DIA MUNDIAL DE LUTA CONTRA A AIDS 2009 .VIVER COM AIDS É POSSÍVEL. COM O PRECONCEITO NÃO.

27 11 2009

Pesquisas sobre o comportamento da população brasileira alertam para o fato de que, apesar das pessoas possuírem informações sobre as formas corretas de prevenção do HIV/Aids, o preconceito e a discriminação ainda é muito forte na sociedade brasileira. Por isso, a campanha do Ministério da Saúde para o dia 1º de dezembro, Dia Mundial de Luta Contra a Aids tratará o preconceito como tema.

O slogan “Viver com Aids é possível. Com o preconceito não” é uma resposta às pesquisas. Quem vive com HIV/Aids pode trabalhar, estudar, praticar esportes, namorar, fazer sexo com camisinha, como todo mundo. É preciso respeitar a rotina médica de tratamento, mas o mais difícil de viver com HIV/Aids é ter que conviver com o preconceito.

Já está no ar o site da campanha www.todoscontraopreconceito.com.br, que reúne informações Aids e convida todos os brasileiros a participarem da corrente contra o preconceito. Totalmente interativo, o site estimula o envio de vídeos, fotos e cartas pela população com sugestões e colaborações na luta contra o preconceito e integra as redes sociais oficiais – Orkut, YouTube, Twitter, Flickr – do Ministério da Saúde na campanha.

As participações mais criativas e assertivas vão compor o web vídeo da campanha, que será veiculado na internet e nas redes sociais, numa iniciativa inovadora do Ministério da Saúde.

Vik Muniz – “O Beijo”

No dia 20 de setembro, o Ministério da Saúde organizou uma grande mobilização de pessoas vivendo e convivendo com HIV/Aids. Na cidade de Guarulhos/SP, o artista brasileiro Vik Muniz produziu imagens gigantescas de beijos, símbolo universal do amor e da solidariedade, com cerca de 1.200 pessoas, inscritas pelo twitter. As pessoas seguraram imagens que foram fotografas, criando mosaicos. O resultado ficará exposto no MASP.

O Dia Mundial de Luta contra a Aids – Lançamento 2009

  •  Dia:  1 de dezembro, das 10h30 às 12h

  •  Local: Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB)

  •  Lançamento da obra “O Beijo”, de Vik Muniz

Mais informações:

Núcleo de Comunicação Interativa – Gabinete do Ministro – Ministério da Saúde

Fernanda Scavacini                                                                      Andrea da Cunha Rocha

E-mail: fernanda.scavacini@saude.gov.br                             andrea.cunha@saude.gov.br

Tel.: (061) 3315-2678/ 9655-1592                                          (061) 3315-2678/ 8116-5676

 





Quarenta por cento dos portugueses já fizeram o teste do VIH

27 11 2009

Nunca os portugueses fizeram tantos testes VIH/sida, a avaliar pelas respostas que deram a um inquérito representativo da população nacional realizado para a Coordenação para a Infecção VIH/Sida. À pergunta se fizeram um teste alguma vez na vida, responderam que sim 39 por cento dos portugueses – o número maior desde que a contabilidade é feita com uma amostra representativa da população, constata o coordenador nacional, Henrique Barros.

A pergunta foi sendo sucessivamente feita aos portugueses com mais de 18 anos desde 2005. Nesse ano responderam positivamente 23,6 por cento dos inquiridos, em 2006 foram 27 por cento, em 2007 eram 33 por cento e, no ano passado, o número chegou aos 39 por cento. Esta percentagem fica sobretudo a dever-se à adesão das gerações mais novas: até aos 40 anos, já fez o teste mais de metade, uma percentagem que é bastante mais baixa – 23 por cento – nas pessoas entre os 55 e 64 anos, nota o responsável.

Em média, cada pessoa que diz ter feito o teste realizou-o três vezes na vida. “É verdade que quem corre mais riscos tende a fazer mais testes”, mas também basta que uma mulher tenha tido dois filhos para que o teste lhe tenha sido pedido duas vezes, refere.

Para uma pessoa com actividade sexual, “o ideal é que o tenham feito pelo menos uma vez na vida”. Henrique Barros constata que “há uma percentagem razoável de pessoas que já realizou sete, oito vezes o teste”, o que pode significar “que houve uma acumulação de situações de risco”. “Fazer um teste não é um acto preventivo”, explica.

Entre os inquiridos, 37 por cento tinham feito um teste “há menos de um ano, metade [51 por cento] por iniciativa própria”, quando “há quatro anos estes só eram 39 por cento”. Quanto às campanhas de prevenção realizadas nesta área, 42 por cento dos portugueses “recordam espontaneamente alguma delas”, um número que era mais baixo em 2006 (25 por cento). Henrique Barros sublinha, contudo, que “está comprovado que o problema não se resolve com campanhas de TV, mas sim com educação cívica e educação sexual nas escolas”, entre outras estratégias.

Público – 27.11.2009





Menos novas infecções mas mais pessoas a viver com o VIH

26 11 2009

Boas notícias: prevenção e medicamentos fizeram cair os números da doença. Menos boas: a prevenção está a perder fôlego.

Globalmente, nos últimos oito anos, as novas infecções pelo vírus da sida diminuíram 17 por cento. Esta foi uma das principais boas notícias ontem anunciadas pelo Programa Conjunto das Nações Unidas para o VIH/Sida (OnuSida). Tanto mais quanto essa descida também se verifica nas regiões do planeta mais atingidas pela doença. Mais precisamente, desde 2001, o número de novas infecções na África subsariana desceu 15 por cento; no mesmo período, no Leste asiático as novas infecções caíram quase 25 por cento, enquanto no Sudeste asiático caíram 10 por cento.

“A boa notícia é que temos provas de que os declínios que estamos a ver são devidos, em parte, à prevenção”, disse num comunicado Michel Sidibé, director executivo da OnuSida.

Os dados também mostram que, actualmente, há mais pessoas do que nunca no mundo a viver com o VIH, graças às terapias anti-retrovirais. Mais: as mortes por doenças relacionadas com a sida diminuíram mais de 10 por cento nos últimos cinco anos, devido a um maior acesso das pessoas aos tratamentos. No Botswana, por exemplo, onde a cobertura terapêutica é de 80 por cento, as mortes relacionadas com a sida desceram mais de 50 por cento.

A OnuSida e a Organização Mundial da Saúde (OMS) estimam que, desde 1996, altura em que esses medicamentos ficaram disponíveis, terão sido salvas quase três milhões de vidas humanas.

Porém, isso não chega, como sa-lientou Sidibé em declarações à Reuters, “porque os avanços no tratamento e na prevenção do VIH continuam a ser muito inquinados”.

Teguest Germa, director do depar-tamento VIH/Sida da OMS, frisou por seu lado, numa conferência de imprensa simultânea em Genebra, que embora no final de 2008 mais de quatro milhões de pessoas estivessem a receber medicamentos contra a sida, “mais de cinco milhões precisam de tratamento e não têm acesso a ele”.

Do lado da prevenção – e apesar dos progressos agora vindos a público -, o panorama também deixa a desejar. “Os resultados mostram que os programas estão frequentemente desfasados”, diz Sidibé. Existem muito poucos programas de prevenção para pessoas com mais de 25 anos de idade ou casais (casados ou que vivem em relações estáveis), já para não falar em divorciados e viúvos.

Por exemplo, na Suazilândia, onde 26 por cento da população adulta está infectada pelo VIH (o recorde mundial), mais de dois terços dessas pessoas têm mais de 25 anos. O papel das redes sociais

O desfasamento é tanto mais preocupante quanto a “face” da epidemia está a mudar em regiões como a Europa do Leste ou a Ásia Central. Antes, a população mais atingida eram os utilizadores de drogas injectáveis, mas a epidemia alastrou para os parceiros dessas pessoas. E noutras zonas da Ásia, onde as vias de infecção eram as drogas injectáveis e a prostituição, a doença está a afectar cada vez mais os casais heterossexuais.

O financiamento dos programas de prevenção também está a definhar: no Gana, por exemplo, o orça-mento destinado à prevenção da sida diminuiu em 43 por cento por comparação ao de 2005.

Mas a interligação das próprias pessoas envolvidas poderá contribuir para colmatar estas falhas. Sem dúvida a pensar nisso, a OnuSida anunciou também uma outra novidade: o lançamento, há semanas, de uma rede social on-line, a AIDSspace.org, “para ligar entre si os 33,4 milhões de pessoas que vivem com o VIH e os milhões de pessoas que fazem parte da resposta contra a sida”, salienta ainda o comunicado.

“O pressuposto por detrás do AIDSspace é simples: se centenas de milhões de pessoas têm a possibilidade de se ligar através de redes sociais como Facebook, LinkedIn, MySpace, Twitter e YouTube para trocar ideias e informações [de todo o tipo], também podem fazer a mesma coisa com conteúdos relacionados com a sida, tais como estudos, material multimédia, relatórios, recursos essenciais, etc.”.

Portugal é o país europeu com mais novos casos

Portugal é o país da Europa Ocidental e Central com mais notificações de VIH/Sida. O relatório da OnuSida/OMS diz que nesta região e na América do Norte a epidemia se concentra em populações de risco elevado, como homens que têm sexo com homens, utilizadores de drogas injectáveis e imigrantes, e os EUA e Portugal são os países com mais novas infecções.

Apesar disto, diz a Lusa, tem descido o número de casos em Portugal, segundo o documento HIV/AIDS surveillance in Europe 2007 da OMS e do Centro Europeu para a Prevenção e Controlo de Doenças. Em 2004, houve 1764 novos casos, 1573 no ano seguinte, 1510 em 2006 e 894 em 2007.

