Ministério da Saúde defende distribuição de camisinhas nas escolas

9 02 2010

A grande incidência de aids entre adolescentes motivou o Ministério da Saúde a realizar a distribuição de camisinhas diretamente nas escolas. Para facilitar o acesso ao jovem, que muitas vezes fica constrangido de pedir preservativos aos adultos, estão sendo testadas máquinas que disponibilizam o produto automaticamente.

“Nós estamos implantando máquinas de preservativos automáticas, para que os alunos possam retirar gratuitamente as camisinhas. A escola é um espaço importante e nós temos uma política há muito tempo de direitos sexuais reprodutivos, e a distribuição dos preservativos faz parte desta estratégia”, explicou Temporão.

Segundo a diretora do Programa de DST/Aids do Ministério da Saúde, Mariangela Simão, as camisinhas já são distribuídas em 19 mil escolas. Já as máquinas ainda estão em fase de teste, em municípios dos estados da Paraíba e de Santa Catarina, para aprimorar o equipamento, que deve ser implantado em todo o país em maior escala ainda este ano.

“O adolescente tem dificuldade de ir a um centro de saúde para pedir camisinha, pois [para ele] é uma situação constrangedora. Então o importante é aumentar oportunidades do adolescente ter acesso à prevenção. Porque 45% deles que não usaram o preservativo na última relação, alegaram que não tinham [camisinha]”, disse Mariângela Simão.

Ela participou, juntamente com Temporão, do lançamento da campanha Carnaval de Prevenção à Aids, que este ano vai mirar principalmente nos jovens entre 13 e 19 anos. De acordo com o ministro, só nos dias de carnaval serão distribuídos 55 milhões de preservativos.

Agência Brasil – 07.02.2010





Combate à malária é reforçado no Golungo Alto

9 02 2010

A World Vision está a executar em Angola vários projectos na área da saúde, relacionados com a redução dos níveis de mortalidade por malária, nas províncias do Kwanza-Norte e Uíge, e desenvolve projectos de prevenção da poliomielite no Kuando-Kubango, Huambo e Lunda-Sul.

De acordo com a directora nacional do programa de saúde da World Vision, Ana Juvêncio, esta organização não governamental lançou também recentemente um projecto de controlo e combate ao vírus da sida e um outro de nutrição no Moxico.
Sem avançar os custos dos projectos, Ana Juvêncio afirmou que os projectos são financiados pela USAID e o PNUD, acrescentando que o papel da World Vision é apenas de dar suporte às direcções de saúde e parceiros, particularmente nas áreas onde tenham dificuldade em intervir.
Ana Juvêncio informou que em 2007 o programa de combate à malária foi apoiado pelo governo americano nas províncias do Kwanza-Norte e Uíge. “As outras províncias foram também contempladas com dois projectos cada uma.”

Proposta de continuidade

O projecto de combate à malária foi desenvolvido até finais de 2009, mas há uma proposta de continuidade até 30 de Setembro deste ano. “Estamos preocupados com a apresentação da nova proposta para 2011. É o derradeiro ano. O programa de malária teve uma boa aplicação em 2009 e os resultados são uma redução do número de casos”, sublinhou.
Ana Juvêncio realçou a importância do reforço do trabalho junto das comunidades, porque, referiu, o tratamento “já está meio caminho andado”, sendo agora necessário o trabalho individual com as pessoas, formação e qualificação dos técnicos, supervisão do trabalho realizado pelos técnicos, reforço dos testes rápidos e distribuição de mosquiteiros.
Durante o ano passado, o “Sítio Sentinela” do município do Golungo Alto – estrutura montada nos hospitais com condições para diagnóstico e tratamento da malária – recebeu da Usaid material informático, gerador eléctrico e microscópios e foi apoiado na formação dos técnicos. Este é “um pressuposto que pode ser repetido este ano, para além da capacidade das instituições e dos técnicos de laboratórios que será reforçada”.
“Angola não tem técnicos médios de laboratórios, mas sim básicos e práticos. Mas estes têm muita experiência. Precisam apenas de refrescamento e acompanhamento. As pessoas devem abandonar a ideia de que só quando se pica é que se vê se temos ou não paludismo. Têm de começar a ter confiança nos testes rápidos”, disse a directora nacional da World Vision.
“Por esta razão” – acrescentou – “vamos formar todas as componentes que têm a ver com a assistência integrada nas comunidades, uma vez ser preocupação de todos a redução da mortalidade materno infantil.”
O Sítio Sentinela do Golungo Alto diagnosticou, no ano passado, 7.037 casos, com 21 óbitos, contra os 15.647 casos em 2008 e 25 mortos. Ana Juvêncio anunciou que a Word Vision pretende que o Sítio atinja todos os municípios da província, descentralizando a informação e a supervisão, actualmente localizadas apenas na sede da província. “A nossa intenção é criar dois pólos, um mais para o Norte, em Samba Cajú e Ambaca, para assistir os municípios à volta, como Quiculungo, Bolongongo e Banga, e outro nas áreas da sede provincial, para intervir nos municípios mais próximos, como Lucala, Cambambe, Golungo Alto e Ngonguembo”.

Sítio Sentinela no Golungo-Alto

De acordo com o director do Hospital Municipal do Golungo Alto, José Franco Martins, o Sítio Sentinela nesta unidade insere-se num esforço multinacional, de mais de 15 países, incluindo o Governo americano, através da Iniciativa Presidencial para a Malária, que é desenvolvido no Kwanza-Norte pela World Vision e pelos Serviços Essenciais de Saúde (SES).
Este Sítio Sentinela foi instalado primeiramente no Golungo Alto “por ser um município situado no estrato hiper-endémico da malária”. “A situação ecológica do município permite o aumento da densidade vectorial”, referiu Franco Martins. Apesar de ocupar a terceira posição em termos de população na província, o Golungo Alto – precisou – “é dos municípios que apresentam o maior número de casos de malária na região”. O município tem um hospital municipal, com serviços de consulta externa e internamento de pediatria e medicina, laboratório, farmácia e saúde materno-infantil.

Situação antes da instalação

Segundo José Martins, “não existia padronização da recolha de dados, nem todos os serviços dispunham de livros de registos. O ponto focal municipal da malária estava encarregue da recolha de dados nos municípios e também no hospital”. Agora é diferente.
O hospital tem técnicos de saúde que fizeram a actualização de conhecimentos no manuseio de casos com a utilização de “Coartem” e “Arsucam” e gestão de medicamentos na farmácia, aplicação do Tratamento Intermitente e Presuntivo (TIP) nas consultas pré-natais e integração dos serviços clínicos, laboratoriais, farmacêuticos e estatísticos.
Em 2009, o hospital recebeu um equipamento completo de laboratório para 1.000 testes, um aparelho de medição da hemoglobina, computador, gerador, instrumentos de gestão com fichas de recolha de dados, livros de registo e blocos de receitas médicas.
A direcção do hospital pretende garantir a formação contínua do pessoal e aperfeiçoar a gestão para a redução do tempo de espera dos doentes ambulatórios.

Jornal de Angola – 08.02.2010





«Se eu fosse seropositivo, votaria em mim?»

9 02 2010

Herman José, Francisco Louçã e Nuno Gomes são algumas das 40 figuras públicas que a partir desta segunda-feira dão a cara contra a discriminação dos seropositivos numa campanha promovida por duas associações ligadas ao apoio a estes doentes.

Como reagiria se uma figura pública que reconhece e admira pelo seu trabalho, pelo seu talento ou pelo seu carisma fosse seropositiva? É este o desafio proposto pela SER+ (Associação Portuguesa para a Prevenção e Desafio à Sida) e do GAT (Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de VIH/Sida).

