jovens do município de Cazengo, Kwanza Norte, terminam sábado, em Ndalatando, um curso de formação, inserido no projecto “Habilidades para a Vida”, promovido pelo Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef), em parceria com o Ministério da Juventude e Desportos.

O projecto, que será implementado em 18 províncias do país, está a ser executado pelo Secretariado Nacional da Pastoral juvenil, da Igreja Católica (SNPJ) e beneficia jovens com idades compreendidas entre os 15 e os 25 anos.

A acção formativa, ministrada por entidades do “SNPJ”, provenientes de Luanda, visa capacitar os facilitadores locais que irão formar outros jovens e adolescentes dos vários municípios da província, em matérias de “Direitos Humanos”, “Sexualidade”, “VIH-Sida”, “Resolução de conflitos” e “Comunicação”.

O “empreendedorismo juvenil”, a “higiene”, “relações sociais” e “perigo de minas” constam igualmente dos temas debatidos na acção de capacitação, iniciada segunda-feira.

O bispo da igreja católica no Kwanza Norte, dom Almeida Canda, apelou quinta-feira, aos formandos a aproveitarem os conhecimentos adquiridos, para transmiti-los aos demais jovens da província.

Segundo o prelado, os conteúdos temáticos, ministrados durante a formação, visam aprofundar e melhorar os conhecimentos, convicções e o comportamento dos jovens com relação aos diversos problemas que os afligem.

Recomendou, igualmente, a realização de um amplo debate sobre o VIH-Sida, por forma a alertar os jovens sobre os perigos que esta doença representa para o desenvolvimento das sociedades, as suas consequências, bem como as vias para combatê-la e a necessidade de uma maior consciencialização das pessoas sobre o problema.

A formação integral dos jovens e adolescentes, para que estes possam dispor das suas capacidades na solução dos vários problemas, constitui um dos objectivos desta acção, que decorre em simultâneo com outras, nas províncias da Huíla e do Kuando Kubango.

(AngolaPress – 28-03-2008)




Durão Barroso condecorado na Bulgária

29 03 2008

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, foi hoje condecorado pelo presidente da Bulgária, Gueorgui Parvanov, pela intervenção no processo de libertação das cinco enfermeiras búlgaras e do médico palestiniano condenados à morte na Líbia. A União Europeia (UE) foi a responsável pela mediação do processo com o líder líbio, Muamar Kadhafi.

Os profissionais de saúde eram acusados de ter infectado mais de 400 crianças com o vírus VIH/SIDA e chegaram a enfrentar a pena capital, que mais tarde foi comutada em prisão perpétua.

Para extraditar as enfermeiras e o médico, que estiveram presos durante oito anos, a Líbia exigia o tratamento das crianças líbias infectadas com sida, bem a construção de uma auto-estrada e de um caminho-de-ferro, entre outras exigências.

No discurso de agradecimento, Durão Barroso referiu a importância da Bulgária continuar com as reformas e com o reforço da luta contra a corrupção e o crime organizado. Barroso afirmou que “A corrupção e o crime organizado, sobretudo nos mais altos níveis da administração, não têm lugar dentro da União Europeia e não podem ser tolerados”.

O discurso de Barroso surgiu num momento em que o governo de coligação de centro-esquerda de Serguei Stanichev está envolvido num escândalo de corrupção.

A condecoração aconteceu durante a visita de 24 horas que Durão Barroso está a fazer à Bulgária, membro da União Europeia há pouco mais de um ano.

(Jornal de Notícias – 28-03-2008)




Maurícios podem casar com estrangeiros portadores do HIV/Sida

29 03 2008

Port-Louis, ilhas Maurícias (PANA) - O Parlamento maurício acaba de adoptar uma emenda à lei sobre o casamento que permite aos cidadãos maurícios casarem com estrangeiros portadores do HIV/Sida, soube a PANA quinta-feira de fonte parlamentar.

Segundo o ministro maurício da Saúde, Satish Faugoo, este projecto de lei visa restabelecer os direitos humanos fundamentais e a dignidade humana dos que são afectados por esta doença.

“A questão do HIV/Sida é uma prioridade para o governo”, declarou o responsável maurício, antes de evocar as diversas medidas tomadas com vista a proibir qualquer discriminação ou marginalização de tais indivíduos.
(Panapress – 28-03-2008)