“Não se pode confundir notificações com diagnósticos. O elevado número de notificações resulta de um esforço para conhecer os casos diagnosticados em anos anteriores e tardiamente reportados às autoridades”, diz uma nota da Coordenação Nacional para a Infecção VIH/Sida.

A OnuSida diz que, embora a incidência do VIH tenha estabilizado ou aumentado um pouco nos países ricos, os padrões epidemiológicos evoluíram: as novas infecções entre homens que têm sexo com homens aumentaram na década passada e baixaram nos consumidores de drogas.

Ana Gerschenfeld/Público – 25.11.2009





Portugal nega dados da ONU

26 11 2009

Portugal é apontado no relatório anual das Nações Unidas como o país da Europa Ocidental com a mais alta taxa de novas infecções com o vírus VIH. Mas a Coordenação Nacional para a Infecção VIH/sida desmente estes dados.

A informação do relatório da ONUSida e da Organização Mundial de Saúde (OMS) coloca Portugal no topo dos países com mais infecções na Europa Ocidental em 2008, à semelhança do que acontece com os Estados Unidos na América do Norte. Mas a informação é desmentida pela Coordenação Nacional para a Infecção VIH/sida que, em comunicado, garante que “Portugal tem uma taxa de novos diagnósticos inferior a países como a Suíça, Reino Unido, Estónia e Letónia”.

A coordenação nacional garante que “não há qualquer razão para afirmar que a incidência da infecção está a aumentar em Portugal” e acusa a ONU e a OMS de terem “confundido” notificações com diagnósticos. Segundo a coordenação nacional, o documento em que a ONUSida se baseia apresenta dados sobre as infecções notificadas em 2007, “o que implica a acumulação de infecções diagnosticadas em anos anteriores” e que corresponde a um “esforço” para conhecer os casos diagnosticados anteriormente e que “são tardiamente reportados às autoridades”.

Em contraponto, a coordenação nacional aponta o relatório “HIV/AIDS Surveillance in Europe 2007″, elaborado pela OMS e pelo Centro Europeu para a Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC), onde Portugal aparece com uma taxa de infecção de 84,3 casos por milhão de habitantes (em 2007 foram diagnosticados 894 novos casos). Muito à frente de Portugal estão a Estónia (com uma taxa de 471,8), a Letónia (153,8), o Reino Unido (126,8) e a Suíça (101,7).

De acordo com esta tabela, entre 2004 e 2007, o número de novos casos de sida desceu consecutivamente em Portugal, passando de 1764 para 894 em 2007. No entanto, a verdade é que o último relatório do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge revela um aumento de casos em 2008: os dados do Núcleo de Vigilância Laboratorial de Doenças Infecciosas mostram que foram diagnosticados 1201 novos casos de infecção por VIH, o que corresponde a um aumento de 307 novos casos relativamente a 2007.

A maioria dos casos diagnosticados em 2008 em Portugal diz respeito a pessoas heterossexuais (57,6%), seguida de toxicodependentes (21,9%) e pessoas homossexuais e bissexuais (16,8%). O relatório da ONU, ontem revelado em Genebra, indica que nos países ricos a sida está a crescer entre os grupo de risco, designadamente homossexuais e toxicodependentes.

Radiografia de uma doença que afecta 33,4 milhões de pessoas em todo o mundo

Mais 20% de infectados

O número de pessoas em todo o mundo infectadas com o vírus HIV aumentou 20% nos últimos oito anos: em 2008, segundo o relatório anual da Organização Mundial de Saúde e da ONUSida havia cerca de 33,4 milhões de pessoas em todo o mundo infectadas com o vírus. Um sinal de que as novas infecções continuam a ocorrer, mas também um efeito das terapias antiretrovirais que prolongam e dão qualidade de vida aos doentes.

Novas infecções baixam 17%

Segundo a ONUSida, o número de novas infecções baixou 17% nos últimos oito anos, um decréscimo que se verificou sobretudo na África Subsariana, que regista menos 15% de infecções. Ainda assim, é aquela região do globo que continua a ser mais martirizada pela doença: concentra 71% das 2,7 milhões de novas infecções registadas em todo o mundo em 2008. No mapa das regiões mais infectadas seguem-se os países do Sul e Sudeste Asiático, com cerca de 280 mil infectados, Europa de Leste e Ásia Central, com 110 mil infectados, e a América Latina, com 170 mil infectados.

Pico da infecção foi em 1996

O relatório da ONUSida indica que o pico da infecção e da proliferação do vírus terá ocorrido em 1996 quando se estima que houve 3,5 milhões de infecções. Em 2008, as estimativas indicam que houve menos 30% de infecções do que há 12 anos: aponta-se para 2,7 milhões de novos casos.

Morre-se cada vez menos

O pico da mortalidade por VIH terá ocorrido em 2004 quando foram contabilizadas 2,2 milhões de mortes em todo o mundo relacionadas com a doença. Em 2008, a ONUSida aponta para um descréscimo de 10% em relação a 2004, contabilizando cerca de dois milhões de mortes.

Uma epidemia em mutação

O relatório da ONUSida aponta para alterações na forma de transmissão do vírus. Na Europa de Leste e Ásia Central, por exemplo, se a transmissão era antes sobretudo associada ao consumo de drogas intravenosas está agora a ser mais frequente a transmissão sexual.

Alerta para os grupos de risco

A ONUSida alerta que nos últimos anos tem havido um crescimento da infecção entre os grupos de risco (homossexuais e consumidores de drogas) por todo o mundo e apela a programas de prevenção específicos para estes grupos.

Gina Pereira/Jornal de Notícias – 25.11.2009





Novas infecções de HIV estão a diminuir, mas ainda falta prevenção

26 11 2009

JOANESBURGO, 24 Novembro 2009 (PlusNews) – O número de novas infecções por HIV caiu 17 por cento nos últimos oito anos, em parte por mérito das campanhas de prevenção, de acordo com o Relatório Global sobre a Epidemia de SIDA da  ONUSIDA (Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV/SIDA)e da Organização Mundial da Saúde, divulgado nesta terça-feira.

Segundo o relatório, apesar da epidemia parecer estar estabilizada na maior parte do mundo, o número de pessoas seropositivas continua a crescer e era de 33,4 milhões em Dezembro de 2008.

O maior número de pessoas infectadas, além das novas infecções, se deve também à melhoria no acesso a tratamento prolongador da vida com antiretrovirais (ARVs). Cerca de quatro milhões de pessoas – 42 por cento das que precisam da medicação, estavam a recebê-la até o final de 2008. No ano passado, 2,7 milhões de pessoas foram  infectadas pelo HIV.

“Há sinais claros de que os métodos de prevenção do HIV estão começando a fazer a diferença, mas ainda não estamos evoluindo com a rapidez necessária para alcançar o ritmo do vírus”, disse Paul De Lay, director executivo da ONUSIDA aos jornalistas durante uma  conferência por telefone a partir de Genebra.  O lançamento oficial do relatório foi feito na China.

Acredita-se que a terapia com ARVs tenha salvado cerca de 2,9 milhões de vidas, contribuindo para a queda de 10 por cento no número de mortes por doenças relacionadas à SIDA nos últimos cinco anos. Ainda assim, houve dois milhões de mortes diretamente relacionadas à SIDa em 2008. E para cada duas pessoas que iniciaram o tratamento, outras cinco foram infectadas.

De Lay alertou para o facto da epidemia ter mudado na última década, mas as campanhas de prevenção não haverem acompanhado a evolução.

Na Ásia, por exemplo, as campanhas de prevenção foram focadas  principalmente entre os usuários de drogas injectáveis, trabalhadores do sexo e seus clientes. Entretanto, o número de infecções de casais heterossexuais está a aumentar.

Na África Subsaariana – que ainda é a área mais seriamente afectada, onde se concentram 71 por cento de todas as infecções ocorridas em 2008 – as campanhas de prevenção seguiram a tendência de omitir os casais heterossexuais mais velhos, apesar de evidências de que a maioria das novas infecções na maior parte dos países estavam a ocorrer neste grupo.

Na Suazilândia, pessoas com mais de 25 anos representaram dois terços das novas infecções, entretanto, os programas de prevenção, na sua maior parte, foram direccionados aos jovens.

Embora o monitoramente do HIV tenha ficado mais sofisticado, com mais países a realizarem levantamentos das famílias para abastecimento de dados sobre seroprevalência a partir de clínicas pré-natais, De Lay afirmou que ainda falta compreender melhor os padrões de evolução do contágio e ter mais informações sobre as populações em risco que necessitam ser alvo de campanhas de prevenção.

O relatório da ONUSIDA observou que embora a relação sexual entre heterossexuais tenha sido o meio principal de transmissão de HIV na África Subsaariana, provas recentes mostraram que “a epidemia nesta região é muito mais variada do que se pensava anteriormente”, com um número considerável de novas infecções a ocorrerem entre homens que têm relações sexuais com outros homens e usuários de drogas injectáveis.

O documento apela aos países para que façam um maior esforço para conjugar as estratégias nacionais relativas à SIDA com epidemias individuais. Para De Lay  “precisamos de usar os recursos disponíveis de maneira muito mais eficiente, particularmente nesses tempos de crise económica”.

Houve registo de progressos em diversas áreas: os serviços de prevenção da transmissão de HIV de mãe para filho alcançaram 45 por cento das mulheres seropositivas grávidas em 2008, prevenindo cerca de 200 mil infecções de recém-nascidos desde 2001. Além disso, em diversos países de alta seroprevalência o número de crianças órfãs por causa do HIV/SIDA caiu, já que os pais estão a viver mais graças ao tratamento com ARVs.