A campanha pretende alertar para a discriminação em relação a uma doença que já infectou cerca de 35 mil pessoas em Portugal.

Para isso, as duas associações convidaram figuras públicas de várias áreas, que responderam na primeira pessoa à pergunta «Se eu fosse seropositivo?».

É assim que a partir desta segunda-feira os portugueses poderão ver na televisão, em cartazes e nas caixas Multibanco e ouvir nas rádios várias frases de figuras públicas, como a do humorista Herman José, que questiona: «Se eu fosse seropositivo, faria humor comigo?».

Francisco Louça, líder do Bloco de Esquerda, interroga «Se eu fosse seropositivo, será que me ouvia?», enquanto Jerónimo de Sousa, do PCP, questiona «Se eu fosse seropositivo, votaria em mim?» e Paulo Portas, do CDS-PP, diz «Se eu fosse seropositivo, mudaria a sua opinião sobre mim como político?».

Já o futebolista Nuno Gomes pergunta «Se eu fosse seropositivo, jogaria num grande clube?» e Laborinho Lúcio interroga: «Se eu fosse seropositivo, teriam confiado em mim como juiz?».

Ao todo, «participam no projecto 39 pessoas, todas figuras públicas», disse à Lusa Andreia Ferreira, coordenadora da Associação SER+, revelando que foram ainda convidados autarcas de todo o país (18), mas apenas os de Cascais, Leiria, Santarém, Guarda e Évora aceitaram participar.

Foi ainda lançado o repto ao primeiro-ministro e a alguns ministros. «Uns recusaram e outros não responderam», disse Andreia Ferreira, acrescentando que o maior desafio foi convencer os políticos a participar.

A campanha pretende também lançar um Centro Anti-Discriminação, que terá uma linha telefónica (707 240 240), através da qual uma equipa de juristas prestará apoio a todas as pessoas que se sintam vítimas de discriminação por serem seropositivas.

TVI24 – 08.02.2010





BRASIL: Propaganda de prevenção ao VIH pela primeira vez na TV

9 02 2010

A exemplo do que se está a passar já em Portugal, no Brasil surge o mesmo.

Depois de o governo de Lula da Silva ter dado conta que havia um acréscimo de infectados pelo VIH/Sida nos jovens entre os 13 e os 19 anos era maior entre as pessoas do sexo feminino e homossexuais masculinos, decidiu elaborar spots televisivos dirigidos a este publico.

Este tipo de prevenção é a primeira vez que é feita para o público homossexual com transmissão na televisão. Tratava-se de um desejo antigo da sociedade GLBT, que agora vêem concretizado.

Temos uma camisinha (preservativo) falante, com a voz da actriz Luana Piovani, que não cobrou qualquer valor por este trabalho.

PortugalGay – 08.02.2010





Casos de Aids caem na região

8 02 2010

A Secretaria de Saúde de Campo Mourão divulgou para a TRIBUNA a relação dos casos de Aids e de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST’s) em 2009, na região. De acordo com os dados apresentados, em 2009 foram identificados 29 novos soropositivos, 9 casos a menos que em 2008, quando foram 38.

A quantidade de mortos também diminuiu de sete para quatro, um dos menores números desde 1984. Em 25 anos, a área abrangida pela 11ª Regional de Saúde teve 366 casos e mais de 90 mortes registradas. Na região, 212 soros positivos da doença estão recebendo tratamento.

Se contabilizado desde o ano de 1991, o maior número de soropositivos da região foi identificado em: Campo Mourão (180), Goioerê (32) e Ubiratã (27). Já a menor incidência ficou nas cidades de: Nova Cantu e Terra Boa (01), Boa Esperança (02), Iretama e Janiópolis (03).

Com relação a distribuição de casos, os dados indicaram que desde 1984, o grupo que mais reúne portadores de HIV ou Aids é o dos homens entre 15 e 49 anos de idade (180pessoas). Apesar disso, o número de mulheres dessa faixa etária vem crescendo muito e já somam 160 portadoras ao longo de meio século. Já entre as crianças e adolescentes a presença do vírus foi identificada em 17 pessoas e acima dos 50 anos em sete.

De acordo com a coordenadora do programa DST/HIV em Campo Mourão, Ana Lúcia Nogueira da Silva, a queda no número de novos casos se deve principalmente ao trabalho de prevenção realizado pela Secretaria de Saúde do município. Segundo ela, campanhas são realizadas constantemente. “Nós temos o Troca, que é um projeto de Redução e Danos e toda semana vamos aos locais de maior incidência da doença, como em postos de gasolina, prostíbulos e fazemos a entrega de preservativos orientando essas pessoas sobre os cuidados para que não haja transmissão da doença”, explica.

Consciência

Ana Lúcia ressalta que as pessoas estão mais conscientes quanto à prevenção da Aids. Ela explica que o vírus tornou se conhecido desde 1983. “A partir daí todo mundo sabe que existe o vírus e que se você tiver uma relação sexual sem o uso do preservativo você pode contrair a doença.”

Recém nascidos

Com relação a crianças recém nascidas, Ana Lúcia revela que o número de infectados caiu drasticamente chegando zero em 2009. A razão da queda foi ocasionada pelo atendimento que a secretaria de Saúde passou a fazer a partir de 1990 às gestantes infectadas.

“A partir do momento que se atende essas mães nós temos um decréscimo, ou seja, a mãe não transmite para o bebê”, frisa. Ela lembra que foram registrados apenas dois casos de crianças recém nascidas que nasceram contaminadas porque as mães usavam drogas e deixaram de tomar o medicamento.

Aids na 3ª idade

Estudos divulgados pelo Ministério da Saúde dão conta que o número de infecções de HIV na terceira idade tem aumentado nos últimos anos. Ana Lúcia aponta a melhora na qualidade de vida deste público como “vilã” para este aumento.

Segundo ela, o surgimento do viagra possibilitou à terceira idade uma vida sexual mais longa e o idoso passou a ter a oportunidade de começar conhecer novos parceiros, porém eles são de uma fase anterior à Aids.

“A terceira idade de hoje não tinha conhecimento do uso do preservativo. Nós temos que orientar e explicar para esta população sobre essa importância,  para isso temos um programa dentro do ambulatório que trabalha só a terceira idade”, completa.

Saúde distribuirá mais de seis mil preservativos

Durante todo o “feriadão” de Carnaval, a Coordenadoria de DST/AIDS da Secretaria de Saúde de Campo Mourão, irá distribuir preservativos em casas noturnas, bares e postos de gasolina. Aproximadamente 6.640 camisinhas serão fornecidas. Este ano, a campanha de prevenção à Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis no carnaval, terá como foco, jovens, gays e mulheres na faixa etária de 16 a 24 anos. O tema da campanha é: Faça o que quiser, mas faça de camisinha; e Deu Bobeira? Faça o teste de Aids.

De acordo com Ana Lúcia, durante o carnaval, funcionários do programa de Redução de Danos, além de fazerem a distribuição de preservativos irão orientar as pessoas para a questão do uso de álcool em excesso e drogas. Segundo ela, esses “ingredientes” aumentam o risco de vulnerabilidade à doença. “As pessoas irão ser orientadas também com a entrega de material informativo”, acrescenta. (WP)

Cronograma do trabalho a ser

realizado pela SESAU no carnaval:

12/02/2010 – Trabalho à noite nos bares, postos de gasolina e casas noturnas;

13/02/2010 - Coletas de sangue para realização de teste do HIV com barraca na Praça da Matriz, orientação e entrega de preservativo;

14/02/2010 – Participação da Coordenação de DST/Aids no carnaval de Rua, devidamente uniformizados com a camiseta da Campanha (25 pessoas).

15/02/2010 – Distribuições de preservativos nos bailes e na avenida central.

Walter Pereira/Tribuna do Interior – 07.02.2010





Doenças tropicais negligenciadas afectam um bilião de pessoas

8 02 2010
Investigadores nacionais e internacionais vão debater durante três dias, em Lisboa, formas de combater as doenças tropicais negligenciadas, que afectam cerca de um bilião de pessoas, principalmente em África.

No total, são 14 doenças, raramente investigadas, que matam menos do que a sida, tuberculose ou malária, mas causam «um sofrimento e incapacidade para o trabalho muito significativos», disse o especialista em Medicina Tropical, Jorge Seixas, em declarações à agência Lusa.

«É preciso acordar para a existência destas doenças que são negligenciadas», alertou o investigador do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT).

Para debater este tema, a Fundação Calouste Gulbenkian promove, no quadro da iniciativa Fundações Europeias para as Doenças Tropicais Negligenciadas, a conferência «Doenças tropicais negligenciadas: sucessos escondidos, oportunidades emergentes», que reunirá entre segunda e quarta feira vários especialistas em Lisboa, entre os quais altos responsáveis da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Entre estas doenças encontram-se a lepra, a leismaniose, a doença de chagas, a filariase linfática, as febres hemorrágicas, incluindo o dengue, a dracunculíase, mais conhecida pelo verme da Guiné, e a doença do sono, provocada pela mosca tsé-tsé.

As crianças são as “primeiras vítimas” destas doenças, que podem levar à «estigmatização e à discriminação», uma vez que algumas, como a lepra e a leismaniose, deformam as pessoas, sublinhou o investigador.

Jorge Seixas explicou que são “doenças da pobreza”, que atingem uma grande percentagem de pessoas, principalmente em África, que «vivem em zonas remotas, rurais, pobres e de conflito» e que estão associadas à pobreza, má qualidade da água e do saneamento básico.

«Algumas destas doenças foram escolhidas como alvo preferencial desta iniciativa europeia, no sentido de fornecer aos investigadores, principalmente africanos, instrumentos que permitam estabelecer métodos de controlo de diagnóstico, que nem sempre incluem novos métodos».

A iniciativa que irá decorrer em Lisboa visa «chamar a atenção das autoridades regionais e nacionais desses países”, referiu Jorge Seixas, lembrando que estas doenças afectam pessoas que «moram no meio do mato e, como não morrem, as autoridades políticas têm tendência a esquecê-los».

«Tendo em conta as características desta população e destas doenças, que seriam teoricamente fáceis de controlar, não faz sentido, por exemplo, as empresas farmacêuticas investirem muito na investigação para medicamentos», explicou.

Para o investigador, a “solução” passa por parcerias entre organizações públicas e privadas e por «melhorar os instrumentos que existem».

«Com este tipo de iniciativa o que se pretende é dar uma possibilidade e uma voz activa aos investigadores que estão no local e que têm uma percepção mais consistente do que pode ser feito para alterar esse panorama», acrescentou.

TSF – 07.02.2010





Programa de Transmissão Vertical implantado em toda a província

8 02 2010

O supervisor provincial do programa de luta contra a sida, Júlio Borges Sequesseque, informou que morreram 20 pessoas, entre as quais crianças, jovens e adultos, na província de Malange, vítimas do VIH/Sida, durante o ano de 2009.
Ao fazer o balanço das actividades desenvolvidas pelo programa, de luta contra a doença Júlio Borges Sequesseque revelou que no ano passado foram realizadas 15.376 testes do VIH/Sida, dos quais 429 foram positivos, sendo 145 do sexo feminino e 58 do sexo masculino. Estão em acompanhamento no hospital local 915 pacientes, dos quais 376 fazem a terapia com retrovirais.
Júlio Borges Sequesseque revelou que o Centro de Aconselhamento e Testagem Voluntária (CATV) tem registado muita adesão da população.
O supervisor precisou que as actividades realizadas com clínicas móveis foram um êxito, pois foram efectuadas centenas de testes voluntários nos municípios de Cacuso, Calandula , Caculama e Cangandala. Júlio Borges Sequesseque referiu que durante o ano passado, para melhor assistência médica aos seropositivos, foram formados 35 técnicos no programa de Prevenção de Transmissão Vertical (PTV), em 13 municípios dos 14 que compõem a província.
Acrescentou que foram igualmente qualificados cinco médicos, em manuseamento clínico de pacientes vivendo com HIV/Sida e foi desenvolvido nos municípios, de Cacuso, Calandula, Caculama e Cangandala o programa de prevenção de transmissão vertical, que tem sido fundamental na prevenção e combate à doença.
O Programa de Transmissão Vertical está a ser desenvolvido nas unidades sanitárias do Sanatório, Hemoterapia, Centro Materno Infantil e nos centros médicos dos bairros Maxinde, Ritondo, Cahala, Sagrado Coração e Carreira de Tiro.
Em 2008 foram realizados 12.753 testes deVIH/Sida, 388 dos quais resultaram positivos. Houve 20 óbitos.

Jornal de Angola – 07.02.2010





Brasil distribui 55 milhões de preservativos grátis

8 02 2010

As autoridades de saúde brasileiras dizem que medida faz parte da campanha contra a sida no país.

O ministro da Saúde, José Temporão, indicou que a campanha deste ano tem como foco a educação e está dirigida às mulheres jovens e aos jovens homossexuais.

Um novo anúncio de televisão, que faz parte da campanha, mostra um preservativo que fala, pedindo aos jovens que o levem sempre que vão para uma festa.

O lema é “O preservativo. Por amor, por paixão ou simplesmente por sexo. Utiliza-o sempre.”

Em 2009, o Governo brasileiro distribuiu 500 milhões de preservativos grátis, o que equivale a 2,6 unidades por cada habitante do Brasil.

DN – 06.02.2010





Mulheres infectadas pelo vírus da sida passam à acção e resolvem problemas

8 02 2010

Pelo menos meia centena de crianças infectadas com o VIH/Sida, que no ano lectivo passado não conseguiram vaga em escolas da capital foram matriculadas nos municípios de Viana, Cazenga e Kilamba Kiaxi. A conquista foi de um grupo de mulheres infectadas pelo vírus, denominado Grupo da Paz, sedeado no município do Cazenga, treinado pela ONG Acção Humana.
Segundo uma nota de imprensa da ONG chegada à redacção do Jornal de Angola, essas mulheres conseguiram sensibilizar as autoridades locais e foram-lhes cedidas as vagas.
A ONG refere que três outras mulheres do grupo apresentaram queixa no Tribunal de Família para que os ex-maridos apoiassem os filhos infectados com VIH/Sida. Uma outra mulher, igualmente infectada, conseguiu que um antigo devedor devolvesse 1.500 dólares, que devia há cerca de um ano e meio.
Na última quadra festiva, as mulheres conseguiram apoios locais e festejaram o Natal com os filhos, que também receberam brinquedos.  O grupo de mulheres desenvolve iniciativas que visam a solução dos seus próprios problemas baseando-se na “metodologia de Star”, que está a ser introduzida em Angola pela ONG Acção Humana. O objectivo central é apoiar o Governo de Angola na luta contra a pobreza e o VIH/Sida. Angola tem uma uma prevalência de VIH/Sida de 2,5 por cento, o que se traduz em cerca de 400 mil pessoas infectadas.
´´A maior parte delas não conhece o seu estado serológico e grande parte dos que sabem estão à espera que Governo lhes dê condições de sobrevivência.
A ONG Acção Humana pretende que as comunidade sejam parte activa, participando na melhoria das suas condições de vida.