O Dr. Teguest Guerma, director do departamento de HIV/SIDA da Organização Mundial da Saúde, enfatizou que a assistência internacional à resposta global à SIDA ajudou a salvar vidas e que é uma “obrigação moral” expandir e fortalecer tal resposta.

Um relatório adicional da ONUSIDA, Perspectiva ONUSIDA 2010, também publicado em 24 de Novembro, observou que o financiamento da resposta contra a SIDA alcançou um recorde de US$15,6 mil milhões em 2008, sendo a assistência internacional responsável por 55 por cento. A maior parte dos fundos foram destinados aos países da África Subsaariana.

Não se sabe se esse nível de financiamento será mantido durante a actual crise económica, mas o relatório Perspectiva ONUSIDA 2010 observou que muitos países já estavam a passar por cortes no financiamento nos serviços de tratamento e prevenção.

“Não podemos deixar que a crise económica nos paralise”, afirma
Michel Sidibé, director executivo da ONUSIDA no relatório: “Não quando a resposta à SIDA está a apresentar resultados”.

PlusNews – 24.11.2009





O sangue (e não o esperma) é a principal via de transmissão de VHC em homossexuais com VIH

26 11 2009

O contacto sanguíneo explica a transmissão sexual do vírus da hepatite C em homens homossexuais infectados pelo VIH, segundo sugeriram investigadores alemães durante a 12a Conferencia Europeia sobre SIDA em Colónia.

O fisting, sexo em grupo e cheirar drogas apareceram como factores de risco significativos para a transmissão sexual da hepatite C. O sexo anal desprotegido, na ausência destes factores de risco, não foi associado à transmissão deste vírus, e os investigadores acreditam que estas evidências devem conduzir a um redireccionamento das campanhas de prevenção de hepatite C dirigidas a homossexuais infectados pelo VIH que têm factores de risco associados a sexo desprotegido.

Desde 2000 que têm sido relatadas surtos de hepatite C transmitida sexualmente entre homossexuais seropositivos para o VIH, num grande número de cidades norte europeias, incluindo Londres, Amesterdão e Berlim. Sexo anal desprotegido e fisting foram rapidamente identificados como factores de risco.

Foi observada uma carga viral alta de hepatite C no esperma dos homens infectados pelo VIH, o que pode explicar o risco de transmissão sexual acrescido do vírus observado nesta população. Todavia, existe pouca evidência da transmissão sexual do vírus da hepatite C nos parceiros seronegativos dos homossexuais seropositivos para o VIH. Também não houve evidência de transmissão sexual do vírus em casais heterossexuais seropositivos, onde um dos parceiros estava infectado com hepatite C.

Para obter melhor entendimento sobre os factores de risco para a transmissão sexual da hepatite C, os investigadores em Bona conduziram um estudo de caso-controle, envolvendo 34 homens homossexuais co-infectados com VIH e hepatite C e 67 homens, com as idades semelhantes, infectados pelo VIH. Nenhum dos homens declarou o uso de drogas injectáveis.

Os homens foram recrutados para o estudo entre 2006 e 2008. Foi-lhes solicitada informação sobre os seus comportamentos sexuais e de uso de drogas, bem como se tinham alguma vez sofrido de hemorragia rectal, como consequência de práticas sexuais.

O sexo anal desprotegido foi amplamente referido e aproximadamente 50% dos homens mencionou fisting receptivo.

O primeiro grupo de análise estatística revelou que vários factores de risco estavam associados à infecção com hepatite C, incluindo o uso de brinquedos sexuais, hemorragia rectal, fisting receptivo sem luvas e cheirar drogas estimulantes, tais como, cocaína e anfetaminas, durante actividades de sexo em grupo.

A análise multivariável, que controla os factores que podem potencialmente gerar confusão, demonstrou que somente o fisting receptivo (p=0,007), hemorragias rectais (p=0,007), e o uso de drogas, durante sexo em grupo (p=0,02), estavam associados de forma significativa à transmissão sexual da hepatite C.

Os investigadores acreditam portanto que o vírus estava a ser transmitido mais pelo sangue que pelo esperma, e que os parceiros insertivos não-infectados estavam a funcionar como vectores de transmissão durante as sessões de sexo em grupo.

Contudo, nem todos os participantes na conferência ficaram convencidos destas afirmações. Uma pergunta vinda da audiência sublinhou que muitos dos doentes infectados pelo VIH com infecção de hepatite C aguda em Londres, não referiam práticas de fisting.

Adicionalmente, o Dr. Sanjay Bhagany disse ao aidsmap.com que acredita que a epidemiologia da hepatite C, entre homossexuais infectados pelo VIH em Londres, está a mudar e que muitas das infecções podem provavelmente ser atribuídas ao uso de drogas injectáveis e não ao sexo.

 

Não obstante, os investigadores concluíram que as mensagens de prevenção devem informar os homens homossexuais infectados pelo VIH dos riscos relacionados com hepatite C que advêm de sessões longas de sexo em grupo, onde existe trauma rectal causado por actividades tais como o fisting.

Referência

Schmidt AJ et al. The trouble with bleeding: why do HIV-positive gay men get hepatitis C? 12th European AIDS Conference, Cologne, BPD 1/7, 2009.

Michael Carter/nam – 25.11.2009





As falências terapêuticas múltiplas ocorrem com menos frequência, mas continuam associadas a taxas elevadas de mortalidade num coorte da América do Norte

26 11 2009

De acordo com um estudo publicado na 15a edição de Novembro do Clinical Infectious Diseases, num coorte alargado de adultos da América do Norte, em terapêutica anti-retroviral, as falências terapêuticas múltiplas diminuíram drasticamente entre 1996 e 2005. No entanto, as taxas de mortalidade continuaram elevadas entre os membros do coorte com múltiplas falências terapêuticas.

Enquanto que a terapêutica anti-retroviral diminui, incontestavelmente, a velocidade da progressão da infecção pelo VIH, a sua eficácia tem sido investigada principalmente em ensaios clínicos. Sobre os resultados terapêuticos do “mundo real” sabe-se menos.

Cientistas afiliados à NA-ACCORD (North American AIDS Cohort Collaboration on Research and Design) tentaram perceber o impacto clínico da falência terapêutica, analisando dados de mais de 36.000 pessoas em tratamento com regimes de combinações anti-retrovirais, em mais de 60 centros no Canadá e nos Estados Unidos.

Um subconjunto de 7 159 membros da coorte teve duas ou mais falências terapêuticas durante o período do estudo, sendo a falência terapêutica definida como. pelo menos. uma medição da carga viral> 1.000 cópias/ml.

Na análise do subconjunto, foram apenas incluídas pessoas que mudaram para um segundo regime de combinação anti-retroviral.

Entre 1996 e 2005, a taxa bruta de incidência da segunda falência terapêutica desceu de 56 para 16 casos por cada 100 pessoas-ano (intervalo de confiança [IC] 95%, 50-63 e IC 95%, 14-18, respectivamente).

As pessoas que se mantiveram mais de quatro anos no primeiro regime de terapêutica anti-retroviral, antes de mudar para outro, apresentavam um risco menor de uma segunda falência terapêutica do que os que tiveram de mudar mais cedo (risco relativo 0,72; IC 95%, 0,64-0,82).

Uma contagem das células CD4 mais elevada na altura da primeira mudança de tratamento também estava associada a um risco menor de uma segunda falência terapêutica (risco relativo 0,94; IC 95%, 0.93-0.95), enquanto que uma carga viral mais elevada neste período estava associada a um risco mais elevado de uma segunda falência terapêutica (risco relativo 1,21, IC 95%, 1.18-1.25).

O tipo de regime anti-retroviral inicial não era preditivo de uma segunda falência terapêutica. Quando a análise foi restringida a pessoas naïve para o tratamento na altura em que iniciaram o primeiro regime de combinação, os resultados foram semelhantes.

Os investigadores examinaram também a mortalidade depois da segunda falência terapêutica em 6 698 pessoas cujos dados estavam disponíveis. A taxa de mortalidade cumulativa no período de um ano foi de 5% e a taxa no período de cinco anos foi de 26%. A taxa bruta de incidência da mortalidade desceu de 6,5 mortes por 100 pessoas-ano em 1996-1997 para 5 mortes por 100 pessoas-ano em 2003. No entanto, isto continua a estar em forte contraste com o prognóstico para todos os membros naïve para o tratamento da coorte NA-ACCORD a iniciarem a terapêutica anti-retroviral; o grupo mais alargado teve entre 1,3 e 1,6 mortes por 100 pessoas-ano.

Constataram-se três factores significativamente associados a um risco acrescido de mortalidade: uma contagem das células CD4 mais baixa na altura da segunda falência terapêutica, bem como uma carga viral mais elevada e uma história de SIDA neste período. Do mesmo modo, constataram-se resultados semelhantes nos membros da coorte naïve para o tratamento anti-retroviral.

Os autores do artigo concluem, que “Colectivamente, estes dados indicam que a eficácia da combinação terapêutica anti-retroviral continua a melhorar, mesmo entre os doentes que tiveram falência de um regime inicial. No entanto, entre as pessoas com falência virológica em pelo menos dois regimes distintos, o prognóstico clínico global continua pouco animador.”

Os autores também observam que o declínio nas falências terapêuticas de segunda linha provavelmente resultou de uma combinação de factores, incluindo regimes anti-retrovirais mais eficazes, início mais precoce da terapêutica anti-retroviral e melhor adesão à medicação.