ABC sensibiliza mais de mil jovens sobre VIH/Sida

8 02 2010

Luanda - Pelo menos mil e quinhentos jovens e adultos foram sensibilizados hoje, domingo, sobre a transmissão do VIH/Sida, no município de Cacuaco, norte de Luanda, pelos activistas da Associação Beneficiente Cristã (ABC), da Igreja Universal do Reino de Deus.

A actividade teve lugar na praia da vila de Cacuaco, concorrida todos fins-de-semana por milhares de banhistas.

Em declarações à Angop, a presidente da agremiação, Raquel Reis, disse que ABC existe em Angola desde 1998 e no Brasil em 1991, com objectivo de ajudar a solucionar problemas sociais.

As actividades da ABC consistem na ajuda humanitária, nomeadamente dar alimentação, roupa usada, para minimizar as necessidades das pessoas com fracos recursos financeiros, bem como trabalha nas áreas da saúde, educação e reinserção social.

Acrescentou ainda que a ABC está implantada nas 18 províncias do país e tem levado ajuda às comunidades dessas zonas, em coordenação com os ministérios da área social do Governo Angolano e a palavra de Deus.

Informou ainda que esta actividade é mensal e em Dezembro último, realizou-se uma idêntica no mercado do Roque Santeiro, onde 1600 jovens foram sensibilizados sobre as doenças venéreas e receberam preservativos e conselhos para fazerem o teste de VIH/Sida.

Raquel Reis informou ainda que a próxima actividade será nas comunidades do município do Cazenga.

Angop – 07.02.2010





Discriminalização das drogas em Portugal fez consumo cair

8 02 2010

Dez anos separam duas realidades de um mesmo país. Até 2000, Portugal era tomado pela pior epidemia de drogas de sua história – e uma das mais graves da Europa. Hoje, os portugueses orgulham-se de sua bem-sucedida política de descriminalização. Na década de 1990, o país chegou a ter 150 mil viciados em heroína (quase 1,5% da população). Em 2001, o governo português arriscou: descriminalizou a posse individual de todas as drogas, da maconha à heroína. De lá para cá, a polícia portuguesa não prende quem porta pequenas quantidades de droga. No lugar da punição, os usuários flagrados são encaminhados para tratamento. Quando essa decisão foi aprovada pelo Parlamento, temia-se uma explosão no consumo. Mas o que se vê agora é uma queda no uso de todas as drogas e em todas as faixas etárias (leia nos quadros) .

Os números positivos da descriminalização só vieram a público no ano passado, com a publicação de um relatório do Cato Institute. Entre 2001 e 2006, as mortes por overdose caíram de 400 para 290. O registro de pessoas infectadas pelo HIV por compartilhar seringas contaminadas passou de 2 mil para 1.400. Mais importante: Portugal não virou destino para jovens europeus dispostos a se drogar sem que a polícia os incomodasse.

A teoria por trás da política liberal de descriminalização se baseou numa premissa humanista: “Você precisa fazer uma escolha entre tratar o usuário como criminoso ou como um paciente que precisa de ajuda”, diz Manuel Cardoso, diretor do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT). Para a lei portuguesa atual, quem é flagrado usando ou portando pequenas quantidades de droga não responde criminalmente. O limite é uma dose suficiente para dez dias de consumo. Se apanhado pela polícia, no entanto, esse usuário será encaminhado para uma “comissão de dissuasão”. No ano passado, cerca de 7.500 portugueses passaram pelas comissões. Um psicólogo, um advogado e um assistente social avaliam o perfil do usuário e recomendam tratamento ou multa. A penalidade para os traficantes em nada mudou. Quem negocia qualquer tipo de droga vai para a cadeia como um criminoso comum.

A medida pode parecer radical, mas seus efeitos mostram que ela teve êxito ao enfrentar a explosão da droga, iniciada nos anos 70, no embalo das mudanças de comportamento que sacudiram o país com a Revolução dos Cravos. Quando Portugal decidiu mudar sua lei antidrogas, em 2001, a Europa carregava na memória as imagens deprimentes de “zumbis” vagando pela Platzspitz, em Zurique, na Suíça. Lá, o que era para ser uma praça pública para os usuários se drogarem de maneira “segura”, com vigilância médica e seringas limpas, transformou-se num parque de diversões para drogados e traficantes. A Suíça reconheceu o fracasso da medida e fechou a praça em 1992.

A experiência de descriminalização em Portugal não repetiu o fracasso dos suíços. As primeiras estatísticas a chamar a atenção das autoridades portuguesas foram as do sistema de reabilitação dos usuários de drogas. De 1999 a 2008, o número de viciados que passaram por tratamento saltou de 6 mil para 24 mil. Para atender os novos usuários que procuraram a reabilitação, o uso de metadona, uma substância química usada no tratamento de toxicodependentes de heroína, quase triplicou entre 2001 e 2006. “Quando era tratado como criminoso, o usuário ficava no submundo”, diz Cardoso. “É esse o usuário que agora busca tratamento.”

O crescimento da procura pela reabilitação não mostrou nenhuma relação com o aumento do consumo – um dos maiores temores de quem criticara a lei no passado. As estatísticas do IDT mostram que o número de crianças e adolescentes que já experimentaram algum tipo de droga na vida diminuiu em todas as faixas etárias e em todos os tipos de droga. O uso de heroína, um indicador muito sensível para os portugueses que se lembram da epidemia da droga, continuou estável. Entre 2001 e 2007, a porcentagem de pessoas de todas as idades que admitem ter experimentado a droga pelo menos uma vez passou de 1% para 1,1%, uma diferença considerada insignificante pelos estudiosos.

A maconha, droga que já foi consumida por pelo menos 10% dos portugueses acima dos 15 anos, também parece ter saído de moda. Hoje, Portugal está entre os países com um dos menores índices de consumo da droga na Europa. O número impressiona quando comparado, por exemplo, ao consumo de maconha nos Estados Unidos, onde 39% da população acima de 12 anos já consumiu a droga. Proporcionalmente, há mais americanos cheirando cocaína que portugueses fumando “baseados”. Esse tipo de comparação virou argumento poderoso para os defensores da descriminalização. “Portugal é um exemplo que deveria ser cuidadosamente levado em conta por outros países”, escreveu o advogado americano Glenn Greenwald, diretor do Cato Institute e autor da pesquisa sobre a descriminalização.

Greenwald, considerado um dos advogados mais influentes dos EUA, ressalta outra vantagem: o tráfico de drogas parece ter diminuído. O número de traficantes acusados pela Justiça portuguesa diminuiu depois da lei. Em 2000, houve 2.211 acusações. Em 2008, foram 1.327. Se o rigor da polícia e da Justiça portuguesas se manteve inalterado na última década, isso poderia mostrar que a “guerra contra as drogas” defendida pelos Estados Unidos tem uma natureza falha.

OlharDirecto – 07.02.2010





Presidente da África do Sul tem filho fora de seus três casamentos e gera polêmica

8 02 2010

Até que ponto a vida pessoal do presidente de um país é uma questão íntima e quando ela passa a ser de interesse público? Esta é a pergunta que não sai das manchetes dos jornais sul-africanos há quatro dias, desde que foi publicado que o presidente Jacob Zuma teve, em outubro passado, um filho fora de seus casamentos.

Casamentos, no plural, porque Zuma, de origem zulu, é adepto da poligamia e tem três esposas. O presidente já foi casado outras duas vezes, num total de cinco matrimônios, e está noivo pela sexta vez.

Com a nova criança, Zuma tem agora 20 filhos reconhecidos. O último e mais polêmico é fruto de seu envolvimento com Sonono Khoza, filha do presidente do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2010, Irvin khoza, seu amigo de longa data.

A discussão ganhou força depois que o porta-voz do partido de Zuma, Jackson Mthembu, argumentou que o que o presidente faz fora do gabinete não deve ser discutido publicamente. Zuma admitiu nesta quarta-feira, depois de quatro dias de silêncio, ser o pai da criança, mas acusou a mídia de invadir sua privacidade e desrespeitar seus direitos ao expor seu filho e a mãe dele publicamente.

“Não é porque ocupo esta cadeira que devo ter minha privacidade violada”, afirmou o presidente em nota oficial. “É uma pena que um assunto tão íntimo seja tratado com tanta agressividade pela mídia. Filho de ninguém deve ser exposto desse jeito, nem do presidente.”

Entretanto, no último sábado (6), Zuma recuou e disse que, após refletir muito sobre o tema, lamenta a dor causada. “Isso tem colocado muita pressão sobre a minha família e sobre o meu partido. Eu lamento profundamente a dor que eu causei a minha família, ao partido, aos sul-africanos em geral,” declarou, além de ter reiterar que considera “a família como uma instituição”.

Aids

No entanto, o que jornalistas, políticos e especialistas argumentam é que as ações do presidente podem trazer consequências negativas para o país, principalmente no combate à Aids. A África do Sul tem a pior epidemia da doença em todo mundo com 5,7 milhões de casos e, para muitos, o presidente deveria ser o primeiro conscientizar a população sobre a importância do sexo seguro.

Para Helen Zille, do partido de oposição Aliança Democrática, o comportamento de Zuma ajudou a minar a política de combate à doença no país.

“É um caso sério, porque mostra como Zuma é uma pessoa com atitudes duvidosas, em quem o povo não pode confiar. Como alguém pode defender em público o uso da camisa e simplesmente ignorá-la em sua vida pessoal?”, questionou Zille. “Esta é a mensagem que nosso presidente quer passar aos sul-africanos?”, ironizou.

Em dezembro do ano passado, dois meses depois de seu filho nascer, Zuma abraçou uma campanha nacional para o uso de preservativos e para a importância do exame de HIV. Com isso, o presidente queria se distanciar da imagem negativa de seu antecessor, Thabo Mbeki, que teve um governo desastroso na área da saúde. Mas a revelação de seu vigésimo filho serviu para tirar a credibilidade de suas ações.

“De fato suas atitudes na cama não combinam em nada com uma campanha de prevenção”, criticou a cientista política Nomboniso Gasa

Em 2005, o presidente já havia protagonizado outra polêmica envolvendo sua vida sexual e a Aids. Zuma foi acusado de estupro e durante seu julgamento alegou ter tomado um banho depois do sexo para não contrair a doença. Na época, chegou a pedir desculpas aos sul-africanos pelo episódio e, em 2009, quando se tornou presidente, elegeu a luta contra a Aids uma das prioridades de seu governo.

“Zuma e o CNA (partido de Zuma) não entendem a relação entre responsabilidade pública e comportamento privado. Se alguém critica a corrupção, mas é o primeiro a roubar, está passando uma mensagem duvidosa aos cidadãos. O problema é que Zuma acredita que está acima da lei e das normas sociais”, atacou Zille.

A governadora da província do Cabo Ocidental também criticou o fato de o presidente estar usando a poligamia, uma prática legal no país, para justificar suas ações.

“Ele apela para o aspecto cultural para tentar calar as críticas legítimas. Esta é uma estratégia oportunista e abusiva”, analisou Zille.

O segundo partido de oposição mais importante do país, o Congresso do Povo, também foi veemente em suas críticas ao caso. Segundo o presidente do partido, Mosiuoa Lekota, Zuma “deve de se comportar como um presidente e não como um gigolô”.

“Poligamia não significa promiscuidade e tal comportamento não é justificável sob quaisquer circunstâncias. É claro que o presidente não vê nada de errado nisso. Ele é um mau exemplo aos jovens”, repreendeu Lekota.

No entanto, o editor do jornal sul-africano “The Citizen”, Cedric Mboyisa, alertou que as pessoas, em especial a imprensa, estão criticando muito o fato de Zuma não ter usado camisinha, sem saber o presidente e Sonono Khoza fizeram o exame de HIV antes de se relacionarem.

“Claro que continua sendo um adultério, mas eles podem escolher se querem ou não se proteger, desde que não tenham a doença”, ponderou Mboyisa.

Já no campo financeiro, o advogado Pierre de Vos lembrou que o vigésimo filho de Zuma também trará implicações negativas para o país.

“Educar uma criança custa cerca de um milhão de rands (R$ 250 mil) e, se o presidente tem 20 filhos, é bom perguntar quem está pagando por eles”, disse De Vos.

Pela constituição sul-africana, tais despesas podem pesar ainda mais no bolso do sul-africano, caso Zuma resolva se casar com Sonono Khoza. Isso porque todas as esposas oficiais do presidente recebem uma mesada do estado de cerca de 150 mil rands (aproximadamente R$37 mil) por ano.

Marta Reis/G1 – 07.02.2010





Aids avança entre garotas com idades de 13 a 19 anos

8 02 2010

Rio – Trinta anos depois do primeiro caso de Aids no Brasil, a epidemia mudou de cara entre os jovens com idades de 13 a 19 anos. Nesse grupo, as meninas já são 60% das pessoas contaminadas — o vírus sempre afetou mais homens do que mulheres no País em todas as faixas etárias. Ontem, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, lançou no Rio a Campanha de Prevenção a Aids no Carnaval e garantiu que adolescentes com mais de 12 anos podem fazer testes de diagnóstico de HIV mesmo sem a presença dos pais.

“É um direito desse jovem, mesmo sem autorização da família, fazer a testagem. A questão central é a saúde”, disse o ministro. A campanha, que tem como slogan ‘Camisinha. Com amor, paixão ou só sexo mesmo. Use sempre’, tem como público-alvo as garotas e os rapazes gays com idades entre 13 e 19 anos. Na segunda fase, após o carnaval, jovens serão incentivados a fazer o teste.

Segundo o estudo do ministério, 64,8% das mulheres com idades entre 15 e 24 anos fizeram sexo no último ano, e 66% delas não usaram preservativos em todas as relações casuais. A confiança no parceiros faz com que 30% não usem o preservativo.

“As mulheres têm dificuldades de negociar o uso do preservativo. Elas usam nas primeiras relações com um parceiro, mas depois acabam confiando e abrem mão da proteção, mesmo sem saber se o parceiro tem o vírus ou não”, diz Eduardo Barbosa, diretor adjunto do Departamento de DST e Aids do Ministério. “As relações hoje são mais passageiras e cada vez mais o início sexual é precoce”.

A dificuldade de acesso e até mesmo o constrangimento de ser vista com um preservativo facilita a exposição das jovens. “ A sociedade é machista. Quando a garota tem preservativo, começam as brincadeiras maliciosas, pejorativas”, diz Eduardo, lembrando que os meninos se orgulham de ter preservativos na carteira.

O medo de que os pais descubram o produto na bolsa também dificulta a proteção. “Se a família é mais rígida, mais religiosa, por exemplo, fica mais complicado para essa adolescente ter camisinha em casa e ter que se explicar”, diz Jane Portela, do Programa de Prevenção a DST/Aids da Secretaria Estadual de Saúde. A ingestão de álcool é outra preocupação. “A bebida altera os sentidos e é difícil ter a lucidez de usar camisinha”, diz Jane.

Autora do livro ‘Aids e Juventude: gênero, classe e raça’, Stella Taquete lembra uma característica dos adolescentes que aumenta o risco. “Eles não têm maturidade. Não acreditam que podem se contaminar”.

Rapazes gays também expostos

O preconceito está fazendo com que os gays já sejam maioria entre os homens com Aids, na faixa entre 13 e 19 anos. De acordo com o Ministério da Saúde, nessa idade a transmissão da doença já é 39% por sexo homossexual e 22%, heterossexual. Entre a população masculina em geral, 45% dos contaminados relatam que a transmissão ocorreu por sexo com mulheres.