Dado que o último ano do período de estudo foi o 2005, os resultados não reflectem o impacto de novos medicamentos que proporcionam opções adicionais às pessoas com múltiplas falências terapêuticas. Como os autores realçam, “uma das questões mais importantes nesta área é se a eficácia do darunavir, raltegravir, maraviroc e etravirina, que foi observada em ensaios clínicos, se traduzirá em níveis comparáveis de eficácia no uso mais alargado destes medicamentos.”

Referência

Deeks SG et al. Trends in multidrug treatment failure and subsequent mortality among antiretroviral therapy-experienced patients with HIV infection in North America. Clin Infect Dis 49: 1582–1590, 2009.

 

Kelly Safreed-Harmon/nam – 24.11.2009





A maioria das pessoas com co-infecção VIH/VHB na Europa apresenta uma carga viral do VHB detectável

26 11 2009

De acordo com um estudo do EuroSIDA, apresentado na 12a Conferência Europeia sobre SIDA, realizada em Colónia, apenas um terço das pessoas seropositivas para o VIH co-infectadas com hepatite B crónica apresenta uma carga viral do VHB (VHB=vírus da hepatite B) indetectável.

Este reduzido valor da taxa de VHB indetectável verificou-se apesar do facto de aproximadamente dois terços dessas pessoas se encontrar a fazer terapêutica ARV com medicamentos com actividade contra a hepatite B.

O VIH e o VHB partilham modos de transmissão, existindo um número significativo de doentes co-infectados com os dois vírus.

Os factores associados à maior progressão da doença hepática nas pessoas co-infectadas incluem o genótipo e a carga viral do VHB.

Neste contexto, um grupo de investigadores do estudo EuroSIDA analisou amostras de sangue armazenadas e registos clínicos de forma a determinar as características epidemiológicas e clínicas da hepatite B crónica nas pessoas com co-infecção.

Dos 16 500 participantes da coorte, 7% (1200) tinham infecção por VHB crónica. Para 484 destas últimas havia amostras armazenadas (obtidas entre 1994 e 2006), que foram, pois, incluídas no estudo.

A maioria dos doentes pertencia ao sexo masculino (84%), era caucasiana (85%) e gay (51%).

Foi possível determinar o genótipo do VHB em 167 doentes, sendo o genótipo A o mais frequente. Este genótipo foi encontrado de forma significativamente mais frequente nos homossexuais masculinos do que nos utilizadores de drogas injectáveis (p < 0.0001); verificou-se também uma tendência para um maior número de infecções por este genótipo no norte da Europa por comparação com o sul (p = 0.054).

Registou-se uma carga viral (CV) do VHB indetectável (abaixo das 357 cópias ui/ml) em 34% dos doentes. Um dado digno de registo e preocupação foi o de que 20% dos doentes apresentaram uma CV superior a 10 000 000 cópias ui/ml, facto que se sabe aumentar significativamente o risco de cirrose e cancro do fígado.

Por outro lado, 90% dos doentes encontrava-se a fazer terapêutica anti-retroviral (ARV). Um terço destas pessoas encontrava-se a tomar uma combinação terapêutica sem qualquer actividade contra a hepatite B.

Um terço dos doentes a tomar 3TC apresentava uma CV do VHB indetectável, em comparação com 45% dos que tomavam uma combinação contendo tenofovir (com ou sem 3TC ou FTC). Contudo, esta diferença não foi considerada significativa. Os investigadores também notaram que nenhum dos doentes a tomar este medicamento apresentava uma CV do VHB superior a 10 000 000 cópias ui/ml.

A análise estatística mostrou que cada duplicação do valor da contagem de CD4s à partida reduzia significativamente as hipóteses de se ter uma CV do VHB indetectável (p=0.013).

Um total de 27% dos doentes encontrava-se também infectado com o vírus da hepatite C. Os investigadores também descobriram que estes doentes também tinham uma maior probabilidade de ter uma carga viral do VHB indetectável (p = 0.025).

Referência

Vogel M et al. Epidemiological and virological characteristics of chronic HBV infection in HIV-positive patients in Europe. 12th European AIDS Conference, Cologne, abstract PS2/2, 2009.

Michael Carter/nam – 23.11.2009





A prevenção é uma prioridade na conferência europeia sobre VIH

26 11 2009

A prevenção parece ter-se tornado um dos temas mais importantes da 12a Conferência Europeia sobre SIDA, que abriu oficialmente em Colónia a 11 de Novembro.

Na abertura da conferência de imprensa, a Prof. Francoise Barre-Sinoussi disse que actualmente a prioridade da investigação básica sobre o vírus é impedir o VIH de estabelecer uma infecção crónica nas pessoas.

Retomando o tema da prevenção, o Prof. Jurgen Rockstroh da Universidade de Bona realçou que, na Europa, 50% das infecções não estão diagnosticadas.

Aos media foi referido que a redução dos casos não diagnosticados e a disponibilização do tratamento para o VIH e dos cuidados de saúde iriam melhorar os resultados individuais e ajudariam a prevenir novas infecções.

Pesquisa básica: melhores medicamentos, melhor prevenção

Mais de 4000 delegados reuniram-se em Colónia para conhecer os desenvolvimentos mais recentes da epidemia do VIH no continente europeu.

O tratamento actual para a infecção pelo VIH é altamente eficaz e os médicos estão cada vez mais confiantes que os doentes na Europa tenham a oportunidade de ter uma esperança de vida quase normal. A Prof.a Barre-Sinoussi, no entanto, disse à imprensa que um dos principais objectivos da investigação básica sobre o VIH é de encontrar novos alvos para os medicamentos anti-retrovirais e até modos de erradicar o VIH.

Sugeriu que a investigação sobre os chamados “controladores de elite” – pessoas seropositivas que permanecem livres dos sintomas da infecção e têm uma carga viral muito baixa – poderia, não apenas melhorar o tratamento para o VIH, mas também beneficiar a prevenção.

VIH na Europa

A importância de diagnósticos precoces foi clara no resumo do Prof. Rockstroh dos aspectos clínicos em evidência na conferência.

Cerca de metade de todas as infecções do VIH na Europa não estão diagnosticadas, sendo que este número ascende a 79% em alguns países da Europa de Leste.

O Prof. Rockstroh afirmou, que é essencial um incremento no número de testes realizados para o VIH para controlar a epidemia no continente. No entanto, as leis que criminalizam a transmissão e a exposição ao VIH, e níveis elevados de estigma em alguns países foram identificados como obstáculos que dificultam a realização do teste.

Vários outros temas chave da conferência foram realçados na conferência de imprensa.

 

 

  • VIH e envelhecimento. Está a tornar-se cada vez mais claro que o VIH pode causar as doenças do envelhecimento, tais como doenças cardíacas, dos rins e hepáticas. Um uso adequado da terapêutica anti-retroviral pode reduzir o risco de tais doenças, mas isto é apenas possível se a pessoa conhecer o seu estatuto. Também será apresentada na conferência a investigação sobre possíveis complicações do tratamento do VIH e a importância de as equipas multidisciplinares de especialistas disponibilizarem cuidados de saúde aos doentes.

     

  • Acesso ao tratamento. Cerca de 80% dos doentes diagnosticados nos países mais ricos da Europa estão a tomar medicamentos anti-VIH, em comparação com apenas 5% dos nos países da Europa de Leste com epidemias mais graves. A Conferência Internacional sobre SIDA de Viena terá como tema central a epidemia na Europa de Leste e o contexto será definido na conferência de Colónia.

     

  • Co-infecções. Um terço dos doentes na Europa ocidental esta co-infectada com o vírus da hepatite C, um número que aumenta para 70% na Europa de Leste onde o uso de drogas injectáveis está a alimentar a epidemia. Isto significa que a doença hepática é uma causa importante de doença e morte nestas populações e que é urgente a disponibilização de novas terapêuticas para a hepatite C. Apesar disso, houve pouca investigação que incluísse novos medicamentos em doentes co-infectados. Possíveis abordagens futuras serão o tema de uma sessão especial da conferência.

     

  • Disponibilização dos melhores cuidados possíveis. Serão apresentadas novas linhas de orientação europeias para a infecção pelo VIH. Irão incluir o tratamento anti-retroviral, a monitorização médica e o tratamento das co-infecções hepáticas.

 

Michael Carter/nam – 20.11.2009





Malawi: Polícia Obriga a Realização de Testes VIH nas Prostitutas

26 11 2009

Segundo os direitos dos trabalhadores, no início deste mês, durante uma rusga contra o crime, a polícia do Malawi, em Mwanza, prendeu 14 prostitutas que alegadamente foram forçadas a efectuar o teste VIH. As mulheres foram posteriormente acusadas de “deliberadamente praticar comércio sexual enquanto tinham uma doença sexualmente transmissível.”

Não existe nenhuma lei específica que criminalize o trabalho sexual, mas têm sido invocadas outras leis de combate à prostituição nas grandes cidades, referiram os advogados.

A polícia acusou as mulheres de Mwanza por terem violado a secção 192 do Código Penal por terem potencialmente disseminado DSTs, através da prática de prostituição, referiu Dave Chingwalu, um porta-voz do departamento. Os meios de comunicação locais citaram um funcionário do hospital de Mwanza que confirmou que os testes VIH de todas as 14 mulheres tinham dado positivo. Chingwalu negou que as mulheres tinham sido testadas involuntariamente.