“Eles sofrem preconceito na escola e, muitas vezes, na família. Isso faz com que baixem a guarda na hora de se prevenir, o que os deixa mais vulneráveis ao HIV”, explica Mariângela Simão, diretora do Departamento de DST/Aids do Ministério da Saúde.

O jovem A., 20 anos, soube que estava com Aids há dois anos. “Procurei meu ex-namorado, mas ele não quis falar sobre o assunto. Quando a gente começou a namorar, a gente usava camisinha, mas com o tempo a gente acaba confiando e abrindo mão uma vez ou outra”, diz ele.

Ele diz que custou a acreditar no resultado do teste. “Afeta muito a autoestima quando a gente sabe. Contei aos meus pais, mas nem todos os amigos sabem”.

Vânia Cunha e Pâmela Oliveira/O Dia Online – 06.02.2010





Portugal não tem números sobre mutilação genital

7 02 2010

O plano nacional de acção contra a mutilação genital feminina, a decorrer há um ano, actuou principalmente na sensibilização dos profissionais da Saúde e da Educação para a detecção de mulheres ou meninas afectadas por esta prática, disse a secretária de Estado da Igualdade.

A propósito do Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina, que se assinalou ontem, a secretária de Estado para a Igualdade, Elza Pais, disse que em Portugal foi definida uma estratégia que “passa sobretudo pela sensibilização e formação de profissionais da Educação e da Saúde”.

Na área da Saúde, os profissionais receberam formação para “detectar situações destas e poderem ajudar a minimizar os efeitos negativos da mutilação em mulheres que já a viveram”, a nível da sua saúde sexual e reprodutiva, explicou.

Na Educação, o objectivo é que “em idades cada vez mais jovens, as nossas raparigas e mulheres sejam sensibilizadas para este facto”.

Mais que criminalizar, o que está previsto no Código Penal desde 2007, pretende-se “promover a mudança de comportamentos e de atitudes de modo a que a mutilação genital feminina venha a ser condenada como valor de base pelas comunidades e pelas pessoas que a poderão vir a praticar”, insistiu Elza Pais.

A governante referiu que não existem “números reais” em Portugal sobre este tema, já que se trata de um “fenómeno opaco”, sendo alguns casos detectados nas consultas médicas.

Segundo as Nações Unidas, este problema afecta 140 milhões de mulheres e meninas, estando anualmente em risco três milhões.

Na Europa, de acordo com dados do Parlamento Europeu, vivem 500 mil mulheres e jovens que foram vítimas da prática, estando em risco 140 mil por ano.

Jornal de Notícias – 07.02.2010





Campanha de prevenção à aids no carnaval deste ano foca em jovens gays e meninas entre 13 e 19 anos

7 02 2010

Desde 2000, a epidemia de aids começou a mudar de comportamento entre os jovens, informa o Ministério da Saúde.

Hoje, por exemplo, na faixa etária de 13 a 19 anos, a maior parte dos casos diagnosticados da doença está entre as mulheres. Entre os jovens de 20 a 24 anos, os casos se dividem de forma equilibrada entre os dois gêneros.

Percebe-se também um aumento de casos de aids nos adolescentes gays. Em 2007, 39,2% dos casos diagnosticados da doença foram entre os jovens do sexo masculino  que fazem sexo com outros homens.

Segundo o Ministério da Saúde, diversos fatores explicam a maior vulnerabilidade dos jovens para a infecção pelo HIV.

Entre as meninas, as relações desiguais  de gênero e o não reconhecimento de seus direitos, incluindo a legitimidade do exercício da sexualidade, são algumas dessas razões.
Já entre os jovens gays, falar sobre a sexualidade é ainda mais difícil, pois precisam enfrentar o preconceito nos ambientes sociais e, na maior parte dos casos,  a falta de apoio da família.

Presente no evento, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, falou sobre a polêmica criada em torno das campanhas voltadas para adolescentes, principalmente a distribuição de preservativo e a realização de testes de HIV nas escolas.
“Toda ação de prevenção que envolve a questão da sexualidade gera polêmica. Mas precisamos insistir nisso. Fazer a testagem é um direito dos jovens. Qualquer política de saúde séria tem que estimular o sexo, pois comprovadamente faz bem à saúde. Entretanto, ele tem que ser feito de forma consciente.”

A diretora do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, ressaltou que aumento no número de casos de meninas infectadas tem uma explicação: “As meninas tem outro tipo de relação sexual. Uma pesquisa revelou que 30% delas confiam no parceiro. Levar o preservativo na bolsa é algo responsável, mas muito desconfortável para elas”.

O Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde aponta que do total de casos de aids registrados em jovens até junho de 2009, 5.959 (50,6%) foram diagnosticados em meninos e 5.827 casos (49,4%) em meninas.

O governo destaca o Programa Saúde e Prevenção nas Escolas como uma das principais iniciativas de prevenção ao HIV entre os jovens.
Criado em 2003, este programa tem como objetivo central desenvolver estratégias para redução das vulnerabilidades de adolescentes e jovens, envolvendo as escolas e as unidades básicas de saúde.

Ester Machado, do Rio de Janeiro/Agência de Notícias da Aids – 06.02.2010





Reportagem de Cândida Pinto nomeada para o FIGRA

7 02 2010

A estação de Carnaxide tem uma reportagem assinada por Cândida Pinto a participar no mais prestigiado festival de Grande Reportagem, o Figra.

“Eu e os meus irmãos” é um trabalho sobre orfãos de Sida em Moçambique, com imagem de Jorge Pelicano e montagem de Ricardo Tenreiro.

O Figra é o Festival Internacional de Grande Reportagem de Actualidade, Documentário e Sociedade, que se realiza em Paris.

Também ontem, a estação comunicou que uma outra reportagem da SIC ganhou o prémio “A Família na Comunicação Social”. Trata-se de “Uma vida normal”, de Sofia Arede.

Jornal de Notícias – 05.02.2010





HIV em escolas do Maranhão

5 02 2010

OAB informou que pediria fiscalização por parte do Ministério Público. Exames eram realizados sem aviso prévio ou autorização dos pais.

A Secretaria de Saúde do Maranhão suspendeu, nesta quarta-feira (3), a realização de exames de diagnóstico rápido de HIV feitos em alunos do ensino médio. A ação começou a ser feita na sexta-feira (29) e, até terça-feira (2), 299 testes tinham sido feitos em três das cinco escolas escolhidas para iniciar a campanha. Destes, todos tiveram resultado negativo.

A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) anunciou, nesta quarta-feira (3), que pediria ao Ministério Público para fiscalizar a realização dos exames HIV. De acordo com a Secretaria de Saúde, os testes eram realizados sem a necessidade de aviso prévio ou autorização dos pais.

Em nota, a Secretaria de Saúde do Maranhão informou que os exames foram suspensos a pedido do secretário Ricardo José Murad. Ainda segundo a determinação, todos os procedimentos até então adotados na realização dos testes de HIV deverão ser revistos, incluindo os pertinentes ao Ministério da Saúde, que tem conhecimento do programa, segundo o documento.

A secretaria informou ainda que os testes são realizados de acordo com o Protocolo do Ministério da Saúde (2004, pg.38, item 9), que trata sobre ‘implicações éticas do diagnóstico e da triagem sorológica do HIV’.

Defesa da privacidade

Para Luis Antonio Pedrosa, presidente da comissão da OAB, a iniciativa da Secretaria de Saúde é positiva, mas aponta um erro considerado por ele como grave no procedimento adotado. “Temos a preocupação com um possível constrangimento ao adolescente durante o processo e após a comunicação do resultado do exame. Isso pode afetar o desempenho escolar e até provocar bullying [termo usado quando um grupo intimida e agride uma pessoa causando humilhação e violência].”

A coordenadora do programa de DST/Aids da Secretaria de Saúde do Maranhão, Osvaldina Mota, disse ao G1 que o objetivo da realização dos testes nas escolas é frear o aumento de casos notificados de HIV em adolescentes do sexo feminino no estado. O resultado fica pronto em 15 minutos e a demanda é voluntária.

“Queremos que os jovens tenham acesso a um diagnóstico precoce e também ao atendimento necesssário e adequado. Já temos um trabalho preventivo realizado em 100 escolas estaduais, com profissionais capacitados, além de professores e pais treinados para atuar na área.”

Pedrosa disse que não recebeu detalhamento de como o processo está sendo realizado e anunciou que pediria aos representantes da Vara da Infância e da Juventude do Maranhão que o procedimento fosse fiscalizado. “O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) dá garantias ao jovens nesse caso. Não há nada que justifique a ausência dos pais ou responsáveis legais do alunos na realização dos exames.”

Código de ética

Enfermeira de formação, Osvaldina disse que estruturou a ação para os testes nas escolas de ensino médio, sem a participação dos pais na decisão do jovem optar por fazer ou não o teste de HIV, no Código de Ética Médica. “O médico é proibido de revelar segredo profissional referente a paciente menor de idade, inclusive a seus pais e responsáveis legais, desde que o menor tenha capacidade de avaliar seu problema e de se conduzir por meios próprios para solucioná-lo.”

Pedrosa afirmou que esse argumento da coordenador do programa DST/Aids não justifica a ausência dos pais dos adolescentes antes dos exames serem feitos, durante o processo e após o resultado divulgado, principalmente em casos que o exame der positivo.

“Essa escolha não deve ser feita pelo adolescente, principalmente quando o ambiente for escolar. É preciso haver um detalhamento maior de como estão sendo feitos os exames para garantirmos a integridade e o patrimônio moral do jovem. Isso não pode ser entregue à própria criança e adolescente. Quem os representa legalmente são os pais”, afirmou Pedrosa.

Estatísticas

Segundo ela, dos 4.524 casos notificados de pessoas infectadas com o HIV no Maranhão, entre 1985 e 2009, 2,2% estão na feixa etária de 13 a 19 nos. “Entre os rapazes, o índice é de 1,6%. Entre as meninas, o índice chega a 3,2%. Na faixa etária de 20 a 24 anos, que representa 11,5% do total, o número de mulheres infectadas também é maior do que na esfera masculina. São 13% dos registros contra 10,7% dos homens.”

Na faixa etária de 25 a 29 anos, o número de casos notificados entre as mulheres é 21,9% contra 19,3% de homens em um total de 20,2% dos registros no período de 1985 a 2009 no estado. “A partir da faixa etária de 30 a 34 anos até os registros entre a população entre 40 e 49 anos, o número de casos confirmados é maior entre os homens”, disse Osvaldina.

G1 – 04.02.2010





Angola: Malária e Sida são as principais causas de morte

5 02 2010

Pelo menos 844 pessoas morreram o ano passado em distintas unidades hospitalares da província do Cunene, sendo a principal causa a malária, indica o informe anual da direcção provincial da Saúde.

Entre as principais causas de morte nos hospitais, a malária posiciona-se a frente da lista com 388 óbitos, a seguir vem o VIH/Sida com 124, as doenças respiratórias agudas com 90, o sarampo com 74, as diarreicas com 62, a tuberculose com 42 e os acidentes de viação com 29 óbitos.
Durante o ano findo, os centros registaram um total de 109.023 internamentos, sendo 84.482 por malária, 13.245 por doenças respiratórias agudas, 1.059 por sarampo, 8.458 por diarreias, 771 por tuberculose, 698 por VIH/Sida.
O balanço aponta para uma ligeira diminuição da mortalidade por malária em relação ao ano de 2008. A redução, de acordo com o director provincial da Saúde, Eduardo Ayumba, deve-se à maior divulgação das medidas de prevenção que o sector tem vindo a implementar na província. Já o número de óbitos foi elevado quanto ao de 2008.
“Temos a realçar que a província sofreu um surto epidémico de sarampo e alguns casos de meningite nos últimos quatro meses do ano findo, o que provocou o aumento do número de óbitos”, aclarou.

Vacinação

Durante o ano de 2009, na província foram realizadas campanhas periódicas de vacinação que culminaram com a imunização de 137.537 crianças, dos zero aos 5 anos, contra a pólio, o sarampo, a febre-amarela e o tétano. Às referidas crianças também foi administrada a vitamina A.
Das crianças vacinadas, 53.l38 pertencem ao município do Cuanhama, 27.548 de Ombadja, 20.858 de Cuvelai, 18.025 de Namacunde, 10.484 do Cuanhama e 7.237 do Curoca.
Ainda no mês de Outubro realizou-se a campanha “Viva a Vida com Saúde”, em que foram dadas 260.364 doses de sarampo a nível provincial, sendo 249.l44 no município da Cahama, 920.000 no Cuanhama, 175.200 no Curoca, 335.020 no Cuvelai, 336.060 em Namacunde e 587.020 em Ombadja.

Unidades sanitárias

A direcção provincial da Saúde do Cunene controla actualmente 116 unidades sanitárias, sendo o Hospital Geral de Ondjiva, sete hospitais de referência, 92 postos de saúde e 17 centros de saúde.
A província conta ainda com duas escolas técnicas de formação básica profissional de saúde, das quais uma na cidade de Ondjiva e outra na Missão Católica do Chiulo.

Recursos humanos

O Hospital Geral funciona com 42 médicos, cinco dos quais nacionais, enquanto.
Já o hospital de Namacunde conta com oito médicos, sendo cinco russos e três cubanos, nas especialidades de ginecologia e bstetrícia, pediatria, cirurgia, internistas e clínica geral.
O hospital municipal de Ombadja funciona com sete médicos, enquanto o da Cahama possui quatro médicos. Os municípios do Cuvelai e do Kuroca contam apenas com um médico angolano de clínica geral cada. O centro hospitalar do Chiulo conta com dois médicos italianos de clínica geral.

Perspectivas para 2010

O director provincial da Saúde, Eduardo Ayumba, disse que, para o ano de 2010, pretende-se a conclusão da ampliação dos hospitais do Chiulo e Xangongo, a criação de núcleos de formação permanente em todos os municípios e a conclusão da vedação do hospital do Cuvelai.
A abertura de mais 12 áreas de saúde no quadro do processo de revitalização, montagem de dezanove painéis solares para cadeias de frio, organização dos serviços de triagem no banco de urgência no hospital geral de Ondjiva, constam entre as prioridades.

Necessidades básicas

Eduardo Ayumba indicou alguns materiais e equipamentos necessários nos hospitais a nível provincial, sendo aparelhos de RX, de ecografia, monitor e a construção de uma nave para os serviços de isolamento de doenças infecto-contagiosas no hospital geral de Ondjiva, como as principais necessidades.
Também foram indicadas como acções prioritárias a construção de albergues para acomodação dos médicos, sobretudo estrangeiros, para evitar o arrendamento constante de casas, descentralização e desconcentração dos serviços materno-infantil no hospital geral da cidade, aquisição de material médico e de medicamentos e apetrecho das unidades sanitárias.
É imperiosa também a compra de 58 botijas de gás butano e seus componentes, para as mini arcas do Programa Alargado de Vacinação, compra e montagem de painéis solares, admissão de mais pessoal, entre médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico terapêutico e pessoal hospitalar para as áreas administrativas.
Acrescentou que os hospitais precisam de ambulâncias e outras viaturas de apoio hospitalar, construção ou ampliação de laboratórios de análises clínicas e seu apetrecho. Há ainda a destacar a necessidade de ampliação dos hospitais do Chiulo e Xangongo e residência dos funcionários.