“O consentimento informado não foi efectuado para as 14 mulheres,” referiu o Centro para o Desenvolvimento Pessoal. “Baseado apenas neste facto, o teste VIH é inconsistente com a Constituição e como tal é inválido.”

“O teste fez parte das nossas investigações,” explicou Chingwalu. “Fazemos isto em vários outros casos. Temos que fazer o teste VIH, ou de outra qualquer DST, para que consigamos estabelecer a extensão do nosso caso.”

As mulheres em questão não podiam ser rastreadas. Mas outra mulher referiu que durante uma rusga policial na semana anterior em Zomba, foi forçada a fazer o teste para o VIH. “Não é que nós tenhamos concordado em fazer o teste,” referiu a mulher, que é VIH positiva e falou em condição de anonimato. “Eles não nos perguntaram se queríamos fazer o teste, mas forçam-nos a faze-lo porque é o único modo de justificar as acções ilegais que praticam connosco.”

“Se este é um modo de lidar com o VIH/SIDA, então eles deveriam procurar outra forma,” baseada no consentimento e no aconselhamento, referiu Undule Mwakasungula do Centro para os Direitos Humanos e Reabilitação.

Dos 28 distritos do Malawi investigados, as taxas de infecção VIH entre as prostitutas variou entre os 70 e os 80 porcento, referiu a Dra. Mary Shawa, secretária do país para a pasta VIH/SIDA e Nutrição. Segundo Shawa, as prostitutas devem organizar-se para fazer parte da solução, em vez de serem parte do problema.

Charles Mpaka/Inter Press Service (Johannesburg)  – 10.10.2009

AidsPortugal – 26.11.2009





Mulheres do Zimbabué Combatem o Estigma Associado ao VIH

26 11 2009

As mulheres VIH-positivas do Zimbabué estão a levar para os campos de futebol a luta contra as ideias erradas e o estigma associados à infecção por VIH/SIDA. O projecto começou em Dezembro, e já se juntaram mulheres suficientes para organizar competições entre 16 equipas. A tentativa de organizar uma liga semelhante para homens ainda não teve sucesso, dado não haver jogadores suficientes para formar sequer duas equipas. Todas as mulheres jogadoras divulgaram publicamente o seu estado relativamente ao VIH.

“Gostava que todo o mundo soubesse do meu estado [relativamente ao VIH], para que outros possam ser ajudados”, disse Thandiwe Richard, guarda-redes da equipa ARV Swallows, baseada em Epworth que venceu as três competições realizadas até à data. “Mas algumas pessoas da nossa comunidade dizem ‘Como é que estas pessoas que estão a morrer podem jogar futebol?’ Mas o futebol tem ajudado a minha forma física; não posso dizer que esteja doente agora, mas não estava bem quando me juntei à ARV Swallows“.

“As pessoas riram-se de nós no início, uma vez que nem conseguíamos chutar uma bola em condições, mas quando trouxemos o nosso primeiro troféu para Epworth, a comunidade começou a levar-nos a sério”, disse Meriah Kabudura, defesa da equipa. “Eu gostava que este projecto do futebol crescesse e que outros países seguissem o que nós começámos no Zimbabué. Estou tão, tão contente com o que a nossa equipa tem feito”.

“Queríamos que estes jogos servissem de abertura para alguns jogos importantes, para que mais pessoas pudessem ver o que estas mulheres estão a fazer”, disse Chris Sambo, coordenador do projecto e antigo director executivo da Primeira Liga do Zimbabué. “Mas muitos clubes são supersticiosos e não querem mulheres em campo antes do jogo, e ainda menos se forem mulheres VIH-positivas”.

Contudo, Sambo não se deixa desencoraja: “Dada a prevalência do VIH na região do Sul de África, gostaria de ver uma competição internacional com a final a ser disputada na cerimónia de abertura do Campeonato do Mundo em 2010 na África do Sul”.

Steve Vickers/BBC Sport  – 13.10.2009

AidsPortugal – 26.11.2009





Fala Maputo: Você já fez o teste de HIV?

26 11 2009
“Olha para o futuro e faça o teste” será o lema utilizado por Moçambique este ano nas celebrações do Dia Mundial de Combate ao Sida, 1 de Dezembro.

Em 2007, a importância do aconselhamento e testagem para o HIV e Sida também recebeu destaque nos eventos governamentais.

A equipa de redacção da Agência de Notícias de Resposta ao SIDA saiu às ruas de Maputo para saber o que as pessoas percebem sobre esse lema e como reagem a essa campanha.

Um jovem estudante de 23 anos, de nome Zacarias, disse fazer o teste de HIV a cada três meses, o que considera essencial para o momento em que o país passa, cuja epidemia de Sida está a aumentar entre os jovens.

“Esse lema quer dizer que já é tempo de cada um saber o seu estado serologico de modo a planear melhor o futuro”, disse o estudante.

O vendedor ambulante Arlindo, de 29 anos, disse que já fez o teste uma vez e que com a nova campanha nacional, pretende procurar novamente por uma unidade de Aconselhamento e Testagem em Saúde.

“Fazer o teste é muito bom porque ajuda a pessoa a se prevenir e a se cuidar melhor”, comentou.

Yunisse, sul africana de 28 anos e residente em Maputo há dois anos, apesar de afirmar que o teste de HIV seria muito importante para garantir a sua saúde, nunca fez o exame.

Ela disse que as campanhas não influenciam-lhe, justificando que faria o teste apenas se apresentasse alguma doença.

Para Nelso, estudante de Direito, o facto de ser “chefe de família”, o obriga a fazer o teste de HIV regularmente.

“Preciso garantir a minha boa saúde e a da minha família”, comentou. “E sei que se eu tivesse com Sida, seria possível fazer tratamento.”, acrescentou.

O trabalhador ambulante António contou que fez o teste pela primeira vez quando tinha 17 anos, porque achava que as borbulhas que tinha no rosto, sinais da adolescência, pudessem ser uma doença relacionada ao HIV.

“Hoje tenho 23, mas nunca mais fiz o teste, apesar de achar importante para saber meu estado de seroprevalência e planear minha vida, como diz o lema da campanha”, comentou.

O Impacto Demográfico do HIV e Sida em Moçambique estima que 1.6 milhão de pessoas vivem com esse vírus, mas que a grande maioria não sabe porque nunca fez o teste.

Enia Mananze/Agência de Notícias de Resposta ao Sida – 25.11.2009





Campanhas de prevenção não acompanham as novas tendências da epidemia, afirma ONUSIDA

26 11 2009

Os mais recentes dados sobre a pandemia de Sida, divulgados nessa terça-feira, 24 de Novembro, em Shangai, na China, revelaram que as estratégias de prevenção do HIV não estão a acompanhar os principais fenómenos de propagação do vírus.

Segundo o estudo realizado pelo Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV e Sida (ONUSIDA), em colaboração com a Organização Mundial de Saúde (OMS), há poucos programas de prevenção dirigidos às pessoas com mais de 25 anos, pessoas casadas ou em relações estáveis, assim como para homens e mulheres viúvos ou divorciados.

Esses são os mesmos grupos nos quais se encontrou uma elevada prevalência da infecção pelo HIV nos países da África Sub-sahariana.

Apesar de não citar Moçambique, o relatório faz referência a outros países da África Austral, que têm indicadores epidemiológicos parecidos, como a Suazilândia, onde as pessoas acima de 25 anos representaram mais de três quartos das infecções em adultos, no entanto, poucos programas de prevenção foram concebidos para essas pessoas.

“O financiamento dos programas de prevenção da infecção pelo HIV figura entre as percentagens mais baixas nos orçamentos destinados à luta contra a Sida de muitos países”, ressalta o documento.

Também na Suazilândia, onde a prevalência nacional do HIV é de 26 por cento, apenas 17 por cento do orçamento total que o país destina à luta contra a Sida foi gasto em programas de prevenção.

Integração dos serviços de saúde

Um dos resultados mais importantes publicados no relatório das Nações Unidas é que a resposta à Sida tem um grande impacto quando os programas de prevenção e tratamento estão integrados a outros serviços de saúde e bem-estar.

Os dados iniciais indicam que o HIV pode ser um factor importante para a mortalidade materna. Com os modelos de pesquisa que utilizam os dados procedentes da África Meridional, estimou-se que cerca de 50 mil óbitos maternos estiveram relacionados ao HIV em 2008.

“É necessário pôr fim ao isolamento em que se encontra a resposta à Sida. Os modelos de pesquisa já estão a demonstrar que o HIV pode ter repercussões importantes sobre a mortalidade materna. O facto de que, na África Austral, a metade dos óbitos maternos se deve a este vírus, nos diz que devemos trabalhar para construir um enfoque unificado de saúde que associe os programas de saúde materno-infantil aos programas de prevenção ao HIV e à tuberculose e, deste modo, alcançar o objectivo que todos têm em comum”, disse o director do ONUSIDA, Michel Sidibé.

Boas notícias

Além dos novos dados mundiais da Sida revelarem que, nos últimos oito anos, o número de infecções do HIV diminui em 17 por cento, o que Sidibé chamou de “boa notícia”, já que há sinais de mudança de comportamento da população, observou-se também, de 2002 a 2007, uma redução da epidemia de Sida entre as mulheres da Zâmbia.

A prevalência do HIV também está a diminuir na Tanzânia e no Zimbabwe, informa o estudo, sem detalhar a quantidade.

Em Botswana, onde a cobertura do tratamento antiretroviral é de 80 por cento, os óbitos relacionados à Sida diminuíram mais de 50 por cento nos últimos cinco anos e o número de crianças órfãs também está a diminuir porque os pais vivem mais tempo.