Jornal de Angola – 04.02.2010





Políticos e figuras públicas participam em campanha contra discriminação

5 02 2010

Cerca de 40 figuras públicas responderam ao repto lançado por associações de luta contra a sida para participar na campanha “Se eu fosse seropositivo”, que lança na segunda feira uma linha de apoio a seropositivos vítimas de discriminação.

A Associação SER+ (Associação Portuguesa para a Prevenção e Desafio à Sida) e o GAT (Grupo Português de Ativistas sobre Tratamentos de VIH/Sida) são os promotores da nova campanha, que pretende alertar para a discriminação contra uma doença que já infetou cerca de 35 mil pessoas em Portugal.

Como reagiria se uma figura pública que reconhece e admira pelo seu trabalho, pelo seu talento ou pelo seu carisma, fosse seropositiva? É o desafio proposto pelas associações.

Para isso, convidaram figuras públicas de várias áreas, como política, teatro, desporto, entretenimento, moda, a música, que reponderam na primeira pessoa à pergunta “Se eu fosse seropositivo”.

Ao todo, “participam no projeto 39 pessoas, todas figuras públicas”, disse à agência Lusa Andreia Ferreira, coordenadora da Associação SER+, adiantando que foram ainda convidados autarcas de todo o país (18), mas apenas os de Cascais, Leiria, Santarém, Guarda e Évora aceitaram participar.

O convite foi estendido aos líderes partidários, tendo respondido positivamente Jerónimo de Sousa (PCP), Paulo Portas (CDS/PP) e Francisco Louçã (BE).

Foi ainda lançado o repto ao primeiro ministro e a alguns ministros, como da Saúde, Finanças e Economia. “Uns recusaram e outros não responderam”, comentou Andreia Ferreira, acrescentando que o maior desafio foi convencer os políticos a participar.

A campanha consiste no lançamento de um Centro Anti-Discriminação, que terá uma linha telefónica (707 240 240), através da qual uma equipa de juristas prestará apoio a todas as pessoas que se sintam vítimas de discriminação por serem seropositivas.

Este projeto surge na sequência de casos de discriminação relatados na comunicação social. “Achámos que era necessário um debate urgente para levantar uma série de questões. A conclusão a que chegámos foi de que as pessoas não estão esclarecidas sobre as formas de transmissão da sida”, justificou Andreia Ferreira.

Este desconhecimento “cria muitas dúvidas e leva a estas situações de injustiça”, acrescentou.

A partir de segunda feira, os portugueses poderão ver na televisão, em cartazes, nas caixas Multibanco e ouvir nas rádios várias frases de figuras públicas, como a do humorista Herman José, que questiona: “Se eu fosse seropositivo, faria humor comigo?”.

Francisco Louçã interroga “Se eu fosse seropositivo, será que me ouvia?”, enquanto Jerónimo de Sousa questiona “Se eu fosse seropositivo, votaria em mim?” e Paulo Portas diz “Se eu fosse seropositivo, mudaria a sua opinião sobre mim como político?”.

Já o futebolista Nuno Gomes pergunta “Se eu fosse seropositivo, jogaria num grande clube?” e Laborinho Lúcio interroga: “Se eu fosse seropositivo, teriam confiado em mim como juiz?”.

A campanha, que conta com o apoio da Gulbenkian, entre outras entidades, vai ser lançada em todo o país e estará presente em várias rádios e também em 1220 redes de caixas Multibanco até ao final do mês de fevereiro.

Destak – 04.02.2010





Coordenação Nacional para a Infecção VIH/sida

5 02 2010
A Coordenação Nacional para a Infecção VIH/sida lançou uma campanha pelo uso do preservativo que inclui dois anúncios para TV e cinema. A promessa de visibilidade nesses media e nas caixas multibanco, “mupis” e Internet não resultou comigo, pois só…

A Coordenação Nacional para a Infecção VIH/sida lançou uma campanha pelo uso do preservativo que inclui dois anúncios para TV e cinema. A promessa de visibilidade nesses media e nas caixas multibanco, “mupis” e Internet não resultou comigo, pois só dei conta deles pelo novo meio usado pelos publicitários: o jornalismo. Foram as notícias nos jornais que me deram a conhecer os dois “spots”, pelo youtube. Muitos jornais e jornalistas são actualmente o media gratuito para a divulgação de campanhas. A propósito de uma vaga promessa de “polémica”, os media jornalísticos tornam-se os principais divulgadores de marcas comerciais ou de causas sociais.

Neste caso, o interesse jornalístico justifica-se por ser a primeira campanha portuguesa de luta contra a SIDA centrada em relações homossexuais. É estranho que chegue tão tarde. Há anos que vemos anúncios comerciais e telenovelas de grande audiência denotando relações homossexuais. O atraso conservador da Coordernação Nacional é de condenar, quando ela mesmo afirma que os “homens que têm sexo com homens” são uma população “particularmente vulnerável”. A prudência da entidade chega ao absurdo de enganar-nos ao afirmar que a campanha visa alertar para o risco de infecção em “todas as relações sexuais, independentemente da orientação sexual dos(as) parceiros(as)” quando os anúncios só visam as relações homossexuais.

Dado o medo de tratar o tema, os “spots” recorrem à narrativização, a forma mais antiga do mundo para tornar os temas aceitáveis e compreensíveis. Qualquer narrativa visa criar uma cadeia de acontecimentos que seja lógica e inevitável para o receptor. A estória normaliza o que mostra e narra, tornando-o “real”. Estes “spots” ficcionalizam relações homossexuais pudicamente. Num, narra-se uma relação estável num casal de um homem que trabalha e de um dono de casa (o casal recebe nomes, o “Francisco” e o “Pedro”, para tornar a narrativa ainda mais credível); no outro “spot”, uma relação fortuita no local de trabalho acaba ao nascer do sol com um despertar romântico no automóvel.

As narrativas são suaves, com ligeiro suspense. No anúncio do casal simula-se, fechando os ângulos da câmara, que o homem que parte para o trabalho ajeita o cobertor da cama para uma pessoa que não se vê, sugerindo-se que poderia ser uma mulher. Seguem-se as rotinas dos parceiros em montagem paralela: um no emprego, outro nas compras, na lavandaria e cozinhando. Só no final se encontram junto do fogão da cozinha com carícias entre marido e marido.

No segundo anúncio, a tentativa de criar suspense envolve mulheres que olham gulosamente para um homem que chega à empresa de manhã, mas ele não lhes liga nenhuma. Espera-o na secretária um post-it a perguntar “Cafézinho?” com um coração desenhado em forma de assim. Já de noite, ainda há suspense quando ele olha para a mulher da limpeza, mas logo cruza o olhar com um colega. Acordam no carro do primeiro. Neste anúncio não se vê qualquer contacto físico.

Os anúncios recordam aos homossexuais o uso do preservativo, seja por rotina, seja numa relação casual. Na primeira narrativa, o dono de casa traz preservativos do supermercado; na outra, vê-se a embalagem aberta do preservativo em primeiro plano no tablier do carro quando
o casal acorda.

Os anúncios usam personagens da classe média ou média alta, o que permite duvidar da sua eficácia junto de homossexuais da classe baixa que não se identifiquem com o tipo de vida e o tipo de empregos mostrados; a obsessão de criar situações normais e pudicas pelo mais irresistível dos processos, a narrativa, pode ter-se sobreposto à importância de chegar a todo o público-alvo.

Negócios Online – 05.02.2010