Na África do Sul, a percentagem de adultos que disseram ter usado preservativo numa primeira relação sexual cresceu de 31.3 por cento, em 2002, para 64.8 por cento em 2008.

No evento de divulgação do novo panorama da pandemia de Sida, o ONUSIDA lançou também o relatório Outlook, que em formato de revista examina como os estudos sobre as modalidades de transmissão estão a mudar a orientação das actividades de prevenção, e a comunidade virtual Aidsspace.org, concedida para que as pessoas vivendo com HIV e Sida obtenham informações e compartilhem ideias.

Fonte: ONUSIDA

Agência de Notícias de Resposta ao Sida – 25.11.2009





Desigualdade de gênero ainda é um dos principais fatores de infecção pelo HIV em mulheres jovens, acreditam ativistas

26 11 2009

Para a pesquisadora da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e membro do Instituto Cultural Barong, Regina Figueiredo, por motivos culturais a sociedade evita passar informações sobre sexo para adolescentes. “A principal preocupação delas é a gravidez”, disse.

Um segundo fator apontado por ela, também cultural, é a confiança das mulheres no parceiro. “As meninas, quando iniciam a vida sexual, geralmente usam o preservativo, mas logo quando começam a namorar já negociam com o não uso da camisinha. Ou seja, os dois sexos são vulneráveis, porém os meninos acabam se relacionando com mais de uma jovem, por isso o número maior em mulheres infectadas”, explica Figueiredo.

”Outro ponto importante é incluir a sexualidade como uma das disciplinas nas escolas. O programa SPE (Saúde e Prevenção nas Escolas) é do governo federal, mas as escolas são dos Estados e Municípios, por isso nem todas aderiram ao programa. Na pesquisa que realizei, pude observar que em São Paulo o SPE atinge apenas 43% das escolas”, disse Regina Figueiredo.

Micaela Carolina Cyrino da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/AIDS (RNAJVHA) também acredita em fatores culturais. “As meninas depositam muita confiança no parceiro e as mulheres sempre foram desvalorizadas perante os homens na decisão de escolha de usar o preservativo ou até mesmo se querem ou não fazer sexo”, disse.

Para ela, o Brasil precisa realizar um trabalho de prevenção que vá além da questão do preservativo. “É preciso promover mais a confiança e autonomia das mulheres, além do uso do preservativo feminino”, destacou a ativista.

A tendência crescimento do número de mulheres infectadas também foi destacada no relatório do Programa das Nações Unidas para HIV e AIDS (UnAids), divulgado ontem. Ele mostra que dos 2,7 milhões de novos casos da doença estimados para 2008, 48% foram em mulheres.

Rodrigo Vasconcellos e Talita Martins/Agência de Notícias da Aids – 25.11.2009





Pesquisas em DST/Aids serão destaques de seminário que acontecerá nesta quinta-feira com realização da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo

26 11 2009

Acontece amanhã (26/11), em São Paulo, a 6ª edição do Seminário de Pesquisa da Rede Municipal Especializada em DST/Aids realizado pelo Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo. Durante o evento também será lançado o VII Inventário de Pesquisa em DST/Aids de São Paulo.

Um dos objetivos do encontro é promover o contato entre pesquisadores e orientadores e o intercâmbio entre a vida cotidiana dos serviços especializados na produção de trabalho e a reflexão com consistência acadêmica necessária para o aprimoramento da qualidade da atenção à saúde da população.

Durante o Seminário serão apresentadas alguns estudos realizados com a participação da Rede Municipal Especializada (RME DST/Aids), tanto de pesquisadores que trabalham na RME quanto de pesquisadores externos. Entre as apresentações merece destaque algumas temas como: a ética em pesquisas, HPV em genitália e cavidade oral, revelação de diagnóstico, qualidade de vida dos idosos portadores de HIV/Aids, busca precoce e tardia, a distribuição espacial da infecção e da mortalidade por HIV, disfunções sexuais em homens heterossexual e a relação do HIV/Aids e trajetória reprodutiva de mulheres brasileiras.

O VII Inventário de Pesquisas em DST/Aids será lançado durante o evento. A publicação, que reúne 28 resumos, submetidos a uma classificação que possibilita conhecer a origem do pesquisador, fases das pesquisas, vínculos com instituições, produtos e apresentações em eventos científicos, documenta e socializa o andamento e os resultados das pesquisas desenvolvidas ou em desenvolvimento na RME DST/Aids no ano de 2009.

“A produção de conhecimento científico é uma importante ferramenta para formulação de políticas de saúde. Os dados e informações obtidos por meio das pesquisas são essenciais no enfrentamento da epidemia de HIV/Aids e outras DST”, afirma o Secretário Municipal da Saúde, Januario Montone.

A realização deste evento e a publicação do Inventário atendem a um dos itens da Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Ética em Pesquisa e do Ministério da Saúde, que determina a necessidade de devolução dos resultados das pesquisas a todos os envolvidos e interessados.

SERVIÇO
Data: 26/11/2009
Local: Instituto de Tratamento do Câncer Infantil – ITACI
Endereço: Rua Galeno de Almeida, 148 – Sumaré – São Paulo/SP
Horário: 8h30 às 17h

PROGRAMAÇÃO

8h30 – Credenciamento

8h45 – Mesa de abertura

9h – “Ética nas pesquisas em DST/Aids e o Comitê de Ética em Pesquisa da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo – CEP/SMS” – Iara Coelho Zito Guerriero

9h30 – “Correlação e diagnóstico de manifestações de papiloma vírus humano (HPV) em genitália e cavidade oral” – Elcio Magdalena Giovani

10h – “Revelação de diagnóstico de HIV a parceiros(as) sexuais na perspectiva da humanização do Cuidado” – Neide Emy Kurokawa e Silva

10h30 – “Qualidade de Vida dos Idosos Portadores de HIV/Aids” – Ana Cláudia Bonilha

11h – Debate

12h30 – Almoço

13h30 – “Fatores que interferem na busca precoce e tardia do acompanhamento assistencial do usuário soropositivo para o vírus HIV” – Zarifa khoury

14h – “A dinâmica da distribuição espacial da infecção por HIV e da mortalidade por Aids no Município de São Paulo de 1996 a 2008″ – Danilo Rodrigues de Oliveira

14h30 – “Análise do estudo exploratório sobre disfunções sexuais em homens com orientação assumida heterossexual portadores de HIV/Aids” – Monica Gonçalves de Melo Teixeira

15h – “HIV/Aids e trajetórias reprodutivas de mulheres brasileiras” – Regina Maria Barbosa

15h30 – Debate

16h30 – Encerramento

Fonte: Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo

Agência de Notícias da Aids – 25.11.2009





Em parceria com Pró-sangue, Barong realiza ação de prevenção no Conjunto Nacional em São Paulo

26 11 2009

Em parceria com a Fundação Pró-Sangue, o Instituto Cultural Barong realiza ação de prevenção às Doenças Sexualmente Transmissíveis e aids no Condomínio Conjunto Nacional em São Paulo. Todos os meses, a organização faz esta iniciativa no local. “Além do Marketing Social do Preservativo também estamos explicando para as pessoas a diferença entre doar sangue e doar sangue apenas para saber se está infectado com o vírus da aids”, explicou Pamela Mattos, integrante do Barong. Hoje é comemorado o Dia Nacional do Doador de Sangue.
Segundo Mattos, “muitas pessoas doam sangue para saber se estão infectadas, e depois não voltam mais ao local”, disse.

A entidade está divulgando todos os locais que os paulistanos poderão doar sangue, e também os locais onde são realizados os testes de HIV. “ Para informar o diagnóstico de uma pessoa infectada existe um profissional capacitado, ou seja, não é doação sangue”, afirmou a presidente do Barong, Marta McBritton.

A ONG itinerante também informa o público sobre DST/aids, saúde sexual, prevenção e faz o Marketing Social do Preservativo. O Conjunto fica na Avenida Paulista, 2073.
Barong

O Instituto Cultural Barong foi criado em 1995, com a característica de uma “ONG na Rua”. Foi pioneiro no conceito de mercado social itinerante com objetivo de informar a população sobre as necessidades de prevenção às DST/Aids.

O nome Barong não poderia ser mais apropriado. Há mais de 10 anos, quando não se falava de sexo abertamente e não se tinham amplo conhecimento de doenças como a Aids, foi preciso disfarçar a ONG de Bar, usando um trailer para levar informações e educação sexual.

O Instituto distribui material informativo do Ministério da Saúde em todas as ações, palestras e performances. O Instituto vende com preços subsidiados vários tipos de camisinhas. Promove também oficinas de manuseio correto dos preservativos.

Talita Martins/Agência de Notícias da Aids – 25.11.2009





Segundo Boletim Epidemiológico 2009, HIV atinge mais mulher na faixa dos 13 aos 19 anos, informa Estadão

26 11 2009

Dados do Boletim Epidemiológico de 2009, do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, apontam para 10 casos de aids em meninas de 13 a 19 anos para 8 meninos da mesma faixa etária. Esse foi o destaque do jornal Estado de São Paulo, desta quarta-feira. “Além disso, o número de mulheres infectadas com mais de 50 anos triplicou, confirmando alerta feito pelo Programa de Aids no ano passado”. O relatório nacional será divulgado ainda esta semana. Leia a seguir.

O novo boletim epidemiológico sobre AIDS que será divulgado nesta semana pelo Ministério da Saúde brasileiro confirmará que na faixa etária dos 13 aos 19 anos já há mais meninas do que meninos infectados pelo HIV. São 10 mulheres para cada 8 homens, enquanto na população em geral a relação é de 15 homens soropositivos para cada 10 mulheres. Além disso, o número de mulheres infectadas com mais de 50 anos triplicou, confirmando alerta feito pelo programa de AIDS no ano passado.

“Não há dúvida de que há um crescimento da epidemia em determinadas faixas etárias”, afirma Mariângela Simão, coordenadora do programa de DST e AIDS do Ministério da Saúde.

A tendência crescimento do número de mulheres infectadas também é destacada no relatório do Programa das Nações Unidas para HIV e AIDS (UnAids), divulgado ontem. Ele mostra que dos 2,7 milhões de novos casos da doença estimados para 2008, 48% foram em mulheres. O total de casos, no entanto, é 17% inferior a 2000 e 30% menor do que em 1996, quando a epidemia atingiu seu pico. Apenas na África Subsaariana, região com a maior carga de infectados, 400 mil casos foram evitados.

Na contramão, a América Latina ainda sofre um aumento no número anual de novas infecções, de 13%. Em entrevista ao Estado, uma das autoras do relatório, Karen Stanecki, indicou que parte da expansão na região ocorre em razão da falta de programas de prevenção orientados para os homens que fazem sexo com homens. A especialista destaca que em alguns países 20% dos homens que mantêm relações sexuais com homens também mantêm relações com mulheres.

“À medida que a epidemia ganha maturidade, a transmissão heterossexual aumenta”, alerta o relatório.

Apesar da alta no número de novos casos na América Latina, a ONU elogia o Brasil como exemplo nas políticas de prevenção. “A América Latina oferece exemplos fortes de liderança na prevenção ao vírus HIV. Em particular o Brasil, que vem sendo apontado por ter implementado cedo medidas de prevenção ao vírus HIV que ajudaram a atenuar a gravidade da epidemia”, diz o relatório.

No total, 60 milhões já foram infectados pelo vírus do HIV no mundo desde sua descoberta, há quase 30 anos. Só em 2008, 2 milhões morreram.

O Estado de S. Paulo – 25.11.2009





Epidemia de aids não deve ser vista de forma uniformizada, diz Pedro Chequer

26 11 2009

Foi lançado nesta terça (24) os dados do Relatório sobre a Epidemia Global de Aids 2009 do Conjunto das Nações Unidas para o HIV/Aids (Unaids). Um total de 25 milhões de pessoas morreram vítimas da aids desde o surgimento da doença e 60 milhões foram infectadas, mas o número de novos contágios caiu 17% nos últimos oito anos, de acordo com o documento. “A epidemia de aids não deve ser vista de forma uniformizada. É preciso refletir mais localmente”, disse o representante do Unaids no Brasil, Pedro Chequer. De acordo com o relatório, na América Latina, a aids continua concentrada em grupos vulneráveis, principalmente em homens que fazem sexo com homens (HSH). A prevalência continua a crescer na Europa Oriental e na Ásia Central e em outras partes da Ásia devido à alta taxa de novas infecções por HIV. A África Subsaariana continua a ser a região mais afetada, com 71% de todas as novas infecções.

Na América Latina, a estimativa de novas infecções pelo HIV em 2008 foi de 170 mil casos e, conseqüentemente, o número de pessoas vivendo com HIV é de 2 milhões. Segundo estimativas, cerca de 77 mil morreram de doenças relacionadas à aids ao longo do último ano.

Dados recentes sugerem que a epidemia permanece estável na América Latina. A prevalência do HIV regional é de 0,6%, portanto, a região é caracterizada principalmente por uma epidemia de baixo nível e concentrada, de acordo com o Unaids.

Na região, o número de infecções pelo HIV entre os homens é significativamente maior do que entre as mulheres, em grande parte devido à predominância da transmissão sexual entre HSH. No Peru, o número de casos de aids notificados entre eles, em 2008, foi quase três vezes superior ao número registrado entre as mulheres, por exemplo. “Não somente na América Latina, mas no leste americano a epidemia também é concentrada, assim como em parte da Europa. Cada local tem uma realidade diferente e o Unaids enfatiza cada vez mais a necessidade de refletir e realizar programas de prevenção locais. No Brasil, a epidemia de aids no Norte e Nordeste é de uma forma, em São Paulo de outra. Não podemos visualizar a aids de uma forma só”, enfatizou.

“Na Europa Oriental e na Ásia Central e em outras partes da Ásia houve a insurgência da epidemia entre usuários de drogas injetáveis”, disse Chequer.

Rodrigo Vasconcellos/Agência de Notícias da Aids – 24.11.2009





Unaids lança site aidsspace.org para aumentar rede social em torno do HIV

26 11 2009

Criado a partir de ferramentas semelhantes às utilizadas nos sites Twitter e LinkedIn e dos sites de relacionamento Facebook e Orkut, o www.aidsspace.org chegou com o propósito de se tornar uma comunidade online que conecta pessoas, compartilha conhecimentos e acessa serviços sobre HIV pelo mundo. O objetivo do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/aids (UNAIDS), idealizador do projeto, é fazer com que as 33,4 milhões de pessoas vivendo com HIV e mais milhões de outras façam parte da resposta à epidemia à partir desses intercâmbios. A iniciativa foi lançada hoje junto com os dados do Relatório sobre a Epidemia Global de Aids 2009.

Com informações em inglês, o site é voltado para o público especializado (profissionais de saúde, pesquisadores, estudantes, representantes da sociedade civil e dos setores público e privado) e para a população em geral. Nele é possível trocar mensagens com outros membros do site, fazer novos contatos, participar de salas de discussões, desenvolver comunidades e divulgar experiências, projetos e eventos.

Na biblioteca, o usuário pode consultar e baixar documentos como relatórios técnicos, guias, manuais e recomendações produzidas mundialmente nas áreas de prevenção, tratamento, monitoramento, direitos humanos, mobilização social, entre outros. O site também permite adicionar novos documentos, assim como encontrar ou postar vagas de estágio e emprego, compartilhando conhecimentos e estratégias com a rede. No campo “Newsroom”, podem ser lidas notícias mais atualizadas da imprensa internacional sobre a epidemia.

O princípio para fortalecimento da resposta, segundo o próprio site, é simples. Se milhões de pessoas podem conectar e se juntar a outras redes de relacionamento populares como Facebook e MySpace para compartilhar conteúdos e classificar o que está acontecendo mundialmente sobre o HIV, a aids terá uma comunidade própria desenvolvida. Assim, os resultados serão maximizados, a informação será difundida e multiplicada de maneira gratuita, espontânea e informal.

Para mais informações:

UNAIDS
Sophie Barton-Knott 
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Nara Anchises/Agência de Notícias da Aids – 24.11.2009





26 mulheres mortas desde o início do ano em Portugal

24 11 2009

Dados provisórios indicam descida em relação a 2008, que fechou com 40 mortes. Mas, este ano, 17 das 26 vítimas tinham menos de 35 anos.

Maria Graça inaugurou este ano a lista de mulheres mortas por homens com quem mantinham ou tinham mantido uma relação íntima. Foi esfaqueada, numa casa isolada, num pinhal. A União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) contou 25 este ano – quase metade de 2008. Há outra para a acrescentar à lista. Ao final da manhã de ontem, Maria Alice foi alvejada no centro histórico de Santarém.

Maria José Magalhães, a nova presidente da UMAR, tem os olhos postos na grelha construída a partir de notícias de jornal: “São dados ainda provisórios.” Quantas notícias podem ter escapado? Quantos dos 42 homicídios tentados podem ter-se convertido em homicídios consumados?

No ano passado, o Observatório de Mulheres Assassinadas (OMA) somou 45 homicídios consumados. Atendeu a descendentes directos e a outros familiares. Mortas por marido, companheiro ou namorado, ex-marido, ex-companheiro ou ex-namorado eram 40 – um pico sem explicação aparente: em 2007, foram 20; em 2006, 31; em 2005, 31; em 2004, 31. Magalhães chama a atenção para o facto de algumas mulheres terem sido assassinadas depois de terem posto fim à relação (nove dos 25 homicidas encaixam na categoria de ex-marido, ex-companheiro ou ex-namorado). E para a idade das vítimas (seis com idades compreendidas entre 18 e 23 anos e 11 com idades compreendidas entre os 24 e os 35). Nalguns casos, havia queixa. “De algum modo, a sociedade não tem garantido a sua protecção”, interpreta.

Os números reflectem a atenção que os meios de comunicação social dão – ou não – ao fenómeno, haveria de comentar, por telefone, a secretária de Estado da Igualdade, Elza Pais. “A violência doméstica está mais visível e é mais intensa. As mulheres estão a reagir cada vez mais à violência e quando as reacções não são apoiadas podem suscitar retaliações que podem ter consequências extremas. A solução não é não fazer frente. A solução é fazer frente, pedindo ajuda.”

Marlene Matos, professora da Escola de Psicologia da Universidade do Minho, está de acordo: “Nos últimos 30 anos, as mulheres redefiniram o seu papel na sociedade e nas relações. Antes, só tinham deveres. Agora, também têm direitos. Têm direito, por exemplo, a serem valorizadas, a não serem menorizadas. Toleram menos as relações abusivas”.

O risco da indiferença

Atrás de Maria José Magalhães há um cartaz vermelho, rectangular: “Grita! Grita mais alto! Grita ainda mais alto para que os teus vizinhos te ouçam e possam gritar contigo. Para que todos e todas possamos gritar contra a violência sobre as mulheres e contra o homicídio conjugal.”

“A mentalidade está a mudar”, acredita o professora da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. Até 2006, com alguma frequência, surgiam notícias dentro das quais cabiam vizinhos a atestar surpresa e a desculpar o agressor: “Ainda aparece um ou outro a dizer mal do agressor, mas já não é vulgar”. Agora, os vizinhos falam de queixas. Num dos casos, a GNR já lá fora três vezes e noutra sete.

“Cada vez há mais pessoas a apontar o dedo”, corrobora. Ainda é invulgar, porém, qualquer vizinho ou familiar denunciar um caso. Apesar de ser público, o crime tende a chegar às esquadras da PSP e aos postos da GNR pela boca das vítimas. Atoladas na ambivalência, muitas morrem sem antes pedir ajuda.

Na opinião de Maria José Magalhães, tem falhado a avaliação do risco: “É preciso levar os sinais e as ameaças a sério. Muitas vezes, as pessoas dizem: “Ela ameaçava, nunca pensei que chegasse a este ponto”. Há uma atitude de benefício ao agressor. Em caso de dúvida, é preciso pecar por excesso e por defeito, dar o benefício à vítima e não ao agressor”.

Marlene Matos também acha que “o risco nem sempre é realisticamente avaliado”. “A própria vítima nem sempre consegue avaliar o risco”, enfatiza. Tem de haver quem o faça por ela. Não é tudo: “Tem de haver uma punição associada a este comportamento. O número de condenações é muito baixo. Se calhar, quem pratica este tipo de crimes ainda não se sente punido ou vigiado”.

Sopram promessas de mudança. “A Secretaria de Estado está a fazer a monitorização das situações que acontecem”, adianta Elza Pais. “Quando os casos já estavam sinalizados tem de se ver o que falhou e chamar à responsabilidade”.

Deposita esperança na nova lei da violência doméstica, que entrou em vigor em Setembro e carece de regulamentação. Desde logo, porque “permite à polícia deter o agressor sem ser em flagrante delito, o que evita situações dramáticas de perigo iminente”. Há um alargamento do quadro jurídico.

Maria Graça Fonseca

82 anos

Na Quinta da Atalaia, Covilhã, um homem de 77 anos matou a sua companheira à facada.

Conceição Cardoso

47 anos

Baleada mortalmente pelo marido em Alvélos, Barcelos, no seguimento de discussões de ordem profissional.

Tânia Moreira

30 anos

Morta a tiro pelo companheiro, um guarda prisional, de 44 anos, com a sua arma de serviço, em São Julião do Total, Loures. Foi também vítima o ex-marido da mulher baleada. Tudo terá acontecido quando o homicida chegou a casa e viu a companheira com o ex-marido.

Maria Manuela Reis Antunes

Margarido

49 anos

Esfaqueada até à morte pelo ex-marido, de 53 anos, dentro do seu carro, quando se preparava para ir trabalhar. O crime teve lugar em Casais de Arega, Figueiró dos Vinhos.

Sandra Neves

36 anos

Esfaqueada mortalmente em Pouco do Mouro, Setúbal, pelo companheiro de 43 anos. Ciúmes doentios poderão ter estado na origem do crime.

Sara Tavares

26 anos

Morta em Portimão pelo marido, de 24 anos, com uma faca. O crime terá sido provocado por um desentendimento entre marido e mulher, quando esta não quis passar o dia a casa da sogra.

Laura Jorge Andrade

42 anos

Morta a tiro pelo marido em Frazão, Paços de Ferreira. Desavenças conjugais que já vinham a agravar-se devem ter estado na origem do crime.

Marília Madeira

36 anos

Baleada mortalmente pelo companheiro de 36 anos em A do Neves, Almodôvar. Uma espingarda terá sido a arma usada neste crime de natureza passional.Deolinda Rodrigues

36 anos

Morta com uma caçadeira de canos serrados pelo companheiro de 47 anos em Silves, Faro. Estavam separados há duas semanas.

Vítima desconhecida

41 anos

Uma mulher de 41 anos foi mortalmente estrangulada em Raposeira, Chaves, pelo marido, de origem senegalesa. Por detrás deste crime terão estado razões passionais.

Maria Alice S.

61 anos

Vivia em Moitelas, Sobral do Monte Agraço e foi vítima de um tiro de caçadeira disparado pelo marido de 63 anos que se enforcou após o crime.

Cláudia Barreira

37 anos

Tinha-se separado há cinco meses quando foi alvo de três tiros disparados pelo marido, do qual se tinha separado há cinco meses. O crime ocorreu em Vila Pouca de Aguiar.

Liliana

36 anos

Não conseguiu evitar que o seu ex-companheiro a encontrasse e a assassinasse na casa dos pais, em Donelo, Sabrosa. A vítima foi morta a tiro e deixou órfãs quatro crianças.

Otília Farinha

45 anos

Já tinha apresentado várias queixas contra o marido, quando o mesmo a assassinou com uma arma de fogo e se suicidou. O processo de divórcio terá estado na origem deste crime em Arco da Calheta, na ilha da Madeira.

Sandra Pereira

23 anos

Foi assassinada no posto de trabalho com um machado pelo ex-companheiro, de 26 anos, em Chão Duro, na Moita. O que terá causado o crime foi a discordância pela custódia dos filhos.

Vítima desconhecida

21 anos

Morreu ao ser atingida por vários golpes com uma arma branca, pelo namorado de 22 anos, na ilha de São Miguel, nos Açores.

Vítima desconhecida

21 anos

Jovem foi degolada pelo ex-namorado em Ponta Delgada. O assassino “ajudou a procurar a vítima” após efectuar o crime.

Linda Cossa

37 anos

Já tinha apresentado várias queixas contra o seu ex-companheiro, mas não foram suficientes para evitar que o homem, de 50 anos, a assassinasse com um machado na Rua da Cidade de Almada, no Seixal.

Helena Preto

42 anos

Vivia em Lardosa, no concelho de Castelo Branco, quando o marido, guarda nacional republicano, a assassinou com uma pistola e suicidou-se.

Sandra Ruela

39 anos

Foi morta com um tiro na cabeça pelo companheiro, de 42 anos, agente da PSP. A relação conflituosa entre o casal era conhecida dos vizinhos, em Belas, Sintra. Margarida Sá Marques

36 anos

Esfaqueada pelo companheiro de 50 anos. A esquadra de Mirandela conhecia os relatos de violência doméstica entre o casal.

Sandra Pontes

23 anos

Violada e esfaqueada até à morte juntamente com a amiga Marinela Virgínio, em Rio de Mouro, Sintra. O autor do crime foi o ex-companheiro de Sandra Pontes.

Carla Martins

28 anos

Assassinada à facada pelo ex-namorado, em Juncal do Campo, no concelho de Castelo Branco. O ex-namorado já a tinha ameaçado e agredido.

Joana Fulgêncio

20 anos

Encontrada morta no carro do namorado de 22 anos, com um saco de plástico na cabeça. O rapaz terá simulado um sequestro para encobrir o assassinato.

Maria Duarte

36 anos

Abatida a tiro ontem pelo ex-companheiro, em Santarém.

 

104 queixas de violência no namoro

Campanha em curso e acções de prevenção em escolas podem estar a consciencializar os jovens

A violência no namoro está a chegar às esquadras da PSP e aos postos da GNR. No ano passado, as forças de segurança registaram 104 queixas – 97 com raparigas como vítimas e sete com rapazes.Já se sabia que a violência persistia nas novas gerações. Revelara-o o estudo Violência física e psicológica em namoro heterossexual – coordenado pelas psicólogas Carla Machado, Marlene Matos e Carla Martins – sobre “violência nas relações de intimidade” entre jovens dos 15 aos 25 anos.

As investigadoras encontraram níveis de violência muito próximos dos encontrados entre adultos. Um em cada quatro dos 4730 inquiridos admitiu já ter sido vítima, pelo menos uma vez, de algum comportamento abusivo por parte do namorado ou namorada – 20 por cento violência emocional (insultos, ameaças, jogo psicológico e coerção) e 14 por cento agressão física. E 30 por cento admitiram já ter agredido o parceiro – 23 por cento agressão física e 18 emocional.

Agressores e vítimas tendiam a não entender a violência como inaceitável. Desculpavam-na. Na pequena violência não havia diferença de género. A diferença instalava-se, porém, quando o namoro se aprofundava.

Foi na sequência deste estudo que a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género lançou em 2008 uma campanha sobre a violência no namoro, lembra a agora secretária de Estado da Igualdade, Elza Pais. Satisfeita: “A nossa campanha é inovadora no quadro europeu e internacional. Acabo de chegar de Madrid, onde estive a participar num congresso sobre juventude e violência de género: a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa pediu para usar versões adaptadas”.

A responsável governamental vê nestas queixas um reflexo dessa campanha de sensibilização e do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido por organizações não governamentais nas escolas. Marlene Matos consente. Já por isso, não lhe parece um acaso que Viana do Castelo (19) seja o distrito com mais queixas, seguido por Aveiro (17) e Lisboa (14).

A violência no namoro, realça a investigadora, que integra a Unidade de Consulta de Psicologia da Justiça, é um fenómeno novo em termos de discurso. Com o aumento de informação, o comportamento abusivo de namorados ou namoradas começa a ser percebido pelas vítimas como o que é: como um crime. Antes disso, é visto como um sinal de amor.

A mudança não acontece numa geração. “Atrás da violência está um problema cultural, histórico”, explica Maria José Magalhães, presidente da União de Mulheres Alternativa e Resposta e investigadora da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação Universidade do Porto. Fala na ideia de amor cego, no sentimento de posse, da visão de mulher enquanto propriedade. A.C.P.